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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Derrubar veto à dosimetria é premiar o golpismo


Crédito: Ton Molina/AFP

Do Portal Vermelho

A decisão do Congresso Nacional sobre o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Projeto de Lei da dosimetria, que propõe benefícios ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos demais membros da organização criminosa condenados pelos atos golpistas, marcada pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), para 30 de abril, tem grande importância para a luta democrática. Pelo regimento, são necessários pelo menos 257 votos na Câmara e 41 no Senado para derrubar o veto presidencial.

O veto, respaldado pelos ministérios da Justiça e dos Direitos Humanos, além da Advocacia-Geral da União (AGU), está fundamentado na Constituição e sua derrubada representa impunidade para os crimes como golpe e abolição do Estado Democrático de Direito. Fragiliza a defesa da democracia ao reduzir as penas a um patamar que não corresponde à gravidade dos crimes cometidos. “Eu tenho dito que as pessoas que cometeram o crime contra a democracia brasileira terão que pagar pelos atos cometidos contra este país”, disse Lula ao anunciar o veto.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) vai além ao definir a derrubada do veto como algo que transcende as benesses aos criminosos bolsonaristas, contemplando “também chefes do crime organizado, estupradores, feminicidas e pedófilos”. De fato, a decisão de derrubar o veto, se aprovada, terá efeito colateral, beneficiando criminosos numa escala de milhares, abrindo possibilidades para progressão mais rápida até para crimes cometidos com violência ou grave ameaça, o que poderia beneficiar pessoas já condenadas por delitos comuns.

O Projeto de Lei, além de uma evidente manobra de impunidade aos bolsonaristas, se insere na plataforma política da extrema direita e setores da direita, que advoga abertamente a anistia irrestrita aos criminosos. Flávio Bolsonaro (PL), o pré-candidato a presidente da República diretamente ligado aos que atentaram contra a democracia e o Estado, chegou ao extremo de anunciar que, se eleito, concederá anistia mesmo que isso envolva o “uso da força”, conforme declaração ao jornal Folha de S. Paulo. Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), também pré-candidatos do mesmo campo político, não hesitam em anunciar compromissos de anistiar os golpistas.

A derrubada do veto seria uma infâmia ao premiar criminosos, além de um atentado ao ordenamento jurídico do país, a legalidade democrática, e afronta à vontade popular, amplamente a favor das condenações, como atestam as pesquisas. A impunidade também representa um estímulo a potenciais criminosos a voltar a se aventurarem no golpismo. Ao ignorar o respaldo do povo à legalidade das punições, os defensores da derrubada do veto presidencial também passam por cima da conquista da democracia, obtida ao preço de duras lutas e muitas vidas ao longo da história.

Graças a essa conquista foi possível realizar o julgamento dos bolsonaristas de forma amplamente transparente, com transmissão ao vivo pela TV Justiça, seguindo todos os passos do Estado Democrático de Direito, como o amplo direito de defesa e o devido processo legal. Todas as etapas foram rigorosamente respaldas pelo direito constitucional e pelo arcabouço jurídico nele ancorado. A derruba do veto representa a negação de tudo isso, uma conduta que minimiza o que não deve ser minimizado por afrontar algo tão caro, o regime democrático.

É preciso lembrar que os criminosos chegaram a idealizar o denominado plano “Punhal verde e amarelo”, que pretendia assassinar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Ou seja: caso o Congresso Nacional derrube o veto deixará em sua história uma mancha aviltante.

Qualquer que seja o resultado, aos olhos a maioria do povo, Bolsonaro e seus comparsas condenados e presos, são o que são: inimigos da democracia e traidores da pátria. Não há nada que apague isto.

A democracia é um alicerce inegociável sobre o qual se ergue um país desenvolvido e socialmente justo. Não é admissível que ela seja violada por neofacistas e impostores que se aproveitam dela para impor seus ditames. Falar em defesa da democracia significa que ela está, sim, sob ameaça e que o povo brasileiro precisa estar alerta e mobilizado contra retrocessos, diagnóstico que remete à importância de impor mais uma derrota ao consórcio da extrema direita e da direita nas eleições presidenciais deste ano.

domingo, 22 de março de 2026

A mídia repete o roteiro de 2016: delações seletivas e ataques coordenados contra Lula.



