Mostrando postagens com marcador Terrorismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Terrorismo. Mostrar todas as postagens

domingo, 3 de maio de 2020

Fidel e o que Trump e seus inimigos odiados ignoram.

Foto: Juvenal Balán
Por Iroel Sánchez

Era previsível, já aconteceu antes: o extremismo do governo dos EUA contra Cuba novamente encoraja o terrorismo. 

Um fanático atira na embaixada cubana em Washington. Eles não são os "ataques sônicos" invisíveis e nunca comprovados, que o governo Donald Trump disse ter acontecido contra seus funcionários em Havana, são balas disparadas com uma espingarda de assalto e seus impactos são bem visíveis na fachada da sede diplomática Cubano na capital dos Estados Unidos. 

O movimento Trump contra Cuba começou insultando Fidel por ocasião de sua morte, entregando a política para a Ilha aos setores mais agressivos do sul da Flórida e usando os duvidosos "ataques" contra seus diplomatas em Havana para aumentar a perseguição a os navios que transportam combustível para os portos cubanos, a suspensão de vôos e cruzeiros comerciais, a caça mundial para eliminar a colaboração médica internacionalista cubana, a implementação do capítulo III da Lei Helms Burton, que não é representável, para prosseguir o investimento estrangeiro em Cuba e a escalada da perseguição global de qualquer gerência para fazer negócios com uma empresa cubana. Somente em 2019, houve 86 ações do governo Trump contra a ilha vizinha. 

A mentira, o bloqueio econômico e a violência terrorista foram aliados inseparáveis ​​da política de Washington em relação a Cuba e é lógico que o uso intensivo dos dois primeiros acabe estimulando o retorno do terceiro. 

Quando antiético e sem escrúpulos, Trump entra na pior tradição política de seu país, colocando o dinheiro das empresas à frente da vida de seus concidadãos, com o resultado de que já um milhão de americanos estão infectados pela pandemia do COVID. 19 e o número de mortos em seu território excede os mortos na guerra do Vietnã, Cuba - bloqueada como sempre - diminui o número de casos ativos dia após dia e envia brigadas médicas de solidariedade a mais de vinte países. 

É lógico que a frustração dos odiadores leve a atos desesperados: o ridículo campeão em que eles esperavam derrubar a Revolução Cubana está afundando na lama e suas chances de serem reeleitos diminuem na mesma proporção que nessas circunstâncias extraordinárias o exemplo de Cuba é cada vez mais admirada por sua capacidade de lidar com a escassez induzida pelos Estados Unidos, e não é suficiente para se salvar, mas ajuda o máximo possível para salvar a humanidade.

Fidel da "conduta diferente" que alertou o presidente Ronald Reagan, um de seus adversários mais ferozes, de uma tentativa de vida e ofereceu ao governo de outro adversário, George W. Bush, os aeroportos cubanos para hospedar os aviões que procuravam onde pousar após o ataque terrorista às Torres Gêmeas em Nova York. 

Neste dia de maio, milhões de cubanos lembrarão que, há apenas vinte anos, Fidel expressou com firmeza inesquecível que a Revolução está, entre outras coisas, "desafiando forças dominantes poderosas dentro e fora da esfera social e nacional" e "nunca mentindo ou violando princípios ético ”. Trump saberá, o odiado frustrado que atirou na embaixada cubana saberá? Valeria mais a pena não perder tempo com mais frustrações. 

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

É possível um elo entre Mariana e Paris?

Por Fernando Castilho*

Quando cheguei a uma certa idade comecei a fazer uma retrospectiva histórica, filosófica e sociológica do Brasil e do mundo, mais detidamente durante as décadas que vivi.

Óbvio, para mim, pelo menos, que principalmente a partir do fim da 2° guerra mundial, com a disputa pela hegemonia no poder por Estados Unidos e União Soviética, o mundo começou a mudar e se tornar no que é hoje.

Os Estados Unidos ao urgirem se impor ao bloco soviético, foram às últimas consequências para demonstrar que o sonho americano, o american way of life, o país livre, eram muito superiores ao que o comunismo pregava.

E realmente eram. Pelo menos do jeito que as coisas estavam acontecendo.
A publicidade extrapolou todos os limites ao explicitar ao bloco ocidental que se as pessoas não consumissem sem parar, não contribuiriam para a manutenção do sistema.

A exploração de recursos naturais se impôs, uma vez que havia a necessidade de suprir a indústria de matéria-prima.

A proliferação de produtos eletro-eletrônicos exigiu a construção de mais e mais usinas, sejam elas hidráulicas, que destroem o meio ambiente ao redor, sejam elas termoelétricas, que poluem a atmosfera, ou nucleares que podem causar grande contaminação, como Chernobyl ou Fukushima.

A obsolescência programada pelas empresas fez com que as pessoas trocassem seus produtos por outros assim que modelos novos fossem sendo lançados ou assim que os ”antigos” com mais de um ano de fabricação começassem a quebrar sem que o conserto fosse a opção mais econômica.

A Educação deixou de priorizar a produção de conhecimento, a pesquisa científica e o pensamento intelectual. Criou-se um funil destinado a selecionar somente aqueles que fossem capazes de serem úteis à manutenção do sistema. Aqueles que jamais perderiam seu tempo em reflexões acerca das conjunturas humanas, sociológicas, econômicas, filosóficas ou históricas, mas sim, o canalizariam em 100% para o crescimento das empresas em que trabalham.

Afinal, era prioritário que eles galgassem cargos mais altos nas empresas.

Aqueles que não passavam no funil ou que nem mesmo a chance tiveram de passar por ele, eram obrigados a viverem suas vidas também de forma a alimentar o sistema, mas de outra forma. Seriam a mão de obra mais pesada das empresas e galgariam postos sempre inferiores.

