terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Quando a mentira ameaça o mentiroso

FOTO: Rede Sociais 

Por Angela Carrato*

Não é novidade para ninguém que a família Marinho não gosta do presidente Lula e quer porque quer levantar a bola do extremista de direita que governa São Paulo,Tarcisio de Freitas, seu queridinho para as eleições de 2026.

Só que hoje erraram na dose e a edição do Jornal Nacional ficou ridícula.

Penúltimo dia do ano, era para o telejornal fazer uma espécie de retrospectiva do que foi 2024.

Se fizessem isso, teriam que mostrar o sucesso alcançado pelo governo Lula no segundo ano de mandato. Mesmo enfrentando pressão por todos os lados, a economia bombou. E teriam que mostrar o fiasco da gestão Tarcísio de Freitas.

Dai, alguns editores "criativos" devem ter proposto o seguinte: vamos dar um jeito de criticar o governo Lula e elogiar o governo Tarcísio.

O problema era arrumar argumentos. Mesmo sendo bons nisso, inventaram uma reportagem tão safada sobre deficit em empresas estatais que extrapolou.

A reportagem usou o "ouvir os dois lados" para disfarçar a confusão e os absurdos que estavam sendo ditos.

Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Economica Federal deram muito lucro. Que o digam seus acionistas. Mas a reportagem misturou tudo.

Falou-se também em prejuizo nos Correios e para tanto foi ouvido um dos neoliberais de estimação "da Casa", para falar o que queriam e apontar a "privatização como solução".

A canalhice foi tamanha que me lembrou o mesmo JN, no governo FHC, defendendo com unhas e dentes a privatização da telefonia no Brasil.

Detalhe: a telefonia na época estava prestes a iniciar a grande revolução, se tornar essencial na vida das pessoas e para a economia como um todo. Já os Correios, no momento em que o comércio online está bombando, enfrenta a mesma pressão, agora por parte da turma da Amazon e dos Mercados Livres da vida, amiguinhos dos Marinho e anunciantes da TV Globo.

Para coroar a safadeza, o JN voltou a jogar a alta do dólar nas costas do governo Lula, quando se sabe que a responsalinidade é do Banco Central presidido pelo bolsonarista Roberto Campos Neto, cujo mandato finalmente terminou hoje.

Enquanto isso, os mesmos editores pintaram de cor de rosa a vida em São Paulo, tanto na capital quanto no interior.

A capital foi mostrada, em longa reportagem, a partir de seus museus e de sua "rica vida cultural".

Nem uma palavra sobre falta de luz toda vez que chove, sobre o trânsito caótico ou sobre e a violentíssima Polícia do Tarcísio, que joga gente do alto do viaduto.

São Paulo foi apresentada tão bonitinha, que os "criativos" editores do JN acharam até nordestino que trocou "o réveillon na praia" pela "selva de pedras".

Tem um ditado que diz que quando a mentira é demais, ela vira bicho e come os mentirosos.

Os editores do JN precisam se cuidar, pois correm sério risco de serem comidos antes de 2025 chegar.

*Angela Carrato - Jornalista e professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG

FONTE: Facebook

sábado, 28 de dezembro de 2024

Lira quer licença total para a corrupção

Ilustração – Aroeira
Por Jeferson Miola

O empenho desmedido de Arthur Lira para liberar o repasse de emendas secretas diz tudo sobre o real interesse em jogo.

Não se viu antes um Lira tão mobilizado como agora. Nem nos momentos mais graves de ameaça à democracia e aos poderes da República, como no atentado terrorista ao STF em 13 de novembro, e na descoberta do plano militar-bolsonarista de assassinato de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes.

Como se observa, o que de fato mobiliza Lira, a ponto de ele mover montanhas, são interesses nada nobres.

O presidente da Câmara dos Deputados reivindica uma licença total para a corrupção com emendas parlamentares.

Lira interrompeu o recesso de fim de ano, mobilizou líderes partidários e pediu uma reunião de urgência com o presidente Lula para pressionar o STF a liberar o assalto de fim de ano ao butim de R$ 4,2 bilhões de emendas ao Orçamento da União.

Falta nobreza e republicanismo nessa luta do Lira e da deputadocracia viciada em verbas do orçamento secreto.

Importante ficar claro que o STF não determinou o fim das emendas impositivas, decisão que mereceria todo aplauso, pois tratam-se de verdadeiras excrescências que não existem em nenhum outro país do planeta.

O Supremo somente relembrou os congressistas a respeito de critérios legais e constitucionais que devem ser observados no repasse de todo dinheiro público, inclusive aquele originado em emendas parlamentares.

O ministro Flávio Dino apenas determinou –no que foi acompanhado pelo plenário do STF– que o pagamento de emendas precisa observar as diretrizes mais comezinhas da execução de todo e qualquer gasto público numa República: a identificação de autor e beneficiário de cada emenda, a publicidade e a transparência no repasse do dinheiro público, a viabilidade técnica da obra ou serviço, o plano de aplicação financeira e a prestação de contas.

Para Lira, no entanto, esta determinação é inaceitável. Ele reivindica total obscuridade e absoluta falta de transparência e controle sobre o repasse dos R$ 4,2 bilhões que o ministro Flávio Dino corretamente mandou travar, a bem do interesse público.

Ora, por que essa resistência tão feroz e obstinada do presidente da Câmara em cumprir as leis de execução orçamentária aprovadas pelo próprio Congresso?

Por qual razão Lira e seus colegas insistem em ocultar informações elementares, que permitiriam o rastreamento, monitoramento e fiscalização do dinheiro público?

Por que, afinal, eles querem esconder até mesmo o nome do/a parlamentar que direciona dinheiro do orçamento nacional e para qual finalidade?

Por que esse medo genuíno com a transparência na execução do gasto público através das emendas parlamentares?

Será por alguma má intenção?

