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quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Comunicado dos partidos de oposição – PT/PSB/PDT/PCdoB


Nesta tarde, nossos partidos – PT/PSB/PDT/PCdoB – se reuniram com o Presidente da Câmara dos Deputados, Deputado Rodrigo Maia, para tratar da sucessão na presidência da Casa. Na ocasião, fomos comunicados que o Dep Aguinaldo Ribeiro (PP/PB), num gesto de desprendimento, abriu mão de sua pré-candidatura em favor do Dep Baleia Rossi (MDB/SP). Diante disso, fomos informados de que o candidato apresentado pelos partidos de seu grupo é o Dep Baleia Rossi (MDB/SP). Ato contínuo, o Presidente Rodrigo Maia solicitou aos nossos partidos uma reunião com o Dep Baleia Rossi para 2ª-feira, 14h, para que ele possa nos apresentar as propostas e compromissos de procedimentos que nortearão sua candidatura à presidência da Casa. Nossos partidos continuarão buscando unidade na ação para garantir a defesa da democracia, a independência do Poder Legislativo, a derrota do autoritarismo e do obscurantismo e a proteção dos direitos do povo brasileiro.

Gleisi Hoffman – Pres. PT
Carlos Siqueira- Pres. PSB
Carlos Lupi – Pres. PDT
Luciana Santos – Pres. PCdoB
José Guimarães – Líder da Minoria na Câmara
Carlos Zarattini – Líder da Minoria no Congresso
Enio Verri – Líder do PT
Alessandro Molon – Líder do PSB
Wolney Queiroz – Líder do PDT
Perpétua Almeida – Líder do PCdoB

FONTE: Blog do Renato

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Por quê a militância petista não engole Ciro Gomes?


Miguel do Rosário, via Facebook
Eu queria entender esse sectarismo anti-Ciro da militância petista.
Ciro Gomes foi fiel ao PT e a Lula do início ao fim. No mensalão, quando vários petistas pularam fora ou se acovardaram (inclusive muitos que hoje posam de valentões), estava lá, firme.
Hoje é crítico duro da condenação de Lula, sobre a qual afirma, categoricamente, que é injusta, agregando que leu a sentença com atenção e dá sua opinião inclusive como professor de Direito.
PT fez acordos inúmeros com a direita, com o PMDB, com diversos partidos conservadores, com Geddel, com Temer, com Cunha, e a militância sempre entendeu, em nome da governabilidade. Eu mesmo entendi, embora apontando que, sem estruturar uma comunicação autônoma, forte, o campo popular não conseguiria sustentar politicamente durante muito tempo suas iniciativas, e ficaria cada vez mais dependente da direita para governar.
Mesmo assim, entendi. E segurei as pontas. Ciro também. Foi ministro de Lula e se manteve leal, reitero, todo esse tempo.
Por que essa implicância agora com Ciro Gomes, que tem um programa econômico à esquerda do PT, que está num partido de esquerda, que tem ideias progressistas?
Se Ciro quisesse “trair” o PT, tê-lo-ia feito, como todo mundo, ao longo do processo de impeachment, não?
Todos os ministros do STF, indicados pelo PT, traíram o partido, traíram inclusive a Constituiçãopela qual juraram. Traidor é que não falta no Brasil, mas só podemos julgá-los como traidores depois que traírem. Chamar alguém de traidor antes da trairagem não é correto.
Além disso, a militância está caindo muito facilmente nas intrigas da mídia. A grande imprensa pinça uma frase de Ciro Gomes, para intrigá-lo contra o PT, e a militância acredita? Ora, antes de acusar Ciro por causa de frases jogadas pela mídia, assistam a entrevista, leiam a íntegra das respostas.
Acho que é o momento da esquerda petista calçar a sandália da humildade e entender que boa parte das desgraças que acometem o PT nasceram de erros do partido, a começar pela indicação de ministros do STF inteiramente descomprometidos com as causas democráticas e sociais do campo progressista-popular, incluindo aí a defesa das garantias e direitos fundamentais. Não só no STF. No STJ, nos tribunais de segunda instância, na PGR, o PT não teve uma visão estratégica no uso de suas prerrogativas presidenciais para nomear juízes.
Não só isso. O PT não produziu sequer um debate contra o estado de exceção. E não foi por falta de aviso. A Lava Jato mostrava as garras, e Dilma e seu ministro da Justiça batiam palmas para maluco dançar, ao invés de iniciar um enfrentamento republicano, democrático, transparente, duro, contra os arbítrios e abusos de poder da Lava Jato.
Na comunicação, nem se fala. O PT errou feio na comunicação, e esse não foi um erro menor: foi um erro de grandes proporções, que resultou num enfraquecimento histórico do campo progressista. Fortaleceram a Globo e enfraqueceram a mídia alternativa e as rádios comunitárias.
Lula é um preso político e foi condenado sem provas. Ele é inocente do caso triplex, mas não é inocente dos erros políticos, como o já mencionado processo de escolhas de ministros do STF, que resultaram em sua prisão. Obviamente ninguém deve ser preso por causa de erro político, mas é preciso entender que erros políticos trazem consequências graves, terríveis até, para aqueles que os cometeram.
Enfim, o PT e sua militância precisam, a meu ver, ajudar a esquerda a construir pontes entre si, e não dinamitá-las com julgamentos afobados, passionais.
Tenho impressão que muita gente que hoje condena Ciro Gomes sem nem ler o seu programa ou assistir com serenidade suas entrevistas vai acabar passando vergonha.
E, por favor, sem me xingar, sem inventar teorias de conspiração, sem insinuações baratas, e demais truculências.
Vamos debater na boa!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A direita tem o culpado. Agora procura o crime...

Em artigo publicado neste domingo (14), o escritor Eric Nepomuceno aponta uma inversão da lógica policial nas investigações em curso no Brasil; antes, do crime partia-se para a busca do culpado; hoje, acontece o inverso. 


Por Eric Nepomuceno*


A verdade é que existe, tanto no PT como no grupo mais próximo a Lula da Silva, um claro incômodo diante do silêncio da presidenta Dilma Rousseff e seu governo com relação ao verdadeiro massacre sofrido pelo ex presidente. Uma muito bem organizada ação articulada por amplos e poderosos setores da Polícia Federal, do Ministério Público e, claro, dos grandes meios hegemônicos de comunicação encontraram num juiz de província chamado Sérgio Moro o eixo para uma campanha como não se via no Brasil há pelo menos 65 anos, cujo objetivo é a rápida e fulminante desconstrução da imagem do mais importante líder popular surgido desde Getúlio Vargas, o mítico presidente que, acossado por campanha similar, optou por se matar em agosto de 1954.

São ingredientes claros de toda clareza. De um lado, os partidos de oposição, encabeçados pelo PSDB (Partido da Socialdemocracia Brasileira), nocauteado pelo PT de Lula em quatro ocasiões sucessivas em suas tentativas de voltar à presidência.

Dando mostras de que sua irresponsabilidade desconhece limites, o PSDB não apenas tanta o golpe institucional por duas vias – a do julgamento político no Congresso, e a da impugnação das eleições de 2014, que reconduziram Dilma Rousseff à presidência, no Tribunal Superior Eleitoral – como se dedica, dia sim e o outro também, a derrotas medidas propostas pelo governo que foram precisamente criadas e defendidas durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), principal expressão do partido. Assim, qualquer coisa que possa ser prejudicial ao governo, não importando as consequências sobre o país, merece o rápido apoio do PSDB.

De outra parte, o verdadeiro combustível da fogueira destinada a tentar carbonizar Lula da Silva sem de um esquema tão visível como absurdo, sem que ninguém tente desfazê-lo.

A coisa funciona assim: algum funcionário da Polícia Federal adverte os meios hegemônicos de comunicação que foi detectada uma suspeita sobre Lula da Silva (as provas e indícios são, claro, desnecessárias). A informação é imediatamente publicada pela imprensa e disseminada pela televisão, especialmente a Globo, que cresceu e se fortaleceu durante a ditadura militar (1964-1985), e não oculta a nostalgia daqueles bons tempos.

Baseado nessa notícia, algum procurador de escalão intermediário pede à Polícia Federal uma investigação. O juiz Sérgio Moro autoriza, e pronto.

Muitos dos delegados da Polícia Federal que investigam o esquema de corrupção implantado na Petrobras e outras estatais fizeram campanha, nas redes sociais, para o derrotado Aécio Neves, do PSDB, contra Dilma, em 2014.

Muitos dos procuradores que orbitam ao redor do juiz Moro integram seitas evangélicas que se opõem a tudo que se refira ao governo, e alegremente participam de cerimonias condenando Lula, Dilma, o PT e tudo que tenha cheiro de esquerda ao fogo eterno.

Moro, ídolo máximo da direita, atua como Justiceiro Supremo. Não parece preocupado com os escandalosos abusos ditados pela sua pluma afiada e sua voz fininha. O que importa é manter empresários e políticos presos inexplicavelmente até que aceitem o recurso da delação premiada e confessem qualquer coisa com tal de voltar para casa.

Há, efetivamente, uma inexplicável inação da parte do ministro de Justiça de Dilma, a quem a Polícia Federal está subordinada administrativamente. Não se trata, claro está, de impedir que se investigue a fundo e sem limites todo e qualquer ato de corrupção. Mas, por que não impedir o vazamento seletivo, à imprensa, de acusações sem prova alguma? Por que permitir que não se investigue denúncias contra partidos de oposição, que se multiplicam sem parar? Nenhuma medida é adotada para que os minuciosos regulamentos de conduta sejam respeitados e obedecidos.

Seja como for, alguma coisa já se conseguiu: Lula é o culpado. De quê? De ser dono de um apartamento de classe média num balneário decadente que ele mesmo admitiu ter tido como opção de compra, da qual desistiu. De ser dono de um sítio que está em nome do filho de um de seus melhores e mais antigos amigos.

Ambos os imóveis foram reformados por construtoras envolvidas em escândalos de corrupção. E que, por sua vez, são as mesmíssimas que financiaram a compra do imóvel e do luxuosíssimo mobiliário do instituto de outro ex presidente, Fernando Henrique Cardoso, do tão moralista PSDB.

Cardoso é um intelectual de alto coturno, um exemplo nítido das elites acadêmicas não apenas de seu país, mas do continente. Uma doação ao seu instituto é um ato de generosidade do empresariado.

Lula da Silva é um operário de escassíssima cultura acadêmica, mas de indescritível sensibilidade social e intuição política. Uma doação ao seu instituto é, claramente, um ato de corrupção.

A grande imprensa e a direita ressentida já têm o culpado: Lula da Silva. Agora tratam de descobrir qual o crime cometido.

O mais importante, o essencial, é impedir que ele torne a ser eleito em 2018.


*Eric Nepomuceno é jornalista, escritor e tradutor.