O cantor, compositor e músico Kosta Netto apresenta sua nova música, “Sensibilidade”, um xote com forte identidade nordestina, lançado especialmente neste período junino.
Com mais de 30 anos de carreira, Kosta Netto tem uma trajetória marcada pela valorização da música brasileira e da cultura popular nordestina. Cantor, intérprete, compositor e violonista, o artista construiu uma história sólida nos palcos, levando ao público um repertório diverso, afetivo e cheio de identidade.
Em “Sensibilidade”, Kosta Netto traz uma sonoridade acolhedora e dançante, inspirada no xote tradicional e no clima das festas de São João. A canção fala de sentimento, delicadeza e verdade, traduzindo uma das principais marcas do artista: cantar com emoção, história e pertencimento.
O lançamento faz parte do momento atual da carreira de Kosta Netto, que vem fortalecendo sua presença nas plataformas digitais, rádios, entrevistas e shows, especialmente com seu projeto voltado para o São João.
A música “Sensibilidade” já está disponível nas plataformas digitais e também integra o repertório junino do artista.
"Pablo morreu, lemos ao acordar nesta terça-feira (22) na Rússia, e a dor vem com a notícia. Desaparece fisicamente um de nossos maiores músicos", assim se expressou no Twitter o Primeiro Secretário do Partido Comunista de Cuba e Presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, ao saber da morte do cantor e compositor Pablo Milanés, informa o Granma, jornal do Partido Comunista Cubano.
O Chefe de Estado acrescentou: "Voz indissociável da trilha sonora da nossa geração. Minhas condolências a sua viúva e filhos, a Cuba."
A morte do trovador, uma das figuras mais reconhecidas da música cubana, ocorreu esta segunda-feira, 21 de novembro, em Madrid, aos 79 anos.
O fundador do grupo de Experimentação Sonora ICAIC e do Movimento Nueva Trova foi internado no dia 13 de novembro na capital espanhola. Ele estava recebendo tratamento para a doença onco-hematológica que sofria há vários anos, e que se agravou recentemente.
Segundo o Ministério da Cultura cubano, o trovador, nascido em Bayamo em 1943, estudou música no Conservatório Municipal de Havana, e gravou o seu primeiro disco em 1965, intitulado Os meus 22 anos, considerado a ponte entre o Feeling e a Nova Trova.
Seu legado musical está contido em mais de 40 álbuns que contêm canções emblemáticas como El breve espacio, Yolanda, Cuba Va, Amo esta Isla e Comienzo y final de una verde mañana, entre muitos outros, além de colaborações inesquecíveis com inúmeros músicos cubanos e com vários dos maiores artistas da Nossa América e de outras regiões.
Autor de uma obra monumental, este legado musical constitui uma referência incontornável da identidade e cultura cubana e as suas canções e interpretações magistrais integram, por direito próprio, a banda sonora da Revolução Cubana.
Sua última apresentação em Cuba foi o concerto na Cidade Desportiva de Havana, em 21 de junho de 2022.
A sua morte ocorre no momento em que celebramos o 50º aniversário daquele extraordinário acontecimento cultural que foi a Fundação do Movimento Nueva Trova, do qual é um dos pilares fundamentais. Pablo foi um grande poeta, um grande cantor. Sua obra musical é imortal, afirma o Ministério da Cultura de Cuba, que também oferece a seus familiares, amigos e admiradores de todo o mundo nossas mais sinceras condolências.
Durante a quarentena, no mês passado, Moraes escreveu um cordel. Falava da covid-19, mas também do medo da violência e no final faz uma referência a Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro assassinada em 2018.
O cantor baiano Moraes Moreira morreu nesta segunda-feira (13) no Rio de Janeiro. Segundo o Blog do Marrom, o também cantor e compositor Paulinho Boca de Cantor confirmou a informação. Muito emocionado, Paulinho mal conseguia falar e contou que ele faleceu durante o sono.
A causa da morte de Moraes ainda não foi informada. Também não há informação sobre quando e onde será o sepultamento.
Nascido Antônio Carlos Moreira Pires na cidade de Ituaçu, Moraes começou a carreira tocando safona em festas de São João. Na adolescência, aprendeu a tocar violão enquanto estudava em Caculé. Depois, se mudou para Salvador e conheceu Tom Zé. Formou com Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão os Novos Baianos, ficando com o grupo de 1969 até 1975.
Caetano Veloso foi à ocupação em São Bernardo (dir), mas não contou. Imagem mostra vista aérea do local (esq)
O prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB), embargou o show do cantor Caetano Veloso no acampamento Povo Sem Medo, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), marcado para as 19 horas desta segunda-feira, 30. Trata-se da maior ocupação popular da América Latina.
A juíza Ida Inês Del Cid, da 2ª Vara da Fazenda Pública de São Bernardo, definiu uma multa de R$ 500 mil caso o show fosse realizado, sendo “deferida ordem policial, caso necessário” (veja a decisão aqui).
A menos de três horas da hora marcada para a apresentação de Caetano, policiais e guardas civis impediram a entrada de equipamentos de som na Ocupação Povo Sem Medo.
A denúncia foi feita em rede social pelo coordenador do MTST, Guilherme Boulos. “A PM e a GCM acham que a vontade do prefeito Orlando Morando vale mais do que a Constituição”, afirmou o ativista (vídeo abaixo).
