quarta-feira, 16 de setembro de 2026

A Saga dos Comunistas: História Viva no Maranhão


No dia 19 de setembro de 2026, o município de Santa Inês, na Faculdade Santa Luzia, será palco de um grande resgate histórico  de memória, resistência e luta
: o evento “A Saga dos Comunistas no Vale do Pindaré”, promovido pela Cebrapaz, CTB, pela professora e hoje candidata a deputada estadual Regina Galeno(PCdoB) e pelo Partido Comunista do Brasil de Santa Inês.

O Vale do Pindaré guarda uma das mais marcantes histórias de resistência camponesa e sindical do Brasil. Em 1963, trabalhadores rurais fundaram o primeiro sindicato da região, liderados por Manoel da Conceição Santos. Com o golpe militar de 1964, militantes perseguidos se refugiaram na região, mantendo viva a luta pela terra e pela justiça social.

O evento tem como objetivo resgatar e preservar a memória histórica dessa resistência, valorizar o legado das lideranças comunistas e sindicais e promover uma reflexão crítica sobre os desafios sociais contemporâneos. É também um espaço para fortalecer a identidade cultural e a cidadania.

A programação será intensa e diversificada: palestras, rodas de conversa, exposições, exibição de vídeos e apresentações culturais. O ponto alto será a participação das próprias lideranças comunistas e sindicais ainda vivas, que compartilharão suas memórias em primeira pessoa, conectando passado e presente.

Entre as presenças confirmadas, destaca-se Dilermando Toni, representante da CEBRAPAZ e membro do Comitê Central do PCdoB, além de camponeses que viveram os momentos de resistência na época. Suas vozes darão ainda mais força ao ato de memória e reconhecimento.

A culminância será a homenagem pública aos comunistas vivos, com entrega de comendas e certificados de Mérito da Resistência. Mais do que recordar o passado, o projeto celebra a resistência viva que ainda pulsa no Vale do Pindaré, inspirando novas gerações a dar continuidade à luta por direitos e democracia no Maranhão.

Informações da Coordenação do Evento.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Maranhão 2026: alianças locais e ataques cruzados podem fragilizar Lula no cenário nacional

Imagem: Rede Sociais


Por Jorge Antonio Carvalho*

O Maranhão chega às eleições de 2026 com um quadro político fragmentado e cheio de contradições. Desde os governos de Flávio Dino (2015–2022) houve uma grande aliança entre os campos da esquerda e centro, que garantiu estabilidade e força política. No governo de Carlos Brandão (2022–2026) essa aliança teve continuidade, mantendo a base de sustentação e ampliando a presença institucional. Essa coesão, porém, vem se desfazendo nos últimos anos, abrindo espaço para o crescimento do campo de direita e para a reorganização da extrema-direita.

A disputa atual e o segundo turno inevitável

Pesquisas recentes apontam para a forte possibilidade de segundo turno. Eduardo Braide (PSD), ex-prefeito da capital, evita assumir discurso ideológico ou se autodeclarar bolsonarista, mas sua campanha acolhe o apoio da direita conservadora e da extrema-direita, atraindo essa base sem precisar se comprometer com a retórica radical.

Nesse cenário, Felipe Camarão (PT) concentra suas acusações contra Orleans Brandão (MDB). O efeito prático é que Braide se fortalece: não precisa gastar energia em ataques, pois Camarão cumpre esse papel. O resultado é um jogo de alianças estratégicas e ataques cruzados, onde Braide se mantém como figura técnica, mas sua campanha se beneficia da polarização e, por tabela, reforça candidaturas bolsonaristas que orbitam sua coligação.

Capital versus interior: duas lógicas eleitorais

Interior: o campo de centro e direita domina, sustentado por redes municipalistas e conservadoras.

Capital: São Luís reafirma sua peculiaridade ao reeleger Braide em 2024 e mantê-lo competitivo em 2026, isolando-se da polarização estadual e valorizando a gestão direta.

Essa dualidade mostra que o Maranhão é hoje um estado de múltiplas lógicas eleitorais, onde a capital segue pragmática e o interior reproduz a disputa nacional entre direita e centro.

Impacto nacional: risco para Lula e para a estratégia progressista

O saldo desse jogo político pode ir além das fronteiras maranhenses. A fragmentação e o fortalecimento de candidaturas de direita e extrema-direita, renovadas ou ampliadas, podem prejudicar a candidatura de Lula e expor a falta de uma estratégia nacional consistente das forças progressistas para contrabalançar o Congresso.

