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quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Maior operação contra crime organizado no País atinge Faria Lima e setor de combustíveis

Avenida Faria Lima (foto: Ilustração)

A
Avenida Faria Lima, principal centro financeiro do País, amanhece nesta quinta-feira, dia 28, com equipes da Polícia Federal, Polícia Militar, Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) além de agentes e fiscais das Receitas Estadual e Federal. Trata-se da Operação Carbono Oculto, a maior feita até hoje para combater a infiltração do crime organizado na economia formal do País.

Ao todo 1.400 agentes estão cumprindo 200 mandados de busca e apreensão contra 350 alvos em dez Estados contra envolvidos no domínio de toda a cadeia produtiva da área de combustíveis, parte da qual foi capturada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Só a Faria Lima concentra 42 dos alvos – empresas, corretoras e fundos de investimentos – em cinco endereços, incluíndo alguns edifícios icônicos da região.

De acordo com as autoridades, a principal instituição de pagamentos investigada, a BK Bank, registrou R$ 17,7 bilhões em movimentações financeiras suspeitas. A Receita Federal estima que o esquema criminoso tenha sonegado R$ 1,4 bilhão em tributos federais. O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado de São Paulo (CIRA/SP) pediu à Justiça o bloqueio de bens para recuperar os tributos estaduais sonegados, que somam R$ 7.672.938.883,21.

As investigações apontam para uma dezena de práticas criminosas, desde crimes contra a ordem econômica, passando por adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro — inclusive do tráfico de drogas —, além de fraude fiscal e estelionato.

Os acusados teriam obtido parte do domínio da cadeia produtiva do etanol, da gasolina e do diesel por meio da associação de dois grupos econômicos e por suas ligações e com operadores suspeitos de lavar dinheiro para o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. Além da lavagem de dinheiro do PCC, os promotores do Gaeco afirmam que a organização investigada manteria um esquema gigantesco de ocultação de posições societárias, de rendas e de patrimônio.

A Justiça decretou a indisponibilidade de quatro usinas de álcool no Estado, cinco administradoras de fundos de investimentos, cinco redes de postos de gasolina com mais de 300 endereços para venda de combustíveis no País. Ao todo são investigadas 17 distribuidoras de combustível, quatro transportadoras de cargas, dois terminais de portos, duas instituições de pagamentos, seis refinadoras e formuladoras de combustível, além dos bens de 21 pessoas físicas e até uma rede de padarias.

Outro ponto importante da ação do grupo estaria na importação irregular de metanol por meio do Porto de Paranaguá (PR). O produto não seria entregue aos destinatários finais das notas fiscais. Em vez disso, era desviado e transportado clandestinamente por uma frota de caminhões própria da organização a fim de ser entregue em postos e distribuidoras para adulterar a gasolina, gerando “lucros bilionários à organização”.

A Faria Lima e as usinas sucroalcooleiras

Após dominar parte do setor – segundo o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) o setor representa 10% do PIB nacional, gera 1,6 milhão de empregos diretos e indiretos, fatura anualmente R$ 420 bilhões e recolhe cerca de R$ 130 bilhões em impostos – os bandidos procuravam blindar seu patrimônio contra investigações e aumentar seus lucros no mercado financeiro. É aí que a Faria Lima entrou no roteiro da operação.

Só na região da Avenida que corta o coração da região que concentra a nata do mercado financeiro brasileiro, federais, promotores e fiscais estão vasculhando os escritórios onde funcionam 14 fundos imobiliários e 15 fundos de investimentos administrados por cinco empresas. Além dos alvos na avenida, a força-tarefa da operação foi atrás de outros 22 na região. Ao todo, 21 endereços estão sendo varridos na capital, além de 32 em outras 18 cidades do interior.

São cinco os núcleos da organização criminosa que estão sendo investigados. O principal é formado pelos empresários Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Loco, e Mohamad Hussein Mourad, do antigo grupo Aster/Copape. Eles teriam se associado ao Grupo Refit (ex-Manguinhos), do empresário Ricardo Magro, que foi advogado do ex-deputado federal Eduardo Cunha.


Os acusados, segundo as investigações da PF e o Gaeco, expandiram suas atividades empresariais sobre toda a cadeia de produção e venda de combustíveis do País financiados pelo dinheiro ilícito, que lhes permitiu aumentar de forma exponencial seu poder econômico e político, financiando lobistas poderosos em Brasília. O Estadão não conseguiu ainda contato coma defesa dos investigados.

No papel, Beto Louco e Mourad são donos de poucas empresas. Uma delas é a TTI Bless Trading Comercio de Derivados de Petróleo. Outra é a G8Log Transportes, com sede em Guarulhos, que gerencia uma frota de caminhões registrada em nome de outra empresa que transporta combustível para usinas de álcool do interior. Foi por meio delas que os promotores chegaram, à nova fase do grupo: a compra de usinas sucroalcooleiras no interior de São Paulo.

As ligações com Manguinhos

Depois de serem alvos da Operação Cassiopeia, em 2024, Mourad e Beto Loco teriam se movimentado para blindar o patrimônio bilionário da dupla. Na época, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) cassou as licenças das duas principais empresas do grupo: a distribuidora Aster e a formuladora Copape. Mesmo assim, de acordo com os promotores, os acusados continuaram a atuar em toda cadeia produtiva do setor.

Exemplo disso seria o fato de suas distribuidoras de combustíveis fornecerem óleo para o maquinário agrícola de usinas sucroalcooleiras ao mesmo tempo em que estas distribuem etanol para a rede de postos do grupo, bem como a gasolina produzida por meio das formuladoras de combustível dos acusados, antes ligadas à Copape e atualmente absorvidas pelo Grupo Manguinhos.

Ainda segundo os investigadores, a carioca Rodopetro teria assumido as posições que antes eram ocupadas pela Aster, a distribuidora de Mourad e de Beto Loco, criando “camadas de ocultação” do patrimônio. Essa absorção pelo Grupo Manguinhos teria acontecido no segundo semestre de 2024. De acordo com os investigadores, no mesmo período, Mourad criou a Arka Distribuidora de Combustíveis e a TLOG Terminais Ltda em Duque de Caxias, no Rio, para operar em conjunto com Manguinhos.

Seis outras distribuidoras de combustível seriam usadas para conectar os dois grupos. Elas seriam vinculadas a Mourad indicando, segundo os investigadores, uma atuação concertada de empresas com sedes em Jardinópolis, Iguatemi e Guarulhos, em São Paulo, e em Senador Canedo, em Goiás. Em Jardinópolis, por exemplo, os agentes dizem que Mourad se associou a outro empresário para adquirir a Rede Sol Fuel, cuja sede fica perto da Usina Carolo, em Pontal (SP), assim como das outras usinas da região de Catanduva (SP) compradas pelo grupo.

As instalações da Rede Sol Fuel são compartilhadas, segundo os promotores, com a real substituta da Aster: a Duvale Distribuidora de Petróleo e Álcool. De acordo com os investigadores, a integração da Duvale ao grupo de Mourad revelaria uma relação perigosa. Isso porque a empresa teria emitido procuração para o empresário Daniel Dias Lopes, condenado a 9 anos de prisão por tráfico internacional de drogas. Lopes seria ainda vinculado à distribuidora Arka. Eles ainda manteriam contatos com os grupos Boxter e com acusados investigados durante a Operação Rei do Crime, da PF, sobre a lavagem de dinheiro de Marcola.

Segundo os promotores e os federais, as distribuidoras de combustível ligadas ao grupo de Mourad têm as mesmas características: capital social idêntico e constituído em períodos próximos. A análise financeira e fiscal de seus sócios e diretores mostraria incongruências que seriam aptas a qualifica-las como “interpostas pessoas”, quando não ligadas “ao crime organizado”. Por fim, elas formariam um cartel em razão das relações com as usinas do grupo, tanto no fornecimento de diesel, quanto na distribuição do etanol.

quarta-feira, 20 de julho de 2022

PF deflagra operação para apurar suspeita de fraudes na Codevasf, órgão comandado pelo Centrão

Foto: Divulgação/PF

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira uma operação para apurar suspeitas de fraudes em contratos da empreiteira Construservice com a Codevasf, comandada pelo centrão.

A operação prendeu temporariamente um empresário apontado pelas investigações como sócio oculto da empreiteira e cumpre busca e apreensão na superintendência do Maranhão da Codevasf, alvo das suspeitas, além de outros alvos. No total, foram cumpridos 16 mandados de busca e um de prisão temporária. Os crimes sob investigação são fraudes em licitação, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Nas buscas, foram apreendidos itens de luxo, como bolsas e relógios, e dinheiro vivo.

As diligências são conduzidas pela PF do Maranhão, após autorização da 1ª Vara Federal de São Luís. A operação foi batizada de Odoacro, em referência ao sobrenome de um soldado italiano que liderou uma revolta para dar fim ao Império Romano -- um dos alvos era conhecido pela alcunha de "Imperador".

Foto: Reprodução/PF

A empreiteira alvo da operação executa diversas obras da Codevasf em municípios do estado. A investigação da PF detectou a existência de falhas graves nas licitações dessas obras. Os indícios obtidos apontam que empresas de fachadas ligadas ao grupo empresarial sob investigação eram criadas para simular a disputa dos contratos, que acabavam ficando com a empreiteira principal do grupo.

A Codevasf, empresa pública vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), foi um dos principais órgãos do governo abastecido com verbas do orçamento secreto. Parlamentares indicaram repasses aos estados usando as chamadas "emendas de relator", que impedem a identificação do autor das emendas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já ordenou ao Congresso Nacional a definição de uma maior transparência na sistemática.

Sem nunca ter firmado contratos com o governo federal antes de 2019, a Construservice participou de obras de pavimentação em seis estados por um valor que pode chegar a cerca de R$ 400 milhões.

O valor emprenhado do governo para a empresa foi aumentando ano a ano: foram R$ 32 milhões em 2019, R$ 16 milhões em 2020 e R$ 92 milhões em 2021. O volume de recursos deve ser ainda maior em 2022: no mês de dezembro, a empresa venceu nove pregões para obras de pavimentação realizados pela Codevasf.

Os dados foram obtidos pelo GLOBO no Portal da Transparência e indicam que, já em 2020, a Construservice foi uma das empresas que mais receberam valores do chamado orçamento secreto: foram R$ 58 milhões nos últimos dois anos por meio das emendas parlamentares sem transparência.

Fonte: O Globo

domingo, 17 de maio de 2020

BOMBAS da Furnas da Onça. Agora a onça vai fumar!

Paulo Marinho, Jair Bolsonaro e Luiz Marinho, filho do Paulo. O QG da campanha
 era na mansão do empresário. Agora o amor acabou.
Imagem: Reprodução/Facebook
Se o único problema de Jair Bolsonaro fosse a acusação feita por Sérgio Moro, de que a fita com a já famosa reunião ministerial do dia 22 de abril é parte, ele estaria em situação mais ou menos confortável. Do que se conhece, resta claro que o presidente queria, sim, mudar comandos na PF para proteger família e amigos, mas, se a transcrição apresentada pela AGU está correta, trata-se de uma dedução. Precisaria muito mais do que aquilo que se tem para que Augusto Aras, procurador-geral da República, apresentasse uma denúncia. 

Era assim até o fim da noite deste sábado. Não é mais. A tranquilidade acabou. Há agora uma bomba armada no caminho do presidente. E o potencial de estrago é gigantesco. Paulo Marinho, suplente do senador Flávio Bolsonaro e ex-aliado do presidente — sua casa serviu de QG da campanha —, faz uma revelação em entrevista à Folha que terá de ser necessariamente incorporada ao inquérito que investiga se Bolsonaro fez intervenções na Polícia Federal para proteger familiares e amigos seus. E se abre um novo território de investigação. O que conta Marinho? 

A REVELAÇÃO BOMBÁSTICA 

Segundo o empresário, Flávio lhe revelou, na presença de três outras pessoas, que, entre o primeiro e o segundo turnos das eleições de 2018, recebeu um aviso de que a Polícia Federal iria deflagrar uma operação e de que um dos alvos era Fabrício Queiroz. 

Pior 1: o alerta foi feito pessoalmente por um delegado da PF, simpatizante da candidatura de Bolsonaro. Pior 2: a operação estava pronta para ser deflagrada, mas foi adiada para não prejudicar a candidatura do "Mito". 

O QUE ISSO TEM A VER COM O INQUÉRITO DO STF? 

O que isso tem a ver com o inquérito do STF? Apenas tudo! O que mesmo se investiga lá? Entre outras coisas, se Bolsonaro interveio na Polícia Federal do Rio e na direção-geral do órgão para proteger interesses de sua família e de amigos.

BOLSONARO FOI AVISADO 

Segundo Marinho, o então candidato Jair Bolsonaro foi avisado. A ser assim, a gravidade aumenta. 

O QUE CONTA MARINHO: AS CIRCUNSTÂCIAS 

1: No dia 12 de dezembro de 2018, Marinho recebeu uma ligação de Flávio, que estava transtornado. A Operação Furna da Onça, deflagrada no dia 8 de novembro, trouxera a público o extrato da conta de Fabrício Queiroz; 

2: Marinho liga para o advogado Antônio Pitombo, que indica para o caso o também advogado Christiano Fragoso; 

3: no dia seguinte, 13 de dezembro, às 8h30, reunião na casa de Marinho para tratar do assunto junta Flávio, os advogados Fragoso e Victor Alves — que trabalhava do gabinete do filho de Bolsonaro — e o proprietário da casa; 

4: Flávio conta, então, que, uma semana depois do primeiro turno, em outubro, o coronel Miguel Braga, que trabalhava em seu gabinete na Assembleia, recebeu o telefonema de um delegado da PF afirmando que tinha informação importante para passar ao já então senador eleito; 

5: Braga dá o aviso a Flávio, que autoriza o coronel a se encontrar com o tal delegado; 

6: o encontro se deu na calçada da Superintendência da PF no Rio. Falaram com o delegado o próprio Braga, o advogado Victor Alves e Val Meliga, pessoa da confiança de Flávio e irmã de dois milicianos presos na Operação Quatro Elementos; 

7: segundo Marinho, Flávio contou aos presentes que o delegado teria dito então a Braga, Alves e Val o seguinte: "Vai ser deflagrada a Operação Furna da Onça, que vai atingir em cheio a Assembleia Legislativa do Rio. E essa operação vai alcançar algumas pessoas do gabinete do Flávio. Uma delas é o Queiroz, e a outra é a filha do Queiroz [Nathalia], que trabalha no gabinete do Jair Bolsonaro, em Brasília'. 

8: o delegado teria sugerido que os Bolsonaros se livrassem de pai e filha;

9: de fato, no dia 15 de outubro, entre o primeiro e o segundo turnos e antes de ser deflagrada a Operação Furna da Onça, Queiroz pai foi exonerado do gabinete do Bolsonaro filho, e a Queiroz filha foi exonerada do gabinete do Bolsonaro pai; 

10: Flávio conta, sempre segundo Marinho, que mantinha, sim, contato com Queiroz, que estava sumido nesse período, por intermédio do advogado Victor Alves; 

11: Fragoso indica o advogado Ralph Hage Vianna para cuidar do amigão da família. Naquela mesma quinta, Queiroz se encontra com Vianna e leva junto o onipresente Alves;

12: Marinho vai para São Paulo e se reúne com os advogados Pitombo, Alves (o contato de Flávio com Fabrício), Hage (então possível defensor do ex-faz-tudo da família) e Gustavo Bebianno; 

13: A reunião ocorreu no Hotel Emiliano, às 14h30 do dia 14; 

14: No dia 18, sexta-feira, Flávio se encontra com Marinho na churrascaria Esplanada Grill, em Ipanema, às 13h30, e diz que o próprio Bolsonaro havia optado por "outro esquema jurídico"

ROTEIRO DE INVESTIGAÇÃO 

Marinho, que é suplente de Flávio Bolsonaro e se filiou ao PSDB -- é hoje um entusiasta da candidatura de João Doria, governador de São Paulo, à Presidência -- fornece um verdadeiro roteiro de investigação. 

1: Quando indagado por que acha que Bolsonaro tem tanto interesse na PF do Rio, ele responde: "Eu tenho até datas anotadas e vou ser bem preciso no relato que vou fazer, porque talvez ele explique a sua pergunta"; 

2: cita uma penca de testemunhas dos encontros, como se pode notar. Ainda que advogados tenham o dever do sigilo, não se está pedindo que violem nenhuma regra — não, ao menos, quanto à existência das reuniões;

3: a casa de Marinho era uma das mais bem-guardadas do Brasil. Certamente havia câmeras de segurança registrando a reunião; 

4: da mesma sorte, fornece data e local exato da reunião em São Paulo: Hotel Emiliano; 

5: também seu encontro com Flávio no Rio tem hora e local; 

6: Há as testemunhas de seus encontros e aquelas envolvidas diretamente com o suposto crime cometido pelo delegado da PF que vazou a operação: Victor Alves, o Coronel Miguel Braga e Val Meliga, a irmã dos milicianos. Não há como isso tudo não ser incorporado ao inquérito que corre no Supremo, de que é relator o ministro Celso de Mello. E eu explico no post abaixo por quê.

LEIAM 




quarta-feira, 6 de maio de 2020

Com Tantas Superintendências e Bolsonaro Só Queria Uma, A Do Rio, Por Quê?

Foto: Estadão Conteúdo

Bolsonaro disse a Moro, são 27 superintendências, eu só quero uma, a do Rio. Por quê?

Tanto lugar para Ronnie Lessa, por que o assassino de Marielle foi morar justo no condomínio de Bolsonaro e Carlos na Barra da Tijuca?

Tanta gente para o porteiro dizer que ouviu a voz duas vezes no interfone que liberou a entrada de Élcio de Queiroz, comparsa do Ronnie Lessa, no dia do crime de Marielle e o porteiro afirmou que ouviu justo a voz de seu Jair da casa 58?

Tanta gente para Ronnie Lessa ser sócio no “Escritório do Crime” e ele vai ser sócio logo de Adriano da Nóbrega, que tinha irmã e mãe trabalhando no esquema de rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro, com intermediação do miliciano Queiroz, que fazia os depósitos do esquema nas contas de Flávio e Michelle Bolsonaro?

Tanta coisa para a polícia descobrir nos celulares periciados de Ronnie Lessa e foi descobrir que o miliciano Adriano da Nóbrega era o patrãozão de Rio das Pedras onde Queiroz costuma se esconder?

Hoje, Bolsonaro praticamente botou na boca da imprensa coisas que ninguém cogitou contra ele, principalmente sobre o caso Marielle: “O Rio é o meu estado. Acusaram meus filhos e a mim de termos participado da morte de Marielle. Vocês têm noção da gravidade disso?” perguntou Bolsonaro.

Bolsonaro ainda disse: “o superintendente do Rio foi trocado por questões de produtividade, e mesmo assim foi promovido para trabalhar em Brasília.”

Ocorre que Bolsonaro bateu tanto na tecla de Adélio e não trocou o superintendente de Minas por questões de produtividade, por quê?

Se Bolsonaro não está passando recibo de culpa, então, não se sabe o que é recibo.

Quem acusou Bolsonaro de mandar matar Marielle? Ninguém!

Ele ou o Carlos foram acusados de matar Marielle?

Mas quem acusou?

Não se ouviu ninguém da imprensa dizer que eles mandaram matar a Marielle.

Se Bolsonaro reage assim é porque a PF, provavelmente, chegou em alguma coisa.

Resta saber quem é o “acusaram”.

O que parece é que ele, Bolsonaro, está preocupado em evitar investigações sobre as milícias e o assassinato de Marielle.

Outra pergunta que soa até ridícula: Se Bolsonaro diz que o Superintendente do Rio foi trocado por falta de produtividade, por que ele foi promovido para o segundo cargo mais alto da PF?

Que sentido tem um nonsense desses?

*Carlos Henrique Machado Freitas

sábado, 2 de maio de 2020

BOMBA: Moro mostrará neste sábado histórico de desavenças com Bolsonaro no whatsapp

Bolsonaro e Moro, rompidos há duas semanas, mas com desavenças
desde o começo do governo Foto: Adriano Machado / Reuters
Ex-ministro depõe hoje à Polícia Federal, no inquérito que investiga Jair Bolsonaro por interferência na PF

Sergio Moro contará neste sábado à Polícia Federal os bastidores de 15 meses de desavenças que teve com Jair Bolsonaro em torno de diferentes temas relacionados ao combate à corrupção, em especial em relação à discordância de ambos sobre o comando da corporação.

Moro tem todo o histórico de seu WhatsApp gravado, antes e depois do ataque hacker de que foi vítima no ano passado, e nele áudios, conversas, links e imagens trocadas com o presidente. O ex-ministro já começou a organizar o acervo para entregar à PF voluntariamente.

Conforme mostrou Bela Megale, Moro será ouvido no fim da manhã deste sábado em Curitiba, provavelmente na Superintendência da PF em Curitiba, por dois delegados do Serviço de Inquéritos Especiais (Sinq), responsável por investigar pessoas com foro privilegiado — como Bolsonaro.

Também participarão da oitiva três procuradores designados pelo procurador-geral da República Augusto Aras para acompanhar todas as diligências desta investigação: João Paulo Lordelo Guimarães Tavares, Antonio Morimoto e Hebert Reis Mesquita.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

URGENTE: Ministro do STF suspende nomeação de Alexandre Ramagem para o cargo de diretor-geral da PF


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem para a diretoria-geral da Polícia Federal. A decisão é liminar – ou seja, provisória – e foi tomada em ação movida pelo PDT.

"Defiro a medida liminar para suspender a eficácia do Decreto de 27/4/2020 (DOU de 28/4/2020, Seção 2, p. 1) no que se refere à nomeação e posse de Alexandre Ramagem Rodrigues para o cargo de Diretor-Geral da Polícia Federal", escreveu Moraes no despacho.

Ramagem, que é amigo da família Bolsonaro, foi escolhido pelo presidente da República para chefiar a PF, em substituição a Maurício Valeixo.

A demissão de Valeixo por Bolsonaro levou à saída do então ministro da Justiça Sergio Moro, que acusou o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal.

Na decisão em que suspendeu a nomeação, Moraes citou as alegações de Moro, e afirmou que pode ter ocorrido desvio de finalidade na escolha de Ramagem, "em inobservância aos princípios constitucionais da impessoalidade, da moralidade e do interesse público."

Moraes ressaltou as afirmações do ex-ministro da Justiça que dão conta de que Bolsonaro queria "ter uma pessoa do contato pessoal dele” no comando da PF, “que pudesse ligar, colher informações, colher relatórios de inteligência”.

A proximidade de Ramagem da família Bolsonaro vinha causando contestações à escolha dele para chefiar a PF, para qual entrou em 2005.

A relação com o presidente e os filhos dele começou na eleições de 2018, quando Ramagem chefiou a equipe de segurança do então candidato Bolsonaro.

Na réveillon de 2019, Ramagem foi fotografado em festa ao lado do filho do presidente Carlos Bolsonaro, que é vereador do município do Rio de Janeiro (veja foto abaixo).

FONTE: G1

terça-feira, 28 de abril de 2020

Quem é Alexandre Ramagem, o novo diretor-geral da Polícia Federal

Valter Campanato/Agência Brasi

Ex-diretor-geral de Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o delegado Alexandre Ramagem assumirá a direção-geral da Polícia Federal no lugar de Maurício Valeixo, pivô da saída de Sérgio Moro do governo. Com experiência na Operação Lava Jato no Rio e no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas, Ramagem chega ao cargo em momento de grande tensão depois que Moro acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente na corporação.
Sua nomeação foi questionada na Justiça antes mesmo de ser publicada no Diário Oficial da União, na edição desta terça-feira (28), junto com a indicação de André Mendonça para o Ministério da Justiça. A oposição questiona ligações pessoais do novo diretor da PF com filhos do presidente Jair Bolsonaro investigados pela própria Polícia Federal.
Ramagem, de 48 anos, chefiou a segurança de Bolsonaro na campanha de 2018, depois de o então candidato ter sido vítima de uma facada em Juiz de Fora, Minas Gerais. Ele foi o terceiro a assumir a coordenação da segurança pessoal de Bolsonaro, sucedendo Daniel Freitas e Antonio Marcos Teixeira. Antes de assumir o posto, Ramagem foi coordenador de recursos humanos da PF.
Lava Jato e Abin
Na Polícia Federal há 15 anos, o delegado já participou da coordenação de grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas do Rio de 2016, e integrou a equipe da Operação Lava Jato. Em 2017, com a evolução dos trabalhos da Lava Jato no Rio de Janeiro, foi convidado a integrar a equipe de policiais responsáveis pela investigação e inteligência de polícia judiciária no âmbito da operação.
Por indicação de Valeixo, Ramagem assumiria no início do governo Bolsonaro a superintendência da PF no Ceará, mas acabou aceitando convite para ser auxiliar direto de Carlos Alberto Santos Cruz, então ministro da Secretaria de Governo. Ele permaneceu no governo como assessor especial de Luiz Eduardo Ramos, sucessor de Santos Cruz no cargo. Em agosto, foi indicado para chefiar a Abin com apoio dos três filhos políticos do presidente, o deputado Eduardo, escrivão de carreira da PF, o vereador Carlos e o senador Flávio Bolsonaro.
Para chegar ao posto, Ramagem passou por uma sabatina na Comissão de Relações Exteriores do Senado, ocasião em que admitiu que o Brasil se encontrava atrasado na prevenção contra ataques cibernéticos e defendeu a atuação do governo com relação à entrada da tecnologia 5G no país. A indicação foi aprovada por unanimidade pela comissão e recebeu apenas três votos contrários no Plenário.
A proximidade de Ramagem com a família Bolsonaro é o principal motivo de questionamentos sobre sua indicação. Em uma foto no perfil de Carlos no Instagram, na virada de 2018 para 2019, Ramagem aparece com a esposa e outros amigos de Carlos, entre os quais o assessor parlamentar Léo Índio, primo de Carlos. O vereador é suspeito de comandar um esquema de fake news, conforme inquérito da PF, de acordo com vários jornais.
Subordinado ao ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Ramagem foi elogiado pelo chefe por sua atuação à frente da Abin. “Transmitiu a seus subordinados uma nova concepção de inteligência, ágil e focada na informação tática, capaz de competir com a rapidez da Internet, reduzindo o preciosismo em prol da velocidade”, escreveu Heleno em sua publicação no Twitter no início de março.
Ramagem esteve envolvido na polêmica referente à suposta criação de uma Abin paralela. A estrutura funcionaria para grampear ilegalmente opositores do governo e produzir dossiês falsos, segundo o ex-ministro Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência), que disse ter abortado a operação junto com o também ex-ministro Santos Cruz.
Expectativas
Na Polícia Federal desde 2005, Ramagem é bem relacionado no órgão e tem a simpatia de parte da corporação, mas chegará rodeado de pressões. Segundo interlocutores, Ramagem já participou de diversas operações, principalmente em etapas importantes da Operação Lava Jato, e tem boa interlocução com a atual diretoria.
Integrantes da PF avaliam que, a despeito de toda a situação, Ramagem tem condições de fazer uma boa administração.
Para o deputado delegado Waldir (PSL-GO), ex-aliado de Bolsonaro, o mais importante é colocar alguém que preserve a autonomia da corporação. “A escolha é do presidente, mas o Parlamento é fiscalizador e nós vamos fazer o nosso papel. Nós vamos brigar pela independência da Polícia Federal, que não é uma polícia de governo, é polícia de Estado”, disse o deputado, que é policial civil.
A chegada de Ramagem vem acompanhada de diversas ações populares que visam barrar sua nomeação, bem como de propostas de emenda à Constituição para garantir a autonomia da Polícia Federal, conforme mostrado pelo Congresso em Foco. As medidas jurídicas questionam a proximidade de Ramagem com a família Bolsonaro. O próprio delegado Waldir afirmou que, se confirmada a nomeação, pretende ingressar com uma ação para impedi-la.
Quando entrou para a PF, Ramagem começou a trabalhar em Roraima e atuou no combate ao tráfico de drogas e outros ilícitos. Em 2007, foi nomeado delegado regional de Combate ao Crime Organizado. Em 2011, foi transferido para a sede do DPF em Brasília/DF com a missão de criar e chefiar Unidade de Repressão a Crimes contra a Pessoa. Em 2013, assumiu a chefia da Divisão de Administração de Recursos Humanos. A partir de 2016, foi responsável pela Divisão de Estudos, Legislações e Pareceres da Polícia Federal.
Perfis falsos
Desde que o nome entrou para a lista de cotados, começaram a aparecer nas redes sociais vários perfis atribuídos a Ramagem, com publicações controversas. Perfis fake podem alterar o nome e a foto, aproveitando-se de um número de seguidores já existente previamente.
Procurada, a assessoria do novo diretor da PF negou que Ramagem fosse dono dos perfis que circularam no Twitter e no Instagram e afirmou que estava pedindo a retirada das publicações falsas. Uma das mensagens, repleta de erros de português, foi compartilhada por bolsonaristas nas redes sociais nessa segunda. "O medo, pavor, e outros sentimentos que pairam sobre minha possível nomeação para dirigir a PF, são apenas choro de corruptos e de ex. ministro banana, que ao meu ver estava em conluio com o sistema para vender livro de autobiografia. Aqui é Brasil, aqui tem testosterona."

sábado, 18 de janeiro de 2014

Suplente de deputado do partido de Roseana Sarney envolvido em roubo R$ 73 mi da Mega Sena

Operação da Polícia Federal deflagrada ontem em três Estados desarticulou uma quadrilha que teria desviado R$ 73 milhões da Mega Sena, jogo de loteria da Caixa Econômica Federal (CEF). O banco relatou à PF que se trata da maior fraude já sofrida em toda sua história.
O dinheiro do "falso prêmio" foi depositado numa conta bancária aberta no final do ano passado em Tocantinópolis (TO) no nome de uma pessoa fictícia. Em seguida, o dinheiro foi transferido para diversas contas. Um dos envolvidos, segundo apurou a reportagem, é o suplente de deputado federal Ernesto Vieira Carvalho Neto (veja ficha política aqui), que disputou a vaga em 2010 pelo PMDB do Maranhão na chapa da governadora Roseana Sarney (PMDB).
Segundo os investigadores relataram ao Estado ele teria comprado um avião com o dinheiro desviado da CEF e teria a intenção de usá-lo numa fuga. Até o final da manhã, a PF não havia localizado o suplente para cumprir o mandado de prisão expedido contra ele e outras quatro pessoas. Nenhuma delas foi presa até então. A PF não informou os nomes de nenhum dos envolvidos.
Conforme relatos, houve perseguição em alguns locais com pistas falsas sobre o paradeiro dos envolvidos. A Justiça também autorizou o cumprimento de dez mandados de busca e apreensão e um mandado de condução coercitiva (quando a pessoa é levada a prestar depoimento e liberada em seguida) nos Estados do Goiás, Maranhão e São Paulo.
Ernesto está foragido
Já foram recuperados 70% do dinheiro desviado, informou a PF. O gerente da agência onde a conta foi aberta esta preso antes da operação batizada de Éskhara ser deflagrada. A PF não informou se ele colaborou com a investigação.
Os envolvidos responderão pelos crimes de peculato, receptação majorada, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, cujas penas somadas podem chegar a 29 anos de prisão.
A PF informou ontem que as investigações prosseguem porque há a possibilidade de existirem outros fraudadores. O Estado apurou que a PF que trabalhou em parceria com o Ministério Público do Tocantins não tinha a intenção de deflagrar a operação já neste sábado, mas antecipou pra evitar vazamento de informação.
A CEF divulgou nota na qual informa que foi o banco quem comunicou à PF sobre a fraude. "Em relação à operação Éskhara da Polícia Federal (PF), a Caixa Econômica Federal informa que acionou a Polícia logo que constatou a fraude. O banco continua acompanhando o caso e está à disposição da PF para colaborar com as investigações."
A operação da PF ocorre no momento em que a CEF tenta abafar uma crise após a revelação pela revista IstoÉ de que se apropriou de R$ 719 milhões de saldos de contas bancárias de clientes que foram encerradas por iniciativa do banco.