sábado, 26 de setembro de 2026

Entre púlpitos e praças: símbolos em disputa no Brasil laico



Imagem ilustrativa: IA Copilot


Por Jorge Antonio Carvalho*

Nos últimos dias, o Brasil voltou a discutir os limites entre religião e política. Pastores e parlamentares evangélicos têm utilizado púlpitos e espaços religiosos para manifestar apoio a figuras da extrema-direita, como Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, ganhou repercussão a polêmica em torno da proposta de rebaixar o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira nacional, o que provocou forte reação de fiéis católicos e reacendeu o debate sobre o Estado laico.

Estado laico em risco

A Constituição brasileira estabelece que o país é um Estado laico, ou seja, não adota uma religião oficial e deve garantir liberdade de crença e culto. Esse princípio é fundamental para assegurar que decisões políticas sejam pautadas pelo interesse público e não por dogmas religiosos. No entanto, a crescente influência de lideranças religiosas na política tem colocado esse equilíbrio em xeque.

Segundo dados oficiais, os casos de intolerância religiosa cresceram de forma alarmante nos últimos anos, atingindo especialmente as religiões de matriz africana. Esse cenário revela que a mistura entre fé e política não apenas ameaça a laicidade, mas também intensifica práticas de exclusão e perseguição, corroendo direitos fundamentais e fragilizando a democracia.

Disputa simbólica nacional e local

A polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida é um exemplo claro de como temas religiosos podem ser instrumentalizados politicamente. Embora Flávio Bolsonaro tenha negado apoiar a mudança, analistas destacam que o custo político de mexer nesse título seria “alto demais”. A devoção à padroeira nacional é uma tradição consolidada, e qualquer tentativa de rebaixá-la poderia gerar forte resistência popular.

Pluralidade e respeito

Em São Luís, um episódio semelhante ajuda a ilustrar essa disputa simbólica. A recém-revitalizada Praça do Sol, localizada na Praia da Ponta d’Areia, área nobre da cidade, mas historicamente popular, tornou-se alvo de um projeto de lei do vereador Pavão Filho, que propõe renomeá-la como “Praça Cristo Salvador”. A iniciativa veio acompanhada de um abaixo-assinado de cerca de 40 moradores da região, em sua maioria ligados a igrejas evangélicas.

A proposta, embora juridicamente possível, levanta questionamentos sobre a laicidade e sobre quem decide a identidade cultural de um espaço público. A Ponta d’Areia é conhecida por proporcionar um dos mais belos pôr do sol da capital maranhense, e a nova praça preserva também um espaço com a estátua de Yemanjá, símbolo das religiões de matriz africana. Vale lembrar que, em 2023, uma estátua de Yemanjá foi depredada na mesma praia, em um ato de racismo religioso que expôs a violência contra tradições afro-brasileiras.

Assim, a tentativa de renomear a Praça do Sol não é apenas uma questão de nomenclatura: ela se insere em um contexto de disputa simbólica, onde diferentes tradições religiosas convivem e, muitas vezes, entram em conflito. Transformar um espaço plural em um espaço marcado por uma identidade religiosa específica pode significar a exclusão de outras manifestações culturais e espirituais.

O desafio está em reconhecer o papel da fé na vida de milhões de brasileiros sem permitir que ela seja usada como instrumento de manipulação eleitoral ou de apropriação de símbolos coletivos. Em um país plural como o Brasil, preservar o Estado laico é garantir que todas as crenças e também a ausência delas, tenham espaço e respeito. O futuro da democracia brasileira depende da capacidade de separar fé e poder, protegendo a diversidade religiosa e evitando que a espiritualidade seja usada como moeda política.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

A propaganda engana, o histórico revela: Flávio Bolsonaro contra o trabalhador

Foto Ilustrativa : IA
Por Jorge Antonio Carvalho*

Flávio Bolsonaro tem usado na sua campanha presidencial para se apresentar como o “candidato do trabalhador”. Em propagandas eleitorais gratuitas, aparece em supermercados reclamando dos preços e prometendo reduzir impostos para aliviar o bolso da população. O discurso é cuidadosamente ensaiado para gerar identificação com quem sofre diariamente com a alta do custo de vida. Mas quando se analisa sua trajetória legislativa, a narrativa não se sustenta.

No Congresso Nacional, Flávio votou contra medidas que beneficiariam diretamente os trabalhadores. Rejeitou a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, votou contra a desoneração da cesta básica e apoiou mudanças que reduziram garantias trabalhistas previstas na CLT e no FGTS. Em outras palavras, quando teve a oportunidade concreta de defender o trabalhador, escolheu o lado contrário.

A incoerência fica ainda mais evidente quando lembramos que o governo federal já implementou políticas de alívio financeiro, como o programa Desenrola Brasil, que renegociou dívidas de milhões de brasileiros. Flávio promete “diminuir dívidas” em sua pré-campanha, mas ignora que votou contra iniciativas que dariam mais fôlego às famílias. Seu discurso, portanto, não passa de marketing político do que compromisso real com a classe trabalhadora.

Outro exemplo é a PEC que reduziria a jornada semanal de 44 para 40 horas sem corte salarial. Essa medida teria impacto direto na qualidade de vida dos trabalhadores, garantindo mais tempo livre sem perda de renda. Flávio obstruiu a proposta, mostrando alinhamento com interesses empresariais e não com os direitos da classe trabalhadora. É difícil conciliar essa postura com a imagem de “defensor do povo” que tenta vender agora.

Também votou contra a criação da plataforma “Crédito do Trabalhador”, que facilitaria empréstimos com juros menores para formais, MEIs, domésticos e rurais. Em sua pré-campanha, fala em ajudar o trabalhador a “diminuir dívidas”, mas na prática rejeitou mecanismos que tornariam isso possível. Essa contradição entre discurso e ação é um dos pontos mais graves de sua trajetória política.

Em resumo, Flávio Bolsonaro tenta se vender como aliado dos trabalhadores, mas seu histórico legislativo revela o oposto. Promete reduzir impostos e dívidas, mas votou contra medidas que fariam exatamente isso. O eleitor atento não deve se deixar enganar por discursos ensaiados em supermercados ou propagandas eleitorais: é preciso olhar para as votações e perceber que o candidato do PL fala uma coisa e faz outra. Essa incoerência é o verdadeiro retrato de sua pré-campanha.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

domingo, 20 de setembro de 2026

Conversa de Feira celebra 2 milhões de acessos!


O Conversa de Feira chega a uma marca histórica: mais de 2 milhões de acessos! Essa conquista é fruto de um trabalho coletivo, feito com compromisso, coragem e diálogo com o povo.

Um espaço de voz e reflexão

Desde o início, o blog nasceu para ser um ponto de encontro entre informação e opinião — um espaço onde a política se mistura com a cultura, o esporte e os direitos humanos. Aqui, cada texto é uma conversa aberta sobre o que realmente importa para o Maranhão e para o Brasil.

Crescimento com propósito

Os 2 milhões de acessos mostram que há sede por conteúdo crítico, independente e popular. Cada leitura é um gesto de confiança na ideia de que a comunicação pode ser instrumento de transformação social.

Diversidade de temas

No Conversa de Feira, falamos de política com responsabilidade, de cultura com orgulho, de esporte com paixão e de direitos humanos com firmeza. É essa mistura que faz o blog pulsar como uma verdadeira feira de ideias.

Gratidão e compromisso

Agradecemos a cada leitor, colaborador e parceiro que acredita nesse projeto. Seguiremos firmes, ampliando debates e fortalecendo a voz popular que ecoa nas ruas, nas redes e nas praças.

O futuro é coletivo

Os 2 milhões de acessos são apenas o começo. Continuaremos levando informação, opinião e cultura popular com o mesmo espírito livre e crítico que sempre guiou o Conversa de Feira.

Obrigado a todos que fazem parte dessa caminhada!


sábado, 19 de setembro de 2026

Braide exibe maquiagem urbana, mas esconde os problemas de São Luís

“Maquiagem Urbana” (Foto: Ilustrativa da IA)

Por Jorge Antonio Carvalho*

Eduardo Braide, hoje candidato ao governo do Maranhão, evita falar sobre os problemas que marcaram sua gestão como prefeito de São Luís. Mas a população não esquece. O transporte público, a limpeza urbana, a conquista do Passe Livre, nas urnas na eleição de 2024 e a política cultural foram áreas onde o discurso não se encontrou com a prática, e onde o silêncio sobre esses problemas agora soa como tentativa de esconder o passado.

Transporte em crise

No transporte público, a cidade viveu dias de caos. Greves de rodoviários deixaram São Luís sem ônibus, revelando a falta de diálogo e de planejamento. A frota envelhecida e os atrasos nos pagamentos às empresas de ônibus mostraram que a mobilidade urbana não foi prioridade. Em vez de soluções estruturais, a prefeitura gastou milhões em medidas paliativas, como transporte por aplicativo, sem resolver o problema de fundo.

Conquista estudantil ignorada

O Passe Livre, conquista histórica exigida pelos estudantes, nunca saiu do papel. Braide preferiu empurrar a responsabilidade para sua vice, deixando a juventude sem acesso a um direito que poderia transformar o cotidiano escolar. A promessa virou frustração, e até hoje a cidade espera por uma política que garanta mobilidade gratuita e inclusiva.

Cultura desprezada

Na cultura, a contradição foi ainda mais evidente. Enquanto artistas maranhenses lutavam por espaço e reconhecimento, a prefeitura destina ate hoje recursos vultosos para contratar nomes de fora do estado. Shows milionários foram e estão sendo realizados, mas a cena local permaneceu desassistida. A riqueza cultural do Maranhão foi ignorada em favor de espetáculos imediatistas, que pouco contribuíram para fortalecer a identidade da cidade.

Lixo acumulado

A limpeza urbana também se tornou um problema crônico. Contratos milionários foram firmados, mas bairros inteiros continuaram convivendo com acúmulo de lixo e coleta irregular. O descaso com a gestão dos resíduos urbanos expôs a falta de compromisso com a saúde pública e com o meio ambiente, deixando São Luís marcada por lixões e pela ausência de políticas eficazes.

Para tentar mostrar serviço, Braide apostou em obras de maquiagem: asfaltamento em algumas vias e um viaduto na entrada da cidade. Intervenções pontuais que serviram mais como vitrine eleitoral do que como solução real para os problemas urbanos. A cidade continuou sofrendo com transporte precário, lixo acumulado, falta de valorização cultural e direitos da juventude ignorado.

Esses quatro pontos: transporte, cultura, passe livre e limpeza, revelam um padrão de gestão: soluções superficiais, gastos elevados e pouca atenção às necessidades reais da população. Braide preferiu o espetáculo e o improviso em vez de enfrentar os problemas estruturais da cidade.

Agora, como candidato ao governo, tenta se apresentar como gestor eficiente. Mas sua própria história mostra o contrário. O silêncio sobre esses temas não é acaso: é estratégia para esconder os fracassos que marcaram sua administração. O Maranhão não pode ser conduzido por quem, em São Luís, deixou transporte público em crise, artistas locais esquecidos, lixo acumulado nas ruas e conquistas estudantis ignoradas.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

A Saga dos Comunistas: História Viva no Maranhão


Aconteceu no dia 19 de setembro de 2026, o município de Santa Inês, na Faculdade Santa Luzia, será palco de um grande resgate histórico  de memória, resistência e luta
: o evento “A Saga dos Comunistas no Vale do Pindaré”, promovido pela Cebrapaz, CTB, pela professora e hoje candidata a deputada estadual Regina Galeno(PCdoB) e pelo Partido Comunista do Brasil de Santa Inês.

O Vale do Pindaré guarda uma das mais marcantes histórias de resistência camponesa e sindical do Brasil. Em 1963, trabalhadores rurais fundaram o primeiro sindicato da região, liderados por Manoel da Conceição Santos. Com o golpe militar de 1964, militantes perseguidos se refugiaram na região, mantendo viva a luta pela terra e pela justiça social.

O evento teve como objetivo resgatar e preservar a memória histórica dessa resistência, valorizar o legado das lideranças comunistas e sindicais e promover uma reflexão crítica sobre os desafios sociais contemporâneos. É também um espaço para fortalecer a identidade cultural e a cidadania.

A programação foi intensa e diversificada: palestras, rodas de conversa, exposições, exibição de vídeos e apresentações culturais. O ponto alto foi a participação das próprias lideranças comunistas e sindicais ainda vivas, que compartilharam suas memórias em primeira pessoa, conectando passado e presente.

Entre as presenças confirmadas, destacou-se Dilermando Toni, representante da CEBRAPAZ e membro do Comitê Central do PCdoB, além de camponeses que viveram os momentos de resistência na época. Suas vozes darão ainda mais força ao ato de memória e reconhecimento.

A culminância foi a homenagem pública aos comunistas vivos, com entrega de comendas e certificados de Mérito da Resistência. Mais do que recordar o passado, o projeto celebra a resistência viva que ainda pulsa no Vale do Pindaré, inspirando novas gerações a dar continuidade à luta por direitos e democracia no Maranhão.

Informações da Coordenação do Evento.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Maranhão 2026: alianças locais e ataques cruzados podem fragilizar Lula no cenário nacional

Imagem: Rede Sociais


Por Jorge Antonio Carvalho*

O Maranhão chega às eleições de 2026 com um quadro político fragmentado e cheio de contradições. Desde os governos de Flávio Dino (2015–2022) houve uma grande aliança entre os campos da esquerda e centro, que garantiu estabilidade e força política. No governo de Carlos Brandão (2022–2026) essa aliança teve continuidade, mantendo a base de sustentação e ampliando a presença institucional. Essa coesão, porém, vem se desfazendo nos últimos anos, abrindo espaço para o crescimento do campo de direita e para a reorganização da extrema-direita.

A disputa atual e o segundo turno inevitável

Pesquisas recentes apontam para a forte possibilidade de segundo turno. Eduardo Braide (PSD), ex-prefeito da capital, evita assumir discurso ideológico ou se autodeclarar bolsonarista, mas sua campanha acolhe o apoio da direita conservadora e da extrema-direita, atraindo essa base sem precisar se comprometer com a retórica radical.

Nesse cenário, Felipe Camarão (PT) concentra suas acusações contra Orleans Brandão (MDB). O efeito prático é que Braide se fortalece: não precisa gastar energia em ataques, pois Camarão cumpre esse papel. O resultado é um jogo de alianças estratégicas e ataques cruzados, onde Braide se mantém como figura técnica, mas sua campanha se beneficia da polarização e, por tabela, reforça candidaturas bolsonaristas que orbitam sua coligação.

Capital versus interior: duas lógicas eleitorais

Interior: o campo de centro e direita domina, sustentado por redes municipalistas e conservadoras.

Capital: São Luís reafirma sua peculiaridade ao reeleger Braide em 2024 e mantê-lo competitivo em 2026, isolando-se da polarização estadual e valorizando a gestão direta.

Essa dualidade mostra que o Maranhão é hoje um estado de múltiplas lógicas eleitorais, onde a capital segue pragmática e o interior reproduz a disputa nacional entre direita e centro.

Impacto nacional: risco para Lula e para a estratégia progressista

O saldo desse jogo político pode ir além das fronteiras maranhenses. A fragmentação e o fortalecimento de candidaturas de direita e extrema-direita, renovadas ou ampliadas, podem prejudicar a candidatura de Lula e expor a falta de uma estratégia nacional consistente das forças progressistas para contrabalançar o Congresso.

Enquanto setores do MDB se movimentam para apoiar tanto Lula quanto Orleans Brandão, em nome de alianças nacionais e estaduais que remontam aos governos de Flávio Dino, a ausência de uma coordenação nacional clara abre espaço para que a direita cresça e se renove. O Maranhão, nesse sentido, funciona como um espelho do Brasil: alianças locais e disputas regionais que, no saldo final, podem enfraquecer o projeto nacional progressista.

Possibilidades e tendências a serem avaliadas

Primeiro: se houver apenas primeiro turno com vitória de Braide e, nacionalmente, a disputa seguir para um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, em qual palanque Braide vai subir? Ele continuará se mostrando neutro, mantendo a imagem de gestor técnico, ou será pressionado a se alinhar com seus apoiadores de palanque já eleitos, que representam o bolsonarismo escancarado?

Segundo: Acontecendo o segundo turno estadual, que tá mais provável, com a expectativa de Braide estancar e Orleans Brandão (MDB) crescer sustentado por redes municipalistas e movimentos pró‑Lula/Orleans, e Felipe Camarão (PT) avançar por ser da chapa puro sangue do PT de Lula. O cenário apontado por várias pesquisas como tendência de disputa entre Braide e Orleans, surge outra indagação: em qual palanque Camarão vai subir? O PT vai optar por votar nulo, liberar seus eleitores para escolher livremente, ou assumir uma posição clara sobre o rumo que o Maranhão deve seguir?

E mais: se Lula for eleito no primeiro turno ou mesmo disputar o segundo, quem ele apoiará no Maranhão? A candidatura de Orleans Brandão, pela tradição de alianças históricas desde os governos de Flávio Dino, ou Braide, que mesmo sem discurso ideológico atraiu a base conservadora e bolsonarista da capital?

Essas perguntas não têm resposta definitiva agora, mas ficam como indagações necessárias para reflexão dos amigos leitores. O Maranhão pode ser decisivo não apenas para o futuro estadual, mas também para o equilíbrio nacional das forças progressistas e conservadoras.

E é justamente aí que reside a maior preocupação: a possível fragilização de Lula diante de um cenário fragmentado. A coordenação de campanha do Lula no Maranhão precisa agir com habilidade e firmeza, sem titubeios, sabendo distinguir e definir qual rumo deve ser tomado. Mais do que nunca, é essencial orientar os eleitores para o fortalecimento das forças que venham somar com o novo mandado de Lula, evitando cair na esparrela de seguir candidatos que representam a extrema-direita travestida de mudança.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

A cidade pintada de asfalto, mas marcada pelo descaso


Por Jorge Antonio Carvalho*

O candidato a governador, Eduardo Braide insiste em destacar o asfaltamento de ruas e avenidas e a construção de um viaduto na entrada de São Luís, nos seus programas eleitorais. São obras que saltam aos olhos, mas escondem a ausência de políticas públicas estruturantes para as comunidades.

Lixo urbano 

A cidade convive com problemas graves de limpeza. Como mostra a matéria São Luís e o lixo urbano: quando o asfalto cobre a sujeira (Conversa de Feira, 2025), o asfaltamento foi feito sem resolver a coleta de lixo, resultando em ruas novas com lixões por cima. Falta investimento em educação ambiental e fiscalização.

Educação precária 

Segundo denúncia do portal G7MA em 2023, centenas de crianças ficaram fora da sala de aula por falta de vagas e estrutura adequada. Escolas seguem sem reformas, com telhados que gotejam e equipamentos obsoletos, comprometendo o aprendizado.

Crise na saúde 
Foto: Rede Sociais

A Defensoria Pública alertou sobre falhas em contratos das UTIs pediátricas antes das denúncias no Hospital da Criança (G1, 2026). O resultado foram mortes de crianças, fato que gerou comoção. Em resposta, Braide classificou as denúncias como “canalhice” (Gilberto Léda, 2026), minimizando a gravidade da crise.

Mercados abandonados 

Feirantes do Mercado Central denunciaram abandono e falta de apoio. Em vez de dialogar, Braide preferiu criticar os trabalhadores (Gilberto Léda, 2026), revelando o distanciamento da gestão em relação às necessidades da população.

Cultura negligenciada 

A classe artística ficou sem investimentos e apoio, acumulando dívidas e frustrações. O descaso enfraquece não apenas os artistas, mas também a memória e a diversidade da cidade.

Cultura desvalorizada (caso Mirante da Cidade) 

Em 2026, a Prefeitura lançou edital convocando músicos para se apresentarem no Mirante da Cidade sem cachê nem ajuda de custo, obrigando-os a bancar toda a produção (veja aqui). O produtor cultural Emilio Sagaz ironizou: “Eu já fiquei na dúvida se os chicotes já estavam lá ou se a gente tinha que levar.” Enquanto isso, o Portal da Transparência mostra que a prefeitura pagou R$ 1 milhão em dois contratos recentes com a cantora Joelma, somando quase R$ 3 milhões desde 2023. O contraste é evidente: artistas locais chamados a tocar de graça, enquanto cifras milionárias são destinadas a atrações de fora.

Acusações de corrupção 

Pairam denúncias envolvendo a família Braide, como o chamado “Clio do Milhão” (G7MA, 2025). A Polícia Civil silenciou sobre as investigações, reforçando a percepção de problemas éticos e de transparência na gestão.

Carro foi apreendido com porta-malas cheio de dinheiro em São Luís 
Foto: Divulgação/Polícia Militar

Contraste gritante 

Enquanto o candidato exibe o asfalto como símbolo de progresso, a população enfrenta escolas precárias, hospitais em crise, mercados abandonados e lixo acumulado. O brilho das obras não consegue esconder a sombra das mazelas sociais.

O asfaltamento tem importância, mas não pode ser a única política pública. Quando se cobre o chão e se esquece das pessoas, o resultado é uma cidade que parece moderna na superfície, mas continua sofrendo nas suas bases.

Um projeto para além da maquiagem urbana 

O Maranhão precisa de políticas que enfrentem os problemas sociais de frente: educação, saúde, cultura e economia popular. O povo não quer apenas ruas asfaltadas; quer dignidade, respeito e qualidade de vida.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

Fontes: Linkadas no conteúdo da matéria.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Hora do Povo: Instituto de André Mendonça é comitê de campanha bolsonarista

André Mendonça, Foto: Carolina Antunes - PR

Quatro ex-integrantes do governo Bolsonaro são sócios do ministro. Agora fica claro porque ele está sentado em cima das investigações sobre o escândalo dos R$ 65 milhões que Vorcaro deu a Flávio

O Instituto Iter, criado em novembro de 2023 pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, é um verdadeiro comitê de campanha bolsonarista.

O instituto tem como sócios 4 ex-integrantes do governo do golpista preso Jair Bolsonaro (PL). Não é à toa que o ministro está sentado em cima da investigação do escândalo envolvendo o criminoso repasse para Flávio de R$ 65 milhões do Banco Master. Ele foi pego em flagrante pedindo o dinheiro ao banqueiro ladrão.

Os 4 bolsonaristas trabalharam no governo em períodos concomitantes com Mendonça, que foi advogado-geral da União de janeiro de 2019 a abril de 2020 e de março de 2021 a agosto de 2021, e ministro da Justiça de abril de 2020 a março de 2021.

Veja quem são os sócios do Instituto Iter:

Victor Godoy Veiga – tem 7,5% da empresa e é seu atual presidente. Foi ministro da Educação de março a dezembro de 2022;

Danilo Dupas Ribeiro – tem 5% da empresa. Foi presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) de março de 2021 a julho de 2022;

Tercio Tokano – tem 5% da empresa. Foi subchefia para assuntos jurídicos da Presidência da República em 2020 e secretário-executivo do Ministério da Justiça em 2020 e 2021;

Rodrigo Hauer – tem 5% da empresa. Foi chefe de gabinete do advogado-geral da União de janeiro de 2019 a maio de 2020 e de abril a setembro de 2021 e chefe de gabinete no Ministério da Justiça de maio de 2020 a abril de 2021.

Desmoralizado por estar favorecendo o grupo bolsonarista em sua atuação como ministro, impedindo as investigações das negociatas criminosas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, André Mendonça anunciou que esta deixando a sociedade bolsonarista. Esta saída é a confissão de que sua atuação é completamente parcial. O ministro Alexandre de Moraes pediu hoje (quinta-feira, que a corte abra investigação contra André Mendonça.

Fonte: Copiado do  Blog Hora do Povo