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| Faixas criticando a medida. Foto: Redes Sociais |
Por Jorge Antonio Carvalho*
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista (BAP), ironizou a Medida Provisória do governo Lula que proibiu as casas de apostas: “Como vou pagar o Paquetá em janeiro?” (veja aqui). A frase, que rapidamente ganhou repercussão, revela a dependência dos clubes brasileiros em relação ao dinheiro das “Bets” e escancara a lógica de um mercado que financia salários milionários às custas da fragilidade social.
A MP foi apresentada pelo governo como uma medida sanitária e econômica. O Ministério da Justiça destacou que o objetivo é proteger famílias endividadas e reduzir o impacto do vício em apostas, que já se tornou um problema de saúde pública. O pacote inclui ações de prevenção, apoio psicológico e restrições à publicidade agressiva das plataformas, que hoje seduzem milhões de brasileiros.
Enquanto isso, clubes como Flamengo e Fluminense protestaram contra a decisão. Torcedores estenderam faixas nos estádios e dirigentes deram declarações inflamadas. Para eles, o patrocínio das Bets é vital para manter elencos caros e competitivos, como se o futebol brasileiro não pudesse existir sem essa fonte de receita.
Mas o contraste é evidente. De um lado, salários astronômicos de jogadores como Lucas Paquetá, que simbolizam o glamour e a potência financeira do futebol. Do outro, o custo invisível que recai sobre o Estado: internações, tratamentos psiquiátricos, famílias destruídas por dívidas e jovens mergulhados em compulsão. Como destacou um artigo no Poder360,
“nossa saúde paga a conta”.
Além dos clubes, influenciadores digitais e perfis ligados ao futebol também se engajaram em campanhas contra a MP, atacando o governo nas redes sociais. Essa mobilização mostra o poder político e econômico das plataformas de apostas, capazes de pautar debates e influenciar opiniões em massa, como apontou reportagem do Metrópoles.
O problema é que os lucros exorbitantes das Bets não ficam no Brasil. Grande parte das empresas opera fora do país, enviando recursos para o exterior e deixando aqui apenas os efeitos colaterais: endividamento, vício e desestruturação familiar. É uma equação desigual, em que o glamour do futebol é sustentado pelo sofrimento silencioso de milhares de brasileiros.
A pergunta que se impõe é: até que ponto o futebol pode se colocar acima da saúde pública? Vale mais pagar o salário de um craque do que investir em programas de reabilitação e prevenção? O discurso dos clubes ignora que o Estado precisa arcar com os custos sociais de uma indústria que lucra com a vulnerabilidade.
No fim, “quanto custa um Paquetá” não é apenas uma questão financeira para o Flamengo. É uma questão ética para o Brasil. O preço de manter ídolos milionários não pode ser medido apenas em cifras, mas também em vidas afetadas pelo vício. E essa conta, inevitavelmente, recai sobre todos nós.
*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira
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