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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Ivan Poli: O Fundamentalismo Religioso contra a Laicidade e os Valores Civilizatórios Africanos na Educação Brasileira faz suas Vítimas

Por Ivan Poli*

Os retrocessos não cessam. Recebo uma denúncia que fere não apenas a liberdade de expressão, mas também as Leis 10639/03 e 11645/08. A Universidade ao invés de abrir um espaço de debate e diálogo para enfrentar o preconceito religioso e em grande medida racial, escolheu o caminho mais fácil, a demissão do professor que não abriu mão de educar e formar com o compromisso de combater o fundamentalismo religioso, os preconceitos e a ignorância promovida por igrejas que fizeram da fé um mercado e dos fiéis consumidores.

Primeiramente agradeço a este espaço editorial progressista em tempos tão sombrios e de retrocessos em nome de minha ancestralidade africana e os valores civilizatórios que herdamos destes ancestrais que ajudaram a nos constituir enquanto Nação Brasileira, sobretudo os valores civilizatórios africanos que pregam pelo respeito e amor ao “ Espírito da Terra “ em que nascemos e que nos alimenta e nos acolhe a nós afrodescendentes e que transformamos em nossa Pátria, assim como a Terra de Nossos Ancestrais.

Em nome da Memória dos valores civilizatórios herdados de minha ancestralidade africana e da Laicidade da Nação que acolheu estes meus ancestrais venho denunciar a agressão que eu e minha obra acadêmica sofremos pela defesa de tais valores na Educação Brasileira, por parte do ódio e fundamentalismo religioso.

Sou um professor da Universidade de São Paulo e leciono a disciplina de Etnicidades e Africanidades em um curso de pós Graduação voltado sobretudo para militantes do Movimento Negro na Escola de Comunicação e Artes desta Universidade.

Sou também um militante do movimento negro e autor de livros sobre o Renascimento Africano reconhecido por autoridades políticas, acadêmicas e tradicionais deste continente na defesa dos valores civilizatórios africanos sobretudo na Educação.

Até semana passada fui professor de diversas disciplinas do curso de Pedagogia da Universidade de Guarulhos pertencente ao Grupo Ser até ser desligado devido ao baixo resultado de minha avaliação institucional por parte dos alunos desta instituição como também devido à diretiva do Grupo Ser em não desagradar estes alunos.

Devido minha larga experiência internacional em diversos países e meu trabalho dentro da militância pela diversidade e questões étnico-raciais fui contratado pela Coordenação Pedagógica em janeiro com o objetivo de proporcionar aos alunos do curso de Pedagogia o diferencial do repertório cultural e dos valores da diversidade tão necessários a formação do Educador nos dias de hoje.

Ao iniciar apresentei minha obra dentro do Renascimento Africano e Diversidade Cultural a quem pudesse interessar e falei em questões relativas a esta diversidade que devemos falar das dimensões sociológica (que forma corpos sociais) e pedagógica (que cria padrões de comportamento que imitamos) que são funções civilizadoras dos mitos africanos na Educação em cumprimento à lei 10639/03 assim como são aceitos socialmente os mitos nórdicos e helênicos nestas dimensões e no objetivo de descolonizar nosso currículo escolar, mas que não é correto usar liturgias religiosas em sala de aula, como orar o Pai Nosso que é uma prática comum em escolas públicas da Grande São Paulo que apesar de ilegal pelo princípio de laicidade do Estado, nós que somos professores sabemos que é socialmente aceita e praticada por professores cristãos sobretudo evangélicos neopentecostais com o objetivo de “ acalmar os alunos” sem que isso sofra qualquer punição. O que causou manifestações adversas de alguns alunos.

Entre as disciplinas que lecionava estava Filosofia para alunos do 5º semestre do curso em dois campi. Ao ver que o curso como um todo não contemplava autores clássicos da educação essenciais na formação do educador fiz a introdução destes autores ao que fui autorizado e incentivado pela Coordenação com o objetivo de contemplar conteúdos do exame de avaliação do curso ( ENADE) que seria realizado no final do ano por estes alunos.

Usei inclusive minha obra acadêmica “ Pedagogia dos Orixás “ resultado de minha dissertação de Mestrado cuja pesquisa gerou diversos relatórios para a SEPPIR e MEC utilizados na implementação de políticas públicas durante os governos Dilma. Usei os capítulos para apresentar um autor clássico na Sociologia da Educação e outro na Área de Psicologia da Educação presentes na obra ao que fui igualmente autorizado pela Coordenação.

