sexta-feira, 21 de julho de 2017

Sedel concede Certificado de Mérito Esportivo ao Moto Club e ao MAC.


No último dia 14, a SEDEL - Secretaria de Estado de Esporte e Lazer do Maranhão, através da Lei de Incentivo ao Esporte de nº 9.436 de 15.08.2011, concedeu Certificados de Mérito Esportivo para os clubes de futebol do Maranhão Atlético Clube e do Moto Club. 

Este Certificados de acordo com a Lei citada, trata da concessão de incentivo fiscal para contribuintes de ICMS, patrocinarem projetos culturais e esportivos dos clubes que apresentarem projetos, visando melhorias  que envolvam construção, reforma, recuperação, bem como o ato e o efeito de produzir, criar, gerar e realizar evento de natureza esportiva, inclusive edições, seminários e pesquisas.

Os contemplados, Moto Clube e Maranhão Atlético Club, elaboraram seus projetos esportivos com os nomes Maranhão Atlético Clube, proposto pela  Off Road Comércio e Serviços - ME e Avante Campeão, proposto Octop Entretenimento e Produções LTDA - ME, respectivamente.

Os valores a serem captados pelo Moto Club serão de R$ 250.000,00 e para o MAC o valor de R$ 150.000,00.

Registramos que infelizmente, o Sampaio Corrêa e outros clubes do estado, deixaram de apresentar os seus projetos.

Veja divulgação no Diário Oficial



quinta-feira, 20 de julho de 2017

EUA assumem controle de 83% da importação brasileira de óleo diesel


Em agosto de 2015, o juiz Sergio Moro estava em plena campanha em favor do golpe. Dava palestras onde quer que lhe chamassem e suas decisões seguiam uma agenda estritamente conectada às forças de oposição que conspiravam para derrubar o governo Dilma.
No dia 31 daquele mês, Moro proferiu uma palestra com o tema “Corrupção sistêmica: as lições da operação Mãos Limpas”, num evento organizado pela editora Abril, em São Paulo.
O juiz responsável pela operação Lava Jato, então no auge de sua popularidade, explicava aos executivos que se dispuseram a pagar R$ 1.800 por um ingresso, o que, na sua opinião, eram investimentos não baseados em razões de “ordem econômica e racional”.
Como exemplo, ele cita a refinaria Abreu e Lima, lembrando que o custo inicial da obra, estimado em 2 bilhões de dólares, passara para 18 bilhões de dólares.
Moro conta que alguns “colaboradores” capturados pela Lava Jato lhe disseram que a obra jamais se pagaria.
Trajando seu tradicional terno preto, com uma expressão aflita no rosto, o juiz de Curitiba conclui que tudo isso “leva a uma natural suspeição: será que o fator de recebimento de propina não foi o agente motivador dessas decisões de investimento mal sucedidas?”
Neste mesmo evento, ele admitiu que a operação Lava Jato poderia causar transtornos a economia. Mas ele acreditava que, no longo prazo, o enfrentamento da corrupção sistêmica traria ganhos “às empresas” e “a economia”. Ele faz uma pausa e completa: “e a todos, de uma forma geral”.

Qualquer pessoa que estude um pouco o universo de refinarias, sabe que o escândalo em torno do custo da Abreu e Lima fez parte do processo de manipulação da opinião pública. O custo passou de 2 bilhões para 18 bilhões porque o projeto mudou completamente. Para começar, o custo inicial foi estimado em 2005, antes do descobrimento do pré-sal. O custo posterior refere-se a um projeto completamente diferente, após a descoberta pré-sal. Ninguém contou isso a Sergio Moro?
Se você fizer uma pesquisa na internet sobre o custo de se construir uma refinaria, verá que ele, naturalmente, é calculado de acordo com a sua capacidade de produção.
Uma reportagem publicada apenas uma semana depois da palestra de Moro, num jornal do Canadá, comentava que uma refinaria em Alberta, com capacidade para processar 50 mil barris por dia, teria um custo de construção de 8,5 bilhões de dólares.
A Abreu Lima deverá (ou deveria, antes do golpe) ter capacidade de processar, quando todas suas unidades estiverem em pleno funcionamento, 230 mil barris por dia. Ou seja, mais de quatro vezes mais do que a refinaria canadense. Logo, deveria custar mais de US$ 24 bilhões.
Outra reportagem, publicada num jornal indiano, em julho do ano passado, fala que uma refinaria a ser construída na costa oeste do país, deverá custar mais de US$ 30 bilhões. Ela terá capacidade, segundo os planos das estatais responsáveis pelo projeto, de processar mais de 600 mil barris por dia. O custo é apenas uma estimativa, porque o governo ainda nem adquiriu as terras onde a refinaria será construída. O projeto é que a refinaria fique pronta em 5 ou seis anos a partir da aquisição das terras. Torçamos para que a obra não atrase, não custe muito mais do que o orçamento inicial, mas, sobretudo, que não apareça nenhum juiz indiano doido, megalomaníaco, que pretenda acabar com a corrupção na Índia através da destruição de sua indústria de petróleo.
O excelentíssimo Sergio Moro deveria se informar melhor. A Abreu e Lima, assim como qualquer outra refinaria que viesse a ser construída no Brasil, não devem ser vistas apenas em função de seu custo de construção.
O Brasil, ainda hoje, é altamente deficitário em óleo diesel, gasolina e derivados. Essa é uma das consequências do golpe de 1964. Moro não deve conhecer história. Se tivesse tido a curiosidade de ler alguns livros, saberia que o golpe de 64 foi patrocinado pelos americanos com o objetivo de assumir o controle sobre algumas orientações básicas da nossa política econômica. Era necessário, por exemplo, que a nossa estrutura de transporte fosse inteiramente baseada em rodovias. Como não tínhamos petróleo, muito menos refinarias importantes, teríamos que importar grandes quantidades de óleo diesel dos principais países exportadores, em especial os Estados Unidos.
Outra coisa que o senhor Moro parece não entender: o preço do diesel, principal combustível de nossa frota de caminhões, é um componente determinante na composição dos preços de produtos alimentícios vendidos no mercado interno brasileiro.  Ter refinarias significaria ampliar o controle nacional sobre o preço dos nossos próprios alimentos, o que nos ajudaria a enfrentar a inflação e a planejar melhor a nossa economia.
Não é com juros altos que se combate a inflação, e sim com preços estáveis da energia e melhora da infra-estrutura logística do país.
O plano de termos um conjunto de refinarias, condizentes com o nosso tamanho, é um sonho vinculado ao projeto de país soberano, com indústrias fortes. Mas talvez isso seja informação demais para um juiz provinciano.
Sergio Moro também não conhece os números da balança comercial brasileira. Como só lê Veja e Globo, ficou achando que a Abreu e Lima era desperdício de dinheiro público, e que a decisão de construí-la nasceu apenas em função da propina a ser dada ao Paulo Roberto Costa…
Neste post, vamos tentar oferecer, gratuitamente, ao juiz Sergio Moro, algumas informações importantes sobre seu país, e de quebra revelar alguns fatos intrigantes que aconteceram desde o impeachment.
O Brasil importou, no acumulado dos últimos seis anos, o equivalente a 37 bilhões de dólares em óleo diesel. Ou seja, só com o que gastamos na importação de óleo diesel durante metade da era Lula/Dilma, poderíamos construir mais de duas refinarias Abreu e Lima.
Desde muito tempo, o óleo diesel figura em primeiro lugar no ranking das nossas importações. É o produto, em suma, que mais importamos. E isso a despeito de termos nos tornado, nos últimos anos, autossuficientes em petróleo.
Todos os números usados neste post são de fontes oficiais, devidamente indicadas nos gráficos e tabelas.

