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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Restaurantes Populares são alternativa saudável e econômica para famílias maranhenses.


Pelo menos três vezes por semana, o casal de autônomos Gracielma Fernandes e Luis Carlos Fernandes vai ao Restaurante Popular do bairro Sol e Mar, em São Luís, para realizar uma das principais refeições do dia, o almoço. A qualidade da comida, a proximidade de casa e a economia que fazem ao almoçar no local são os principais atrativos para o casal, que agora cuida da pequena Luisa, de 10 meses. O almoço no Restaurante Popular custa apenas R$ 2.
“É uma comida balanceada, tem nutricionista, é muito gostosa e também é barata e isso faz muita diferença para a gente que é autônomo, que não tem um salário certo ao final do mês e que tem uma criança para criar. É tudo muito caro e a economia que a gente faz aqui ajuda a comprarmos as fraldas durante o mês”, relatou Gracielma Fernandes.
Além deles, aproximadamente 1.000 pessoas almoçam diariamente no Restaurante Popular do Sol e Mar. Assim como nas outras 12 unidades mantidas pelo Governo do Maranhão, na capital e no interior, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedes), o objetivo é promover a segurança alimentar de maranhenses em todas as regiões do estado.
“Os Restaurantes Populares atendem mais de 13 mil pessoas diariamente e são parte da estratégia do Governo do Maranhão para promover a segurança alimentar. Assim como as Cozinhas Comunitárias, eles são os chamados equipamentos públicos de alimentação e nutrição e integram a Rede Operacional do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan)”, explicou a secretária adjunta de Segurança Alimentar da Sedes, Lourvídia Caldas.
Desde o início de 2015, a rede de restaurantes tem sido reestruturada e ampliada. Além do Sol e Mar, na Região Metropolitana de São Luís, os Restaurantes Populares também estão presentes nos bairros da Cidade Olímpica, Coroado, Liberdade, Anjo da Guarda, São Francisco, Maiobão e em outras regiões do estado como Chapadinha, Zé Doca, Lago da Pedra, Pedreiras, e os recém-inaugurados em Grajaú e Açailândia.
Saúde e economia
Beneficiado com a ampliação da rede de Restaurantes Populares, o pedreiro Raul Denis Serra Araújo, de 29 anos, almoça e janta no restaurante do Sol e Mar de segunda a sexta-feira há dois anos. Ele também frequenta a unidade em família, com o tio e o irmão. Paciente renal crônico que necessita realizar hemodiálise regularmente, Raul possui muitas restrições alimentares e encontrou no restaurante a oportunidade de comer uma alimentação adequada e com economia.
“Aqui é uma facilidade para eu me alimentar. Tenho muitas restrições alimentares por causa do tratamento e não posso comer comida pesada e aqui a comida não pesa no sal, tem os nutrientes que a gente precisa e é por isso que eu almoço e janto aqui está com dois anos”, contou.
Quando questionado sobre o preço do prato, Raul não esconde a satisfação. “O preço é bom demais, um PF (prato feito) aqui perto custa R$12,00 e aqui a gente só paga R$ 2,00. Em casa a gente gasta com gás, na feira está tudo caro e aqui só pago R$ 2,00 numa refeição que não me faz mal”, destacou.
A auxiliar de serviços gerais e de cozinha industrial Marise Farias, desempregada há 8 meses, nos dias em que não está distribuindo currículos, leva os filhos Letícia, de 12 anos, e José Wilson, de 11 anos, para almoçar no restaurante. Além dela, família inteira gostar da comida. Marise afirma que o restaurante ameniza a situação vivenciada por conta da crise econômica.
“Se não tivesse estaria tudo mais difícil, seria muito mais caro fazer a comida em casa. A gente economiza no gás e na comida que precisaria comprar. Ainda bem que nós temos esse restaurante aqui”, contou.
Os Restaurantes Populares funcionam regularmente de segunda a sexta-feira, das 11h às 14h30 para o almoço e às 19h30 para o jantar. O preço da refeição custa apenas R$ 2,00, podendo qualquer pessoa frequentar a unidade, com prioridade para grupos sociais em situação de insegurança alimentar e nutricional.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Cerveja: o transgênico que você bebe?


Por Flavio Siqueira Júnior* e Ana Paula Bortoletto*
 
Vamos falar sobre cerveja. Vamos falar sobre o Brasil, que é o 3º maior produtor de cerveja do mundo, com 86,7 bilhões de litros vendidos ao ano e que transformou um simples ato de consumo num ritual presente nos corações e mentes de quem quer deixar os problemas de lado ou, simplesmente, socializar.
 
Não se sabe muito bem onde a cerveja surgiu, mas sua cultura remete a povos antigos. Até mesmo Platão já criou uma máxima, enquanto degustava uma cerveja nos arredores do Partenon quando disse: “era um homem sábio aquele que inventou a cerveja”.
 
E o que mudou de lá pra cá? Jesus Cristo, grandes navegações, revolução industrial, segunda guerra mundial, expansão do capitalismo… Muita coisa aconteceu e as mudanças foram vistas em todo lugar, inclusive dentro do copo. Hoje a cerveja é muito diferente daquela imaginada pelo duque Guilherme VI, que em 1516, antecipando uma calamidade pública, decretou na Bavieira que cerveja era somente, e tão somente, água, malte e lúpulo.
 
Acontece que em 2012, pesquisadores brasileiros ganharam o mundo com a publicação de um artigo científico no Journal of Food Composition and Analysis, indicando que as cervejas mais vendidas por aqui, ao invés de malte de cevada, são feitas de milho.
 
Antarctica, Bohemia, Brahma, Itaipava, Kaiser, Skol e todas aquelas em que consta como ingrediente “cereais não maltados”, não são tão puras como as da Baviera, mas estão de acordo com a legislação brasileira, que permite a substituição de até 45% do malte de cevada por outra fonte de carboidratos mais barata.
 
Agora pense na quantidade de cerveja que você já tomou e na quantidade de milho que ela continha, principalmente a partir de 16 de maio de 2007.
 
Foi nessa data que a CNTBio inaugurou a liberação da comercialização do milho transgênico no Brasil. Hoje já temos 18 espécies desses milhos mutantes produzidos por MonsantoSyngentaBasfBayerDow Agrosciences e Dupont, cujo faturamento somado é maior que o PIB de países como Chile, Portugal e Irlanda.
 
Tudo bem, mas e daí?
 
E daí que ainda não há estudos que assegurem que esse milho criado em laboratório seja saudável para o consumo humano e para o equilíbrio do meio ambiente. Aliás, no ano passado um grupo de cientistas independentes liderados pelo professor de biologia molecular da Universidade de Caen, Gilles-Éric Séralini, balançou os lobistas dessas multinacionais com o teste do milho transgênico NK603 em ratos: se fossem alimentados com esse milho em um período maior que três meses, tumores cancerígenos horrendos surgiam rapidamente nas pobres cobaias. O pior é que o poder dessas multinacionais é tão grande, que o estudo foi desclassificado pela editora da revista por pressões de um novo diretor editorial, que tinha a Monsanto como seu empregador anterior.
 
Além disso, há um movimento mundial contra os transgênicos e o Brasil é um de seus maiores alvos. Não é para menos, nós somos o segundo maior produtor de transgênicos do mundo, mais da metade do território brasileiro destinado à agricultura é ocupada por essa controversa tecnologia. Na safra de 2013 do total de milho produzido no país, 89,9% era transgênico. (Todos esses dados são divulgados pelas próprias empresas para mostrar como o seu negócio está crescendo)
 
Enquanto isso as cervejarias vão “adequando seu produto ao paladar do brasileiro” pedindo para bebermos a cerveja somente quando um desenho impresso na latinha estiver colorido, disfarçando a baixa qualidade que, segundo elas, nós exigimos. O que seria isso se não adaptar o nosso paladar à presença crescente do milho?
 
Da próxima vez que você tomar uma cervejinha e passar o dia seguinte reinando no banheiro, já tem mais uma justificativa: “foi o milho”.
 
Dá um frio na barriga, não? Pois então tente questionar a Ambev, quem sabe eles não estão usando os 10,1% de milho não transgênico? O atendimento do SAC pode ser mais atencioso do que a informação do rótulo, que se resume a dizer: “ingredientes: água, cereais não maltados, lúpulo e antioxidante INS 316.”
 
Vai uma, bem gelada?
 
Sobre os autores:
 
*Ana Paula Bortoletto é nutricionista e doutora em nutrição em saúde pública. *Flavio Siqueira Júnior é advogado e ativista de direitos humanos.