segunda-feira, 25 de julho de 2011

Flavio Dino: a integração continental pelo turismo


Por Flavio Dino, na Folha de S.Paulo

Além de ser marco histórico para o Brasil, a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016 são uma conquista do continente. Juntar Copa e Jogos Olímpicos na América do Sul, em intervalo de dois anos, é fato inédito e uma oportunidade que os sul-americanos devem abraçar conjuntamente.

O Brasil apresentará incríveis opções turísticas em todo o território nacional, mas também será uma vitrine para que turistas de destinos mais distantes descubram o potencial da região. Contudo, essa não é a única nem a principal razão. O incentivo às viagens pelo continente é o caminho mais indicado para a forte expansão do setor em toda a América do Sul.

Podemos reproduzir na região um fenômeno europeu. O segredo dos números superlativos na Europa é, sobretudo, o turismo intrarregional: cerca de 80% dos turistas que viajam pela Europa são europeus. Assim, é fundamental que o Brasil se torne mais conhecido pelos turistas dos países vizinhos e que os brasileiros visitem mais o continente.

Sabemos que a consolidação de destinos ocorre a partir do equilíbrio de emissão de turistas entre os países — fato saudável que sustenta e faz ampliar a conectividade aérea e a infraestrutura de serviços. Com efeito, para que um voo entre o Brasil e um vizinho nosso seja rentável à companhia aérea, é recomendado que haja equilíbrio no número de turistas brasileiros que desejam ir ao outro país e vice-versa.

Temos avançado muito, com a ampliação da conectividade aérea e a expansão do fluxo de turistas da América do Sul. Atualmente, Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Bolívia, Colômbia e Peru figuram entre os 15 maiores mercados emissores de turistas para o Brasil. Tenho convicção de que estamos no melhor momento para alcançarmos mais avanços, na medida em que a região vive um inédito ciclo, combinando democracia política, crescimento econômico e distribuição de renda.

Penso que duas ações merecem especial relevo para alcançarmos nossos objetivos. Em primeiro lugar, podemos discutir algo similar ao Programa Calypso, iniciativa de turismo social da Comissão Europeia, que beneficia jovens, pessoas com deficiência e idosos, aproveitando os períodos de baixa temporada.

O lazer, como a Constituição brasileira define no artigo 6º, é um direito fundamental. É antieconômico e socialmente injusto que milhões não possam ter férias adequadas, enquanto milhares de quartos em hotéis permanecem vazios por absoluta falta de compradores.

Em segundo lugar, acredito que podemos organizar um Salão do Turismo da América do Sul, que reforçará nos sul-americanos a vontade de conhecer melhor o nosso próprio continente. O Brasil, um dos dez países com mais eventos internacionais no mundo, pode capitanear a iniciativa e organizar a primeira edição já em 2013, seguindo-se um revezamento entre as demais nações.

Para a Embratur, que tem como meta, até 2020, dobrar o número de turistas estrangeiros e triplicar a entrada de divisas oriundas do turismo, o desafio é mais que bem-vindo. Vamos a ele, pois, como os povos ibéricos nos ensinaram, "navegar é preciso".


 


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