Para minha surpresa fui questionado em uma sala deste 5º semestre pela representante que falou supostamente em nome da sala que eu estava usando um livro religioso que haviam alunas que estavam se recusando a ler devido a falar em Orixás no título, que corresponde ao mesmo absurdo de um aluno ateu se recusar a ler o clássico de Max Weber em Sociologia “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” por citar o protestantismo.

Em outra sala do mesmo campus em que usei o livro fui denunciado por alunas à Coordenação por “fugir do programa e usar livros inapropriados à disciplina de Filosofia, como o Pedagogia dos Orixás” (onde usei autores clássicos de Sociologia da Educação e Psicologia da Educação ausentes no programa do curso) e os textos clássicos da Filosofia de Platão e Rousseau que fiz com autorização da Coordenadora para se aproximar ao currículo da USP.

Para parar de gerar polêmica neste campus pedi que os alunos fizessem uma resenha crítica dos capítulos em questão de minha obra acadêmica “ Pedagogia dos Orixás” e que indicassem baseado em autores igualmente da academia o que era inapropriado para o uso em um curso de Pedagogia.

Alguns dias depois fui alertado pela Secretaria do Campus que os alunos de uma destas salas do noturno na qual lecionava estavam indo reclamar da religiosidade do título do meu livro ( que é uma dissertação acadêmica) e me sugeriu para que não descontentasse os alunos, o que é uma diretiva do Grupo Ser a passar somente as páginas dos capítulos em questão sem mostrar o título Pedagogia dos Orixás, ao que me neguei e reforcei que justificassem academicamente a partir de autores onde havia conteúdo inapropriado para o uso em um curso de Pedagogia a partir de uma resenha crítica.

Bem os alunos fizeram, contudo uma aluna me alerta que haviam outras alunas que estavam combinando me avaliar mal em retaliação ao fato de tê-las obrigado a ler meu livro “ religioso” segundo elas.

Nas áreas dos campi que lecionava 80% da comunidade é evangélica neopentecostal e não me admira nada se descobrir no futuro que tal combinado tenha sido feito em um culto de igreja igualmente neopentecostal como proliferam pelas regiões e toda periferia da Grande São Paulo.

Em outro campus peço que seja feita a mesma resenha dos mesmos capítulos do meu livro “ Pedagogia dos Orixás” em Sociologia da Educação e Psicologia da Educação e a representante que é evangélica juntamente com outra aluna me pedem para que lhes dessem outros livros pois estavam impossibilitadas de fazer a resenha crítica de tais livros por razões religiosas devido ao fato de minha dissertação acadêmica falar sobre Orixás e elas serem evangélicas. Cito o caso de Weber que tem a palavra Protestante em um dos livros e nem por isso o clássico da Sociologia é um livro religioso e elas falam que neste caso era mais importante o Protestantismo e isso justificava o uso de Weber.

Dizem que não podem fazer a resenha de meu livro acadêmico por eu ter na dedicatória da minha dissertação dedicado o meu anel de pós graduação e minha obra a meus ancestrais africanos na figura de Xangô da qual tenho descendência e é a minha origem mais nobre da corte de Oyo que descendo por linhagem materna em uma sociedade matrilinear. ( Para elas era coisa do demônio). De qualquer forma disseram que não fariam a resenha de um livro dedicado aos Orixás (que para elas era o demônio) nem a mães de Santo como Mãe Stella e Oba Biyi que tem uma função histórica no combate ao Racismo no Brasil.

Falei que aquilo era um ato racista contra os valores civilizatórios africanos de meus ancestrais e que me sentia fortemente ofendido por ver agredida pelo fundamentalismo religioso minha origem mais nobre de onde herdei meus principais valores civilizatórios pois se estivesse falando de origens e mitos europeus isto não aconteceria ao que elas se surpreendem e se ofendem fortemente motivando uma campanha entre as demais alunas evangélicas para que não fizessem a resenha e dizendo que não era racismo de forma alguma.

Bati firme na questão e disse que se quisessem podiam ir à coordenação ou mesmo à Justiça que não mudaria o livro.

Na semana seguinte sou questionado pela coordenação para que me retrate frente as alunas da sala devido a uma série de insatisfações levantadas pela representante (a mesma que me questionou quanto ao livro) pois era uma diretiva do Grupo Ser não deixar os alunos insatisfeitos. Entre os pontos estava a questão de elas não estarem satisfeitas com o feedback que dei sobre o uso do meu livro acadêmico “Pedagogia dos Orixás” e que me retratasse frente as alunas por ter obrigado tal uso com a pressão pra que mudasse de atividade para que as alunas não ficassem insatisfeitas para assim seguir a diretiva do Grupo Ser.