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Militares indiciados por golpe receberam mais de R$ 2 mi em indenizações após Bolsonaro mudar regras

General-de-Brigada Mário Fernandes está entre os indiciados que receberam verbas indenizatórias de milhares de reais, além dos vencimentos. Foto: Isac Nóbrega/PR

Entre 2020 e 2023, sete militares de alta patente, agora indiciados no inquérito da Polícia Federal (PF) por suposta tentativa de golpe de Estado, receberam mais de R$ 2,2 milhões em verbas indenizatórias em seus vencimentos nas Forças Armadas. A maior parte dos ganhos foi recebida no momento ou pouco tempo depois que passaram para a reserva, mostra o levantamento feito com dados abertos disponíveis no Portal da Transparência. A informação foi publicada no Blog do Lauro Jardim, do jornal O Globo, e confirmada pelo Estadão.

Os valores acima do teto constitucional foram possíveis graças a reforma previdenciária e uma série de decisões em benefício de militares e servidores da segurança pública promovidas pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) a partir de 2019. Hoje, o ex-presidente está na lista de indiciados junto com os militares e outros aliados, todos acusados de tentativa de golpe.

Liderando a lista de maiores indenizações, o comandante do Comando de Operações Terrestres (Coter), Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, recebeu R$ 381,4 mil em novembro de 2023, quando saiu da ativa e foi para a reserva. Em dezembro de 2022, o general já havia recebido outra indenização de R$ 13,4 mil, além do salário bruto de R$ 36 mil. Segundo a PF, “de forma inequívoca”, o militar anuiu com o golpe de Estado, colocando as tropas à disposição do então presidente da República.

Em segundo lugar, com R$ 312 mil somente em indenizações recebidas em 2020 e 2023, aparece o coronel de Infantaria do Exército Cleverson Ney Magalhães, que virou reservista também em novembro do ano passado, recebendo a verba indenizatória de R$ 288 mil para isso. Segundo a PF, Magalhães participou da reunião de 28 de novembro de 2022 para pressionar os comandantes a aderirem ao golpe.

Outro exemplo é o ex-secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência no governo Bolsonaro, general da reserva Mário Fernandes, apontado como autor do “Punhal Verde e Amarelo”, suposto plano para matar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Fernandes foi para a reserva em agosto de 2020, quando recebeu R$ 262,4 em indenização. Em junho de 2021, foram mais R$ 159,5 mil, além dos R$ 29,3 em vencimentos brutos e R$ 14,6 mil em gratificação natalina.

Ainda em 2020, três meses após ir para a reserva, o ex-ministro-chefe da Casa Civil do Brasil, de 2020 a 2021, e ex-ministro da Defesa, de 2021 a 2022, o general Walter Braga Netto recebeu R$ 313,4 em indenizações, além dos R$ 342,9 mil de salário base. Somente naquele ano, os salários do general, após as deduções obrigatórias, mais a indenização, custaram mais de R$ 1,1 milhão aos cofres públicos.

Almirante-de-esquadra da Marinha, o comandante Almirante Garnier – único neste alto posto a anuir com o golpe, segundo a investigação –, ganhou R$ 265,1 mil em indenização em maio de 2021, mês em que também recebeu R$ 99,4 mil referentes às férias. Segundo a PF, ele concordou com o golpe de Estado, “colocando as tropas à disposição do então Presidente da República”.

Em fevereiro de 2023 foi a vez do coronel Carlos Giovani Delevati Pasini ir para a reserva. Segundo a PF, ele é um dos autores da “Carta ao Comandante do Exército de Oficiais Superiores da Ativa do Exército Brasileiro”, documento que circulou em 2022 para tentar angariar apoio dos militares para o golpe. O coronel foi indenizado em R$ 222,6 mil quando saiu da ativa. Antes, em janeiro de 2021 e maio de 2022, ele também recebeu a soma de R$ 22,7 mil em indenização.

Ministro da Defesa de Bolsonaro, o general Paulo Sergio Nogueira de Oliveira, apontado por pressionar comandantes das Forças Armadas a aderirem ao plano golpista, embolsou R$ 216 mil quatro meses após ir para a reserva – em abril de 2021. Ainda segundo as investigações, em dezembro de 2022, Nogueira de Oliveira incumbiu o general Estevam Theóphilo das ações que ficariam a cargo do Exército caso Bolsonaro assinasse o decreto.

Fonte: O Estadão

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

RX das pensões militares: "O choco do ovo da serpente"

Foto: reprodução

O
vídeo institucional da Marinha atacando o governo e insinuando que o brasileiro é um povo preguiçoso e que leva uma vida folgada reacendeu a discussão sobre a realidade privilegiada dos militares em comparação com a população civil, em especial os trabalhadores, e com a imensa maioria dos servidores públicos civis.

A peça publicitária não surpreende, pois os militares efetivamente consideram que os paisanos são preguiçosos, incompetentes e corruptos. Como explicitou o general Hamilton Mourão na campanha de 2018, seriam “as influências negra e indígena” da nossa formação cultural.

Em decorrência dessa visão, os militares atribuem a si próprios a missão de conduzirem os “destinos da Nação”, nem que para isso precisem tomar de assalto o poder de Estado pela força, como planejaram fazer com Bolsonaro, e como fizeram ao longo da nossa história republicana.

RX das pensões militares

O exame detido da situação de pensionistas das Forças Armadas mostra distorções relevantes, que produzem um impacto significativo no orçamento nacional que deveria ser para a Defesa, mas que, no entanto, é abocanhado na quase totalidade pela “família militar”.

O Brasil desembolsa 25,7 bilhões de reais por ano só para o pagamento de 236.621 pensões vitalícias de parentes de militares.

Isso significa o valor médio mensal de R$ 9.051,74 por pensão militar paga; valor cinco vezes maior que a média de R$ 1.752,52 da pensão paga pelo INSS aos 34,2 milhões de pensionistas do Regime Geral da Previdência Social/RGPS.