Na tabela acima, observe que o Brasil gastou, nos últimos 12 meses, US$ 4 bilhões com a importação de óleo diesel, um aumento de 71% sobre o ano anterior.
Enquanto isso, por conta da decisão da Petrobrás de paralisar suas refinarias, tanto aquelas já em funcionamento quanto a construção de novas unidades, a nossa produção nacional de derivados caiu violentamente este ano, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), atualizados até maio deste ano. O acumulado de janeiro a maio de 2017 é um dos menores da série histórica.

O país que mais se beneficiou desta queda na produção nacional de derivados foram os Estados Unidos, cujas exportações de óleo diesel para o Brasil cresceram 177% sobre o ano anterior.
O fato curioso é que os EUA não apenas aumentaram brutalmente a exportação de diesel para o Brasil. Eles assumiram o controle de nossa importação. E há muito tempo isso não acontecia.  Em 2013, os EUA ficaram com 33% das importações brasileiras de óleo diesel. Nos anos seguintes, a participação americana oscilou entre 40% e 50%.
Nos últimos 12 meses terminados em junho, porém, os EUA assumiram hegemonia absoluta da importação brasileira de óleo diesel, com mais de 83% do mercado!
E quem controla o diesel, controla o transporte de mercadorias no Brasil.
Agora entendo porque os americanos dão tantos prêmios para Sergio Moro.
A Índia, grande exportadora mundial de óleo diesel, foi varrida do mercado brasileiro. Nos 12 meses até junho de 2016, o Brasil havia importado quase 700 milhões de dólares de diesel indiano, o que correspondia a 30% do total das importações brasileiras. Nos seis primeiros meses de 2017, o Brasil ainda não importou um mísero barril da Índia.
Curioso, entrei no departamento de estatísticas de comércio exterior do governo indiano, e descobri que não houve nenhum problema com as exportações do diesel daquele país. Ao contrário, as exportações de óleo diesel da India em 2016/17 totalizaram mais de 12 bilhões de dólares, um crescimento de 5% sobre o ano anterior. Quase todos os países que costumam importar diesel da Índia aumentaram suas compras, menos Brasil e… Arábia Saudita.
A Suíça também aumentou muito suas exportações de diesel para o Brasil. Mesmo aumentando, sua participação ficou em apenas 5%.
A gente tem uma ideia sofisticada dos EUA, mas o principal produto que ele exporta para o Brasil é óleo diesel! Com isso, o Tio Sam voltou a ocupar o primeiro lugar no ranking das nossas importações, ultrapassando a China. Alemanha, França, Coréia do Sul, Itália, Reino Unido, todos esses países perderam participação no mercado brasileiro.
Os EUA, ao contrário, cresceram.
Numa edição anterior do Cafezinho Econômico, eu mostrei como os EUA assumiram uma hegemonia fortíssima nos números de investimento direto no Brasil, o que mostra que são eles que estão aumentando participação acionária em nossas empresas, ampliando o controle de nossa economia.
Diante desses números, volto a acreditar que a compra da refinaria de Pasadena havia sido um negócio de cunho estratégico. Pena que nem Dilma ou Graça Foster fizeram esforço para convencer a opinião pública.
Se um historiador quiser entender quem ganhou com o golpe de 2016 no Brasil, a leitura desse Cafezinho Econômico talvez lhe ajude um pouco.




FONTE: O Cafezinho

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Maranhão registra 1,5 mil novos empregos e menos demissões em junho

Segundo o levantamento, no mês de junho foram admitidas
 12.271 pessoas, e as demissões totalizaram 10.740.
No mês de junho, o Maranhão gerou 1.531 empregos a mais do que o número de demissões em todo o estado, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado esta semana.

De acordo com a pesquisa, a construção civil e a agropecuária foram os setores que apresentaram variações absolutas mais expressivas, com 867 e 765 postos criados, respectivamente. O comércio, entretanto, foi o setor com a maior perda de postos, já que houve o fechamento de 258 vagas.

No mês de maio, o estado também teve desempenho positivo com o saldo de 782 postos de trabalho preservados, resultado de 12.589 admissões e 11.807 demissões.
Segundo o levantamento, no mês de junho foram admitidas 12.271 pessoas, e as demissões totalizaram 10.740. Apesar do bom desempenho nos últimos dois meses, o ano ainda tem um saldo negativo de 4.233 postos de trabalho fechados, resultado de 70.348 admissões contra 74.581 demissões. Quanto ao desempenho dos últimos 12 meses, o saldo negativo é de 9.252, já que neste período foram contratados 146.491 trabalhadores e 155.743 foram demitidos.
A construção civil, setor com saldo positivo mais expressivo, registrou no mês passado 2.298 contratações e 1.431 demissões. O setor tem um saldo acumulado no semestre de 1.206 postos desativados, resultado de 10.950 contratações e 12.156 demissões. Nos 12 meses, a construção civil tem um acumulado negativo de 5.648 postos de trabalho desativados, já que as admissões somaram 23.977 e as dispensas, 29.625.

Já agropecuária, que também teve resultado positivo, registrou no mês levantado 1.776 contratações e 1.011 demissões.

O comércio, único setor a apresentar saldo negativo, consolidou no mês passado 3.326 admissões e 3.584 dispensas. O setor tem um saldo acumulado no ano de 3.971 postos fechados, resultado de 19.711 contratações e 23.682 dispensas. Nos 12 meses, o comércio tem um acumulado negativo de 2.378 postos de trabalho desativados, já que as contratações somaram 42.388 e as demissões, 44.766.

Nacionalmente, o Ministério do Trabalho informou que o país gerou, no primeiro semestre, 67.358 mil vagas formais de trabalho. O número é o primeiro resultado positivo desde 2014. Ao todo, segundo o governo, foram 7.523.289 contratações nos primeiros seis meses deste ano e 7.455.931 demissões.

Vagas criadas em junho
Extrativa Mineral 1
Indústria de Transformação 118
Serviços Industriais de Utilidade Pública 22
Construção Civil 867
Comércio 258
Serviços 9
Administração Pública 3
Agropecuária 765
Total 1.531

Fonte: O Imparcial

Entenda, definitivamente, por que “racismo reverso” não existe


Por Joacine Katar Moreira*
A atenção. “Attenção: Vende-se para o mato uma preta da costa de idade de quarenta e tantos anos, muito sadia e bastante robusta, sabe bem lavar e cozinhar o diário de uma casa, vende-se em conta por haver precisão, no beco Largo, n. 2. Na mesma casa vende-se uma tartaruga verdadeira.
O protesto. “Protesta-se com todo o rigor das leis contra quem tiver dado, e der coito a escrava do abaixo assignado, fugida de seo poder na freguezia do Queimado desde 7 de fevereiro do corrente anno; e gratifica-se, conforme a trabalho da captura, á quem a prender, e levar ao dito seo senhor ali, ou mete-la nas cadêas da capital. […] Levou uma filha de sua côr, que terá pico mais de anno de idade. O padre Duarte.
A fuga. “Escravo fugido. Acha-se fugido desde o dia 3 de março passado, o escravo de nome Joaquim, de nação Congo, edade 61 annos, mais ou menos, côr preta, cabelos brancos, tanto os da barba como os da cabeça, olhos grandes, bons dentes, bastante baixo, tendo o dedo grande da mão direita mutilado.
Estes excertos, expostos no Memorial da Escravatura e do Tráfico Negreiro, em Cacheu — importante entreposto comercial de escravizados na Guiné-Bissau —, ilustram a forma como as relações raciais, fruto do colonialismo e da Escravatura, passaram da “diferença negativa à coisificação do Africano” (Isabel C. Henriques), comparado, tratado e marcado como animal doméstico, de carga e de serviço, retirando-lhe toda e qualquer dignidade e submetendo-o às mais brutais violências e, com o tráfico negreiro, sujeito a uma desumanização de difícil equiparação na História mundial. A vida média de uma pessoa uma vez escravizada era, aliás, de dez anos, como observou António Carreira em Notas sobre o Tráfico Português de Escravos, de 1978.
O comércio transatlântico de pessoas escravizadas foi legal e sujeito a impostos como qualquer outra transação. A Igreja Católica suportou religiosa e moralmente a Escravatura, que tinha propósitos essencialmente comerciais e políticos. Mais tarde, a Revolução Industrial, cujo motor foi o algodão (Sven Beckert) — algodão este cultivado por gente escravizada nas Américas, como recordou Noam Chomsky —, originaria o fim legal do tráfico, mas não o da Escravatura, que servia a industrialização e o desenvolvimento a Ocidente por mais algum tempo. Marcus Rediker destaca a centralidade da Escravatura e do trabalho forçado no surgimento do capitalismo, considerando que “os navios negreiros foram o vector da produção das categorias de ‘raças’”. E é deste contexto que surge o que denominamos de racismo, uma opressão histórica, violência sistémica, uma relação de poder e de profunda desigualdade. E é por isso que o racismo está intrinsecamente, e historicamente, ligado à inferiorização dos negros (e não dos brancos).
Neste quadro, acreditar na existência de “racismo reverso”, ou seja, no racismo dos oprimidos para com os opressores, exigiria, como ironizou o comediante Aamer Rahman, que entrássemos numa máquina do tempo que revertesse a História e alterássemos as posições de poder. Mas não há forma de reverter a História, mesmo com tentativas várias de naturalizá-la, de negá-la ou de manipulá-la. Torna-se pois importante ter atenção ao tempo em que vivemos, onde se continua a insistir em paradigmas do passado, recusando-se mudanças estruturais.
Avalizar o “racismo reverso” é tentar boicotar o movimento anti-racista, silenciar as vozes negras e subalternizadas que legitimamente se levantam, tentando também reduzir o racismo a uma questão de “natureza humana”, portanto natural. Em tal equação toda a gente pode ser racista com toda a gente, esquecendo que nesse “toda a gente” há gente que oprime e gente que é oprimida; há gente que detém o poder e gente que luta pela visibilidade dentro das sociedades em que se encontra; e há gente que usufrui ainda hoje do privilégio da herança escravocrata e gente que, pelo contrário, carrega esse fardo, que se traduz na segregação racial, na pobreza e na exclusão social.
A atenção. As associações de afrodescendentes caracterizam o “racismo reverso” como “uma tentativa de legitimação do contínuo controlo exercido sobre povos que sofreram séculos de opressão, por medo de uma hipotética retaliação” (AFROLIS); “uma construção daqueles que pretendem fugir à discussão do verdadeiro problema: o racismo estrutural” (DJASS); “um modo de mascarar o racismo perverso e silencioso em que vivemos” (FEMAFRO); “uma reação por parte de quem deseja preservar uma estrutura racista que lhe confere certos privilégios” (PLATAFORMA GUETO). Sintetizando: “o racismo reverso não existe”, sendo que o que existe é ”uma resposta de ‘auto defesa’ de quem sofre a discriminação racial” (SOS RACISMO).
O protesto. O racismo implica uma expressão colectiva marcada pela história, pelo poder e pelo epistemicídio africano, o que faz com que mesmo quando é protagonizado por um só indivíduo, este fá-lo com base num contexto que sustenta e demarca historicamente o seu comportamento. Um negro pode discriminar e ser preconceituoso com um branco, mas não pode ser racista com ele, porque este último não tem estruturas (históricas, politicas, econômicas e sociais) que o oprimam com base no seu fenótipo.
A fuga. Aos que acreditam na falácia do “racismo reverso” ou na subtileza do racismo em Portugal, repito o exercício que Jane Elliot fez com a plateia de uma conferência nos EUA: quem gostaria de ser tratado como os negros são tratados neste país, que se levante!
*Joacine Katar Moreira é PhD em Estudos Africanos pela Universidade de Lisboa

terça-feira, 18 de julho de 2017

Rede Globo pressiona desembargadores pela condenação de Lula

Kiko Nogueira, DCM
Assim como fez com Sergio Moro, seu torquemada de casa, a Globo está cuidando agora de domesticar e pressionar o Tribunal Regional da 4ª Região (Sul) no sentido de terminar o serviço contra Lula.
Jornal Nacional dedicou boa parte de sua edição de quinta, dia 13 de julho, para explicar como opera o tribunal que pode tornar Lulainelegível.
A matéria era parte didatismo, parte wishful thinking. No subtexto, o repórter falava ao espectador “se Deus quiser, o destino do vagabundo será selado por estes guerreiros”.
Imagens do interior daquela corte e closes dos desembargadores João Pedro Gebran, Leonardo Paulsen e Victor Luiz Laus ilustravam a trama.
Num determinado momento, entrou ele, Carlos Eduardo Thompson, presidente do TRF-4, asseado, um retrato em aquarela ao fundo de algum medalhão, o cabelo emplastrado de brilhantina, fino, elegante, enquadrado com carinho pela câmera, declarando o que a emissora queria ouvir: até agosto de 2018, antes da eleição, o processo em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado a nove anos e seis meses de cadeia estará julgado em segunda instância.
A pedidos, Thompson foi além: deu sua opinião sobre a sentença do Homem de Maringá. “Olha! Muito bem trabalhada!”, cravou, a mão direita reforçando o ponto. Ironizou em seguida o fato de Lula ter criticado a ação.
Ou seja, tudo no script.
Daqui em diante, Thompson e seus amigos serão presença constante em todos os veículos do grupo. Será convidado dos programas de entrevistas (o de Roberto D’ávila é batata; Bial, o cretino fundamental, em seguida).
Eventualmente, ganhará algum prêmio do tipo “Faz Diferença” ou uma patacoada dessas.
Como a Globo pauta o resto da mídia preguiçosa, serão abertas as portas da fama para Thompson e companheiros.
Conheceremos sua casa, seus familiares, seus pets e hobbies — e seu rigor no trabalho, bem como a competência.
A ofensiva sobre eles teve seus preâmbulos. Em junho, Merval Pereira escreveu no Globo que “se a impugnação na segunda instância acontecer depois que sua candidatura [a de Lula] à presidência da República estiver homologada pela convenção do PT, teremos uma crise institucional instalada no país.”
Míriam Leitão, por sua vez, atacou a estratégia lulista baseada “na tese delirante de que ele é um perseguido político”.
Uma grande parcela do seu eleitorado ele perdeu para sempre. Ele sabe disso, mas o importante para Lula é ser candidato para que quanto mais perto fique do pleito, mais difícil seja para o tribunal de segunda instância condená-lo. É uma corrida contra o tempo, que será atravessada em um período de aumento da tensão política no país”, escreveu.
O recibo da dobradinha com o Judiciário está no texto de Moro condenando Lula.
Na síntese das “provas documentais” de que Lula é dono do triplex do Guarujá está uma reportagem publicada pelo Globo em 2010.
Segundo Sergio Moro, nenhuma das testemunhas, nem o material apresentado pelos advogados ou muito menos o depoimento de Lula jamais conseguiram desmentir aquela reportagem, publicada antes da Lava Jato apurar o caso.
Sim, um recorte velho contém a verdade.
Alguns dos maiores juristas do Brasil criticaram pesadamente as mais de 200 páginas perpetradas por Moro.
Para Afranio Silva Jardim, professor associado de Direito Processual Penal da Uerj, processualista consagrado e ex-mestre de Moro, “Lula foi condenado por receber o que não recebeu e por lavagem de dinheiro que não lhe foi dado”.
O cientista político Leonardo Avritzer chamou a condenação, simplesmente, de “lixo jurídico”.
Olha! Muito bem trabalhada!”, empolga-se Carlos Eduardo Thompson do seu lado. O sinal está dado.
Das 48 sentenças de Moro revisadas pelo TRF-4, dez foram mantidas, 16 aumentadas, 8 diminuídas e apenas cinco foram revertidas para absolvição.
Para que o roteiro do golpe seja cumprido, teremos de nos acostumar a ver os antes anônimos meritíssimos transformados em popstars. Depois eles somem novamente.
Prepare-se para ter saudade do Japonês da Federal.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

O Globo apresenta: João Dória como o anti-Lula de 2018

Moro e Dória
Por José Carlos Ruy*
O Globo participou ativamente da conspiração que levou ao suicídio de Getúlio Vargas, em 1954; foi linha de frente no golpe contra João Goulart, que depôs o presidente e levou à ditadura militar de 1964; apoiou ativamente os governos dos generais. Nos estertores da ditadura, tentou sabotar a campanha das Diretas Já, em 1984, escondendo-a do público em seus noticiários. Depois defendeu a candidatura do aventureiro neoliberal Fernando Collor de Mello, em 1989, e manipulou imagens do debate político entre ele e o candidato da esquerda, Luís Inácio Lula da Silva, para garantir a vitória de seu candidato na eleição presidencial daquele ano. Recentemente foi uma das principais artífices da conspiração contra Dilma Rousseff, e montou o cenário para seu afastamento da presidência da República, no golpe de 2016 que levou o usurpador Michel Temer ao governo e, desde então, infelicita o país.
A Globo não para e, como autêntico partido da direita, encontrou seu anti-Lula para 2018 e o apresenta ao país com pompa e circunstância: o prefeito paulistano João Dória, que se torna o novo queridinho da mídia.
Neste sábado (dia 1º) o diário carioca apresentou Dória ao Brasil, em nada menos que cinco páginas (!).
É o novo campeão da iniciativa privada, do neoliberalismo mais desbragado, mostrado como aquele que não tem medo dos “istas”.
O pretexto foi a participação do prefeito no seminário “E Agora, Brasil?” promovido no Rio de Janeiro pelo jornal O Globo, em parceria com a Confederação Nacional do Comércio e apoio do Banco Modal. Dória emerge daquela maçaroca de informações tendenciosas – mais própria da propaganda de um candidato do que do legítimo jornalismo informativo – como um gestor apolítico, dentro do figurino preferencial da direita que quer gerentes para a política e não líderes capazes de disputar a gestão pública de maneira democrática.
É um gestor que defende sua ação preferencial a favor do capital (“sou um grande incentivador do capital. O capital gera emprego, oportunidades e atividade empreendedora”, disse). Defende o uso de dinheiro de empresas em campanhas eleitorais (fonte da corrupção que assola as eleições). Confunde o combate à burocracia com ação social (“O fim das amarras para empreender é um dos anseios da periferia”). E rejeita apressão de “petistas e especialistas”.
É claro, Dória defendeu também as ações truculentas de sua gestão na Cracolândia, onde investiu contra gente pobre e carente a pretexto de combater criminosos e o tráfico. E libera aquela área em localização privilegiada para a ganância imobiliária.
Suas palavras são música para os neoliberais e a especulação financeira. Privatizar, é a palavra de ordem de seu governo. Para ele, o “país não precisa de dois bancos públicos”, como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. “Um deve ser vendido”, defende. E quer privatizar também, gradualmente, a Petrobrás. Sanha privatista que coloca em prática em São Paulo, onde quer passar para o capital privado parques, terrenos e outros próprios municipais, entre eles o Estádio do Pacaembu e o autódromo de Interlagos.
Tudo isso dentro de ideias previsíveis – defende o estado mínimo, afastado da economia, que é deixada à ação do chamado “mercado” e do capital. “Se tiver o setor privado para fazer, melhor”, diz ele entoando outro mantra que encanta banqueiros e capitalistas.
Naquilo que interessa mesmo a seus pares – nunca é demais lembrar que ele próprio é um grande empresário – Dória tergiversa em relação à candidatura presidencial em 2018. Diz que a definição da candidatura de um anti-Lula deve ocorrer até o mês de dezembro, declara-se fiel ao tucano Geraldo Alckmin, mas sugere que poderá ser candidato. “Não sou candidato a nada”, diz. Mas se declara contra a reeleição e se proclama radicalmente antipetista – isto é, contra uma candidatura de esquerda.
O entusiasmo que sua eventual candidatura causa foi resumido por uma frase do banqueiro Cristiano Ayres, diretor do Banco Modal, um dos promotores do seminário. “O país precisa de pessoas, sejam políticos ou não, focadas em gestão. É um debate fundamental”. Frase que foi destacada pelos editores de O Globo e que resume aquilo que a direita espera de um presidente a ser eleito em 2018: um gestor apolítico, neoliberal e abertamente favorável ao grande capital. É o candidato ideal da direita.
*José Carlos Ruy - É jornalista e historiador. É editor do jornal Classe Operária, da equipe portal Vermelho e da Comissão Editorial da revista Princípios.
Foto de ilustração postada pelo nosso blog

Moro diz que condenou Lula sem ler documentos da ação "por falta de tempo"


Por Marcos de Vasconcellos, Consultor Jurídico
O juiz Sergio Moro conseguiu que sua vara ficasse dedicada apenas às ações da operação “lava jato”, mas afirma que “as centenas de processos complexos” o impediram de ler os documentos da ação na qual condenou o ex-presidente Lula.
Na sentença, publicada nesta quarta-feira (12/7), Moro assume que sua vara foi informada de que mandou interceptar o ramal central do escritório dos advogados de Lula, mas que os documentos “não foram de fato percebidos pelo juízo”, por causa do excesso de trabalho.
O caso veio à tona depois que a ConJur noticiou, em março de 2016, que o telefone central do escritório Teixeira, Martins e Advogados, que conta com 25 profissionais do Direito, havia sido grampeado por ordem de Moro.
No pedido de quebra de sigilo de telefones ligados a Lula, os procuradores da República incluíram o número da banca como se fosse da Lils Palestras, Eventos e Publicações, empresa de palestras do ex-presidente. O Ministério Público Federal usou como base um cadastro de empresas por CNPJ encontrado na internet.
À época das notícias, o juiz teve de se explicar ao Supremo Tribunal Federal. Em um primeiro ofício enviado ao Supremo, afirmou desconhecer o grampo determinado por ele na operação “lava jato”.
Em seguida, outra reportagem da ConJur mostrou que a operadora de telefonia que executou a ordem para interceptar o ramal central do escritório de advocacia Teixeira, Martins e Advogados já havia informado duas vezes a Sergio Moro que o número grampeado pertencia à banca.
Por causa da nova notícia, Moro teve de se explicar de novo ao Supremo. Dois dias depois de dizer não saber dos grampos, enviou outro ofício par dizer que a ordem de interceptação “não foi percebida pelo Juízo ou pela Secretaria do Juízo até as referidas notícias extravagantes” — sem citar nominalmente a ConJur, primeiro veículo a noticiar o problema.
Agora, na sentença do caso tenta se explicar novamente: “É fato que, antes, a operadora de telefonia havia encaminhado ao juízo ofícios informando que as interceptações haviam sido implantadas e nos quais havia referência, entre outros terminais, ao aludido terminal como titularizado pelo escritório de advocacia, mas esses ofícios, no quais o fato não é objeto de qualquer destaque e que não veiculam qualquer requerimento, não foram de fato percebidos pelo juízo, com atenção tomada por centenas de processos complexos perante ele tramitando”.
O juiz tenta jogar a questão para a Polícia Federal, afirmando que nos relatórios da autoridade policial quanto à interceptação, sempre foi apontado tal terminal como pertinente à LILS Palestras. E diz que até poderia interceptar ligações de Roberto Teixeira, pois ele também seria investigado.
Ainda segundo a sentença, não foram apontadas ou utilizadas quaisquer conversas interceptadas de advogados do escritório. “Então não corresponde à realidade dos fatos a afirmação de que se buscou ou foram interceptados todos os advogados do escritório de advocacia Teixeira Martins”, afirma o juiz de Curitiba.
Vale lembrar que o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil pediu ao ministro Teori Zavascki (morto em janeiro), então relator da “lava jato” no STF, que decretasse o sigilo e posterior destruição das conversas interceptadas nos telefones dos advogados de Lula.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

PCdoB manifesta indignação com condenação de Lula

O PCdoB expressa ainda sua solidariedade em relação à família de Lula e a seu partido. "Lula é um patrimônio do povo brasileiro, um ícone de nossa história nacional e será defendido com garra e decisão por todos os que sonham com um Brasil justo para todos e todas", diz o texto. Confira abaixo a íntegra.

Sobre a condenação do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva

Apesar da completa ausência de provas ou mesmo de um conjunto de evidências minimamente consistentes o juiz Sérgio Moro condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 9 anos e meio de prisão. 

De nada adiantou o trabalho da defesa do ex-presidente, que invertendo o que pede o processo penal, produziu ela mesma provas da inocência de Lula; nem mesmo todas as declarações de inúmeros jurisconsultos afirmando que, com a completa ausência de provas, a condenação seria absurda. 

O PCdoB manifesta a sua firme indignação com a decisão proferida pelo juiz Sérgio Moro, solidariza-se com Lula, sua família e seu partido, e conclama todos os democratas, independente de suas posições políticas ou ideológicas, a se mobilizarem para que o Estado democrático de direito seja garantido e o presidente seja inocentado nas próximas instâncias recursais. 

Lula é um patrimônio do povo brasileiro, um ícone de nossa história nacional e será defendido com garra e decisão por todos os que sonham com um Brasil justo para todos e todas. 

Luciana Santos, 
Presidenta Nacional do PCdoB 


sexta-feira, 7 de julho de 2017

Manifesto do Projeto Brasil Nação


O Brasil vive uma crise sem precedentes. O desemprego atinge níveis assustadores. Endividadas, empresas cortam investimentos e vagas. A indústria definha, esmagada pelos juros reais mais altos do mundo e pelo câmbio sobreapreciado. Patrimônios construídos ao longo de décadas são desnacionalizados.

Mudanças nas regras de conteúdo local atingem a produção nacional. A indústria naval, que havia renascido, decai. Na infraestrutura e na construção civil, o quadro é de recuo. Ciência, cultura, educação e tecnologia sofrem cortes.

Programas e direitos sociais estão ameaçados. Na saúde e na Previdência, os mais pobres, os mais velhos, os mais vulneráveis são alvo de abandono.

A desigualdade volta a aumentar, após um período de ascensão dos mais pobres. A sociedade se divide e se radicaliza, abrindo espaço para o ódio e o preconceito.

No conjunto, são as ideias de nação e da solidariedade nacional que estão em jogo. Todo esse retrocesso tem apoio de uma coalizão de classes financeiro-rentista que estimula o país a incorrer em deficits em conta corrente, facilitando assim, de um lado, a apreciação cambial de longo prazo e a perda de competitividade de nossas empresas, e, de outro, a ocupação de nosso mercado interno pelas multinacionais, os financiamentos externos e o comércio desigual.

Esse ataque foi desfechado num momento em que o Brasil se projetava como nação, se unindo a países fora da órbita exclusiva de Washington. Buscava alianças com países em desenvolvimento e com seus vizinhos do continente, realizando uma política externa de autonomia e cooperação. O país construía projetos com autonomia no campo do petróleo, da defesa, das relações internacionais, realizava políticas de ascensão social, reduzia desigualdades, em que pesem os efeitos danosos da manutenção dos juros altos e do câmbio apreciado.

Para o governo, a causa da grande recessão atual é a irresponsabilidade fiscal; para nós, o que ocorre é uma armadilha de juros altos e de câmbio apreciado que inviabiliza o investimento privado. A política macroeconômica que o governo impõe à nação apenas agravou a recessão. Quanto aos juros altíssimos, alega que são “naturais”, decorrendo dos déficits fiscais, quando, na verdade, permaneceram muito altos mesmo no período em que o país atingiu suas metas de superávit primário (1999-2012).

Buscando reduzir o Estado a qualquer custo, o governo corta gastos e investimentos públicos, esvazia o BNDES, esquarteja a Petrobrás, desnacionaliza serviços públicos, oferece grandes obras públicas apenas a empresas estrangeiras, abandona a política de conteúdo nacional, enfraquece a indústria nacional e os programas de defesa do país, e liberaliza a venda de terras a estrangeiros, inclusive em áreas sensíveis ao interesse nacional.

Privatizar e desnacionalizar monopólios serve apenas para aumentar os ganhos de rentistas nacionais e estrangeiros e endividar o país.

O governo antinacional e antipopular conta com o fim da recessão para se declarar vitorioso. A recuperação econômica virá em algum momento, mas não significará a retomada do desenvolvimento, com ascensão das famílias e avanço das empresas. Ao contrário, o desmonte do país só levará à dependência colonial e ao empobrecimento dos cidadãos, minando qualquer projeto de desenvolvimento.

Para voltar a crescer de forma consistente, com inclusão e independência, temos que nos unir, reconstruir nossa nação e definir um projeto nacional. Um projeto que esteja baseado nas nossas necessidades, potencialidades e no que queremos ser no futuro. Um projeto que seja fruto de um amplo debate.

É isto que propomos neste manifesto: o resgate do Brasil, a construção nacional.

Temos todas as condições para isso. Temos milhões de cidadãos criativos, que compõem uma sociedade rica e diversificada. Temos música, poesia, ciência, cinema, literatura, arte, esporte – vitais para a construção de nossa identidade.

Temos riquezas naturais, um parque produtivo amplo e sofisticado, dimensão continental, a maior biodiversidade do mundo. Temos posição e peso estratégicos no planeta. Temos histórico de cooperação multilateral, em defesa da autodeterminação dos povos e da não intervenção.

O governo reacionário e carente de legitimidade não tem um projeto para o Brasil. Nem pode tê-lo, porque a ideia de construção nacional é inexistente no liberalismo econômico e na financeirização planetária.

Cabe a nós repensarmos o Brasil para projetar o seu futuro – hoje bloqueado, fadado à extinção do empresariado privado industrial e à miséria dos cidadãos.

Nossos pilares são: autonomia nacional, democracia, liberdade individual, desenvolvimento econômico, diminuição da desigualdade, segurança e proteção do ambiente – os pilares de um regime desenvolvimentista e social.

Para termos autonomia nacional, precisamos de uma política externa independente, que valorize um maior entendimento entre os países em desenvolvimento e um mundo multipolar.

Para termos democracia, precisamos recuperar a credibilidade e a transparência dos poderes da República. Precisamos garantir diversidade e pluralidade nos meios de comunicação. Precisamos reduzir o custo das campanhas eleitorais, e diminuir a influência do poder econômico no processo político, para evitar que as instituições sejam cooptadas pelos interesses dos mais ricos.

Para termos Justiça precisamos de um Poder Judiciário que atue nos limites da Constituição e seja eficaz no exercício de seu papel. Para termos segurança, precisamos de uma polícia capacitada, agindo de acordo com os direitos humanos.

Para termos liberdade, precisamos que cada cidadão se julgue responsável pelo interesse público.

Precisamos estimular a cultura, dimensão fundamental para o desenvolvimento humano pleno, protegendo e incentivando as manifestações que incorporem a diversidade dos brasileiros.

Para termos desenvolvimento econômico, precisamos de investimentos públicos (financiados por poupança pública) e principalmente investimentos privados. E para os termos precisamos de uma política fiscal, cambial socialmente responsáveis; precisamos juros baixos e taxa de câmbio competitiva; e precisamos ciência e tecnologia.

Para termos diminuição da desigualdade, precisamos de impostos progressivos e de um Estado de bem-estar social amplo, que garanta de forma universal educação, saúde e renda básica. E precisamos garantir às mulheres, aos negros, aos indígenas e aos LGBT direitos iguais aos dos homens brancos e ricos.

Para termos proteção do ambiente, precisamos cuidar de nossas florestas, economizar energia, desenvolver fontes renováveis e participar do esforço para evitar o aquecimento global.

Neste manifesto inaugural estamos nos limitando a definir as políticas públicas de caráter econômico. Apresentamos, assim, os cinco pontos econômicos do Projeto Brasil Nação.

1 Regra fiscal que permita a atuação contracíclica do gasto público, e assegure prioridade à educação e à saúde
2 Taxa básica de juros em nível mais baixo, compatível com o praticado por economias de estatura e grau de desenvolvimento semelhantes aos do Brasil
3 Superávit na conta corrente do balanço de pagamentos que é necessário para que a taxa de câmbio seja competitiva
4 Retomada do investimento público em nível capaz de estimular a economia e garantir investimento rentável para empresários e salários que reflitam uma política de redução da desigualdade
5 Reforma tributária que torne os impostos progressivos

Esses cinco pontos são metas intermediárias, são políticas que levam ao desenvolvimento econômico com estabilidade de preços, estabilidade financeira e diminuição da desigualdade. São políticas que atendem a todas as classes exceto a dos rentistas.

A missão do Projeto Brasil Nação é pensar o Brasil, é ajudar a refundar a nação brasileira, é unir os brasileiros em torno das ideias de nação e desenvolvimento – não apenas do ponto de vista econômico, mas de forma integral: desenvolvimento político, social, cultural, ambiental; em síntese, desenvolvimento humano. Os cinco pontos econômicos do Projeto Brasil são seus instrumentos – não os únicos instrumentos, mas aqueles que mostram que há uma alternativa viável e responsável para o Brasil.

Estamos hoje, os abaixo assinados, lançando o Projeto Brasil Nação e solicitando que você também seja um dos seus subscritores e defensores.

30 de março de 2017 

Subscritores originais
  • LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA, economista
  • ELEONORA DE LUCENA, jornalista
  • CELSO AMORIM, embaixador
  • RADUAN NASSAR, escritor
  • CHICO BUARQUE DE HOLLANDA, músico e escritor
  • MARIO BERNARDINI, engenheiro
  • FERNANDO BUENO, empresário
  • ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE, físico
  • ROBERTO SCHWARZ, crítico literário
  • PEDRO CELESTINO, engenheiro
  • FÁBIO KONDER COMPARATO, jurista
  • KLEBER MENDONÇA FILHO, cineasta
  • LAERTE, cartunista
  • JOÃO PEDRO STEDILE, ativista social
  • WAGNER MOURA, ator e cineasta
  • VAGNER FREITAS, sindicalista
  • MARGARIDA GENEVOIS, ativista de direitos humanos
  • FERNANDO HADDAD, professor universitário
  • MARCELO RUBENS PAIVA, escritor
  • MARIA VICTORIA BENEVIDES, socióloga
  • LUIZ COSTA LIMA, crítico literário
  • CIRO GOMES, político
  • LUIZ GONZAGA DE MELLO BELLUZZO, economista
  • ALFREDO BOSI, crítico e historiador
  • ECLEA BOSI, psicóloga
  • LUIS FERNANDO VERÍSSIMO, escritor
  • MANUELA CARNEIRO DA CUNHA , antropóloga
  • FERNANDO MORAIS, jornalista
  • LEDA PAULANI, economista
  • ANDRÉ SINGER, cientista político
  • PAUL SINGER, economista
  • LUIZ CARLOS BARRETO, cineasta
  • PAULO SÉRGIO PINHEIRO, sociólogo
  • MARIA RITA KEHL, psicanalista
  • ERIC NEPOMUCENO, jornalista
  • CARINA VITRAL, estudante
  • LUIZ FELIPE DE ALENCASTRO, historiador
  • ROBERTO SATURNINO BRAGA, engenheiro e político
  • ROBERTO AMARAL, cientista político
  • EUGENIO ARAGÃO, subprocurador geral da república
  • ERMÍNIA MARICATO, arquiteta
  • TATA AMARAL, cineasta
  • MARCIA TIBURI, filósofa
  • NELSON BRASIL, engenheiro
  • GILBERTO BERCOVICI, advogado
  • OTAVIO VELHO, antropólogo
  • GUILHERME ESTRELLA, geólogo
  • JOSÉ GOMES TEMPORÃO, médico
  • LUIZ ALBERTO DE VIANNA MONIZ BANDEIRA, historiador
  • FREI BETTO, religioso e escritor
  • HÉLGIO TRINDADE, cientista político
  • RENATO JANINE RIBEIRO, filósofo
  • ENNIO CANDOTTI, físico
  • SAMUEL PINHEIRO GUIMARÃES, embaixador
  • FRANKLIN MARTINS, jornalista
  • MARCELO LAVENERE, advogado
  • BETE MENDES, atriz
  • JOSÉ LUIZ DEL ROIO, ativista político
  • VERA BRESSER-PEREIRA, psicanalista
  • AQUILES RIQUE REIS, músico
  • RODOLFO LUCENA, jornalista
  • MARIA IZABEL AZEVEDO NORONHA, professora
  • JOSÉ MARCIO REGO, economista
  • OLÍMPIO ALVES DOS SANTOS, engenheiro
  • GABRIEL COHN, sociólogo
  • AMÉLIA COHN, socióloga
  • ALTAMIRO BORGES, jornalista
  • REGINALDO MATTAR NASSER, sociólogo
  • JOSÉ JOFFILY, cineasta
  • ISABEL LUSTOSA, historiadora
  • ODAIR DIAS GONÇALVES, físico
  • PEDRO DUTRA FONSECA, economista
  • ALEXANDRE PADILHA, médico
  • RICARDO CARNEIRO, economista
  • JOSÉ VIEGAS FILHO, diplomata
  • PAULO HENRIQUE AMORIM, jornalista
  • PEDRO SERRANO, advogado
  • MINO CARTA, jornalista
  • LUIZ FERNANDO DE PAULA, economista
  • IRAN DO ESPÍRITO SANTOS, artista
  • HILDEGARD ANGEL, jornalista
  • PEDRO PAULO ZALUTH BASTOS, economista
  • SEBASTIÃO VELASCO E CRUZ, cientista político
  • MARCIO POCHMANN, economista
  • LUÍS AUGUSTO FISCHER, professor de literatura
  • MARIA AUXILIADORA ARANTES, psicanalista
  • ELEUTÉRIO PRADO, economista
  • HÉLIO CAMPOS MELLO, jornalista
  • ENY MOREIRA, advogada
  • NELSON MARCONI, economista
  • SÉRGIO MAMBERTI, ator
  • JOSÉ CARLOS GUEDES, psicanalista
  • JOÃO SICSÚ, economista
  • RAFAEL VALIM, advogado
  • MARCOS GALLON, curador
  • MARIA RITA LOUREIRO, socióloga
  • ANTÔNIO CORRÊA DE LACERDA, economista
  • LADISLAU DOWBOR, economista
  • CLEMENTE LÚCIO, economista
  • ARTHUR CHIORO, médico
  • TELMA MARIA GONÇALVES MENICUCCI, cientista política
  • NEY MARINHO, psicanalista
  • FELIPE LOUREIRO, historiador
  • EUGÊNIA AUGUSTA GONZAGA, procuradora
  • CARLOS GADELHA, economista
  • PEDRO GOMES, psicanalista
  • CLAUDIO ACCURSO, economista
  • EDUARDO GUIMARÃES, jornalista
  • REINALDO GUIMARÃES, médico
  • CÍCERO ARAÚJO, cientista político
  • VICENTE AMORIM, cineasta
  • EMIR SADER, sociólogo
  • SÉRGIO MENDONÇA, economista
  • FERNANDA MARINHO, psicanalista
  • FÁBIO CYPRIANO, jornalista
  • VALESKA MARTINS, advogada
  • LAURA DA VEIGA, socióloga
  • JOÃO SETTE WHITAKER FERREIRA, urbanista
  • FRANCISCO CARLOS TEIXEIRA DA SILVA, historiador
  • CRISTIANO ZANIN MARTINS, advogado
  • SÉRGIO BARBOSA DE ALMEIDA, engenheiro
  • FABIANO SANTOS, cientista político
  • NABIL ARAÚJO, professor de letras
  • MARIA NILZA CAMPOS, psicanalista
  • LEOPOLDO NOSEK, psicanalista
  • WILSON AMENDOEIRA, psicanalista
  • NILCE ARAVECCHIA BOTAS, arquiteta
  • PAULO TIMM, economista
  • MARIA DA GRAÇA PINTO BULHÕES, socióloga
  • OLÍMPIO CRUZ NETO, jornalista
  • RENATO RABELO, político
  • MAURÍCIO REINERT DO NASCIMENTO, administrador
  • ADHEMAR BAHADIAN, embaixador
  • ANGELO DEL VECCHIO, sociólogo
  • MARIA THERESA DA COSTA BARROS, psicóloga
  • GENTIL CORAZZA, economista
  • LUCIANA SANTOS, deputada
  • RICARDO AMARAL, jornalista
  • BENEDITO TADEU CÉSAR, economista
  • AÍRTON DOS SANTOS, economista
  • JANDIRA FEGHALI, deputada
  • LAURINDO LEAL FILHO, jornalista
  • ALEXANDRE ABDAL, sociólogo
  • LEONARDO FRANCISCHELLI, psicanalista
  • MARIO CANIVELLO, jornalista
  • MARIO RUY ZACOUTEGUY, economista
  • ANNE GUIMARÃES, cineasta
  • ROSÂNGELA RENNÓ, artista
  • EDUARDO FAGNANI, economista
  • REBECA SCHWARTZ, psicóloga
  • MOACIR DOS ANJOS, curador
  • REGINA GLORIA NUNES DE ANDRADE, psicóloga 
  • RODRIGO VIANNA, jornalista
  • LUCAS JOSÉ DIB, cientista político
  • WILLIAM ANTONIO BORGES, administrador
  • PAULO NOGUEIRA, jornalista
  • OSWALDO DORETO CAMPANARI, médico 
  • CARMEM DA COSTA BARROS, advogada
  • EDUARDO PLASTINO, consultor
  • ANA LILA LEJARRAGA, psicóloga
  • CASSIO SILVA MOREIRA, economista
  • MARIZE MUNIZ, jornalista
  • VALTON MIRANDA, psicanalista
  • MIGUEL DO ROSÁRIO, jornalista
  • HUMBERTO BARRIONUEVO FABRETTI, advogado
  • FABIAN DOMINGUES, economista
  • KIKO NOGUEIRA, jornalista
  • FANIA IZHAKI, psicóloga
  • CARLOS HENRIQUE HORN, economista
  • BETO ALMEIDA, jornalista
  • JOSÉ FRANCISCO SIQUEIRA NETO, advogado
  • PAULO SALVADOR, jornalista
  • WALTER NIQUE, economista
  • CLAUDIA GARCIA, psicóloga
  • LUIZ CARLOS AZENHA, jornalista
  • RICARDO DATHEIN, economista
  • ETZEL RITTER VON STOCKERT, matemático
  • ALBERTO PASSOS GUIMARÃES FILHO, físico
  • BERNARDO KUCINSKI, jornalista e escritor
  • DOM PEDRO CASALDÁLIGA, religioso
  • ENIO SQUEFF, artista plástico
  • FERNANDO CARDIM DE CARVALHO, economista
  • GABRIEL PRIOLLI, jornalista
  • GILBERTO MARINGONI, professor de relações internacionais
  • HAROLDO CERAVOLO SEREZA, jornalista e editor
  • HAROLDO LIMA, político e engenheiro
  • HAROLDO SABOIA, constituinte de 88, economista
  • AFRÂNIO GARCIA, cientista social
  • IGOR FELIPPE DOS SANTOS, jornalista
  • JOSÉ EDUARDO CASSIOLATO, economista
  • JOSÉ GERALDO COUTO, jornalista e tradutor
  • LISZT VIEIRA, advogado e professor universitário
  • LÚCIA MURAT, cineasta
  • LUIZ ANTONIO CINTRA, jornalista
  • LUIZ PINGUELLI ROSA, físico, professor universitário
  • MARCELO SEMIATZH, fisioterapeuta
  • MICHEL MISSE, sociólogo
  • ROGÉRIO SOTTILI, historiador
  • TONI VENTURI, cineasta
  • VLADIMIR SACCHETTA, jornalista 
  • ADRIANO DIOGO, político
  • MARCELO AULER, jornalista
  • MARCOS COSTA LIMA, cientista político
  • RAUL PONT, historiador
  • DANILO ARAUJO FERNANDES, economista
  • DIEGO PANTASSO, cientista político
  • ENNO DAGOBERTO LIEDKE FILHO, sociólogo
  • JOÃO CARLOS COIMBRA, biólogo
  • JORGE VARASCHIN, economista
  • RUALDO MENEGAT, geólogo
  • PATRÍCIA BERTOLIN, professora universitária
  • MARISA SOARES GRASSI, procurador aposentada
  • MARIA ZOPPIROLLI, Advogada
  • MARIA DE LOURDES ROLLEMBERG MOLLO, economista
  • LUIZ ANTONIO TIMM GRASSI, engenheiro
  • LIÉGE GOUVÊIA, juíza
  • LUIZ JACOMINI, jornalista
  • LORENA HOLZMANN, socióloga
  • LUIZ ROBERTO PECOITS TARGA, economista
  • ANTONIO CARLOS DE LACERDA, economista
  • FRANCISCO WHITAKER, ativista social
  •  

Os subscritores originais foram aqueles que participaram das reuniões e os que foram diretamente convidados por esses participantes.