Me revoltei com tal atitude e disse que se alguém tinha que se justificar frente ao caso eram as alunas que questionavam o uso de uma obra acadêmica por razões religiosas e que era inadmissível e mesmo ilegal e criminoso frente ao conceito de laicidade do Estado que eu tivesse que me retratar frente a alunos pelo uso de uma obra acadêmica por razões de cunho religioso que ofendiam inclusive os valores civilizatórios africanos historicamente constituintes de nossa civilização e identidade nacionais.

Deixo bem claro isso que aquele ato era criminoso frente o conceito de laicidade do Estado e que aquilo contrariava estes princípios e devido a pressão sofrida para que os alunos não ficassem descontentes segundo as diretivas do Grupo Ser, deixando claro que o caso era passível de denúncia ao Ministério Público me vejo obrigado a mudar de atividade e preparo um questionário sobre laicidade e diversidade para aplicar nas salas para poder diagnosticar o quanto os alunos daquela instituição conheciam estes conceitos.

No dia seguinte em retaliação pela Coordenação levo uma advertência frente a Diretoria de Área de Humanas do Grupo SER por diversos fatores principalmente por supostamente ter mudado o programa sem o consentimento da Coordenação ( o que não é verdade) e sou informado que minha avaliação institucional por parte dos alunos dos campi estava muito abaixo da média dos outros professores (que não “desagradaram” os alunos) e na sequência com o pedido de disponibilidade de horário para o semestre seguinte sou informado que o critério principal para atribuição de aulas seria a avaliação institucional dos alunos.

No dia de aplicar a prova e questionário para esta turma a qual tive que me retratar por ter usado meu livro acadêmico Pedagogia dos Orixás, a representante, por razões religiosas, se recusa a responder este questionário sobre laicidade e diversidade e, igualmente, por razões religiosas incita as alunas evangélicas a não responderem em que é seguida por diversas alunas e declara frente a todos na sala que podem testemunhar de forma desrespeitosa e agressiva que estava fazendo aquilo para salvar meu emprego (deixando evidente que as insatisfações levadas à coordenação tinham o propósito que perdesse o emprego) e que não responderia o questionário pois ficou profundamente incomodada com a minha dedicatória de meu anel de pós-graduação e minha obra acadêmica a meus ancestrais de origem africana na figura de Xangô assim como as autoridades de comunidades tradicionais e ao patrimônio histórico nacional que é o Ile Ase Opo Afonjá em Salvador a quem fazia agradecimentos da pesquisa.

Ao sair da sala como todos são igualmente testemunhas ela me ameaça e diz que se marcar o nome dela em algum questionário que o caso sairia dali e vai em comitiva reclamar à Coordenação que eu estava obrigando-as a estudar sobre Orixás (e que para elas era errado por ser coisa do demônio) ao que não há uma resposta positiva e então reclamam que a prova estava muito fácil que todo mundo foi muito bem e terminou muito rápido e que não se sentiram avaliadas. Levam isso à Coordenação alegando que eu dei as respostas da prova por ter aplicado um questionário com perguntas semelhantes na aula anterior de revisão que fizera que faz com que eu tenha de me justificar a pedido da Coordenação à Direção de Área, sobretudo, por deixar as alunas insatisfeitas e contrariar as diretivas do Grupo Ser. Preparo então outra prova do mesmo tema para ser aplicada a estas alunas que se sentiram descontentes por não terem se sentido avaliadas, contudo elas se negam a fazer e um grupo de alunas vai à Coordenação dizer que estas alunas revoltadas de fato por eu lhes obrigar a ler meu livro acadêmico “ Pedagogia dos Orixás” mentiam quando diziam que havia dado respostas.

De qualquer forma o único punido fora eu, nada aconteceu a estas alunas, pois pela diretiva do Grupo Ser os alunos não podem ficar insatisfeitos.

Nos questionários entre as perguntas que faço ainda é alarmante em pleno século XXI o número de alunos destas turmas do 5º semestre que não sabe o que é Laicidade, que não acham errado orar em sala de aula e que afirmam que mesmo trabalhando em escola pública terão esta prática frente aos alunos. Também é relevante o número de alunos que não respondeu o questionário de diversidade e laicidade por questões religiosas para não expor sua opinião assim como os que se recusariam a falar em mitologia africana (Orixás), mas não se recusariam a falar em mitologia nórdica e helênica alegando que no caso dos Orixás se trata de religião. Também é relevante o número que não considera racismo, mas justificável por razões religiosas, não falar em mitos e valores civilizatórios africanos em sala de aula como pede a lei federal 10639/03 o que indica razões pelas quais a laicidade não é respeitada na Educação Pública assim como os valores civilizatórios africanos fundadores de nossa civilização nacional são igualmente negligenciados devido ao fundamentalismo religioso sobretudo neopentecostal apesar da legislação neste sentido assim como o caráter laico da educação pública.

Ao fim do período de provas sou chamado pela Coordenação que informa sobre meu desligamento do grupo SER devido ao fato de não me adaptar ao que chama “perfil cultural” dos alunos dos campi e que meu perfil é para os padrão cultural dos alunos de Universidades como a USP ( onde ao contrário do que aconteceu na UNG tenho altíssimo nível de aprovação entre os alunos de pós graduação usando somente minhas obras) o que ocasionou minha baixa avaliação institucional, resultado de minha demissão, que chegou a admitir que teve influência de racismo e preconceito conforme chegou a discutir com determinados representantes de sala. Afirma que minhas aulas e programa tinham um nível muito superior ao capital cultural dos alunos da instituição que na verdade reclamavam a volta do currículo de educação tecnicista e que este “descontentamento” por parte dos alunos com um currículo que traz repertório cultural e temas inquietantes da diversidade também foram razões para minha baixa nota na avaliação institucional e que voltaria a aplicar o currículo tecnicista a pedido pelos alunos, (alguns alunos raros que gostavam da questão do repertório cultural também chegaram a me dizer e que ocorreu o mesmo com outros professores que não seguiam o currículo da formação tecnicista). Também afirma que fora diversas vezes questionada pela Reitoria devido ao uso de minha obra acadêmica “Pedagogia dos Orixás” devido a reclamações que aí chegaram por autoridades (que não soube explicar quais eram , mas posso mesmo imaginar) e que isto também pesou no quadro em geral.

Independente do que possam vir a alegar quanto minha demissão, é fato inegável a ilegalidade do ato em pedir que me retratasse frente a alunos devido ao uso de uma obra acadêmica autorizada pela Coordenação a integrar o currículo por razões religiosas o que não condiz com as regras da academia e fere o princípio de laicidade do Estado o que já é suficiente para uma ação junto ao Ministério Público.

Agradeço a todas entidades políticas, do Movimento Negro e das Comunidades Tradicionais que estão se manifestando e se manisfestarão em repúdio ao ato de racismo, ofensa à laicidade e aos valores civilizatórios africanos na Educação por todo o Brasil, pois como aconteceu comigo, acontece com diversos professores que defendem estes valores e a laicidade Brasil afora conforme sabemos.

O repúdio a este ato gerou reações até mesmo do outro lado do Atlântico por parte das autoridades africanas que reconhecem minha obra como integrante do Renascimento Africano e representante dos valores civilizatórios africanos na Educação.

A Família Real do Daomé representada pelo herdeiro do trono o príncipe de Abomey Serge Guézo, descendente direto do Lendário Rei Guézo e de Na Agontimé, fundadora do Candomblé Jeje no Brasil como detalha o documentário de Pierre Verger quando foi desterrada ao Brasil como escrava e também tida como uma das precursoras da tradição do Tambor de Mina está colocando o assunto na pauta do Manifesto do Evento do Bicentenário do lendário Rei Guézo no qual autoridades tradicionais e intelectuais africanos discutirão suas questões.

O que mais deixou revoltada a família real do Daomé que reconhece em minha obra a defesa dos valores civilizatórios africanos na Educação foi o fato de uma mulher negra que talvez nem se declare negra repudiar e odiar os próprios ancestrais míticos de seu povo. Recusar a ancestralidade para um africano, independentemente da sua religião é negar um valor civilizatório central e o próprio senso de humanidade que o constitui criando um estado de barbárie inaceitável em uma sociedade. Ancestralidade é Memória e Memória é Resistência assim afirmo em minha obra que por isso é reconhecida por estas autoridades como representantes do Renascimento Africano e, um povo que nega a ancestralidade ofende a Memória Histórica Nacional e por não resistir se descaracteriza, e isto é o que mais os deixou tristes.

Como reação à agressão aos valores civilizatórios africanos na Educação reconhecida por esta família real em minha obra, o príncipe de Abomey Serge Guézo está refazendo o pedido de restituição do trono do rei Andadozan que foi enviado pelo rei Guézo ao Brasil no século XIX em uma missão diplomática do Daomé na busca da rainha Na Agontimé fundadora da Nação Jeje do Candomblé usando mais este argumento e em ato de repúdio a ofensa aos valores civilizatórios africanos presentes em minha obra.

Além de pertencer historicamente ao Benin por ser um elemento de culto aos príncipes de Abomey, esta ação segundo o príncipe Serge Guézo visa ser uma reação de repúdio que chame a atenção das autoridades para a agressão que os valores civilizatórios africanos presentes em minha obra sofreram assim como sofrem todos professores que as defendem de forma heróica em nosso país. Também é um repúdio à invasão de nossas casas de matrizes africanas assim como sua ancestral Na Agontimé fundou no Brasil guardiãs de nossos valores civilizatórios para resistir ao ódio religioso, muitas vezes inclusive, de negros que foram privados de ter o contato com os seus valores ancestrais (uma outra razão de minha obra reconhecida pela família real do Daomé ) independentemente de suas religiões.

Também é um ato simbólico de solidariedade aos que lutam contra o genocídio da juventude negra de todas as formas muitas vezes privadas de seu patrimônio civilizatório e, igualmente, como uma forma de repúdio a este genocídio.

Ao ser publicado este artigo a Família Real do Daomé levará o caso de agressão aos valores civilizatórios africanos na Educação representados em minha obra como denúncia a Comissão das Nações Unidas dos Direitos Humanos e a Comissão do Decênio dos Afrodescendentes por representação do Benim.

Além desta a Família real de Savè na figura do rei de Savè que também reconhece minha obra como representante do Renascimento africano, descendente direto de Odudwa, está mobilizando as autoridades reais de origem yorubá no Benim e Nigéria para um ato de repúdio.

E por fim os estudantes das Universidades do Panafricanismo na África que usam meu trabalho como referencia e que os oriento dentro do mesmo estão divulgando a informação entre os outros estudantes para um ato de repúdio.

Ou seja , não estamos sós.

Em agradecimento a todos que se importam com esta causa deixo os links dos meus livros sobre Renascimento Africano e valores civilizatórios africanos para download e consulta gratuitamente (academia.edu), pois creio que intolerância, ódio e fundamentalismo só se combate com conhecimento.

Indico, igualmente, a Obra de minhas precursoras Conceição Oliveira ( África, tantas Áfricas ) e Vanda Machado (Ire Ayo) como representantes destes valores civilizatórios africanos na Educação.

Lembrando de minhas raízes, pois como diz a tradição ancestral “ A raiz sagrada do Iroko é sempre a Sagrada raiz do Iroko”.

*Ivan Poli - Mestre em Linguagem e Educação na Universidade de São Paulo,trabalha com os seguintes temas : Filosofia da Educação no Oriente, Sistemas Educacionais no Oriente e Africa, Relações Mestre Discípulo no Oriente e Africa, Historia da Educação e Sociologia da Educação no Oriente e na Africa , sobretudo na Índia, Lei 10639/03



FONTE: Revista Forum - Maria Flô

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Série de fotos mostra refugiados e os objetos mais importantes de suas vidas


Mais de 100 mil refugiados já cruzaram a fronteira entre o estado de Nilo Azul, no Sudão, e o estado do Alto Nilo, no Sudão do Sul. Passando fome, doenças e outras privações durante a viagem, alguns deles mostram ao fotojornalista Brian Sokol quais os objetos mais importantes de suas vidas.

Os números impressionam e as desumanas condições por que passam essas pessoas também. O drama dos refugiados no Sudão do Sul tem várias caras e Brian Sokol foi conhecê-las, acabando por criar o projeto The Most Important Thing. Nele os refugiados mostram o que conseguiram trazer na viagem e que é fundamental nas suas vidas. Nas fotografias se incluem objetos como recipientes de água e panelas. (Esse projeto lembra o ensaio que mostramos aqui no Hypeness de crianças com seus brinquedos ao redor do mundo, que também vale a pena conferir.)

BrianSokol1



Ahmed tem 10 anos e escolheu seu macaco de estimação, Kako. Ele não imagina sua vida sem o macaco, companheiro de viagem durante os cinco dias em que foram na traseira de um caminhão desde Taga até à fronteira do Sudão do Sul.

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Haja, 55 anos, escolhe seu taupe, com o qual consegue transportar a neta, Bal Gaze.

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Maria, de 10 anos, diz que o objeto mais importante que tem no momento é o recipiente de água.

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Dowla, 22 anos, escolhe o poste de madeira que coloca nos ombros para transportar seus filhos, quando eles já não conseguem mais andar.

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Com 85 anos, Torjam teve força para levar consigo essas duas garrafas de plástico, uma com água, outra com óleo para cozinhar. Conta que teve de deixar alguns idosos para trás.

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Hasan não sabe ao certo a sua idade (terá entre 60 e 70), mas sabe que com essa carteira, agora vazia, conseguiu alimentar sua família durante os 25 dias de viagem até à fronteira do Sudão do Sul.

BrianSokol7

Shari, de 75 anos, escolhe a vara com que se consegue orientar. Há cinco anos, Shari cegou e, desde aí, só o filho, Osman, e essa vara lhe podem valer.

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Taiba tem 15 anos e é uma das mais vulneráveis do grupo fotografado por Brian Sokol. Não conseguiu levar mais nada a não ser a roupa que cobre seu corpo. Perdeu o braço esquerdo devido ao tétano.

BrianSokol9

Magboola, 20 anos, escolhe uma panela, pequena o suficiente para transportar consigo, grande que chegue para dar de comer a ela e às três filhas.

BrianSokol10

Omar também não sabe a idade (entre os 60 e os 70, provavelmente) e escolhe o machado como objeto mais importante da sua vida. Com ele, Omar consegue cortar lenha para cozinhar. O machado serviu ainda para ajudar a construir pequenas estruturas de madeira, onde ele e a família puderam se abrigar e dormir.

FONTE: Hipeness

terça-feira, 9 de maio de 2017

Grupo Afrôs Lança projeto cênico-musical com o Show "Carne Crua"

“Carne crua” é nome do show que será apresentado pelo Grupo Afrôs, na sexta, 12 de maio, no Odeon Sabor e Arte. O grupo trará um repertório com experimentações musicais que farão parte do novo projeto cênico-musical do grupo: o disco Ajé. O público pode aguardar um encontro com músicas do repertório antigo, mescladas a esses novos sons que representam o atual momento da banda, que apesar de buscar novas sonoridades, continua o diálogo com os ritmos da cultura popular brasileira.

O nome do show é uma das novas músicas que serão apresentadas pelo grupo. “Carne crua” é uma música forte poeticamente e homenageia a dançarina Ana Duarte, o show também é dedicado a essa artista tão presente na cultura popular do nosso estado.

Como muita gente sabe, os shows de Afrôs são um verdadeiro convite à libertação dos estereótipos, e nesse não será diferente, com a mulherada na linha de frente da banda mandando ver nas percussões e cantos voltados a exaltar a feminilidade presente em todos os seres, a banda espera que todos venham para dançar e se divertir bastante ao som desse grupo que tanto ama seu ofício e que pretende levar a música do Maranhão para todas as tribos do mundo.

Nessa noite memorável, contaremos com a presença dos brothers do Coletivo Gororoba, com a “Gororoba Jam Session”, fazendo um som ao vivo antes do show “Carne Crua”. E aquecendo todo mundo com sua musicalidade irreverente, teremos a “Dis’cotecabregagi” de Thadeu Macedo e Gê Viana, a multiartista que carinhosamente fez a arte gráfica desse show.

Então, em clima de pré temporada junina, o Grupo Afrôs convida todo mundo a celebrar a musa música, no dia 12 de maio, a partir das 21h, no Odeon Sabor e Arte: a casa da música independente em São Luís.

SERVIÇO: “Carne e Crua”, show do Grupo Afrôs

Show do Grupo Afrôs com abertura “Gororoba Jam Session”, do Coletivo 
Gororoba e “Discotecabregagem” com Gê Viana.