As filhas de militares representam 51,9% dos gastos totais com pensões, consumindo 13,3 bilhões de reais por ano do orçamento da União, como se observa na tabela:

O Exército concentra 55,4% dos gastos com pensões vitalícias da família militar. São 14,2 bilhões por ano a este título, significando uma pensão média de R$ 9.289,33, conforme tabela:

Pensão militar mais antiga é paga desde 1930

A pensão militar mais antiga começou a ser paga há mais de 94 anos, quase um século atrás, em setembro de 1930. A filha beneficiária –presumivelmente uma senhora hoje com no mínimo 94 anos de idade– recebe o valor mensal de R$ 11.906,17 [dado de agosto/2024] como filha de suboficial da Marinha.

A viúva pensionista militar mais antiga recebe o valor atual [agosto/2024] de R$ 11.309,90 desde setembro de 1932, há 92 anos, com a patente de Segundo-Tenente do Exército. Na hipótese de tal viúva ter se casado com 16 anos de idade, ela teria hoje no mínimo 108 anos, quase todos eles integralmente vividos às custas do erário.

Existem pelo menos 2.669 pensões militares que são usufruídas há mais de 55 anos, a mais antiga delas há 94 anos [tabela]:


Pensões acima do teto do salário do funcionalismo

Em agosto de 2024, data-base do presente RX das pensões, uma pensionista de Tenente-Brigadeiro-do-Ar da Aeronáutica recebeu R$ 107.989,42 a título de pensão como filha.

Pelo menos 268 pensionistas militares recebem acima do teto do funcionalismo público de R$ 44.008,52, com muitas pensões que que podem alcançar quase R$ 80 mil mensais.

Gastos com pessoal consomem quase 80% do orçamento das Forças Armadas
Os gastos com pessoal consomem quase 80% do orçamento das Forças Armadas. As despesas com pensões e com militares reformados ou na reserva [aposentados] equivalem ao dobro das despesas com pessoal da ativa, um contingente de 352 mil militares.

A realidade brasileira, com a destinação de praticamente todo o orçamento que seria para a Defesa Nacional, mas que é usado para pagar despesas de pessoal, vai na contramão da lógica dos gastos militares no mundo.

A principal potência militar do planeta, os Estados Unidos, destinam não mais que 22% do seu orçamento militar para gastos com pessoal. A maior parcela orçamentária estadunidense [39%] é destinada para operação e manutenção, ao passo que outros 17% destinam-se a compras, e 15% são empregados em pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

Quer privilégios? Vem pras Forças Armadas

Na parte final daquele vídeo institucional da Marinha que insulta o povo brasileiro como vagabundo e preguiçoso, a figurante pergunta e responde provocativamente: “Privilégio? #VempraMarinha”.

O texto desta infame peça publicitária tem um fundo de verdade.

Comparando-se a realidade das pensões de servidores militares com os servidores civis encontra-se um conjunto de aberrações e distorções que precisam ser corrigidas, pois tratam-se de privilégios inaceitáveis.

Quando se compara os valores das pensões de militares como a dura realidade dos trabalhadores do Regime Geral da Previdência Social que recebem pensões pagas pelo INSS, as discrepâncias são ainda mais aberrantes, conforme tabela:

Os militares chegam a receber, em média, pensões com valores 667,4% superiores ao que recebem os trabalhadores do RGPS/INSS, e até 68,6% a mais que a média dos servidores civis, como demonstrado na tabela:
Privilégios precisam acabar

Além de ilegal, improcedente e destituída de fundamentos, é inaceitável a reclamação dos militares em relação ao ajuste proposto pelo governo e que atinge a maioria da população brasileira que vive precariamente com menos de dois salários mínimos.

As medidas propostas pelo governo com a estimativa de economizar R$ 2 bilhões por ano são superficiais e não eliminam os privilégios militares, que continuam podendo se aposentar com no máximo 55 anos, quando todos trabalhadores e trabalhadoras do país são obrigados/as a trabalhar até a idade mínima de 65 e 62 anos.

Os obscenos privilégios dos militares e as desigualdades em relação aos servidores públicos civis e trabalhadores em geral não se restringem somente às pensões vitalícias.

Nas aposentadorias militares –reforma e reserva– também existem enormes distorções, do mesmo modo que nos benefícios dos militares da ativa. Tratam-se de benefícios salariais e de regalias de toda natureza, como casa, alimentação, vestimenta, educação, saúde etc.

É preciso que Governo e Congresso priorizem o enfrentamento desses privilégios militares, assim como de outras castas do serviço público, ao invés de carregarem nas costas da maioria da população os custos do ajuste.

Fonte: Publicado no Blog do Miola

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Cadê o Banho do Una do Moraes que estava ali?

Foto: Rede Sociais

Morros, uma joia escondida no Maranhão! Esta cidade é conhecida por suas belezas naturais exuberantes e suas paisagens encantadoras. Cercada por rios de águas cristalinas e cachoeiras deslumbrantes, como a famosa Cachoeira do Arruda, Morros é um verdadeiro paraíso natural.

Um dos lugares perfeitos para um mergulho refrescante ou apenas para relaxar ao som da natureza é o famoso Banho do Una do Moraes, localizado na curva do rio Una que ruma para o rio Munin e chegar em Icatu. Este banho é conhecido por suas águas cristalinas e geladíssimas, perfeitas para refrescar nos dias quentes.

Opa! Quede essa maravilha?? Não existe mais? Como assim, sumiu? O que aconteceu?

Pois é, pessoal, tenho informações ainda não confirmadas de que o casal que moram lá e que serviam aquela cervejinha gelada e o famoso tira-gosto de tainha frita, resolveram brigar e dividir a área através de um muro, acreditem, parecendo coisa de norte-americano, tu ficas pra lá e eu fico do lado de cá.

Muro feito de um dia pro outro, destruindo a paisagem
natural do Rio Una.

Sai de São Luís, como sempre fiz quando vou com a família a Morros, fui direto rumo a Icatu para passar pela ponte e logo ao lado esquerdo, observar a curva do Una, a água cristalina e o fundo de areia branca com as margens recheadas de pés de juçara e de andiroba. Fiquei espantado e ao mesmo tempo triste com aquela visão de descaso, falta de respeito, ignorância e irresponsabilidade.

Mais uma foto do crime ambiental nas marges do rio

Será que essas pessoas que praticaram esse crime ambiental não sabem que em Morros essas áreas são protegidas para manter a vegetação natural e garantir a conservação dos recursos hídricos e que são cruciais para a preservação da biodiversidade local e para a proteção das paisagens naturais de Morros?

E que Morros também faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) da Região dos Lagos, que inclui várias localidades no Maranhão. Esta APA tem como objetivo proteger os ecossistemas aquáticos e terrestres, bem como promover o uso sustentável dos recursos naturais na região?

Será que as autoridades locais, como o prefeito e o secretário de meio ambiente, não sabem disso? Todos nós, não só os morruenses, estamos aguardando que sejam tomadas providências urgentes para que seja desfeito esse absurdo com a natureza e punir os transgressores, doa a quem doer.

Se não, teremos que denunciar para os órgãos maiores!

Mais fotos como era antes:








sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Realidade: Pauta reivindicatória mostra grande exploração que os trabalhadores(as) sofrem no Mateus, Fribal, Frango Americano e outras.

Foto: Ilustração

A reunião com os funcionários do Grupo Mateus, Fribal, Frango Americano e outras instituições, ocorrida no dia 30 de outubro, deliberou as reivindicações dos funcionários para que não entrem em greve nos próximos dias.

A reunião foi conduzida pela direção do SINDPANIP – Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias de Alimentos Naturais, Panificação e Confeitaria, Industria da Carne, de Frio e Empresas Frigorificas.

Veja as pautas reivindicadas:

1) Piso salarial R$ 1.690,00, reajuste de 9,5% para os que ganham acima do piso

2) ticket Alimentação R$ 500,00 mês com possibilidade de uso/compra em outros locais

3) plano odontológico custeado pelo empregador, migração do plano hapvida mais barato

4) realização de laudo/perícia nos setores para indicação de insalubridade e periculosidade, acompanhado pelo sindicato

4) gozo de pelo menos 4 feriados com folga (1° de Maio, dia da Indústria/comércio, sexta feira Santa e corpus christi)

5) correção do desconto do vale transporte

6) fornecimento regular de fardamento e EPI’s

7) cesta natalina

8) penalidade para desvio de função, com aplicação de multa a ser revertida ao trabalhador

9) relatório de banco de horas mensal

10) transparência nas metas, que devem ser colocadas até 5° dia útil do mês

11) quadro de promoção

12) atestado médico sem necessidade de assinatura de supervisor ou gerente, entregue apenas ao chefe imediato quando o trabalhador não estiver em local de fácil acesso ao RH

13) até 6 declarações de acompanhamento de filho criança (até 12 anos),

14) quando o filho possuir doença que necessite de acompanhamento médico regular, entregar laudo que ateste no RH para possibilitar o aceite de declarações além dos 6 dias do item anterior

15) aplicativo da UNI MATEUS não pode ser exigido ser usado nas folgas do trabalhador, período de descanso ou fazer hora extra para cumprir os treinamentos online

Rede Amazônia Azul estudará a Margem Equatorial Brasileira


Por Allan Kardec*

Pesquisador do Grupo de Pesquisa sobre “Transformação ecológica e diversificação energética” da Fundação Maurício Grabois, Allan Kardec defende a exploração do petróleo na chamada “Margem Equatorial Brasileira”.

A Amazônia está no centro da atenção internacional sobre a exploração de petróleo offshore.

Já prevendo esse debate, e com a experiência de ter servido como diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), um grupo de pesquisadores nos juntamos para formar a maior rede de especialistas sobre a Margem Equatorial Brasileira (MEQ), composta por pesquisadores de 13 universidades brasileiras, entre instituições locais e outras com grande tradição e conhecimento sobre a MEQ – chamada Rede Amazônia Azul (RAZUL).

Da mesma forma, em 2006, um grupo de 100 professores criamos a Rede Nordeste de Biotecnologia (RENORBIO), onde já tivemos 1379 teses de doutorado defendidas com 546 alunos atualmente matriculados.

Ela visa consolidar os conhecimentos locais – como a fauna e a flora do Nordeste brasileiro, conhecimentos tais como os benefícios farmacológicos de plantas como da erva cidreira, da amendoeira ou as vantagens do peixe tilápia e os direitos das populações originárias, indígenas e quilombolas em preservarem seu patrimônio ancestral.

Similarmente, a RAZUL servirá para estudar a MEQ de forma metódica e científica.

A Rede é formada por pesquisadores do Brasil inteiro, com décadas de experiência na MEQ, onde vários moram no Norte ou Nordeste do Brasil – essa foi uma condição para a formação da rede, isto é, de ter vozes que repercutissem as demandas e exarassem os conhecimentos locais, em que, por exemplo, os amazônidas estudassem e pesquisassem sobre a Amazônia.

Dessa forma, juntamos o conhecimento histórico agregado aos saberes, tais como sobre as populações indígenas, agrupamentos quilombolas, comunidades ribeirinhas, além de contar com aqueles que estudam profundamente a antropologia do nosso povo assim como as formações geológicas dessa área, além das correntes oceânicas. Esse grupo de cientistas é multidisciplinar, representando campos como geologia, economia, ciências sociais, oceanografia, antropologia, tecnologia e engenharia.

A RAZUL é formada por professores pesquisadores de alto nível, em áreas como oceanografia, meio ambiente, geopolítica e petróleo. Com uma diferença. Ela nasceu como um movimento da comunidade científica preocupada com o desenvolvimento nacional.

Temos muitas contribuições. Em nossa primeira ação, fizemos uma nota técnica com Pedro Zalan, um dos maiores geólogos do Brasil e Ronaldo Carmona, da Escola Superior de Guerra. Mostramos que há possibilidades de haver entre 20 a 30 bilhões de barris de petróleo só na Bacia Pará Maranhão (PAMA)!

O professor Duque Dutra, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Carmona mostraram em outra nota técnica que o aproveitamento de um campo petrolífero na PAMA que contenha 400 milhões de barris, ao longo das próximas três décadas, poderia gerar R$ 14 bilhões de renda. Ou seja, um incremento de 12 % do PIB do Pará, ou 20% do Maranhão em valores de hoje.

Há uma mobilização nacional e diálogo da Rede com diferentes setores da sociedade. Conversamos com a Diretoria Colegiada da ANP e a Agência Espacial Brasileira; com ministros e dirigentes do Ministério das Minas e Energia, da Defesa, da Ciência e Tecnologia; com a indústria, entre elas FIEMA, FIEPA, ABEGAS, EnerGeo Alliance ou empresas como TGS, ExxonMobil e Petrobras! O nome, inclusive, “Amazônia Azul” é inspirado – e permitido – pela Marinha do Brasil.

Adicionalmente, gostaríamos de apontar alguns aspectos que ilustram o debate atual, no que segue.

Nossos pesquisadores entendem que não há conhecimento consolidado o suficiente para afirmar a existência do “Great Amazon Reef System”, formado por corais.

Corais são pequenos animais marinhos que vivem em colônias e frequentemente têm esqueletos rígidos. Por outro lado, as algas calcárias têm carbonato de cálcio, um mineral que compõe o calcário, em suas paredes celulares, sendo descritas como “algas que se tornaram pedra”. Simplificadamente, a borda da plataforma continental representa a “fronteira” entre as águas rasas do oceano próximo à costa e suas partes mais profundas.

Na região da borda da plataforma da bacia da Foz do Amazonas, predominam algas calcárias, na maioria das vezes mortas, cujo desenvolvimento máximo ocorreu entre 17 e 11 mil anos atrás, quando o nível do mar estava de 100 a 120 metros abaixo do atual, durante a Última Era do Gelo.

Ao lado das mudanças climáticas, nossa Rede acha fundamental considerar a desigualdade de renda – que afeta a região de maneira implacável, como componente fundamental de estudo e de decisão dos países da Amazônia sobre seu futuro.

Afinal, de acordo com recente publicação, a transferência de renda é importante para evitar mortes de crianças e mulheres. Por exemplo, o Amapá, estado onde está prevista a perfuração de um poço de petróleo, tem 60% de sua população dependente de transferência de renda e um PIB per capita de US$ 5.26 dólares. Para comparação, a da União Europeia é de US$ 37,15.

Finalmente, cremos fundamental esclarecer que há muita confusão na mídia nacional e internacional sobre a exploração nas águas territoriais brasileira. Em algumas publicações, alguns autores sugerem que haverá extração de petróleo da foz do Rio Amazonas, quando na verdade será na bacia sedimentar denominada “Foz do Amazonas”. Confundir “foz” com “bacia” é como confundir jabuti com jabuticaba.

A Rede Amazônia Azul não tem a ousadia de querer resolver todos os problemas nacionais e nem se propõe a isso! Mas os pesquisadores e professores não podemos ficar calados diante da imensa oportunidade! Mesmo porque hoje se misturam nos debates muita desinformação e forte ausência de Ciência.

Em um momento de intensos debates envolvendo igualmente a soberania nacional ou a manutenção da autossuficiência brasileira, a RAZUL se dispõe a sentar na mesa para debater, problematizar, esclarecer ou pesquisar. Sejam os problemas de exploração de petróleo, da desigualdade vergonhosa ou do meio ambiente.

*Allan Kardec Duailibe Barros Filho, 55 anos, é doutor em engenharia da informação pela Universidade de Nagoya (Japão). É professor titular da UFMA (Universidade Federal do Maranhão). Foi diretor da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e atualmente é presidente da Gasmar (Companhia Maranhense de Gás). É pesquisador do Grupo de Pesquisa sobre Transformação ecológica e diversificação energética da Fundação Maurício Grabois.

FONTE: Reproduzido do Portal Grabois

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Retorno da Educação em Remuneração… e Cultura para uso de IA

Foto:G4Educação

O diferencial de salário-hora entre trabalhadores com ensino superior completo e os demais grupos de escolaridade – o chamado “retorno da educação”- tem caído no Brasil, mas ainda é bastante relevante. Isto é apontado por um estudo de pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) antecipado a Anaïs Fernandes (Valor, 01/10/24)

No segundo trimestre de 2012, trabalhadores com 16 anos ou mais de estudo (o equivalente ao superior completo ou além) ganhavam, em média, 152% a mais do que os trabalhadores com 12 a 15 anos de estudo (médio completo e superior incompleto), o grupo escolar imediatamente anterior. Esse diferencial se reduziu em quase 26 pontos percentuais até o segundo trimestre de 2024, para 126%, de acordo com os cálculos dos pesquisadores, que fazem uso de modelagem econométrica.

“A gente não faz simplesmente uma comparação das médias de salários de um grupo contra o outro, porque existem características diferentes. A gente compara pessoas que têm experiências similares”, explica Janaína Feijó, pesquisadora do FGV Ibre e autora do estudo com Fernando Veloso, Fernando de Holanda Barbosa Filho e Paulo Peruchetti.

A queda dos retornos, em termos de ganhos salariais, para os mais escolarizados também se deu em relação aos todos os outros grupos educacionais (veja detalhes acima). Quiseram pontuar o ensino superior em relação ao ensino médio porque, nesse momento, ainda há muita dúvida entre os jovens se eles vão cursar ou não ensino superior e os ganhos que eles podem ter. Mas o retorno relativo de quem tinha ensino superior está decaindo independentemente do grupo educacional com que comparamos.