Por Jorge Antonio Carvalho*

A história política recente do Brasil mostra como a mídia hegemônica, em especial a Rede Globo, atua como força política decisiva. Mais do que informar, ela constrói narrativas que moldam percepções e influenciam processos eleitorais. O que se observa hoje é a repetição de um roteiro já conhecido: ataques sistemáticos ao governo Lula, em consórcio com setores da oposição, empresariado, agronegócio, militares e parte do Judiciário. Essa engrenagem não é nova, mas ganha força em momentos de disputa acirrada, quando o objetivo é fragilizar governos populares e abrir espaço para projetos conservadores.

O caso Vorcaro e o Banco Master exemplifica essa estratégia midiática. A Globo transformou delações em espetáculo, criando organogramas e associações que sugerem envolvimento de ministros e do próprio presidente. Essa prática, longe de ser imparcial, busca desgastar a imagem do governo e preparar terreno para a disputa eleitoral. A narrativa construída não se limita a informar, mas a induzir conclusões que favorecem determinados grupos políticos. É uma forma de manipulação que já se mostrou eficaz em outros momentos da história nacional.

Como aponta Alysson Mascaro, o ataque da Globo era totalmente previsível, pois repete o padrão histórico de criminalização de governos populares (Brasil247, 2026). A ausência de uma política de democratização da mídia no Brasil permite que conglomerados privados concentrem poder comunicacional e definam os rumos do debate público. Essa concentração cria um desequilíbrio estrutural, onde interesses econômicos e políticos se sobrepõem ao direito da sociedade de ter acesso a informações plurais e equilibradas.

Repetição de 2015/2016

O paralelo com o impeachment de Dilma Rousseff é inevitável. Naquele período, delações e acusações frágeis foram amplificadas pela mídia, criando um ambiente de instabilidade que culminou na derrubada da presidenta. Hoje, o mesmo roteiro é reencenado contra Lula, com novos personagens, mas a mesma lógica. A estratégia é clara: desgastar a credibilidade do governo, criar uma atmosfera de crise permanente e legitimar a intervenção de setores conservadores. Como já se disse, “voltamos a 2015-2016” (Brasil247, 2026).

A farsa atual

Nos organogramas exibidos pela Globo, nomes da direita e da própria emissora não aparecem. A narrativa é seletiva, direcionada exclusivamente contra o PT e aliados. Trata-se de uma farsa construída para fragilizar o governo e legitimar a ofensiva da oposição. Essa seletividade demonstra que não se trata de jornalismo investigativo, mas de uma operação política travestida de notícia. A manipulação é evidente quando se observa a ausência de figuras ligadas ao bolsonarismo, mesmo diante de indícios que poderiam ser explorados.

A ofensiva não se limita à mídia. Empresariado, agronegócio, militares, setores da Polícia Federal e até do STF compõem uma engrenagem que atua em conjunto. O objetivo é claro: enfraquecer Lula e abrir caminho para a volta da família Bolsonaro ao poder federal. Essa articulação revela que não estamos diante de ataques isolados, mas de uma conspiração ampliada, onde diferentes setores se unem em torno de um projeto político conservador. A mídia cumpre o papel de catalisador, mas a força da ofensiva vem da soma de interesses diversos.

Disputa presidencial acirrada

Essa ofensiva midiática e institucional se conecta diretamente à candidatura de Flávio Bolsonaro. A mídia e as big techs desempenham papel central na amplificação da extrema-direita, criando um ambiente de disputa eleitoral cada vez mais polarizado e perigoso para a democracia (Vermelho, 2026). A disputa presidencial de 2026 se desenha como uma batalha intensa, onde o controle da narrativa pública será decisivo. Nesse cenário, a manipulação midiática não é apenas um detalhe, mas um fator determinante para o futuro político do país.

O Brasil vive novamente o desafio de enfrentar a “elite do atraso” e sua máquina midiática. A esquerda precisa reagir politicamente e institucionalmente para evitar a repetição do golpe de 2016. Sem enfrentar a concentração de poder na mídia, qualquer governo popular estará sempre sob ameaça. A lição que fica é que não basta vencer eleições; é preciso construir mecanismos de defesa contra a manipulação sistemática que ameaça a democracia brasileira.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Banco Master: entenda quem realmente está atolado até o pescoço

Foto: Portal O Vermelho

O escândalo do Banco Master expõe uma complexa rede de relações entre o bolsonarismo, o Centrão e interesses financeiros que atuam para proteger figuras influentes e garantir vantagens econômicas, conforme apontam análises recentes. Essa articulação política é essencial para compreender a profundidade do caso e suas consequências para o sistema financeiro brasileiro.

De acordo com o economista Paulo Kliass(veja aqui), o Banco Master não representa um episódio isolado, mas sim um padrão em que instituições financeiras são utilizadas para práticas ilícitas que se entrelaçam com o jogo político. Ele destaca que a fraude financeira é apenas a superfície de um problema maior, que envolve a captura do sistema por interesses políticos e policiais.

A influência do Centrão e do bolsonarismo se manifesta claramente nas tentativas de blindagem do banqueiro Daniel Vorcaro. Parlamentares como Antonio Rueda, Ciro Nogueira e Ibaneis Rocha desempenharam papéis decisivos para proteger o banco, pressionando para enfraquecer investigações e manipular processos judiciais, evidenciando o poder dessas forças dentro do Congresso.

Além disso, a Operação Abafa (veja aqui) revela uma estratégia deliberada para desviar a atenção da opinião pública e da mídia, que tenta associar o caso ao STF e a Lula. Essa narrativa, segundo especialistas, funciona como uma cortina de fumaça para ocultar o verdadeiro núcleo do escândalo, que reside nas conexões entre o bolsonarismo, o Centrão e o sistema financeiro.

As conversas entre Vorcaro e Ibaneis Rocha sobre a venda do Banco Master ao BRB, assim como propostas legislativas como a ampliação da cobertura do FGC para R$ 1 milhão, de autoria de Ciro Nogueira, demonstram o uso do dinheiro público para garantir respaldo político e expansão do banco. Esses fatos revelam uma preocupante simbiose entre interesses privados e públicos.

Por fim, o escândalo do Banco Master serve como um alerta para a sociedade sobre a importância da vigilância e da cobrança por transparência e responsabilização. Conforme a análise de Paulo Kliass e os fatos revelados pela Operação Abafa, o bolsonarismo e o Centrão são protagonistas dessa trama, e cabe à população exigir justiça e mudanças profundas para evitar a repetição de casos semelhantes.



segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Da Terra Plana às Havaianas: Pneu, Chinelos, Papai Noel e o limite da burrice

Garotos Podres - YouTube

A extrema direita no Brasil virou uma sitcom sem roteirista. Cada semana, seus atores inventam uma nova temporada de maluquices. Já tivemos o episódio da Terra Plana, o spin-off da oração para pneu e agora o especial de Natal com dois enredos: o boicote às Havaianas e a denúncia contra os Garotos Podres. É como se o país fosse governado por roteiristas de “Os Trapalhões”, só que sem a graça.

No caso das Havaianas, Fernanda Torres ousou dizer que queria que as pessoas começassem 2026 “com os dois pés”. Pronto: foi o suficiente para transformar chinelo em arma ideológica. Vídeos de gente rasgando sandália, discursos inflamados e hashtags de boicote. O Brasil, pela extrema direita, conseguiu o feito histórico de transformar um acessório de praia em símbolo da luta política. Enquanto o mundo discute inteligência artificial, aqui a briga é com borracha colorida.

Já no caso dos Garotos Podres, a polícia paulista resolveu ressuscitar uma música de 1985, “Papai Noel Velho Batuta”, como se fosse ameaça à fé nacional. Quarenta anos depois, alguém decidiu que chamar o Bom Velhinho de “porco capitalista” é ofensa religiosa. É como se o Estado tivesse descoberto o punk só agora, e achado que era perigoso demais para a sociedade. O próximo passo deve ser abrir inquérito contra o Chaves por “incitação à pobreza”.

E o mais irônico é que, enquanto o governo e políticos sérios não medem esforços para enfrentar os problemas reais, desemprego, violência, custo de vida e a necessidade urgente de melhorar a educação, a extrema direita prefere brincar de tribunal cultural. Em vez de ajudar a construir soluções, escolhem o limite da burrice: lacrar contra quem não pensa como eles. Pensar o quê? Asneira. É como se o país tivesse dois mundos paralelos: um tentando resolver a vida das pessoas, e outro transformando chinelo e Papai Noel em caso de polícia.

No fim das contas, a extrema direita no Brasil virou uma caricatura: um grupo que prefere transformar chinelo e música punk em caso de polícia enquanto a vida real exige soluções sérias. É como se estivessem presos num circo paralelo, com palhaços que não fazem rir e mágicos que só desaparecem com o bom senso. O público assiste incrédulo e se pergunta: até quando essa turma vai viver no limite da burrice, em vez de ajudar a enfrentar os problemas de verdade?

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Do púlpito ao saco preto: a moral seletiva de Sóstenes Cavalcante


Imagem: Ilustrativa da internet

Por Jorge Antonio Carvalho*

A Polícia Federal encontrou cerca de R$ 430 mil em espécie no flat funcional do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da oposição e apadrinhado do pastor Silas Malafaia. O montante estava escondido em um saco preto dentro de um armário, durante a Operação Galho Fraco, que investiga desvio de recursos da cota parlamentar por meio de contratos fictícios com locadoras de veículos.

É curioso como o deputado, conhecido por atacar o governo Lula e posar de guardião da moralidade, agora precisa explicar por que guardava tanto dinheiro em casa. A justificativa oficial? Segundo ele, seria fruto da venda de um imóvel, e o depósito não foi feito “por lapso”, afinal, quem nunca esqueceu de levar quase meio milhão ao banco?

Enquanto brada contra “corruptos” e defende golpistas, Sóstenes é pego com uma cena digna de novela: dinheiro vivo, saco preto, armário fechado. O contraste entre o discurso moralista e a prática é tão gritante que parece piada pronta. O deputado que debocha da esquerda agora precisa explicar como se tornou protagonista de uma operação policial.

A Operação Galho Fraco é um desdobramento da “Rent a Car”, que já investigava assessores parlamentares. Agora, o foco recai diretamente sobre os deputados, e Sóstenes aparece como figura central. O caso expõe não apenas um suposto esquema de desvio de verbas públicas, mas também a fragilidade da narrativa de quem se coloca como paladino da ética.

No mercado da política, Sóstenes Cavalcante vendia moralismo a granel. Mas quando a PF abriu o armário, encontrou apenas dinheiro vivo e contradição. Para quem gosta de ironia, é como se o pregador da honestidade tivesse sido flagrado com a mão na sacola, literalmente.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Congresso da Impunidade: blindagem aos golpistas e bloqueio às pautas sociais

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A maioria do Congresso Nacional tem demonstrado uma capacidade notável de articulação quando o assunto é proteger figuras ligadas ao golpismo e à extrema direita. A redução de penas e a suavização de responsabilidades de Jair Bolsonaro e seus aliados mostram como a máquina política se move com rapidez e eficiência quando o objetivo é blindar quem atentou contra a democracia.

A subordinação estrutural da política e da economia

Segundo análises críticas, o Brasil vive uma “subordinação estrutural” marcada pela financeirização e pela dependência externa. Essa lógica não apenas enfraquece a soberania nacional, mas também molda a atuação do Congresso, que se mostra mais preocupado em preservar privilégios e interesses de elites econômicas do que em aprovar medidas que beneficiem a maioria.

