sábado, 24 de janeiro de 2026

CT no Chão, Verdades Escondidas


Foto: Redes Sociais

Por Jorge Antonio Carvalho*

O torcedor não é contra o futebol. O torcedor é contra a mentira. O que se vê hoje é um Sampaio Corrêa desmontado fora de campo e limitado dentro dele, enquanto a diretoria insiste em vender ilusões. A Bolívia Querida não é propriedade privada de ninguém. É patrimônio do povo maranhense e o povo não aceita ser enganado.

A demolição do CT, os milhões sem explicação, os documentos questionáveis e as contradições jurídicas não são “detalhes administrativos”. São sinais claros de uma gestão que perdeu qualquer compromisso com transparência. Onde estão as autoridades? Onde está o Ministério Público? Onde está a Justiça? O silêncio institucional é cúmplice da destruição de um clube histórico.

Dentro das quatro linhas, o cenário também não convence. O time masculino até respira com resultados pontuais, mas segue sem brilho, sem consistência e sem ambição. Empates em excesso, atuações apagadas e um elenco montado às pressas para tapar buracos. Isso não é projeto de futebol, é improviso para enganar arquibancada. E agora, o mesmo descaso se repete no futebol feminino.

No Campeonato Maranhense, o Sampaio Corrêa ocupa hoje a 5ª posição, com 6 pontos em 4 jogos. São 1 vitória e 3 empates, mantendo a invencibilidade, mas ainda fora da zona de classificação direta. O saldo de gols é positivo (+2), reflexo da vitória sobre o Maranhão, mas os empates em sequência mostram um elenco limitado e sem consistência. Esses números não escondem a realidade: o time respira, mas não convence.

No futebol feminino, a situação é ainda mais alarmante. O calendário nacional já está definido: o Brasileirão Feminino A3 começa em 21 de março e a Copa do Brasil Feminina em abril. São competições curtas e extremamente competitivas, que exigem preparação imediata. Mesmo assim, até agora não há elenco confirmado, comissão técnica definida ou local de treinos anunciado. O silêncio da diretoria diante de datas tão próximas é mais uma prova do descaso e da falta de planejamento.

O Sampaio é do povo. E o povo não vai se calar. A verdade vai aparecer, com ou sem a vontade dos “intocáveis”. O clube precisa voltar a ser da arquibancada, da emoção e da luta. Porque amar o Sampaio é também exigir respeito. E respeito não se pede se cobra. Seja no masculino ou no feminino, chega de enganação. É hora de mudança radical.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Exclusão Institucional: A Discriminação Contra os Anistiados da Lei 8.878/94

Foto: Sindsemp/MG

Por Jorge Antonio Carvalho*

A Lei nº 8.878/94 foi promulgada para reparar uma das maiores injustiças do governo Collor: a demissão em massa de servidores públicos. No entanto, mais de duas décadas depois, os anistiados continuam a enfrentar um sistema que os marginaliza e os mantém em um limbo funcional.

Contradições flagrantes nas normas

A Instrução Normativa nº 22/2022, emitida pelo Ministério da Economia, proíbe explicitamente que os anistiados ocupem Funções Gratificadas e cargos de chefia (Art. 37), mas permite que substituam chefes (Art. 34) sem qualquer reconhecimento ou benefício. Essa contradição não é apenas burocrática, é uma forma clara de assédio institucional que mantém os anistiados em posições subalternas, negando-lhes o direito ao mérito e à progressão.

Além disso, a Nota Técnica nº 563/2010 e a Nota Informativa nº 850/2015 reforçam essa exclusão ao vedar a atribuição de Função Gratificada a celetistas anistiados, reservando esses cargos apenas a servidores estatutários. Ou seja, mesmo que o anistiado desempenhe as mesmas funções, ele é sistematicamente excluído dos benefícios e reconhecimentos.

Outro ponto crítico é a Nota Técnica nº 395/2011, que impede a mudança de referência salarial para anistiados que completam interstícios ou obtêm nova formação acadêmica. Um empregado que conclui uma graduação, por exemplo, permanece preso à tabela salarial do ensino médio, congelando sua carreira e seus ganhos.

Impactos reais e injustos

Essa discriminação institucional tem efeitos devastadores na vida dos anistiados. O bloqueio da progressão funcional e salarial gera perdas acumuladas que comprometem a dignidade e a estabilidade financeira desses trabalhadores. O assédio institucional, manifestado pela negação do reconhecimento acadêmico e profissional, cria um ambiente tóxico e excludente.

Enquanto servidores estatutários avançam em suas carreiras por mérito e escolaridade, os anistiados ficam presos em quadros em extinção, sem perspectivas reais de crescimento. Essa situação configura uma violação dos princípios básicos de justiça e igualdade previstos na própria lei que deveria protegê-los.

A luta por reparação plena

Diante desse cenário, a mobilização sindical e política tem ganhado força. A Condsef - Confederação dos Trabalhadores no serviço Público, em sua pauta de 2026, reivindica a reestruturação das tabelas salariais, a garantia da progressão funcional, o combate ao assédio institucional e a revisão das normas discriminatórias.

