A história política recente do Brasil mostra como a mídia hegemônica, em especial a Rede Globo, atua como força política decisiva. Mais do que informar, ela constrói narrativas que moldam percepções e influenciam processos eleitorais. O que se observa hoje é a repetição de um roteiro já conhecido: ataques sistemáticos ao governo Lula, em consórcio com setores da oposição, empresariado, agronegócio, militares e parte do Judiciário. Essa engrenagem não é nova, mas ganha força em momentos de disputa acirrada, quando o objetivo é fragilizar governos populares e abrir espaço para projetos conservadores.
O caso Vorcaro e o Banco Master exemplifica essa estratégia midiática. A Globo transformou delações em espetáculo, criando organogramas e associações que sugerem envolvimento de ministros e do próprio presidente. Essa prática, longe de ser imparcial, busca desgastar a imagem do governo e preparar terreno para a disputa eleitoral. A narrativa construída não se limita a informar, mas a induzir conclusões que favorecem determinados grupos políticos. É uma forma de manipulação que já se mostrou eficaz em outros momentos da história nacional.
Como aponta Alysson Mascaro, o ataque da Globo era totalmente previsível, pois repete o padrão histórico de criminalização de governos populares (Brasil247, 2026). A ausência de uma política de democratização da mídia no Brasil permite que conglomerados privados concentrem poder comunicacional e definam os rumos do debate público. Essa concentração cria um desequilíbrio estrutural, onde interesses econômicos e políticos se sobrepõem ao direito da sociedade de ter acesso a informações plurais e equilibradas.
Repetição de 2015/2016
O paralelo com o impeachment de Dilma Rousseff é inevitável. Naquele período, delações e acusações frágeis foram amplificadas pela mídia, criando um ambiente de instabilidade que culminou na derrubada da presidenta. Hoje, o mesmo roteiro é reencenado contra Lula, com novos personagens, mas a mesma lógica. A estratégia é clara: desgastar a credibilidade do governo, criar uma atmosfera de crise permanente e legitimar a intervenção de setores conservadores. Como já se disse, “voltamos a 2015-2016” (Brasil247, 2026).
A farsa atual
Nos organogramas exibidos pela Globo, nomes da direita e da própria emissora não aparecem. A narrativa é seletiva, direcionada exclusivamente contra o PT e aliados. Trata-se de uma farsa construída para fragilizar o governo e legitimar a ofensiva da oposição. Essa seletividade demonstra que não se trata de jornalismo investigativo, mas de uma operação política travestida de notícia. A manipulação é evidente quando se observa a ausência de figuras ligadas ao bolsonarismo, mesmo diante de indícios que poderiam ser explorados.
A ofensiva não se limita à mídia. Empresariado, agronegócio, militares, setores da Polícia Federal e até do STF compõem uma engrenagem que atua em conjunto. O objetivo é claro: enfraquecer Lula e abrir caminho para a volta da família Bolsonaro ao poder federal. Essa articulação revela que não estamos diante de ataques isolados, mas de uma conspiração ampliada, onde diferentes setores se unem em torno de um projeto político conservador. A mídia cumpre o papel de catalisador, mas a força da ofensiva vem da soma de interesses diversos.
Disputa presidencial acirrada
Essa ofensiva midiática e institucional se conecta diretamente à candidatura de Flávio Bolsonaro. A mídia e as big techs desempenham papel central na amplificação da extrema-direita, criando um ambiente de disputa eleitoral cada vez mais polarizado e perigoso para a democracia (Vermelho, 2026). A disputa presidencial de 2026 se desenha como uma batalha intensa, onde o controle da narrativa pública será decisivo. Nesse cenário, a manipulação midiática não é apenas um detalhe, mas um fator determinante para o futuro político do país.
O Brasil vive novamente o desafio de enfrentar a “elite do atraso” e sua máquina midiática. A esquerda precisa reagir politicamente e institucionalmente para evitar a repetição do golpe de 2016. Sem enfrentar a concentração de poder na mídia, qualquer governo popular estará sempre sob ameaça. A lição que fica é que não basta vencer eleições; é preciso construir mecanismos de defesa contra a manipulação sistemática que ameaça a democracia brasileira.
*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

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