domingo, 22 de março de 2026

A mídia repete o roteiro de 2016: delações seletivas e ataques coordenados contra Lula.



Por Jorge Antonio Carvalho*

A história política recente do Brasil mostra como a mídia hegemônica, em especial a Rede Globo, atua como força política decisiva. Mais do que informar, ela constrói narrativas que moldam percepções e influenciam processos eleitorais. O que se observa hoje é a repetição de um roteiro já conhecido: ataques sistemáticos ao governo Lula, em consórcio com setores da oposição, empresariado, agronegócio, militares e parte do Judiciário. Essa engrenagem não é nova, mas ganha força em momentos de disputa acirrada, quando o objetivo é fragilizar governos populares e abrir espaço para projetos conservadores.

O caso Vorcaro e o Banco Master exemplifica essa estratégia midiática. A Globo transformou delações em espetáculo, criando organogramas e associações que sugerem envolvimento de ministros e do próprio presidente. Essa prática, longe de ser imparcial, busca desgastar a imagem do governo e preparar terreno para a disputa eleitoral. A narrativa construída não se limita a informar, mas a induzir conclusões que favorecem determinados grupos políticos. É uma forma de manipulação que já se mostrou eficaz em outros momentos da história nacional.

Como aponta Alysson Mascaro, o ataque da Globo era totalmente previsível, pois repete o padrão histórico de criminalização de governos populares (Brasil247, 2026). A ausência de uma política de democratização da mídia no Brasil permite que conglomerados privados concentrem poder comunicacional e definam os rumos do debate público. Essa concentração cria um desequilíbrio estrutural, onde interesses econômicos e políticos se sobrepõem ao direito da sociedade de ter acesso a informações plurais e equilibradas.

Repetição de 2015/2016

O paralelo com o impeachment de Dilma Rousseff é inevitável. Naquele período, delações e acusações frágeis foram amplificadas pela mídia, criando um ambiente de instabilidade que culminou na derrubada da presidenta. Hoje, o mesmo roteiro é reencenado contra Lula, com novos personagens, mas a mesma lógica. A estratégia é clara: desgastar a credibilidade do governo, criar uma atmosfera de crise permanente e legitimar a intervenção de setores conservadores. Como já se disse, “voltamos a 2015-2016” (Brasil247, 2026).

A farsa atual

Nos organogramas exibidos pela Globo, nomes da direita e da própria emissora não aparecem. A narrativa é seletiva, direcionada exclusivamente contra o PT e aliados. Trata-se de uma farsa construída para fragilizar o governo e legitimar a ofensiva da oposição. Essa seletividade demonstra que não se trata de jornalismo investigativo, mas de uma operação política travestida de notícia. A manipulação é evidente quando se observa a ausência de figuras ligadas ao bolsonarismo, mesmo diante de indícios que poderiam ser explorados.

A ofensiva não se limita à mídia. Empresariado, agronegócio, militares, setores da Polícia Federal e até do STF compõem uma engrenagem que atua em conjunto. O objetivo é claro: enfraquecer Lula e abrir caminho para a volta da família Bolsonaro ao poder federal. Essa articulação revela que não estamos diante de ataques isolados, mas de uma conspiração ampliada, onde diferentes setores se unem em torno de um projeto político conservador. A mídia cumpre o papel de catalisador, mas a força da ofensiva vem da soma de interesses diversos.

Disputa presidencial acirrada

Essa ofensiva midiática e institucional se conecta diretamente à candidatura de Flávio Bolsonaro. A mídia e as big techs desempenham papel central na amplificação da extrema-direita, criando um ambiente de disputa eleitoral cada vez mais polarizado e perigoso para a democracia (Vermelho, 2026). A disputa presidencial de 2026 se desenha como uma batalha intensa, onde o controle da narrativa pública será decisivo. Nesse cenário, a manipulação midiática não é apenas um detalhe, mas um fator determinante para o futuro político do país.

O Brasil vive novamente o desafio de enfrentar a “elite do atraso” e sua máquina midiática. A esquerda precisa reagir politicamente e institucionalmente para evitar a repetição do golpe de 2016. Sem enfrentar a concentração de poder na mídia, qualquer governo popular estará sempre sob ameaça. A lição que fica é que não basta vencer eleições; é preciso construir mecanismos de defesa contra a manipulação sistemática que ameaça a democracia brasileira.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

sábado, 21 de março de 2026

ETANOL NO BRASIL: Soberania Energética ou Purificação da Gasolina?




Por Roberto César Cunha*

A inserção do etanol na matriz energética brasileira também deve ser compreendida à luz da geopolítica do petróleo. A gasolina insere o país em uma dinâmica global marcada por instabilidade, conflitos e disputas estratégicas pelo controle de recursos energéticos. As oscilações de preço, frequentemente associadas a tensões internacionais e a decisões de grandes produtores, evidenciam que a dependência desse combustível implica, em última instância, uma forma de vulnerabilidade externa. Nesse contexto, a construção de alternativas energéticas de base nacional, como o etanol, não se limita a uma questão econômica ou ambiental, mas se inscreve no campo mais amplo da soberania. Reduzir a dependência da lógica geopolítica do petróleo, portanto, torna-se uma condição estratégica para países que buscam maior autonomia energética. É nesse horizonte que se insere a experiência brasileira.

Assim sendo, a constituição do mercado de etanol no Brasil não pode ser compreendida a partir das categorias tradicionais de oferta e demanda. Trata-se, antes, de uma construção institucional deliberada, cuja origem remonta ao Programa Nacional do Álcool (Proálcool), implementado na década de 1970 como resposta à crise internacional do petróleo. Desde então, o Estado brasileiro desempenhou papel decisivo na criação de uma demanda estrutural para o etanol, inicialmente por meio de incentivos diretos à produção e, posteriormente, pela imposição de mecanismos regulatórios que garantem sua inserção contínua no mercado de combustíveis.