Parlamentares também têm debatido a necessidade de computar o tempo fora do serviço para aposentadoria e reabrir os prazos de readmissão, buscando corrigir as distorções que ainda persistem.

A reparação prevista na Lei nº 8.878/94 permanece incompleta e simbólica. As normas atuais, especialmente a IN nº 22/2022 e as notas técnicas correlatas, funcionam como instrumentos de exclusão e assédio institucional, negando direitos básicos aos anistiados.

É urgente que o Estado reconheça essas contradições e revise as normas para garantir que a reparação seja plena, efetiva e respeitosa, devolvendo a dignidade e os direitos que foram negados por tanto tempo.

O que deveria ser um resgate de dignidade transformou-se em nova forma de exclusão. É urgente rever normas que institucionalizam o assédio contra os anistiados e garantir que a reparação seja plena, não apenas simbólica.

*Jorge Antonio Carvalho - Titular do Blog Conversa de Feira 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O suprassumo da extrema direita: Trump exporta autoritarismo e ameaça nosso continente

Foto: Ilustração

Por Jorge Antonio Carvalho*

Donald Trump não disfarça. Não mascara sua ambição sob o véu da “defesa da democracia”. Ele escancara: quer administrar a Venezuela, ocupar a Groenlândia, o México, a Colômbia e até o Canadá. É o império em decadência tentando sobreviver pela força bruta, pela rapina, pela barbárie.

O sequestro de Nicolás Maduro e da primeira-dama não é apenas um ataque à Venezuela. É um recado ao continente inteiro: ninguém está seguro. Washington reafirma que trata a América Latina como quintal, e Trump, em sua arrogância, pisa sobre tratados, leis e soberanias como quem esmaga formigas.

Agora, a escalada chega a Cuba. Depois de décadas de embargo, Trump ameaça endurecer ainda mais, exigindo submissão imediata. O recado é claro: ou Havana se curva, ou será esmagada. Mas Cuba reage com altivez, declarando que está pronta para resistir até o fim. Essa postura ecoa como símbolo de dignidade e coragem diante da prepotência imperial.

E aqui, no Brasil, a extrema direita aplaude. Parlamentares e lideranças que se dizem “patriotas” reverenciam Trump como o suprassumo de sua ideologia. Querem importar o modelo autoritário, querem ver nossa nação submetida ao mesmo jugo. É a política da servidão, travestida de nacionalismo.

Trump anuncia que abandona a ONU, que despreza regras internacionais. O que vale agora é a lei do mais forte. É o retrocesso civilizatório, a volta à barbárie. O objetivo é claro: recuperar a economia americana em declínio e sufocar a China, impedindo que nossos países fortaleçam laços comerciais com o Oriente.

Mas há uma resposta. O povo venezuelano já mostrou: mesmo cercado, ameaçado, bombardeado, resiste nas ruas, exige a libertação de seu presidente. Cuba reafirma sua disposição de lutar até a última gota de sangue. Essa é a lição: só a unidade popular e latino-americana pode deter o império.

Não há saída isolada. O Brasil não se defenderá sozinho. A América Latina não sobreviverá fragmentada. É hora de transformar indignação em ação, preocupação em unidade, resistência em projeto político.

Trump é o ditador em marcha. Se não estivermos juntos, seremos subjugados.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Exoneração de Heraldo Moreira: quando a crítica vira censura


Por Jorge Antonio Carvalho*

A exoneração do jornalista Heraldo Moreira da Rádio Timbira, veículo oficial do Governo do Estado do Maranhão, escancara um episódio que ultrapassa os limites da razoabilidade democrática. O motivo? Críticas contundentes à diretoria do Sampaio Corrêa, clube que atravessa uma crise institucional e esportiva já denunciada em diversas matérias do Conversa de Feira.

Segundo relatos, a diretoria do Sampaio levou ao secretário de Comunicação, Sérgio Macedo, a acusação de que Heraldo estaria divulgando “fake news”. A denúncia foi suficiente para que o governo decidisse pela exoneração do comunicador, mesmo diante do histórico de análises fundamentadas e provas apresentadas pelo jornalista em suas falas.

A influência do futebol no poder

O episódio ganha contornos ainda mais graves quando se observa a relação entre o clube e o governo estadual. O vice-presidente do Sampaio, Perez Paz, publicou em seu Instagram um vídeo afirmando:

“Novamente o @sampaiocorrea foi alvo de Fake News do comunicador Heraldo Moreira. Dessa vez ele quis culpar o clube de perseguição contra a imprensa em razão de sua exoneração da @radiotimbira – o que não é verdadeiro. Não tentamos silenciar ninguém. Apenas exercemos o direito de denunciar as fake news que estavam sendo divulgadas pelo comunicador. Após a apuração, o Secretário de Comunicação tomou a decisão com a finalidade de manter o padrão editorial comprometido com a verdade e com a ética.”