A resistência às pautas sociais

Enquanto a impunidade avança com vigor, projetos que poderiam melhorar a vida da população enfrentam enormes barreiras. A proposta de redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais, aprovada na CCJ do Senado, é um exemplo: apesar de representar um avanço para milhões de trabalhadores, encontra forte resistência de setores empresariais e parlamentares, que travam sua tramitação.

Para que pautas sociais avancem, é quase sempre necessário recorrer à barganha com emendas parlamentares. Essa prática transforma direitos fundamentais em moeda de troca, subordinando o interesse coletivo às negociações de bastidores. O resultado é um sistema político que privilegia acordos de conveniência e posterga reformas estruturais.

Mesmo quando pautas estruturais como a reforma tributária ou sociais como o fim da jornada 6x1 avançam na CCJ, o caminho até a aprovação definitiva é marcado por resistência, lobby e negociações intermináveis, em contraste com a agilidade demonstrada pelo Congresso na blindagem de golpistas.

Democracia enfraquecida

O contraste é evidente: quando se trata de proteger golpistas, a mobilização é imediata e eficaz; quando o tema é saúde, educação, trabalho e bem-estar social, o caminho é tortuoso e dependente de barganhas. O Congresso brasileiro reafirma, assim, sua função de guardião da impunidade e dos privilégios, deixando em segundo plano o compromisso com a democracia e com o povo.

Fontes:



sábado, 11 de outubro de 2025

Tarcísio contra tributo das bets, mas a favor de taxar gorjeta de garçom?

Tarcísio, que agiu para impedir tributação de bets,
tributa gorjetas de garçons em SP

Enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, articula nos bastidores de Brasília para barrar a tributação de apostas online e grandes instituições financeiras, os trabalhadores da ponta, como os garçons continuam sendo taxados em seu estado.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, está no centro de uma polêmica que escancarou as prioridades fiscais do seu governo. Segundo reportagem da Revista Fórum, Tarcísio mobilizou sua base no Congresso Nacional para derrubar a Medida Provisória 1303/2025, que previa a tributação de apostas online, as famosas bets, além de bancos e aplicações financeiras que hoje são isentas.

A MP, que tinha como objetivo ampliar a arrecadação federal com foco em setores altamente lucrativos, foi rejeitada após intensa articulação liderada por parlamentares aliados ao governador. O movimento gerou críticas por favorecer grandes conglomerados financeiros e empresas de apostas, que movimentam bilhões, enquanto trabalhadores de baixa renda seguem arcando com tributos.

O contraste fica ainda mais evidente quando se observa que, em São Paulo, o governo de Tarcísio mantém a tributação sobre gorjetas recebidas por garçons. Isso mesmo: o valor que o cliente deixa como reconhecimento pelo bom atendimento é considerado parte do salário e, portanto, sofre incidência de impostos como o INSS e o FGTS.

A incoerência entre proteger os lucros das bets e taxar a gratificação de quem serve mesas em bares e restaurantes gerou revolta entre sindicatos e movimentos sociais. Para muitos, a postura do governador revela uma política fiscal que privilegia o topo da pirâmide econômica em detrimento da base trabalhadora.

“É como se o governo dissesse que quem aposta milhões merece isenção, mas quem rala no balcão tem que pagar imposto até na gorjeta. Isso não é justiça fiscal, é injustiça social”, comentou um feirante ouvido pela equipe do blog..

E aí, leitor do Conversa de Feira, o que você acha?

Essa política faz sentido pra você? Quem deve pagar mais imposto: o banco ou o garçom? Manda teu comentário que a gente quer saber da sua opinião!

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Estadão: Até quando a direita brasileira permitirá ser escrava de um desqualificado como Bolsonaro?

Foto: Antropofagista

Fiéis à desonestidade intelectual do padrinho, governadores bolsonaristas que aspiram à Presidência culpam
Lula pela ameaça de tarifaço de Trump. A direita pode ser muito melhor que isso

Por razões óbvias, Bolsonaro não virá a público condenar o teor da famigerada carta de Trump a Lula. Isso mostra, como se ainda houvesse dúvidas, até onde Bolsonaro é capaz de ir – causar danos econômicos não triviais ao País – na vã tentativa de salvar a própria pele, imaginando que os arreganhos de Trump tenham o condão, ora vejam, de subjugar o Supremo Tribunal Federal e, assim, alterar os rumos de seu destino penal.

Nesse sentido, é ultrajante a complacência de governadores como Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG) e Ronaldo Caiado (GO) diante dos ataques promovidos pelo presidente dos EUA ao Brasil. As reações públicas dos três serviram para expor a miséria moral e intelectual de uma parcela da direita que se diz moderna, mas que continua a gravitar em torno de um ideário retrógrado, personalista, francamente antinacional e falido como é o bolsonarismo.

Tarcísio, Zema e Caiado, todos aspirantes ao cargo de presidente da República, usaram suas redes sociais para tentar impingir a Lula, cada um a seu modo, a responsabilidade pelo “tarifaço” de Trump contra as exportações brasileiras. Nenhum deles se constrangeu por tergiversar em nome de uma “estratégia eleitoral”, vamos chamar assim, que nem de longe parece lhes ser benéfica – haja vista a razia que a associação ao trumpismo provocou em candidaturas mundo afora.A direita brasileira que se pretende moderna e democrática, se quiser construir um legítimo projeto de oposição ao governo Lula da Silva, precisa romper definitivamente com Jair Bolsonaro e tudo o que esse senhor representa de atraso para o Brasil. Não se trata aqui de um imperativo puramente ideológico, e sim de uma exigência mínima de civilidade, decência e compromisso com os interesses nacionais.

O recente ataque do presidente americano, Donald Trump, às instituições brasileiras, supostamente em defesa de Bolsonaro, é só uma gota no oceano de males que o bolsonarismo causa e ainda pode causar aos brasileiros. A vida pública de Bolsonaro prova que o ex-presidente é um inimigo do Brasil que sempre colocou seus interesses particulares acima dos do País. A essa altura, portanto, já deveria estar claro para os que pretendem herdar os votos antipetistas que se associar a Bolsonaro, não importa se por crença ou pragmatismo eleitoral, significa trair os ideais da República e arriscar o progresso da Nação.

Tarcísio afirmou que “Lula colocou sua ideologia acima da economia, e esse é o resultado”, atribuindo ao petista a imposição de tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras aos EUA – muitas das quais saem justamente do Estado que ele governa. Classificando, na prática, a responsabilidade de Bolsonaro como uma fabricação, o governador paulista concluiu que “narrativas não resolverão o problema”, como se ele mesmo não estivesse amplificando uma narrativa sem pé nem cabeça.

Caiado, por sua vez, fez longa peroração, com direito a citação do falecido caudilho venezuelano Hugo Chávez, antes de dizer que, “com as medidas tomadas pelo governo americano, Lula e sua entourage tentam vender a tese da invasão da soberania do Brasil”. Por fim, coube a Zema encontrar uma forma de inserir até a primeira-dama Rosângela da Silva no script para exonerar Bolsonaro de qualquer ônus político pelo prejuízo a ser causado pelo “tarifaço” americano se, de fato, a medida se concretizar.

O Brasil não merece lideranças que relativizam os próprios interesses nacionais em nome da lealdade a um projeto autoritário, retrógrado e personalista. Até quando a direita brasileira permitirá ser escrava de um desqualificado como Bolsonaro? Não é essa a direita de um país decente. Não é possível defender o Estado Democrático de Direito e, ao mesmo tempo, louvar e defender um ex-presidente que incitou ataques às urnas eletrônicas, ameaçou as instituições republicanas, sabotou políticas de saúde pública e usou a máquina do Estado em benefício próprio e de sua família ao longo de uma vida inteira.

O Brasil precisa, sim, de uma direita responsável, madura e comprometida com o futuro – não de marionetes de um golpista contumaz.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

‘Nikolas Ferreira fez um post sobre mim. Agora não posso mais sair de casa’

Emy participou de atividade na escola vestida de Barbie,
com uma peruca rosa, saia e bota de cano alto (Foto: Divulgação)

Emy Mateus Santos, 25 anos, professora de teatro na rede municipal de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, nunca imaginou que uma atividade pedagógica — fantasiar-se para receber alunos no primeiro dia de um ano letivo — a colocaria no alvo de uma onda de ódio.

Formada em teatro e dança, Emy, que se identifica como travesti, foi integrada à rede de educação pública em fevereiro de 2024, após ser aprovada em concurso público. No início de 2025, foi transferida para a Escola Municipal Irmã Irma Zorzi.

Depois de uma semana de planejamento pedagógico, a coordenação da escola propôs que Emy e outras professoras se fantasiassem para receber os alunos para o primeiro dia de aula de 2025. O propósito era simples: acolher crianças de 6 e 7 anos de forma criativa.

A atividade, inclusive, teve o aval da Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande, que afirmou em nota enviada ao portal G1 que “o uso de fantasias e caracterizações é um recurso pedagógico adotado por professores” de estudantes que estão matriculados no ensino básico na capital do Mato Grosso do Sul. O Intercept entrou em contato com a secretaria pedindo mais informações sobre o caso, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.

Emy, então, foi vestida de Barbie, com uma peruca rosa, uma saia e uma bota de cano alto. Outras professoras e até a coordenadora da escola escolheram as suas próprias fantasias, baseadas em personagens infantis. “Tinha gente de fada, de princesa, de cozinheira”, diz.

Segundo Emy, sua fantasia inspirou reações animadas e lúdicas das crianças. Por isso, na noite de segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025, ela publicou um vídeo em suas redes sociais mostrando a rotina do dia, desde a preparação da fantasia até interações com os alunos.

Mas a cena, que pretendia celebrar a conexão com as crianças, foi deturpada em pouquíssimas horas. No dia seguinte, uma parte do vídeo, editada para remover o contexto pedagógico, viralizou em grupos conservadores da cidade.

Até que, na quarta-feira, 12, entrou em cena o deputado federal Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais.

Com apenas um story publicado em sua conta no Instagram, Nikolas usou o registro da atividade escolar compartilhado por Emy e escreveu a seguinte legenda.. “Porque [sic] nunca em asilos? Ou para doentes? Ou sem teto? Porque é sempre para crianças?”, escreveu.

Postagem de Nikolas Ferreira amplificou onda de ódio e
transfobia contra Emy(Foto: Reprodução)



A postagem foi o estopim para o caso, que até então estava restrito a Campo Grande, se espalhar pelo país. Além da viralização nas redes sociais, veículos como R7 e Metrópoles repercutiram o vídeo de Emy – mas sem explicar que o episódio não era um ato isolado, que outras professores também se fantasiaram e que a iniciativa havia sido validada pela própria Secretaria Municipal de Educação.

Com a repercussão, Emy virou alvo de uma enxurrada de ameaças. Parlamentares de extrema direita de Campo Grande, como o vereador André Salineiro e o deputado estadual João Henrique Catan, ambos do PL, atacaram a professora até mesmo nos plenários da Câmara Municipal e da Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul, referindo-se a Emy no masculino e acusando-a de “violar a inocência infantil”.

Além disso, pais de alguns dos estudantes foram à escola exigir explicações, e Emy precisou se afastar da escola por segurança. “Não posso mais sair de casa sem medo”, desabafa. Apesar de a professora ter registrado boletim de ocorrência na polícia e de a Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande ter defendido publicamente o uso de fantasias como recurso pedagógico, a narrativa transfóbica se sobrepôs e reforçou a vulnerabilidade de profissionais trans em ambientes educacionais.

Em entrevista ao Intercept Brasil, Emy ainda contou que, antes mesmo da polêmica, já havia enfrentado transfobia institucional na escola onde trabalhou no ano anterior: foi orientada usar um banheiro isolado, teve seu nome social desrespeitado e presenciou colegas usando a Bíblia para condenar sua identidade.

Leia a entrevista completa no link abaixo: