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sábado, 21 de março de 2026

ETANOL NO BRASIL: Soberania Energética ou Purificação da Gasolina?




Por Roberto César Cunha*

A inserção do etanol na matriz energética brasileira também deve ser compreendida à luz da geopolítica do petróleo. A gasolina insere o país em uma dinâmica global marcada por instabilidade, conflitos e disputas estratégicas pelo controle de recursos energéticos. As oscilações de preço, frequentemente associadas a tensões internacionais e a decisões de grandes produtores, evidenciam que a dependência desse combustível implica, em última instância, uma forma de vulnerabilidade externa. Nesse contexto, a construção de alternativas energéticas de base nacional, como o etanol, não se limita a uma questão econômica ou ambiental, mas se inscreve no campo mais amplo da soberania. Reduzir a dependência da lógica geopolítica do petróleo, portanto, torna-se uma condição estratégica para países que buscam maior autonomia energética. É nesse horizonte que se insere a experiência brasileira.

Assim sendo, a constituição do mercado de etanol no Brasil não pode ser compreendida a partir das categorias tradicionais de oferta e demanda. Trata-se, antes, de uma construção institucional deliberada, cuja origem remonta ao Programa Nacional do Álcool (Proálcool), implementado na década de 1970 como resposta à crise internacional do petróleo. Desde então, o Estado brasileiro desempenhou papel decisivo na criação de uma demanda estrutural para o etanol, inicialmente por meio de incentivos diretos à produção e, posteriormente, pela imposição de mecanismos regulatórios que garantem sua inserção contínua no mercado de combustíveis.

O principal desses mecanismos é a obrigatoriedade de mistura do etanol anidro à gasolina, atualmente fixada em torno de 27%. Tal dispositivo não apenas assegura uma demanda cativa para o setor sucroenergético, como também reduz a exposição do país às oscilações do mercado internacional de petróleo. Trata-se, portanto, de uma forma de planejamento energético indireto, no qual o consumo é parcialmente determinado por decreto, estabilizando expectativas e garantindo previsibilidade aos agentes econômicos envolvidos.

Essa especificidade distingue o Brasil de outras economias centrais. Nos Estados Unidos, por exemplo, a mistura padrão gira em torno de 10% (E10), com avanços pontuais para E15, enquanto na União Europeia prevalecem percentuais entre 5% e 10%. Mais relevante do que a diferença quantitativa é a combinação singular brasileira: segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), o Brasil produz anualmente mais de 30 bilhões de litros de etanol, consolidando-se como o principal produtor mundial de etanol de cana-de-açúcar. No consumo interno, o etanol hidratado apresenta participação significativa no abastecimento de veículos leves, especialmente nas regiões Centro-Sul. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que a frota flex fuel representa a ampla maioria dos veículos leves em circulação no país, evidenciando a consolidação de um mercado de massa efetivamente adaptado ao uso do etanol.

Entretanto, essa potencialidade não se converte automaticamente em autonomia. Ao longo das últimas décadas, a política energética brasileira tem oscilado entre momentos de afirmação de um projeto nacional e períodos de subordinação às dinâmicas internacionais de preços. Nesse contexto, o etanol, embora estruturalmente presente, tem sido progressivamente reposicionado como variável de ajuste do mercado de combustíveis, especialmente no que se refere à formação de preços da gasolina.

Além disso, a relação de preços entre etanol e gasolina, frequentemente orientada pela equivalência energética em torno de 70%, reforça a subordinação do etanol à lógica da gasolina. Quando essa relação se deteriora, o consumo de etanol recua, evidenciando que, mesmo em um mercado amplamente estruturado, a decisão do consumidor permanece condicionada por uma referência externa ao próprio setor sucroenergético.

A elevação recente da mistura obrigatória, de 25% para 27%, ilustra essa ambiguidade. Se, por um lado, reforça a presença do etanol na matriz energética, por outro, não altera substancialmente a centralidade da gasolina como referência de preço e organização do mercado. O etanol, nesse arranjo, deixa de ser vetor de transformação estrutural e passa a desempenhar função reguladora marginal, contribuindo para suavizar variações de preço, mas sem romper com a lógica de dependência.

Autonomia ou subordinação: o impasse estratégico do etanol no Brasil

É nesse ponto que o debate precisa avançar. O Brasil não enfrenta um problema de escassez de etanol, tampouco de viabilidade tecnológica ou de aceitação social. Ao contrário, trata-se do maior mercado de consumo de etanol veicular do mundo, sustentado por uma base produtiva robusta e por uma frota amplamente adaptada ao uso de combustível renovável. A questão, portanto, não é de possibilidade, mas de orientação estratégica.

Historicamente, a mistura obrigatória foi fundamental. Ela criou mercado, reduziu incertezas e estruturou toda uma cadeia produtiva. Nesse sentido, o mecanismo dos 27% continua sendo válido como instrumento de estabilidade. No entanto, sua função original, garantir a existência do mercado, já foi cumprida. O etanol deixou de ser um setor nascente e passou a constituir um dos pilares da matriz energética nacional.

Diante desse novo patamar, a manutenção da mistura obrigatória como principal eixo da política pode revelar uma limitação estratégica. Isso porque ela mantém o etanol estruturalmente subordinado à gasolina, operando dentro de um mercado cuja lógica de preços continua sendo definida, em grande medida, por referenciais externos. Em outras palavras, o instrumento que antes criou autonomia relativa pode hoje estar contribuindo para sua contenção.

Se o objetivo for avançar para uma efetiva soberania energética, os passos necessários são de outra natureza e escala:

  • Recentralizar o etanol hidratado como combustível principal, e não complementar, incentivando sua competitividade direta na bomba;


  • Desvincular parcialmente a formação de preços do etanol da gasolina, reduzindo o papel desta como referência dominante;


  • Reorientar a política tributária e de distribuição, favorecendo o consumo direto de etanol em larga escala;


  • Expandir a infraestrutura logística e de abastecimento, consolidando o etanol como opção preferencial em todo o território;


  • Articular política energética e agrícola, garantindo estabilidade produtiva e evitando ciclos de escassez e volatilidade.


  • Integrar o etanol a uma política nacional de mobilidade, com ênfase nas frotas urbanas sobre pneus, especialmente ônibus e veículos públicos, ao mesmo tempo em que se amplia a eletrificação dos sistemas de transporte de massa sobre trilhos, como metrôs e trens urbanos.

Essas medidas implicariam uma mudança qualitativa: o etanol deixaria de ser um aditivo estratégico da gasolina para se tornar o eixo organizador de uma matriz energética de base nacional.

Diante desse cenário, impõe-se uma reavaliação crítica do próprio instrumento que historicamente estruturou o mercado. A mistura obrigatória cumpriu papel decisivo na fase de consolidação do etanol, garantindo demanda, reduzindo incertezas e viabilizando a expansão produtiva. No entanto, no estágio atual, marcado por elevada capacidade instalada, ampla difusão da tecnologia flex fuel e pela constituição do maior mercado de consumo de etanol veicular do mundo, sua centralidade como eixo da política energética torna-se questionável.

Isso porque, ao manter o etanol estruturalmente vinculado à gasolina, o modelo vigente limita sua capacidade de se afirmar como base autônoma da matriz energética. O instrumento que outrora promoveu a construção do mercado passa, assim, a operar como mecanismo de contenção de seu potencial de expansão.

A questão que se coloca, portanto, não é mais a de como garantir mercado para o etanol, mas de como permitir que ele ultrapasse os limites impostos por uma política ainda ancorada na centralidade da gasolina. Em um contexto no qual o país já dispõe de escala produtiva, infraestrutura e base consumidora consolidadas, a persistência desse arranjo pode representar não uma proteção, mas um entrave.

Em termos estratégicos, a escolha é inequívoca: ou o etanol é elevado à condição de eixo estruturante de uma matriz energética nacional, ou continuará desempenhando função subordinada, operando como variável de ajuste de um mercado cuja lógica permanece externa ao país. Se a opção for mantê-lo nesse lugar, resta reconhecer, ainda que com certa ironia, que sua função principal não será a de liderar uma transição energética soberana, mas a de purificar a gasolina, seja no sentido estritamente químico, seja no discurso mais amplo da sustentabilidade.


*
Roberto César Cunha - Roberto César Cunha é geógrafo (UFMA), mestre e doutor em Geografia Econômica pela UFSC, onde também desenvolveu pesquisa de pós-doutorado. É pesquisador científico e professor universitário com cerca de 20 anos de dedicação intelectual às temáticas do Agronegócio, Geografia Econômica e Desenvolvimento econômico do Brasil e suas regiões. É autor de mais de 50 trabalhos científicos publicados, entre artigos nacionais, internacionais e capítulos de livros sobre esses assuntos. Autor de O Ouro do Cerrado – Origem e Desenvolvimento da soja no Maranhão.


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Os dias de posverdade e plusmentira

Por Carlos Luque Zayas Bazán*
Os acontecimentos dos últimos meses na Venezuela, o início das funções da Assembleia Constituinte, a continuação e intensificação do terrorismo midiático contra a Revolução Bolivariana, o apaziguamento dos interesses imperialistas de alguns diplomacia regional que revestem estes dias com US não reconhecer os resultados da recente votação da Venezuela, e o item contra seu presidente, esse processo e democracia que foi publicado recentemente na plataforma de cooptação e subversão chamado Cuba Posible , se me motivou a revisitar o livro de Eva Golinger, Código Chávez, com o subtítulo Cracking intervenção dos Estados Unidos na Venezuela.
Quanto ao artigo de Cuba Posible, nas frases finais da Venezuela: Chaves para uma crise, o autor declara, totalmente alinhada com os interesses de uma interferência terrorista que é profusamente documentados pelo advogado Golinger no livro acima mencionado, "Maduro não ele aprendeu a lição que deu Hugo Chávez em 2002, quando ele deixou Miraflores para evitar derramamento de sangue. Atrasar sua partida servirá apenas para aumentar a violência. "
ensaios cara como este, o leitor atônito deve manter a frieza racional para produzir indignação e para aplacar reflexão. A primeira coisa que vem à mente é que uma alusão tão escandalosamente tendenciosa dos eventos durante o golpe de 2002 na Venezuela e coroar um texto de viés tão óbvio quando se refere a personagens e eventos deve dar uma reflexão responsável todos aqueles que, tendo um trabalho valioso e declarando alinhado com projetos revolucionários em Cuba e na América Latina, e pelo menos a questionar e discutir se eles podem ocupar sem corar, sancionando a sua presença, espaços como este think tank que divulga um texto cuja direcionalidade crítica é tão obviamente distorcendo a verdade em cada uma das suas reivindicações.
Lidando com uma meia-verdade é muito mais venenoso do que uma mentira descarada. Afinal, as mentiras descaradas hoje noticiários unashamedly rife, e aqueles que não são relatados nos meios de comunicação alternativos, como zumbis nadar nas manipulações caldo quente. Mas torcer o significado da decisão de Chávez, usando nenhuma outra referência aos fatos a palavra "esquerda" Miraflores, ainda podia permitir que o leitor a tentar encaixar o significado literal do termo - (embora Chávez fora de Miraflores detido e preso por golpistas e não simplesmente "abandonada" em voo ou rendição) - se seu objetivo conotativo não é feito tão óbvio com a última frase: estado que é responsável por Maduro para atrasar a sua partida que pode aumentar a violência, atinge o topo da a tolerância intelectual e decência pode suportar.
(Teste Golinger e cheques sem qualquer dúvida razoável, declarações de seus próprios promotores e cúmplices manipulados imagens de televisão, que os conspiradores não só inicialmente foi baleado por pessoas fogo amigo que estavam na mesma procissão ao palácio para provocar violência, mas eles golpistas atiradores que causaram o maior número de mortes entre as mesmas pessoas). No entanto, de acordo com o aviso de que o texto, lembrando Jorge Luis Borges, deve figurar com destaque nos anais da infâmia, cada tentativa revolucionária, socialista, ou meramente progressiva que é vítima de toda a tecnologia de lugar subversão e causada consequente polarização da luta de classes teria que renunciar e se, em seguida, "sair" não "crescer" uma violência que tem uma gênese tão clara. E nada humano me é estranho, mas para chegar a esta altura realmente não esperava isso.
E calma sobre o escândalo da razão, e viu seu sonho engendra essas moustruos, depois de reler a noite passada e reviver no capítulo seis do livro O Código Chávez, intitulado "Um golpe por qualquer outro nome", eu continuei reler o SETE "um escritório para um governo de transição." Lembrou-se de quase nada do que a introdução, mas a leitura inevitável da recente à luz do passado que não são tratadas com fatos, motivou o meu desejo de compartilhar essas notas com os meus leitores em potencial, que só são poucos, a tarefa em você precisa à frente de todo mundo que pode adicionar à defesa da verdade, mas os caluniadores contar com melhores plataformas projetadas, tais como recebimento de dinheiro e apoio daqueles que têm o controle dos tecnlogías de informação ao seu alcance.
Para esta nota tão breve quanto possível, limito-me a convidar a sua leitura ou releitura. Mas deixe-me um comentário. O autor introduz o capítulo com uma citação de Tarek William Saab:
"Nós não precisamos de um Gabinete de Iniciativas de Transição porque este não é um governo de transição"
O que o então membro da Asamble Nacional referido pelo partido MVR? A que estava criando um OTI (Escritório de Iniciativas de Transição) na Embaixada dos Estados Unidos em Caracas.
É muito instrutivo ler ou reler este livro, mas com respeito a Cuba, tudo sobre esses escritórios, espalhados por todo o mundo, onde quer que, com justicación ou nenhuma crise económica ou política, tem que intervir para acompanhar os processos de transição , algo que sabemos muito bem qual é o problema. Como eles se qualificar, são entidades de resposta rápida (cultural, intelectual) "Os valores OTI, desenhos e implementa programas que são caracterizados por rápida, flexível e inovadora, tangível, orientada, catalisadores e abertamente política, que ataque as causas raigales da crise. "(citado por própria descrição fundo do autor da OTI USAID em um contrato ... ver p. 101).
Lendo o leitor pode fazer suas próprias avaliações e considerações. Mina estão resumidos na que, embora possa parecer que não há condições em Cuba para interferência subversivo puro tipo OTI é implantado - ( "USAID concentra seus OTI estabelecer relações de campo com organizações políticas, mídia e organizações organizações não governamentais e para fornecer financiamento e treinamento necessário para obter os resultados desejados ", explica Eva Golinger - que pode estar acontecendo que veremos um pouco de sua metamorfose e ramos para se adaptar à realidade cubana: subsídios para treinamento de líderes, encorajamento, ea recepção entusiástica, mídia digital do jornalismo "independente", encontrando personalidades europeias com pessoas específicas e selecionado, o convite para discutir soluções em fóruns relacionados a processos subversivos tão sutis sutis ou não ... Depois de toda a palavras não são meros suportes inocentes e alguns entre nós "tampa Você "falam e prometem trabalhar para alvos caros esses mísseis culturais, políticas e ideológicas são a OTI, é que, como Venezuela, Cuba não é uma revolução em tal" trânsito "que querem os interesses imperiais embora alguns continuam sonhando e trabalhando para isso.
*Carlos Luque Zayas Bazán - Licenciado em Literatura e Espanhol, e professor de Computación. Cubano residente em Chile. Administra o blog "El aldeano vanidoso":

sábado, 16 de maio de 2015

Urubus quebram o bico: Petrobras, saneada, lucra R$ 5,4 bi no 1° trimestre

Do Valor, há três dias, reverberando as expectativas da urubologia de mercado sobre a Petrobras:
“A Petrobras deve fechar o primeiro trimestre deste ano com um lucro líquido de R$ 2,72 bilhões, resultado 49,5% menor frente aos três primeiros meses do ano passado. A previsão toma como base a média das projeções de cinco bancos de investimento consultados pelo Valor, que indicam, ainda, para uma redução média de 4,7% no faturamento, para R$ 77,73 bilhões, e um crescimento de 23% no Ebitda, para R$ 17,64 bilhões, na mesma base de comparação.”
As previsões eram da Goldman Sachs, do Bradesco, Deutsche Bank e de outras instituições.
Do Valor, agora há pouco:
“A Petrobras encerrou o primeiro trimestre desse ano com lucro de R$ 5,33 bilhões, queda de 1% na comparação com o lucro líquido de R$ 5,393 bilhões apurado no mesmo intervalo do ano anterior.”
Uai, não eram 49,5% de queda?
E a relação entre o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) e dívida, que prenunciavam ia explodir, baixou de 4,77 vezes para 3,86, mesmo com a forte desvalorização cambial. Embora o valor nominal tenha crescido (de 282 para 332 bilhões de reais) o aumento, de 18%, foi inferior à depreciação do real (20,8%) e uma enorme parte destas dívidas é, como é natural em grandes empresas e especialmente no setor petroleiro, em dólar.
O fato é que em Nova York, onde não lêem os jornais brasileiros, no “after-hours” da bolsa local,o ADR (correspondente a ações) da Petrobras sobe 4.05% no momento em que escrevo, depois de já ter subido 2% no pregão normal.
Sem contar essa subida noturna, do início do ano para cá, a Petrobras lidera com folga a valorização entre as petroleiras – claro que em boa parte por ter sido atirada, artificialmente, lá em baixo. Subiu 38,4%, contra 12,3% da Shell, enquanto quase todas as outras amargam índices negativos.
Medida por um ano, mais ou menos o tempo em que a lava-Jato começou a repercutir fortemente, a perda é de 32%, menos da metade dos 67% que chegou a cair no pior momento em 12 meses.
Mas nisso entra, com muita força, a desvalorização do petróleo: no mesmo período, a Shell caiu 20,6%: a Total, 25,2%, a italiana Eni, 27,5%, a Exxon e a Chevron, as que menos perderam, tiveram queda em torno de 15%.
Como escrevi ontem aqui, os ratos e urubus não tiveram força para, mesmo tendo causado muito estrago, derrotar a Petrobras.
Fonte: Tijolaço

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Dominação econômica global ou terceira guerra mundial?



Por LUÍS CARLOS ROMOLI DE OLIVEIRA

Os Estados Unidos da América estão, nestes últimos dias, jogando sua grande cartada: um tudo ou nada que só saberemos o que deu dentro de alguns meses, talvez uns 12 a 18 meses.

Junto com alguns [aliados] países fortes da OPEP, como a Arábia Saudita e alguns players europeus que não querem aparecer, conseguiram enlear algumas economias do mundo, como a Rússia, Brasil, Irã, Venezuela e vários outros com algo que poderá ser o maior blefe de toda a história. Ou quem sabe, se der certo o plano deles, conseguirão dar um golpe de misericórdia nessas nações para manterem e expandirem o seu status quo de hiperpotência mundial por mais algumas gerações.

Por conta de seu [subsidiado e] criticadíssimo projeto de extração de petróleo de xisto, algo calamitosamente agressivo à natureza, estão forçando uma baixa de quase 50% nos preços do petróleo tradicional em todas as bolsas do mundo. Dizem [e há quem acredite] que sua produção de óleo de xisto aumentou significativamente suas reservas estratégicas e que, por isso, podem baixar os preços em 50%, algo impensável há apenas poucos meses atrás.

Junto com essa massiva desvalorização, estão tentando desestabilizar as nações ricas em petróleo em seu próprio quintal, a Venezuela e o Brasil.

Na Venezuela, os ataques predadores na economia já fizeram com que a inflação chegasse na casa dos 50%, enquanto no Brasil existe um [conveniente e amplificado] ri-fi-fi de denúncias ainda não comprovadas de um grande desfalque nas contas da Petrobras, que poderá inviabilizar a empresa e causar sérios danos, como a queda do valor de face de suas ações para menos da metade do que valiam há apenas alguns meses atrás, além de grande desemprego e convulsão social. Tudo num plano de [planejado] sincronismo espetacular.

O grande jogo que [os EUA] jogam hoje é desestruturar tanto a Venezuela como o Brasil e a Rússia e, quem sabe, também a China, e apossarem-se "financeiramente" de suas reservas petrolíferas, talvez comprando-as por qualquer ninharia na bacia das almas nessas horas de vacas magérrimas, quando o valor das ações dessas empresas já valem metade do que valiam ontem.


Tão logo essa conquista "via mercado financeiro" se confirme, vão anunciar que o projeto do xisto não deu certo, mas que, nesse ínterim, compraram os poços da Venezuela, da Russia e do Brasil. E pronto! Deu-se o golpe que estão ensaiando já há vários anos, sem disparar um único tiro. Terá bastado somente uma sequência de protoataques como vimos na última década: contra a tal da praga da ameaça bolivariana; com o câncer em cinco chefes de governo na América Latina num mesmo momento; com o [violento] "não vai ter Copa" no Brasil; com a "opção-legal" de Joaquim Barbosa e o Mensalão; com a opção desesperada Marina Silva, que também não vingou, e agora com um "terceiro turno" das eleições democráticas do mês passado e mais o megaescândalo que ainda nem é um processo judicial, mas já xacoalhou toda a estrutura do novo governo brasileiro... Tudo isso, junto com a benesse momentânea e surpreendente do discutidíssimo óleo de xisto, estão colocando de joelhos a maior e mais dinâmica empresa brasileira, que tinha entre suas principais metas promover o maior resgate histórico da educação e da saúde neste país em seus 500 anos de vida, com os royalties do pré-sal.

No entanto, o que vemos neste momento é que a Petrobras está sendo colocada sobre terrível stress que poderá romper não só nosso sistema financeiro e político como nossos planos de resgaste de nossa soberania através da educação e da saúde do povo.

Junto, tentarão rolar a Rússia e talvez a China no mesmo imbróglio; mas há muitos que apostam que o projeto do óleo de xisto irá dar com us burros n'água muito antes dos 12 meses que os teóricos preconizam, que, se realmente acontecer, deveremos ver o feitiço virar contra o feiticeiro e derrubar definitivamente a maior economia do planeta desde o interregno das duas grandes guerras mundiais.

O projeto óleo de xisto e a crise dos 'subprimes' (derivativos) de 2008-2009 terão sido grandes demais para o mundo do século XXI engolir... Se o blefe se confirmar, deveremos ver o império americano e seus parceiros da UE serem corroídos velozmente de dentro para fora numa alusão à dilapidação dos afrescos dos palazzos romanos quando da queda do império peninsular a partir dos anos 400 de nossa era.

Essa é a maior briga de cachorro grande que temos notícia na história recente do mundo. Nem mesmo as guerras mundiais trouxeram tantas mudanças como as mudanças que iremos ver caso a aposta no blefe seja realmente o que os EUA estão fazendo neste momento.

E se eles perderem, sai de baixo. Será a terceira guerra mundial e os vencedores serão... os chineses!

Vou apostar no Brasil e na Petrobras mais brasileira ainda: Vou comprar ações em baixa de 50% da Petrobras ainda amanhã e quem sabe ficarei rico em menos de 12 meses.

Quem viver, verá".


Fonte: Democracia & Política

quarta-feira, 26 de março de 2014

Saiba: A história de Pasadena que a mídia não contou

Refinaria de Pasadena (Fonte da foto).

 
Por Miguel do Rosário 
 
Já que o assunto do momento é Pasadena, fomos pesquisar a origem da refinaria, e tentar esclarecer algumas confusões.
 
A nossa mídia, como de praxe, está muito mais interessada em produzir uma crise política do que em esclarecer a sociedade.
 
A refinaria de Pasadena foi fundada em 1920, pela Crown Central Petroleum, uma das companhias remanescentes do império Rockfeller, cujo grupo Standard Oil havia chegado a controlar 88% do refino de petróleo nos EUA.
 
Em 1911, a Suprema Corte americana valida uma lei anti-truste defendida pelo governo (Sherman Antitrust Act) e a Standard é dividida em 34 empresas. Uma delas, será a Standard Oil of Indiana, que depois será renomeada para Amoco, a qual, por sua vez, dará origem a Crown Central Petroleum.
 
Os herdeiros mais conhecidos da Crown, os Rosenberg, decidiram, no início dos anos 2000, vender os ativos da companhia, incluindo a refinaria de Pasadena.
 
Não foi uma venda fácil. Em 2003, um artigo no Baltimore Sun explicava porque se tratava de um negócio complexo. Construir uma nova refinaria igual àquela custaria mais de US$ 1 bilhão, estimava o autor da matéria, Jay Hancock. Nos livros contábeis da Crown, ela vinha avaliada em US$ 270 milhões, mas operadores do mercado diziam que os Rosenberg teriam sorte se conseguissem US$ 100 milhões por ela.
 
Ao cabo, a refinaria foi vendida para Astra Holding USA, uma subsidiária da Astra Oil, sediada na California, e que por sua vez é controlada pela belga Transcor Astra Group.
 
Nunca se soube o preço final da refinaria. A imprensa tem repetido que a Astra adquiriu a refinaria em 2005 por US$ 42 milhões. Mas eu ainda não consegui encontrar esse valor em lugar nenhum. É preciso verificar qual era o estado da refinaria antes da compra pela Astra, e que melhorias, exatamente, foram feitas. O que eu sei é que a refinaria vinha enfrentando, há décadas, uma dura oposição da comunidade local, por causa da poluição emitida, e que a justiça havia tomado decisões, mais ou menos na época da venda, que obrigavam a refinaria a se adaptar às novas exigências ambientais do governo.
 
Está claro que a Astra, logo após a compra, fez uma série de investimentos na refinaria. Aí entra a primeira grande confusão: compara-se o preço de compra pela Astra em 2005, com o preço pago pela Petrobrás, em 2006. São negócios diferentes. A Astra compra uma refinaria que há anos não era modernizada. No momento da compra, o novo presidente da refinaria, Chuck Dunlap, declara que a Astra investiria US$ 40 milhões nas instalações, preparando-as para processar outros tipo de petróleo e fabricar mais variedades de derivados. “Nós temos grandes planos”, asseverou um animado Dunlap à imprensa local.
 
Uma refinaria moderna é altamente tecnificada, com poucos funcionários. Seu principal ativo são os equipamentos e a tecnologia usada, mas a localização é fundamental, naturalmente. A refinaria de Pasadena, por exemplo, fica bem no coração do “Houston Ship Channel”, uma espécie de eixo no porto de Houston, aberto para o Golfo do México (onde ficam os principais poços de petróleo em operação nos EUA) e com ligações modais para todo os EUA.
 
Em 2006, a Petrobrás pagou US$ 360 milhões para entrar no negócio, sendo US$ 190 milhões por 50% das ações e US$ 170 milhões pelos estoques da refinaria. No balanço da Petrobrás de 2006, o valor total para a aquisição da refinaria de Pasadena, incluindo despesas tributárias, ficou estabelecido em US$ 415,8 milhões.
 
Isso tudo aconteceu no início de 2006.
 
Ao final do mesmo ano, o negócio foi abalado com a descoberta do pré-sal no Brasil.
 
Até então a Petrobrás tinha planos de investir na refinaria de Pasadena para adaptá-la ao refino de óleo pesado vindo do Brasil. A companhia planejava abocanhar um pedacinho do mercado de refino dos EUA, de longe o maior do mundo.
 
Com a descoberta do pré-sal, houve uma revolução nos planos da Petrobrás. Todo o capital da empresa teve de ser imediatamente remanejado para o desenvolvimento de exploração em águas profundas e prospecção nas áreas adjacentes às primeiras descobertas. A refinaria de Pasadena teria que esperar.
 
Aí veio 2008, e a crise financeira que fez evaporar os créditos no mundo inteiro. A Astra, provavelmente já aborrecida porque a Petrobrás havia deixado Pasadena de lado, e espremida pelo aperto financeiro que asfixiava empresas em todo mundo, decide sair do negócio. E obtém uma vitória judicial espetacular na Corte Americana, obrigando a Petrobrás a pagar US$ 296 milhões pelos 50% da Astra, mais US$ 170 milhões de sua parcela no estoque.
 
Esses estoques de petróleo e derivados, sempre é bom lembrar, não constituíram prejuízo à Petrobrás, porque foram consumidos e vendidos.
 
A esse montante foram acrescidos mais US$ 173 milhões, correspondente a garantias bancárias, juros, honorários e despesas processuais.
 
Com isso, o total a ser pago pela Petrobrás elevou-se a US$ 639 milhões. Como a Petrobrás recorreu, naturalmente, a decisão final saiu apenas em junho de 2012, após acordo extrajudicial. O total, agora acrescido de mais juros e mais custos legais, ficou em US$ 820 milhões.
 
A refinaria continua lá, funcionando. É um ativo da Petrobrás. A presidente da Petrobrás relatou a ministros do TCU que teria recebido propostas de venda da refinaria de US$ 200 milhões, mas rejeitou as ofertas.  O momento não é bom para vender. Neste momento deve ter um monte de gente esfregando as mãos e querendo explorar a “crise política” para comprar Pasadena a preço de banana. O valor das refinarias nos EUA voltou a subir bem rápido, na esteira da recuperação da economia americana e talvez, ao cabo, a Petrobras consiga vendê-la por um preço vantajoso ou então converte-la numa refinaria mais lucrativa. Se me permitem um palpite talvez infeliz, eu acho que a Petrobras não deveria vender a refinaria de Pasadena, porque ela pode a se tornar estratégica para o escoamento dos derivados do presal no mercado norte-americano.
 
A descoberta sucessiva de novos campos do pré-sal demandam cada vez mais capital da Petrobrás, a qual não pode, por isso, desviar nenhum recurso para investir na refinaria de Pasadena, cuja capacidade de refino permanece em torno de 100 a 120 mil barris por dia. Mas quando o presal começar a jorrar, daqui a poucos anos, o dinheiro deixará de ser um problema para a Petrobrás, que precisará de bons lugares para investir, e nada melhor que uma refinaria que ela já tem, no coração do maior mercado do mundo.
 
O problema principal da refinaria de Pasadena, portanto, foi a descoberta do pré-sal, conforme a própria Petrobrás respondeu, em fevereiro de 2013. Só que esse problema também será a solução.