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sábado, 23 de maio de 2020

WhatsApp bolsonarista vai do pânico ao êxtase com vídeo de reunião

Mensagem enviada em grupo
de WhatsApp bolsonarista após
divulgação de vídeo da reunião de 22 de abril
(Imagem: Reprodução)
Por Rodrigo Ratier*

"Independentemente do teor do vídeo, atitude de tornar público é criminosa. É afronta total!", dizia a postagem no horário do almoço. "Obrigado Moro, Obrigado Celso de Mello", "Este vídeo acabou de reeleger Bolsonaro", dizia outra, às 18h46. Às 19h29, um tuíte falso, atribuído ao próprio presidente, afirma: "Hoje foi o único dia que o STF trabalhou bem. Brasil, família, armas e p. no c. do Doria". Foi assim, do inferno ao céu, a reação dos grupos de WhatsApp bolsonaristas ao vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, liberado hoje (22) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello. 

Grupos bolsonaristas do WhatsApp reúnem os apoiadores "raiz" do presidente, os militantes mais inflexíveis. Monitoro 29 dessas comunidades desde 2018. É no Zap que circulam as peças mais agressivas contra adversários. Aproveitando a criptografia que protege as mensagens no aplicativo, cards e memes reproduzem, em tom pesado, narrativas básicas dos influencers bolsonaristas — ministros, deputados da base, youtubers alinhados. Opiniões divergentes são raras — em caso de recorrência, os "infiltrados", no linguajar dos militantes, são excluídos pelos administradores 

Até a liberação do vídeo, o Supremo Tribunal Federal era o alvo do dia. "General Heleno enquadra STF", diz o título de um vídeo, em alusão à carta do general Heleno ameaçando "consequências imprevisíveis" caso o celular do presidente fosse apreendido. "Tem de fechar essa pocilga em nome da lei e da ordem", diz postagem de 15h53. 

Entram em cena estratégias clássicas da comunicação bolsonarista, como a inversão de acusação ("O celular de Adélio é protegido ao extremo. Mas o do presidente tem de ser entregue para a perícia") e o chamado à ação ("vamos subir a hashtag #HelenoJaTaNaHora", suposta alusão à intervenção militar no Tribunal). 

Outro padrão discursivo, a oposição amigo-inimigo, defende o golpismo violento: "quero ver blindados cercando os bandidos de Toga", diz uma postagem. Resposta: "Eu também. E tem que pendurar em praça pública para servir de exemplo nas próximas gerações"

Com a divulgação do vídeo, começa uma leitura seletiva da reunião. Pontos polêmicos ou negativos não aparecem. Não há menção à defesa do fim do isolamento social; não se comenta Ricardo Salles sugerindo aproveitar a pandemia de Covid-19 para passar reformas infralegais de desregulamentação no meio ambiente. Nenhuma palavra sobre Paulo Guedes dizendo "tem que vender essa porra [o Banco do Brasil]". Silêncio, também, quanto à ausência de medidas de enfrentamento às mortes por coronavírus, a Bolsonaro sinalizando a existência de um sistema "particular" de informações ou exigindo a troca da segurança "lá na ponta" — para Sergio Moro, uma alusão à chefia da Polícia Federal do Rio de Janeiro.

Tuíte falso compartilhado em
grupos bolsonaristas no WhatsApp
(Imagem: Reprodução)
Palavrões são comemorados. Sinais de "um presidente pistola, autêntico e falando o que tem de falar, sem filtro", segundo um integrante. "Apenas o sentimento e intenções cívicas e patrióticas", opina outro. "Amei! Mais feliz ainda com o meu voto!", diz postagem compartilhada em pelo menos cinco grupos. 

Poucos minutos após a exibição das imagens pelas TVs, já circulavam pelo aplicativo trechos editados da reunião. Vídeos entre 1 e 5 minutos, ligados a perfis alinhados no Youtube ou adaptados para o próprio WhatsApp, destacavam pontos-chave para a militância. Campeão de compartilhamento: a intenção de Bolsonaro de por uma arma na mão de cada brasileiro. Rapidamente, "Povo armado será escravizado" vira palavra de ordem em cards de apoio. "Discurso épico defendendo a liberdade do povo", diz o título da postagem. "Foi a melhor parte", concorda um militante. "Ele está defendendo nossas liberdades contra os comunistas", emociona-se uma militante, encerrando o post com emoji de palminhas. 

Conforme avança a noite, a comemoração continua, mas já divide espaço com outro recurso usual: a mobilização da tropa frente uma ameaça iminente. Os inimigos, agora, são os telejornais noturnos. "Fiquem atentos, a imprensa novamente vai querer chorar como recém-nascido. O [apresentador José Luiz] Datena já está fazendo o mimimi dele na Band. Tudo jogo combinado!". Um apoiador apoiador concorda, e acrescenta: "Não liguem a Globo hoje! Deixem o Bonner falando sozinho!"

*Rodrigo Ratier - Jornalista e professor universitário na Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo. É também autor do blog Em Desconstrução, de Universa, coordenador do blog coletivo Entendendo Bolsonaro, e fundador e gestor do curso online contra fake news Vaza, Falsiane (www.vazafalsiane.com)



FONTE: UOL

quarta-feira, 15 de abril de 2020

País que fabricava aviões agora mendiga máscaras

Cargueiro KC-390, produto da Embraer;
foto Lula Marques
Por Orlando Silva

A pandemia de COVID-19 tem obrigado países e povos a repensarem suas dinâmicas de funcionamento, desde as formas de sociabilidade, duramente impactadas pela necessidade do isolamento social, até os padrões de consumo, a produção e circulação de bens, mercadorias e serviços.
De encontros familiares à vida em home office, de um dia para o outro, tudo mudou.
A bem da verdade, com o avanço da doença, a realidade se impôs e mostrou o quão despreparados estamos para enfrentar um desafio dessa natureza.
Passamos, então, a questionar certezas e falsos consensos que, de tão batidos, pareciam ter nascido com o mundo.
Não à toa, é voz corrente que a Humanidade não será a mesma após o coronavírus.
Uma dessas necessárias reflexões é sobre o papel e o tamanho que deve ter o Estado nacional, bem como sua capacidade de intervenção para garantia do interesse público.
A hegemonia ultraliberal que se formou no país nos últimos anos demonizou o público e tornou o estatal sinônimo de corrupção, burocracia e disfuncionalidade, em benefício de uma suposta primazia da iniciativa privada e sua decantada excelência de gestão.
A crise atual mostra que o debate não pode ser simplificado dessa forma. É fácil ser ultraliberal no lucro, difícil é sustentar a posição amargando o prejuízo.
Como disse Ben Bernanke, ex-presidente do FED e liberal insuspeito, “não há ateus em trincheiras e nem ideólogos em crises financeiras”.
A pandemia, que paralisa o mundo há mais de um mês, desnuda a falácia da receita ultraliberal.
Alguém imagina o Brasil enfrentando a emergência sem o tão criticado, subfinanciado e maltratado Sistema Único de Saúde?
O que já tem sido dramático, seria uma carnificina sem precedentes a depender exclusivamente de planos de saúde.
O que seria da hoje maior parte de nossa população economicamente ativa, miseravelmente relegada ao desemprego, ao subemprego e à informalidade, não tivesse o Congresso Nacional aprovado o auxílio emergencial?
Certamente, esse contingente estaria sucumbindo à fome, não sem antes sair em desespero às ruas, fazendo explodirem os índices de contaminação.
E, por outro lado, como fariam micro, pequenos e médios empresários, responsáveis pela maior parte dos postos de trabalho gerados no país, se não houvesse uma política para garantir facilitação de crédito, subsídio de parte de salários e encargos?
A quebradeira, provavelmente, seria geral e irrestrita.
Nesse particular, consideramos um despropósito criar a contradição entre a defesa da saúde dos brasileiros e a manutenção dos empregos.
A saúde é condição precípua para o trabalho, cabendo ao poder público zelar pela vida dos cidadãos e garantir um ambiente de menor impacto possível para a economia.
Temos atuado na Câmara Federal para criar as condições necessárias para que as empresas e os empregos sejam preservados durante o ápice da pandemia e sabendo que novas medidas serão fundamentais para animar a economia no pós-crise.
O mesmo raciocínio vale para estados e municípios, que precisam ter garantias de manutenção de suas receitas para enfrentar o período especial garantindo os serviços públicos, notadamente na área de saúde.
Por isso, está sendo aprovada pelo Congresso Nacional uma lei para que a União reponha as perdas de arrecadação de ICMS e ISS, dando segurança e condições para que os entes subnacionais não colapsem.
Dias atrás, votamos a recomposição dos Fundos de Participação de Estados e Municípios, com o mesmo objetivo.
Assim, estabilizamos as receitas de governadores e prefeitos, que estão na linha de frente do combate ao coronavírus e sob os ataques insanos de Bolsonaro.
Esses são alguns exemplos, mas há muitos outros.
Agora mesmo, nossas universidades públicas e institutos de pesquisa – tão vilipendiados por uma gestão conduzida pelo obscurantismo e o revanchismo ideológico – são pontas de lança no sequenciamento genético do vírus, na fabricação de testes rápidos e respiradores mais baratos, no estudo e desenvolvimento de drogas que podem vir, num futuro breve, a ter eficácia comprovada contra a doença.
Não fosse a antipatriótica política de desindustrialização que assola o país há anos, seguramente não estaríamos às voltas com as dificuldades para importar equipamentos de proteção individual para resguardar a população, especialmente os profissionais de saúde.
Mas o falso consenso, imposto pelos analistas a soldo do mercado financeiro, faz com que um país que fabricava aviões e plataformas de petróleo tenha que mendigar por máscaras descartáveis.
Não se trata, portanto, do debate raso Estado máximo x Estado mínimo. Todo esse arcabouço faz parte de um Estado nacional com a musculatura suficiente, capaz de cumprir suas missões mais elementares, fundamentos de sua Carta Constitucional, a saber: soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana, valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e pluralismo político.
Infelizmente, a pandemia custará um valor imensurável em vidas humanas, o bem maior, acima de todo e qualquer outro.
O Brasil terá de enfrentar e superar esse momento terrível, apesar de o presidente da República jogar contra o esforço nacional e a favor do vírus.
Devemos lutar, com todas as energias, para que o país a emergir dessa batalha seja outro, livre do sectarismo que cega, divide e conflagra.
Uma nação capaz de se reinventar, que recupere o ambiente político democrático e civilizado, que valorize a educação, a ciência e a capacidade de planejamento e execução, mobilizando o que há de melhor em nosso povo pela construção de um futuro melhor.
*Orlando Silva é deputado federal pelo PCdoB-SP

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Pacote anticrise vai beneficiar micro-empresários e pessoas com baixa renda!

Diante da grave crise econômica que o país passa que afetam diretamente os estados da federação, o governo do Maranhão lança pacote anticrise, visando garantir investimentos sociais, ações de desenvolvimento e garantia de salários.

Esse pacote já tramita na Assembleia Legislativa, a oposição sarneyzista, capitaneada por Eduardo Braide e Welington do Curso apelam nas redes sociais, tentando jogar a população contra o governo, com o mote de mais um aumento de combustível, R$ 0,08 na gasolina e 0,01 no diesel.

A oposição, inclusive o seu representante o Eduardo Braide que nunca reclamou dos aumentos do governo Temer, agora numa visão de só querer ser contra o governo, esquece de quem vão ser beneficiados com o novo pacote: motoristas, população de baixa renda, assalariados, pequenos e micros empresários.

Tirem as dúvidas das medidas anti-crise abaixo:

1. Porque está sendo necessário o pacote?

Desde 2015, o Maranhão perdeu R$ 1,5 bilhão em repasses do governo federal. Mesmo assim, em 4 anos, foi um dos únicos estados do Brasil que não atrasou salários ou 13º, entregou 10 hospitais, 2.500 km de asfalto e reformou ou construiu mais de 800 escolas.

Para continuar fazendo mais, o Governo do Maranhão terá de fazer um ajuste de contas. Começou cortando na própria carne, cancelando diárias por três meses e revisando contratos de transporte e telefonia. Agora está revisando tributos afim de garantir em 2019 novas nomeações da Polícia Militar, a construção do Hospital da Ilha e novas Escolas Dignas.

2. Quantas microempresas vão deixar de pagar imposto?

Mais de 100 mil micro e pequenas empresas do Maranhão passarão a ficar totalmente isentas de imposto estadual. São as que têm renda bruta anual de até R$ 120 mil. Com isso, Flávio Dino já cumpre um de seus 65 compromissos para a reeleição.

3. Quanto eu vou economizar de IPVA?

Mais de 45 mil motoristas deixarão de pagar imposto. São os donos de motos de até 100 cilindradas que passam a ser isentas do IPVA.

Além disso, a multa por atraso que antes era de 30% foi reduzido. O máximo será de 20%.

4. Quanto vai aumentar a gasolina e o diesel?

A nova carga tributária representa 8 centavos a mais por litro de gasolina e 1 centavo por litro de diesel.

O imposto cobrado sobre a gasolina no Maranhão segue sendo menor que muitos estados, como Bahia, Piauí, Rio de Janeiro, Minas e Goiás. O imposto cobrado sobre diesel segue sendo menor que Bahia e Ceará. 

5. Quanto vai aumentar a cerveja e o refrigerante?

A alíquota de cerveja passa de 25% para 28,5%; do refrigerante de 18% para 25%.

6. Como vai funcionar o Cheque Cesta Básica?

A partir do ano que vem, o imposto cobrado sobre a cesta básica vai ser redirecionado para um cheque que será distribuído para famílias carentes. Atualmente os produtos da cesta básica pagam 12% de ICMS. Com a medida, Flávio Dino cumpre um de seus 65 compromissos para a reeleição.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Entregamos o futuro por conta da ideia da crise.


Bruno de Almeida Silva estuda Administração na Universidade Federal Rural do RJ e é funcionário público. Ele me enviou um email muito carinhoso com esta excelente análise sobre como a crise é reforçada para mostrar que eliminar direitos seria a única solução de combatê-la. 

Sei que esse é um textão, mas acho que é uma boa reflexão sobre o que o Temer vem fazendo conosco. 

Primeiramente, quero te falar sobre a “crise” no Brasil. Tudo começou há alguns dias, quando fui ao Outback com minha esposa e um casal de amigos. 

Esse é um restaurante caro (um casal gasta em média R$ 150,00 por uma refeição ali -- cerca de 17% de um salário mínimo!) e para minha surpresa, ao chegarmos lá aguardamos cerca de duas horas para sermos atendidos. Tentei me lembrar da última vez que visitei um shopping ou hipermercado e vi o estacionamento vazio. Concluí que não me lembro.
Lembrei-me de quando visitei um restaurante caro em Taubaté com minha esposa e outro casal, três meses atrás. Lá um casal paga em média R$ 350 por uma refeição (cerca de 38% de um salário mínimo!) e para minha surpresa, tive que reservar uma mesa com uns dois dias de antecedência. Conversando com um amigo do trabalho, ele me relatou que no final de março foi a Ubatuba e que naquele fim de semana essa cidade litorânea de SP estava cheia.
Incomodado com essas lembranças e informações, passei a pesquisar sobre a economia do Brasil, frente a outras economias, e cheguei aos seguintes dados:

Em termos de índice de desemprego, temos os seguintes números: Brasil 13,2%, Espanha 18,9%, Grécia 23,3%, Portugal 13%, Itália 12,4%, França 10,5%, Finlândia 9,2%, Áustria 8,9% e Uruguai 8,1%.

Entretanto, o índice de desemprego quer dizer bem pouco sobre a economia de um país. Veja os seguintes índices: EUA 4,7%, Venezuela 7,3% e Cuba 2,4%. Nem preciso dizer como a atual economia entre esses países são distintas entre si!
O índice de desemprego no Brasil não considera a mão-de-obra informal (aquele pessoal que não tem carteira assinada e nem empresa -- ME, EPP ou MEI). No Brasil existem cerca de 10 milhões de trabalhadores nessas condições.

A crise financeira de 2008 levou à falência o Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos. Além disso e por conta dessa mesma crise, alguns bancos americanos e europeus receberam socorro bilionário de seus respectivos governos. Agora veja a situação de dois dos maiores bancos que atuam no Brasil em 2016: Itaú (lucro liquido/2015 = R$ 23,3 bilhões e lucro liquido/2016 = R$ 21,6 bilhões) e Bradesco (lucro liquido/2015 = R$ 17,19 bilhões e lucro liquido/2016 = R$ 15,08 bilhões). Repare que estamos falando de lucro líquido, isto é, depois de pagar todo custo operacional, foram esses bilhões que “sobraram”.

Sobre a CPMF, um dado para deixar clara a robustez de nossa economia: a alíquota deste tributo, discutida pelo governo federal varia entre 0,32% e 0,5%. Esse tributo seria cobrado sobre movimentações financeiras bancárias, isto é, transferências entre contas, desconto de cheque... com uma alíquota relativamente pequena e cobrada especificamente sobre a transferência de capital o governo pretende arrecadar, nas projeções mais conservadoras, algo em torno de R$ 30 bilhões. Em uma crise, não deveria haver tanta movimentação de capital assim!

Sobre a queda de vendas de carros no Brasil, mesmo com as sucessivas quedas, ainda se vendem mais de 2 milhões de carros zero por ano no país. Entretanto, a venda de carros seminovos manteve-se estável no ano passado.
Sobre o custo da mão de obra e a precarização das ralações trabalhistas, te convido a fazer duas reflexões:

1º - Não é o custo da mão de obra que define o quantitativo dos postos de trabalho. É a demanda. Explico: um empregador nunca vai contratar alguém porque é barato. Ele vai contratar alguém porque ele precisa daquela mão de obra para fabricar algo que gerará lucro. Ainda que a mão de obra custe R$ 20 mil, se houver a possibilidade de lucrar com isso, o empresário pagará esse salário.

2º – Não é somente o custo de produção que define o preço final do produto. Explico com um exemplo: a Volkswagen produz no Brasil o Gol Trendline, vendido no mercado nacional e no mercado mexicano. Os impostos cobrados sobre esse carro e suas respectivas alíquotas são: ICMS (18%), IPI (8%), COFINS (7,6%) e Programa de Integração Social (1,65%). Impostos como licenciamento, IPVA e DPVAT são pagos pelo consumidor. Entretanto, Quando a empresa exporta para o México, ela restitui o ICMS e o IPI e arca com os custos de transporte e os tributos mexicanos (só para ter uma ideia, a carga tributária brasileira varia em torno de 36% do PIB e a mexicana, 15% do PIB). 
Ocorre que, no caso do Gol Trendline, a Volkswagen pratica os seguintes preços: Brasil = R$ 45.932,00 e México R$ 28.704,00 (isso sem levar em consideração que o produto é similar e não igual. O mexicano é um pouco mais requintado!). Portanto, não é a carga tributária ou os custos com a produção que definem o preço do produto, e sim o quanto aquele mercado aceita pagar por um determinado produto. Isso quer dizer que ainda que as relações trabalhistas se tornem mais baratas, os empregadores não repassarão sua fatia de lucro aos empregados (se estes “aceitarem” trabalhar com menos direitos) e muito menos aos consumidores (se estes aceitarem pagar mais pelo produto).

Por que venho falando tudo isso? Para expor uma tese: todo brasileiro que eu conheço comprou a ideia de que estamos em crise. E não duvido que estejamos! Só não acredito que ela seja exatamente do tamanho que o governo vem declarando que ela é. 

No entanto, como “compramos” a ideia de que estamos em crise, estamos anestesiados diante de tantos desmandos do atual governo federal. Aceitamos pacificamente o congelamento dos gastos públicos em saúde, segurança e educação por 20 anos. Aceitamos pacificamente a lei da terceirização sem limites. Aceitamos pacificamente a drástica diminuição do bolsa-família, aceitamos pacificamente o fim do ciência sem fronteiras. Estamos a caminho de aceitar pacificamente essa reforma da previdência e a volta da CPMF. E tudo isso por que? 

Porque acreditamos que estamos no meio da maior crise econômica que esse país já viveu. Porque estamos praticando o ditado “vão-se os anéis e ficam os dedos”. Mas eu tenho uma notícia para te dar: seus anéis não foram. Aparentemente, mentiram para você! 
Por muito menos, populações da França, Espanha, Paraguai e Chile protestaram ferozmente contra os governantes de seus respectivos países, e nós estamos aqui “vendo a banda passar”. Se você dúvida do que eu digo, vá até o shopping ou supermercado mais perto de sua casa, veja se eles estão às moscas.
 Repare na maneira como as pessoas estão vivendo e lembre-se de como elas viviam há 5, 10, 20 anos. Veja se a situação piorou ou melhorou.
A troco de nada estamos entregando nosso futuro! E, enquanto abrimos mão de nosso futuro, nosso governo é o terceiro país do mundo que mais gasta com juros.