Essa diferença diminuir não quer dizer, necessariamente, que o rendimento de quem tem ensino superior caiu. Ele poderia, por exemplo, ter aumentado, mas menos do que nos demais grupos educacionais. “Porém, não foi isso que aconteceu. Não só a diferença em relação aos demais caiu como o próprio salário de quem ganha ensino superior também diminuiu. Houve uma perda absoluta na remuneração média de quem tem ensino superior completo. Então, foi algo mais forte e que se torna mais preocupante”.

Ela aponta que ocorreu uma queda de 11,7% no rendimento de quem tinha ensino superior completo ou mais entre o início de 2012 e o segundo trimestre de 2024. “Ocorreu uma queda depois da recessão de 2014, continuou caindo de forma muito lenta e tímida e, depois da pandemia, houve mais uma queda. Na margem, observamos alguma elevação, mas ainda está muito distante do observado em 2012”, diz Feijó.

Segundo os pesquisadores, dois fatores mais concretos e observáveis em números podem ajudar a explicar o retorno menor para os mais escolarizados. Um é o aumento da população com ensino superior. Feijó cita dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação, segundo o qual o número de matrículas em cursos de graduação saltou de 1,4 milhão nos anos 1980 para 9,4 milhões em 2022 (último dado disponível).



Só entre os anos 2000 e 2022, o crescimento foi de mais de 250%. Em um período mais curto, desde 2012, em que está focada a análise do FGV Ibre, esse crescimento ainda foi de 34,2%.

“A população com ensino superior aumentou muito nos últimos 20 anos. E isso causa alterações na oferta de mão de obra. Se há aumento dessa oferta, o ‘prêmio salarial’ tende a se reduzir, porque esse recurso não está mais tão escasso. A tendência é que o salário caia”.

Em números absolutos, a população ocupada com ensino superior completo ou mais praticamente dobrou entre 2012 e 2024, de 11,6 milhões para 22,4 milhões. A proporção de pessoas com ensino superior completo na população ocupada também saltou de 13,1% no início de 2012 para 22% no segundo trimestre de 2024. “Pode ser que 22% da população ocupada ainda seja muito pouco, mas o fato é que isso pode ter afetado a dinâmica de salários”.

Outro fator que pode estar associado à redução dos diferenciais é a elevação da informalidade entre os mais escolarizados. A taxa de informalidade para quem tem 16 anos ou mais de estudo passou de 14% no fim de 2015 para 19,3% no segundo trimestre de 2024. Os pesquisadores usam a série a partir de 2015 porque é quando incorpora os conceitos de trabalhador por conta própria e empregadores com e sem CNPJ.

A redução salarial entre os mais escolarizados pode estar relacionada a esse aumento da informalidade. “Em média, trabalhos informais tendem a remunerar menos, mesmo que a gente considere pessoas com a mesma formação”.

O grupo daqueles com ensino superior completo ou mais tem a menor taxa de informalidade entre todos os níveis de escolaridade.

“Conforme os anos de educação vão diminuindo, a informalidade vai aumentando. Então, tem uma relação direta entre aumento da escolaridade e redução da informalidade. Esse fato já é bem conhecido. Nesse sentido, fazer ensino superior ainda contribui muito para a formalização, só que piorou. O que, talvez, não seja muito conhecido, é esse fato de que até esse grupo ficou menos protegido da informalidade”.

Da mesma forma, ainda que o rendimento médio dos mais escolarizados esteja menor, ele passou de R$ 7.495 no início de 2012 para R$ 6.619 no segundo trimestre de 2024, o que é bem acima dos demais grupos educacionais. O rendimento médio real habitual de quem tem de 12 a 15 anos de estudos cai para R$ 2.548 no segundo trimestre deste ano.

Como hipóteses adicionais para a queda nos rendimentos dos mais escolarizados, houve um “efeito composição” de mais graduados no mercado de trabalho oriundos de faculdades de qualidade inferior.

“Para essas faculdades, o ganho salarial pode ser menor. É possível que isso aconteça, mas é importante observar também que, para avaliar se o ensino superior foi relevante ou não, a comparação deve ser da faculdade que a pessoa fez em relação à alternativa de não ter feito faculdade nenhuma”, afirma. O estudo do professor da PUC-Rio Tomás Guanzoroli e colegas que, segundo Veloso, aponta esse “efeito composição”, de que faculdades de menor qualidade oferecem “prêmio salarial” menor, mas, ainda assim, representam ganho para os graduados.

Outra hipótese para explicar a queda salarial dos mais escolarizados é o da possível inadequação entre os profissionais formados nas faculdades e as funções que essas pessoas estão, de fato, exercendo, devido às diferenças entre a oferta de cursos da graduação e demandas da economia. Há o fenômeno da “overeducation”, quando pessoas são muito escolarizadas para as funções que estão desempenhando.

“Pode ser tudo isso. Pode ser também a situação macro do país, a economia não cresce e a pessoa com ensino superior vai trabalhar em uma função abaixo da sua capacidade e como informal. As coisas podem se juntar”.

Apesar de tudo isso, os pesquisadores do FGV Ibre destacam que o grau de instrução permanece como um fator relevante na determinação dos salários, através de padrões ocupacionais. “A gente identifica que sem ensino superior é muito mais difícil acessar as boas oportunidades no mercado de trabalho, isto é, funções que remuneram bem, e também se torna muito mais difícil progredir em posições estratégicas dentro de uma empresa”.

Exemplo disso é que 30,4% dos ocupadas com até o ensino fundamental completo ou o médio incompleto estão nas chamadas “ocupações elementares”, com rendimento médio de R$ 1.322, enquanto 48,3% das pessoas ocupadas com ensino superior completo ou mais são profissionais das ciências e intelectuais e têm rendimento médio de R$ 7.245.

Quem tem ensino superior ainda pode conseguir amortecer possíveis impactos negativos da Inteligência Artificial (IA) sobre o mercado de trabalho. Em um estudo, ela cita, pesquisadores do Fundo Monetário Internacional (FMI) identificaram que trabalhadores com ensino superior terão maior probabilidade de se adaptar à IA, porque eles acabam conseguindo utilizar a IA de forma complementar, gerando ganhos de produtividade a nível do indivíduo e a nível da empresa.

“A educação é um fator fundamental para a gente entender como anda a produtividade no Brasil e as perspectivas”, diz Luiz Guilherme Schymura, diretor do FGV Ibre.

O estudo do FMI estima que, no Brasil, quase 40% dos trabalhadores estão em ocupações de alta exposição à IA. Desses, quase metade (20%) está em postos com alto potencial de complementaridade.

No caso de quem tem ensino superior, os números são bem maiores: aproximadamente 80% estão em ocupações com alta exposição à IA e para 50% deles ela deverá ter um papel complementar. “A conclusão que acho que não tem dúvidas é que fazer ensino superior é um divisor de águas no Brasil. Um pouco menos do que no passado, mas ainda é e com a IA isso pode voltar a aumentar”.

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Servidores demitidos no governo Collor denunciam assédio e acionam MPT

Foto: Sindsemp/MG

Dezenas de servidores públicos demitidos ou exonerados entre os anos de 1990 e 1992 — durante a gestão do ex-presidente Fernando Collor — procuraram o Ministério Público do Trabalho (MPT) para denunciar situações de perseguição e assédio moral no ambiente de trabalho.

Um procedimento foi instaurado para apuração. Além da sistematização das informações trazidas pelos anistiados, o órgão expediu notificações para a Advocacia Geral da União (AGU), Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados.

Cerca de 120 mil servidores e empregados perderam seus postos de trabalho durante a redução da máquina administrativa. Anos depois, em 1994, a Lei da Anistia dos Servidores Públicos (8.878/94) permitiu o retorno dos trabalhadores ao serviço.

Porém, houve um prazo para esse retorno, e a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) estima que apenas 10% dos prejudicados pelo enxugamento dos cargos públicos conseguiram a reincorporação.

Mesmo aqueles que voltaram a exercer suas atividades a partir de 1994, acabaram encontrando outros percalços: salários defasados, assédio moral, etarismo e condições de trabalho precárias.

Desde o mês de julho, a procuradora do Trabalho no MPT, Geny Helena Marques, vinha recebendo as denúncias.

“A intenção não é olhar a situação específica de cada um, mas levar em conjunto a situação deles. Há situações em que os servidores são escanteados por já terem idade avançada. Há pessoas que estão trabalhando em locais sem janela, sem ventilação”, disse a procuradora à CNN.

Diante de denúncias como essas, e do próprio caso do ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, o governo instituiu o Plano de Enfrentamento ao Assédio na Administração Pública.

A portaria publicada no Diário Oficial na terça-feira (1º) foi resultado de discussões realizadas desde 2023 e traz diretrizes e regras de conduta para órgãos e entidades federais. Para os anistiados, há expectativa de que seus casos também sejam debatidos nessa esfera.

Defasagem salarial

A representante dos anistiados do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marlucia de Souza, relata anos de defasagem salarial.

“Depois de muita luta e da obtenção da anistia, somente após 15 anos, conseguimos retomar ao serviço público para compor o quadro em extinção do MCTI, sob regime celetista. Sem direito à progressão desde retorno em fevereiro de 2010, sem avaliações, nem tratamento isonômico”, explica.

No caso de Marlucia, a defasagem salarial chega a mais de 40%. Com remuneração referente a R$ 3.380,19 bruto, caso a tabela tivesse sido reajustada pelo IPCA, o salário bruto com progressão nesse caso seria de R$ 6.347,50.

“Queremos direito a progressão após o retorno, com atualização urgente das tabelas de salários, pois é absolutamente ilegal o congelamento funcional dos anistiados”.

Câmara dos Deputados

Em junho, o caso dos anistiados do governo Collor foi tema de debate da Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados, com foco no decreto que fixou a remuneração de empregados públicos no quadro em extinção.

Solicitante do debate na época, a deputada Erika Kokay (PT-DF) define como “um processo extremamente cruel” as medidas tomadas sobre os casos dos servidores.

“Os servidores que estavam em órgãos extintos ou que foram privatizados, retornaram em grande medida a partir de 2008 na condição de celetista, sem direito a ter um salário real desde 2010, ou promoções, progressões. Ficaram em situações de profunda defasagem salarial, exercendo a mesma função de outro servidor estatutário”, explica a parlamentar.

“Obviamente que se fizermos a transposição desses servidores celetistas que estão dentro da administração direta, nós resolvemos praticamente quase todos os problemas”.

Uma das soluções para reduzir as injustiças contra a categoria é que o tempo em que ficaram excluídos do serviço público seja considerado para efeito de aposentadoria.

“Se reconheceu a injustiça que se cometeu contra eles. E se foram anistiados pelo reconhecimento e reparação da injustiça, nada mais justo que o tempo que ficaram fora também seja computado para todos os efeitos”, argumenta Erika Kokay.

Readmissão dos anistiados

Outro pleito dos anistiados é de que o governo federal reabra o prazo para a readmissão dos anistiados no serviço público.

“Tem gente que perdeu o prazo, muita gente não ficou sabendo. Essas pessoas não foram readmitidas. É preciso um novo decreto do presidente Lula reabrindo o prazo”, explica o secretário-geral do Sindsep-DF, Oton Pereira Neves.

Nesse sentido, uma lei chegou a ser aprovada no Congresso nessa perspectiva, mas foi vetada pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

De acordo com a mensagem de veto presidencial na época, que cita pareceres dos ministérios da Justiça e do Planejamento e da Advocacia-Geral da União (AGU), a proposta era inconstitucional e “contrária ao interesse público”.

Na época, foi estimado que 20 mil servidores se beneficiariam da reabertura do prazo. Conforme a justificativa do veto, os servidores já haviam tido oportunidades para optar pelo retorno, e, portanto, não se justificaria nova reabertura de prazo “decorridos 17 anos da publicação da anistia original”.

