sábado, 13 de agosto de 2011

A entrevista perdida de John Lennon de 1971


Do Blog O Maxista-Leninista
Todos que já leram o Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels, e já ouviram a música Imagine, de John Lennon, já perceberam que há algumas coisas em comum.
Sendo diretamente inspirada no livro ou não, a música apresenta algumas das teses centrais do comunismo: um mundo em que as pessoas vivam em irmandade, sem nações, sem possessões, sem ganância, sem fome. O mundo todo como um só.
Encontrei em diversos sites na internet uma declaração de John Lennon em que ele diz que sua música é "virtualmente o Manifesto Comunista". Apesar de ainda não ter confirmado a veracidade de tal afirmação, os pontos de contato entre as duas obras são inequívocos.
Reproduzimos abaixo trechos da última entrevista de John Lennon, concedida em 21 de janeiro de 1971 ao jornal de esquerda The Red Mole (que ele carrega na foto ao lado).
Os recortes que escolhemos para tradução mostram John Lennon falando sobre cultura, violência e tomada do poder pelos trabalhadores.
Representaram o jornal Robin Blackburn (RB) e Tariq Ali (TA). Também foi entrevistada, junto com Lennon (JL), sua inseparável Yoko Ono (YO).
A entrevista completa - muito maior - pode ser lida aqui.

Power to the People: A entrevista perdida de John Lennon de 1971
[...]
RB: Bem, em todo caso, política e cultura estão ligados, não? Digo, os trabalhadores são reprimidos pela cultura, e não pelas armas neste momento...
JL: ...eles estão dopados...
RB: E a cultura que os dopa é aquela que os artistas podem criar ou romper com ela...
JL: É isto que estou tentando fazer com meus álbuns e nessas entrevistas. O que estou tentando fazer é influenciar todas as pessoas que posso. Todos aqueles que ainda podem sonhar e que colocam um grande ponto de interrogação em suas mentes...
[...]
Todas as revoluções acontecem quando um Fidel ou Marx ou Lenin ou quem seja, que são intelectuais, são capazes de ir aos trabalhadores. Eles conseguiram organizar uma boa quantidade de pessoas e os trabalhadores pareciam entender que estavam em um Estado opressor. Eles ainda não tinham acordado, eles ainda acreditavam que carros e televisores eram a solução. O que se deve fazer é pegar esses estudantes de esquerda e levá-los aos trabalhadores, vocês tem que pegar esses estudantes e envolvê-los com o The Red Mole.
[...]
TA: Nenhuma classe dominante em toda a história jamais entregou o poder volutariamente, e eu não vejo nenhuma mudança...
[...]
A violência popular contra seus opressores é sempre justificada. Não pode ser evitada.
YO: Mas de certa forma, a música mostrou que as coisas poderiam ser transformadas por novos canais de comunicação.
JL: Sim, mas como eu disse, nada mudou.
YO: Bem, alguma coisa mudou, e para melhor. Só estou dizendo que talvez possamos fazer uma revolução sem violência.
JL: Mas você não pode tomar o poder sem luta...
TA: Isso é o crucial.
JL: Porque quando chega na hora do "vamos ver", eles não deixarão o povo ter nenhum poder; eles darão todos os direitos para atuar e dançar por eles, mas nenhum poder real...
[...]
TA: Como você pensa que podemos destruir o capitalismo aqui, na Inglaterra, John?
JL: Acho que apenas fazendo os trabalhadores conscientes da infeliz situação em que se encontram, desconstruindo a ilusão que está à sua volta. Eles pensam que estão num país maravilhoso, com liberdade de expressão. Eles tem carros e televisores e não querem pensar que existe algo mais na vida. Estão prontos para deixarem os chefes governá-los, ver suas crianças drogadas na escola. Estão sonhando os sonhos dos outros, não é nem seu próprio sonho. Eles deveriam perceber que os negros e os irlandeses estão sendo atormentados e reprimidos e que eles serão os próximos.
Assim que tiverem consciência disso podemos começar a fazer algo. Os trabalhadores podem tomar o controle. Como Marx disse: "A cada um de acordo com sua necessidade". Acho que isso funcionaria bem aqui. Mas precisamos nos infiltrar no exército também, porque estão todos bem treinados para nos matar.
Temos que começar tudo isso a partir de onde somos oprimidos. Acho que é falso, vazio, fazer caridade aos outros enquanto sua própria necessidade também é enorme. A idéia não é dar conforto às pessoas, não fazê-las se sentir bem, mas fazê-las se sentir piores, constantemente colocando diante delas as degradações e humilhações pelas quais passam para conseguir aquilo que chamam salário mínimo.

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