terça-feira, 11 de agosto de 2026

O Brasil diante dos crimes que dividem a sociedade


Imagem: Site Universidade de Lisboa

Por Jorge Antonio Carvalho*

Movimentos sociais de esquerda denunciam e combatem racismo, homofobia, feminicídio e pedofilia, enquanto setores da extrema direita tentam justificar essas práticas em nome de “conservadorismo” e “liberdade”.

O Brasil vive um tempo de tensão e escolhas. De um lado, os movimentos sociais de esquerda se levantam para denunciar e combater crimes que ferem a dignidade humana. Do outro, grupos da extrema direita tentam justificar essas práticas em nome de “liberdade” ou “valores conservadores”. No meio dessa disputa, o país segue convivendo com índices alarmantes de violência e preconceito.

Crimes como racismo, homofobia, feminicídio, pedofilia, xenofobia e capacitismo não são apenas atos isolados. Eles revelam uma estrutura de intolerância que atravessa gerações e que ainda encontra espaço nas ruas, nas redes e até nas instituições. Combater esses crimes é defender o direito básico de existir sem medo.

O Atlas da Violência 2025, produzido pelo IPEA e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que 77% das vítimas de homicídio no Brasil são pessoas negras. Isso significa que quase 90 pessoas negras são assassinadas por dia. O racismo não é uma opinião, é uma prática que mata e destrói vidas todos os dias.

A homofobia e a transfobia também seguem crescendo. Segundo o Observatório Nacional de Violência LGBTQIA+, foram mais de 10 mil casos de agressões contra homossexuais e bissexuais em 2024, além de 5.575 registros contra pessoas trans e travestis. Esses números representam pessoas reais, histórias interrompidas por ódio e intolerância.

O machismo se manifesta de forma cruel nos feminicídios. Mulheres, principalmente negras, continuam sendo assassinadas por parceiros ou ex-parceiros. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que o Brasil registra um feminicídio a cada sete horas. A violência doméstica ainda é tratada com descaso por quem prefere esconder o problema atrás do discurso da “família tradicional”.

A pedofilia e a violência sexual contra crianças cresceram mais de quatro vezes nos últimos 11 anos, segundo o Atlas da Violência. É um crime silencioso, que destrói infâncias e exige políticas públicas urgentes. Nenhuma liberdade pode justificar a exploração de crianças e adolescentes.

Enquanto isso, os movimentos sociais organizam campanhas, palestras e ações de conscientização. Falam de empatia, respeito e direitos humanos. Já setores da extrema direita insistem em dizer que denunciar racismo, homofobia ou machismo é “censura” ou “ideologia”. Essa retórica tenta normalizar o ódio e enfraquecer a luta por igualdade.

O Brasil precisa decidir que tipo de sociedade quer ser. Não se trata de escolher um partido, mas de escolher um caminho. Ou seguimos presos a discursos que legitimam a violência, ou fortalecemos quem defende a vida, a dignidade e o respeito. Nas próximas eleições, o voto deve ser um gesto de consciência um passo firme em direção a um país que não tolere o preconceito, o ódio e a indiferença.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

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