Outros seriam excluídos totalmente por terem nascido em lares muito pobres e desestruturados, não tendo a chance sequer de pensar em entrar para o sistema. São os miseráveis hereditários do mundo, que nem sabem por quê estão aqui. Muitos não veem outra opção para sobreviver senão entrar para o crime, que pode lhes garantir, pelo menos por algum tempo, a ilusão de como os do andar de cima vivem.

A guerra fria acabou mas o american way of life prosseguiu em cavar o mundo cada vez mais avidamente, afinal, para alimentar o sistema e aumentar os lucros era imperativo extrair dele o máximo que se pudesse.

Marx previu tudo isso e mais, mas não vamos falar dele sob pena de que o texto seja acusado de comunista, muito em voga nos dias de hoje, certo?

Chegamos aos dias de hoje em que 1% da população mundial detém 50% de toda riqueza.

Como riqueza não se cria, apenas se transfere (numa adaptação livre de Voltaire), não há como melhorar a vida dos restantes 99% sem melhorar a distribuição dessa riqueza. Mas esquece, isso não será feito. Thomas Piketty falou sobre isso em seu livro ”O capital no século 21 ”.

Então o sistema criou uma casta de deuses que domina o mundo e uma multidão de simples fieis. Alguns não serão fieis como se verá adiante.
Para aumentar os lucros os deuses tudo podem.

Pausa para uma estória verídica.

Na década de 1970 a Ford americana lançou um automóvel chamado Ford Pinto, alguém se lembra?

Pois bem, o Ford Pinto tinha um erro de projeto. O tanque de combustível fora colocado atrás, muito próximo ao para-choques, o que fazia com que a cada colisão traseira, o tanque explodisse matando ou mutilando seus ocupantes.
A Ford foi processada por alguns familiares de vítimas.

Durante o julgamento, apareceu um memorando interno dando conta de um cálculo que a empresa fez.

Nesse cálculo estimava-se que o custo para reparar o erro seria de 11 dólares por veículo.

A Ford estimou que, caso um certo número de vítimas a processasse e ganhasse, ainda assim seria mais barato manter o carro do mesmo jeito.

Chegamos a um ponto na História da humanidade em que a busca do lucro se sobrepõe facilmente à vida.

Por décadas esse sistema se infiltrou no nosso DNA, de forma que contestá-lo se torna heresia nos dias de hoje.
Ao que tudo indica, vamos até o fim com ele, como o sapo que morrw ao ser cozido lentamente na panela, quando teve oportunidade de sair.
Sinto tristeza em ver que o mundo ocidental foi tomado por essa ideologia da qual não consegue escapar.

Tudo isso que foi escrito se destina a tentar explicar os acontecimentos de Mariana e de Paris.

Mariana
 
Em Mariana, subdistrito de Bento Rodrigues, o que aconteceu foi uma busca incessante por lucros em detrimento da segurança.

Burlas em laudos técnicos, fraudes, corrupção de agentes vistores e de governadores, tudo isso faz parte da rotina de uma grande empresa que só se preocupa com lucros.

Nenhuma barragem, obra de engenharia que deve ser bastante segura em seu projeto, se rompe da noite para o dia sem dar sinais antes.

Os sinais podem ter sido vários, desde fissuras no concreto até estalos bem altos.

A tragédia foi anunciada em nome de se obter maiores lucros pois a interrupção de funcionamento para reparos e manutenção teria custos.

Indo para Paris

Em 2013 apareceu um grupo com pretensões a derrubar o regime de Bashar al-Assad, presidente da Síria. Barack Obama rapidamente, informado pela CIA, enxergou a possibilidade de ajudar o grupo na defenestração de Bashar para pretensamente colaborar para a instauração de um governo democrático no país que lhe possibilitasse usufruir do petróleo ali existente.

Para não dar na vista, Obama divulgou à mídia que iria combater o EI. Pelo contrário, as armas que o grupo emprega são de fabricação norte-americana.

O grupo só se fez crescer.

Quem se agregou ao grupo? Sim, os excluídos de vários países do mundo que viram em sua adesão ao EI uma oportunidade de fazer alguma coisa de suas vidas sem espaço no sistema em que vivem.

Vimos ingleses, franceses a até americanos ingressarem voluntariamente no EI.
A Rússia decidiu intervir e vem abrindo baixas significativas no EI. Obama não gostou.

Provavelmente em pouco tempo a Rússia consiga acabar com o Estado Islâmico.
O que aconteceu em Paris talvez seja um canto de cisne para o grupo.

Porém, o que aprendemos das lições passadas nos últimos dias?

Nada.

O mundo continuará a prosseguir na mesma trilha equivocada em que está, a fraternidade universal não será alcançada, o Papa Francisco poderá ser morto a qualquer momento, outros ”acidentes” ambientais ocorrerão, novos grupos de excluídos e inconformados surgirão e a humanidade está com seus dias, talvez décadas, contadas.

Alguém acha que sou muito pessimista, ou apenas realista?

Não há a mínima possibilidade de mudança.

Os deuses são como aquelas pessoas que tem carros blindados e que vivem em condomínios cercados por segurança extrema.

Desde que tenham sua própria segurança, que acabe o mundo ao seu redor.
Abre-se mais uma champanhe.

*Fernando Castilho é arquiteto urbanista, formado pela USP. Professor e blogueiro, mora no Japão e mantém no QTMD? a coluna “Em memória de Getúlio”.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Estado Islâmico explode Arco do Triunfo de Palmira, na Síria


Ruína fazia parte do
patrimônio mundial

Extremistas do Estado Islâmico explodiram o Arco do Triunfo na cidade síria de Palmira, informou o chefe de Antiguidades do país. “Recebemos notícias de que o Arco do Triunfo foi destruído no doming]. O Estado Islâmico preparou-o há várias semanas”, disse Maamun Abdulkarim.

O Estado Islâmico tem feito campanha contra o patrimônio arqueológico nas zonas sob seu controle na Síria e no Iraque e, em agosto, decapitou o antigo chefe de Antiguidades do país, de 82 anos.

Os extremistas já destruíram o tempo de Baal Shamin e o templo de Bel, com 2.000 anos, considerado a grande obra-prima de Palmira, desde que tomaram a cidade, em maio.

O Arco do Triunfo, situado na entrada da histórica rua com colunas das antigas ruínas, era o “ícone de Palmira”, afirmou Abdulkarim, alertando que os combatentes do Estado Islâmico já colocaram explosivos em outros monumentos.

“Isto é uma destruição sistemática da cidade. Querem arrasá-la completamente”, disse. “Querem destruir o anfiteatro, a colunata. Neste momento, receamos por toda a cidade”, afirmou, Ele pediu à comunidade internacional que “encontre uma forma de salvar Palmira”.

O grupo destruiu monumentos pré-islâmicos, túmulos e estátuas os quais consideram idolatria, mas especialistas destacam que o califado está também sendo financiado pela venda de artefactos no mercado negro.

Tanto a cidadela quanto as ruínas de Palmira foram classificadas como Patrimônio Mundial da Unesco (a agência das Nações Unidas para a educação e cultura) e, antes da guerra, atraíam cerca de 150 mil turistas por ano.




quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Estado Islâmico: A mão por trás do terror

Por Roberto Castellanos Fernandez

"Damasco, (Prensa Latina): Depois do terror desencadeado na Síria e Iraque pelo Estado Islâmico (EI), esconde-se uma maquinária estruturada durante anos com um objetivo: implantar sua visão radical do Islã a sangue e fogo.

Depois da fulgurante ofensiva da organização terrorista em amplas zonas de ambos países, numerosos meios de imprensa e serviços de espionagem de todo mundo tentaram revelar as engrenagens do EI.

No entanto, a impossibilidade de entrar nas áreas que controla e seu secretismo provocaram todo tipo de hipóteses sobre o tema muitas vezes discordantes entre si.

O anúncio no ano passado sobre as supostas feridas do autoproclamado califa Abu Bakr al Bagdadi em um bombardeio no Iraque, disparou as teses sobre sua sucessão.

O DAESH (iniciais desse agrupamento em árabe) aprendeu com os erros de outras formações jihadistas, em especial da Al Qaeda, e criou um governo nas sombras que inclui numerosos departamentos ou ministérios e dezenas de executivos provinciais para administrar as áreas sob seu controle.

Uma vez conquistado um território, o EI cria as estruturas que em nada diferem de governos ocidentais, se identificamos sua visão radical e seus crimes, destaca uma investigação do "Consórcio de Busca e Análise do Terrorismo".

O resultado é um aparelho militar estruturado para impulsionar sua particular jihad (guerra santa) e um sistema de administração descentralizado mediante o qual tenta oferecer os serviços básicos à população.

Para financiar sua política, o EI utiliza numerosos meios, desde a venda de petróleo ou cobrança de resgates e impostos até doações do exterior e venda de órgãos [humanos], como denunciou recentemente um diário iraquiano.

No topo da pirâmide, está o autoproclamado califa e Comendador dos Crentes, Abu Bakr al Bagdadi.

Nascido na cidade iraquiana de Samarra, Ibrahim Awwad Ibrahim al Badri, seu verdadeiro nome, se graduou em estudos islâmicos na Universidade de Bagdá e esteve preso em Camp Bucca, um cárcere estadunidense aberto depois da invasão ao Iraque em 2003.

Ali conheceu numerosos detentos que, na atualidade, são seus principais colaboradores, muitos deles militares e funcionários do derrocado presidente Saddan Hussein.

Segundo o "Grupo Soufan", uma empresa especializada em informação de inteligência, sob o comando direto da Al Bagdadi estão Abu Muslim al Afari al Turkmani e Abu Ali al Anbari, que lideram as operações no Iraque e na Síria, respectivamente.

Este triunvirato é o encarregado de dirigir o DAESH, e do qual depende os demais da organização, entre elas o Conselho da Shura, uma espécie de gabinete com a missão de assessorar em temas políticos o Bagdadi e de transmitir suas ordens.

Outro elemento chave é o chamado Conselho da Sharia, cujo objetivo é garantir que as leis e o acionar dos membros do EI sejam conforme sua visão particular e radical do Islã.

Esse setor outorga a justificativa legal e religiosa ao Estado Islâmico para assassinar, saquear ou escravizar a quem se oponha, em especial as minorias.

Mais abaixo estão os governadores de dezenas de wilayas (províncias), repartidas entre ambos países.

Al Baghdadi é o pastor, e seus adjuntos são os cães que pastoreiam as ovelhas do EI, comentou Hisham al Hashimi, um analista de segurança que teve acesso a documentos dessa organização apreendidos pelo exército iraquiano.

Al Anbari e al Turkmani são os pilares da fortaleza de al Baghdadi. Eles são quem o mantêm no poder, estimou.

Como parte da estrutura, cada pessoa tem sua função específica, que vai desde o gerenciamento dos detentos e o transporte de terroristas suicidas até o cuidado das famílias dos mortos em batalha ou as operações com artefatos explosivos.

Também há departamentos de comunicação, fornecimentos de armas, de inteligência, entre outros muitos.

Segundo o diário britânico "The Telegraph", a organização terrorista conta com cerca de mil comandantes de campo de nível médio e superior, todos com experiência militar ou em matéria de segurança.

Pelo exercício dos seus cargos, os salários oscilam entre 200 até 3 mil dólares mensais."