O principal desses mecanismos é a obrigatoriedade de mistura do etanol anidro à gasolina, atualmente fixada em torno de 27%. Tal dispositivo não apenas assegura uma demanda cativa para o setor sucroenergético, como também reduz a exposição do país às oscilações do mercado internacional de petróleo. Trata-se, portanto, de uma forma de planejamento energético indireto, no qual o consumo é parcialmente determinado por decreto, estabilizando expectativas e garantindo previsibilidade aos agentes econômicos envolvidos.

Essa especificidade distingue o Brasil de outras economias centrais. Nos Estados Unidos, por exemplo, a mistura padrão gira em torno de 10% (E10), com avanços pontuais para E15, enquanto na União Europeia prevalecem percentuais entre 5% e 10%. Mais relevante do que a diferença quantitativa é a combinação singular brasileira: segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), o Brasil produz anualmente mais de 30 bilhões de litros de etanol, consolidando-se como o principal produtor mundial de etanol de cana-de-açúcar. No consumo interno, o etanol hidratado apresenta participação significativa no abastecimento de veículos leves, especialmente nas regiões Centro-Sul. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que a frota flex fuel representa a ampla maioria dos veículos leves em circulação no país, evidenciando a consolidação de um mercado de massa efetivamente adaptado ao uso do etanol.

Entretanto, essa potencialidade não se converte automaticamente em autonomia. Ao longo das últimas décadas, a política energética brasileira tem oscilado entre momentos de afirmação de um projeto nacional e períodos de subordinação às dinâmicas internacionais de preços. Nesse contexto, o etanol, embora estruturalmente presente, tem sido progressivamente reposicionado como variável de ajuste do mercado de combustíveis, especialmente no que se refere à formação de preços da gasolina.

Além disso, a relação de preços entre etanol e gasolina, frequentemente orientada pela equivalência energética em torno de 70%, reforça a subordinação do etanol à lógica da gasolina. Quando essa relação se deteriora, o consumo de etanol recua, evidenciando que, mesmo em um mercado amplamente estruturado, a decisão do consumidor permanece condicionada por uma referência externa ao próprio setor sucroenergético.

A elevação recente da mistura obrigatória, de 25% para 27%, ilustra essa ambiguidade. Se, por um lado, reforça a presença do etanol na matriz energética, por outro, não altera substancialmente a centralidade da gasolina como referência de preço e organização do mercado. O etanol, nesse arranjo, deixa de ser vetor de transformação estrutural e passa a desempenhar função reguladora marginal, contribuindo para suavizar variações de preço, mas sem romper com a lógica de dependência.

Autonomia ou subordinação: o impasse estratégico do etanol no Brasil

É nesse ponto que o debate precisa avançar. O Brasil não enfrenta um problema de escassez de etanol, tampouco de viabilidade tecnológica ou de aceitação social. Ao contrário, trata-se do maior mercado de consumo de etanol veicular do mundo, sustentado por uma base produtiva robusta e por uma frota amplamente adaptada ao uso de combustível renovável. A questão, portanto, não é de possibilidade, mas de orientação estratégica.

Historicamente, a mistura obrigatória foi fundamental. Ela criou mercado, reduziu incertezas e estruturou toda uma cadeia produtiva. Nesse sentido, o mecanismo dos 27% continua sendo válido como instrumento de estabilidade. No entanto, sua função original, garantir a existência do mercado, já foi cumprida. O etanol deixou de ser um setor nascente e passou a constituir um dos pilares da matriz energética nacional.

Diante desse novo patamar, a manutenção da mistura obrigatória como principal eixo da política pode revelar uma limitação estratégica. Isso porque ela mantém o etanol estruturalmente subordinado à gasolina, operando dentro de um mercado cuja lógica de preços continua sendo definida, em grande medida, por referenciais externos. Em outras palavras, o instrumento que antes criou autonomia relativa pode hoje estar contribuindo para sua contenção.

Se o objetivo for avançar para uma efetiva soberania energética, os passos necessários são de outra natureza e escala:

  • Recentralizar o etanol hidratado como combustível principal, e não complementar, incentivando sua competitividade direta na bomba;


  • Desvincular parcialmente a formação de preços do etanol da gasolina, reduzindo o papel desta como referência dominante;


  • Reorientar a política tributária e de distribuição, favorecendo o consumo direto de etanol em larga escala;


  • Expandir a infraestrutura logística e de abastecimento, consolidando o etanol como opção preferencial em todo o território;


  • Articular política energética e agrícola, garantindo estabilidade produtiva e evitando ciclos de escassez e volatilidade.


  • Integrar o etanol a uma política nacional de mobilidade, com ênfase nas frotas urbanas sobre pneus, especialmente ônibus e veículos públicos, ao mesmo tempo em que se amplia a eletrificação dos sistemas de transporte de massa sobre trilhos, como metrôs e trens urbanos.

Essas medidas implicariam uma mudança qualitativa: o etanol deixaria de ser um aditivo estratégico da gasolina para se tornar o eixo organizador de uma matriz energética de base nacional.

Diante desse cenário, impõe-se uma reavaliação crítica do próprio instrumento que historicamente estruturou o mercado. A mistura obrigatória cumpriu papel decisivo na fase de consolidação do etanol, garantindo demanda, reduzindo incertezas e viabilizando a expansão produtiva. No entanto, no estágio atual, marcado por elevada capacidade instalada, ampla difusão da tecnologia flex fuel e pela constituição do maior mercado de consumo de etanol veicular do mundo, sua centralidade como eixo da política energética torna-se questionável.

Isso porque, ao manter o etanol estruturalmente vinculado à gasolina, o modelo vigente limita sua capacidade de se afirmar como base autônoma da matriz energética. O instrumento que outrora promoveu a construção do mercado passa, assim, a operar como mecanismo de contenção de seu potencial de expansão.

A questão que se coloca, portanto, não é mais a de como garantir mercado para o etanol, mas de como permitir que ele ultrapasse os limites impostos por uma política ainda ancorada na centralidade da gasolina. Em um contexto no qual o país já dispõe de escala produtiva, infraestrutura e base consumidora consolidadas, a persistência desse arranjo pode representar não uma proteção, mas um entrave.

Em termos estratégicos, a escolha é inequívoca: ou o etanol é elevado à condição de eixo estruturante de uma matriz energética nacional, ou continuará desempenhando função subordinada, operando como variável de ajuste de um mercado cuja lógica permanece externa ao país. Se a opção for mantê-lo nesse lugar, resta reconhecer, ainda que com certa ironia, que sua função principal não será a de liderar uma transição energética soberana, mas a de purificar a gasolina, seja no sentido estritamente químico, seja no discurso mais amplo da sustentabilidade.


*
Roberto César Cunha - Roberto César Cunha é geógrafo (UFMA), mestre e doutor em Geografia Econômica pela UFSC, onde também desenvolveu pesquisa de pós-doutorado. É pesquisador científico e professor universitário com cerca de 20 anos de dedicação intelectual às temáticas do Agronegócio, Geografia Econômica e Desenvolvimento econômico do Brasil e suas regiões. É autor de mais de 50 trabalhos científicos publicados, entre artigos nacionais, internacionais e capítulos de livros sobre esses assuntos. Autor de O Ouro do Cerrado – Origem e Desenvolvimento da soja no Maranhão.


quinta-feira, 12 de março de 2026

Fiscalização contra abusos: Governo Lula reage à alta dos combustíveis

Foto: Agencia Brasil

A escalada dos preços dos combustíveis voltou a atingir em cheio o bolso dos brasileiros. Distribuidoras e postos têm praticado aumentos sem respaldo oficial da Petrobras, antecipando reajustes com base no chamado “custo de reposição futuro”. Na prática, produtos adquiridos a preços antigos são vendidos mais caros, em um movimento especulativo que penaliza trabalhadores, indústrias e famílias.

A Vibra Distribuidora foi apontada como uma das protagonistas dessa prática, que gera lucros imediatos às empresas e prejuízos à sociedade. Especialistas defendem fiscalização rigorosa e responsabilização judicial para quem manipula preços e retém estoques de forma abusiva.

Diante desse cenário, o governo Lula anunciou um pacote de medidas emergenciais para conter a alta dos combustíveis. Entre as ações estão a redução a zero das alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel, representando economia de R$ 0,32 por litro, e uma subvenção adicional de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores, com repasse obrigatório ao consumidor. Além disso, foi criado um imposto de exportação sobre petróleo, com o objetivo de estimular o refino interno e garantir abastecimento doméstico.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) terá papel central nesse processo, com poderes ampliados para coibir aumentos abusivos e fiscalizar a transparência nos postos. O governo também determinou que os estabelecimentos informem de forma clara ao consumidor as reduções de tributos e os preços praticados.

Apesar das medidas, especialistas alertam que o sucesso dependerá da efetividade da fiscalização e da cooperação dos estados, que podem contribuir reduzindo o ICMS. Sem ação firme, há risco de que distribuidoras mantenham margens abusivas e resistam ao repasse integral dos benefícios.

Em meio à guerra no Oriente Médio, que mantém o barril de petróleo acima de US$ 100, o desafio do governo é equilibrar pressões externas com a necessidade de proteger o povo brasileiro. Enquanto isso, a especulação continua sendo um inimigo interno que precisa ser combatido com rigor.

Fontes: Conversa de FeiraBrasil 247

Fiscalização já: o povo não pode pagar pela especulação

Foto: Redes Sociais
Por Jorge Antonio Carvalho*

O Brasil vive mais uma vez a contradição de ver os preços dos combustíveis dispararem sem que haja qualquer reajuste oficial da Petrobras. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) já pediu ao Cade que investigue distribuidoras e postos em diversos estados, pois os aumentos ocorreram de forma antecipada e sem respaldo da estatal. Entre as empresas, a Vibra Distribuidora aparece como carro-chefe desse movimento especulativo, reforçando a percepção de oportunismo que penaliza diretamente o consumidor brasileiro.

O padrão é conhecido: quando há aumento oficial, o repasse é imediato; quando há redução, vira novela. Agora, o que se vê é ainda mais grave: distribuidoras e postos elevando preços antes mesmo de qualquer anúncio da Petrobras, como destacou a análise da CNN Brasil. Ou seja, combustíveis comprados a preços antigos passaram a ser vendidos mais caros, porque o mercado precifica pelo “custo de reposição” futuro. Essa lógica oportunista, liderada por grandes distribuidoras como a Vibra, revela ganância e falta de compromisso social.

As consequências são profundas. Trabalhadores que dependem do transporte, indústrias que precisam de combustível para produzir e famílias que já enfrentam dificuldades veem seus custos aumentarem sem justificativa real. Em ano eleitoral, esse tipo de prática especulativa desestabiliza o país e cria um ambiente de insegurança que pode ser explorado politicamente por quem aposta contra o bem-estar da população. O combustível caro não é apenas um problema econômico, mas um fator de instabilidade nacional.

Não se trata apenas de economia, mas de responsabilidade social. Distribuidoras e donos de postos não podem agir como se o interesse privado estivesse acima da vida cotidiana de milhões de brasileiros. O governo, por sua vez, precisa ir além de ofícios e investigações: é necessário fiscalizar com rigor, aplicar sanções e levar à justiça quem especula contra o país. A Libra e outras distribuidoras devem ser responsabilizadas por repasses abusivos e pela manipulação de preços que afetam diretamente o povo.

O Brasil merece respeito. O povo não pode ser refém de crises internacionais transformadas em desculpa para aumentos abusivos. Se há tensões no Golfo Pérsico, é evidente que isso afeta o mercado global, mas não justifica repasses imediatos e desproporcionais sem respaldo oficial. É hora de colocar fim a esse ciclo de especulação e garantir que o preço do combustível reflita a realidade, e não a ganância de poucos. O país precisa de estabilidade, e isso só virá com fiscalização firme e punição exemplar.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blogue Conversa de Feira



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Entre Justiça Social, Carnaval e Páscoa: Reflexões sobre o Brasil de 2026

Foto: Freepik.com

Por Jorge Antonio Carvalho*

O Brasil inicia 2026 em meio a grandes desafios sociais, culturais e políticos. O Dia Mundial da Justiça Social, celebrado em 20 de fevereiro, reforça a urgência de combater desigualdades que ainda marcam profundamente o país. A data, instituída pela ONU, não é apenas simbólica: ela nos lembra que a democracia só se fortalece quando há dignidade e oportunidades para todos.