Segundo Boulos, a decisão rasgou a Constituição e a prefeitura, o Ministério Público e a Justiça agiram juntos para proibir o show.
“Esse prefeito deve estar morrendo de dor de cotovelo. Esses artistas todos reunidos aqui conosco é a melhor resposta. Foi dito, inclusive, que não podia-se permitir o show porque se tratava de uma ocupação ilegal. Na verdade, ilegal é esse terreno ter ficado 40 anos abandonado e dever R$ 500 mil de IPTU.”, afirmou.
Caetano foi à ocupação, mas obedeceu a decisão judicial e não cantou. O cantor ficou boa parte do tempo em uma tenda no local.
“Viemos aqui para cantar em ação de solidariedade ao movimento que vocês levam […] evitaram que isso acontecesse. Mas nós estamos juntos”, disse o cantor.
Em uma coletiva improvisada no local, Caetano disse que, entre as músicas que planejava cantar, estava “Gente”
Caetano ainda comparou a proibição de hoje aos tempos em que sofria censura na ditadura. “É preciso cantar porque há muitas dificuldades. Não sei se foi censura, não sou um técnico em questões legais, mas é a primeira vez que me impedem de cantar desde a redemocratização. A impressão é de que não se trata de um ambiente propriamente democrático. Acho que é má vontade deles (prefeitura e judiciário)”, afirmou.
Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, cantor e
compositor brasileiro (reprodução)
Canções do compositor cearense debateram, desde os anos 1970, a alienação, as relações mercantis e a própria indústria cultural. Mas alguns procuraram enquadrá-lo como apenas um rapaz romântico.
A imagem de Belchior vendida pela indústria cultural é a do artista brega, de voz fanha e bigodão – uma figura! Poucos prestam atenção nas letras. A forma simples de suas canções possibilitou sua assimilação pela indústria fonográfica, que criou-lhe uma imagem caricata e reproduziu suas músicas em massa, entre shows, premiações e programas de auditório, fazendo tábula rasa de seu conteúdo crítico. Belchior foi reduzido a um mero cantor romântico.
Em estética, o artista engajado politicamente deve escolher entre dois caminhos: o da forma artística de difícil assimilação – e remuneração! – para o público e para a indústria cultural; ou o da forma mais simples, de fácil assimilação do público e do show business. Ambas as opções estão fadadas ao silêncio político: uma não apela, a outra tem seu apelo anulado pela caricaturização. No fim, a indústria cultural impede que qualquer artista seja levado muito a sério, por seu ostracismo ou por sua redução a uma imagem vendável.
A especificidade de Belchior é a sua consciência perante esse processo todo. “Aluguei minha canção / pra pagar meu aluguel / e uma dona que me disse / que o dinheiro é um deus cruel / […] hoje eu não toco por música / hoje eu toco por dinheiro / na emoção democrática / de quem canta no chuveiro / faço arte pela arte / sem cansar minha beleza / assim quando eu vejo porcos / lanço logo as minhas pérolas” (TOCANDO POR MÚSICA, Melodrama, 1987).
Belchior demonstra uma compreensão total do processo de nivelamento – por baixo – da cultura por parte da indústria cultural, dificultando demasiado a ocorrência de composições com alto grau de complexidade – os artistas que se propõem a tal correm sempre o risco da miséria material e do esquecimento. Os próprios arranjos dos discos de Belchior são bem simples, com o teclado tendendo ao “engraçado”. Não é da mesma maneira em relação às letras, sempre de uma profundidade abissal e crítica ácida.
Belchior, antes de músico no sentido geral, é um compositor de canções. Cada autor encontra uma forma para se expressar: o ensaio filosófico, a pintura não-figurativa, a ópera, a canção. A canção foi a forma adequada que Belchior encontrou para transpassar seus pensamentos. É preciso ter em mente, ao pensarmos a obra de Belchior, um autor de vasta erudição, de poesia refinadíssima, conhecedor das línguas latinas e da literatura clássica, e um artista engajado politicamente de maneira radicalíssima. A partir da forma canção, Belchior oferece uma visão do Brasil e do mundo que pouquíssimos filósofos nascidos em nossas terras puderam vislumbrar. Como diz Nietzsche, o homem verdadeiramente de seu tempo sempre está à frente de seu tempo. É o caso de Belchior.
Uma das críticas mais ferrenhas do cancionista sobralino é contra a arte alegre, moda da época nos anos 1960-70. O filósofo Theodor Adorno, em sua Teoria Estética (1969) diz que a arte se utiliza de elementos da vida enquanto seus materiais; se a vida social é cindida pela divisão do trabalho, que separa o homem de sua produção e da natureza, e impede a felicidade enquanto reconhecimento recíproco entre sujeito e objeto, a arte que imita essa vida deve ser triste, como a própria vida. A arte alegre seria, então, ideológica, uma falsa verdade. A Bahia alegríssima de Caetano Veloso dos anos 1970 (a triste é de Gregório de Matos) não passa de logro, ilusão. “Veloso / o sol não é tao brilhante pra que vem / do norte / e vai viver na rua” (FOTOGRAFIA 3X4, Alucinação, 1976). Surpreendente o jogo de ambiguidade: “veloso” pode ser tanto um adjetivo do Sol, velando pelo migrante e suas dificuldades na metrópole, ou assumir outro sentido completamente oposto, identificado com o próprio Caetano enquanto imperativo moral – “Veloso (Caetano), veja!, para quem sofre, o sol não é tão brilhante quanto dizes”. Ou então esta outra: “Mas trago de cabeça uma canção do rádio / em que um antigo compositor baiano me dizia / tudo é divino / tudo é maravilhoso / […] mas sei que nada é divino / nada, nada é maravilhoso / nada, nada é sagrado / nada, nada é misterioso, não” (APENAS UM RAPAZ LATINO-AMERICANO, Alucinação, 1976).
Chamado de “antigo”, pois já havia deixado de ser vanguarda e caído no pop, encontramos mais uma crítica a Caetano e sua composição “Divino Maravilhoso” (1968), em parceria com Gilberto Gil e que foi imortalizada na voz de Gal Costa. Vale notar, sem dúvida, que a crítica de Belchior a Caetano provém de alguma admiração: em entrevista ao Pasquim em 1982, Belchior diz que Caetano Veloso é o melhor letrista da MPB, “o autor da modernidade musical no Brasil”. Todavia, é com enorme verve materialista que ele fortemente rebate a letra de Caetano – “nada é divino, maravilhoso, sagrado, misterioso!”
O materialismo é um dos fundamentos da música de Belchior. Seus grandes inimigos são os escapistas, os fugidios, aqueles que diante de crenças metafísicas falam de uma vida reconciliada, feliz. Musicalmente representada na Tropicália, essa ideia era disseminada pelos hippies, com a cabeça feita por alucinógenos e um mix de espiritualidade. A resposta do materialista é ácida [sic]. “Eu não estou interessado em nenhuma teoria / em nenhuma fantasia / nem no algo mais / nem em tinta pro meu rosto / oba oba, ou melodia / para acompanhar bocejos / sonhos matinais / eu não estou interessado em nenhuma teoria / nem nessas coisas do oriente / romances astrais / a minha alucinação é suportar o dia-a-dia / e meu delírio é a experiência / com coisas reais” (ALUCINAÇÃO, Alucinação, 1976). É como se Belchior dissesse que não é por estar num registro de experiência desconhecido que essa experiência é necessariamente divina; especular metafisicamente sobre isso não passa de teoria vazia. E que o importante não é o plano espiritual, mas este aqui, o da miséria e do sofrimento, a realidade empírica e social.
Aos 29 anos em 1976, quando do lançamento do álbum Alucinação, Belchior teve o tempo, a maturidade e o olhar aguçado para ver a dissolução do sonho pacifista de liberdade. Os libertários de outrora logo se tornaram os burgueses. “Já faz tempo / eu vi você na rua / cabelo ao vento / gente jovem reunida / na parede da memória / esta lembrança é o quadro que dói mais / minha dor é perceber / que apesar de termos feito / tudo, tudo o que fizemos / ainda somos os mesmos e vivemos / como os nossos pais / […] e hoje eu sei / que quem me deu a ideia / de uma nova consciência e juventude / está em casa guardado por Deus / contando seus metais” (COMO OS NOSSOS PAIS, Alucinação, 1976). É curioso notar que foi exatamente “Como os nossos pais”, na magnífica voz de Elis Regina, a canção que colocou Belchior de fato no mercado fonográfico.
O radicalismo político de Belchior tem seu principal fundamento na crítica do dinheiro em si e do trabalho alienado, uma crítica mais profunda do que a mera crítica do capitalismo. O dinheiro é tratado enquanto fetiche e abstração, mas também enquanto necessidade material e fonte da corrupção moral. “Tudo poderia ter mudado, sim / pelo trabalho que fizemos – tu e eu / mas o dinheiro é cruel / e um vento forte levou os amigos / para longe das conversas / dos cafés e dos abrigos / e nossa esperança de jovens / não aconteceu” (NÃO LEVE FLORES, Alucinação, 1976). E é o trabalho aquilo separa o homem da natureza, exterior e interior, desumanizando-o. “E no escritório em que eu trabalho e fico rico / quanto mais eu multiplico / diminui o meu amor” (PARALELAS, Coração Selvagem, 1977). Por isso, o aspecto político da obra de Belchior ultrapassa a defesa do socialismo centralista ou qualquer outro sistema que envolva a burocracia. O problema é um problema fundamental, primeiro, filosófico: a civilização. “Aqui sem sonhos maus, não há anhanguá / nem cruz nem dor / e o índio ia indo, inocente e nu / sem rei, sem lei, sem mais, ao som do sol / e do uirapuru” (NUM PAÍS FELIZ, Bahiuno, 1993). Profundo como um antropólogo anarquista, um Pierre Clastres da canção, a crítica mira o fundamento da coisa: a racionalidade ordenadora, dominadora, instrumental, como fora notado por Adorno e Horkheimer na Dialética do Esclarecimento (1946).
Belchior faz as denúncias fundamentais; sua arte é hegemonicamente negativa. Todavia, há um resquício de esperança nessa visão do Apocalipse, mesmo que a esperança fale sobre o que não deve ser. Nada absurdo para o cancionista sobralino, pois para ele a sociedade é ruim por excesso, não por falta. “Não quero regra nem nada / tudo tá como o diabo gosta, tá / já tenho este peso / que me fere as costas / e não vou, eu mesmo / atar minha mão / o que transforma o velho no novo / bendito fruto do povo será / e a única forma que pode ser norma / é nenhuma regra ter / é nunca fazer / nada que o mestre mandar / sempre desobedecer / nunca reverenciar.” (COMO O DIABO GOSTA, Alucinação, 1976). “Como o diabo gosta” deveria ter sido um hino da liberdade; passou despercebida, sem ninguém contestar a “Pra não dizer que não falei das flores” (Geraldo Vandré, 1968) o posto de canção de protesto.
Para Belchior, as palavras são um instrumento de luta política, do despertar da consciência contra a opressão e seus mecanismos ideológicos. “Se você vier me perguntar por onde andei / no tempo em que você sonhava / de olhos abertos, lhe direi / amigo, eu me desesperava / […] e eu quero é que esse canto torto feito faca / corte a carne de vocês” (A PALO SECO, Alucinação, 1976). Para tal intento, sua canção deve ter um quê de dissonância para com o sistema estabelecido, e em vez de cantar as “grandezas do Brasil”, tem de denunciar os horrores de uma sociedade civil falida. “Não me peça que eu lhe faça uma canção como se deve / correta, branca, suave / muito limpa, muito leve / sons, palavras, são navalhas / e eu não posso cantar como convém / sem querer ferir ninguém / mas não se preocupe meu amigo / com os horrores que eu lhe digo / isso é somente uma canção / a vida realmente é diferente / quer dizer / a vida é muito pior” (APENAS UM RAPAZ LATINO-AMERICANO, Alucinação, 1976). Se a arte é a mímese da vida, toda arte, por mais verdadeira que seja enquanto parte, não dá conta do todo. A realidade é pior do que a tristeza que a arte transpassa, e pior do que o pesadelo em sonho. É essa realidade que importa mudar.
Um mecanismo utilizado nas letras e nas melodias de Belchior é o da aproximação perante o ouvinte. Cearense, migrante, que na cidade grande sofreu, tocou em puteiros, foi explorado para “fazer a vida”. “Pra quem não tem pra onde ir / a noite nunca tem fim / o meu canto tinha um dono e esse dono do meu canto / pra me explorar, me queria sempre bêbado de gim” (TER OU NÃO TER, Todos os sentidos, 1978). É assim, por meio de sua experiência de vida trash, que Belchior realiza o approche para com o ouvinte. Ritmo simples e letra aguda, essa foi a aposta do cancionista para a politização da massa. “A minha história é talvez / é talvez igual a tua / jovem que desceu do norte / que no sul viveu na rua / que ficou desnorteado / como é comum no seu tempo / que ficou desapontado / como é comum no seu tempo / que ficou apaixonado e violento como você / eu sou como você que me ouve agora” (FOTOGRAFIA 3X4, Alucinação, 1976). Ao dizer “eu sou como você”, Belchior almeja arrebatar o outro como identidade, e trazer à tona a revolta contra a opressão; seu público – alvo, escolhido a dedo, não é o intelectual burguês letrado, mas o pobre que vai ao boteco depois da jornada de trabalho; ele o reconhece como indivíduo ativo a ser despertado: o sujeito revolucionário. Mas é claro que a indústria cultural fez de tudo para anular esse conteúdo: em plena ditadura militar, transformaram Belchior numa personagem caricata, num astro romântico, o galã de “Todo sujo de batom” (Coração Selvagem, 1977).
Belchior sabe, desde muito tempo, que “Eles venceram / e o sinal está fechado pra nós / que somos jovens” (COMO OS NOSSOS PAIS, Alucinação, 1976). Mesmo assim, não foi em vão seu esforço: além de todas as canções citadas até agora, ainda há muitas outras de conteúdo crítico ferrenho, como por exemplo “Pequeno perfil de um cidadão comum” (Era uma vez um homem e seu tempo, 1979), uma epopeia sem o elemento épico, que fala de como é vã a vida do sujeito raso, de gosto pouco refinado, cuja finalidade é voltada ao trabalho; “Arte Final” (Bahiuno, 1993), grande canção sobre tudo aquilo que deveria ter acontecido e não aconteceu; ou “Meu cordial brasileiro” (Bahiuno, 1993), que identifica a tese do “homem cordial” de Sérgio Buarque de Hollanda (Raízes do Brasil, 1936), o elemento diferenciador do brasileiro, com o aspecto consentido do nosso povo perante a política e o trabalho. Belchior teve sua poesia impregnada pela frustração de não ter podido colocar em prática o projeto por um mundo melhor, e sua música é mais verdadeira e mais revolucionária por isso: não promete a felicidade, mas escancara a impossibilidade dela no estado de coisas vigente.
No fim, em meio a essa cena sombria, nos tempos dele e no nosso tempo de agora, ainda há alguma esperança. Para Belchior, mais importante do que a filosofia ou a arte é a vida. “Primeiro o meu viver / segundo este vil cantar de amigo” (AMOR DE PERDIÇÃO, Elogio da Loucura, 1988). Sua filosofia é oposta à de Caetano: se para o compositor baiano, quem “mora na filosofia” está separado dos sentimentos humanos, a filosofia de Belchior provém da experiência; é pensamento vivo. “Deixando a profundidade de lado / eu quero é ficar colado à pele dela noite e dia / fazendo tudo de novo / e dizendo sim à paixão / morando na filosofia” (DIVINA COMÉDIA HUMANA, Todos os sentidos, 1978).
Marcado no cancioneiro latino-americano como uma de suas grandes vozes, Belchior foi um mestre da poesia. Foi assimilado pela indústria cultural, de fato, como Mercedes Sosa ou Che Guevara. Ele se jogou na contradição da música popular, assim como qualquer um se joga nas contradições da lógica do trabalho. Assimilado, mas não rendido. “Marginal bem sucedido e amante da anarquia / eu não sou renegado sem causa” (LAMENTO DE UM MARGINAL BEM SUCEDIDO, Bahiuno, 1993). Não é por ter sido reproduzido e veiculado pela indústria cultural que Belchior perdeu totalmente a sua virulência: ela se mantém viva em ouvintes atentos que, como nós, encontram nele uma manifestação da consciência de seu tempo, e mais: a esperança de um mundo melhor, inteiramente outro. Por agora, o importante é viver. “Bebi, conversei com os amigos ao redor de minha mesa / e não deixei meu cigarro se apagar pela tristeza / sempre é dia de ironia no meu coração” (NÃO LEVE FLORES, Alucinação, 1976). Belchior, como Nietzsche, diz sim à vida, apesar de tudo, e talvez por isso tenha caído fora dessa loucura midiática que é a vida de um artista famoso sempre sob os holofotes.
Em relação às dúvidas acerca de seu paradeiro, que me perdoem os escandalizados, mas a letra já estava dada há muito tempo. “Saia do meu caminho / eu prefiro andar sozinho / deixem que eu decido a minha vida” (COMENTÁRIO A RESPEITO DE JOHN, Era uma vez um homem e seu tempo, 1979).
Os
Rolling Stones (da esquerda para a direita): Charlie Watts, Keith
Richards, Mick Jagger e Ronnie Wood organizou um concerto em Havana no
final de março. Foto: Retirado de makingofezine.com
Mick Jagger não vai falar com ninguém. Assistir
a um concerto organizado especialmente para ele, enquanto seu dj equipa
afasta os curiosos que querem imortalizar uma foto em seu líder de
célula Stone. I ficar perto eo famoso vocalista na pista dança ao ritmo da eletrônica, como fazia antes em outro clube habanero. Um membro próximo de sua equipe disse que para mim, e, neste ponto, é
óbvio: os Rolling Stones querem jogar aqui e já está falando sério com o
lado cubano para organizar o show.
O vocalista da banda de rock mais famosa ativo na Terra "desmorona" redes sociais. Publique
suas fotos tiradas no Centro Histórico e desperta uma onda de
controvérsia sobre o verdadeiro significado da sua visita à ilha. Nunca
antes pedra tinha viajado a Havana. E agora é nada menos que o lendário cantor que decidiu inaugurar história satisfação da banda com Cuba.
Jagger
viaja através da cidade, uma visita surpresa a alguns músicos cubanos e
caminhando com seus membros da equipe circuito de discoteca. Jagger é conhecido, não é um turista. É
o músico que acabou de acordar da letargia o desejo de milhares de
cubanos que quando viram as imagens de sua estadia na capital, começou a
sonhar com um concerto dos Rolling em Havana, um sonho que encabeça
essa lista que quase sempre faz e que poderia ser chamado de algo como os "dez primeiras coisas que você deve fazer antes de morrer".
O círculo, felizmente, começa a fechar. O Institute of Music finalmente confirmou em conversações com a banda para organizar um concerto em Havana. Cubana,
portanto, pode reviver uma fase inesquecível de suas vidas para
materializar o show a ser realizada no final de março, nas áreas da
Cidade Sports. As negociações com as autoridades cubanas começaram a ocorrer durante
meses e parte da infra-estrutura para o concerto e chegou ao país.
O guitarrista, Keith Richards, tinha revelado da Europa e Mick Jagger confirmou o que sua presença em Cuba em outubro passado. A banda quer tocar em Havana e ainda estava para cumprir essa meta. Assim,
parece que os milhares de fãs locais dos Rolling Stones poderiam
cumprir o sonho quando estes quatro lendas, envolto na língua projetada
por Andy Warhol, deixando o palco para um concerto que irá definir um
marco para a banda e para Cuba . Será
o momento em que milhares de cubanos cheios de emoção adolescente
prontamente resolver um dos maiores dívidas com o seu passado e é também
o tempo em que os Stones estão enfrentando, possivelmente, o público
mais febril que conheceram através de seus 50 anos de história.
Os
Rolling Stones, escusado será dizer, são, apesar dos estragos do tempo
em uma era de plenitude, uma era que ainda encher estádios, vai quebrar
abrir o coração para seus seguidores mais jovens, e ainda oferecer
concertos gigantescos baseados escritório, consagração e um desperdício de energia, como se estivessem comemorando si. Como se procurasse aplicada cuidadosamente para continuar a fazer
previsões de diversão e confirmando que vêm de um mundo onde o rock and
roll era um ato de fé, com todo o negócio enorme que se move em torno da
banda.
Cada pedra é uma lenda em si. Mick
Jagger, em 72, é um desafio à natureza humana, se move sobre o palco
como um homem possuído, canta com enorme vitalidade, acompanhado, é
claro, de naturalidade que só fornece o tempo. Jagger
sempre esteve no centro do furacão e é um dos poucos seres humanos na
terra que podem contar em voz alta histórias sobre o passado selvagem e
brilhante no Rock and Roll de bairros para se tornar uma parte
inseparável da cultura popular. Será que uma Jagger ao longo dos anos não incomodá-lo no pescoço e continua a dar a cada concerto como se fosse o último.
Keith Richards é um dos fundadores da guitarra elétrica. Centenas de lendas sobre ele pairam, seja falsa ou não, tornando-se um objeto de culto para os fãs dos Stones. Na
verdade, existem poucos que iria levá-la para um laboratório para
encontrar a causa de seus 72 anos continuam a tocar guitarra como se ele
iria para a escola. Para
piorar a situação, ele faz isso com uma mestria que descansa em seu
registro e sua capacidade de lançar todos os acessórios e toque
categoricamente, de modo que cada riff ocupar o lugar exato dentro do
discurso musical. Keith não é o que um guitarrista virtuoso extremamente dizer, mas sim: é uma guitarra monstro que está além do bem ou do mal.
Um personagem muito original dentro da banda é o baterista Charlie Watts. Com 74 anos, é um dos músicos mais completos das Pedras e um dos mais experiente para ser encontrado atrás da bateria. Seu
modo de tocar influenciado todos na banda, especialmente Keith
Richards, e tem sido um baluarte para manter o relacionamento, por
vezes, tormentosa- entre os seus membros. Jazz aficionado, também dedica muito do seu tempo livre para os seus projectos a solo em que a riqueza em bruto deste tipo.
Ronnie Wood é definido como um "pintor que toca guitarra." O
músico tem encontrado espaço dentro de seus compromissos com os Stones
para expor suas obras com imagens de velhos amigos como Jimi Hendrix,
Eric Clapton, entre outros. A madeira é o mais novo membro da banda (68 anos) e seu desempenho
como guitarrista é muito reconhecível por sua habilidade e estágio de
desenvolvimento exuberante.
O
concerto dos Rolling Stones, como afirmou, será um momento histórico e
abrir as portas para chegar a Havana outras grandes bandas. Por exemplo, este escritor conheceu Paul McCartney e U2 já demonstraram interesse em oferecer concertos em Cuba. No momento, os Rolling Stones bater na porta e os cubanos estão
dispostos a realizar esse sonho que, como se sabe, tem prosseguido por
muito tempo.
Como havíamos prometidos, rolaremos 02 vídeos do melhor do britpop (abreviatura de "Roque Britãnico") e mais 02 que estavamos devendo da VMB. Vejam abaixo e curtam:
3 – Radiohead – Fake Plastic Trees. Direção: Jake Scott. 1995
Esse marcante videoclipe mostra, em câmera lenta e com algumas imagens fora de foco, os integrantes da banda, principalmente o vocalista Thom York, sendo mostrado de cima para baixo dentro de um carrinho de supermercado e passeando pelos corredores, onde aparecem outros personagens, como uma senhora de pano na cabeça, uma mulher de vestido laranja, um garoto careca com camiseta de time de basquete, uma adolescente e dois bebês.
4 – Verve – Bitter Sweet Symphony. Direção: Walter A. Stern. 1998
Esse videoclipe chamou atenção ao mostrar o vocalista Richard Ashcroft dublando a música em perfeito sincronismo labial enquanto caminha pelas ruas movimentadas de Londres, sem nunca mudar de direção e sempre esbarrando nas outras pessoas, até terminar ao lado dos outros integrantes da banda. A fotografia em tons azulados provocou sensação na época e a canção fez muito sucesso e sempre aparece em listas das melhores de todos os tempos.
5 — Andei — Lurdez da Luz. Direção: João Solda
A banda caminha, cantando, e vai atraindo novos amigos por onde passa. Você já viu isso em algum outro lugar, não? Mas desta vez não se trata de plano sequência e foi registrado pelas ruas do centro de São Paulo. É quase uma versão mais moderninha de "Mama África".
6 — Nem Fé Nem Santo — Mallu Magalhães. Direção: Fabricio Pires Bittar de Carvalho
Mallu Magalhães canta o tempo todo olhando para a câmera, de vestido bege e enfeites no cabelo. Interagindo com ela, na frente ou ao fundo, aparecem diversos desenhos, como maquetes ou cenários teatrais. Mais uma vez não há nada de muito original. Não dá para não rir da sequência em que um varal cheio de roupas passa na frente dela.
Em 18 de agosto, fez 20 anos da estreia oficial do Oasis, que nessa data, em 1991, tocou pela primeira no clube Boardwalk, na cidade-natal, Manchester, na Inglaterra. Rapidamente, a banda dos irmãos Liam e Noel Gallagher se tornou uma das principais referências do que ficou conhecido como “britpop” abreviatura de “pop britânico”, que reúne artistas muito diversificados, mas que misturam o rock and roll com uma linguagem mais radiofônica. Eles também podem ser identificados pela escolha de diretores inovadores para dirigir os videoclipes que estrelam, tanto que dali surgiram as 10 obras-primas escolhidas abaixo. Vamos exibir 02 (dois) vídeos, estaremos divulgando os vídeos restantes nas próximas postagens: 1 – Suede – Animal Nitrate. Direção: Pedro Romhanyi. 1993
Esse videoclipe causou polêmica e foi banido da MTV por mostrar dois homens se beijando. Porém, a qualidade da produção é tão grande que ela foi premiada com o primeiro MTV Euro Video Song Contest, entregue em 1993. Em imagens bastante aceleradas e piscando na tela, mostra a banda tocando num estúdio com imensas cortinas de seda, intercala com imagens de um prédio no subúrbio de Londres e do vocalista Brett Anderson contracenando com um rapaz com cabeça de porco.
2 – Oasis – Wonderwall. Direção: Nigel Dick. 1995
Em imagens em preto e branco, um palhaço caminha por uma sala vazia e coloca um disco do Oasis para girar numa vitrola. É quando começa a canção e Liam Gallagher aparece tocando e cantando sentado numa cadeira posicionada no mesmo cenário, de costas para a câmera. A partir daí, por meio de cortes singelos, Liam canta olhando para a câmera e os outros integrantes da banda aparecem em diferentes ambientes e em ângulos inusitados. A sobreposição de imagens girando como se fossem um disco de vinil se tornou um marco, assim como o violão pintado de azul e tocado por Noel, e a tela dividida em vários quadrados, remetendo a “A Hard Day’s Night”, dos Beatles.
3 – Radiohead – Fake Plastic Trees. Direção: Jake Scott. 1995
Esse marcante videoclipe mostra, em câmera lenta e com algumas imagens fora de foco, os integrantes da banda, principalmente o vocalista Thom York, sendo mostrado de cima para baixo dentro de um carrinho de supermercado e passeando pelos corredores, onde aparecem outros personagens, como uma senhora de pano na cabeça, uma mulher de vestido laranja, um garoto careca com camiseta de time de basquete, uma adolescente e dois bebês. 4 – Verve – Bitter Sweet Symphony. Direção: Walter A. Stern. 1998
Esse videoclipe chamou atenção ao mostrar o vocalista Richard Ashcroft dublando a música em perfeito sincronismo labial enquanto caminha pelas ruas movimentadas de Londres, sem nunca mudar de direção e sempre esbarrando nas outras pessoas, até terminar ao lado dos outros integrantes da banda. A fotografia em tons azulados provocou sensação na época e a canção fez muito sucesso e sempre aparece em listas das melhores de todos os tempos. 5 – Blur – Coffee & TV. Direção: Hammer & Tongs. 1999
A comovente história de uma caixinha de leite que ganha vida e parte em busca do guitarrista da banda, Graham Coxon, para acabar com a tristeza de seus familiares, se apaixona por outra caixinha de leite e tem um final surpreendente. Esse é um dos melhores videoclipes da história, realizado pela dupla Hammer & Tongs, na verdade o diretor Garth Jennings e o produtor Nick Goldsmith, a partir da caixinha chamada Milky, criada pelo Jim Henson’s Creature Shop, o criador dos Muppets. 6 – Manic Street Preachers – If You Tolerate This Your Children Will Be Next. Direção: Wiz. 1999
Com título retirado de um adesivo dos opositores ao regime de Franco durante a Guerra Civil Espanhola, esse videoclipe mostra os membros da banda tocando num local todo azul, presos a fios, como se fossem marionetes. Aos poucos, descobre-se que eles estão presos numa piscina e do lado de fora há quatro pessoas sem olhos e sem bocas. Um belíssimo trabalho a respeito da opressão, que foi eleito, em 1999, o melhor videoclipe do ano pela revista britânica “New Musical Express”. 7 – Coldplay – The Scientist. Direção: Jamie Thraves. 2002
Esse videoclipe começa focalizando de cima para baixo o vocalista Chris Martin cantando deitado num colchão azul. Começa, então, a narrativa invertida, com ele passando por diferentes situações numa rua e num parque até chegar a um automóvel, onde sofreu um acidente. As imagens da capotagem ao contrário são incríveis. Também é um belo exemplo de defesa do uso do cinto de segurança, que foi premiado, no VMA daquele ano, como melhor videoclipe de grupo e de inovação, e melhor direção. 8 – Libertines – Up The Bracket. Direção: Gina Birch. 2002
Videoclipe simples, mas envolvente, que começa com os integrantes da banda divididos em quatro janelas horizontais e posicionadas no centro da tela. Em seguida, eles aparecem na tela inteira na mesma rua e no interior de uma casa, tocando e cantando vestidos com o uniforme da guarda britânica, diante de várias garotas. 9 – Arctic Monkeys – Leave Before The Lights Come On. Direção: John Hardwick. 2006
Realizado no quarteirão cultural de Sheffield, na Inglaterra, esse videoclipe começa com o ator Paddy Considine caminhando pelas ruas e a atriz Kate Ashfield ameaçando saltar do topo de um prédio, até ser vista pelo rapaz, que tenta salvá-la. Ela se apaixona por ele e, após assustá-lo ao tentar conquistá-lo, passa a persegui-lo. O resultado é decepcionante e ela volta ao topo do prédio, reiniciando a história com outro rapaz. 10 – Kasabian – Empire. Direção: W.I.Z. 2006
Indicado a melhor videoclipe do ano pela revista “Q” e rodado em Bucareste, na Romênia, essa produção mostra os integrantes do Kasabian como membros do décimo primeiro regimento Hussars, durante a Guerra da Crimeia, que ocorreu entre 1853 e 1856, envolvendo o Império Russo contra uma coligação de Reino Unido, França e o Piemonte-Sardenha, na atual Itália. A edição sonora é surpreendente, pois, ao mesmo tempo, em que utiliza ruídos externos à música, utiliza algumas passagens dela, por exemplo, para cadenciar as passadas dos soldados. Ah, e claro que não faltam dezenas de figurantes, canhões, mortes e muitos tiros. Apesar dos pedidos para parar, a banda inteira é dizimada.