Fonte: CNN Brasil

terça-feira, 24 de setembro de 2024

Israel estende ao Líbano extermínio em massa: 492 mortos e 1645 feridos em 24h

O ministro da Saúde do Líbano, Firas Abiad, disse que os ataques israelenses
atingiram hospitais, centros médicos e ambulâncias.(AFP)

Bombardeios contra o Líbano, perpetrados pelo regime supremacista israelense de Netanyahu, Gallant, Gvir e Smootrich, assassinaram 492 libaneses e feriram mais de 1640, inclusive 42 mulheres e 24 crianças, nesta segunda-feira (23), segundo o Ministério da Saúde libanês, no que a Associated Press considerou “o ataque mais letal” desde a fracassada invasão em 2006.

O morticínio de hoje se segue ao terror desencadeado por Israel na semana passada, explodindo pagers, walkie-talkies e até painéis solares, acionados remotamente, matando indiscriminadamente dezenas e mutilando e ferindo 4 mil, curiosamente no dia seguinte dos 42 anos da chacina de Sabra e Chatila. Terror rechaçado no mundo inteiro por sua perversidade e insânia. Na sexta-feira, outro ataque arrasou até o chão dois prédios residenciais, matando 45.

A última vez que Israel havia bombardeado o Líbano nessa escala foi em 2006, quando invadiu de novo o país vizinho, mas acabou tendo de bater em retirada. Agora, os bombardeios atingiram o sul do Líbano, o Vale do Beqaa, no leste do país, e a região norte, perto da Síria.

No sul, os ataques atingiram Mays al-Jabal, Aitaroun, Houla, Taybeh, Markaba, Bani Hayyan, Jabal al-Rayhan, Bint Jbeil, Hanin, Zawtar, e a região de Nabatieh. No leste, Shaara, Harbata, Hermel, Shamstar, Taraya e Boday. Também foi bombardeada a cidade de Al-Khader na região de Baalbek.

Os ataques de Israel ao Líbano marcam uma nova fase em seus esforços para arrastar toda a região para o caos”, disse o Ministério das Relações Exteriores do país em um comunicado. Por sua vez, a chancelaria egípcia pediu que “as potências internacionais e o Conselho de Segurança das Nações Unidas intervenham imediatamente” para impedir “a perigosa escalada israelense no Líbano”. O Egito novamente expressou “solidariedade” com o Líbano e afirmou sua “total rejeição a quaisquer violações da soberania e do território do Líbano”.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, está “alarmado” com a escalada no Líbano e muito preocupado com o grande número de vítimas civis relatadas pelas autoridades libanesas, disse seu porta-voz, Stephane Dujarric. Ele reiterou a “necessidade urgente de desescalada – que todos os esforços devem ser dedicados a uma solução diplomática.”

Em uma coletiva de imprensa em Beirute, o ministro da Saúde, Firas Abiad, disse que os ataques israelenses atingiram hospitais, centros médicos e ambulâncias. Milhares de pessoas deixaram as áreas bombardeadas, rumo à capital, Beirute, congestionando estradas. O país anunciou a suspensão das aulas na terça-feira.

Como de costume, os sicários de Tel Aviv se apresentam ao mundo como as “vítimas”, mas desde o genocídio em tempo real transmitido pelas redes sociais em Gaza, que tal falsificação se desmoralizou completamente.

No final de semana, os libaneses haviam reagido à escalada terrorista, fazendo disparos de foguetes e drones contra instalações militares israelenses, no norte e alcançando Haifa.

Investigado pela Corte Internacional de Justiça da ONU por genocídio em Gaza, o regime de Netanyahu também tenta fugir de cumprir decisão do mais alto tribunal mundial que considerou “ilegal” a ocupação da Cisjordânia. Na semana passada, a Assembleia Geral da ONU aprovou por larga margem resolução determinando que Israel cumpra a ordem de desocupar em “12 meses”.

Em Gaza, ao perpetrar genocídio – 200 mil civis palestinos mortos, direta ou indiretamente, segundo a revista médica The Lancet-, Netanyahu e seus cúmplices alegam suposto “direito de defesa”; já no Líbano eles matam indiscriminadamente mas mentem dizendo que só fizeram de alvo o Hezbollah.

Como registrou a agência de notícias russa Ria Novosti, o Hezbollah é uma organização criada por xiitas libaneses “em resposta às repetidas invasões do Líbano por Israel (a última foi em 2006 e, antes disso, Israel ocupou o sul do Líbano de 1982 a 2000) e ao colapso do Estado libanês.”

Dos sete milhões de habitantes libaneses, três milhões são de fé xiita “e a grande maioria deles apoia o Hezbollah, que é uma estrutura social, econômica e militar” e um dos principais partidos libaneses, e parte do governo.

Logo após o terrorismo com pagers e walkie-talkies, o governo Netanyahu anunciou que iria estender a guerra “ao norte”, supostamente para permitir “o retorno” dos moradores próximos da fronteira com o Líbano, dezenas de milhares que se albergaram em Tel Aviv e outras cidades. Nas palavras do ministro do extermínio, Gallant, será uma “nova era” da guerra no Oriente Médio, com o “centro de gravidade se movendo para o norte”.

Como respondeu o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, “a frente libanesa não vai parar antes que a agressão em Gaza pare. Vocês não poderão devolver essas pessoas ao norte. A única maneira de fazer isso é parando a agressão a Gaza e à Cisjordânia. Este é o único caminho.”

Já o primeiro-ministro iraquiano, Mohammed Shia al-Sudani, pediu uma reunião urgente de líderes árabes à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova York. O Iraque “pede e trabalha para convocar uma reunião urgente dos líderes das delegações árabes … para rever as repercussões da agressão sionista [israelense] sobre nosso povo pacífico no Líbano e trabalhar em conjunto para impedir seu comportamento criminoso”, disse al-Sudani em um comunicado.