Enquanto setores do MDB se movimentam para apoiar tanto Lula quanto Orleans Brandão, em nome de alianças nacionais e estaduais que remontam aos governos de Flávio Dino, a ausência de uma coordenação nacional clara abre espaço para que a direita cresça e se renove. O Maranhão, nesse sentido, funciona como um espelho do Brasil: alianças locais e disputas regionais que, no saldo final, podem enfraquecer o projeto nacional progressista.

Possibilidades e tendências a serem avaliadas

Primeiro: se houver apenas primeiro turno com vitória de Braide e, nacionalmente, a disputa seguir para um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, em qual palanque Braide vai subir? Ele continuará se mostrando neutro, mantendo a imagem de gestor técnico, ou será pressionado a se alinhar com seus apoiadores de palanque já eleitos, que representam o bolsonarismo escancarado?

Segundo: Acontecendo o segundo turno estadual, que tá mais provável, com a expectativa de Braide estancar e Orleans Brandão (MDB) crescer sustentado por redes municipalistas e movimentos pró‑Lula/Orleans, e Felipe Camarão (PT) avançar por ser da chapa puro sangue do PT de Lula. O cenário apontado por várias pesquisas como tendência de disputa entre Braide e Orleans, surge outra indagação: em qual palanque Camarão vai subir? O PT vai optar por votar nulo, liberar seus eleitores para escolher livremente, ou assumir uma posição clara sobre o rumo que o Maranhão deve seguir?

E mais: se Lula for eleito no primeiro turno ou mesmo disputar o segundo, quem ele apoiará no Maranhão? A candidatura de Orleans Brandão, pela tradição de alianças históricas desde os governos de Flávio Dino, ou Braide, que mesmo sem discurso ideológico atraiu a base conservadora e bolsonarista da capital?

Essas perguntas não têm resposta definitiva agora, mas ficam como indagações necessárias para reflexão dos amigos leitores. O Maranhão pode ser decisivo não apenas para o futuro estadual, mas também para o equilíbrio nacional das forças progressistas e conservadoras.

E é justamente aí que reside a maior preocupação: a possível fragilização de Lula diante de um cenário fragmentado. A coordenação de campanha do Lula no Maranhão precisa agir com habilidade e firmeza, sem titubeios, sabendo distinguir e definir qual rumo deve ser tomado. Mais do que nunca, é essencial orientar os eleitores para o fortalecimento das forças que venham somar com o novo mandado de Lula, evitando cair na esparrela de seguir candidatos que representam a extrema-direita travestida de mudança.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

A cidade pintada de asfalto, mas marcada pelo descaso


Por Jorge Antonio Carvalho*

O candidato a governador, Eduardo Braide insiste em destacar o asfaltamento de ruas e avenidas e a construção de um viaduto na entrada de São Luís, nos seus programas eleitorais. São obras que saltam aos olhos, mas escondem a ausência de políticas públicas estruturantes para as comunidades.

Lixo urbano 

A cidade convive com problemas graves de limpeza. Como mostra a matéria São Luís e o lixo urbano: quando o asfalto cobre a sujeira (Conversa de Feira, 2025), o asfaltamento foi feito sem resolver a coleta de lixo, resultando em ruas novas com lixões por cima. Falta investimento em educação ambiental e fiscalização.

Educação precária 

Segundo denúncia do portal G7MA em 2023, centenas de crianças ficaram fora da sala de aula por falta de vagas e estrutura adequada. Escolas seguem sem reformas, com telhados que gotejam e equipamentos obsoletos, comprometendo o aprendizado.

Crise na saúde 
Foto: Rede Sociais

A Defensoria Pública alertou sobre falhas em contratos das UTIs pediátricas antes das denúncias no Hospital da Criança (G1, 2026). O resultado foram mortes de crianças, fato que gerou comoção. Em resposta, Braide classificou as denúncias como “canalhice” (Gilberto Léda, 2026), minimizando a gravidade da crise.

Mercados abandonados 

Feirantes do Mercado Central denunciaram abandono e falta de apoio. Em vez de dialogar, Braide preferiu criticar os trabalhadores (Gilberto Léda, 2026), revelando o distanciamento da gestão em relação às necessidades da população.

Cultura negligenciada 

A classe artística ficou sem investimentos e apoio, acumulando dívidas e frustrações. O descaso enfraquece não apenas os artistas, mas também a memória e a diversidade da cidade.

Cultura desvalorizada (caso Mirante da Cidade) 

Em 2026, a Prefeitura lançou edital convocando músicos para se apresentarem no Mirante da Cidade sem cachê nem ajuda de custo, obrigando-os a bancar toda a produção (veja aqui). O produtor cultural Emilio Sagaz ironizou: “Eu já fiquei na dúvida se os chicotes já estavam lá ou se a gente tinha que levar.” Enquanto isso, o Portal da Transparência mostra que a prefeitura pagou R$ 1 milhão em dois contratos recentes com a cantora Joelma, somando quase R$ 3 milhões desde 2023. O contraste é evidente: artistas locais chamados a tocar de graça, enquanto cifras milionárias são destinadas a atrações de fora.

Acusações de corrupção 

Pairam denúncias envolvendo a família Braide, como o chamado “Clio do Milhão” (G7MA, 2025). A Polícia Civil silenciou sobre as investigações, reforçando a percepção de problemas éticos e de transparência na gestão.

Carro foi apreendido com porta-malas cheio de dinheiro em São Luís 
Foto: Divulgação/Polícia Militar

Contraste gritante 

Enquanto o candidato exibe o asfalto como símbolo de progresso, a população enfrenta escolas precárias, hospitais em crise, mercados abandonados e lixo acumulado. O brilho das obras não consegue esconder a sombra das mazelas sociais.

O asfaltamento tem importância, mas não pode ser a única política pública. Quando se cobre o chão e se esquece das pessoas, o resultado é uma cidade que parece moderna na superfície, mas continua sofrendo nas suas bases.

Um projeto para além da maquiagem urbana 

O Maranhão precisa de políticas que enfrentem os problemas sociais de frente: educação, saúde, cultura e economia popular. O povo não quer apenas ruas asfaltadas; quer dignidade, respeito e qualidade de vida.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

Fontes: Linkadas no conteúdo da matéria.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Hora do Povo: Instituto de André Mendonça é comitê de campanha bolsonarista

André Mendonça, Foto: Carolina Antunes - PR

Quatro ex-integrantes do governo Bolsonaro são sócios do ministro. Agora fica claro porque ele está sentado em cima das investigações sobre o escândalo dos R$ 65 milhões que Vorcaro deu a Flávio

O Instituto Iter, criado em novembro de 2023 pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, é um verdadeiro comitê de campanha bolsonarista.

O instituto tem como sócios 4 ex-integrantes do governo do golpista preso Jair Bolsonaro (PL). Não é à toa que o ministro está sentado em cima da investigação do escândalo envolvendo o criminoso repasse para Flávio de R$ 65 milhões do Banco Master. Ele foi pego em flagrante pedindo o dinheiro ao banqueiro ladrão.

Os 4 bolsonaristas trabalharam no governo em períodos concomitantes com Mendonça, que foi advogado-geral da União de janeiro de 2019 a abril de 2020 e de março de 2021 a agosto de 2021, e ministro da Justiça de abril de 2020 a março de 2021.

Veja quem são os sócios do Instituto Iter:

Victor Godoy Veiga – tem 7,5% da empresa e é seu atual presidente. Foi ministro da Educação de março a dezembro de 2022;

Danilo Dupas Ribeiro – tem 5% da empresa. Foi presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) de março de 2021 a julho de 2022;

Tercio Tokano – tem 5% da empresa. Foi subchefia para assuntos jurídicos da Presidência da República em 2020 e secretário-executivo do Ministério da Justiça em 2020 e 2021;

Rodrigo Hauer – tem 5% da empresa. Foi chefe de gabinete do advogado-geral da União de janeiro de 2019 a maio de 2020 e de abril a setembro de 2021 e chefe de gabinete no Ministério da Justiça de maio de 2020 a abril de 2021.

Desmoralizado por estar favorecendo o grupo bolsonarista em sua atuação como ministro, impedindo as investigações das negociatas criminosas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, André Mendonça anunciou que esta deixando a sociedade bolsonarista. Esta saída é a confissão de que sua atuação é completamente parcial. O ministro Alexandre de Moraes pediu hoje (quinta-feira, que a corte abra investigação contra André Mendonça.

Fonte: Copiado do  Blog Hora do Povo