Flávio Bolsonaro tem usado na sua campanha presidencial para se apresentar como o “candidato do trabalhador”. Em propagandas eleitorais gratuitas, aparece em supermercados reclamando dos preços e prometendo reduzir impostos para aliviar o bolso da população. O discurso é cuidadosamente ensaiado para gerar identificação com quem sofre diariamente com a alta do custo de vida. Mas quando se analisa sua trajetória legislativa, a narrativa não se sustenta.
No Congresso Nacional, Flávio votou contra medidas que beneficiariam diretamente os trabalhadores. Rejeitou a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, votou contra a desoneração da cesta básica e apoiou mudanças que reduziram garantias trabalhistas previstas na CLT e no FGTS. Em outras palavras, quando teve a oportunidade concreta de defender o trabalhador, escolheu o lado contrário.
A incoerência fica ainda mais evidente quando lembramos que o governo federal já implementou políticas de alívio financeiro, como o programa Desenrola Brasil, que renegociou dívidas de milhões de brasileiros. Flávio promete “diminuir dívidas” em sua pré-campanha, mas ignora que votou contra iniciativas que dariam mais fôlego às famílias. Seu discurso, portanto, não passa de marketing político do que compromisso real com a classe trabalhadora.
Outro exemplo é a PEC que reduziria a jornada semanal de 44 para 40 horas sem corte salarial. Essa medida teria impacto direto na qualidade de vida dos trabalhadores, garantindo mais tempo livre sem perda de renda. Flávio obstruiu a proposta, mostrando alinhamento com interesses empresariais e não com os direitos da classe trabalhadora. É difícil conciliar essa postura com a imagem de “defensor do povo” que tenta vender agora.
Também votou contra a criação da plataforma “Crédito do Trabalhador”, que facilitaria empréstimos com juros menores para formais, MEIs, domésticos e rurais. Em sua pré-campanha, fala em ajudar o trabalhador a “diminuir dívidas”, mas na prática rejeitou mecanismos que tornariam isso possível. Essa contradição entre discurso e ação é um dos pontos mais graves de sua trajetória política.
Em resumo, Flávio Bolsonaro tenta se vender como aliado dos trabalhadores, mas seu histórico legislativo revela o oposto. Promete reduzir impostos e dívidas, mas votou contra medidas que fariam exatamente isso. O eleitor atento não deve se deixar enganar por discursos ensaiados em supermercados ou propagandas eleitorais: é preciso olhar para as votações e perceber que o candidato do PL fala uma coisa e faz outra. Essa incoerência é o verdadeiro retrato de sua pré-campanha.
*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

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