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quarta-feira, 22 de abril de 2020

Servidor é processado por oferecer dinheiro a quem agredir repórter da Globo

O servidor Marcos Sales, em foto no seu perfil público no Facebook |
Crédito: Reprodução/Facebook

Exercer o ofício de jornalista ficou um pouco mais perigoso nestes tempos em que a avenida Brasil cruzou com outras vias, digitalizadas e ferozes. Agora, um servidor público do governo do Distrito Federal (GDF) se sentiu no direito de desafiar a lei para constranger repórteres da TV Globo.

O autor da promessa de recompensa é Marcos Aurélio Neves do Rego Sales, que é “agente socioeducativo” da Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal. O seu salário líquido é de R$ 6.178,73, segundo o Portal de Transparência do GDF:



No Facebook, Marcos Sales ostenta tanto a condição de funcionário da Secretaria de Justiça e Cidadania quanto uma foto em que divulga o “Aliança pelo Brasil”, o partido que o presidente Jair Bolsonaro tenta criar.

Marcos Sales responderá a processo administrativo, que vai apurar se ele descumpriu o Estatuto do Servidor Público do Distrito Federal (Lei Complementar 840/2011). O estatuto diz que poderá incorrer em “responsabilidade civil”, ficando assim sujeito aos eventuais danos materiais decorrentes do seu ato, quem praticar ato que “resulte em prejuízo ao erário ou a terceiro”.

Também considera infração “exercer atividade privada incompatível com o exercício do cargo público ou da função de confiança”, “ofender fisicamente a outrem” e “praticar ato de assédio sexual ou moral”. Ainda conforme o estatuto, a definição da sanção disciplinar deverá levar em conta a “gravidade da infração disciplinar cometida”, “o ânimo e a intenção do servidor” e “as circunstâncias atenuantes e agravantes”. As sanções vão desde a advertência até a demissão ou destituição do cargo em comissão.

Ao contrário deste Congresso em Foco, que pôde adotar o regime de home office para toda a equipe desde 12 de março, redes de TV são obrigadas a enviar seus profissionais às ruas para gravar externas. Nós podemos usar as imagens das TVs públicas e temos descoberto as infinitas possibilidades de chegar a bons resultados fazendo entrevistas (inclusive em vídeo) ou adotando outras formas de apuração jornalística por meios remotos. O crime da Globo é o mesmo que leva hoje bolsonaristas radicais a difamarem quase todos os veículos e jornalistas profissionais do país: não rezar na cartilha do presidente que namora a volta do AI-5 e considera a doença causada pelo coronavírus “uma gripezinha”.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Novo responsável pelo aperfeiçoamento do ensino superior é criacionista

Evangélico assume a Capes falando em religião
 em vez de ciências
A instituição se chama Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, a Capes, e está ligada ao Ministério da Educação. 


O problema é que, agora, o novo presidente da Capes tem ideias retrógradas e não ter condições de aperfeiçoar nada.

Trata-se do evangélico Benedito Guimarães Aguiar Neto (foto), ex-reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.


Ao assumir o cargo, Neto defendeu a adoção do criacionismo no ensino em “contra à teoria da evolução”. 

Não se pode ter nenhum contraponto no caso simplesmente porque criacionismo é religião e a teoria de Darwin é ciência.


Lugar de religião é nas igrejas, e o do criacionismo, nas escolas.

A Universidade Mackenzie é a maior divulgadora no Brasil do criacionismo, o qual ela chama de ‘design inteligente’, segundo a qual há um criador por trás de tudo, Deus. O livro 'científico' do design inteligente é a Bíblia.

Diante das evidências apresentadas por Darwin no livro “A Origem das Espécies”, o “design inteligente” é uma piada. Não prova absolutamente nada.

Mackenzie faz proselitismo religioso travestido de ciência, todo mundo sabe. Mas como se trata de uma instituição religiosa, quem lá for estudar já sabe o que encontrará, e poderá se vacinar.

Mas não dá para aceitar que se fale em criacionismo/design inteligente em um Estado laico.

A pastora Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, já tinha falado em adotar o criacionismo no ensino.

Já passou da hora de haver uma reação firme de estudiosos, professores e cientistas.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

“Negro de esquerda é escravo”, diz novo presidente da Fundação Palmares


Sergio Camargo, presidente da Fundação Palmares
Por Erick Mota*

O secretário especial de Cultura, Roberto Alvin, está promovendo mudanças nas principais pastas sob sua coordenação. Entre elas está a troca da direção da Fundação Palmares, responsável por resguardar e fomentar a cultura afro-brasileira. Saiu o presidente Vanderlei Lourenço, e foi nomeado para o lugar Sérgio Nascimento de Camargo. O novo mandatário da pasta tem um extenso histórico de embates com negros nas redes sociais. Dentre as polêmicas ditas por ele está uma publicação que afirma que "negro de esquerda é burro, é escravo".

O novo presidente da Fundação criada para resguardar a cultura negra no país, já criticou rap, funk, capoeira e seus adeptos.

Com uma postura semelhante à do ministro da Educação, Abraham Weintraub, Sérgio promete bloquear os "esquerdistas" do seu Facebook. "Reitero: todo esquerdista será bloqueado; todo comentário de esquerdista será excluído. Não perca seu tempo aqui. Não sirvo capim!", disse o novo presidente da Fundação Palmares.

Recentemente, dezenas de marcas de móveis lançaram uma campanha para não se usar mais o nome "criado-mudo" em seus móveis, pois, segundo historiadores, este nome remete aos negros que deveriam ficar ao lado de seus patrões, segurando seus objetos, sempre mudos. Mas para Sérgio isto é o cerceamento da liberdade de expressão. "Nossa liberdade de expressão não pode ser ditada pelos que enfiam crucifixos no ânus, cagam na rua e fazem criança tocar em peladão no museu.

Ignorem listas de palavras vetadas pela esquerda", disse o novo presidente da entidade criada, também, para combater o racismo.

Para Sergio, quem escravizou os negros, foram os próprios negros e por isso, não deve haver reparação histórica. "Negros sempre ESCRAVIZARAM negros. Escravizam até hoje na África. Quer reparação histórica? Vá cobrar no Congo! Boa sorte!", disse.




*Erick Mota - Jornalista formado pelo Centro Universitário UniOpet. Trabalhou na Gazeta do Povo, Em Cartaz, filadas da TV Band e Record no Paraná, além da TV Evangelizar. Foi freelancer no Correio Braziliense







quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Moradora de rua é morta a tiros após pedir R$ 1 a homem no Rio

Extra.globo.com
Um crime bárbaro foi registrado no Centro de Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Uma moradora de rua foi assassinada com ao menos dois tiros, no fim da madrugada de sábado (16/11/2019). A Polícia Militar afirmou ao G1 que o crime teria ocorrido depois de ela pedir R$ 1 a um homem na rua.
No vídeo, Néia, como era conhecida na região, aparece falando e gesticulando. Ela vai em direção a um homem – identificado pela Polícia Civil como Aderbal Ramos de Castro -, que passa pelo local.
O homem se desvia dela, que então o acompanha. Em seguida, ele saca a arma e dá ao menos dois disparos. Uma mulher ainda tentou socorrê-la, acenando para um carro que passava pelo local, mas o motorista não parou.
Após o crime, o suspeito sai andando com a arma na mão, enquanto a vítima fica caída no meio da rua. De acordo com a Secretaria de Segurança do Rio, o homem está preso na Delegacia de Homicídios de Niterói.
Jornais locais informaram que Néia chegou a ser levada para um hospital, mas não resistiu aos ferimentos.
FONTE: Metrópoles

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

STF vai ter de impor a Constituição ao populismo teocrático, afirma socióloga


Débora Diniz saiu do país porque sofre ameaças de morte

O STF (Supremo Tribunal Federal) vai ter de zelar pela Constituição, especialmente agora, para impedir que a evangelização da política brasileira desrespeite direitos individuais, civis e fundamentais. 

A afirmação é da antropóloga Débora Diniz (foto abaixo), que é militante dos direitos da mulher e da laicidade de Estado. 

Ela diz que a teocratização da política brasileira começou há pelo menos uma década, mas o que se tem agora, com o presidente Jair Bolsonaro, é a instalação de “um populismo evangélico com um aceno militar”. 

Débora Diniz indaga, por exemplo, a que “família” Bolsonaro diz defender porque a sociedade brasileira mudou nas últimas décadas. 

“Hoje as mulheres são chefes de família, pegam um transporte público que é um horror e não há creche para seus filhos”, diz. 

“Estamos falando da família do passado? Da família em que as mulheres eram violentadas, os homens tinham múltiplas famílias?” 

Defensora da legalização do aborto e dos direitos dos homossexuais, a antropóloga tem sofrido ameaçada de morte de fundamentalistas religiosos. 

Ela pediu licença da Universidade de Brasília, onde é professora do curso de direito, foi incluída no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos do governo e saiu do Brasil.

Com informação de Paloma Oliveto, com foto de Carlos Moura/SCO/STF.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Escola afasta professora por aula sobre religião de matriz africana



Maria Firmino registrou B.O, há suspeita de
proselitismo 

A Escola de Educação Infantil e Fundamental Tarcila Cruz de Alencar, de Juazeiro do Norte (CE) [mapa abaixo], afastou a professora de história Maria Firmino (foto), 42, dos alunos após ela ter dado aula sobre religiões de matriz africana. 

Designada para serviços burocráticos, Firmino, que segue uma dessas religiões, acusa a direção da escola, servidores, pais e alunos de intolerância religiosa.



De acordo com B.O. da professora na polícia, no dia em que ela deu a aula, em 20 de abril de 2018, três estudantes manifestaram descontentamento, com suposta simulação de mal-estar.

Depois, na rua, parentes de alunos gritaram para a professora ‘sai Satanás’, ‘vou pegar essa feiticeira’ e ‘ninguém pode mais do que Deus’.

Trata-se de bordões típicos de evangélicos neopentecostais.

Mãe de uma ex-aula teria dito que a religião da professora é 'demoníaca', conforme está relatado o B.O.

A Secretaria da Educação de Juazeiro diz não ter sido informada de nada, mas a professora afirma que a titular da pasta, Maria Loreto, teve uma reunião com a direção da escola para tratar do assunto.

Se a professora se valeu da obrigatoriedade de falar sobre "patrimônio material, imaterial e natural de matriz africana”, de acordo com o currículo escolar, para proselitismo de sua religião, ela deveria ter sido advertida pela direção da escola para que respeitasse a laicidade de Estado.

Mas, se fosse uma professora evangélica ou católica fazendo pregação, provavelmente nada teria acontecido com ela.


segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Religião não pode exigir que médico deixe o paciente morrer, diz hospital




“A religião, seja qual for, não pode exigir que o médico ignore as regras fundamentais de sua profissão, colaborando, com possível óbito do paciente.” 

A afirmação é do Hospital Regional de Sorriso (MT), que, em nota, informou ter feito uma transfusão de sangue em um paciente que segue a religião Testemunhas de Jeová. 



Familiares do paciente não queriam autorizar o procedimento, que é proibido em sua religião. 

Eles queriam que o hospital usasse um equipamento do SUS que evita a transfusão. 

Na nota, o hospital disse que não existe tal equipamento e que, no caso, a única solução era a transfusão, o que foi feito. 

“A liberdade de religião ou de crença não garante o direito de exigir do Estado o custeio de tratamento à saúde segundo as práticas e regras religiosas, já que o direito social à saúde se destina a garantir às pessoas e à coletividade condições igualitárias”, afirmou a nota assinada pela diretora-geral Luciele Fernanda Benin. 

O paciente, que tinha sofrido um acidente de trânsito, passa bem.



sexta-feira, 6 de outubro de 2017

10 principais descarados do Brasil de hoje


Por Rui Daher, Jornal GGN
Quando criança, sempre que meu pai se referia a alguém como descarado, imaginava o dito sem os contornos faciais. Logo corria ao espelho e, sorte, estava tudo ali. Como na música, todos poderiam entrar em mim “pelos sete buracos da minha cabeça”. Não preciso citá-los, vocês os conhecem bem.
Isto é um descaramento”. Pronto, lá ia eu procurar pelos cômodos da casa onde estava sendo feita a cirurgia. Não encontrava sangue e logo pensava em massa de pedreiro e ferro de passar.
João Alfredo? O maior descarado”. Seria pela altura do pobre João ou mereceria ele tratamento rápido. Degola, por exemplo.
Vai encarar?” Sou dado a melancolias. Era quando sentia pena dos descarados. Nunca sabiam como responder.
– Olha, por que está me encarando?
– Quem? Eu?
Percebia o constrangimento do descarado pelos movimentos do gogó em seu pescoço. Um sobe e desce agitado, veloz, proeminente.
Ficava aflito. Certo dia, na saída do colégio, tentei intervir.
– Ô Gordo, você não percebeu que ele é descarado? Nem olha nem encara. Como pode?
– É por isso mesmo. Na dúvida, arrisco.
– Cruel, não? Já pensou a confusão que você cria na cabeça do descarado?
– E quem não tem cara tem cabeça?
– É de se pensar, Gordo. Mas acho que sim, cérebro e tudo, lá nos interiores, sabe?
– Será que ouvem sem as orelhas?
– Sabe-se lá, os ouvidos podem estar embutidos. Percebo reações de quem bem escutou e sofreu.
– Dane-se. Ele é um descarado.
Talvez, de lá até cá, tenham-se passado seis décadas sem que eu pensasse no assunto nessas bases. O tempo fizera a conotação mudar meu pensamento. O descarado mantinha todos os sete buracos, eles não estavam “mais embaixo” como é costume dizer, mas sim internalizadas em seus cérebros. Sem ideias, noções, caráter, vergonha.
A última vez que me confundi com o assunto, creio, foi por volta de 1964. Assistia num cineclube ao filme “O homem da máscara de ferro“, EUA, versão de 1939, dirigido por James Whale, e baseado na obra de Alexandre Dumas, pai. Estreava no cinema o notável ator Peter Cushing, fonte para várias adaptações cinematográficas posteriores do romance.
Um amigo, comenta: “Apesar da época, cinema ainda a evoluir, creio que o diretor descaracterizou demais o personagem”.
Prá quê? Voltei à infância e desci a Teodoro Sampaio, procurando descarados. Não importavam, ferro, massa de pedreiro ou gesso. Fiquei um tempo assim, a desvendá-los. Com o tempo, fui desencanando deles. Mesmo quando alguém assim se referiu a Fernando Collor, não dei bola.
Até que o Brasil pós-2015 fez-me entender o significado de descaramento, uma epidemia que me parece atravessará o século 21.
E como não poderia abandonar a galhofa, cito aqui dez importantes descarados do Brasil atual. Claro que não cairia na vala comum de Gilmar, Temer, Serra, Moro, Irmãos Batista, et caterva. As tristes valas deixadas pelos alemães com corpos judeus seriam insuficientes para abriga-los. Vamos lá:
1. O jornal Valor, que depois passou a ser 100% das Organizações Globo, vê a economia brasileira em franca recuperação;
2. Todas as associações patronais ou não, ligadas à imprensa, que não abriram a boca para se manifestar contra a censura e os ataques que hoje sofrem os blogs progressistas, suprimida sua liberdade de expressão digital;
3. João Dória Júnior, o Doriana, que se derrete ao primeiro calor e se entrega ao mais baixo e inculto corporativismo;
4. Ronaldo Caiado, colunista de agronegócios da Folha de São Paulo. Desde sua estreia, não escreveu um só artigo sobre o tema;
5. Sérgio D’Ávila, editor da Folha, que aproveita ter sido correspondente de guerra do jornal e genro do excepcional Hamilton Ribeiro, do Globo Rural, para não perceber o quanto o jornal desinforma a nação;
6. Luciano Huck, o boca-júnior no dizer malévolo do Pasquim sobre Flávio Cavalcanti, na época;
7. As grossíssimas pernas cruzadas e saias justas das apresentadoras da Globo News e seus equivalentes masculinos, cabelos alinhados, bigodes medievais e ternos saídos dos estoques remanescentes das Lojas Ducal;
8. Um japonesinho jovem, não sei o nome, muito feio. Pretende ser o sucessor de Jack Chan e comprovar a supremacia dos EUA;
9. Pastores religiosos, sem cabras e ovelhas, muito menos “pastando no meu jardim”, mas surrupiando dízimos de gente pobre;
10.Fernando Henrique Cardoso, que a tudo percebe, tudo entende, mas prefere rebolar em meneios de cintura, como sensacional cabrocha.
Descarados. Agora entendi.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Blumenau, os cartazes contra “negros e macumbeiros” e a Gestapo brasileira.

Por Mauro Donato*

Às vésperas da Oktoberfest, a cidade de Blumenau (SC) viu cartazes colados em postes com a seguinte mensagem: “Negro, comunista, antifa e macumbeiro, estamos de olho em você”. A imagem ameaçadora traz um encapuzado da Ku Klux Klan.

Um advogado, Marco Antonio André, teve os cartazes colados na porta de sua casa. Marco Antonio é negro e segue o Candomblé. Ele reagiu nas redes sociais: “Continuarei na minha luta por uma sociedade justa e igualitária. Farei, agora mais do que nunca, parte da Comissão da Verdade pois em Blumenau há muitas histórias que não foram contadas”, postou no Facebook.
O histórico de Blumenau não é dos melhores, mas desde 2014 os nazistas de lá andam mais atrevidos. A prática de afixar os chamados ‘lambes’ nos postes também. Naquele ano, um grupo denominado White Front colou diversos cartazes com o rosto de Adolf Hitler pela cidade.
Pelo menos dois de seus integrantes foram identificados porque não se preocuparam nem mesmo com suas postagens de apologia ao nazismo em redes sociais. Kaleb Rodrigo Frutuoso e Fabiano Antônio Schmitz foram presos.
É de Blumenau também o cidadão Wander Pugliesi. Professor de história (veja você a ironia), é ele o proprietário da famosa piscina que tem uma suástica estampada no fundo cuja imagem foi captada ao acaso em um sobrevoo e depois viralizou.
Adorador de Hitler, deu o nome de Adolf a seu filho. Faz apologia ao nazismo sem medo de ser feliz, odeia os filmes sobre o período da Segunda Guerra (considera-os mentirosos) e sua casa é praticamente um museu nazista. Objetos, livros, bandeiras, pôsteres do Fürher.
Entre as duas guerras mundiais, os imigrantes alemães vindos para cá concentraram-se no sul. Claro que nem todos eram adeptos ou simpatizantes do nazismo. Mas há que se levar em conta que o maior partido nazista fora da Alemanha pouco antes do início da Segunda Guerra ficava no Brasil.
O partido nunca foi registrado na justiça eleitoral brasileira, mas funcionou durante 10 anos, de 1928 a 1938. E Santa Catarina era o estado com o segundo maior número de nazistas. Daí compreende-se um pouco melhor a volta dessa bactéria letal. Ali é um de seus habitats.
Retornando ao ‘professor’ dono da piscina, Wander Pugliesi, ele é atuante na apologia nazista desde 1994 pelo menos. São 23 anos de dedicação a propagar a filosofia e captar adeptos. Não era de se prever que alguns frutos nasceriam?
Não é portanto de se estranhar essa Gestapo blumenauense que anda colando cartazes de cunho racista, xenófobo e higienista.
Hannah Arendt considerava os nazistas como pessoas ‘vazias de pensamento’.  Primeiramente acredito que alguém que deseje eliminar – físicamente até – ‘o outro’ não está vazio e sim cheio de ódio. E está pensando nisso noite e dia.

Bolsonaro na Oktoberfest de 2015: aí sim

Em segundo lugar, sou mais propenso a concordar com o filósofo Pablo Ortellado que considera altamente perigoso essa postura de considerar alguém como Jair Bolsonaro como intelectualmente limitado, uma aberração inofensiva, de alcance pouco expansivo.
Não apenas os índices de aceitação a candidatos como ele vêm subindo como o mundo inteiro tem dado mostras de que a extrema direita vem ganhando campo. O porque disso não caiba num espaço menor que um livro por isso não irei me alongar aqui. Mas é fato. O berço do nazismo, a Alemanha, terá que lidar a partir de agora como nada menos que 94 deputados da AfD no parlamento.
*Mauro DonatoJornalista, escritor e fotógrafo nascido em São Paulo.

FONTE: DCM

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Nem evangélicos confiam em lideranças evangélicas


Malafaia em baixa


Lideranças evangélicas estão caindo no descrédito até entre evangélicos, revela pesquisa feita pela USP e Uniesp com participantes da Marcha para Jesus de 2017 de São Paulo.

Do total dos 484 entrevistados, 54% afirmaram que não confiam no deputado-pastor Marco Feliciano (PSC-SP), 53% em relação ao prefeito-pastor Marcelo Crivella (PRB), do Rio, e 57% na eterna candidata à Presidência da República Marina Silva (Rede).

Embora não seja um líder religioso, como a Marina, o deputado ultraconservador Jair Bolsonaro (PSC-RJ) também está na lista de evangélicos tidos como pouco confiáveis, com rejeição de 57%.

Outra pesquisa feita na mesma Marcha pelo grupo Mire (Mídia, Religião e Cultura), da Universidade Metodista de São Paulo, mostra que a rejeição ao pastor Silas Malafaia subiu de 13,9% em 2016 para 25% em 2017. 

A Frente Parlamentar Evangélica também teve momentos melhores.

Na pesquisa do Mire, dos 424 entrevistados 39,39% afirmaram desconhecer os integrantes da bancada. 

Como os evangélicos continuam entre os mais conservadores da sociedade, a queda do prestígio de suas lideranças talvez faça parte de um contexto mais amplo, o da desconfiança generalizada em relação a todos que têm uma atividade política ou assemelhada.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

A mulher que fugiu para salvar dois bebês intersexuais de seus próprios pais


Há cinco anos, uma parteira no Quênia ajudou uma criança que tinha órgãos genitais masculinos e femininos a nascer.

O pai ordenou que ela matasse o bebê, mas, em vez disso, ela escondeu e criou a criança como se fosse dela. Dois anos depois, a mesma coisa aconteceu - e ela se viu obrigada a fugir para salvar a vida das crianças.

Como uma parteira tradicional no oeste do país africano, Zainab estava acostumada a realizar partos e trabalhou em dezenas de nascimentos. Mas nenhum como aquele de 2012.

Foi um parto difícil, mas nada com que ela não soubesse lidar. O cordão umbilical estava enrolado na cabeça da criança e ela precisou agir rapidamente, usando uma colher de madeira para desenrolá-lo.


Depois de liberar as vias respiratórias e limpar o bebê, ela cortou o cordão umbilical e viu algo que nunca tinha visto antes.

"Quando olhei para saber se era menino ou menina, eu vi uma protusão - esse bebê tinha órgãos masculinos e femininos", disse.

Em vez de dizer o que estava acostumada em momentos como aquele - "É um menino", ou "É uma menina" -, Zainab apenas entregou a criança à mãe e disse: "Aqui está seu bebê".

Quando a mãe, exausta, viu que o sexo do bebê não estava definido, ficou impressionada. O marido chegou e não teve dúvidas do que deveria ser feito.

"Ele me disse: 'Não podemos levar esse bebê para casa. Queremos que ele seja morto'. Eu disse que a criança era uma criatura de Deus e que não poderia ser morta. Mas ele insistiu. Então respondi: 'deixe o bebê comigo, eu o matarei para você'. Mas eu não o matei, eu fiquei com ele", conta Zainab.


O pai voltou a procurar Zainab várias vezes para garantir que ela tinha cumprido a promessa. Ela escondia a criança e dizia que havia matado o bebê. Mas isso não funcionou por muito tempo.

"Um ano depois, os pais ouviram dizer que o bebê estava vivo e vieram me ver. Disseram que eu jamais poderia revelar que o bebê era deles. Eu concordei e desde então crio a criança como se fosse minha."
Crenças tradicionais

Foi uma decisão rara - e arriscada.

Na comunidade de Zainab, assim como em outras no Quênia, um bebê intersexual é visto como mau presságio, que traz maldição para a família e os vizinhos. Ao adotar a criança, Zainab estava desrespeitando as crenças tradicionais e corria risco de ser responsabilizada por qualquer infortúnio.

Isso foi em 2012. Dois anos depois, Zainab ficou impressionada ao se deparar, durante mais um parto, com um segundo bebê intersexual.

Apesar de não haver estatísticas confiáveis sobre quantos quenianos são intersexuais (ou seja, nascem com os dois órgãos sexuais), os médicos acreditam que a incidência seja a mesma de outros países - aproximadamente 1,7% da população.

"Dessa vez, os pais não me pediram para matar a criança. A mãe estava sozinha e simplesmente fugiu, e me deixou com o bebê."

Mais uma vez, Zainab levou a criança para casa e a criou como parte da família. Mas o marido dela, um pescador no lago Victoria, não gostou da ideia.


"Quando íamos ao lago pescar e a pescaria era ruim, ele colocava a culpa nas crianças. Ele disse que elas tinham lançado uma praga sobre nós e sugeriu que eu entregasse as crianças para que ele pudesse afogá-las no lago. Eu disse que jamais permitiria aquilo. Ele então ficou violento e começamos a brigar o tempo todo", contou.

Zainab ficou tão preocupada com o comportamento do marido que decidiu deixá-lo e levar as crianças consigo.

"Foi uma decisão difícil porque financeiramente eu tinha uma situação confortável com meu marido, já tínhamos filhos criados e até netos. Mas ninguém consegue viver em um ambiente com tantas brigas e ameaças. Eu fui forçada a fugir."

As condições de nascimento de crianças vêm mudando no Quênia. Cada vez mais, as mulheres têm trocado os vilarejos por hospitais ao dar à luz. Mas até pouco tempo o uso de parteiras era regra, e havia uma norma tácita sobre como lidar com bebês intersexuais.

"Elas costumavam matar essas crianças", diz Seline Okiki, diretora do Ten Beloved Sisters, grupo de parteiras tradicionais do oeste do Quênia.

"Se um bebê intersexual nascia, automaticamente era visto como maldição e não poderia viver. Já era comum entre as parteiras - elas matavam as crianças e diziam às mães que o bebê havia nascido morto."

FONTE: Terra