A fala soa como justificativa oficial de uma decisão política que, na prática, representa um silenciamento de vozes críticas. Mais do que isso: revela o quanto a atual direção do Sampaio Corrêa tenta esconder a real situação do clube, usando sua influência para transformar críticas legítimas em acusações convenientes de “fake news”.

O histórico de denúncias

O Conversa de Feira já vinha alertando para os problemas estruturais e administrativos do Sampaio Corrêa. 

Em “Sampaio Corrêa e a urgência de uma virada”, mostramos como a má gestão ameaça o futuro do clube.

Em “Sampaio Corrêa em xeque: a SAF que nunca veio”, denunciamos a ausência de transparência e a falta de soluções reais para a crise.

Essas análises não se tratam de invenções, mas de fatos documentados e debatidos publicamente. Heraldo Moreira, ao ecoar essas críticas, cumpria o papel essencial do jornalismo: questionar, investigar e expor.

Justiça em movimento

O caso não ficará apenas no campo da opinião pública. O Movimento “Sampaio é do Povo” já ingressou com ações em diversas instâncias jurídicas, buscando esclarecer os fatos e garantir que a verdade prevaleça. A expectativa é que a justiça confirme aquilo que Heraldo Moreira sempre defendeu com provas: que suas denúncias não eram fake news, mas sim retratos fiéis da crise que o clube atravessa.

Essa mobilização mostra que a sociedade não aceitará passivamente o silenciamento de vozes críticas e que a tentativa de esconder a realidade do Sampaio será desmascarada nos tribunais.

O que está em jogo

A exoneração de Heraldo Moreira não é apenas um ato administrativo. É um ataque à liberdade de imprensa e um sinal preocupante da influência de grupos privados sobre decisões governamentais. Quando um jornalista é punido por exercer seu ofício com rigor e provas, abre-se um precedente perigoso: o de que críticas fundamentadas podem ser sufocadas sob o rótulo conveniente de “fake news”.

E mais: fica evidente que a atual direção do Sampaio Corrêa prefere calar quem denuncia a enfrentar a crise que consome o clube. O silêncio imposto é a prova de que a prioridade não é resolver os problemas, mas maquiar a realidade.

Indignação necessária

Este caso exige indignação. Não apenas pela injustiça contra um profissional da comunicação, mas pelo alerta que traz à sociedade maranhense: quem controla a narrativa, controla o poder. Se o governo se curva à pressão de dirigentes esportivos, o que mais pode ser silenciado amanhã?

O Conversa de Feira reafirma seu compromisso com a verdade, com a crítica responsável e com a defesa da liberdade de expressão. Porque calar jornalistas é calar a própria democracia e esconder a crise do Sampaio não vai fazê-la desaparecer.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

domingo, 4 de janeiro de 2026

Hoje é Caracas, amanhã pode ser qualquer de nós


Jorge Antonio Carvalho*

Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos invadiram a Venezuela e levaram preso o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. A desculpa oficial foi o combate ao narcotráfico e ao tráfico internacional de cocaína. Mas quem acredita nessa conversa fiada? Esse discurso é só fachada. O verdadeiro objetivo é controlar o petróleo e as riquezas naturais, impondo sua vontade sobre os povos da América Latina.

O alerta que ecoa

O que aconteceu em Caracas não é um caso isolado. É um recado. Hoje foi a Venezuela, mas amanhã pode ser qualquer de nós: Brasil, Bolívia, Nicarágua, Cuba, ou qualquer país que ouse seguir um caminho independente.

A história mostra que os EUA sempre trataram a região como quintal. O embargo contra Cuba é prova disso. Agora, repetem a fórmula na Venezuela, tentando sufocar a soberania de um povo inteiro.

Em Brasília, ativistas protestaram em frente à embaixada norte-americana, gritando: “Tire suas patas da Venezuela!” (Metropoles).

A China exigiu a libertação imediata de Maduro e Cilia, denunciando a ação como sequestro e violação do direito internacional (TeleSUR).

E dentro da própria Venezuela, movimentos sociais chamaram o povo à unidade e resistência contra a ofensiva imperialista (Vermelho).

E agora?

O Tribunal Supremo de Justiça determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma o comando do país (TeleSUR). Mas fica a dúvida: será que os EUA vão tentar sequestrar também a vice? Se a desculpa é narcotráfico, podem inventar qualquer acusação contra qualquer liderança. O objetivo é claro: desestabilizar governos e impor sua dominação.

Nossa resposta

Não podemos assistir calados. A América Latina precisa se unir, denunciar e resistir. Hoje é Caracas, amanhã pode ser qualquer de nós. Se permitirmos que os ianques avancem, estaremos abrindo caminho para que eles ditem o futuro de toda a região.

"Ianques, tirem suas patas da Venezuela e da América Latina!"

* Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

domingo, 28 de dezembro de 2025

Carros elétricos e a Margem Equatorial: o Brasil entre o desafio e a solução

Foto: Ilustração

Nos últimos anos, os carros elétricos e híbridos têm ganhado espaço no Brasil. Em 2025, eles já representam uma fatia crescente das vendas de veículos novos. Mas uma pergunta continua ecoando entre consumidores: por que esses modelos, que prometem reduzir a poluição e ajudar o meio ambiente, ainda custam tão caro?

O principal fator está nas baterias de íon-lítio, que podem representar até 40% do valor do veículo. A produção dessas baterias exige minerais como lítio, cobalto e níquel, cuja extração e comercialização são caras e muitas vezes dependem de importação. Além disso, a tecnologia embarcada nos carros elétricos, motores sofisticados, sistemas de regeneração e softwares de gerenciamento e ainda está em fase de expansão, o que aumenta o custo final.

Outro ponto é a escala de produção. Enquanto os carros a combustão têm mais de um século de fabricação em massa, os elétricos e híbridos ainda são produzidos em menor volume. Isso significa que o preço por unidade é mais alto. No Brasil, a chegada de fábricas nacionais começa a mudar esse cenário, mas o impacto nos preços ainda é limitado.

Há também a questão da infraestrutura e impostos. Embora alguns estados ofereçam isenção ou desconto de IPVA para veículos eletrificados, a rede de recarga ainda é restrita fora dos grandes centros urbanos. Isso dificulta a popularização e mantém os custos elevados. Além disso, muitos modelos são importados, o que adiciona taxas alfandegárias ao preço final.

Apesar do valor inicial alto, os carros elétricos e híbridos podem gerar economia a longo prazo. Eles gastam menos com combustível e manutenção, já que possuem menos peças móveis e sistemas mais eficientes. Para quem roda muito na cidade, a diferença pode ser significativa. Além disso, o impacto ambiental é muito menor, ajudando a reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Reprodução/CNN

Nesse contexto, surge uma discussão estratégica:
a exploração da Margem Equatorial Brasileira (MEB). Autoridades como o presidente Lula e o ministro de Minas e Energia destacam que os recursos provenientes dessa exploração podem financiar a transição energética, modernizar a infraestrutura e fortalecer a industrialização nacional. A Petrobras e a Confederação Nacional da Indústria também defendem que, com segurança jurídica e ambiental, a MEB pode ser um motor de desenvolvimento regional e nacional.

Em resumo, ajudar o meio ambiente ainda custa caro porque a transição energética exige investimentos pesados em tecnologia, infraestrutura e produção. Mas a tendência é que, com o aumento da demanda, a produção nacional e os recursos da Margem Equatorial, os preços caiam nos próximos anos. O consumidor brasileiro já começa a perceber essa mudança, e a mobilidade sustentável avança como uma realidade cada vez mais próxima.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Prefeitura, sindicato e povo expostos; empresários escondidos

Foto: Nice Ribeiro/TV Mirante

Por Jorge Antonio Carvalho*

O sistema de transporte público de São Luís vive mais uma crise, desta vez protagonizada pela empresa 1001, que deixou de cumprir acordos firmados com a Prefeitura, o SET e o Sindicato dos Trabalhadores. A greve já se arrasta por dias e mantém 162 ônibus parados, afetando diretamente milhares de usuários que dependem do serviço para trabalhar, estudar e se deslocar pela cidade. Mais uma vez, quem paga a conta é a população, enquanto os verdadeiros donos do negócio permanecem invisíveis.

É sempre o mesmo roteiro: Prefeitura exposta em coletivas e entrevistas, Sindicato dos Rodoviários à frente das mobilizações, motoristas e cobradores dando voz às suas dificuldades, e a população sofrendo nos pontos de ônibus. O SET aparece como representante patronal, mas os empresários que lucram com o sistema nunca se mostram. Quem são essas pessoas? Onde vivem? Qual sua classe social? Por que não se expõem ao debate público? Essas perguntas ecoam sem resposta.

A invisibilidade dos empresários é conveniente. Enquanto trabalhadores enfrentam atrasos salariais e a população amarga filas e atrasos, os donos das empresas se escondem atrás da sigla do sindicato patronal. São eles que recebem subsídios milionários da Prefeitura, mas nunca aparecem para explicar o destino desses recursos ou justificar a precariedade da frota. Essa ausência de transparência é um problema estrutural que mina a credibilidade do sistema e perpetua a desigualdade de responsabilidades.

O debate sobre municipalização do transporte público deve ganhar força justamente nesse contexto. Se o sistema só funciona graças ao dinheiro público, por que continuar nas mãos de empresários privados que não se mostram e não prestam contas? A gestão pública poderia trazer maior transparência e controle social, ainda que enfrente desafios de eficiência. Mas antes de qualquer mudança estrutural, a população merece uma resposta simples: 

Quem são os donos do transporte em São Luís?

A crise atual é mais do que uma paralisação de ônibus. É um retrato da falta de transparência e da desigualdade de responsabilidades. Enquanto trabalhadores e usuários se expõem, os empresários se escondem. É hora de cobrar nomes, rostos e responsabilidades. O transporte público não é apenas um negócio: é um direito de cidadania, e a população tem o direito de saber quem lucra com sua precariedade.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Da Terra Plana às Havaianas: Pneu, Chinelos, Papai Noel e o limite da burrice

Garotos Podres - YouTube

A extrema direita no Brasil virou uma sitcom sem roteirista. Cada semana, seus atores inventam uma nova temporada de maluquices. Já tivemos o episódio da Terra Plana, o spin-off da oração para pneu e agora o especial de Natal com dois enredos: o boicote às Havaianas e a denúncia contra os Garotos Podres. É como se o país fosse governado por roteiristas de “Os Trapalhões”, só que sem a graça.

No caso das Havaianas, Fernanda Torres ousou dizer que queria que as pessoas começassem 2026 “com os dois pés”. Pronto: foi o suficiente para transformar chinelo em arma ideológica. Vídeos de gente rasgando sandália, discursos inflamados e hashtags de boicote. O Brasil, pela extrema direita, conseguiu o feito histórico de transformar um acessório de praia em símbolo da luta política. Enquanto o mundo discute inteligência artificial, aqui a briga é com borracha colorida.

Já no caso dos Garotos Podres, a polícia paulista resolveu ressuscitar uma música de 1985, “Papai Noel Velho Batuta”, como se fosse ameaça à fé nacional. Quarenta anos depois, alguém decidiu que chamar o Bom Velhinho de “porco capitalista” é ofensa religiosa. É como se o Estado tivesse descoberto o punk só agora, e achado que era perigoso demais para a sociedade. O próximo passo deve ser abrir inquérito contra o Chaves por “incitação à pobreza”.

E o mais irônico é que, enquanto o governo e políticos sérios não medem esforços para enfrentar os problemas reais, desemprego, violência, custo de vida e a necessidade urgente de melhorar a educação, a extrema direita prefere brincar de tribunal cultural. Em vez de ajudar a construir soluções, escolhem o limite da burrice: lacrar contra quem não pensa como eles. Pensar o quê? Asneira. É como se o país tivesse dois mundos paralelos: um tentando resolver a vida das pessoas, e outro transformando chinelo e Papai Noel em caso de polícia.

No fim das contas, a extrema direita no Brasil virou uma caricatura: um grupo que prefere transformar chinelo e música punk em caso de polícia enquanto a vida real exige soluções sérias. É como se estivessem presos num circo paralelo, com palhaços que não fazem rir e mágicos que só desaparecem com o bom senso. O público assiste incrédulo e se pergunta: até quando essa turma vai viver no limite da burrice, em vez de ajudar a enfrentar os problemas de verdade?

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Do púlpito ao saco preto: a moral seletiva de Sóstenes Cavalcante


Imagem: Ilustrativa da internet

Por Jorge Antonio Carvalho*

A Polícia Federal encontrou cerca de R$ 430 mil em espécie no flat funcional do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da oposição e apadrinhado do pastor Silas Malafaia. O montante estava escondido em um saco preto dentro de um armário, durante a Operação Galho Fraco, que investiga desvio de recursos da cota parlamentar por meio de contratos fictícios com locadoras de veículos.

É curioso como o deputado, conhecido por atacar o governo Lula e posar de guardião da moralidade, agora precisa explicar por que guardava tanto dinheiro em casa. A justificativa oficial? Segundo ele, seria fruto da venda de um imóvel, e o depósito não foi feito “por lapso”, afinal, quem nunca esqueceu de levar quase meio milhão ao banco?

Enquanto brada contra “corruptos” e defende golpistas, Sóstenes é pego com uma cena digna de novela: dinheiro vivo, saco preto, armário fechado. O contraste entre o discurso moralista e a prática é tão gritante que parece piada pronta. O deputado que debocha da esquerda agora precisa explicar como se tornou protagonista de uma operação policial.

A Operação Galho Fraco é um desdobramento da “Rent a Car”, que já investigava assessores parlamentares. Agora, o foco recai diretamente sobre os deputados, e Sóstenes aparece como figura central. O caso expõe não apenas um suposto esquema de desvio de verbas públicas, mas também a fragilidade da narrativa de quem se coloca como paladino da ética.

No mercado da política, Sóstenes Cavalcante vendia moralismo a granel. Mas quando a PF abriu o armário, encontrou apenas dinheiro vivo e contradição. Para quem gosta de ironia, é como se o pregador da honestidade tivesse sido flagrado com a mão na sacola, literalmente.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Congresso da Impunidade: blindagem aos golpistas e bloqueio às pautas sociais

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A maioria do Congresso Nacional tem demonstrado uma capacidade notável de articulação quando o assunto é proteger figuras ligadas ao golpismo e à extrema direita. A redução de penas e a suavização de responsabilidades de Jair Bolsonaro e seus aliados mostram como a máquina política se move com rapidez e eficiência quando o objetivo é blindar quem atentou contra a democracia.

A subordinação estrutural da política e da economia

Segundo análises críticas, o Brasil vive uma “subordinação estrutural” marcada pela financeirização e pela dependência externa. Essa lógica não apenas enfraquece a soberania nacional, mas também molda a atuação do Congresso, que se mostra mais preocupado em preservar privilégios e interesses de elites econômicas do que em aprovar medidas que beneficiem a maioria.

A resistência às pautas sociais

Enquanto a impunidade avança com vigor, projetos que poderiam melhorar a vida da população enfrentam enormes barreiras. A proposta de redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais, aprovada na CCJ do Senado, é um exemplo: apesar de representar um avanço para milhões de trabalhadores, encontra forte resistência de setores empresariais e parlamentares, que travam sua tramitação.

Para que pautas sociais avancem, é quase sempre necessário recorrer à barganha com emendas parlamentares. Essa prática transforma direitos fundamentais em moeda de troca, subordinando o interesse coletivo às negociações de bastidores. O resultado é um sistema político que privilegia acordos de conveniência e posterga reformas estruturais.

Mesmo quando pautas estruturais como a reforma tributária ou sociais como o fim da jornada 6x1 avançam na CCJ, o caminho até a aprovação definitiva é marcado por resistência, lobby e negociações intermináveis, em contraste com a agilidade demonstrada pelo Congresso na blindagem de golpistas.

Democracia enfraquecida

O contraste é evidente: quando se trata de proteger golpistas, a mobilização é imediata e eficaz; quando o tema é saúde, educação, trabalho e bem-estar social, o caminho é tortuoso e dependente de barganhas. O Congresso brasileiro reafirma, assim, sua função de guardião da impunidade e dos privilégios, deixando em segundo plano o compromisso com a democracia e com o povo.

Fontes:



domingo, 7 de dezembro de 2025

“Banco Master: a festa de fraudes que desmascara o discurso anticorrupção de Bolsonaro”

Foto:WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO
Durante seu governo, Jair Bolsonaro repetia que “não havia corrupção” em sua gestão. Mas o escândalo do Banco Master, liquidado pelo Banco Central após fraudes bilionárias, mostra o contrário: uma teia de empresários e políticos ligados ao bolsonarismo aparece no centro das investigações.

O epicentro

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal, acusado de comandar esquema de emissão de títulos sem lastro e operações internas fraudulentas, transformou o banco em uma verdadeira “festa de esquemas”. Hoje tá solto usando tornozeleira.

Os empresários cúmplices André Felipe de Oliveira Seixas Maia e Henrique Souza Silva Peretto foram presos temporariamente, ligados a empresas que participaram das fraudes, ambos já soltos, mas seguem sob investigação.

Políticos bolsonaristas Ciro Nogueira (PP), ex-ministro da Casa Civil, citado em articulações de lobby para favorecer o banco e Antônio Rueda (União Brasil): aliado político, também mencionado em movimentações de influência. Ambos representam a ponte entre o banco e o poder político em Brasília.

O caso Rioprevidência Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-diretor de investimentos do Rioprevidência, exonerado após liberar R$ 960 milhões em letras financeiras sem garantia para o Banco Master. Sua saída foi recomendada pelo Ministério Público para proteger o patrimônio previdenciário.

Ex-ministros de Bolsonaro Ronaldo Vieira Bento, ex-ministro da Cidadania. Após deixar o governo, assumiu cargos em empresas ligadas ao grupo Master. A CGU identificou irregularidades de R$ 8 milhões em descontos indevidos no Auxílio Brasil, programa que Bento comandava. Já é alvo de pedido de convocação na CPMI do INSS.

A contradição

O escândalo expõe uma incoerência brutal do discurso do ex-presidente sempre afirmando que não havia corruptos em seu governo, mas na realidade, ex-ministros, aliados e empresários ligados ao bolsonarismo aparecem no centro de um esquema bilionário.

O Banco Master não era apenas uma instituição financeira, era um palco de operações fraudulentas, sustentado por uma rede política e empresarial que orbitava o bolsonarismo.

Impacto

Esse caso mostra como a narrativa anticorrupção não resiste à realidade. A presença de ex-ministros e aliados diretos de Bolsonaro em um esquema bilionário reforça a necessidade de investigação profunda e responsabilização.

Mais do que um escândalo financeiro, o Banco Master revela como política e sistema bancário se entrelaçam em fraudes que drenam recursos públicos e fragilizam a confiança da população.


sábado, 6 de dezembro de 2025

“Corolário Trump: América Latina entre a exclusão e a intervenção”


Anunciado pelo governo americano, o chamado “Corolário Trump” reacende velhos fantasmas de intervenção na região.

O anúncio oficial

Em dezembro de 2025, o governo dos Estados Unidos apresentou uma nova Estratégia de Segurança Nacional, evocando a antiga Doutrina Monroe. A medida, apelidada de “Corolário Trump”, foi interpretada como uma tentativa de reafirmar a hegemonia norte-americana no hemisfério ocidental, ampliando presença militar e econômica na América Latina (O Globo).

Políticas contra imigrantes latinos

  • Ao mesmo tempo em que busca controlar a região, o governo Trump mantém políticas duras contra imigrantes latinos:
  • Fim do DACA, retirando direitos de jovens que cresceram nos EUA.
  • Construção do muro na fronteira com o México, símbolo de exclusão.
  • Promessa de deportações em massa, ignorando histórias de vida e contribuições sociais.
Essas medidas reforçam uma narrativa xenófoba, tratando latinos como ameaça, não como cidadãos.

Linha do tempo: Doutrina Monroe até o Corolário Trump:


Mostra os marcos históricos de 1823, 1904, 2018 e 2025, com ícones representando cada fase da Doutrina Monroe à nova estratégia de segurança anunciada por Trump.

Intervenção militar na América Latina

O “Corolário Trump” prevê:

  • Reforço da Marinha e Guarda Costeira para controlar rotas marítimas.
  • Uso de força letal contra cartéis e grupos armados.
  • Ampliação de bases militares em pontos estratégicos.
  • Expulsão de empresas estrangeiras para favorecer corporações americanas.
  • Parcerias seletivas com governos locais, muitas vezes em troca de submissão política.
Essa postura revive práticas imperialistas, tratando a América Latina como “zona de influência” e não como parceira soberana.

A contradição

O paradoxo é evidente: os EUA não aceitam os latinos como cidadãos em seu território, mas querem comandar os territórios onde vivemos. Essa incoerência revela uma visão colonialista, que reduz nossa região a peça de tabuleiro geopolítico, ignorando nossa autonomia e diversidade.

Defesa da América Latina

Como latino, é fundamental afirmar: não somos quintal de ninguém. A América Latina tem direito a decidir seu próprio destino, sem tutela externa. Nossa riqueza cultural, nossos recursos naturais e nossa força social não podem ser subordinados a interesses de Washington.

O “Corolário Trump” deve ser denunciado como ataque à soberania e à dignidade latino-americana. Cabe a nós reafirmar que somos povos com história, identidade e futuro próprios e que não aceitaremos ser tratados como subordinados em nossa própria casa.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

“Literatura, cidade e futebol: Humberto de Campos e o Sampaio Corrêa”

Foto: Blog Roteirando Slz

Por Jorge Antonio Carvalho*

O Sampaio Corrêa parte em viagem para Humberto de Campos, e não é apenas o ônibus que corta estradas e poeiras: é a própria história que se desloca, carregando consigo o peso de derrotas recentes, a sombra de gestões sem credibilidade, e a esperança tênue de que, ao chegar à cidade que leva o nome de um dos maiores escritores maranhenses, possa encontrar no espírito modernista de Humberto de Campos um espelho, uma advertência, talvez até um sopro de renovação.

Mas Humberto de Campos não é apenas o nome de um poeta. É também uma cidade costeira, de mar aberto e dunas que se movem com o vento, localizada a pouco mais de 150 quilômetros de São Luís. Com cerca de 26 mil habitantes, o município guarda uma paisagem de mangues, praias e rios que se confundem com a memória de seus moradores. Ali, o cotidiano é marcado pela pesca, pela simplicidade das feiras e pelo ritmo lento das marés, um contraste com a urgência do futebol, que exige resultados imediatos e vitórias rápidas.

Humberto de Campos

Em A Mulher Dormida, Humberto desenhou a imagem da estagnação, do corpo imóvel diante da vida que passa. O clube, atolado em gestões que não despertam confiança, lembra essa mulher adormecida, incapaz de abrir os olhos para o novo dia. Mas Humberto também escreveu O Amor Volta, lembrando que a paixão, mesmo ferida, pode renascer; que o vínculo, mesmo esgarçado, pode ser reconstruído. É nesse ponto que repousa a esperança da Bolívia Querida: acordar do torpor, reinventar-se, devolver à torcida o orgulho que se perdeu nas madrugadas de derrotas e nas tardes de apatia.

O futebol, como a literatura, é mais do que espetáculo: é expressão da cultura popular, é voz coletiva, é memória viva. Humberto de Campos, a cidade, com suas praias e mangues, lembra que o Maranhão é feito de resistência e beleza. Humberto de Campos, o escritor, lembra que é preciso romper barreiras para dar voz ao povo. O Sampaio precisa fazer o mesmo: abandonar a apatia, abrir-se ao povo, recuperar sua identidade. Só assim deixará de ser figurante e voltará a protagonizar sua própria narrativa.

Foto: Redes Sociais

Viajar para Humberto de Campos é, portanto, mais do que  uma pré-temporada: é um chamado à memória, um convite à reinvenção. Que o clube, ao pisar naquela terra, se lembre do escritor que ousou desafiar o tempo e que, como ele, encontre coragem para virar a página. Porque, no fundo, o futebol é também literatura: cada jogo é um capítulo, cada gol é uma metáfora, cada derrota é uma vírgula que prepara o renascimento da frase seguinte.

*Crônica literária jornalística de Jorge Antonio Carvalho, oficial do blogue.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

O Ouro do Cerrado: lançamento de obra inédita sobre a soja no Maranhão


Nesta sexta-feira, 28 de novembro de 2025, às 18h, na Livraria AMEI do São Luís Shopping, será lançado o livro “O Ouro do Cerrado – Origem e o Desenvolvimento da soja no Maranhão”, de autoria do Professor Doutor Roberto César Costa Cunha.

A obra é resultado de anos de pesquisa e mergulha na trajetória da soja no estado, desde os primeiros passos de ocupação até a consolidação da cadeia produtiva. O autor reúne dados inéditos, relatos de agricultores, caminhoneiros, técnicos e empresários que vivenciaram a transformação do Cerrado maranhense em um dos polos estratégicos do agronegócio nacional.

A relevância da obra

História inédita: pela primeira vez, a trajetória da soja no Maranhão é narrada de forma completa, do surgimento às frentes de expansão.

Impacto socioambiental: o livro discute as dinâmicas do Cerrado, ressaltando sua importância para comunidades locais e para a sustentabilidade futura.

Agronegócio em foco: a soja é hoje uma das principais forças econômicas do estado, com forte impacto na balança comercial e na geração de empregos.

Segundo o pesquisador, compreender essa história é essencial para pensar o futuro do desenvolvimento regional. O Maranhão, que já figura no mapa nacional da produção de soja, precisa equilibrar crescimento econômico com preservação ambiental, tema que será debatido durante o lançamento, em conversa aberta com o público.

Convite ao público

O lançamento de “O Ouro do Cerrado – Origem e o Desenvolvimento da soja no Maranhão” é aberto ao público e representa uma oportunidade única de conhecer de perto o trabalho do Professor Doutor Roberto César Costa Cunha. Mais do que prestigiar uma obra inédita, os presentes poderão dialogar com um dos principais pesquisadores sobre o agronegócio maranhense, refletindo sobre os desafios e perspectivas do setor.

📍 Livraria AMEI – São Luís Shopping
📅 28 de novembro de 2025, às 18h

Não perca a chance de participar desse encontro que une ciência, história e futuro do Maranhão.

 

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Transporte Público: São Luís precisa romper com esse modelo falido

Foto: Redes Sociais

Greves, subsídios milionários e silêncio sobre licitação mostram que o sistema atual não funciona. A hora é de discutir seriamente a municipalização.

O problema não é novo

Há mais de uma década denunciamos aqui no Conversa de Feira que o transporte público de São Luís estava em colapso. Empresários pressionavam por aumentos de tarifa, recebiam subsídios e isenções, mas entregavam ônibus sucateados e serviços precários.

Hoje, em 2025, a situação não apenas continua, ela se agravou. Greves sucessivas, atrasos salariais e paralisações prolongadas escancaram um sistema que não consegue se sustentar sem dinheiro público.

Subsídios sem transparência

A Prefeitura transfere mensalmente milhões em subsídios para manter o sistema funcionando. Os empresários alegam que só conseguem pagar salários e manter a frota rodando com esse repasse.

Mas a pergunta que não quer calar: se o sistema só existe graças ao dinheiro público, por que continuar entregando sua gestão a empresas privadas?

O silêncio da gestão

Enquanto a população sofre nos pontos de ônibus, a Prefeitura se cala sobre a licitação das linhas. A Câmara convoca audiências públicas, mas não apresenta soluções concretas.

O resultado é um círculo vicioso: crise → greve → subsídio → silêncio → nova crise.

Municipalização: solução ou utopia?

O arquiteto e urbanista Ronei Costa Martins Silva defende que a saída é clara: municipalizar o transporte público.

Se o sistema já depende de recursos públicos, por que não assumir de vez sua gestão como empresa municipal? Assim, o dinheiro do erário seria aplicado diretamente na melhoria do serviço, em vez de sustentar lucros privados.

É claro que há riscos: corrupção, aparelhamento político, má gestão. Mas esses problemas também existem na iniciativa privada. A diferença é que, com uma empresa pública, a sociedade teria mais instrumentos de controle e transparência.

O que está em jogo

Não estamos falando apenas de ônibus. Estamos falando de direito à cidade.

Sem transporte público eficiente, trabalhadores não chegam ao emprego, estudantes não chegam à escola, pacientes não chegam ao hospital.

A crise do transporte é uma crise de cidadania.

São Luís precisa decidir: Continuar alimentando um modelo privado falido, dependente de subsídios milionários.

Ou dar um passo ousado e discutir seriamente a municipalização do transporte público

Perguntas para estimular o debate

Se o transporte público de São Luís já depende de subsídios milionários, faz sentido continuar nas mãos de empresários privados?

A municipalização seria uma solução real ou apenas mais uma promessa difícil de cumprir?

Você acredita que uma empresa pública conseguiria administrar melhor o sistema ou cairíamos nos mesmos problemas de corrupção e má gestão?

Quem deve ter prioridade: o lucro dos empresários ou o direito da população a um transporte digno?

O que seria mais transparente: repassar milhões mensalmente a empresas privadas ou investir diretamente em uma frota pública administrada pela Prefeitura?

Como garantir que, em caso de municipalização, o sistema não vire cabide de empregos políticos?

O transporte alternativo (vans, moto táxis) deve ser integrado ao sistema oficial ou continuar funcionando de forma paralela?

O debate está aberto. E talvez seja hora de a população exigir que o dinheiro público deixe de ser repasse automático para empresários e passe a ser investimento direto em um sistema que funcione para quem mais precisa dele: o povo.

Fontes: