quarta-feira, 6 de março de 2024

Escravos dos aplicativos conquistam direitos

Charge: Vicky Leta

Por Altamiro Borges*

Em solenidade no Palácio do Planalto nesta segunda-feira (4), o presidente Lula apresentou o projeto de lei que regulamenta o trabalho dos motoristas por aplicativos. Foi uma dura negociação com as empresas de Apps para a construção dessa proposta de regulamentação. O projeto não é dos mais avançados, mas representa um primeiro passo no enfrentamento da escravidão no setor. Ele prevê pagamento mínimo por hora de trabalho no valor de R$ 32,09, contribuição para a previdência social e auxílio maternidade.

O projeto de lei agora irá à votação no Congresso Nacional. Se aprovado, ele beneficiará cerca 1,2 milhão de trabalhadores da Uber e 99, entre outras plataformas. O novo modelo atende a parte das demandas dos escravos do setor, mas também serve aos interesses das empresas de aplicativos, que rejeitaram a hipótese de contratação pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e tratam os funcionários como “autônomos”. Em nota, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) elogiou o projeto:

As limitações da regulação do setor

“A proposta contempla as prerrogativas de uma atividade na qual a independência e a autonomia do motorista são fatores fundamentais. Certamente será usada como exemplo para muitos países que hoje discutem a regulação deste novo modelo de trabalho”. Já a poderosa Uber festejou o projeto, afirmando ser “um importante marco visando a uma regulamentação equilibrada do trabalho intermediado por plataformas... O projeto amplia as proteções desta nova forma de trabalho sem prejuízo da flexibilidade e autonomia inerentes à utilização de aplicativos para geração de renda”.

O projeto também não conseguiu abarcar a totalidade dos escravos por App. As empresas de aplicativos por entrega, como IFood, rejeitaram qualquer acordo. Na solenidade em Brasília, Lula até mandou um recado para o inflexível empresário. “É preciso lembrar, [senador] Jaques Wagner, que o dono do iFood é da Bahia. A gente tem que convencê-lo a entender que é prudente ele sentar na mesa de negociação para a gente fazer um bom e grande acordo... Vamos encher tanto o saco que o iFood vai ter que negociar”.

Os avanços trabalhistas e sociais

Conforme síntese publicada pela Folha, o projeto apresentado pelo governo “reconhece o motorista de aplicativo como ‘trabalhador autônomo por plataforma’. As empresas irão contribuir para o INSS com 20% sobre a remuneração mínima, que irá corresponder a 25% da renda bruta. O trabalhador terá desconto de 7,5%. A contribuição dará direito a benefícios previdenciários como auxílio-maternidade, previsto no projeto, e aposentadoria, entre outros”.

“Já o valor de R$ 32,09 corresponde ao período da chamada ‘hora em rota’ ou hora trabalhada, que começa a contar a partir do momento em que o profissional aceita o pedido de corrida até deixar o passageiro. Do total, R$ 24,07 são para cobrir os custos com a atividade profissional, como celular, combustível, manutenção do veículo, seguro, impostos, entre outros. O texto ainda prevê que a jornada de trabalho em uma mesma plataforma não poderá ultrapassar 12 horas diárias. Os trabalhadores devem realizar pelo menos 8 horas diárias para ter acesso ao piso”.

A matéria lembra também que “a proposta de legislação do Brasil vai ao encontro das regulamentações que estão sendo feitas em alguns países do mundo, em busca da proteção desses trabalhadores e da arrecadação de impostos. Chile, Espanha e Uruguai, por exemplo, fizeram reformas para incluir os motoristas de aplicativos na legislação trabalhista”.

*Altamiro Borges - Jornalista, presidente do Centro de Estudos
da Mídia Alternativa Barão de Itararé, militante do PCdoB e 
autor do livro "A ditadura da mídia"




terça-feira, 5 de março de 2024

EUA dificultam até remédios para Cuba

Foto: Blog do Miro

Por Álvaro Gomes*

No artigo, o diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ , Álvaro Gomes, faz um balanço da última visita que fez à Cuba, em dezembro de 2023.

Atualmente em Cuba, os efeitos da internet, através das redes sociais, têm contribuído para difusão de mentiras. Uma delas é de que não existe bloqueio econômico e muitos acreditam na fake news. Eu conversei com alguns cubanos em diferentes locais durante a última visita que fiz de 26 de dezembro de 2023 a 12 de janeiro deste ano, onde elas diziam que não existe bloqueio e que o governo era o responsável pela situação do país. A verdade é que Cuba vem sendo perseguida há décadas pelo imperialismo estadunidense. O bloqueio existe, inclusive, para acesso a medicamentos.

No discurso do presidente de Cuba Miguel Díaz-Canel, no Foro Social do Conselho de Direitos Humanos, em 02 de novembro de 2023, em Genebra, ele ressalta que durante a pandemia da Covid-19, os Estados Unidos impediram o fornecimento de respiradores pulmonares, dificultaram a aquisição de oxigênio de outros países e não autorizaram a compra de insumos para o desenvolvimento de vacinas.

Apesar desse cerco e em função de um sistema de saúde sólido e eficiente, com cientistas talentosos, Cuba desenvolveu três vacinas contra a Covid-19. Em função disso, foi possível vacinar 90% da população e ao mesmo tempo apoiar outros países no combate a pandemia. Foi o primeiro país do mundo a vacinar crianças a partir dos dois anos de idade, demonstrando a efetividade do imunizante. Em torno de 85% dos produtos para tratamento da Covid-19 foram elaborados no país através de sua indústria de biotecnologia, inclusive desenvolvendo um modelo próprio de respirador pulmonar. (Granma, 3 de novembro de 2023)

Foram 243 medidas adicionais de bloqueio a Cuba implementadas pelo então presidente Donald Trump, e com isso agravando ainda mais a crise econômica e social do país. O problema é tão grave que interfere até na aquisição de medicamentos ou insumos para a indústria farmacêutica. Já foram 31 resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU) até 2023 contra o bloqueio econômico a Cuba que foram descumpridas pelo governo estadunidense. Os Estados Unidos, não se conformam com o socialismo e nem com a política de justiça social implementada pelos cubanos.


*Álvaro Gomes: é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