O Carnaval, maior festa popular brasileira, mostrou novamente sua força cultural e econômica, movimentando bilhões e reunindo milhões de foliões. Mas também revelou tensões políticas, como no caso da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula e acabou rebaixada. A reação da escola, ao afirmar que “não é para os covardes" enfrentar pressões, expõe como a arte continua sendo espaço de disputa simbólica e resistência (veja aqui).

Esses episódios revelam um Brasil que vive entre a celebração e o conflito, entre a alegria coletiva e a crítica social. O samba, como expressão popular, não se limita ao entretenimento: ele denuncia, provoca e dá voz a quem muitas vezes é silenciado. O rebaixamento da Acadêmicos de Niterói, mais do que uma questão carnavalesca, é reflexo das tensões políticas que atravessam o país às vésperas de eleições decisivas.

A proximidade da Páscoa, marcada para 5 de abril, traz consigo um período de reflexão. A Quaresma convida à introspecção e à busca por renovação espiritual, mas também pode ser entendida como metáfora para o momento político: um tempo de preparação, de escolhas conscientes e de esperança em dias melhores. Assim como a Páscoa simboliza renascimento, as eleições representam a possibilidade de reconstrução democrática.

Neste ano, o povo brasileiro terá novamente a oportunidade de escolher seus representantes no Parlamento, no Palácio do Planalto e nos governos estaduais. O Parlamento precisa ser entendido como um exercício de soberania que exige responsabilidade e consciência crítica. A democracia não é perfeita, mas é o caminho que garante uma maioria parlamentar comprometida com a promoção da justiça social e a preservação dos direitos conquistados. Ao mesmo tempo, o Executivo, tanto na esfera federal quanto nos estados, deve ser fortalecido para que os menos favorecidos estejam no centro das políticas públicas e para que conquistas sociais sejam mantidas em benefício da maioria da população brasileira.

Entre justiça social, carnaval e fé, o Brasil se encontra diante de um desafio histórico. Cabe ao povo, de forma democrática, decidir os rumos do país. Que a esperança não seja apenas um sentimento, mas uma prática cotidiana, capaz de inspirar mudanças reais. O futuro não está dado: será construído nas urnas, nas ruas e nos gestos de solidariedade que mantêm viva a essência de uma nação que, apesar das crises, insiste em acreditar na força da democracia.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Acessibilidade parada no Congresso: inclusão não pode esperar


Foto: Rede Sociais

Projeto que substitui símbolo da cadeira de rodas segue travado na Câmara, enquanto milhões de brasileiros continuam invisibilizados.

O Brasil convive diariamente com barreiras que limitam o direito de ir e vir de milhões de pessoas com deficiência. Nos estacionamentos, prédios públicos e privados, o símbolo da cadeira de rodas continua sendo usado como referência de acessibilidade. Mas esse ícone, criado há mais de 50 anos, já não representa a diversidade das necessidades atuais.

Em 2015, a ONU apresentou o Símbolo Internacional de Acessibilidade, mais inclusivo e moderno, que busca representar todas as dimensões da acessibilidade, não apenas a mobilidade reduzida. Em 2025, o Senado aprovou o Projeto de Lei 2199/2022, que determina a substituição do símbolo em todo o país. No entanto, a proposta segue parada na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, aguardando análise.

Enquanto isso, milhões de brasileiros continuam invisibilizados por uma sinalização que não traduz sua realidade. A demora na tramitação reforça a distância entre discurso e prática: fala-se em inclusão, mas a mudança concreta não acontece.

É preciso cobrar das autoridades celeridade. A substituição do símbolo não é apenas uma questão estética; é um gesto político e social que reafirma que acessibilidade é um direito universal. Cada dia de atraso significa perpetuar a exclusão em espaços que deveriam ser de todos.

Entenda o que muda

Símbolo antigo: cadeira de rodas azul, criado nos anos 1960.

Novo símbolo: figura estilizada dentro de um círculo, criado pela ONU em 2015.

Objetivo: representar acessibilidade de forma ampla, incluindo diferentes tipos de deficiência.

Situação atual: PL 2199/2022 aprovado no Senado, parado na CCJC da Câmara.

Próximo passo: análise pela comissão e sanção presidencial

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Flávio Dino enfrenta privilégios: medida histórica contra distorções

Foto: Gustavo Moreno/STF

Por Jorge Antonio Carvalho*

O Brasil não pode mais conviver com supersalários que afrontam o teto constitucional e a lógica da justiça social. A decisão do ministro Flávio Dino de pôr fim aos chamados penduricalhos no serviço público é um gesto político que merece apoio. Por décadas, gratificações e adicionais foram incorporados como conquistas, mas na prática se tornaram privilégios que distorcem a estrutura do Estado e alimentam a desigualdade entre poderes.

As entidades representativas dos servidores apoiaram a medida, reconhecendo que ela abre espaço para um debate mais substancial sobre valorização e justiça no funcionalismo. Para os sindicatos, o fim dos penduricalhos pode ser o ponto de partida para discutir uma reestruturação que alcance todas as carreiras, garantindo que servidores e servidoras saiam ganhando no processo. O apoio demonstra maturidade política e disposição para enfrentar privilégios históricos em nome de um serviço público mais equilibrado.

Flávio Dino foi direto: não há como falar em justiça social enquanto uma minoria acumula vantagens e a maioria dos servidores enfrenta defasagem e cortes. Sua decisão expõe a contradição entre um Legislativo protegido por reajustes generosos e um Executivo que luta por reconhecimento e reestruturação. Ao enfrentar os penduricalhos, o ministro sinaliza que é preciso coragem para corrigir distorções e devolver credibilidade ao Estado.

O fim dos penduricalhos não é apenas um corte administrativo. É uma afirmação de que o serviço público precisa ser transparente, igualitário e comprometido com o interesse coletivo. É um passo necessário para desmontar a lógica de dois Brasis dentro do Estado: o Brasil dos privilégios e o Brasil dos sacrifícios.

A medida de Dino deve ser entendida como um marco. Não se trata de retirar direitos, mas de abrir caminho para que todos os servidores sejam valorizados de forma justa. É hora de enfrentar privilégios históricos e construir um Estado que sirva a todos, não apenas a uma elite.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Dois Brasis no serviço público: privilégios no Legislativo e limitações no Executivo


Por Jorge Antonio Carvalho*

A Câmara dos Deputados aprovou, no início de fevereiro, o reajuste para servidores do Legislativo, acompanhado de benefícios adicionais que podem dobrar o valor básico dos salários. A medida, que terá impacto estimado em quase R$ 1 bilhão nas contas públicas por ano, reacendeu o debate sobre privilégios e supersalários dentro do Congresso.

Enquanto isso, o Executivo aguarda a tramitação do Projeto de Lei 6.170/2025, previsto para entrar na pauta em março. O texto propõe uma reestruturação de carreiras, incluindo técnicos da educação, auditores da Receita Federal, a criação da carreira transversal de Analista Técnico do Executivo e, de forma relevante, o reconhecimento e valorização dos servidores anistiados pela Lei 8.878/94, que aguardam há décadas por medidas de reparação e reintegração justa. A expectativa é que o projeto traga algum alívio para categorias historicamente defasadas, mas sem alcançar a mesma amplitude dos reajustes concedidos ao Legislativo.

Comparação entre poderes

A comparação entre os dois movimentos revela uma clara distorção. O Legislativo, com um número reduzido de servidores, conseguiu aprovar aumentos expressivos e vantagens adicionais. Já o Executivo, que concentra a maior parte do funcionalismo público federal, enfrenta limitações orçamentárias e negociações mais duras, resultando em benefícios menores e mais restritos.

Do ponto de vista opinativo, o reajuste do Legislativo reforça a percepção de que há uma elite dentro do serviço público que consegue preservar e ampliar seus privilégios. O PL 6.170/2025, embora avance em pontos importantes, não corrige plenamente a desigualdade estrutural entre os poderes. O risco é consolidar uma lógica de “dois Brasis”: um pequeno grupo com vantagens acumuladas e outro, majoritário, que continua defasado.

Explicando para o leitor

É importante explicar ao leitor que o reajuste aprovado no Legislativo pode dobrar salários básicos por meio de penduricalhos, enquanto o PL 6.170/2025 busca reorganizar carreiras e criar novas funções, além de contemplar os anistiados da Lei 8.878/94. A diferença é que o Legislativo tem poucos servidores, mas salários altos; o Executivo tem muitos servidores, mas salários menores e menos vantagens.

Essa disparidade não deve ser interpretada como uma “faca no pescoço” do governo federal, mas como um problema de proporcionalidade. O debate não é sobre pressionar o Executivo, mas sobre reconhecer que há uma distorção de valores e direitos que precisa ser enfrentada para garantir justiça e equilíbrio no serviço público.

Impactos políticos e sociais

A discussão também tem impacto político e social. De um lado, a aprovação rápida do reajuste no Legislativo mostra a força de articulação interna de forças dessa elite e de quem comanda as duas casas. De outro, a demora e as limitações do PL 6.170/2025 refletem a dificuldade de atender a um contingente muito maior de servidores, incluindo os anistiados, sem comprometer ainda mais as contas públicas.

Em síntese, o contraste entre o reajuste já aprovado e o projeto que ainda será discutido expõe uma desigualdade estrutural que não pode ser ignorada. O desafio está em construir soluções que valorizem o funcionalismo de forma proporcional, sem perpetuar privilégios concentrados em poucos setores.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Banco Master: entenda quem realmente está atolado até o pescoço

Foto: Portal O Vermelho

O escândalo do Banco Master expõe uma complexa rede de relações entre o bolsonarismo, o Centrão e interesses financeiros que atuam para proteger figuras influentes e garantir vantagens econômicas, conforme apontam análises recentes. Essa articulação política é essencial para compreender a profundidade do caso e suas consequências para o sistema financeiro brasileiro.

De acordo com o economista Paulo Kliass(veja aqui), o Banco Master não representa um episódio isolado, mas sim um padrão em que instituições financeiras são utilizadas para práticas ilícitas que se entrelaçam com o jogo político. Ele destaca que a fraude financeira é apenas a superfície de um problema maior, que envolve a captura do sistema por interesses políticos e policiais.

A influência do Centrão e do bolsonarismo se manifesta claramente nas tentativas de blindagem do banqueiro Daniel Vorcaro. Parlamentares como Antonio Rueda, Ciro Nogueira e Ibaneis Rocha desempenharam papéis decisivos para proteger o banco, pressionando para enfraquecer investigações e manipular processos judiciais, evidenciando o poder dessas forças dentro do Congresso.

Além disso, a Operação Abafa (veja aqui) revela uma estratégia deliberada para desviar a atenção da opinião pública e da mídia, que tenta associar o caso ao STF e a Lula. Essa narrativa, segundo especialistas, funciona como uma cortina de fumaça para ocultar o verdadeiro núcleo do escândalo, que reside nas conexões entre o bolsonarismo, o Centrão e o sistema financeiro.

As conversas entre Vorcaro e Ibaneis Rocha sobre a venda do Banco Master ao BRB, assim como propostas legislativas como a ampliação da cobertura do FGC para R$ 1 milhão, de autoria de Ciro Nogueira, demonstram o uso do dinheiro público para garantir respaldo político e expansão do banco. Esses fatos revelam uma preocupante simbiose entre interesses privados e públicos.

Por fim, o escândalo do Banco Master serve como um alerta para a sociedade sobre a importância da vigilância e da cobrança por transparência e responsabilização. Conforme a análise de Paulo Kliass e os fatos revelados pela Operação Abafa, o bolsonarismo e o Centrão são protagonistas dessa trama, e cabe à população exigir justiça e mudanças profundas para evitar a repetição de casos semelhantes.



sábado, 24 de janeiro de 2026

CT no Chão, Verdades Escondidas


Foto: Redes Sociais

Por Jorge Antonio Carvalho*

O torcedor não é contra o futebol. O torcedor é contra a mentira. O que se vê hoje é um Sampaio Corrêa desmontado fora de campo e limitado dentro dele, enquanto a diretoria insiste em vender ilusões. A Bolívia Querida não é propriedade privada de ninguém. É patrimônio do povo maranhense e o povo não aceita ser enganado.

A demolição do CT, os milhões sem explicação, os documentos questionáveis e as contradições jurídicas não são “detalhes administrativos”. São sinais claros de uma gestão que perdeu qualquer compromisso com transparência. Onde estão as autoridades? Onde está o Ministério Público? Onde está a Justiça? O silêncio institucional é cúmplice da destruição de um clube histórico.

Dentro das quatro linhas, o cenário também não convence. O time masculino até respira com resultados pontuais, mas segue sem brilho, sem consistência e sem ambição. Empates em excesso, atuações apagadas e um elenco montado às pressas para tapar buracos. Isso não é projeto de futebol, é improviso para enganar arquibancada. E agora, o mesmo descaso se repete no futebol feminino.

No Campeonato Maranhense, o Sampaio Corrêa ocupa hoje a 5ª posição, com 6 pontos em 4 jogos. São 1 vitória e 3 empates, mantendo a invencibilidade, mas ainda fora da zona de classificação direta. O saldo de gols é positivo (+2), reflexo da vitória sobre o Maranhão, mas os empates em sequência mostram um elenco limitado e sem consistência. Esses números não escondem a realidade: o time respira, mas não convence.

No futebol feminino, a situação é ainda mais alarmante. O calendário nacional já está definido: o Brasileirão Feminino A3 começa em 21 de março e a Copa do Brasil Feminina em abril. São competições curtas e extremamente competitivas, que exigem preparação imediata. Mesmo assim, até agora não há elenco confirmado, comissão técnica definida ou local de treinos anunciado. O silêncio da diretoria diante de datas tão próximas é mais uma prova do descaso e da falta de planejamento.

O Sampaio é do povo. E o povo não vai se calar. A verdade vai aparecer, com ou sem a vontade dos “intocáveis”. O clube precisa voltar a ser da arquibancada, da emoção e da luta. Porque amar o Sampaio é também exigir respeito. E respeito não se pede se cobra. Seja no masculino ou no feminino, chega de enganação. É hora de mudança radical.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Exclusão Institucional: A Discriminação Contra os Anistiados da Lei 8.878/94

Foto: Sindsemp/MG

Por Jorge Antonio Carvalho*

A Lei nº 8.878/94 foi promulgada para reparar uma das maiores injustiças do governo Collor: a demissão em massa de servidores públicos. No entanto, mais de duas décadas depois, os anistiados continuam a enfrentar um sistema que os marginaliza e os mantém em um limbo funcional.

Contradições flagrantes nas normas

A Instrução Normativa nº 22/2022, emitida pelo Ministério da Economia, proíbe explicitamente que os anistiados ocupem Funções Gratificadas e cargos de chefia (Art. 37), mas permite que substituam chefes (Art. 34) sem qualquer reconhecimento ou benefício. Essa contradição não é apenas burocrática, é uma forma clara de assédio institucional que mantém os anistiados em posições subalternas, negando-lhes o direito ao mérito e à progressão.

Além disso, a Nota Técnica nº 563/2010 e a Nota Informativa nº 850/2015 reforçam essa exclusão ao vedar a atribuição de Função Gratificada a celetistas anistiados, reservando esses cargos apenas a servidores estatutários. Ou seja, mesmo que o anistiado desempenhe as mesmas funções, ele é sistematicamente excluído dos benefícios e reconhecimentos.

Outro ponto crítico é a Nota Técnica nº 395/2011, que impede a mudança de referência salarial para anistiados que completam interstícios ou obtêm nova formação acadêmica. Um empregado que conclui uma graduação, por exemplo, permanece preso à tabela salarial do ensino médio, congelando sua carreira e seus ganhos.

Impactos reais e injustos

Essa discriminação institucional tem efeitos devastadores na vida dos anistiados. O bloqueio da progressão funcional e salarial gera perdas acumuladas que comprometem a dignidade e a estabilidade financeira desses trabalhadores. O assédio institucional, manifestado pela negação do reconhecimento acadêmico e profissional, cria um ambiente tóxico e excludente.

Enquanto servidores estatutários avançam em suas carreiras por mérito e escolaridade, os anistiados ficam presos em quadros em extinção, sem perspectivas reais de crescimento. Essa situação configura uma violação dos princípios básicos de justiça e igualdade previstos na própria lei que deveria protegê-los.

A luta por reparação plena

Diante desse cenário, a mobilização sindical e política tem ganhado força. A Condsef - Confederação dos Trabalhadores no serviço Público, em sua pauta de 2026, reivindica a reestruturação das tabelas salariais, a garantia da progressão funcional, o combate ao assédio institucional e a revisão das normas discriminatórias.

Parlamentares também têm debatido a necessidade de computar o tempo fora do serviço para aposentadoria e reabrir os prazos de readmissão, buscando corrigir as distorções que ainda persistem.

A reparação prevista na Lei nº 8.878/94 permanece incompleta e simbólica. As normas atuais, especialmente a IN nº 22/2022 e as notas técnicas correlatas, funcionam como instrumentos de exclusão e assédio institucional, negando direitos básicos aos anistiados.

É urgente que o Estado reconheça essas contradições e revise as normas para garantir que a reparação seja plena, efetiva e respeitosa, devolvendo a dignidade e os direitos que foram negados por tanto tempo.

O que deveria ser um resgate de dignidade transformou-se em nova forma de exclusão. É urgente rever normas que institucionalizam o assédio contra os anistiados e garantir que a reparação seja plena, não apenas simbólica.

*Jorge Antonio Carvalho - Titular do Blog Conversa de Feira 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O suprassumo da extrema direita: Trump exporta autoritarismo e ameaça nosso continente

Foto: Ilustração

Por Jorge Antonio Carvalho*

Donald Trump não disfarça. Não mascara sua ambição sob o véu da “defesa da democracia”. Ele escancara: quer administrar a Venezuela, ocupar a Groenlândia, o México, a Colômbia e até o Canadá. É o império em decadência tentando sobreviver pela força bruta, pela rapina, pela barbárie.

O sequestro de Nicolás Maduro e da primeira-dama não é apenas um ataque à Venezuela. É um recado ao continente inteiro: ninguém está seguro. Washington reafirma que trata a América Latina como quintal, e Trump, em sua arrogância, pisa sobre tratados, leis e soberanias como quem esmaga formigas.

Agora, a escalada chega a Cuba. Depois de décadas de embargo, Trump ameaça endurecer ainda mais, exigindo submissão imediata. O recado é claro: ou Havana se curva, ou será esmagada. Mas Cuba reage com altivez, declarando que está pronta para resistir até o fim. Essa postura ecoa como símbolo de dignidade e coragem diante da prepotência imperial.

E aqui, no Brasil, a extrema direita aplaude. Parlamentares e lideranças que se dizem “patriotas” reverenciam Trump como o suprassumo de sua ideologia. Querem importar o modelo autoritário, querem ver nossa nação submetida ao mesmo jugo. É a política da servidão, travestida de nacionalismo.

Trump anuncia que abandona a ONU, que despreza regras internacionais. O que vale agora é a lei do mais forte. É o retrocesso civilizatório, a volta à barbárie. O objetivo é claro: recuperar a economia americana em declínio e sufocar a China, impedindo que nossos países fortaleçam laços comerciais com o Oriente.

Mas há uma resposta. O povo venezuelano já mostrou: mesmo cercado, ameaçado, bombardeado, resiste nas ruas, exige a libertação de seu presidente. Cuba reafirma sua disposição de lutar até a última gota de sangue. Essa é a lição: só a unidade popular e latino-americana pode deter o império.

Não há saída isolada. O Brasil não se defenderá sozinho. A América Latina não sobreviverá fragmentada. É hora de transformar indignação em ação, preocupação em unidade, resistência em projeto político.

Trump é o ditador em marcha. Se não estivermos juntos, seremos subjugados.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Exoneração de Heraldo Moreira: quando a crítica vira censura


Por Jorge Antonio Carvalho*

A exoneração do jornalista Heraldo Moreira da Rádio Timbira, veículo oficial do Governo do Estado do Maranhão, escancara um episódio que ultrapassa os limites da razoabilidade democrática. O motivo? Críticas contundentes à diretoria do Sampaio Corrêa, clube que atravessa uma crise institucional e esportiva já denunciada em diversas matérias do Conversa de Feira.

Segundo relatos, a diretoria do Sampaio levou ao secretário de Comunicação, Sérgio Macedo, a acusação de que Heraldo estaria divulgando “fake news”. A denúncia foi suficiente para que o governo decidisse pela exoneração do comunicador, mesmo diante do histórico de análises fundamentadas e provas apresentadas pelo jornalista em suas falas.

A influência do futebol no poder

O episódio ganha contornos ainda mais graves quando se observa a relação entre o clube e o governo estadual. O vice-presidente do Sampaio, Perez Paz, publicou em seu Instagram um vídeo afirmando:

“Novamente o @sampaiocorrea foi alvo de Fake News do comunicador Heraldo Moreira. Dessa vez ele quis culpar o clube de perseguição contra a imprensa em razão de sua exoneração da @radiotimbira – o que não é verdadeiro. Não tentamos silenciar ninguém. Apenas exercemos o direito de denunciar as fake news que estavam sendo divulgadas pelo comunicador. Após a apuração, o Secretário de Comunicação tomou a decisão com a finalidade de manter o padrão editorial comprometido com a verdade e com a ética.”

A fala soa como justificativa oficial de uma decisão política que, na prática, representa um silenciamento de vozes críticas. Mais do que isso: revela o quanto a atual direção do Sampaio Corrêa tenta esconder a real situação do clube, usando sua influência para transformar críticas legítimas em acusações convenientes de “fake news”.

O histórico de denúncias

O Conversa de Feira já vinha alertando para os problemas estruturais e administrativos do Sampaio Corrêa. 

Em “Sampaio Corrêa e a urgência de uma virada”, mostramos como a má gestão ameaça o futuro do clube.

Em “Sampaio Corrêa em xeque: a SAF que nunca veio”, denunciamos a ausência de transparência e a falta de soluções reais para a crise.

Essas análises não se tratam de invenções, mas de fatos documentados e debatidos publicamente. Heraldo Moreira, ao ecoar essas críticas, cumpria o papel essencial do jornalismo: questionar, investigar e expor.

Justiça em movimento

O caso não ficará apenas no campo da opinião pública. O Movimento “Sampaio é do Povo” já ingressou com ações em diversas instâncias jurídicas, buscando esclarecer os fatos e garantir que a verdade prevaleça. A expectativa é que a justiça confirme aquilo que Heraldo Moreira sempre defendeu com provas: que suas denúncias não eram fake news, mas sim retratos fiéis da crise que o clube atravessa.

Essa mobilização mostra que a sociedade não aceitará passivamente o silenciamento de vozes críticas e que a tentativa de esconder a realidade do Sampaio será desmascarada nos tribunais.

