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Foto: Reprodução Portos e Navios |
Por Paulo Nogueira*
A Margem Equatorial desponta como a grande aposta para o futuro da produção de petróleo no Brasil. Localizada ao longo do litoral do Norte e Nordeste, essa região abriga cinco importantes bacias sedimentares que vão do Amapá até o Rio Grande do Norte. Com isso, a expectativa é que, à medida que a exploração avance, diversas cidades litorâneas recebam investimentos, infraestrutura e milhares de empregos, elevando-se ao status de novos polos de riqueza — assim como ocorreu com Macaé (RJ) no auge do pré-sal.
A promessa da Margem Equatorial: nova potência energética do país
A chamada Margem Equatorial brasileira reúne cinco bacias estratégicas para a Petrobras e outras empresas do setor:
Foz do Amazonas
Pará-Maranhão
Barreirinhas
Ceará
Potiguar
Essas áreas apresentam condições geológicas muito semelhantes às das regiões marítimas da Guiana e do Suriname, onde recentemente surgiram descobertas expressivas de petróleo. Por isso, a Petrobras enxerga um potencial imenso na Margem Equatorial, capaz de garantir a segurança energética do país por várias décadas. Além disso, o interesse de gigantes internacionais também reforça essa projeção otimista.
Cidades que podem enriquecer com o petróleo da Margem Equatorial
Com as novas operações, poços e bases de apoio previstas, várias cidades próximas às bacias devem se beneficiar diretamente. Veja a seguir quais municípios têm potencial para enriquecer com essa nova fase da economia do petróleo:
📍 Oiapoque (AP)
Localizada na fronteira com a Guiana Francesa, Oiapoque está estrategicamente posicionada diante da Bacia da Foz do Amazonas. A cidade pode atrair investimentos logísticos, infraestrutura e empregos, servindo como porta de entrada para as operações mais ao norte.
📍 Macapá (AP)
Macapá está próxima da Bacia da Foz do Amazonas, a mais debatida do país devido às suas questões ambientais. Entretanto, se a liberação para exploração ocorrer, a cidade pode virar o principal ponto logístico de apoio no extremo norte do Brasil.
📍 Belém (PA)
Belém já possui um porto estruturado e posição estratégica. Dessa forma, pode fornecer suporte à Bacia do Pará-Maranhão, movimentando embarcações, suprimentos, empresas de apoio e técnicos especializados.
📍 São Luís (MA)
A capital maranhense está posicionada para liderar o suporte à Bacia de Barreirinhas. Além disso, o Porto do Itaqui fortalece o seu papel como base logística essencial, podendo atrair investimentos nacionais e internacionais.
📍 Parnaíba (PI)
Embora Parnaíba seja uma cidade de menor porte, ela pode ganhar relevância regional ao servir de apoio à Bacia do Ceará. Assim, empresas de logística, hotelaria e transporte podem se multiplicar rapidamente na região.
📍 Fortaleza (CE)
Com economia forte e infraestrutura consolidada, Fortaleza já desponta como o principal centro de suporte à Bacia do Ceará. Dessa forma, a geração de empregos diretos e indiretos tende a se intensificar com o avanço da exploração.
📍 Mossoró (RN) e Natal (RN)
Essas duas cidades têm tradição na produção terrestre de petróleo. Por isso, elas estão bem preparadas para apoiar as atividades na Bacia Potiguar offshore, aproveitando a experiência acumulada e a base de fornecedores já existente.
Veja também:
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Mapa das cidades, estados e Bacias que serão impactadas pela exploração da Margem Equatorial do Brasil. Fonte: Petrobras |
Petrobras lidera os investimentos e aposta na Margem Equatorial
A Petrobras está à frente dos projetos de exploração da Margem Equatorial. A estatal já anunciou investimentos superiores a R$ 24 bilhões entre 2024 e 2028. Esse valor será direcionado para campanhas sísmicas, perfuração de poços e construção de infraestrutura. Portanto, a movimentação de recursos promete aquecer a economia dos estados envolvidos.
Apesar disso, o processo esbarra em licenças ambientais. Em 2023, o Ibama negou a autorização para a perfuração de um poço na Bacia da Foz do Amazonas, sob a justificativa de risco à biodiversidade marinha. Mesmo assim, a Petrobras segue firme nos estudos complementares e promete respeitar todos os requisitos ambientais exigidos.
Se os investimentos planejados saírem do papel, os efeitos serão imediatos. A exploração de petróleo na Margem Equatorial pode:
Gerar milhares de empregos em diversas frentes
Aumentar a arrecadação dos municípios com royalties
Impulsionar cursos técnicos e centros de capacitação
Fortalecer o comércio, os serviços e o transporte local
Além disso, empresas de pequeno e médio porte devem surgir em resposta à demanda por logística, alimentação, hospedagem, transporte marítimo e manutenção industrial. Com isso, o ciclo de desenvolvimento regional tende a ser contínuo e duradouro.
Oportunidade de ouro para o Norte e o Nordeste
A Margem Equatorial representa uma chance concreta de descentralizar o crescimento gerado pelo petróleo no Brasil. Ao contrário do modelo concentrado no Sudeste, essa nova fronteira pode beneficiar amplamente o Norte e o Nordeste. Assim, o país avança em direção à equidade regional, com mais empregos, mais receita pública e maior protagonismo para estados antes esquecidos.
Contudo, essa transformação depende de decisões técnicas, jurídicas e políticas. Afinal, o Brasil terá que equilibrar o desenvolvimento econômico com a proteção ambiental. Ainda assim, é possível avançar com responsabilidade e garantir um futuro promissor para milhares de brasileiros.
Você acha que cidades como Macapá, São Luís e Mossoró estão prontas para viver um novo ciclo de prosperidade com a exploração de petróleo na Margem Equatorial? Ou será que os obstáculos ambientais e políticos ainda vão atrasar essa revolução?
*Paulo Nogueira - Eletrotécnico formado em umas das instituições de ensino técnico do país, o Instituto Federal Fluminense - IFF ( Antigo CEFET)
FONTE: CPG - Clic, Petróleo e Gás