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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Flávio Dino enfrenta privilégios: medida histórica contra distorções

Foto: Gustavo Moreno/STF

Por Jorge Antonio Carvalho*

O Brasil não pode mais conviver com supersalários que afrontam o teto constitucional e a lógica da justiça social. A decisão do ministro Flávio Dino de pôr fim aos chamados penduricalhos no serviço público é um gesto político que merece apoio. Por décadas, gratificações e adicionais foram incorporados como conquistas, mas na prática se tornaram privilégios que distorcem a estrutura do Estado e alimentam a desigualdade entre poderes.

As entidades representativas dos servidores apoiaram a medida, reconhecendo que ela abre espaço para um debate mais substancial sobre valorização e justiça no funcionalismo. Para os sindicatos, o fim dos penduricalhos pode ser o ponto de partida para discutir uma reestruturação que alcance todas as carreiras, garantindo que servidores e servidoras saiam ganhando no processo. O apoio demonstra maturidade política e disposição para enfrentar privilégios históricos em nome de um serviço público mais equilibrado.

Flávio Dino foi direto: não há como falar em justiça social enquanto uma minoria acumula vantagens e a maioria dos servidores enfrenta defasagem e cortes. Sua decisão expõe a contradição entre um Legislativo protegido por reajustes generosos e um Executivo que luta por reconhecimento e reestruturação. Ao enfrentar os penduricalhos, o ministro sinaliza que é preciso coragem para corrigir distorções e devolver credibilidade ao Estado.

O fim dos penduricalhos não é apenas um corte administrativo. É uma afirmação de que o serviço público precisa ser transparente, igualitário e comprometido com o interesse coletivo. É um passo necessário para desmontar a lógica de dois Brasis dentro do Estado: o Brasil dos privilégios e o Brasil dos sacrifícios.

A medida de Dino deve ser entendida como um marco. Não se trata de retirar direitos, mas de abrir caminho para que todos os servidores sejam valorizados de forma justa. É hora de enfrentar privilégios históricos e construir um Estado que sirva a todos, não apenas a uma elite.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Dois Brasis no serviço público: privilégios no Legislativo e limitações no Executivo


Por Jorge Antonio Carvalho*

A Câmara dos Deputados aprovou, no início de fevereiro, o reajuste para servidores do Legislativo, acompanhado de benefícios adicionais que podem dobrar o valor básico dos salários. A medida, que terá impacto estimado em quase R$ 1 bilhão nas contas públicas por ano, reacendeu o debate sobre privilégios e supersalários dentro do Congresso.

Enquanto isso, o Executivo aguarda a tramitação do Projeto de Lei 6.170/2025, previsto para entrar na pauta em março. O texto propõe uma reestruturação de carreiras, incluindo técnicos da educação, auditores da Receita Federal, a criação da carreira transversal de Analista Técnico do Executivo e, de forma relevante, o reconhecimento e valorização dos servidores anistiados pela Lei 8.878/94, que aguardam há décadas por medidas de reparação e reintegração justa. A expectativa é que o projeto traga algum alívio para categorias historicamente defasadas, mas sem alcançar a mesma amplitude dos reajustes concedidos ao Legislativo.

Comparação entre poderes

A comparação entre os dois movimentos revela uma clara distorção. O Legislativo, com um número reduzido de servidores, conseguiu aprovar aumentos expressivos e vantagens adicionais. Já o Executivo, que concentra a maior parte do funcionalismo público federal, enfrenta limitações orçamentárias e negociações mais duras, resultando em benefícios menores e mais restritos.

Do ponto de vista opinativo, o reajuste do Legislativo reforça a percepção de que há uma elite dentro do serviço público que consegue preservar e ampliar seus privilégios. O PL 6.170/2025, embora avance em pontos importantes, não corrige plenamente a desigualdade estrutural entre os poderes. O risco é consolidar uma lógica de “dois Brasis”: um pequeno grupo com vantagens acumuladas e outro, majoritário, que continua defasado.

Explicando para o leitor

É importante explicar ao leitor que o reajuste aprovado no Legislativo pode dobrar salários básicos por meio de penduricalhos, enquanto o PL 6.170/2025 busca reorganizar carreiras e criar novas funções, além de contemplar os anistiados da Lei 8.878/94. A diferença é que o Legislativo tem poucos servidores, mas salários altos; o Executivo tem muitos servidores, mas salários menores e menos vantagens.

Essa disparidade não deve ser interpretada como uma “faca no pescoço” do governo federal, mas como um problema de proporcionalidade. O debate não é sobre pressionar o Executivo, mas sobre reconhecer que há uma distorção de valores e direitos que precisa ser enfrentada para garantir justiça e equilíbrio no serviço público.

Impactos políticos e sociais

A discussão também tem impacto político e social. De um lado, a aprovação rápida do reajuste no Legislativo mostra a força de articulação interna de forças dessa elite e de quem comanda as duas casas. De outro, a demora e as limitações do PL 6.170/2025 refletem a dificuldade de atender a um contingente muito maior de servidores, incluindo os anistiados, sem comprometer ainda mais as contas públicas.

Em síntese, o contraste entre o reajuste já aprovado e o projeto que ainda será discutido expõe uma desigualdade estrutural que não pode ser ignorada. O desafio está em construir soluções que valorizem o funcionalismo de forma proporcional, sem perpetuar privilégios concentrados em poucos setores.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira