
Hoje,
segundo recentes dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Maranhão é
o estado brasileiro com maior número de conflitos no campo. Segundo
este mesmo levantamento, somente neste ano de 2012, já morreram sete
pessoas no Maranhão, por conta de disputa de terra. Entre os casos
incluídos neste ano, estão de duas mulheres grávidas, que abortaram, por
conta de ameaças promovidas por fazendeiros.
Ontem,
com os quilombolas gritando dentro do ITERMA, o presidente do órgão,
Luiz Alfredo da Fonseca, tentou evitar um escândalo maior, reduzindo a
repercussão da denúncia. Mostrando certo nervosismo, ele pediu, às 21h,
que os manifestantes dormissem fora da sede do Instituto e, pela manhã de hoje,
voltassem ao local para discutir uma pauta de reivindicação. Ele
inclusive já tinha um lugar para hospedar os manifestantes.
“Não!
Nós vamos ficar!” Disseram os quilombolas diante da proposta de um
constrangido e impaciente Luiz Alfredo. Eles mantiveram a decisão de
dormir dentro do prédio público administrado pelo governo do Estado do
Maranhão. No fim da tarde, segundo a CPT, os representantes do governo
chegaram a ameaçar mandar a polícia para retirar os manifestantes. Mas,
tudo não passou de um blefe. Na verdade, o atual governo do Maranhão,
adoraria cometer um ato de força, mas, nesta conjuntura, não tem a
mínima autoridade moral para tomar uma atitude como esta.
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E agora filha de José |
E a
revolta dos quilombolas com o atual governo do Estado é grande. Após
ocupar à sede do ITERMA, eles se concentraram no auditório do órgão e,
como gesto simbólico, tiraram a foto oficial de Roseana Sarney Murad que
se encontrava na parede.
Ao
longo do debate de ontem, os quilombolas insistiram na questão de que a
violência, por conflito agrário, campeia em todas as regiões do
Maranhão. Como exemplo recente eles falaram, além do aborto das duas
camponesas, de uma casa que foi queimada no município de Pirapemas.
Hoje, o grupo de quilombolas, assessorado pela CPT, vai encaminhar uma
carta para Roseana Sarney. O documento será divulgado para a imprensa.
Ao que tudo indica, todo oba-oba feito pela governadora e por José
Sarney, em torno da aparente “solução” do Caso Décio, não sensibilizou
nem um pouco as comunidades quilombolas do Maranhão, que diariamente são
vítimas de todo tipo de agressão, cometidas com a benção do poder
político estadual.
Fonte: Site do Jornal Vias de Fato
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