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quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Transição energética, transição ecológica, transição socialista


A transição energética ainda é insuficiente. Precisamos de uma transição que promova o reencontro do homem com a natureza

Por Theófilo Rodrigues*

O mundo todo está – ou deveria estar – com os olhos voltados para a 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 28), que teve início em 30 de novembro e que irá até 12 de dezembro, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Essa COP acontece em um contexto curioso e perturbador. Por um lado, a ciência tem demonstrado consensualmente e de diferentes maneiras que as mudanças climáticas e o aquecimento global são resultados da ação direta do capital, em particular pelo abuso dos combustíveis fósseis – leia-se, petróleo e carvão. Essa mesma ciência assegura que, se não alterarmos essa trajetória até 2050, a maior parte dos danos será irreversível.

Contudo, ao mesmo tempo em que a ciência dá esse grito de alerta, a COP 28 é presidida nesse momento pelo negacionista sultão Al-Jaber, chefe da empresa petrolífera estatal dos Emirados Árabes Unidos, a Abu Dhabi National Oil Company (Adnoc). Conflito de interesses seria o mínimo a ser dito sobre essa situação.

Independentemente dessa questão conjuntural que envolve a COP 28, o fato é que cresce cada vez mais o apelo em todo o mundo para que as coisas mudem.

O que é transição energética?

É nesse contexto que cada vez mais encontramos a expressão transição energética nos discursos políticos, nas reivindicações da sociedade civil e nas matérias na imprensa. Mas o que significa essa tal de transição energética?

Sabemos que o capitalismo teve um grande impulso em fins do século XVIII com a introdução nas fábricas de máquinas de vapor movidas por carvão. Eram essas as máquinas que produziam a poluição na Manchester descrita por Friedrich Engels em seu clássico de 1845 A situação da classe trabalhadora da Inglaterra. E essa poluição recaía sobre uma classe bem específica. Diz Engels:

“Essa parte de Manchester, a leste e a nordeste, é a única na qual a burguesia deixou de instalar-se, e por uma razão de monta: o vento dominante, que, por dez ou onze meses do ano, vem do oeste ou sudoeste, esparze sobre ela a fumaça de todas as fábricas. Essa fumaça, que sejam os operários os únicos a respirá-la” (1).

A partir de fins do século XIX, esse carvão não apenas gerou energia para os motores das fábricas, mas também para a iluminação das cidades por meio da criação de usinas termoelétricas.

Entretanto, o carvão não é o único combustível fóssil poluente. Também no século XIX o homem descobriu uma outra forma de gerar energia: o petróleo. E esse petróleo tornou-se a principal fonte de energia do capitalismo do século XX.

Esses combustíveis fósseis, diz a ciência, são os grandes responsáveis pelo aquecimento da temperatura do planeta. Logo, a transição energética para um cenário futuro em que eles não sejam mais necessários é uma exigência para a sobrevivência da espécie humana.

Assim, a agenda da transição energética possui duas grandes frentes. A primeira é a substituição de termoelétricas baseadas em carvão por usinas de energia eólica, solar e até mesmo nuclear. A segunda frente é a substituição do petróleo por meios alternativos como etanol, biodiesel e hidrogênio verde.

Essa agenda só será possível em 2050 se os próprios recursos da bilionária indústria do petróleo forem direcionados para o desenvolvimento de ciência, tecnologia e inovação que contribuam para essa transição. No Brasil, isso é o que a atual gestão da Petrobras tem indicado que fará, mas ainda de forma muito tímida.

O que é transição ecológica?

Realizar apenas a transição energética, no entanto, é insuficiente para o combate ao aquecimento global. É por essa razão que muitos falam em transição ecológica, uma transição mais ampla que a energética.

A transição ecológica inclui a transição energética. Mas ela incorpora a complementariedade de outras dimensões. Por exemplo, a transição ecológica pressupõe o fim dos desmatamentos de todos os biomas, pois as queimadas não apenas reduzem criminosamente a biodiversidade como também contribuem para o aquecimento global. Sob esse mesmo diapasão, a transição ecológica pressupõe uma nova forma de lidarmos com a produção agrícola.

Utilizando dados de um famoso químico alemão do início do século XIX, Justus von Liebig, Karl Marx já denunciava a forma como a produção capitalista na Inglaterra destruía a fertilidade permanente do solo e para isso importava elementos agrícolas como terra e fertilizantes de outros países. “Todo progresso da agricultura capitalista”, concluía Marx, “é um progresso na arte de saquear não só o trabalhador, mas também o solo” (2).

Uma aposta da transição ecológica é a bioeconomia, atividade econômica que compreende que a floresta de pé pode gerar muito mais riquezas do que se for devastada. Preservando a biodiversidade, a bioeconomia pode ser a base de todo um complexo industrial de saúde que produza fármacos e cosméticos.

Importante registrar que o atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil tem demonstrado certo compromisso com essa agenda e, inclusive, apresentou um Plano de Transição Ecológica para os próximos anos. Esse plano conta com forte protagonismo do ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação da ministra Luciana Santos e do ministério do Meio Ambiente de Marina Silva.

Mas esse mesmo governo federal é um governo de frente ampla que precisa equilibrar interesses políticos e econômicos muitas vezes contraditórios. Numa correlação de forças sócio ambientalmente injusta, alguns desses interesses servem muitas vezes de freio para que a agenda da transição ecológica se realize na velocidade que a ciência exige.

O que é transição socialista?

Argumentei até aqui que a importante transição energética é apenas uma dimensão que está inserida dentro de um conjunto maior, qual seja, a fundamental transição ecológica. O mesmo pode ser dito da transição ecológica, que é uma dimensão dentro da necessária e holística transição socialista.

A sociedade capitalista promoveu uma profunda separação entre os homens e a natureza. E, nesse divórcio, alguns homens acreditaram que poderiam vencer a natureza. Engels, ao discutir essa relação em sua Dialética da natureza, previu a situação caótica e destrutiva em que estamos:

“Mas não nos regozijemos demasiadamente em face dessas vitórias humanas sobre a Natureza. A cada uma dessas vitórias, ela exerce a sua vingança”, registrou o fundador da teoria marxista.

Engels diz ainda: “E assim, somos a cada passo advertidos de que não podemos dominar a Natureza como um conquistador domina um povo estrangeiro, como alguém situado fora da Natureza; mas sim que lhe pertencemos, com a nossa carne, nosso sangue, nosso cérebro; que estamos no meio dela; e que todo o nosso domínio sobre ela consiste na vantagem que levamos sobre os demais seres de poder chegar a conhecer suas leis e aplicá-las corretamente” (3).

Seu parceiro intelectual, Marx, tinha claro para si que a separação entre homem e natureza era uma consequência da propriedade privada. Em suas palavras, o capitalismo “desvirtua o metabolismo entre o homem e a terra” (4). Somente a suprassunção positiva da propriedade privada, dizia Marx (5), seria “a verdadeira dissolução do antagonismo do homem com a natureza e com o homem”.

Em síntese, se o capitalismo foi o responsável pelo completo desvio do metabolismo entre o homem e a terra, somente a transição socialista poderá apontar na direção desse reencontro. Essa transição socialista significa substituir a forma predatória, anárquica, concentradora e autoritária como produzimos atualmente, por uma forma sustentável, planejada, participativa, inclusiva e democrática. Numa linguagem clássica, significa mudar o modo de produção. É na transição do modo de produção que conseguiremos promover nosso reencontro com Gaia, com a Mãe Terra, com a Pachamama. Mas essa transição só será possível se for dirigida por uma nova maioria social e política que seja sócio ambientalmente comprometida. Nesse início do século XXI, nada é mais importante do que construir essa nova maioria.

*Theófilo Rodrigues é cientista político.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

EUA-Cuba: As diferenças entre conhecimento e ignorância.

Foto: CUBADEBATE

Por José Ramón Cabañas

Acaba de ser concluída a vigésima edição da série de diálogos sobre Cuba na política externa dos Estados Unidos, exercício organizado pelo Centro de Pesquisa de Política Internacional (CIPI) na sede do Instituto Superior de Relações Internacionais "Raúl Roa", desde o alvorecer do século XXI. Nesta ocasião, alguns de seus iniciadores participaram novamente, devemos agradecer a eles e aos que não estão mais por sua vontade, perseverança, interesse e até divergências.cipi
Nesta ocasião, pela primeira vez, todos os painéis foram transmitidos em tempo real no canal You Tube do CIPI, onde permanecem disponíveis os vídeos das apresentações. Um primeiro dado interessante, nos três dias em que o evento esteve em funcionamento (14, 15 e 16 de dezembro) 1.273 pessoas se conectaram às sessões, um total que crescerá nos dias seguintes.

No entanto, o curioso é que mais da metade dessas conexões (662) ocorreram no exato momento em que acontecia um discurso especial de posse de um alto funcionário do Itamaraty. Os números indicam que é interessante ouvir a voz oficial de Cuba, que o que ela levanta é imediatamente consumido e transcende o nível político.

Desde a mesma manhã de quarta-feira, 14 de dezembro, houve comentários na imprensa e nas redes sociais, principalmente de quem avalia que qualquer provável retrocesso na comunicação oficial estável entre os dois países pode significar o fim da indústria do ódio. . É um bom sinal.

Mas este encontro voltou a ser um espaço académico para ouvir diferentes propostas sobre temas comuns, contando pela primeira vez com a participação de especialistas de países terceiros, numa altura em que aqueles que se opõem a uma relação de cooperação bilateral em determinados temas tentam negar evidências e construir currículos para supostos intelectuais, que nunca foram, para tentar confrontar professores e autores reconhecidos em universidades e centros de pesquisa estrangeiros.

Sobre questões como a política do atual governo de Joe Biden em relação a Cuba e suas perspectivas para 2023-2024, ouviram-se vozes divergentes e opostas, mas tentou-se construir uma visão única, com base no que cada um poderia contribuir. Talvez os pontos comuns fossem basicamente três:

Apesar de todas as suas limitações materiais, recifes de corais, pântanos e outras áreas de interesse ambiental estão muito melhor protegidos em Cuba do que nos Estados Unidos.

O trabalho realizado por Cuba neste campo, seguindo prioridades de interesse nacional, tem um balanço favorável para o Sul dos Estados Unidos, particularmente em Louisiana, Alabama, Flórida e Geórgia.

Os atores não-governamentais de ambas as nações têm um papel preponderante na construção de pontes e na educação de cidadãos, empresários e tomadores de decisão, no sentido de que quase todas as novas iniciativas econômicas que propomos terão impacto em nosso meio ambiente.

Quando se fala em outras áreas de intercâmbio, sem dúvida, as respectivas universidades, institutos de pesquisa em geral e os ligados à saúde em particular oferecem o terreno mais fértil. A ciência não pode ser limitada, nem com polarização, nem com ódio, nem com mentiras. Nos momentos em que queriam causar sufocamento total, Cuba respirava com sua Ciência e suas conquistas. Ainda hoje, quando são conhecidas e debatidas em todas as latitudes, continuam a causar espanto. Isso acontece igualmente em Los Angeles, Minneapolis, Chicago ou Detroit.

Quando quase tudo no intercâmbio bilateral entre Estados Unidos e Cuba congelou, os cientistas continuaram conversando, se complementando, alertando para perigos e salvando vidas juntos a partir de seus e-mails, publicações especializadas ou simplesmente pelo WhatsApp. O espectro é muito mais amplo e vai desde a Agricultura até o combate aos derramamentos de óleo no Mar do Caribe.

A essa altura, quando o volume de informações já parecia impossível de processar, os visitantes estrangeiros tiveram a oportunidade de conhecer a experiência singular da Fundação da Universidade de Havana, do Parque Tecnológico de Havana e da empresa CETA SA da interface do ISPJAE, que em 2 anos acumularam resultados significativos na aplicação de ciência, tecnologia e inovação. Até os cubanos que moravam com eles ficaram surpresos.

Merecem particular menção as reflexões partilhadas sobre a cooperação judiciária, o combate à emigração ilegal e ao tráfico de seres humanos, o terrorismo, a cibercriminalidade, o combate ao narcotráfico, a relação Guarda Costeira-Guarda de Fronteiras. O número de comunicações do lado cubano, que permanecem sem resposta das autoridades norte-americanas desde 2018, apesar de serem a investigação de fatos que, em última instância, podem e afetam a segurança nacional dos Estados Unidos.

Basta um exemplo: agências especializadas cubanas emitiram alertas ao longo dos anos contra 57 cidadãos de origem cubana residentes nos Estados Unidos, por crimes associados ao narcotráfico. Cinco deles são alertas vermelhos, reservados para os comissários mais perigosos. Não há sequer um aviso de recebimento dessas comunicações do lado dos EUA.

Apesar de os organizadores do evento terem tentado repetidamente confirmar a presença de especialistas americanos nestes assuntos, foi impossível contar com a presença deles. No entanto, pudemos compartilhar e citar importantes textos publicados por alguns deles em passado recente, sobre o significado do caráter construtivo desta cooperação bilateral.

A intervenção do especialista colombiano que aceitou fazer parte deste painel foi tão clara quanto transparente ao concluir que: não serve ao interesse dos Estados Unidos, nem de toda a América, incluir Cuba na lista de países que supostamente patrocinam o terrorismo. Essa prática deve ser imediatamente descartada e a ação oportunista e ultrapassada do ex-Secretário de Estado dos Estados Unidos deve ser revertida.

Menção à parte nos anais desses eventos, e em comemoração a esta edição especial, merece o painel proposto e organizado pela National Coalition of Concerned Legal Professionals. Juntos, eles trouxeram uma visão em primeira mão e com base em sua própria experiência dos efeitos sociais do COVID 19 na população dos EUA, mas não do ponto de vista médico ou de saúde, o que já foi desastroso por si só. Referiram-se ao impacto na disponibilidade de habitação, à impossibilidade de pagar rendas, ao elevado índice de mortes entre a população prisional, ao aprofundamento das diferenças sociais.

Esses profissionais, que atuam em comunidades de baixa renda nos Estados Unidos, tiveram a oportunidade de conhecer o projeto Quisicuaba, no centro de Havana. Depois de ouvir a explicação de seus talentosos líderes, eles fizeram inúmeras perguntas que foram respondidas longamente. Um deles pediu a palavra para narrar a dura realidade do serviço social nos Estados Unidos e como depois de muito esforço em trabalhar com uma família, ou um indivíduo, depois de protegê-los de ações judiciais impróprias, demissões injustas ou multas desnecessárias, aqueles são derrotados por uma overdose, ou pela violência nas ruas. Este homem, endurecido por suas próprias experiências, não conseguiu terminar seu discurso devido à emoção avassaladora.

Outro momento do evento foi dedicado a analisar conjuntamente o significado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e seus possíveis efeitos na região da América Latina e Caribe. Para além das estatísticas, vencedores, perdedores e futuros candidatos, ficou evidente a multiplicidade de novos fatores que atuam na realidade política americana, a crescente complexidade em termos de fazer previsões para um sistema tão complexo de atores, com manifestações muitas vezes caóticas. Perante este panorama, haverá sempre a opção de tentar articular uma relação com aqueles atores e naquelas matérias, em que haja plena compreensão da utilidade do vínculo, bem como conhecer a singularidade e capacidades diferenciadas dos autoridades federais, estaduais e internacionais.

O último painel, suficiente para cobrir o tempo de todo o evento, foi dedicado aos cubanos residentes nos Estados Unidos, seus pontos de vista sobre o país de origem e sua real capacidade, ou não, de influenciar a relação bilateral. De uma forma ou de outra. Aqui partimos novamente de dados científicos, não de percepções, nem de esquemas pré-estabelecidos. Independentemente das diferentes visões do país, das diferentes ideias sobre o que pode ou não estar no centro de uma futura relação construtiva entre Cuba e os Estados Unidos, chegamos a uma reflexão mais ou menos consensual: apesar da polarização política em Nos últimos anos nos Estados Unidos, apesar de todo o dinheiro investido em redes sociais e em campanhas negativas, há uma porcentagem significativa de cubanos que defendem a chamada agenda familiar e que estão dispostos a apoiar um retorno à lógica que prevaleceu no relacionamento bilateral oficial entre 2015 e 2016, se houvesse vontade política para isso no mais alto nível em Washington.

Este resumo talvez seja o fio condutor do evento e não a síntese do que nele foi dito, o que pode ser ponderado sem pressa em cada uma das intervenções disponibilizadas na referida plataforma. Cada um saiu do evento com suas próprias opiniões, suas conclusões preliminares, seus planos imediatos. A maioria de nós concorda que não precisamos esperar até dezembro de 2023 para o próximo intercâmbio acadêmico, para progredir.

A conclusão foi tirada em ambiente de troca. Aqueles que são a favor ou contra uma relação o mais racional possível entre os Estados Unidos e Cuba estão divididos por considerações políticas, ideológicas, conveniência ou interesse pessoal, ético e muitas outras. Mas a estas devem acrescentar-se as diferenças entre conhecimento e ignorância, pois é cada vez menos possível a um ser racional explicar de forma coerente que a actual política dos Estados Unidos para Cuba faz sentido, cumpre os objectivos para os quais foi concebida ou dá alguma contribuição para aperfeiçoamento humano.

Estas linhas não pretendem constituir uma interpretação única do que aconteceu durante o evento, são uma provocação para que todos consultem os vídeos disponíveis e leiam as memórias do evento, que serão publicadas em breve.

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

185 países exigem que os EUA ponham fim ao bloqueio contra Cuba, apenas dois contra

© Foto : Twitter / @BrunoRguezP

ONU (Sputnik) – A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou o projeto de resolução para acabar com o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos contra Cuba. A resolução foi adotada com 185 votos a favor, duas abstenções e dois votos contra, os dos EUA e de Israel. Ucrânia e Brasil foram os países que se abstiveram. Em seu discurso perante o plenário, o chanceler da ilha, Bruno Rodríguez Parrilla, denunciou os efeitos das políticas restritivas aplicadas pelo governo dos Estados Unidos contra Cuba nas últimas seis décadas e seu impacto na vida cotidiana dos habitantes da ilha.

O relatório apresentado pela ilha indica que "não há um único setor da vida social e econômica de Cuba que escape a esses efeitos. Várias gerações de homens e mulheres cubanos nasceram e viveram sob o cerco desta política criminosa, que viola os direitos da população e afeta o bem-estar e o paradigma de desenvolvimento que todo cubano aspira". 

O documento, intitulado "É preciso acabar com o bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba", acrescenta que a essência do bloqueio visa sufocar a economia cubana e tornar o povo faminto e necessitado, e qualifica-o como "um ato de guerra econômica em tempo de paz".

© Foto : Twitter / @BrunoRguezP

Segundo o relatório, entre janeiro e julho de 2021, o atual governo dos EUA manteve o bloqueio em vigor e aplicou rigorosamente as mais de 240 medidas coercitivas adicionais contra Cuba implementadas no governo anterior de Donald Trump (2017-2021). 

Acrescenta também que esta política de sanções da Casa Branca imposta desde 1962 constitui o principal obstáculo ao desenvolvimento econômico e social de Cuba, bem como ao cumprimento dos objetivos e metas da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e que com sua efeitos extraterritoriais dificultam as relações da ilha com países terceiros.

“O bloqueio é uma flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional, incluindo os princípios de igualdade soberana, não ingerência nos assuntos internos dos Estados, respeito à autodeterminação e independência, entre outros. violação massiva, flagrante e sistemática dos direitos humanos de homens e mulheres cubanos", enfatiza o relatório cubano.

De acordo com dados oferecidos pelo Ministério das Relações Exteriores de Cuba, somente de agosto de 2021 a fevereiro de 2022, essas medidas restritivas causaram danos à ilha por 3.806 milhões de dólares, um número recorde em sete meses. 

Por sua vez, nos primeiros 14 meses do governo de Joe Biden, os danos causados ​​a Cuba por essas políticas de sanções chegaram a 6.364 milhões de dólares. 

Segundo o relatório apresentado na ONU, nas seis décadas de aplicação do bloqueio estadunidense contra Cuba, a preços atuais, os danos acumulados somam 154.217 milhões de dólares, enquanto ao valor do ouro, levando em conta as depreciações, danos acumulados atingem a cifra de 1.391.111 milhões de dólares.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

PCdoB: Salvar vidas e preservar democracia exigem a saída de Bolsonaro

Foto: reprodução
As eleições municipais de novembro integram o combate pela vida, pela geração de emprego e renda, pela democracia, pelos direitos das pessoas a uma vida digna, por cidades democráticas e com maior qualidade de vida. Essa afirmação é da Resolução política aprovada na reunião virtual do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), iniciada na sexta-feira (10) e encerrada no sábado (11).
De acordo com o documento, a propagação descontrolada da Covid-19 e o agravamento da crise econômica, com dramáticas consequências sociais. “É imperativo uma plataforma emergencial das forças democráticas que contenha estratégias e medidas que assegurem a defesa da vida, proporcionem renda aos necessitados”, enfatiza.
O texto diz que as contradições acirradas em âmbito mundial, com as crises sanitária, econômica e social acirradas por essa conjuntura, acentua impasses, acelera mudanças e precipita tendências e fomenta a luta por alternativas. Para a Resolução, essa combinação de crises e os êxitos dos países socialistas no enfrentamento à pandemia oferece às forças revolucionárias a oportunidade de apresentar o socialismo como alternativa ao capitalismo em crise.
Conforme o documento, no Brasil a pandemia assumiu a proporção de uma tragédia nacional por conta da irresponsabilidade criminosa do presidente Bolsonaro. E afirma que o PCdoB reitera que somente os movimentos de frente ampla serão capazes de afastar Bolsonaro da Presidência da República.
Confira a íntegra:
Salvar vidas e preservar a democracia exigem a saída de Bolsonaro
A pandemia do novo coronavírus, por sua dimensão, impacta fortemente a realidade mundial. Ela acirra contradições, acentua impasses, acelera mudanças, precipita tendências, num mundo em múltiplas crises, por longo período. Promove a ampliação dos conflitos internacionais, como disputas tecnológicas e comerciais, entre outras. E, ressalta-se, fomenta a luta por alternativas.
No Brasil, por irresponsabilidade criminosa do presidente Bolsonaro, a pandemia assumiu a proporção de uma tragédia nacional. Agora, mesmo depois de contaminado pelo vírus, reforça o uso indevido da Presidência da República para dar sequência à campanha delituosa de negar a gravidade da doença e de se confrontar com às orientações sanitárias da Organização Mundial da Saúde (OMS). O PCdoB reitera que somente os movimentos de frente ampla que vão despontando serão capazes de afastar Bolsonaro da Presidência da República; solução que se impõe para retirar o país da crise, salvar vidas e preservar a democracia.
I A pandemia impacta o mundo em crise e em processo de mudanças
O SARS-Cov-2 já infectou oficialmente mais de 11 milhões de pessoas e provocou mais de meio milhão de mortes. A crise sanitária segue em expansão. Seus efeitos múltiplos dão novos contornos à crise sistêmica do capitalismo e ao acirramento das lutas de classes. Em termos econômicos, o mundo vive uma depressão. Alastra-se o desemprego e aumenta a desigualdade social. O PIB global – segundo prognósticos de vários organismos internacionais – sofrerá uma queda de pelo menos 6%. Isto apesar do inédito estímulo fiscal calculado hoje em US$ 11 trilhões, efetivado pelo conjunto dos bancos centrais. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) revelou, no final de abril, que 1,6 bilhão de pessoas que estão na economia informal são afetadas na própria subsistência. Cerca de 100 milhões de pessoas, em todo o globo, serão empurradas à situação de extrema pobreza, sendo 30 milhões só na América Latina.
O declínio dos Estados Unidos e a ascensão da China socialista constituem as duas contrafaces da principal tendência da geopolítica contemporânea. Primeiro país a sofrer um surto do vírus e com uma população três vezes e meia maior do que a dos Estados Unidos, a China teve 25 vezes menos óbitos pela covid-19. Depois de sua produção industrial ter caído 13,5% em fevereiro, só caiu 1,1% em março. Já recupera o dinamismo econômico e seu PIB deve crescer cerca de 3%. A China não sai melhor da pandemia por mera casualidade. Os países socialistas venceram a Covid-19 por terem demonstrado um nível superior de organização do Estado e da sociedade para enfrentar crises, protegendo a vida das pessoas, a atividade econômica e os interesses nacionais. Enquanto isso, os Estados Unidos tornaram-se o país com maior número de infectados, com mais de 130 mil óbitos até agora. Todavia, para tentar reverter ou mascarar essa tendência de declínio o imperialismo estadunidense sustenta uma ofensiva econômica, geopolítica e diplomática contra o gigante asiático. O desempenho positivo dos países socialistas, no contexto da pandemia, é um fato que oferece às forças revolucionárias a oportunidade de apresentar o socialismo como alternativa ao capitalismo em crise, que se revela incapaz de assegurar às pessoas o direito à vida e ao trabalho.
Acentuam-se as contradições e limitações das experiências de extrema-direita nascidas da crise de democracias liberais, em especial do Ocidente, provocada pelos ataques desferidos pelas forças reacionárias e neofascistas que emergiram na esteira da crise mundial do capitalismo, iniciada em 2007-2008. Todavia, o obscurantismo, a negação da ciência e da verdade, a xenofobia, o racismo, a violência e o autoritarismo – bandeiras do neofascismo – são confrontados pela resistência das amplas forças democráticas. Mesmo forças conservadoras à frente de governos de países europeus foram forçadas pela pandemia a colocar o Estado – ao menos momentaneamente – na garantia de políticas públicas referentes a empresas, emprego, renda e saúde.
Embora ainda seja necessário aguardar a evolução e o desenlace desse confronto, algumas lideranças do campo reacionário, como é caso de Donald Trump e Jair Bolsonaro, já sofrem os desgastes resultantes do fracasso na condução da atual crise. No caso dos Estados Unidos, Donald Trump provoca um conflito contra a existência do Estado palestino e, também, para desviar a atenção da situação interna. Ataca a OMS e outros organismos internacionais. Ele perdeu a condição de favorito nas eleições presidenciais em novembro, em especial pela política desastrosa de enfrentamento à pandemia e pela onda de protestos antirracistas e por justiça social que eclodiu com o assassinato de George Floyd. Dados revelam que o movimento “Vidas negras importam” pode ser o maior já ocorrido na história dos Estados Unidos. As últimas pesquisas já dão vantagem de 8 a 10 pontos para o candidato democrata, Joe Biden. Uma eventual derrota de Trump terá reflexo no Brasil, diminuindo a margem de manobra do governo Bolsonaro.
II- Grave tragédia nacional, Bolsonaro é o responsável
O Brasil passa por uma tragédia de grandes proporções. Mais de 70 mil pessoas – a maioria oriundas de parcelas mais pobres da classe trabalhadora – já perderam a vida, vitimadas pela Covid-19. Em termos absolutos, o país é o segundo no mundo em número de mortes e de infectados. Essa contagem, embora assombrosa, é incapaz de expressar as lágrimas, o luto e o sofrimento das famílias brasileiras.
A outra face desumana da tragédia é a econômica e social. O Banco Mundial estima queda de 8% do PIB brasileiro para este ano. Se essa estimativa se concretizar, será a maior queda em 120 anos. Metade da população economicamente ativa já está desempregada, e se depender do receituário de Bolsonaro e do ministro da Economia Paulo Guedes, ainda vai piorar. Milhões de trabalhadores (as) tiveram salários reduzidos. O pouco que resta dos direitos trabalhistas está sob ameaça. As micro, pequenas e médias empresas – polo gerador da maior parte dos postos de trabalho –, foram abandonadas, sem acesso ao crédito; sem o socorro do governo federal, fecham as portas. Em maio, a indústria, na sua totalidade, permaneceu 21% abaixo do nível de produção de fevereiro de 2020, enquanto 47% de seus parques regionais ficaram em níveis ainda mais baixos, de acordo com o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).
Esse quadro só não está pior porque o Congresso Nacional – com a participação ativa da bancada do PCdoB –, confrontando Bolsonaro, aprovou a renda emergencial de R$ 600,00 (quando o Ministério da Fazenda propunha apenas R$ 200,00), forçou, também, o presidente a recuar quando este propôs a suspensão do trabalho e o corte da jornada e do salário sem qualquer contrapartida para os trabalhadores, e aumentou os recursos destinados à compensação de queda de arrecadação de estados e municípios. Essas medidas implicaram em injeção de recursos na economia, mitigando parcialmente a queda da demanda.
Na esfera da resistência, há que se destacar a luta, por meio das centrais sindicais, com diálogo e pressão sobre o Congresso, contra o desmonte dos direitos trabalhistas, e a recente greve dos entregadores de aplicativos, com grande repercussão nacional, dando visibilidade às graves consequências da precarização das relações de trabalho.  Mas o governo segue decido a atacar os direitos dos trabalhadores, como é o caso da Medida Provisória (MP) 927, que, entre outros retrocessos, dá primazia aos acordos individuais de retirada de direitos sem a participação dos sindicatos.
A situação grave se completa com a democracia brasileira ameaçada sob ataque continuado do governo da extrema direita e de práticas ilegais de setores do aparato jurídico-policial do Estado.
III- Um presidente genocida
O Brasil teria condições de enfrentar a pandemia de modo a impedir que ela ganhasse a proporção a que chegou. Dezenas de milhares das mortes pela Covid-19 poderiam ter sido evitadas. Mas Bolsonaro negou, desde o início, a gravidade da doença, não traçou uma estratégia nacional para enfrentá-la, não aportou o Sistema Único de Saúde (SUS) com os recursos financeiros e humanos, e com insumos indispensáveis. O SUS já sofria com corte orçamentário, desmonte de programas importantes – como o Mais Médicos –, falta de atenção básica e de assistência farmacêutica, entre outras questões.
Bolsonaro pauta-se pela irresponsabilidade e a omissão, faz campanha permanente contra o distanciamento social e outras orientações sanitárias. Tentou, inclusive, ocultar o número crescente de mortos e contaminados. Atrasa e sabota medidas aprovadas pelo Congresso Nacional e pelos órgãos de gestão participativa do Ministério da Saúde e do Conselho Nacional de Saúde para o enfrentamento da crise sanitária e econômica. Fez atrasar a ajuda emergencial aos mais pobres, excluiu milhões que precisavam desse socorro, dificultando assim que as pessoas ficassem em casa para evitar a contaminação. Não executa os recursos autorizados para a saúde (retendo mais de R$ 20 bilhões), limitando as ações sanitárias necessárias ao combate à pandemia.
Bolsonaro, enfim, tem agido como um genocida, orientando a população a se expor à contaminação. Agora, quando a mortandade explode, ele se faz de inocente e, com cinismo, diz ser incapaz de fazer milagres.
IV- Agenda ultraliberal fracassa, mas Bolsonaro persiste na sua aplicação
A economia brasileira, que já vinha com um desempenho raquítico, entrou em grave recessão, enquanto o governo, a serviço do rentismo, mantém-se atado a uma lógica fiscalista. Segue também irredutível quanto à necessidade da revogação da Emenda Constitucional 95, a do teto dos gastos públicos, quando se faz necessário injetar volumosos investimentos públicos, a exemplo do que acontece em determinados países, para impulsionar a economia, salvando empresas, protegendo a vida e empregos, realizando obras.
Os bancos públicos cruzaram os braços, não liberam recursos, e a montanha de dinheiro do Banco Central foi repassada aos bancos privados e ficou na ciranda financeira ou foi para as grandes empresas, deixando as micro, pequenas e médias sem socorro. O resultado catastrófico se manifestará com toda crueza no decorrer deste segundo semestre: quebradeira e destruição de milhões de empregos. 
Todavia, a dupla Bolsonaro-Guedes dobra a aposta na agenda ultraliberal e neocolonial, causa determinante da recessão. Trama a privatização generalizada de empresas públicas lucrativas e estratégicas. Dá continuidade ao desmonte do Estado. Enfraquece os bancos públicos. Submisso ao sistema financeiro, canaliza recursos públicos para os bancos privados. Enfraquece e sabota a soberania nacional. Substituiu o que havia de melhor na política externa brasileira por uma conduta de subserviência aos Estados Unidos e de hostilidade a importes parceiros diplomáticos e comerciais. E promove o desmatamento na Amazônia, expondo o país a retaliações.
V- Governo da extrema-direita na defensiva
Bolsonaro se vale da pandemia para agravar a crise política e institucional, atacando os Poderes da República, pondo sob ameaça real o regime democrático. Todavia, há cerca de três semanas foi obrigado a empreender um recuo tático que lhe impõe, temporariamente, camuflar e modular sua agressividade antidemocrática. O objetivo desse recuo é preservar o mandato e tentar impedir o impeachment, buscando apoios para além do gueto bolsonarista.
É incerta a duração desse recuo. Mas uma certeza é que Bolsonaro apenas ganha tempo para recompor forças, tentar se livrar dos inquéritos para, assim que possível, retomar sua ofensiva contra o regime democrático.
Alguns fatores o empurraram à defensiva, como os três inquéritos que investigam seus crimes, de seu clã e de suas milícias, conduzidos por um Supremo Tribunal Federal (STF), que se levantou em defesa do Estado Democrático de Direito; e a prisão de Fabrício Queiroz, um agregado da família Bolsonaro, que põe em tela crimes de corrupção e lavagem de dinheiro do clã, além do visceral elo com os milicianos do Rio de Janeiro. Pesa, ainda, a perda de apoio em todos os segmentos da sociedade, sobretudo nas camadas médias.
Outro fator decisivo é o fortalecimento do campo oposicionista. Vários movimentos de frente ampla em defesa da democracia, da vida e dos direitos vão se tornando o canal de expressão dos 75% da sociedade que se opõem a ditaduras.
Bolsonaro, por sua vez, diante do isolamento político crescente, percebendo o risco real de ser expurgado da Presidência, fixa-se em criar uma base de cerca de 200 parlamentares na Câmara Federal, dividindo o Centrão. Atua, também, para preservar o respaldo que lhe prestam grandes empresas e bancos, para os quais a camuflagem “pacificadora” é tida como indispensável para que seja retomada a agenda de privatizações e tenha sequência o facão de cortes de direitos trabalhistas e sociais. O que dá margem de manobra ao presidente é o resiliente apoio de que ainda dispõe de 25% a 30% da população, embora, segundo as pesquisas, apenas 15% lhe prestam apoio irrestrito. É também muito elevado o desprestígio internacional de Bolsonaro.
VI- Fortalecer a frente ampla, grande tarefa política das oposições e do PCdoB
O PCdoB – um dos pioneiros a propor a frente ampla como núcleo da tática das oposições –, neste momento empenha-se para que os movimentos de frente ampla que estão vindo à luz se dinamizem e assim possam cumprir a missão a que se propõem: defender a democracia, a vida e os direitos. O PCdoB, diretamente ou por meio de suas lideranças, participou da criação de vários destes movimentos, integram suas coordenações e deles participam, como é o caso dos “Direitos Já”, o “Janelas para a Democracia” e o “Frente pela vida”.
A frente ampla se expressa, também, na atuação da maioria dos governadores e por um grande número de parlamentares de várias bancadas do Congresso Nacional. Ela abarca partidos, personalidades e lideranças da esquerda, do centro e da direita. Dada essa composição heterogênea, há evidentemente unidade e luta; situação que exige das forças progressistas capacidade para construir convergências que contribuam para que ela realize seus objetivos.
O Partido continuará empenhando para fortalecê-la, em formatos diversos e em diferentes espaços, e, sempre que possível, proporá que realize ações unitárias. E assim que as condições sanitárias permitirem, caberá aos movimentos de frente ampla promover grandes mobilizações cívicas de rua.
Segue, todavia, necessário repelir, no debate de ideias, concepções e condutas políticas equivocadas, sectárias, presentes em setores da esquerda, que persistem em negar a necessidade da frente ampla, e até mesmo em hostilizá-la.
Os movimentos de frente ampla precisam da força mobilizadora do povo, daí que o PCdoB, com seus militantes – a partir da atuação nas centrais e em outras entidades sindicais e no conjunto dos movimentos sociais –, trabalha para que as lideranças desse setor tenham protagonismo na construção da frente e para que suas plataformas façam a necessária relação entre democracia, direitos e proteção social. Nesse âmbito, há que se destacar o desempenho da CTB, da CGTB, da UNE, da UBES, da ANPG, ADJC, da CMB, da UBM, da Conam, da Unegro, da UNA-LGTB e da militância na frente cultural.
VII- Defesa da vida, do emprego, da renda e da retomada do crescimento
Quanto à grande jornada que a nação empreende para enfrentar e superar a pandemia, o PCdoB – no Congresso Nacional e demais casas legislativas, com suas lideranças que exercem responsabilidades no âmbito dos governos estaduais e municipais e com a atuação nos movimentos – desdobra-se para que se efetive um conjunto de ações de governos e da sociedade civil que cumpram a diretriz de que a vida das pessoas está em primeiro lugar.
O Partido, por meio de suas lideranças e organizações diretamente, executa ações de solidariedade ao povo, bem como se empenha para que os profissionais de saúde e outros trabalhadores de serviços essenciais sejam valorizados e tenham as condições de segurança para prestar os serviços. Na defesa da vida, o Partido, por meio de sua atuação nos movimentos sociais, deve atuar nos diferentes âmbitos dos comitês que estão sendo constituídos pela “Frente pela vida”. Ação que aumentará a participação dos comunistas na jornada pelo fortalecimento do SUS e do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
Diante da escalada de mortes, da falta de coesão entre as autoridades políticas e sanitárias, do quadro de incertezas – situação gerada pela irresponsabilidade do governo Bolsonaro – e da imperativa necessidade de salvar vidas, é preciso que se tenha presente, conforme sustentam respeitados pesquisadores da área, que o atual estágio da pandemia no país exige, entre as medidas indispensáveis, romper a cadeia de transmissão do vírus. As iniciativas de suprimir a transmissão estão atestadas em inúmeros exemplos, dentro e fora do Brasil, especialmente nos países asiáticos. São medidas exitosas para conter o atual quadro de contágio, como também de assegurar que novas ondas da pandemia possam ser controladas com segurança. Essas ações se resumem a lançar mão das tradicionais medidas de vigilância e inteligência epidemiológica, as quais tem como foco a busca ativa de novos casos, rastreio dos seus contactantes e isolamento dos casos positivos. No Brasil, essas ações podem ser desenvolvidas pelo que temos de mais forte e exitoso no SUS, que é a capilaridade das Unidades Básicas de Saúde, com suas equipes de saúde da família, devidamente orientadas por informações das regiões, bairros ou ruas, com índices maiores de reprodutibilidade do vírus.
A bancada do PCdoB na Câmara dos Deputados, liderada pela deputada federal Perpétua Almeida, destaca-se pela oposição vigorosa a Bolsonaro, pela construção da frente ampla no Congresso, pela defesa da vida, da democracia, do emprego, da renda, da retomada do crescimento econômico, da defesa das micro, pequenas e médias empresas.
Os trabalhadores comunistas, por meio da CTB e da CGTB, se orientam por construir a unidade da classe trabalhadora e seu protagonismo na luta democrática e patriótica, para fazer frente à crise econômica e ao governo Bolsonaro. Novos desafios para o movimento sindical emergiram no rastro da pandemia do coronavírus, exigindo especialmente a unidade de ação das centrais sindicais, dos (as) trabalhadores (as) do mercado formal e informal, em defesa da democracia, da vida, da saúde e do emprego.  A atuação do Partido na frente sindical foi fundamental no primeiro grande ato da frente ampla, no Primeiro de Maio deste ano, unitário, amplo e combativo, para defender a democracia e a retomada do desenvolvimento, e pelo “Fora, Bolsonaro!”.
O governador do Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB, que já se firmou nacionalmente como uma das principais lideranças da luta em defesa da democracia, tem chefiado seu governo com todo empenho, mobilizando a sociedade maranhense para vencer a pandemia. Dino faz esforço gigantesco para diminuir ao máximo o número de óbitos, orientar, acolher e assegurar tratamento médico-hospitalar ao povo, e faz o que está ao seu alcance para apoiar e socorrer a economia local. 
VIII- Eleições 2020: Derrotar o bolsonarismo e fortalecer o projeto do PCdoB
Nesse quadro de disputas, estão inseridas as eleições municipais de novembro. Elas integram um mesmo combate pela vida, pela geração de emprego e renda, pela democracia, pelos direitos das pessoas a uma vida digna, por cidades democráticas e com maior qualidade de vida. Combate que se liga a saídas das crises, por meio de uma política de ampla união de forças para isolar e derrotar o bolsonarismo.
Eleições no Brasil sempre são momentos de mobilização e uma tomada de posição dos eleitores; não se deve desconsiderar a sua importância. Há imprevisibilidades sobre o desenvolvimento da situação do país até novembro, mas a pandemia e a crise econômica e social em agravamento apontam tendências de grandes insatisfações populares. Por outro lado, indaga-se até que ponto se manterá o forte sentimento antissistema que marcou as últimas eleições, que também pode vir a se manifestar na forma de absenteísmo eleitoral.
Haverá lugar para um voto de opinião que reflete nacionalmente a crescente impopularidade do presidente Bolsonaro e o sentimento democrático da sociedade; mas esse tipo de voto exige também bandeiras e compromissos que respondam aos anseios concretos da população de cada cidade. Questões urgentes, como o direito à saúde com o fortalecimento do SUS, a proteção social, a geração de empregos e a retomada do crescimento econômico, serão marcantes para o eleitorado.
A definição do novo calendário eleitoral se impôs, conferindo mais seis semanas à pré-campanha até as convenções. É um período muito importante para aumentar a difusão de nossas candidaturas majoritárias e proporcionais, haja vista que candidatos já com mandatos e com grandes máquinas políticas largam em vantagem na disputa. E é também muito importante para que as candidaturas a vereador aprofundem seu trabalho de amarração de apoios, dada a singularidade da grande pulverização de nomes, devido ao fim das coligações, o que tende a rebaixar a votação individual em geral.
A direção nacional do PCdoB saúda militantes e dirigentes, que se empenham em dirigir esse esforço, enaltece suas pré-candidaturas, um elenco de lideranças competitivas credenciadas a serem vitoriosas nas urnas e à altura da responsabilidade de servir ao povo e às cidades. Saúda todas e todos, destacando as pré-candidaturas das seguintes cidades: Porto Alegre, com Manuela D’Ávila, destacada liderança de nosso Partido que encabeça as pesquisas; Salvador, com Olívia Santana; São Luís, com Rubens Junior; Rio de Janeiro, com Brizola Neto; São Paulo, com Orlando Silva; Belo Horizonte, com Wadson Ribeiro.
O PCdoB conclama sua militância a essas lutas políticas, sociais e eleitorais. O projeto eleitoral 2020 – que se reforçou com “Movimento 65” e a plataforma Comuns – deve difundir, em todo o país, a legenda 65 como um impulso para as eleições de 2022, e a construção de uma candidatura presidencial, como alternativa, de um PCdoB bom de lutas e bom de governos, como tem demonstrado Flávio Dino à frente do governo do Maranhão.
Como assinala o Guia Eleitoral do PCdoB, o Partido e sua organização militante são forças fundamentais para a vitória do projeto eleitoral 2020, um dos objetivos centrais de nosso Plano de ação 2020-2021. Onde o Partido é estruturado e seus Comitês e Bases permanecem funcionando e dirigindo efetivamente a campanha, sempre se colhe melhores resultados. Por isso, deve-se cuidar da sua estruturação, para a luta política e social, bem como para a organização da campanha. O Partido é o esteio e o núcleo dirigente e impulsionador de nosso projeto eleitoral.
A política de alianças será deliberada, em última instância, pela Comissão Política Nacional (CPN) e terá como parâmetro os objetivos de nosso projeto eleitoral: a derrota do campo bolsonarista e a amplitude pressuposta pela política de frente ampla. E leva em conta que elas podem se efetivar apenas no segundo turno (mesmo que sinalizadas desde o primeiro turno).
IX- A luta por um Brasil sem Bolsonaro e uma plataforma emergencial
Se Bolsonaro continuar na Presidência, a escalada de mortes seguirá em expansão e o desastre econômico e social será de custo elevadíssimo à nação e à classe trabalhadora.
É imperativo uma plataforma emergencial das forças democráticas que contenha estratégias e medidas que assegurem a defesa da vida, proporcionem renda aos necessitados – prorrogando pelo menos até dezembro a ajuda emergencial de R$ 600 – e impulsionem a economia nacional, socorrendo as micro, pequenas e médias empresas, indispensáveis à geração de empregos. Essa plataforma deve ser financiada pelo Banco Central a partir da compra de títulos do Tesouro, a exemplo do que fazem outros países. O PCdoB já elaborou uma plataforma focada em responder à grave crise em curso, tem se pautado por ela e procura contribuir para que os movimentos de frente ampla construam programas unitários.
O Congresso Nacional, concebido como a casa do povo, pode ser o desaguadouro dessa exigência nacional, adotando medidas necessárias. Muitas vidas ainda podem ser salvas, a economia reativada e o regime democrático preservado.
Bolsonaro já revelou não ter condições de governar; cometeu crimes em relação à pandemia e contra a democracia. A realidade do país exige a consolidação da frente ampla de salvação nacional, de luta por um Brasil sem Bolsonaro na Presidência da República.
Os brasileiros e as brasileiras conscientes da gravidade da situação, as instituições da República e as entidades representativas da sociedade devem se levantar com indignação para pôr ponto final nesse governo.
Brasília, 11 de julho de 2020
Em defesa da vida, da democracia, do emprego e dos direitos!
Fora, Bolsonaro!
Brasília, 11 de julho de 2020
Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)

quarta-feira, 27 de março de 2019

Por que devemos culpar Cuba pelos fracassos dos Estados Unidos? na Venezuela?

De Iroel Sánchez*
Durante a Guerra Fria, o governo dos EUA brandiu a ameaça soviética para justificar a sua intervenção na América Latina, e mesmo alguma lógica era que, embora as intervenções dos EUA ao sul de suas fronteiras são muito antes da existência da URSS. Em recursos energéticos, território, população e poder militar, a União Soviética era uma rival cujas magnitudes facilitavam a tarefa de transformá-la no "grande inimigo da democracia nas Américas".
Nos Estados Unidos, o mesmo pretexto servia para o mais feroz anti - comunismo, que atingiu as suas maiores probabilidades nos anos cinquenta do século XX, com a perseguição McCarthyist tão bem atestada pelo dramaturgo Lillian Hellman em seu livro Scoundrel Tempo .
A União Soviética desapareceu, e dos Estados Unidos para a história, o triunfo Longed do capitalismo tinha atingido proclamada. Na América Latina, foi anunciado que a Revolução Cubana tinha suas horas contadas, mas não o suficiente, teve que intensificar o bloqueio econômico, impôs novas sanções como as contidas nas leis Helms Burton e Torricelli e ainda não alcançar o seu colapso. Pior ainda, o novo século trouxe de volta a palavra socialismo em vários países da América Latina e uma aliança entre eles-ALBA cujo centro aprovada pelo petróleo venezuelano e saúde cubana e educação. Milhões de latino-americanos e caribenhos abandonado humilde analfabetismo, cegueira e energia insegurança por causa disso.
Desde que se tornou visível na orientação socialista do século XXI no início do governo bolivariano na Venezuela, tenta recuperar o controle de grandes recursos energéticos venezuelanos continuaram, tanto os EUA e da oligarquia local, que é subordinado. Em primeiro lugar, tentar derrubar o governo de Hugo Chávez, incluindo um golpe militar, e após sua morte, com o aumento da guerra econômica contra a continuação de seu projeto político encarnada por Nicolas Maduro e a união civil-militar Chávez construído. A união militar cívica venezuelana marca a diferença com o fracasso de outros processos em que golpes militares ou parlamentos incentivados de Washington tiveram bons resultados.
Pesquisar isolamento internacional da Venezuela com os governos latino-americanos e europeus seguidores Estados Unidos o reconhecimento de um "presidente interino" por Washington, não teve os resultados esperados, e tentativa de provocar uma insurreição a partir da introdução de um politizada " ajuda humanitária "e um media fronteira concerto, voltou-se contra os seus promotores para revelar aos hegemônicos mentiras imprensa capitalista que a acompanhavam.
O que eles deixaram em seu arsenal para aqueles dos Estados Unidos que insistem na derrubada do governo venezuelano? Seguindo a mesma rota usada com Cuba após o fracasso da invasão de Girón, aumentando a aberta sabotagem tem como aconteceu com o ciberataque ao sistema elétrico que não tinha água e eletricidade para mais de Venezuela por cinco dias, e propaganda de guerra que se transforma em causa do efeito das agressões econômicas norte-americanas na qualidade de vida da cidade norte-americana.
Nesta guerra de propaganda América precisa de um culpado para explicar para o mundo o fracasso de tantos e continuados esforços, embora começou em sua última fase, quando Barack Obama declarou Venezuela "ameaça incomum e extraordinária" a segurança nacional dos EUA, eles abandonaram todas as máscaras e tornaram-se absolutamente explícitas após a chegada de Donald Trump à Casa Branca. Aparentemente, os falcões da guerra fria como Elliot Abrams - a quem Washington invocou sua estratégia antivenezolana- não encontraram mais uma idéia original para ressuscitar a "interferência comunista" que alcançou mais de trinta anos atrás, para isolar a revolução Cuba e justificar o papel da CIA e do Departamento de Estadodepois das ditaduras militares e da onda de assassinos e torturadores que, treinados na tristemente lembrada Escola das Américas, devastaram a região. Assim, eles estão apoiando o discurso anti-socialista com Donald Trump -elogioso visitante ao Vietnã e parceiro amigável Kim Jong-Un tenta desacreditar a ascensão de políticos socialistas sucesso definidos no Congresso dos EUA, como Bernie Sanders e Alexandria Ocasio Cortéz.
É onde os peregrinos da "interferência cubana" na Venezuela, entram em ação, pois de acordo com a imprensa hegemônica é Cuba, não o dos Estados Unidos, que tem interesses econômicos por trás de sua posição no país sul-americano, são "mais de vinte mil agentes cubanos "que detêm Maduro, mas não foi capaz de mostrar uma única prova eo número corresponde ao número de trabalhadores de saúde que há mais de uma década tem melhorado a vida de milhões de venezuelanos, muitos dos quais um médico nunca tinha visto antes. A última contribuição dessa guerra de propaganda é a "investigação" sem evidência do The New York Times.De acordo com a qual os médicos cubanos na Venezuela estaria fazendo o que o "sargentos políticos" feito em Cuba que Washington apoiou antes de 1959: olhar para votos em troca de serviços de saúde, a prática banido para sempre pela Revolução e bem conhecido de muitos daqueles em Miami que tentaram derrubá-lo por sessenta anos.
Cuba não é a URSS, e nem militarmente nem economicamente pode significar qualquer ameaça para alguém. Nem o governo cubano como os Estados Unidos, que tem uma longa história de guerras baseadas em mentiras para aproveitar os recursos energéticos em todo o mundo, e muito menos as suas embaixadas, como acontece com os americanos-estar por trás de golpes em algum país da América Latina. Mas com esta estratégia mentiroso Washington fornece uma folha de figueira para aqueles que vivem atacantes igualando e atacou, bloqueou bloqueadores, vítimas e algozes ... ideal para falsa corajosa que lhes permite ficar de um lado ou outro, como se desenrolam os acontecimentos pretexto. De Talleyrand a Lenin (Gorbachov) Moreno aqueles que começam dizendo "nem com isto nem com aquilo", acabam alinhados e sabemos com quem,O New York Times representa tão bem: os poderosos que não têm interesse em ter médicos para os pobres ou dinheiro em outros bolsos além dos seus próprios.
*Iroel SánchezEngenheiro e jornalista cubano. Ele trabalha no Escritório de Informatização da Sociedade Cubana. Ele foi presidente do Instituto do Livro Cubano.