Por Guilherme Bryan Do Yahoo notíciais
Esqueça Restart, Luan Santana, Sandy, Wanessa e companhia. Entre os dez indicados ao Video Music Brasil, prêmio concedido pela MTV Brasil, de melhor videoclipe do ano, não aparece nenhum desses artistas mais populares. Sinal de que a premiação está se levando mais a sério e valorizando produções de qualidade.
Os internautas poderão votar (vmb.mtv.uol.com.br)em apenas quatro categorias, incluindo a de melhor videoclipe, e os vencedores serão anunciados em 20 de outubro, numa festa nos Estúdios Quanta, em São Paulo, que terá transmissão ao vivo pela emissora. Um bom exercício é comparar esses indicados com os do VMA e descobrir como os realizadores de videoclipes brasileiros são talentosos e criativos.
Veja a seguir a lista desses dez indicados e o que possui de especial e vamos divulgar logo 02 (dois) vídeos da sequência, prometendo em divulgar os 08 (oito) restantes em breve: 1 — Subirusdoistiozin — Criolo — Direção: Tom Stringhini e Alexandre Casagrande
Videoclipe que mostra a história de dois garotos e de dois homens, com ótimos efeitos sonoros, que modificam totalmente a canção com a inserção de ruídos e falas; a incrível passagem de tempo por meio de dois diferentes tipos de rádio; e a atuação sempre magistral do veterano Abrahão Farc. O final é surpreendente. 2 — Então Toma — Emicida. Direção: Fred Ouro Preto
Com referências evidentes aos seriados policiais dos anos 70 e os videoclipes dirigidos por Spike Jonze, essa produção muito bem-humorada e denominada "o maior filme de todos os tempos" merece atenção pela edição esperta, a utilização de efeitos gráficos, imagens filmadas em ângulos inusitados e a narrativa policial. 3 — Banho de Bucha — Garotas Suecas. Direção: Arthur Warren e Suza
A presença do ex-dançarino do É O Tchan, Jacaré, e a grande utilização de efeitos visuais, principalmente de chroma-key e bastante retrô, garantem a diversão. A variação imensa de cores e a multiplicação do dançarino na tela também são destaques. 4 — É Preciso (A Próxima Parada) — Jota Quest. Direção: Conrado Almada Conrado Almada aposta na técnica do "stop motion", como já havia feito com Sandy e Skank, e divide a tela em várias janelas, que se completam a partir de fotos das antigas polaróides. Não tem nada de tão original, mas é bem atraente pela inserção de vários ruídos visuais e pelos desenhos em imagens de diferentes origens e cromaticidades.
5 — Andei — Lurdez da Luz. Direção: João Solda
A banda caminha, cantando, e vai atraindo novos amigos por onde passa. Você já viu isso em algum outro lugar, não? Mas desta vez não se trata de plano sequência e foi registrado pelas ruas do centro de São Paulo. É quase uma versão mais moderninha de "Mama África".
6 — Nem Fé Nem Santo — Mallu Magalhães. Direção: Fabricio Pires Bittar de Carvalho
Mallu Magalhães canta o tempo todo olhando para a câmera, de vestido bege e enfeites no cabelo. Interagindo com ela, na frente ou ao fundo, aparecem diversos desenhos, como maquetes ou cenários teatrais. Mais uma vez não há nada de muito original. Não dá para não rir da sequência em que um varal cheio de roupas passa na frente dela.
7 — O Tempo — Móveis Coloniais de Acaju. Direção: Steve ePonto
Videoclipe muito divertido que se vale de outra mania nos videoclipes — as dancinhas bizarras. Com a maior parte das imagens bem aceleradas, os integrantes da banda dançam, cantam, gesticulam e movimentam os braços diante do que parece ser um estacionamento coberto e atrás de um vidro sendo grafitado. Há aqui um meticuloso trabalho de pós-produção.
8 — Só Agora — Pitty. Direção: Ricardo Spencer
O videoclipe se passa em 1976, um ano antes de Pitty nascer. Para transmitir veracidade, o diretor Ricardo Spencer resolveu filmar tudo em Super-8, numa chácara em São Paulo, reunindo amigos e filhos de amigos da artista. Também houve grande cuidado com cenários e figurinos, e até mesmo os carros são os da época.
9 — Nightwalker — Thiago Pethit. Direção: Vera Egito e Renata Chebel
Estrelado por Alice Braga, esse videoclipe foi filmado nas ruas de São Paulo e faz referência à personagem de Sônia Braga, tia da atriz, no filme "Eu Te Amo", dirigido por Arnaldo Jabor, em 1981, com direito a maquiagem preta carregada e o vestido prata de lantejoulas. Interessante é o efeito produzido pela dublagem que a atriz faz do cantor.
10 — Antimonotonia — Mombojó. Direção. Fernando Sanches
Esse videoclipe ainda não estreou e nem está disponível. Certamente, só a direção da MTV Brasil já teve acesso a ele. Pelo trailer, dá para imaginar que se trata de uma brincadeira com os filmes de ficção científica, com pessoas fantasiadas e um cenário que simula planeta perdido.