Onde: Odeon Sabor e Arte, na Rua João Vital de Matos (Beco da Pacotilha)

Quando: 12 de maio, a partir das 21h

Valor: R$20,00 com meia entrada de R$ 10,00

Fonte: GruposAfros

terça-feira, 7 de março de 2017

Pelo menos 110 pessoas morreram de fome no sul da Somália nos dois últimos dias, afirma governo

O governo da Somália afirmou que pelo menos 110 pessoas morreram de fome na região de Bay, ao sul do país, nos últimos dias em decorrência da seca que atinge milhões de somalis. O balanço de mortos foi anunciado no último sábado pelo primeiro-ministro Hassan Ali Khaire durante uma reunião do Comitê Nacional da Seca.
“Presidi uma reunião muito produtiva e informativa com o Comitê Nacional da Seca. Respostas urgentes são fundamentais para salvar vidas”, declarou o premiê no Twitter.
O presidente da Somália, Mohamed Abdullahi Mohamed, declarou o estado de “desastre nacional” na última terça-feira (28/02) devido à situação humanitária provocada pela grave seca que grande parte do país está sofrendo. “A seca é um desastre nacional e precisa de ajuda internacional de emergência”, escreveu o presidente. Ele também pediu que a comunidade empresarial do país e a população somali no exílio participem das operações de recuperação nas zonas afetadas.
De acordo com as Nações Unidas, cerca de cinco milhões de pessoas necessitam de socorro por conta da seca no país. Segundo a ONU, a seca já deslocou mais de 135 mil pessoas no país desde novembro, conforme dados recolhidos pela Acnur (Agência da ONU para Refugiados) e pelo NRC (Conselho Norueguês para Refugiados). Organismos internacionais temem que esta grave situação desencadeie uma crise de fome no país como a de 2011, quando 250 mil pessoas morreram, sendo mais da metade delas crianças com menos de cinco anos.
Mais de 360 mil crianças com desnutrição aguda “necessitam tratamento urgente e apoio internacional, incluindo 71 mil que sofrem de desnutrição grave”, segundo a Agência de Sistemas de Alerta Precoce contra a Fome, da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional. A capital da Somália, Mogadício, tem recebido milhares de pessoas nos últimos dias em busca de socorro alimentar, sobrecarregando agências de ajuda locais e internacionais.
Os países da região também advertiram que uma nova crise de fome poderia piorar a questão da segurança em um lugar onde a ameaça jihadista e os enfrentamentos entre etnias pelos recursos causam vários conflitos. Segundo o governo do país, a fome generalizada “torna as pessoas vulneráveis à exploração, aos abusos dos direitos humanos e a redes criminosas e terroristas”. Além disso, a falta de água limpa em muitas áreas agrava a ameaça adicional de cólera e outras doenças, dizem especialistas da ONU.
A Somália é uma das quatro regiões selecionadas pelo secretário-geral da ONU no mês passado ao pedir uma ajuda de US$ 4,4 bilhões para evitar uma situação catastrófica de fome. As outras são o nordeste da Nigéria, o Sudão do Sul e o Iêmen. Em comum, todos esses locais enfrentam conflitos violentos, afirmou o chefe da ONU. O apelo humanitário da ONU para 2017 para a Somália é de US$ 864 milhões para prestar assistência a 3,9 milhões de pessoas. No entanto, o Programa Mundial de Alimentos da ONU recentemente solicitou um plano adicional de US$ 26 milhões para responder à seca.
FONTE: Sul 21

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Diz que somos todos macacos mas reclama de Haitianos no Brasil?

Haitianos buscam emitir carteira
de trabalho em São Paulo
 (Foto: Alan Morici / Terra)

Haveria o mesmo incômodo se tivéssemos loiros escandinavos pedindo estada no Brasil ao contrário de negros haitianos?

 
Fico descrente diante de comentários de colegas jornalistas, espumando preconceito e desinformação, criticando o “peso” dos imigrantes haitianos para a estrutura de atendimento de saúde, educação e assistência social e reclamando do estorvo econômico que é chegada desse pessoal.
 
Como se eles mesmos não fossem o resultado de pessoas que deixaram sua terra natal por desalento e esperança (quando a migração foi voluntária) ou trazida em porões de navios, quando não.
 
Os haitianos não vêm simplesmente buscando oportunidades – que não são encontradas no país abalado pelo terremoto de 2010, que matou 300 mil pessoas, pondo abaixo sua já frágil economia e frágeis instituições – mas também atendendo ao chamado brasileiro por mão de obra, assim como ocorre com os bolivianos. Sim, esse fluxo migratório atende a demanda por força de trabalho do Brasil, em que determinadas funções já não são preenchidas apenas por brasileiros, como empregadas domésticas, costureiras e operários da construção civil e de frigoríficos.
 
Sob a perspectiva mal informada de grande parte população, contudo, eles vêm “roubar” empregos. Isso quando o preconceito não descamba para o roubo de relógios, joias, carros e casas.
 
A verdade é que muita gente, do Acre, a São Paulo, passando por Brasília, não sabe de onde vem o incômodo que sente ao ver centenas de haitianos chegando e andando pelas ruas brasileiras.
 
