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segunda-feira, 9 de abril de 2018

Homens de bem comemoram no puteiro a prisão de Lula.

Não sei se eu já tinha ouvido falar em Oscar Maroni.
 
Ele é um "empresário de casa de entretenimento para adultos" (quais adultos? de que gênero? de que cor?) ou, pra usar um termo mais conhecido, um cafetão, um gigolô. Em outras palavras, vive de explorar mulheressexualmente. Já esteve preso por sonegar impostos e outros crimes. Ao pesquisar, vi que o sujeito é respeitado por reacinhas playboys da estirpe de Danilo Gentili. Ano passado Maroni se lançou candidato a presidente com o slogan "O Brasil está uma zona, e de putaria eu entendo". Foi filiado ao partido nanico PTdoB e candidato a prefeito de SP dez anos atrás e teve menos de 6 mil votos.

Neste final de semana, Maroni se superou. Ofereceu cerveja de graça a coxinhas que foram comemorar no seu puteiro em SP a prisão de Lula. Num discurso, o cafetão diz para um grupo de festivos conservadores que já transou com mais de 2.700 mulheres, e os virjões gritam "Mito! Mito!" (parece que essa palavra é adotada sem cerimônia por eleitores da direita. Serve para elogiar qualquer crápula preconceituoso). 

Em outro vídeo, Maroni aparece vestido de presidiário e exibe uma prostituta só de short, que tenta se esconder da multidão. O cafetão então a vira e chupa seu seio.

Noutro vídeo, Maroni promete cerveja de graça para todos se Lula for morto na cadeia. Um reaça pergunta, rindo, "E se for sofrida a morte?" (Maroni não estava brincando. Diz ele: "Minha palavra é que nem tiro: quando eu solto, não volta mais". Mas aparentemente tudo bem ameaçar ex-presidente. Pode até atirar em ônibus!). 

Em seu discurso aos reaças (convocados pelo MBL), Maroni diz a um de seus ídolos: "[Sérgio] Moro, você tem um vale vitalício, enquanto o seu pau funcionar, para frequentar o Bahamas Club". E ainda pede para a Polícia Federal e o Ministério Público sortear "cinco de vocês aí para frequentar o Bahamas Club".

A esta  altura, já está óbvio que este "brasileiro que voltou a acreditar na sua pátria" (como ele se definiu na sexta) é um attention whore. Quer chamar a atenção, custe o que custar. É o lema dos reaças: falem mal, mas falem de mim. Não existe publicidade ruim -- é o mote daquele outro que eles também chamam de mito. 

Ao falar dele, estamos dando a Maroni o que ele quer. Mas não dá pra não falar. Afinal, se a belíssima foto do jovem Francisco Proner é imagem da resistência à prisão de Lula (e desde já a foto do ano, digna de um Pulitzer), a imagem da comemoração da prisão de Lula é esta feita num puteiro, com faixas saudando os principais juízes de sua prisão, Carmen Lúcia e Sérgio Moro.

A imagem me causa ânsia. É um retrato fiel do machismo, e mais uma prova de que como o golpe contra Dilma foi, e continua sendo, misógino. O coro dos reaças festejando é totalmente masculino. O cafetão oferecendo a presa aos abutres é um "magnata do sexo" que mede seu valor pelo dinheiro que tem e por quantas mulheres conseguiu alugar. As únicas mulheres presentes nesse cenário são a prostituta e o cartaz da juíza. A juíza só é celebrada porque deu o voto que eles queriam, o de condenação a Lula. Mas apenas ao juiz macho cabe o "vale vitalício" para frequentar o puteiro. 

Não é apenas que a comemoração no prostíbulo exclui as mulheres. Ela usa as mulheres não para comemorar, mas como objeto de troca a ser comemorado. A prostituta nua sendo subjugada por Marconi não tem voz, não tem rosto, tem a boca coberta pelas mãos do patrão. Não parece feliz. Não parece estar comemorando coisa alguma. Minha sororidade a ela. 

Essa imagem só confirma o que conhecemos tão bem, pois somos alvos frequentes dos reaças -- que o lugar que eles reservam às mulheres é no puteiro ou no lar, para as "belas e recatadas" (depois reaças fingem não entender como tantas mulheres não votam na direita).



O cidadão de bem, o defensor da família tradicional, o homem honrado que quer fechar museus que vão contra a moral e os bons costumes, 
é justamente esse que leva o filho pra perder a virgindade num puteiro, que mataria a esposa (pra defender sua honra) se ela o traísse, mas não considera traição transar com prostitutas. É exatamente esse tipo de homem que ataca feministas nas redes sociais, pois nos vê como entraves para a sua liberdade -- a liberdade de seguir sendo o babaca que é sem ser criticado. 

Essa imagem, apesar de terrível e chocante, deve ser compartilhada (cobrindo a nudez; não por moralismo, mas por respeito à prostituta). Deve ser registrada porque é o espelho da nação que nos tornamos após o golpe de 2016. Uma nação em que cafetões ameaçam um ex-presidente enquanto cumprimentam juízes e bolinam mulheres.
 
Foi Marcela Campana, leitora do blog, feminista e mestranda pela PUC-SP, quem me pediu para escrever este post, embora eu esteja muito sem tempo. Deixo com vocês as palavras dela sobre mais esta marca lamentável dos misóginos:

A saga da condenação de Lula gerou um turbilhão de acontecimentos e imagens que com certeza ficarão para a história e devem ser interpretados não na sua especificidade meramente factual, mas no campo do simbólico.

No dia 5 de abril de 2018, confirmada a rejeição do STF ao pedido de habeas corpus de Lula e emitido o mandato de prisão pelo juiz Sergio Moro, começaram as comemorações dos opositores aos governos do PT. Nada inesperado, levando em consideração as paixões tristes que cercam a imagem de Lula e os anos de espera pela efetivação da punição. O inesperado aconteceu na total falta de critério na vinculação da indignação “contra a corrupção” de boa parte dessa “gente de bem” com personagens polêmicos.

No mesmo dia 5 de abril, começaram a circular pelas redes sociais (em especial o whatsapp, que é o recanto dos microfascismos) vídeos onde Oscar Maroni, conhecido por ser dono do Bahamas, uma casa de prostituição de um bairro nobre de São Paulo, ofereceria cerveja gratuita na frente de seu estabelecimento caso Lula fosse preso. Em outro vídeo ele declarou que se Lula fosse morto ele ofereceria cerveja durante o mês (“Se o Lula for preso, a cerveja é de graça até a meia noite. Agora, se matarem ele na prisão, a cerveja vai ser de graça durante o mês inteiro”, assinalou o empresário). Ao Moro ofereceu “um vale vitalício para frequentar o Bahamas Clube”, bem como a membros do MPF e da Polícia Federal.

Automaticamente, algumas páginas começaram a divulgar a “comemoração”, como a da agência de notícias falsas e polemização MBL, convocando seus seguidores. 

No dia 7 de abril, com a decisão de Lula de se entregar à Polícia Federal, um evento foi armado na frente do Bahamas, com direito a um show grotesco. Nasceu a imagem que sintetiza todo esse processo que testemunhamos: Oscar Maroni e uma mulher nua realizam o show, ele com gestos violentos e agressivos direcionados ao corpo feminino desumanizado, ao fundo a foto do juiz federal Sergio Moro e da ministra do STF Carmem Lúcia, segundo Maroni seus “exemplos de vida e dignidade”.

Rapidamente a imagem do fotógrafo Túlio Vidal, que cobria o evento, se alastrou, e questionou-se a figura de Maroni, conhecidíssima em São Paulo por responder (em liberdade) a diversos processos que vão desde sonegação de imposto até formação de quadrilha e tráfico de mulheres, sendo condenado em 2011 a 11 anos de prisão pelos crimes de favorecimento à prostituição e manutenção de local destinado a encontros libidinosos. 

Ou seja, comemorou-se a prisão de um ex-presidente na frente de um estabelecimento pretensamente regular em uma festa oferecida por um homem que responde a diversos processos e que vive de explorar mulheres, o que possibilitou que ele oferecesse milhares de reais em cerveja.

Movimentos que no ano passado atacaram exposições de arte com argumentos moralistas hoje se prestam a divulgar e vangloriar esse tipo de situação. 

A imagem que fica

O Facebook está derrubando posts que denunciam a hipocrisia das pessoas que foram "comemorar" a prisão do Lula. Na imagem registrada do "show" armado por Maroni para "pessoas de bem" que lutam contra a corrupção (ironia), foi usada uma mulher nua. A foto que circula demonstra a violência com a qual a cafetinagem age sobre o corpo feminino, e o espaço que a mulher pode ocupar frente ao homem, o de submissão. Os vídeos do momento não são menos grotescos

Que fique claro o que sempre esteve em jogo para esse grupo de pessoas: o bandido é o Lula, o empresário explorador de mulheres que responde a diversos processos é digno desse tipo de valorização e prestígio. O show é às custas da humilhação de mulheres, claro.
A imagem sintetiza que o discurso que permeia e justifica o ódio à Lula, “contra a corrupção”, na verdade mascara a essência do ódio pelo avanço das pautas igualitárias e progressistas, contra a conquista de direitos das minorias. A mobilização foi para que Maronis pudessem continuar fazendo um show desse tipo sem problemas. O operário foi preso, a primeira presidenta deposta, e os Maronis voltaram ao poder. Tudo está de novo no lugar. 

Apesar das falhas do PT, seus governos representam um avanço social, e isso devemos defender a todo custo. Que essa imagem resuma o que lutamos contra: o privilégio centrado na forma do patriarcado misógino, branco e rico, que hoje brada que "a lei deve ser para todos", enquanto anda livremente apesar dos diversos crimes que carrega nas costas, aplaudido pelos seus hipócritas semelhantes.
A nossa luta não pode parar.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Ei você, ô classe média que ganha 5 ou 6 paus por mês.


Ei você, ô classe média que ganha 5 ou 6 paus por mês.

Tu tá achando que é rico? Tu tá maluco, parceiro?

Tu é fudido também, igualzinha à tia da faxina, igualzinho ao camarada da obra, igualzinho ao lixeiro. 

Tu compra carro financiado; no final dos 48 meses, você pagou três carros pro Itaú. E um carrinho popular, merda. 

Tu vai pra Disney, ô vacilão, parcelando a viagem em 12 meses no cartão de crédito. E ainda enche o facebook com um monte de foto com o Harry Potter.

Se não bastasse ser fudido iludido, tu ainda é cafona. Puta que o pariu!

A tua casa não tá quitada não; você vai pagar a prestação da Caixa nos próximos vinte anos. E logo depois você vai morrer. 

Isso mesmo, quando quitar a casa própria você vai tá pertinho de morrer.

Sabe por que? Porque tu é fudido também, igual a mim, igual a qualquer outro trabalhador que vive de salário.

É assim que funciona: se vive de salário é pobre, é fudido.

Tu se acha elite mesmo, cara? Fica aí xingando o Lula, chamando o cara de analfabeto.

Inteligentão você, leitor, erudido, intelectual. Prêmio Jabuti.

Ah, vá pa porra!

Rapaz, vou te dizer: rico, rico mesmo é quem vai no Fasano e gasta 12 mil num jantar. 

Tu tem ideia do que é isso? Tu não ganha isso em dois meses.

O máximo que tu consegue é ir no Rodízio do Porcão, lá no NorteShopping, e só na primeira semana do mês.

Aí tu fica se achando, falando mal da galera do bolsa família.

Os ricos tão cagando pra você, ô babaca. Eles querem é tirar tua aposentadoria, economizar em cima do seu lombo.

Esses caras colocam grana na bolsa de valores e ficam especulando, não produzem porra nenhuma. É uma parada meio casa de aposta, saca? 

Eles ficam lá no charutão, apostando e desapostando. E advinha só quem é o cavalo pangaré? 

Você!

Esses caras têm tanta grana, mas tanta grana, que eles fazem suruba em Iate no Mediterrâneo, mandando trazer puta da Sicília.

Babaca.

Aí tu fica aí dando PI-TI, com papo de corrupção pra cá e corrupção pra lá, reproduzindo um monte de mentira, falando um monte de groselha.

Jura que tu ainda tá na onda de dizer que o Lulinha é dono da friboi?

Deixa eu te explicar uma coisa, cara, no papo reto: MAIS-VALIA TAMBÉM É ROUBO!

A MAIS-VALIA É A MÃE DE TODA CORRUPÇÃO!

Sabe o que é mais valia?

Rapidinho: do dia 01 ao dia 30, você produz 50 mil em riquezas. 

Copiou?

Desse montão de dinheiros, só uma merreca de 5 mil vem pro teu bolso. 

Os outros 45 é MAIS-VALIA, vai tudo pro bolso dos caras que você tá defendendo quando chama os grevistas de vagabundo e apoia a reforma da previdência.

Se manca, rapaz. Te enxerga.

Na fila do abatedouro, você é gado magro, vale quase nada. 

Por Luis Fernando

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Gerson Carneiro: MBL e Zezé Di Camargo, professores de estória da “escola sem partido”


Sabendo que é possível que algum seguidor ou membro do MBL leia este post, de antemão já esclareço: a “estória” do título é com “e” mesmo. Não se trata de erro ortográfico.
Explico. Nessa segunda-feira (11/09), tomei ciência de que uma exposição de arte foi fechada em Porto Alegre por conta das críticas feitas por esse grupo de fascistas.
Pois essa bizarrice da manhã estaria incompleta se, antes de dormir, eu não tivesse sabido no UOL o que o cantor Zezé Di Camargo disse em entrevista à jornalista Neda Nagle, em seu canal no You Tube:
“Muito gente confunde militarismo com ditadura, todo mundo fala ‘nós vivíamos numa ditadura’. Nós não vivíamos numa ditadura, nós vivíamos num militarismo vigiado” (sic).
Zezé  que se diz “muito politizado” e que os políticos ficam impressionados com os seus conhecimentos políticos, prosseguiu:
“O Brasil nunca chegou a ser uma ditadura daquelas que ou você está a favor ou você está morto”
Ao que Leda Nagle lembrou-lhe de que, por 21 anos, a ditadura militar prendeu, torturou e matou muita gente.
Zezé respondeu:
“Mas não chegou a ser tão sangrenta, tão violenta”.
Diante de tais pérolas, só posso chegar a uma conclusão: Zezé Di Camargo não entendeu o filme Dois Filhos de Francisco, do qual ele, o irmão, Luciano, e o pai são protagonistas.
Zezé Di Camargo simplesmente ignora a passagem do filme em que ele e o irmão, ainda crianças, são levados a cantar a música “Meu Brasil”, de Rick Nunes e Ricardi, e acabam repreendidos pelo dono do programa ao versar:
“Terra linda de grandes riquezas
Viva a natureza da nossa nação
Que vive hoje em dia
Numa grande confusão …
Viva as forças armadas
E a sua tirania”

Eles foram “lembrados” pelo mesmo dono do programa — “com um gesto de degola — que o presidente do Brasil era então um militar. Confira no link do vídeo abaixo.
https://youtu.be/zQO3gPhrZUE
Lição do dia: MBL ditando o que é arte e Zezé Di Camargo, o que é ditadura, são o suprassumo da “escola sem partido”. Ambos candidatos a professores de estória da “escola sem partido”.
*Gerson CarneiroNordestino. Retirante, e principalmente Colocante.


FONTE: Viomundo

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Socialite que chamou Lula de “marginal” é presa saindo do Brasil com mala de dólares


Socialite que costumava defender a bandeira da 'ética' nas redes sociais e que chamou Lula de “marginal” é presa pela Polícia Federal ao tentar sair do Brasil com uma mala cheia de dólares

A Polícia Federal prendeu na tarde do último sábado (05) Isabel Christine de Mello Távora, proprietária da CVC Manaus.
Ela foi presa no momento que tentava embarcar para Miami com grande quantia em dólares no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, na zona Oeste de Manaus.
A prisão foi efetuada por policiais da Polícia Federal
De acordo com os policiais que efetuaram a prisão da Isabel, os dólares foram encontrados dentro de uma mala.
Em depoimento a infratora confessou que iria levar o dinheiro para uma pessoa desconhecida, em Miami.
Nas redes sociais, Isabel militou a favor do impeachment de Dilma Rousseff e costumava defender a bandeira da ‘ética’, ‘contra a corrupção’.
A socialite chegou a publicar uma foto ao lado de uma placa de sinalização insinuando que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era “marginal”.

Condenação de Isabel na Operação ”Farol da Colina”

Isabel já foi presa em 2007 na Operação “Farol da Colina”, pela Polícia Federal, que desencadeou uma megaoperação em sete Estados brasileiros contra doleiros e pessoas ligadas a eles, acusados de evasão de divisas, sonegação, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
Na época, o Juiz Federal da 2ª Vara da Seção Judiciária do Estado do Amazonas, Márcio Coelho de Freitas, condenou Isabel Christine de Melo Távora a 6 (seis) anos de reclusão, em regime semiaberto e ao pagamento de 140 (cento e quarenta) dias-multa à razão diária de 5 (cinco) salários-mínimos, pela prática do delito descrito no art. 22, parágrafo único, da Lei 7.492/1986 e do art. 1º, caput, VI da Lei 9.613/1998 (fls. 253/262).

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Desenvolvida a arma letal contra coxinhas: Kalashnikovo, o fuzil que dispara ovo.

Considerando o alto preço da dúzia de ovos, um grupo de engenheiros (do Kosovo, claro) acaba de desenvolver uma sofisticada arma anticoxinhas. Trata-se do PK-2017 (Pushkë Kallashnikovo, em albanês), o fuzil Kalashnikovo, versão do AK-47 destinada apenas a disparar ovos.
A ideia nasceu quando os técnicos descobriram que o desperdício de ovos em manifestações públicas era enorme, em decorrência da perda provocada pela má pontaria dos atiradores.
Os engenheiros anunciam para breve a produção em série e garantem: com o Pushkë Kallashnikovo, o índice de perda de ovos atirados em políticos é igual a zero.
O PK-2017 estará disponível em quatro bitolas diferentes, à escolha do manifestante: codorna, galinha, pata e avestruz.
Versões customizadas, feitas apenas sob medida, preveem a substituição de ovos por tomates ou cactos.
Veja como funciona no link abaixo:

Desenvolvida a arma letal contra coxinhas: Kalashnikovo, o fuzil que dispara ovo.


Fonte: Blog Nocaute

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Temer perdoa bilhões em dívidas de deputados para eles cortarem sua aposentadoria

Traído por sua própria base e aprovado por apenas 4% dos brasileiros, Michel Temer cedeu à chantagem do Congresso e vai aliviar a dívida de grandes inadimplentes com o fisco; depois de barganhar com cargos de confiança e indicações políticas, o Programa de Regularização Tributária (PRT), popularmente conhecido como novo Refis, deve ser o maior pacote de “bondades” da história; a versão proposta pela comissão especial criada pelo Congresso alivia significativamente multas e juros, inclusive de grandes devedores, e provocaria uma perda de arrecadação de R$ 23 bilhões; o texto aprovado na comissão permite o parcelamento das dívidas em até 180 meses e, dependendo da parcela inicial, garante às empresas devedoras o direito a até 90% de desconto nas suas multas; a medida deve desequilibrar ainda mais a arrecadação federal

Para aprovar suas impopulares reformas, o igualmente impopular Michel Temer se rendeu ao toma-lá dá-cá do Congresso. Depois de barganhar com cargos de confiança e indicações políticas, o peemedebista deve aprovar um perdão bilionário a devedores em troca de apoio parlamentar para as mudanças trabalhista e previdenciária.
As informações são de reportagem de Julio Wiziack, Bruno Boghossian e Daniel Carvalho na Folha de S.Paulo.
“Batizado como Programa de Regularização Tributária (PRT), e popularmente conhecido como novo Refis, o novo plano começou a ser discutido depois que o Congresso alterou proposta original do governo, incluindo vários benefícios para devedores.
A equipe econômica é contrária aos descontos e trabalha para reduzir ao mínimo a perda de arrecadação nas negociações. No limite, aceita descontos de até 25% nas multas e 25% nos juros sob determinadas condições de pagamento da dívida. As discussões estavam em andamento nesta segunda (15).
Até a conclusão desta edição, a expectativa de arrecadação com o novo Refis, que era de cerca de R$ 8 bilhões com a proposta original do governo, passou para cerca de R$ 1 bilhão no novo plano.
A versão proposta pela comissão especial criada pelo Congresso para examinar a proposta original do governo provocaria uma perda de arrecadação de R$ 23 bilhões.
Com dificuldade para fechar as contas do governo em meio à lenta recuperação da economia, a equipe econômica pressionou o presidente Michel Temer a mudar o plano.
Com as negociações, o governo estuda dois caminhos. Um deles seria o próprio Congresso votar uma emenda conciliadora. Outra ideia seria deixar que a medida provisória com a proposta original do governo perca a validade e enviar nova medida incluindo as condições negociadas com os parlamentares.
O texto aprovado na comissão permite o parcelamento das dívidas em até 180 meses e, dependendo da parcela inicial, garante às empresas devedoras o direito a até 90% de desconto nas suas multas.”

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

TSE determina investigação em contas de campanha de Aécio


Aécio é um campeão de delações, mas muito pouco tem sido investigado sobre os fatos trazidos pela investigação. O tribunal vai apurar as contas da campanha do tucano à Presidência da República em 2014, em que foi derrotado pela presidenta Dilma Rousseff.

A medida foi resultado de uma do PT no tribunal, que apontou as irregularidades de campanha. De acordo com o partido, a campanha contratou empresas que não tinham capacidade para prestar os serviços. Além disso, houve "alto volume" de transações bancárias e há indícios de que algumas empresas são de "fachada", por não terem sido apresentados ao TSE os contratos de prestação de serviços.

Na decisão, Maria Theresa determinou que técnicos do tribunal investiguem, com a ajuda da Receita Federal e do Tribunal de Contas da União (TCU), os dados contábeis fornecidos por empresas que prestaram serviços à campanha de Aécio Neves, a relação de empregados contratados e quais empresas foram criadas em 2014, ano da eleição.

A assessoria jurídica do PSDB disse, em nota, que não há irregularidades nas contas. 

Durante sessão, a ministra também pediu que fosse aberta investigação eleitoral contra o PP, o PT e o PMDB, com base nas delações premiadas de investigados na Operação Lava Jato.

Apesar de sugerir a investigação, a ministra pediu ao plenário que os processos envolvendo os partidos sejam distribuídos livremente entre os demais ministros, por entender que a questão não deve ser analisada somente pelo corregedor. O mandato da ministra no TSE termina em três semanas.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes - que frequentemente adota o discurso tucano em suas intervenções no plenário do tribunal - disse está semana que vai abrir processo para cassar o registro do PT por conta do suposto recebimento de recursos oriundos de propinas.

O jurista Dalmo de Abreu Dallari classificou a declaração do ministro como "puramente um espetáculo teatral". 

quarta-feira, 16 de março de 2016

Pobres desconfiam de protesto dos ricos


Por Eduardo Guimarães

Entre os anos 2002 e 2014, a maioria “precisada” de brasileiros contrariou a doutrina Tim Maia, que, em toda sua simplicidade, contém um dos pensamentos mais desalentadores, porém mais verdadeiros do século XX: “Este país não pode dar certo. Aqui, prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia e pobre é de direita”.

A maioria pobre parou de votar na direita no período supracitado. E se deu bem. A renda do trabalhador disparou, o desempregou despencou, casa própria, carro e curso superior ficaram ao alcance de todos…

Rico também ganhou, mas não tanto quanto ganhava antes. E o que é pior, para a elite branca: parou de ganhar sozinha. E rico, como se sabe, não gosta de dividir espaços com pobres. Daí o ódio da classe média alta a Lula, a Dilma e ao PT.

Tudo isso durou entre 2003 e 2014. No ano passado, pela primeira vez após treze anos, a situação se inverteu. A renda e o nível de emprego caíram. A vida parou de melhorar.

A massa nunca foi e nunca será justa. Não adianta dizer a ela que ganhou durante 12 anos e perdeu em apenas um. Este Blog sempre avisou que no dia em que houvesse algum problema na economia estando um petista no poder, ele estaria frito.

Foi fácil para a direita midiática derrubar a imagem de Dilma – e, conseguentemente, de Lula e do PT – por conta de uma crise que só persiste porque a economia foi sabotada pela Lava Jato e pela crise política decorrente.

Contudo, apesar de a situação ter piorado para praticamente todo mundo, os mais vulneráveis ficaram longe dos protestos do último domingo. Segundo o instituto Datafolha, foi só a elite branca que se animou a ir à rua protestar.

Apesar do crescimento do tamanho do protesto na avenida Paulista (o ato que conferiu “êxito” ao dia de manifestações pelo país), o perfil dos manifestantes se manteve elitizado. Os dados são de pesquisa doDatafolha feita por meio de 2.262 entrevistas durante o ato.

A exemplo das outras grandes manifestações contra Dilma ao longo do ano passado, os manifestantes de domingo tinham renda e escolaridade muito superiores à média da população brasileira.

Nesta terça feira, reportagem da rede de televisão pública Deutche Welle (Onda Alemã), uma espécie de BBC da Alemanha, confirma consultas que muitos leitores relatam, em emails e em outras formas de contato privado, que fizeram com pessoas humildes que não participaram das manifestações, mas que trabalham nos locais onde tais manifestações ocorreram.

Aliás, um tipo de consulta que este blogueiro também fez com esse tipo de pessoa.

A matéria da DW revela e confirma o que muitos já devem ter notado, que o povão mesmo não compareceu a esses protestos porque ficou desconfiado deles, apesar de a insatisfação com Dilma ser grande em todos os estratos sociais.

Nesse aspecto, vale a pena reproduzir e analisar o que revelou a matéria da empresa de comunicação alemã.

Segundo a DW, moradores da comunidade Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, não escondem a decepção com governo e medo da atual crise, mas ainda são pouquíssimos os que viram motivo para descer e se juntar às manifestações contra Dilma que aconteceu a metros de suas casas.

A matéria revela que a crise política divide a comunidade de cerca de 20 mil pessoas na zona sul do Rio de Janeiro. Nos bares da comunidade, frequentadores acompanhavam pela TV as últimas notícias sobre os protestos na região. E ainda que o assunto seja recorrente nas rodas de conversa em escadarias e vielas, poucos viram motivo para descer e se juntar aos manifestantes.

Entre as razões para os pobres não se jantarem às “madames” e “doutores” enfurecidos com petistas, a crença de que a corrupção é maior do que o Partido dos Trabalhadores (PT) e os governos de Dilma e de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

Apesar de uma ponta de ressentimento com o governo federal, relata a DW, gente como a operadora de caixa Maria de Lurdes Silva, de 44 anos, acredita que os problemas do Pavão-Pavãozinho e do Brasil são fruto de uma corrupção que assola o país bem antes da chegada do PT ao poder, em 2002. No domingo, ela preferiu ficar em casa. E garante que a maioria dos vizinhos também. Para ela, as manifestações são “uma burrice sem tamanho”.

Vale notar o que disse essa mulher. Vejam que a análise dela é muito mais sofisticada do que a que faz a massa de endinheirados com curso superior, o que prova que para entender de política não precisa ser rico, basta ser realista e intelectualmente honesto, o que só ocorre com quem conhece a realidade da vida, o que a grande maioria de endinheirados está longe de conhecer.

Maria de Lurdes continua sua explanação:

“Vão tirar a Dilma e colocar quem no lugar? Ela está sendo usada como bode expiatório. Todo mundo rouba no Brasil, e até acho que o Lula tenha roubado também. Quem não? Mas o governo dele melhorou a vida dos pobres. Quando o Fernando Henrique governou, roubou também. O problema foi causado porque o Lula não conseguiu colocar rédeas na roubalheira”

As palavras da operadora de caixa explicam a razão pela qual tentam prender Lula de qualquer jeito. Esse ponto de vista é mortal para a direita e é disseminado entre os pobres. Na hora em que o conjunto da sociedade tiver que fazer uma escolha eleitoral, será pensando assim que a maioria pobre irá decidir.

Só prendendo Lula, então…

Outro tipo de pensamento que ameaça os planos da elite branca de voltar ao poder é o do motorista Carlos Alberto da Silva, de 52 anos. Ele está entre aquele contingente que faz Dilma ir muito mal nas pesquisas, mas esmiuçando a má avaliação que ele faz do governo percebe-se que essas pesquisas não dizem tudo:

“Eu votei na Dilma e estou muito decepcionado, mas ela foi eleita e tem de terminar o trabalho. A vida mudou nos últimos anos para melhor, apesar de eu estar desempregado há seis meses”

Aquela gente que foi protestar na Paulista ou em Copacabana não enxerga a melhora de vida do povão, da imensa massa que foi beneficiada pelos governos do PT porque a elite não melhorou de vida – até porque não precisava melhorar.

Quem tinha seus imóveis e conta gorda no banco só não perdeu. Alguns até ganharam um pouco, mas não admitem. Mas o povão não entra nessa convera. Não vai negar que sua vida melhorou. Por isso, Lula é uma ameaça. As pessoas mais humildes (que são a maioria esmagadora dos brasileiros) sempre vão lembrar de tudo que o PT fez por suas vidas.

Outro personagem que DW trouxe à ribalta mostra um tipo de eleitor que existe, mas nem aparece em pesquisas nem em parte alguma. Trata-se do porteiro Manuel, de 40 anos.

Morador do alto do morro, Manoel trabalha num edifício à beira-mar. Ele estava trabalhando no domingo, mas garante que, mesmo se tivesse tempo, não iria para as ruas porque “só havia ricos protestando”.

Seu ponto de vista é interessantíssimo:

“Eu via no prédio onde trabalho. Todos os ricos foram. E rico não gosta do PT e de pobre. Rico só gosta do trabalho dos pobres. Não podemos confiar em quem defende os ricos. Votei no Lula, na Dilma e, se ele se candidatar em 2018, voto nele de novo. Pelo menos, eles pensam na gente. Dilma foi eleita e tem que ficar. Só não sei se ela vai ter força, esse negócio está muito embaraçado”.

Detalhe: Manoel pediu para não ter o sobrenome revelado. Mas, na urna, pode ter certeza que ele vai se manifestar sem medo, leitor. É esse o pesadelo que assombra aquela massa que foi tomar champanhe na Paulista, servida por mucamas uniformizadas.

Eis um exemplo ainda mais radical daquele que votou no PT em 2002, 2006, 2010 e 2014, mas que, hoje, dá nota ruim para Dilma nas pesquisas. Para Jacinto Pedro da Costa, de 42 anos, protestar não adianta nada. Ele votou no PT nas últimas eleições e, decepcionado, diz que não pretende repetir a escolha.

Nascido e criado no Pavão-Pavãozinho, ele se diz apartidário e promete pesquisar muito bem antes de decidir em quem votar no futuro. Mas, ele acredita ser injusto atribuir somente ao PT os problemas do país. E arrisca: se outros partidos fossem melhores, trabalhariam juntos por uma reforma política.

“Existem empresários ricos que não querem só derrubar a Dilma, mas querem acabar com o PT. Não é justo, mesmo que tenham cometido erros. Por causa do PT consegui abrir minha primeira conta em banco, consegui crédito para comprar as coisas e colocar mais comida dentro de casa.

Jacinto também é porteiro de um dos condomínios de luxo de Copacabana e sabe muito bem porque não se mistura com a elite branca.

Como se vê, as pesquisas sobre a avaliação do governo não dizem tudo. Muita gente que está aborrecida com o governo e avalia mal o governo Dilma quando é pesquisada, nem por isso pretende votar em um Aécio Neves da vida, entre outros reacionários que tentarão ludibriar esse povo em 2018 – ou antes, se conseguirem dar o golpe paraguaio no Brasil.