terça-feira, 25 de agosto de 2026

Neutralidade de fachada: Braide é o bolsonarismo no Maranhão

Foto: Redes Sociais/Reprodução

Por Jorge Antonio Carvalho*

As eleições de 2026 no Maranhão já mostram que não serão apenas uma disputa de nomes, mas de projetos políticos. Entre alianças, cartazes polêmicos e anotações de bastidores, fica evidente que Eduardo Braide tenta se vender como “neutro”, mas na prática sua trajetória aponta para um alinhamento claro com o bolsonarismo. Essa neutralidade é mais uma estratégia de marketing do que uma posição real.

Matérias recentes revelam que Braide do PSD aparece em listas de Flávio Bolsonaro do PL e é citado como nome alinhado ao ex-presidente(veja aqui). Cartazes e articulações políticas reforçam essa ligação(veja aqui), mesmo quando ele insiste em se apresentar como figura de centro. O jogo duplo é evidente: acena para setores ligados ao presidente Lula, mas mantém proximidade com figuras bolsonaristas. Essa postura oportunista não engana quem acompanha de perto a política maranhense.

Outro ponto que merece atenção é a investida contra a candidatura de Orleans Brandão candidato pelo PMDB. As forças que acusam Orleans afirmam agir em defesa da unidade, mas na prática não fortalecem Felipe Camarão, candidato do PT apoiado diretamente pelo presidente Lula. Pelo contrário: essa estratégia equivocada abre espaço para Braide, que posa de neutro mas representa o bolsonarismo no estado.

O mais grave para a esquerda no Maranhão é que, ao tentar sufocar Orleans Brandão, setores acabam minando a própria base de apoio de Lula. Em vez de consolidar a candidatura de Camarão, essas movimentações fragmentam o campo progressista e dão fôlego ao adversário. É como se, ao tentar apagar um fogo pequeno, estivessem alimentando o incêndio maior.

As últimas pesquisas já dão sinais claros: Braide aparece crescendo, Orleans cresce pouco e Camarão não sai do lugar. Esse cenário mostra que a estratégia equivocada de atacar Orleans não fortalece o campo progressista, mas sim o candidato que representa o bolsonarismo. As forças progressistas não podem cair na esparrela de achar que Braide é o melhor para o Maranhão. O que está em jogo não é continuar com as picuinhas políticas, mas o futuro do estado e a defesa de projetos que realmente beneficiam o povo.

É preciso lembrar que o fortalecimento da candidatura de Lula significa também a continuidade e ampliação de projetos sociais que já mudaram a vida de milhares de maranhenses: programas de combate à fome, investimentos em educação, saúde e infraestrutura, além de projetos de desenvolvimento que estão em andamento no estado. O bolsonarismo não combina com isso: suas propostas são de retirada de direitos, de um governo entreguista e que representa setores que historicamente desprezam o Nordeste.

O eleitor precisa estar atento. Neutralidade de fachada não constrói futuro. O que está em jogo é mais do que uma eleição: é a manutenção ou o enfraquecimento de setores que apoiam o projeto de Lula no estado. E se a esquerda não corrigir o rumo, quem sai fortalecido é Braide, o verdadeiro representante do bolsonarismo no Maranhão.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Benedito Ribeiro, o eterno Urubuzinho, se despede deixando legado no samba maranhense

20/12/1941 – 18/08/2026 Fundador e Presidente de Honra
em memória da Escola de Samba Marambaia.

A Escola de Samba Marambaia e o bairro de Fátima estão de luto. Faleceu na noite de ontem, 18 de agosto de 2026, o fundador e presidente de honra da agremiação, Benedito Manoel Santos Ribeiro, conhecido carinhosamente como Urubuzinho ou “Biné”.

Figura histórica do carnaval maranhense, Urubuzinho foi responsável pela criação de grandes sambas da Marambaia, muitos deles em parceria com o saudoso Haroldão. Sua trajetória marcou gerações e consolidou a escola como referência cultural no bairro de Fátima.

Compositor, mestre e baluarte da cultura popular, Urubuzinho deixa um legado de música, poesia e alegria que permanecerá vivo na memória da comunidade.

Como membro da Marambaia há mais de 40 anos, testemunhei de perto sua dedicação, simplicidade e alegria. Falar de Seu Benedito é falar de música, de poesia, de olhar tranquilo e de uma vida inteira dedicada ao carnaval e ao bairro de Fátima.

Hoje, o samba chora. A cultura perde um de seus grandes mestres. O bairro de Fátima se despede de uma de suas almas mais vibrantes. Mas o legado de Urubuzinho permanece eterno: cada verso, cada batida, cada lembrança é parte de sua obra imortal.

Silêncio e respeito: o vazio deixado é imenso, mas a obra construída é eterna. Gratidão eterna: obrigado, mestre, por dedicar sua vida a ensinar, criar e elevar a nossa cultura.

Descanse em paz, Urubuzinho. Que sua última viagem seja de luz e serenidade.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

O Brasil diante dos crimes que dividem a sociedade

Imagem: Site Universidade de Lisboa

Por Jorge Antonio Carvalho*

Movimentos sociais de esquerda denunciam e combatem racismo, homofobia, feminicídio e pedofilia, enquanto setores da extrema direita tentam justificar essas práticas em nome de “conservadorismo” e “liberdade”.

O Brasil vive um tempo de tensão e escolhas. De um lado, os movimentos sociais de esquerda se levantam para denunciar e combater crimes que ferem a dignidade humana. Do outro, grupos da extrema direita tentam justificar essas práticas em nome de “liberdade” ou “valores conservadores”. No meio dessa disputa, o país segue convivendo com índices alarmantes de violência e preconceito.

Crimes como racismo, homofobia, feminicídio, pedofilia, xenofobia e capacitismo não são apenas atos isolados. Eles revelam uma estrutura de intolerância que atravessa gerações e que ainda encontra espaço nas ruas, nas redes e até nas instituições. Combater esses crimes é defender o direito básico de existir sem medo.

O Atlas da Violência 2025, produzido pelo IPEA e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que 77% das vítimas de homicídio no Brasil são pessoas negras. Isso significa que quase 90 pessoas negras são assassinadas por dia. O racismo não é uma opinião, é uma prática que mata e destrói vidas todos os dias.

A homofobia e a transfobia também seguem crescendo. Segundo o Observatório Nacional de Violência LGBTQIA+, foram mais de 10 mil casos de agressões contra homossexuais e bissexuais em 2024, além de 5.575 registros contra pessoas trans e travestis. Esses números representam pessoas reais, histórias interrompidas por ódio e intolerância.

O machismo se manifesta de forma cruel nos feminicídios. Mulheres, principalmente negras, continuam sendo assassinadas por parceiros ou ex-parceiros. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que o Brasil registra um feminicídio a cada sete horas. A violência doméstica ainda é tratada com descaso por quem prefere esconder o problema atrás do discurso da “família tradicional”.

A pedofilia e a violência sexual contra crianças cresceram mais de quatro vezes nos últimos 11 anos, segundo o Atlas da Violência. É um crime silencioso, que destrói infâncias e exige políticas públicas urgentes. Nenhuma liberdade pode justificar a exploração de crianças e adolescentes.

Enquanto isso, os movimentos sociais organizam campanhas, palestras e ações de conscientização. Falam de empatia, respeito e direitos humanos. Já setores da extrema direita insistem em dizer que denunciar racismo, homofobia ou machismo é “censura” ou “ideologia”. Essa retórica tenta normalizar o ódio e enfraquecer a luta por igualdade.

O Brasil precisa decidir que tipo de sociedade quer ser. Não se trata de escolher um partido, mas de escolher um caminho. Ou seguimos presos a discursos que legitimam a violência, ou fortalecemos quem defende a vida, a dignidade e o respeito. Nas próximas eleições, o voto deve ser um gesto de consciência um passo firme em direção a um país que não tolere o preconceito, o ódio e a indiferença.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Sampaio Corrêa é do povo: sócios afastam Sérgio Frota e iniciam nova fase



Junta Gorvernativa: Klaus Lopes, Josué Neto e Vitor Santos

Por Jorge Antonio carvalho*

O Sampaio Corrêa vive um momento histórico. Os sócios plenos decidiram pelo afastamento de Sérgio Frota e de toda a diretoria, anulando a eleição que o manteria no poder até 2029. Uma junta governativa assumiu o comando e já anunciou que várias ações administrativas serão executadas, podendo se estender por mais tempo, mas sem se prolongar indefinidamente. O recado é claro: o clube precisa de mudança real e não de maquiagem política.

A força do povo tricolor

O movimento “Sampaio é do Povo” esteve presente e se manifestou pela unidade dos movimentos sociais e torcidas organizadas. Sua voz ecoou como símbolo de resistência e legitimidade, apoiando a junta governativa e reafirmando que a Bolívia Querida não pertence a um dirigente isolado, mas sim ao povo que a sustenta nas arquibancadas e na história.

Torcidas como Tubarões da Fiel, Brava Bolívia e Velha Guarda Tricolor reforçaram esse espírito de união, mostrando que a transição precisa ser transparente e participativa. O clube não pode mais ser conduzido como propriedade privada.

O enfraquecimento da velha gestão

A antiga gestão, já fragilizada por uma eleição com apenas 16 votantes, perde ainda mais força diante da mobilização popular. O afastamento expõe a falta de representatividade e a prática de exclusão que marcaram os últimos anos. Agora, com a união dos movimentos, o espaço para perseguições internas e decisões autoritárias se reduz drasticamente.

A responsabilidade dos poderes

Não é aceitável que apoiadores políticos e membros do Judiciário se mantenham coniventes com a crise que o Sampaio atravessa. Quem insiste em defender a continuidade de um modelo enfraquecido e pouco transparente será cúmplice da decadência do clube. O povo já se posicionou: não há mais espaço para a velha política dentro da Bolívia Querida.

Mobilização da torcida centenária

Cabe agora a todos os movimentos, torcidas organizadas e cada boliviano e boliviana divulgar e mobilizar a imensa torcida centenária do Sampaio Corrêa. É a força coletiva que garantirá que essa transição não seja apenas administrativa, mas sim um verdadeiro renascimento da Bolívia Querida, com participação popular e transparência.

O futuro em disputa

O Sampaio Corrêa entra em uma fase decisiva. O futuro do clube está em disputa e dependerá da capacidade de seus sócios, torcedores e movimentos de manterem a pressão por mudanças reais. A expectativa é que as novas medidas tragam maior participação, legitimidade e transparência. O destino da Bolívia Querida não será mais ditado por conchavos políticos ou gestões frágeis, mas pela força de sua torcida centenária que exige respeito e protagonismo.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira