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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Orçamento 2020 expõe o Bolsonaro das elites


O Poder Executivo encaminhou ao Congresso Nacional, no dia 30 de agosto, o Projeto de Lei Orçamentária Anual 2020 (PLOA 2020). Nele estão contidos todos os gastos que o governo pretende realizar no próximo ano.
O PLOA é entregue junto com o Plano Plurianual (PPA) e ambos precisam de aprovação do Legislativo até 22 de dezembro. Estes dois instrumentos do ciclo orçamentário estruturam as prioridades e gastos governamentais. O PPA, que foi analisado pelo Inesc, estabelece as diretrizes, metas e prioridades para os próximos quatro anos. Já o PLOA, possui um recorte anual e estima as receitas e despesas do governo.
Com um texto de mais de quatro mil páginas e de caráter muito técnico, o Projeto de Lei Orçamentária Anual é de difícil entendimento para a sociedade. No entanto, isso não deve inibir o controle social, visto que todos os gastos governamentais devem estar na LOA. Por isso, separamos cinco infográficos que destacam pontos importantes do PLOA.


Teto dos Gastos: para onde foram os cortes?
Após entender o que é o PLOA, vamos às suas principais informações. O total de despesas estimado no PLOA 2020 é de R$ 1,47 trilhão, enquanto a receita líquida do governo é de 1,35 trilhão – o que significa que o governo está estimando um déficit primário de R$ 124 bilhões, menor do que este ano, que foi de R$139 bilhões.
Devido à Emenda Constitucional 95, também conhecida como Teto dos Gastos, o governo não pode aumentar, para além da inflação, a maioria de seus gastos. O Teto afeta principalmente as despesas discricionárias, isto é, aquelas que o governo não tem obrigação legal de investir (como gastos com incentivo à pesquisa, modernização de hospitais e construção de estradas). Do PLOA 2019 para 2020, essas despesas sofreram um corte de 13,15%, passando de R$ 102,7 para R$ 89,1 bilhões.
Enquanto afeta duramente despesas em áreas essenciais para a promoção dos direitos humanos, incluindo educação e saúde, que têm mínimos constitucionais garantidos, o Teto dos Gastos poupa o pagamento de juros da dívida pública.
Como veremos a seguir, apenas 8 das 31 áreas de gasto assinaladas tiveram seus orçamentos aumentados. Vejamos quais áreas foram afetadas e quais foram beneficiadas pelo PLOA:

Quem depende de crédito suplementar?
Para além do Teto de Gastos, os recursos orçamentários devem obedecer à Regra de Ouro, que proíbe o governo a se endividar para cobrir gastos correntes, como salários e o custeio da máquina pública. A solução do governo tem sido colocar uma parte do orçamento condicionada à liberação de créditos suplementares pela Câmara dos Deputados. O valor que será requisitado em 2020, de acordo com o PLOA, é de R$ 367 bilhões, R$ 119 bilhões a mais do que o requisitado pelo governo em 2019.
A escolha entre qual recurso já está garantido no PLOA e qual terá que passar pelo Congresso é uma decisão política, pois fragiliza a capacidade de gasto do governo, condicionando parte dela a negociação com o Legislativo. As prioridades, logo, estão nos recursos já garantidos.
Por exemplo, o Programa Bolsa Família tem R$ 9 bilhões dependendo de crédito suplementar. Mais grave é a situação da Previdência rural, que tem 98% dos recursos à espera de aprovação, ainda sem previsão de votação no Congresso. Este ano, os créditos suplementares só foram liberados em junho.

E as estatais?
Para além dos gastos por área, outro recorte possível é olhar para o orçamento de investimento, que demonstra quanto o governo está colocando nas empresas públicas ou que possui controle acionário. Algumas empresas tiveram grandes cortes, como vemos a seguir.

Os incentivos fiscais e seu tamanho no orçamento público
É fácil se perder nos números da PLOA, pois é difícil entender o que eles significam. Uma comparação entre um ano e outro pode ajudar, como o próximo gráfico demonstra. Além disso, ele aponta para uma questão importante no Brasil, a dos incentivos tributários.
Os incentivos fiscais no Brasil não são transparentes nem avaliados, isto é, não sabemos quem se beneficia, ou se promovem o desenvolvimento e crescimento econômico. O Inesc luta pelo fim do sigilo dos gastos tributários por meio da campanha #SóAcreditoVendo. Apesar de sua opacidade, os incentivos fiscais continuam crescendo e correspondem, em média, a 20% da arrecadação do governo, o que significa três vezes o orçamento do Ministério da Educação e cem vezes o do Meio Ambiente.


sexta-feira, 6 de outubro de 2017

10 principais descarados do Brasil de hoje


Por Rui Daher, Jornal GGN
Quando criança, sempre que meu pai se referia a alguém como descarado, imaginava o dito sem os contornos faciais. Logo corria ao espelho e, sorte, estava tudo ali. Como na música, todos poderiam entrar em mim “pelos sete buracos da minha cabeça”. Não preciso citá-los, vocês os conhecem bem.
Isto é um descaramento”. Pronto, lá ia eu procurar pelos cômodos da casa onde estava sendo feita a cirurgia. Não encontrava sangue e logo pensava em massa de pedreiro e ferro de passar.
João Alfredo? O maior descarado”. Seria pela altura do pobre João ou mereceria ele tratamento rápido. Degola, por exemplo.
Vai encarar?” Sou dado a melancolias. Era quando sentia pena dos descarados. Nunca sabiam como responder.
– Olha, por que está me encarando?
– Quem? Eu?
Percebia o constrangimento do descarado pelos movimentos do gogó em seu pescoço. Um sobe e desce agitado, veloz, proeminente.
Ficava aflito. Certo dia, na saída do colégio, tentei intervir.
– Ô Gordo, você não percebeu que ele é descarado? Nem olha nem encara. Como pode?
– É por isso mesmo. Na dúvida, arrisco.
– Cruel, não? Já pensou a confusão que você cria na cabeça do descarado?
– E quem não tem cara tem cabeça?
– É de se pensar, Gordo. Mas acho que sim, cérebro e tudo, lá nos interiores, sabe?
– Será que ouvem sem as orelhas?
– Sabe-se lá, os ouvidos podem estar embutidos. Percebo reações de quem bem escutou e sofreu.
– Dane-se. Ele é um descarado.
Talvez, de lá até cá, tenham-se passado seis décadas sem que eu pensasse no assunto nessas bases. O tempo fizera a conotação mudar meu pensamento. O descarado mantinha todos os sete buracos, eles não estavam “mais embaixo” como é costume dizer, mas sim internalizadas em seus cérebros. Sem ideias, noções, caráter, vergonha.
A última vez que me confundi com o assunto, creio, foi por volta de 1964. Assistia num cineclube ao filme “O homem da máscara de ferro“, EUA, versão de 1939, dirigido por James Whale, e baseado na obra de Alexandre Dumas, pai. Estreava no cinema o notável ator Peter Cushing, fonte para várias adaptações cinematográficas posteriores do romance.
Um amigo, comenta: “Apesar da época, cinema ainda a evoluir, creio que o diretor descaracterizou demais o personagem”.
Prá quê? Voltei à infância e desci a Teodoro Sampaio, procurando descarados. Não importavam, ferro, massa de pedreiro ou gesso. Fiquei um tempo assim, a desvendá-los. Com o tempo, fui desencanando deles. Mesmo quando alguém assim se referiu a Fernando Collor, não dei bola.
Até que o Brasil pós-2015 fez-me entender o significado de descaramento, uma epidemia que me parece atravessará o século 21.
E como não poderia abandonar a galhofa, cito aqui dez importantes descarados do Brasil atual. Claro que não cairia na vala comum de Gilmar, Temer, Serra, Moro, Irmãos Batista, et caterva. As tristes valas deixadas pelos alemães com corpos judeus seriam insuficientes para abriga-los. Vamos lá:
1. O jornal Valor, que depois passou a ser 100% das Organizações Globo, vê a economia brasileira em franca recuperação;
2. Todas as associações patronais ou não, ligadas à imprensa, que não abriram a boca para se manifestar contra a censura e os ataques que hoje sofrem os blogs progressistas, suprimida sua liberdade de expressão digital;
3. João Dória Júnior, o Doriana, que se derrete ao primeiro calor e se entrega ao mais baixo e inculto corporativismo;
4. Ronaldo Caiado, colunista de agronegócios da Folha de São Paulo. Desde sua estreia, não escreveu um só artigo sobre o tema;
5. Sérgio D’Ávila, editor da Folha, que aproveita ter sido correspondente de guerra do jornal e genro do excepcional Hamilton Ribeiro, do Globo Rural, para não perceber o quanto o jornal desinforma a nação;
6. Luciano Huck, o boca-júnior no dizer malévolo do Pasquim sobre Flávio Cavalcanti, na época;
7. As grossíssimas pernas cruzadas e saias justas das apresentadoras da Globo News e seus equivalentes masculinos, cabelos alinhados, bigodes medievais e ternos saídos dos estoques remanescentes das Lojas Ducal;
8. Um japonesinho jovem, não sei o nome, muito feio. Pretende ser o sucessor de Jack Chan e comprovar a supremacia dos EUA;
9. Pastores religiosos, sem cabras e ovelhas, muito menos “pastando no meu jardim”, mas surrupiando dízimos de gente pobre;
10.Fernando Henrique Cardoso, que a tudo percebe, tudo entende, mas prefere rebolar em meneios de cintura, como sensacional cabrocha.
Descarados. Agora entendi.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Socialite que chamou Lula de “marginal” é presa saindo do Brasil com mala de dólares


Socialite que costumava defender a bandeira da 'ética' nas redes sociais e que chamou Lula de “marginal” é presa pela Polícia Federal ao tentar sair do Brasil com uma mala cheia de dólares

A Polícia Federal prendeu na tarde do último sábado (05) Isabel Christine de Mello Távora, proprietária da CVC Manaus.
Ela foi presa no momento que tentava embarcar para Miami com grande quantia em dólares no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, na zona Oeste de Manaus.
A prisão foi efetuada por policiais da Polícia Federal
De acordo com os policiais que efetuaram a prisão da Isabel, os dólares foram encontrados dentro de uma mala.
Em depoimento a infratora confessou que iria levar o dinheiro para uma pessoa desconhecida, em Miami.
Nas redes sociais, Isabel militou a favor do impeachment de Dilma Rousseff e costumava defender a bandeira da ‘ética’, ‘contra a corrupção’.
A socialite chegou a publicar uma foto ao lado de uma placa de sinalização insinuando que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era “marginal”.

Condenação de Isabel na Operação ”Farol da Colina”

Isabel já foi presa em 2007 na Operação “Farol da Colina”, pela Polícia Federal, que desencadeou uma megaoperação em sete Estados brasileiros contra doleiros e pessoas ligadas a eles, acusados de evasão de divisas, sonegação, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
Na época, o Juiz Federal da 2ª Vara da Seção Judiciária do Estado do Amazonas, Márcio Coelho de Freitas, condenou Isabel Christine de Melo Távora a 6 (seis) anos de reclusão, em regime semiaberto e ao pagamento de 140 (cento e quarenta) dias-multa à razão diária de 5 (cinco) salários-mínimos, pela prática do delito descrito no art. 22, parágrafo único, da Lei 7.492/1986 e do art. 1º, caput, VI da Lei 9.613/1998 (fls. 253/262).

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Apesar de passado nebuloso, PSDB vota em peso a favor da PEC da Corrupção

Partido teve papel destacado na manobra de Cunha por dinheiro empresarial. Experiências de corrupção não investigadas e blindagem da mídia deixam tucanos à vontade com mazelas da política.

A emenda constitucional que pretende legalizar o financiamento empresarial de campanha ganhou o apelido de "PEC da Corrupção", porque quase toda a sociedade civil organizada vê no financiamento eleitoral por bancos, empreiteiras, planos de saúde etc. a raiz da corrupção na política. Na terça-feira (26), o tema foi levado à votação na Câmara dos Deputados e rejeitado pelo plenário. Contou com 264 votos favoráveis, o que é muito, mas insuficiente para aprovar uma mudança constitucional que exige no mínimo 308 votos.

Na quarta-feira, em golpe regimental que rompeu acordos do dia anterior, o mesmo tema foi colocado em votação novamente. A desculpa foi de que na terça teria sido rejeitado o financiamento empresarial para candidatos, faltando votar o financiamento empresarial para partidos, sabendo que na prática não faz diferença. Apesar dos protestos, sobretudo do PT e PCdoB, a emenda do deputado Celso Russomanno (PRB-SP) foi aprovada com 330 votos. Russomanno provavelmente contará com contribuições do empresariado para disputar a eleição para a prefeitura de São Paulo no ano que vem.

A PEC precisa ainda passar por mais um turno de votação na Câmara. Depois, falta o Senado votar, também em dois turnos, mas pelo andar da carruagem só pressão social muito grande poderá reverter o financiamento empresarial.

O que chamou atenção foi toda a bancada do PSDB, exceto duas abstenções na terça e um único voto contrário na quarta, votarem a favor da PEC da Corrupção.

Não faltam escândalos de corrupção atingindo o tucanato relacionados a financiamento de campanha. Vejamos: o mensalão tucano na campanha do ex-governador Eduardo Azeredo (PMDB-MG); o caso do bicheiro Cachoeira atingiu o governo de Marconi Perillo em Goiás; a Lista de Furnas. onde aparecia o nome de praticamente todos os caciques tucanos; a própria operação Lava Jato, que cita o ex-presidente do partido Sérgio Guerra; o cartel dos trens em São Paulo; o aeroporto construído com dinheiro público em terras da família de Aécio Neves em Minas.

Isso para não voltarmos mais longe no tempo e recordarmos os escândalos da Pasta Rosa, do Banestado, da Privataria Tucana, da Operação Castelo de Areia e tantos outros. E tudo devidamente acobertado pela nossa mídia tradicional.

Todas essas más experiências recomendaria aos tucanos buscarem pelo menos corrigir erros do passado daqui para frente e lutarem contra o financiamento empresarial para reduzir a corrupção no sistema político e elevar a qualidade da representação popular. Por isso chega a ser surpreendente toda a bancada do PSDB persistir no erro. Chega a ser uma afronta à população que clama por um sistema político mais saudável, mais republicano, mais voltado para atender ao interesse da cidadania.

Só a impunidade de que sempre gozaram os tucanos explica essa afronta. Alguns escândalos nem sequer foram investigados, outros foram engavetados, outros caminham para a prescrição. Se Eduardo Azeredo tivesse sido julgado, se a Lista de Furnas já tivesse pelo menos sido investigada, se as centenas de denúncias no governo FHC não tivessem sido engavetadas, se as dezenas de CPIs durante os governos tucanos paulistas tivessem sido abertas, será que eles insistiriam em manter a promiscuidade entre o público e o privado que o financiamento empresarial de campanhas provoca?

O oligopólio dos meios de comunicação, que sempre blindou os tucanos de maiores desgastes no noticiário e que influencia parte do Judiciário, prejudica o próprio PSDB. Leva o tucanato à arrogância de se achar inimputável e persistir nos erros e vícios de eleições passadas, e de não querer "largar o osso" do dinheiro de bancos, empreiteiras, planos de saúde que abastecem campanhas.

Setores do Ministério Público, tanto federal como estaduais, também prestaram um desserviço quando engavetaram investigações graves que deveriam ser feitas. E até hoje dão menor atenção em muitos casos quando os suspeitos são tucanos. A impunidade deseduca e leva quem não tem escrúpulos a avaliar que o crime compensa. E levou à arrogância do PSDB de votar a favor da PEC da Corrupção sem a menor cerimônia, contra toda a sociedade organizada que luta por uma reforma política que combata as causas da corrupção pela raiz do financiamento empresarial.

Voto vencido na terça-feira, o líder da minoria, o deputado tucano Bruno Araújo (PSDB-PE) persistiu no erro e se aliou ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para colocar o tema em votação novamente.

Araújo usou um argumento que beira o cinismo. “Vários deputados disseram que votaram contra porque a emenda autorizava a doação de pessoa física”, disse. Ora, todo mundo sabe que quase não há resistência à doação de pessoas físicas, impondo limites. O que está em questão é doação de empresas.

Araújo passou a quarta-feira fazendo acordos para garantir mais votos necessários à aprovação ao financiamento de empresas aos partidos. “As brigas ficaram para trás. Todos estão se mobilizando para garantir os 308 votos para a aprovação do texto do relator. Porque, caso contrário, vamos ampliar o caixa 2”, disse. Como se vê, o tucano está tão mal acostumado à impunidade que admite com uma naturalidade impressionante o cometimento de um crime.

Na derradeira votação de quarta-feira, só cinco partidos votaram contra a PEC da Corrupção: PT, PCdoB, PDT (exceto dois deputados), Psol e PPS. Votaram a favor o PMDB, PSDB, PP, PSD, DEM, PTB, PR, PRB, Solidariedade, PSC, PHS, PEN, PTN, PMN, PRP, PSDC, PRTB, PTC, PSL, PTdoB. Ficaram em cima do muro o PSB e o PROS, que liberaram a bancada.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Em tempo: O panelaço da barriga cheia e do ódio

 
Nós, brasileiros, somos capazes de sonegar meio trilhão de reais de Imposto de Renda só no ano passado.
 
Como somos capazes de vender e comprar DVDs piratas, cuspir no chão, desrespeitar o sinal vermelho, andar pelo acostamento e, ainda por cima, votar no Collor, no Maluf, no Newtão Cardoso, na Roseana, no Marconi Perillo ou no Palocci.
 
O panelaço nas varandas gourmet de ontem não foi contra a corrupção.
 
Foi contra o incômodo que a elite branca sente ao disputar espaço com esta gente diferenciada que anda frequentando  aeroportos, congestionando o trânsito e disputando vaga na universidade.
 
Elite branca que não se assume como tal, embora seja elite e branca.
 
Como eu sou.
 
Elite branca, termo criado pelo conservador Cláudio Lembo, que dela faz parte, não nega, mas enxerga.
 
Como Luís Carlos Bresser Pereira, fundador do PSDB e ex-ministro de FHC, que disse.
 
“Um fenômeno novo na realidade brasileira é o ódio político, o espírito golpista dos ricos contra os pobres. 
O pacto nacional popular articulado pelo PT desmoronou no governo Dilma e a burguesia voltou a se unificar. 
Surgiu um fenômeno nunca visto antes no Brasil, um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, a um partido e a um presidente. 
Não é preocupação ou medo. É ódio. 
Decorre do fato de se ter, pela primeira vez, um governo de centro-esquerda que se conservou de esquerda, que fez compromissos, mas não se entregou. 
Continuou defendendo os pobres contra os ricos. 
O governo revelou uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres. 
Nos dois últimos anos da Dilma, a luta de classes voltou com força. 
Não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia insatisfeita. 
Quando os liberais e os ricos perderam a eleição não aceitaram isso e, antidemocraticamente, continuaram de armas em punho. 
E de repente, voltávamos ao udenismo e ao golpismo.”
Nada diferente do que pensa o empresário também tucano Ricardo Semler, que ri quando lhe dizem que os escândalos do mensalão e da Petrobras demonstram que jamais se roubou tanto no país. 
“Santa hipocrisia”, disse ele. “Já se roubou muito mais, apenas não era publicado, não ia parar nas redes sociais”.
Sejamos francos: tão legítimo como protestar contra o governo é a falta de senso do ridículo de quem bate panelas de barriga cheia, mesmo sob o risco de riscar as de teflon, como bem observou o jornalista Leonardo Sakamoto.
Ou a falta de educação, ao chamar uma mulher de “vaca” em quaisquer dias do ano ou no Dia Internacional da Mulher, repetindo a cafajestagem do jogo de abertura da Copa do Mundo.
Aliás, como bem lembrou o artista plástico Fábio Tremonte: “Nem todo mundo que mora em bairro rico participou do panelaço. Muitos não sabiam onde ficava a cozinha”.
Já na zona leste, em São Paulo, não houve panelaço, nem se ouviu o pronunciamento da presidenta, porque faltava luz na região, como tem faltado água, graças aos bom serviços da Eletropaulo e da Sabesp.
Dilma Rousseff, gostemos ou não, foi democraticamente eleita em outubro passado.
Que as vozes de Bresser Pereira e Semler prevaleçam sobre as dos Bolsonaros é o mínimo que se pode esperar de quem queira, verdadeiramente, um país mais justo e fraterno.
E sem corrupção, é claro

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A volta dos que não foram

 
Você aguenta mais um post sobre política partidária? Ainda estou no clima.
O choro dos maus perdedores continua forte. Semana passada o PSDB entrou com pedido de recontagem dos votos, baseando-se em boatos da internet (sabe, os mesmos que juraram que Dilma havia derrubado o avião de Eduardo Campos no dia 13 de agosto). 
Amanhã, Aécio volta ao senado, "evento" que vem sendo saudado pelos reaças como discurso do grande líder da oposição no Brasil (pelo jeito, o fato do senador Aécio comparecer ao Senado -- ele foi um dos mais faltosos -- é por si só um grande evento).
No sábado, eleitores inconformados de Aécio foram às ruas pedir um terceiro turno. A maior manifestação, como não poderia deixar de ser, foi na Av. Paulista, em SP. Reuniu cerca de 2.5 mil pessoas, segundo a PM, e 40 mil, segundo os organizadores, que não existem, já que o "movimento" insiste em se dizer "apartidário" e "espontâneo". Não sei se o PSDB já entrou com pedido de recontagem de quantas pessoas estavam na manifestação. 
Alguns gritos de ordem na protesto foram "Um dois três, Lula no xadrez", "Vai pra Cuba! Vai pra Cuba!", e "Fora PT". Os cartazes falavam em fraudes nas urnas, exigiam o impeachment de Dilma, chamavam o PT de corruPTo, clamavam por liberdade (porque parece que realmente estamos vivendo numa ditadura comunista/gayzista/feminazi em que a imprensa não tem nem mais o direito de apoiar seu candidato). 
Em cima do carro de som, que também deve ter aparecido lá espontaneamente (tava passando, alguém chamou, e ele foi parar bem ali, em frente ao Masp), Lobão -- aquele que voltou atrás e não se mudou pra Miami -- discursava que o Brasil não é Venezuela, Argentina (outra ditadura, segundo a direita), ou, sempre ela, Cuba.  
Alguns cartazes pediam também "intervenção militar", tucanês pro velho golpe de estado. Os jornais que cobriram as manifestações repararam nesse "detalhe", que, óbvio, está longe de ser um detalhe. 
É só acompanhar alguns reaças nas redes sociais que palavras-chave como intervenção sempre aparecem, disputando lugar de igual pra igual com impeachment e Bolsa Esmola (como eles odeiam os beneficiários do Bolsa Família!). 
Porém, o PSDB, ao ver esses cartazes golpistas, que desprezam a democracia, que têm nostalgia por um período da nossa história que nunca deveria voltar, fez o de sempre: culpou os outros. O senador Álvaro Dias afirmou que as faixas pedindo golpe militar haviam sido "plantadas" pelo governo pra tumultuar. 
Petistas infiltrados seguram faixa
Eram petistas infiltrados, assim como o eram todos aqueles reaças no Twitter que xingaram nordestinos desde o primeiro turno. Em vez do PSDB dar uma dura em seus eleitores, inventou que aqueles perfis eram de militantes petistas fingindo ser tucanos preconceituosos. 
O Secretariado Nacional da Mulher do PSDB lançou uma nota oficial repudiando não exatamente o pedido de intervenção militar, mas que a imprensa tenha destacado um único cartaz, "caso isolado", para resumir o movimento (ironicamente, a nota nunca explica que movimento é esse: movimento pelo quê? Contra quem? De quem?). Ahn, quantos cartazes o PSDB precisa ver para se convencer de que não se trata de um caso isolado?
O caso isolado da manifestação em
Balneário Camboriú
Rodrigo Constrangido (colunista da Veja, apelidado de "Constrangido" após pedir perdão -- sério! -- ao Beto Carrero World, que ele comparou com a Disney, ironizando o parque brasileiro; ele se desculpou ao ser comunicado que o prefeito de Penha, cidade que hospeda o parque, é do PSDB) se posicionou contra os pedidos de "SOS Forças Armadas". 


Pedido de SOS também a Casa Branca
Porém, emendou que, se o impeachment de Dilma não for aprovado, ele será o primeiro a pedir intervenção militar. Por enquanto, segundo ele, é muito cedo. Só por enquanto.
 
Fora isso, eleitores indignados continuaram dando exemplos de como respeitam a democracia:


Porteiros não votaram no meu candidato, vou me vingar
 

A empregada pagou o pato

Comentário hoje num blog de direita
Eu ia escrever sobre os presidenciáveis para 2018, mas este post já está longo e eu preciso correr pra faculdade. Você vai precisar aturar mais um post sobre política partidária.
 
 
 
Em Vitória, protesto reuniu cerca de 50 pessoas. Mais que as Marchas com Deus 
pela Liberdade, em março
 
Fonte: Reproduzido do Blog Escreva Lola Escreva

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Aécio não explica nepotismo, desvios na Saúde e publicidade milionária nas emissoras da sua família.

Campanha de Aécio só diz que ele é "santo"
O candidato tucano Aécio Neves saiu do debate na TV Bandeirantes, na madrugada desta quarta-feira, com assuntos pendentes junto à opinião pública. Acusado de nepotismo e de promover uma onda de censura à imprensa em Minas Gerais, Estado que governou ao longo de oito anos, Aécio Neves também não respondeu à denúncia da adversária petista, Dilma Rousseff, de desvios na área da Saúde, que somam R$ 7,6 bilhões, e transferências milionárias de recursos públicos para rádios da família Neves.
 
Sobre a questão do nepotismo, Neves saiu-se com uma evasiva, sem admitir, como já havia feito anteriormente, ter sido contratado para trabalhar na Câmara dos Deputados, que fica em Brasília, mesmo enquanto ainda morava no Rio de Janeiro, em 1980. Na época, tinha 19 anos. Em nota recente, o tucano disse que cuidava da agenda do deputado Aécio Ferreira da Cunha – seu pai – que exercia mandato no Partido Democrático Nacional (PDS), sigla sucessora da Arena, legenda criada pela ditadura militar.
 
De acordo com a nota emitida pela assessoria de imprensa de Aécio, não havia qualquer irregularidade no fato de ele estudar no Rio e trabalhar para o gabinete do papai. Os ocupantes de cargos na Câmara só passaram a ter que atuar em Brasília a partir de 2010, segundo o texto. A questão do nepotismo, porém, pareceu inexpressiva para o atual candidato à Presidência da República. Em sua biografia oficial, porém, Aécio Neves omite o período em que trabalhou remotamente para o mandato paterno.
 
Rádios milionárias
 
No debate, Dilma pediu que o adversário esclarecesse quanto pagou, em dinheiro público, aos meios de comunicação que sua família controla do Estado de Minas Gerais. Nem ele, nem o atual governo mineiro, no entanto, divulgam informações precisas sobre despesas que o então governador realizou na veiculação de publicidade oficial em três rádios e um jornal de seus parente, entre 2003 a 2010, período em que esteve à frente da máquina pública. Em relatório, divulgado no início da semana, o atual governo reconhece que as empresas da família Neves receberam repasses milionários, em publicidade, no período em que ocupava o Palácio da Liberdade. Mas recusa-se a dizer, exatamente, quanto pagou.
 
A família do presidenciável tucano controla a Rádio Arco Íris, retransmissora da Jovem Pan em Belo Horizonte, e as rádios São João e Colonial, de São João del Rei, além do semanário Gazeta de São João del Rei. Aécio é sócio da Arco Íris com a irmã mais velha, Andrea, e a mãe, Inês Maria Neves Faria. Quando o irmão era governador, Andrea Neves era coordenadora do grupo de assessoramento do governo que tinha como atribuições “estabelecer diretrizes para a política de comunicação” e “manifestar-se previamente sobre a relação de despesas com publicidade”, de acordo com o decreto que o regulamentou.
 
Em 2011, a pedido do PT, o Ministério Público de Minas Gerais apurou, junto ao governo, que a rádio Arco Íris recebera R$ 210.693 no ano anterior e aguardava um levantamento detalhado sobre os gastos desde 2003, mas esses dados, até agora, permanecem sigilosos. Procurada, a assessoria da campanha do candidato tucano preferiu não se manifestar. Na véspera, o candidato do PSDB à Presidência já havia tangenciado a questão e afirmou a jornalistas que “não tem ciência” dos números sobre o quanto o governo de Minas Gerais transferiu, em forma de publicidade, às rádios e ao jornal da família.
 
Neves mostrou-se irritado com as perguntas dos repórteres e disse apenas que a pergunta devia ser feita ao governador de Minas – Alberto Pinto Coelho, do PP, seu aliado.
 
– Não tenho ciência destes números, mas estimulo o governo que os dê. Tem que perguntar ao governador de Minas. Não sou governador – disse Neves, de forma ríspida, em rápida coletiva na capital paulista.
 
A propriedade da rádio por Aécio, a irmã Andrea Neves e a mãe, Inês Maria Neves Faria, veio a público em abril de 2011, quando o senador teve a carteira de habilitação apreendida durante uma blitz da Lei Seca no Rio. Ele dirigia um Land Rover, comprado no ano anterior em nome da emissora. Aécio tornou-se sócio da Arco Íris em dezembro de 2010 quando já tinha deixado o governo. No período em que Aécio era governador, Andrea Neves já integrava o Núcleo de Comunicação Social do Governo – que tratava da publicidade do Executivo.
 
Irmã poderosa
 
Andrea Neves, irmã do Aécio
A jornalista Andrea Neves chegou a receber a alcunha de “primeira irmã da república das Gerais”. Ela, segundo a Wikipedia “fez parte do Grupo Técnico de Comunicação do Governo de Minas Gerais. Trata-se de um núcleo de trabalho que reúne os responsáveis pelas áreas de comunicação dos órgãos da administração direta e empresas públicas, entre outros, para estabelecer as diretrizes e a execução das políticas de prestação de contas do governo estadual à população. O grupo atua de forma colegiada e tem caráter consultivo e de assessoramento”.
 
“À frente do Grupo Técnico de Comunicação do Governo, Andrea despertou som e fúria, dependendo do gosto e do partido do freguês. Aos olhos da situação, ela teve papel fundamental na construção da imagem de Aécio como gestor competente que saneou as finanças do Estado”, acrescenta o jornalista Luiz Carlos Azenha, em seu blog.
 
Ainda segundo reportagem publicada no blog do Azenha, a principal tarefa da irmã de Aécio Neves era servir como um “tentáculo do irmão esticado em direção à mídia, que se valeu dos mais variados instrumentos para afagar ou sufocar veículos de comunicação.
 
Durante o governo de Aécio Neves, Andrea foi acusada de manejar as verbas de publicidade do Estado de acordo com os interesses políticos de Aécio e de influir na imprensa mineira, a ponto, inclusive, de provocar a queda de jornalistas pouco simpáticos ao governo. Deputados da oposição chegaram a apresentar denúncias formais contra Andrea, imputando a ela e ao irmão desvio de recursos da área de comunicação do governo”.
 
O vídeo intitulado Liberdade, essa palavra, foi veiculado com depoimentos de comunicadores censurados:
 
Liberdade, essa palavra – Parte 1.

 
 
Liberdade, essa palavra – Parte 2.
 
 
Citada no vídeo, Heloísa Neves – mencionada por Marco Nascimento (na Parte 1) era assessora do governador, subordinada a Andrea Neves. Trata-se da ex-mulher do jornalista e publicitário Eduardo Guedes, que por sua vez assessora Aécio Neves – e é um dos réus do mensalão tucano, acusado de desviar R$ 3,5 milhões para a empresa de Marcos Valério.
 
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, Andrea Neves é a responsável por comandar a comunicação da campanha do tucano à Presidência.