O que está em jogo

A exoneração de Heraldo Moreira não é apenas um ato administrativo. É um ataque à liberdade de imprensa e um sinal preocupante da influência de grupos privados sobre decisões governamentais. Quando um jornalista é punido por exercer seu ofício com rigor e provas, abre-se um precedente perigoso: o de que críticas fundamentadas podem ser sufocadas sob o rótulo conveniente de “fake news”.

E mais: fica evidente que a atual direção do Sampaio Corrêa prefere calar quem denuncia a enfrentar a crise que consome o clube. O silêncio imposto é a prova de que a prioridade não é resolver os problemas, mas maquiar a realidade.

Indignação necessária

Este caso exige indignação. Não apenas pela injustiça contra um profissional da comunicação, mas pelo alerta que traz à sociedade maranhense: quem controla a narrativa, controla o poder. Se o governo se curva à pressão de dirigentes esportivos, o que mais pode ser silenciado amanhã?

O Conversa de Feira reafirma seu compromisso com a verdade, com a crítica responsável e com a defesa da liberdade de expressão. Porque calar jornalistas é calar a própria democracia e esconder a crise do Sampaio não vai fazê-la desaparecer.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

domingo, 4 de janeiro de 2026

Hoje é Caracas, amanhã pode ser qualquer de nós


Jorge Antonio Carvalho*

Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos invadiram a Venezuela e levaram preso o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. A desculpa oficial foi o combate ao narcotráfico e ao tráfico internacional de cocaína. Mas quem acredita nessa conversa fiada? Esse discurso é só fachada. O verdadeiro objetivo é controlar o petróleo e as riquezas naturais, impondo sua vontade sobre os povos da América Latina.

O alerta que ecoa

O que aconteceu em Caracas não é um caso isolado. É um recado. Hoje foi a Venezuela, mas amanhã pode ser qualquer de nós: Brasil, Bolívia, Nicarágua, Cuba, ou qualquer país que ouse seguir um caminho independente.

A história mostra que os EUA sempre trataram a região como quintal. O embargo contra Cuba é prova disso. Agora, repetem a fórmula na Venezuela, tentando sufocar a soberania de um povo inteiro.

Em Brasília, ativistas protestaram em frente à embaixada norte-americana, gritando: “Tire suas patas da Venezuela!” (Metropoles).

A China exigiu a libertação imediata de Maduro e Cilia, denunciando a ação como sequestro e violação do direito internacional (TeleSUR).

E dentro da própria Venezuela, movimentos sociais chamaram o povo à unidade e resistência contra a ofensiva imperialista (Vermelho).

E agora?

O Tribunal Supremo de Justiça determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma o comando do país (TeleSUR). Mas fica a dúvida: será que os EUA vão tentar sequestrar também a vice? Se a desculpa é narcotráfico, podem inventar qualquer acusação contra qualquer liderança. O objetivo é claro: desestabilizar governos e impor sua dominação.

Nossa resposta

Não podemos assistir calados. A América Latina precisa se unir, denunciar e resistir. Hoje é Caracas, amanhã pode ser qualquer de nós. Se permitirmos que os ianques avancem, estaremos abrindo caminho para que eles ditem o futuro de toda a região.

"Ianques, tirem suas patas da Venezuela e da América Latina!"

* Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

domingo, 28 de dezembro de 2025

Carros elétricos e a Margem Equatorial: o Brasil entre o desafio e a solução

Foto: Ilustração

Nos últimos anos, os carros elétricos e híbridos têm ganhado espaço no Brasil. Em 2025, eles já representam uma fatia crescente das vendas de veículos novos. Mas uma pergunta continua ecoando entre consumidores: por que esses modelos, que prometem reduzir a poluição e ajudar o meio ambiente, ainda custam tão caro?

O principal fator está nas baterias de íon-lítio, que podem representar até 40% do valor do veículo. A produção dessas baterias exige minerais como lítio, cobalto e níquel, cuja extração e comercialização são caras e muitas vezes dependem de importação. Além disso, a tecnologia embarcada nos carros elétricos, motores sofisticados, sistemas de regeneração e softwares de gerenciamento e ainda está em fase de expansão, o que aumenta o custo final.

Outro ponto é a escala de produção. Enquanto os carros a combustão têm mais de um século de fabricação em massa, os elétricos e híbridos ainda são produzidos em menor volume. Isso significa que o preço por unidade é mais alto. No Brasil, a chegada de fábricas nacionais começa a mudar esse cenário, mas o impacto nos preços ainda é limitado.

Há também a questão da infraestrutura e impostos. Embora alguns estados ofereçam isenção ou desconto de IPVA para veículos eletrificados, a rede de recarga ainda é restrita fora dos grandes centros urbanos. Isso dificulta a popularização e mantém os custos elevados. Além disso, muitos modelos são importados, o que adiciona taxas alfandegárias ao preço final.

Apesar do valor inicial alto, os carros elétricos e híbridos podem gerar economia a longo prazo. Eles gastam menos com combustível e manutenção, já que possuem menos peças móveis e sistemas mais eficientes. Para quem roda muito na cidade, a diferença pode ser significativa. Além disso, o impacto ambiental é muito menor, ajudando a reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Reprodução/CNN

Nesse contexto, surge uma discussão estratégica:
a exploração da Margem Equatorial Brasileira (MEB). Autoridades como o presidente Lula e o ministro de Minas e Energia destacam que os recursos provenientes dessa exploração podem financiar a transição energética, modernizar a infraestrutura e fortalecer a industrialização nacional. A Petrobras e a Confederação Nacional da Indústria também defendem que, com segurança jurídica e ambiental, a MEB pode ser um motor de desenvolvimento regional e nacional.

Em resumo, ajudar o meio ambiente ainda custa caro porque a transição energética exige investimentos pesados em tecnologia, infraestrutura e produção. Mas a tendência é que, com o aumento da demanda, a produção nacional e os recursos da Margem Equatorial, os preços caiam nos próximos anos. O consumidor brasileiro já começa a perceber essa mudança, e a mobilidade sustentável avança como uma realidade cada vez mais próxima.