Fonte: Site Pátria Latina

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Em 2015: "Bolsonaro e Sheherazade: ninguém merece"

 
“Se não tivesse dado bobeira, não tinha acontecido”. Cada vez que alguém repete esta frase e seus derivados, um grande sinal verde se acende para todo tipo de atrocidade, do assedio verbal à violência física. Durante anos, séculos, machões pais e machões filhos aprenderam que mulher direita deve se precaver. Deve zelar pelos próprios desejos, para não ser chamada de “rodada”, e pelos desejos alheios, para não provocar demônios (masculinos) irrefreáveis. Uma saia, um beijo, uma conversa íntima, uma saída com as amigas para uma cerveja ao fim do dia: basta colocar os pés fora de casa, e profanar o esfregão e o avental destinados a ela, para assumir, por sua conta e risco, um destino manifesto. “Se não tivesse dado bobeira, não tinha acontecido”. Pois, se acontecer, a culpa é dela. Se aconteceu é porque mereceu.
 
Duvido que o leitor, homem ou mulher, tenha passado o último ano, talvez o último mês, sem ter ouvido discursos desse tipo. Pelo raciocínio, homens são seres incapazes de refrear os próprios desejos. Estes não podem ser despertados porque, presume-se, não se controla a força de uma corrente natural. Sendo assim, basta à mulher se comportar e saber onde pisa e o respeito brotará como um dom natural, certo? Errado. Muito errado. Tão errado que dá até vergonha de repetir.
 
Mas a gente repete. E vai repetir todos os dias até que figuras públicas, como Rachel Sheherazade, deixem de deseducar seu público com discursos tão primários quanto enganosos. O último deles aconteceu após o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), homofóbico declarado, dizer à colega Maria do Rosário (PT-RS) que só não a estuprava porque ela não merecia.
 
Bolsonaro acabava de afofar o colchão que durante séculos permite aos machões de todos os matizes, de direita ou de esquerda, ricos ou pobres, cristãos ou ateus, estraçalhar quem estivesse à sua frente pelo critério do merecimento. É quando o estupro deixa de ser considerado o que é – um crime hediondo – e se torna um recurso apenas não recomendável. Esta premissa, repetida à exaustão nas melhores casas de família, e agora vomitada na tribuna do Congresso, é um dos muitos sinais verdes para a perpetuação de uma atrocidade. Este grande letreiro culpa a vítima pelo merecimento, ou não, da violência sofrida e exime o homem do próprio crime – este é compreendido como um instinto natural, portanto incontrolável, e não uma ação legitimada por um discurso recorrente.
 
Nada mais natural, portanto, que este discurso seja prontamente refutado por quem luta diariamente por um direito básico: o direito de viver em segurança com o próprio corpo. Por isso é uma pena, sob todos os aspectos, quando as protagonistas desta batalha são criminosamente reduzidas a “feminazis”, numa confusão odienta entre feminismo e nazismo. Pois foi esse o recurso usado por Sheherazade para sair em defesa de Bolsonaro.

 
A defesa, feita na Rádio Jovem Pan, é torta do início ao fim. Primeiro porque insiste em atribuir cores a um mundo acinzentado. A lógica sheherazadiana é mais ou menos assim: Bolsonaro disse que NÃO estupraria Maria do Rosário, pois esta não possui atributos estéticos merecedores da oferenda. Sorte dela, azar de quem as tem. Logo, o deputado não pode ser punido por não querer estuprar alguém. Como se o que estivesse em debate fosse o desejo, e não a incitação ao crime, Sheherazade opta por reduzir a conversa a um exercício de liga-pontos: Deus é amor, o amor é cego, Stevie Wonder é cego, Stevie Wonder é Deus.
 
Em sua defesa do indefensável, Sheherazade joga a arte de argumentar no lixo e faz uso de uma rasa falácia circunstancial. Como recurso retórico de quem cabulou as aulas de Filosofia, cita o deputado como um grande defensor do direito das mulheres, pois é dele um projeto de lei na Câmara que prevê a castração química para estupradores. Segundo ela, os grupos de direitos humanos, contrários à proposta, seriam, por sua vez, responsáveis pelo mal que tentam incumbir a um deputado de bem. De novo: Deus é amor, o amor é cego, Stevie Wonder é cego, Stevie Wonder é Deus.
 
Para quem, em entrevista recente, admitiu só conhecer São Paulo pelo trajeto casa-trabalho-shopping, o conhecimento da realidade não chega a surpreender: neste mundo ideal, os problemas complexos são facilmente solucionados pelo rigor e a boa vontade e todos voltam a dormir felizes. Quem dera. Dias atrás, uma amiga contava, assustada, o caso de duas amigas que saíram de casa para tomar cerveja, conheceram dois sujeitos interessantes e toparam conhecer o apartamento de um deles. Ambas foram dopadas, ambas foram violentadas – sempre sob o argumento de que, se toparam subir até o apartamento, não tinham o direito de refugar. Pela lógica do discurso do machão, elas “mereceram” o que passaram – e esta lógica do merecimento foi o freio principal para não denunciar os algozes, que uma hora dessas estão tranquilos tocando a vida. Eles não eram maníacos no sentido clássico: eram jovens, estudados, e cientes do que faziam. Apenas tinham sinal verde para agir. Esse sinal verde é aceso toda vez que alguém, sobretudo uma autoridade, repete a ideia de que existem mulheres e mulheres; umas merecem ser estupradas; outras, não.
 
O discurso, além de incitar a violência, é burro, pois atribui à saia, à cerveja, à bobeira, ao atributo estético da vítima a autorização do assédio. Não leva em conta os inúmeros casos de mulheres violentadas no ambiente familiar, seja com saia, avental ou burca.
 
Se tivessem ao menos humildade para se esforçar em compreender o mundo para além das janelas do carro-trabalho-shopping, tanto Sheherazade quanto Bolsonaro – e quem quer que repita o discurso – saberiam que o sujeito sobre quem defendem a castração quase nunca é o meliante atrás do poste num beco escuro à espera de um vacilo. O estuprador, em vez disso, está dentro de casa. É o filho, o pai, o tio, o vizinho, o amigo, e todos os que se sentam no colchão de segurança que lhe garante a primazia sobre um corpo que não é seu.
 
A dificuldade cognitiva de quem vê o mundo em preto e branco, sem assimilar suas nuances e subtextos cinzentos, leva à sensação de que um crime hediondo se combata de forma simples. Que, se tudo é uma questão de desejo e perigo, que se corte o mal pela origem. O problema, afinal, nasce e morre no próprio corpo; é instintivo, portanto, e não cultural. De novo: que pena. Enquanto o sinal verde seguir berrando nos alto falantes do atraso, as soluções mágicas para punir o que já aconteceu serão tão eficazes quanto enxugar gelo.
 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Dominação econômica global ou terceira guerra mundial?



Por LUÍS CARLOS ROMOLI DE OLIVEIRA

Os Estados Unidos da América estão, nestes últimos dias, jogando sua grande cartada: um tudo ou nada que só saberemos o que deu dentro de alguns meses, talvez uns 12 a 18 meses.

Junto com alguns [aliados] países fortes da OPEP, como a Arábia Saudita e alguns players europeus que não querem aparecer, conseguiram enlear algumas economias do mundo, como a Rússia, Brasil, Irã, Venezuela e vários outros com algo que poderá ser o maior blefe de toda a história. Ou quem sabe, se der certo o plano deles, conseguirão dar um golpe de misericórdia nessas nações para manterem e expandirem o seu status quo de hiperpotência mundial por mais algumas gerações.

Por conta de seu [subsidiado e] criticadíssimo projeto de extração de petróleo de xisto, algo calamitosamente agressivo à natureza, estão forçando uma baixa de quase 50% nos preços do petróleo tradicional em todas as bolsas do mundo. Dizem [e há quem acredite] que sua produção de óleo de xisto aumentou significativamente suas reservas estratégicas e que, por isso, podem baixar os preços em 50%, algo impensável há apenas poucos meses atrás.

Junto com essa massiva desvalorização, estão tentando desestabilizar as nações ricas em petróleo em seu próprio quintal, a Venezuela e o Brasil.

Na Venezuela, os ataques predadores na economia já fizeram com que a inflação chegasse na casa dos 50%, enquanto no Brasil existe um [conveniente e amplificado] ri-fi-fi de denúncias ainda não comprovadas de um grande desfalque nas contas da Petrobras, que poderá inviabilizar a empresa e causar sérios danos, como a queda do valor de face de suas ações para menos da metade do que valiam há apenas alguns meses atrás, além de grande desemprego e convulsão social. Tudo num plano de [planejado] sincronismo espetacular.

O grande jogo que [os EUA] jogam hoje é desestruturar tanto a Venezuela como o Brasil e a Rússia e, quem sabe, também a China, e apossarem-se "financeiramente" de suas reservas petrolíferas, talvez comprando-as por qualquer ninharia na bacia das almas nessas horas de vacas magérrimas, quando o valor das ações dessas empresas já valem metade do que valiam ontem.


Tão logo essa conquista "via mercado financeiro" se confirme, vão anunciar que o projeto do xisto não deu certo, mas que, nesse ínterim, compraram os poços da Venezuela, da Russia e do Brasil. E pronto! Deu-se o golpe que estão ensaiando já há vários anos, sem disparar um único tiro. Terá bastado somente uma sequência de protoataques como vimos na última década: contra a tal da praga da ameaça bolivariana; com o câncer em cinco chefes de governo na América Latina num mesmo momento; com o [violento] "não vai ter Copa" no Brasil; com a "opção-legal" de Joaquim Barbosa e o Mensalão; com a opção desesperada Marina Silva, que também não vingou, e agora com um "terceiro turno" das eleições democráticas do mês passado e mais o megaescândalo que ainda nem é um processo judicial, mas já xacoalhou toda a estrutura do novo governo brasileiro... Tudo isso, junto com a benesse momentânea e surpreendente do discutidíssimo óleo de xisto, estão colocando de joelhos a maior e mais dinâmica empresa brasileira, que tinha entre suas principais metas promover o maior resgate histórico da educação e da saúde neste país em seus 500 anos de vida, com os royalties do pré-sal.

No entanto, o que vemos neste momento é que a Petrobras está sendo colocada sobre terrível stress que poderá romper não só nosso sistema financeiro e político como nossos planos de resgaste de nossa soberania através da educação e da saúde do povo.

Junto, tentarão rolar a Rússia e talvez a China no mesmo imbróglio; mas há muitos que apostam que o projeto do óleo de xisto irá dar com us burros n'água muito antes dos 12 meses que os teóricos preconizam, que, se realmente acontecer, deveremos ver o feitiço virar contra o feiticeiro e derrubar definitivamente a maior economia do planeta desde o interregno das duas grandes guerras mundiais.

O projeto óleo de xisto e a crise dos 'subprimes' (derivativos) de 2008-2009 terão sido grandes demais para o mundo do século XXI engolir... Se o blefe se confirmar, deveremos ver o império americano e seus parceiros da UE serem corroídos velozmente de dentro para fora numa alusão à dilapidação dos afrescos dos palazzos romanos quando da queda do império peninsular a partir dos anos 400 de nossa era.

Essa é a maior briga de cachorro grande que temos notícia na história recente do mundo. Nem mesmo as guerras mundiais trouxeram tantas mudanças como as mudanças que iremos ver caso a aposta no blefe seja realmente o que os EUA estão fazendo neste momento.

E se eles perderem, sai de baixo. Será a terceira guerra mundial e os vencedores serão... os chineses!

Vou apostar no Brasil e na Petrobras mais brasileira ainda: Vou comprar ações em baixa de 50% da Petrobras ainda amanhã e quem sabe ficarei rico em menos de 12 meses.

Quem viver, verá".


Fonte: Democracia & Política

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Nossa Little Havana: Mais de 100 mil brasileiros querem Washington contra regime comuno-bolivariano

 
 
A notícia que segue deveria ser levada a sério.
 
Ela nos fez constatar que o Brasil já dispõe de sua própria Little Havana. É o bairro de Miami que a certa altura reuniu os saudosistas do regime de Fulgêncio Batista, o ditador pró-americano derrubado por Fidel Castro em 1959.
 
O bairro é hoje apenas para inglês ver, já que os cubanos fugitivos de Fidel que se deram bem nos Estados Unidos fugiram uma segunda vez. Rumaram para os subúrbios endinheirados da Flórida, deixando para trás os patrícios pobretões. Classe, afinal, é classe.
 
Os cubanos que debandaram da ilha de Fidel formavam em Cuba a elite local generosamente alimentada por Washington.
 
Eram os herdeiros da Emenda Platt, imposta pelos Estados Unidos como condição para desocupar Cuba depois da guerra Hispano-Americana.
 
A Emenda Platt, de 1901, é ainda mais vexaminosa que aquele acordo pelo qual Fernando Henrique Cardoso pretendia ceder a base de Alcântara para uso pelos Estados Unidos, obrigando brasileiros a usar crachá emitido pelos estadunidenses em seu próprio território.
 
A Emenda Platt proibia o governo cubano de fechar qualquer tratado internacional que ameaçasse a independência cubana ou permitisse que poderes estrangeiros usassem a ilha com objetivos militares. Os Estados Unidos se reservavam o direito de intervir em assuntos cubanos para defender a independência cubana e para manter “um governo adequado à proteção da vida, da propriedade e da liberdade individual”. Outras condições da Emenda exigiam que o governo cubano implementasse planos para melhorar as condições sanitárias na ilha, abrisse mão da ilha dos Pinhos (agora conhecida como ilha da Juventude) e concordasse em vender ou alugar território para estações naval e de abastecimento de carvão dos Estados Unidos. (Esta cláusula levou ao aluguel perpétuo da base naval da baía de Guantánamo). Finalmente, a emenda exigia que o governo cubano concluisse uma tratado com os Estados Unidos para tornar o cumprimento da Emenda Platt uma exigência legal — os EUA também pressionaram os cubanos para incorporar os termos da Emenda em sua própria Constituição. 
Dispensando o linguajar pomposo do Departamento de Estado, tratou-se de uma anexação de Direito, com consequências futuras trágicas para os próprios Estados Unidos.
 
A Emenda Platt foi o carvão em brasas que incendiou o nacionalismo cubano e, lá adiante, resultou na correnteza que levou Fidel Castro ao poder.
 
Se a Little Havana de Miami foi consequência trágica deste processo, a brasileira não existe de fato.
 
Existe tão somente na imaginação de uma quantidade razoável de brasileiros: 112.832 deles, na contagem mais recente.
 
 
É pouco provável que ela faça mais que assinar a petição, já que — como escreveu Gustavo Castañon – dificilmente a elite brasileira conseguirá, fora do Brasil, condições para se reproduzir em cativeiro como se reproduz aqui.
 
Em nossa modesta opinião, estes 112.832 brasileiros refletem uma sociopatia milenarista: formam uma seita equivalente à do Jim Jones, com a diferença de que pretendem suicidar o Brasil.
 
Nossa atenção para a sua existência foi chamada pelo Conversa Afiada.
 

Captura de Tela 2014-11-03 às 21.11.51
Peticionamos ao governo Obama para: 
Posicionar-se contra a expansão comuno-bolivariana no Brasil promovida pelo governo Dilma Rousseff 
No dia 26 de outubro Dilma Rousseff foi reeleita e vai continuar os planos de seu partido de estabelecer um regime comunista no Brasil (sic) — em moldes bolivarianos propostos pelo Foro de São Paulo.
Nós sabemos que, aos olhos da comunidade internacional, a eleição foi inteiramente democrática, mas as urnas não são confiáveis, além do fato de que os cabeças do Judiciário são em sua maior parte integrantes do partido vencedor (sic). 
Políticas sociais são influenciadas pela escolha do presidente e as pessoas foram ameaçadas com a perda de sua ajuda alimentar se não reelegessem Dilma (sic).
Pedimos à Casa Branca que se posicione em relação à expansão comunista na América Latina. O Brasil não quer ser uma nova Venezuela (sic) e os Estados Unidos precisam ajudar os promotores da democracia e da liberdade no Brasil.
Como se vê, a vida para o professor Hariovaldo não anda nada fácil.
 
Fonte: Viomundo

Atualização ás 13:15 horas de 04/11/2014:

O governo americano já respondeu a turma que promoveu a petição anti-Dilma, veja a matéria da UOL notícias internacionais:

Petição anti-Dilma não reflete opinião americana, dizem EUA  

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Bolívia declara Israel um "estado terrorista" e exige vistos de entrada para os seus cidadãos

 
O presidente Evo Morales disse terça-feira que seu governo decidiu denunciar um acordo de isenção de visto de imigração e declarar Israel uma ação "terrorista de Estado" levado para protestar contra os ataques à Faixa de Gaza e os abusos cometidos contra os palestinos de Gaza.

"Nós fizemos uma firme decisão de rescindir o acordo sobre vistos para Israel agosto 17, 1972", este cidadãos israelenses permitiram entrar na Bolívia livremente sem visto, disse o presidente, durante a entrega de bônus de indenização e benefício de morte para a profissão docente no Teatro Capitólio de Cochabamba.

"Vá para a lista 3, em outras palavras, significa que estamos declarando (a Israel) um estado terrorista", disse Morales.

Ele também destacou a importância das organizações sociais no país para tirar um manifesto enviado à Organização das Nações Unidas (ONU) Organização e conter o genocídio palestino.

"A partir deste relatório, Israel (...) é necessário para cumprir as formalidades de visto para entrar na Bolívia com pré Departamento de Migração, que irá avaliar o inquérito relevância, prova de sua renda", completou o autoridade .

Em meados de julho, Morales pediu os Direitos Humanos do Alto Comissariado das Nações Unidas para a consideração de uma queixa contra Israel perante o Tribunal Internacional de Justiça (CIJ) para "crimes contra a humanidade" contra o povo palestino.

Bolívia, que anos atrás reconheceu o Estado palestino, rompeu relações diplomáticas com Israel em 2009, naquele ano uma operação militar na Faixa de Gaza.

O saldo de vítimas palestinas a data totaliza mais de 1.280 mortos e 7.000 feridos desde que as hostilidades começaram em 8 de julho.
 
 
Fonte: Los Tiempos

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

CIA financia golpes em países desafetos via Anonymous, Canvas e outras ONGs

Recentemente foi descoberto um esquema de pagamento de valores para recrutamento de jovens de classe média-baixa e baixa para causar tumulto em manifestações, com o intuito de criar clima de comoção pública na população e fragilizar governos que queriam atingir.
 
O esquema só foi descoberto porque uma das bombas fornecidas a essas pessoas, foi colocada de forma criminosa para atingir e ferir policiais, mas acabou vitimando fatalmente o cinegrafista Santiago. Identificados os responsáveis, um deles colocou a boca no mundo.
 
O PSOL deu apoio político aos protestos violentos, tentou se beneficiar deles politicamente mesmo sabendo que estavam degringolando para uma seara arriscada. Em nenhum momento condenou o quebra-quebra. Um dos seus deputados, chegou a publicar um texto festivo no site do partido onde exaltava a forma corajosa de se manifestar para “proteger” os participantes de manifestações.
 
Por essas e outras o PSOL tem sim a sua responsabilidade política no que está acontecendo, mas não tenho como aceitar a versão de um advogado muito confuso e suspeito. Não fecha responsabilizar esse e outros partidos de esquerda, mesmo que radicais, pelo financiamento de grupos que internacionalmente vem tentando alvejar a democracia em países não alinhados com as políticas americanas. Sendo encontradas doações de políticos do PSOL feitas individualmente, mesmo reprováveis, não indicam de forma alguma, como quer agora a Globo e o advogado, que o partido é o responsável pelo financiamento dessas ações. Parece mais que a Globo quer ocultar os verdadeiros financiadores, que não são aliados de última hora do anti-petismo como o PSOL, mas oráculos estrangeiros e partidos de tendência conservadora, como o PSDB e DEM.
 
Começa a se desenhar internacionalmente, o mecanismo de funcionamento das ações que iniciaram com a primeira primavera árabe e, se espalharam para países que não manifestam adesão automática às políticas de Washington. Países como EUA, Reino Unido, Austrália, Alemanha, Israel, Arábia Saudita, etc… embora em alguns deles haja uma ditadura ou sistema democrático frágil que só pende para um lado, não tem sinais de insatisfações populares, muito menos nos moldes violentos que vem acontecendo em países árabes, leste europeu e américa do sul, por mais que os efeitos de crises internacionais afetem seus países, tanto ou mais dos que aqueles que enfrentam manifestações de protesto.
 
Recentemente o Brasil, ao aprovar junto com a Turquia, um acordo anti-nuclear com Irã, estimulado por Obama a principio mas depois rechaçado pelo mesmo, que pensou que esses países jamais conseguiriam fechar o acordo e, portanto justificaria novas sanções ao seu principal desafeto político: Armadinejah, expôs ao mundo as inconsistência da política externa americana. Dilma ao cobrar publicamente em Setembro explicações sobre espionagem deu um xeque-mate na política do sou forte, faço o que quero. Definitivamente, os primeiros governos brasileiros que não se curvaram às vontades de Washington viraram alvo da ira deles.
 
A engenharia do golpe
 
A CIA injeta dinheiro em ONGs que dão consultoria metodológica (Como a Sérvia Otpor!, hoje conhecida como Canvas) que produz material didático, indica equipamentos para serem usados em conflitos, dá treinamento virtual para ações em protestos e ensina como criar fraudes com imagens de outros países para arrebanhar incautos. Há dezenas de exemplos na internet dessas fraudes, como há de instruções para Black blocs, em que só se muda o idioma.
 
ONGS como o Anonymous, que tem uma rede de seguidores dentro dos próprios países, arrebanhados porque no início pregavam lutar contra o sistema financeiro, recebem de Washington para construir redes de mercenários dispostos a realizar os quebra-quebras. Os geeks do Anonymous, acostumados a golpes na internet, não teriam a capacidade de fazer o trabalho físico da baderna, portanto, jovens pobres e de classe média baixa são recrutados para isso, e eventualmente serem responsabilizados judicialmente.
 
Em todos esses países, o sistema se repete, primeiro chegam os Anonymous, convocam manifestações de forma insistente até conseguir alguma adesão, daí aparecem os Black Blocs, com símbolos anarquistas e anticapitalistas para seduzir a juventude, mas que na prática mostram uma incoerência gritante, pois servem aos propósitos do que existe de pior na direita fascista, contra sistemas de governo claramente com viés de esquerda e eleitos democraticamente, como Brasil e Venezuela.
 
Como esse blog revelou anteriormente, no Egito, Black Blocs passaram a hostilizar a população que foi a rua protestar contra o golpe de estado praticado por militares apoiados pelo governo americano e, inclusive participaram de uma emboscada junto com o exército Egípcio, que feriu e matou civis.
 
Para combater essas tentativas de golpe, é preciso uma ação da inteligência desses países para investigação da ação dessas ONGs e punição em caso de descobrir responsáveis por financiar ações violentas. Além do mais, é preciso um aperfeiçoamento na legislação para prever punição mais rigorosa e com prisão preventiva para quem causar risco de vida a cidadãos, policiais e profissionais de imprensa, e fianças altas para quebra injustificável de patrimônio público e privado.
 
A despeito de um medo até justo de que leis bloqueiem protestos pacíficos, a situação como está não pode continuar, então é preciso que as pessoas deixem de lado paixões cegas e a cegueira ideológica para avaliar que uma lei pode ser modificada. Golpes contra a democracia estão acontecendo mundo afora, usando os próprios cidadãos desses países e financiados pela CIA, não vem de quem apenas pede punição efetiva para quem comete CRIMES. O verdadeiro risco para a democracia é ficar de braços cruzados e esperar golpes acontecerem como gado inerte.
 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

"Mandela e os racistas da Veja"

 
 
 
 
Durante décadas, a mídia imperial tratou Nelson Mandela como “terrorista”. Até 2008, o líder africano ainda figurava na lista dos “comunistas” da central de espionagem dos EUA e a imprensa colonizada o rotulava de “subversivo”.
 
Com sua morte, porém, a mídia simplesmente evita fazer qualquer autocrítica desta trajetória e passa a endeusar Nelson Mandela, tratando seus leitores como imbecis.
 
A revista Veja, sucursal rastaquera dos EUA, é uma das mais cínicas nesta manipulação. Na edição desta semana, ela estampou na capa: “O guerreiro da paz”. Nojento!
 
Basta lembrar que o semanário da família Civita teve como um dos seus principais acionistas o grupo de mídia sul-africano Naspers.
 
Num artigo na revista Caros Amigos, intitulado “A Abril e o apartheid”, o escritor Renato Pompeu revelou que esta corporação foi um dos esteios do regime racista.
 
A Naspers tem sua origem em 1915 com o nome de Nasionale Pers. Durante décadas, ela esteve estreitamente ligada ao Partido Nacional, a organização das elites africâneres que legalizou o detestável e criminoso regime do apartheid no pós-Segunda Guerra Mundial.
 
Dos quadros da Naspers saíram os três primeiros-ministros do apartheid. O primeiro foi D.F. Malan, que comandou o governo da África do Sul de 1948 a 1954 e lançou as bases legais da segregação racial.
 
Já os líderes do Partido Nacional H.F. Verwoerd e P.W. Botha participaram do Conselho de Administração da Naspers. Verwoerd, que quando estudante na Alemanha teve ligações com os nazistas, consolidou o regime do apartheid, a que deu feição definitiva em seu governo, iniciado em 1958. Durante sua gestão ocorreram o massacre de Sharpeville, a proibição do Congresso Nacional Africano (que hoje governa o país) e a prolongada condenação de Nelson Mandela.
 
Já P. W. Botha sustentou o apartheid como primeiro-ministro, de 1978 a 1984, e depois como presidente, até 1989.
 
“Ele argumentava, junto ao governo dos Estados Unidos, que o apartheid era necessário para conter o comunismo em Angola e Moçambique, países vizinhos. Reforçou militarmente a África do Sul e pediu a colaboração de Israel para desenvolver a bomba atômica. Ordenou a intervenção de forças especiais sul-africanas na Namíbia e em Angola”.
 
Durante seu longo governo, a resistência negra na África do Sul, que cresceu, adquiriu maior radicalidade e conquistou a solidariedade internacional, foi cruelmente reprimida – como tão bem retrata o filme “Um grito de liberdade”, do diretor inglês Richard Attenborough (1987).
 
Renato Pompeu não perdoa a papel nefasto da Naspers. “Com a ajuda dos governos do apartheid, dos quais suas publicação foram porta-vozes oficiosos, ela evoluiu para se tornar o maior conglomerado da mídia imprensa e eletrônica da África, onde atua em dezenas de países, tendo estendido também as suas atividades para nações como Hungria, Grécia, Índia, China e, agora, para o Brasil. Em setembro de 1997, um total de 127 jornalistas da Naspers pediu desculpas em público pela sua atuação durante o apartheid, em documento dirigido à Comissão da Verdade e da Reconciliação, encabeçada pelo arcebispo Desmond Tutu. Mas se tratava de empregados, embora alguns tivessem cargos de direção de jornais e revistas. A própria Naspers, entretanto, jamais pediu perdão por suas ligações com o apartheid”.
 
Segundo documentos divulgados pela própria Naspers, em dezembro de 2005, a Editora Abril tinha uma dívida liquida de aproximadamente US$ 500 milhões, com a família Civita detendo 86,2% das ações e o grupo estadunidense Capital International, 13,8%.
 
A Naspers adquiriu em maio último todas as ações da empresa ianque, por US$ 177 milhões, mais US$ 86 milhões em ações da família Civita e outros US$ 159 milhões em papéis lançados pela Abril. “Com isso, a Naspers ficou com 30% do capital. O dinheiro injetado, segundo ela, serviria para pagar a maior parte das dividas da editora”.
 
A revista Veja, que estampa na capa a manchete “O guerreiro da paz”, nunca pediu perdão por suas ligações com os racistas da África do Sul. É muito cinismo!
 
Fonte: Viomundo