Tenho certeza que, se tivéssemos loiros escandinavos pedindo estada ao contrário de negros, a história seria diferente. Ou seja, para muita gente é racismo mesmo, com todas as letras. Com a sempre presente discriminação por classe social – negros ricos são menos queridos do que tolerados em uma sociedade preconceituosa como a nossa.
 
Algumas das pessoas que pensam dessa forma devem estar postando selfies com bananas, dizendo que somos todos macacos – um lema ridículo que faz uma crítica vazia, funcionando muito mais como modinha do que como instrumento de conscientização sobre as causas e as consequências do preconceito. Aliás, foi ótimo para mostrar o que já sabíamos: no dia a dia, #somostodosridículos.
 
Por fim, o fato da maioria de nossos antepassados ter sido explorada até o osso quando aqui chegou é mais um motivo para tratarmos com respeito os que, agora, chegam para ajudar nosso crescimento econômico e em busca de seu sustento.
 
O governo (e, aqui, podemos listar todas as esferas envolvidas direta ou indiretamente) demorou para criar estruturas de acolhimento, atendimento e intermediação oficial de mão de obra de modo a evitar a superexploração de imigrantes que já começa a acontecer. Se o fluxo migratório boliviano ocorre, principalmente, para a capital e o interior do Estado de São Paulo, os haitianos espalham-se pelo país, com especial interesse nos Estados do Sul.
 
Enquanto isso, a sua vulnerabilidade se traduz em números: 21 foram libertados do trabalho escravo em uma ação de fiscalização do poder público em Cuiabá (MT), em uma obra do “Minha Casa, Minha Vida”. Outros 100 acabaram resgatados da escravidão em uma obra da mineradora Anglo American, em Conceição do Mato Dentro (MG) – ambos os casos no ano passado.
 
Coordenamos, há anos, uma “força de paz” no Haiti com o objetivo de ajudar a garantir a ordem e a reconstruir o país. O Brasil sempre disse que o Haiti deveria vê-lo como um grande irmão do Sul. Nada mais justo portanto que, no momento de necessidade, passarem um tempo na casa desse irmão. Ou, se quiserem, estabelecerem-se por aqui.
 
Ou não te incomoda agirmos como os idiotas agiam há 200, 100, 50 anos atrás?
 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

"Mandela e os racistas da Veja"

 
 
 
 
Durante décadas, a mídia imperial tratou Nelson Mandela como “terrorista”. Até 2008, o líder africano ainda figurava na lista dos “comunistas” da central de espionagem dos EUA e a imprensa colonizada o rotulava de “subversivo”.
 
Com sua morte, porém, a mídia simplesmente evita fazer qualquer autocrítica desta trajetória e passa a endeusar Nelson Mandela, tratando seus leitores como imbecis.
 
A revista Veja, sucursal rastaquera dos EUA, é uma das mais cínicas nesta manipulação. Na edição desta semana, ela estampou na capa: “O guerreiro da paz”. Nojento!
 
Basta lembrar que o semanário da família Civita teve como um dos seus principais acionistas o grupo de mídia sul-africano Naspers.
 
Num artigo na revista Caros Amigos, intitulado “A Abril e o apartheid”, o escritor Renato Pompeu revelou que esta corporação foi um dos esteios do regime racista.
 
A Naspers tem sua origem em 1915 com o nome de Nasionale Pers. Durante décadas, ela esteve estreitamente ligada ao Partido Nacional, a organização das elites africâneres que legalizou o detestável e criminoso regime do apartheid no pós-Segunda Guerra Mundial.
 
Dos quadros da Naspers saíram os três primeiros-ministros do apartheid. O primeiro foi D.F. Malan, que comandou o governo da África do Sul de 1948 a 1954 e lançou as bases legais da segregação racial.
 
Já os líderes do Partido Nacional H.F. Verwoerd e P.W. Botha participaram do Conselho de Administração da Naspers. Verwoerd, que quando estudante na Alemanha teve ligações com os nazistas, consolidou o regime do apartheid, a que deu feição definitiva em seu governo, iniciado em 1958. Durante sua gestão ocorreram o massacre de Sharpeville, a proibição do Congresso Nacional Africano (que hoje governa o país) e a prolongada condenação de Nelson Mandela.
 
Já P. W. Botha sustentou o apartheid como primeiro-ministro, de 1978 a 1984, e depois como presidente, até 1989.
 
“Ele argumentava, junto ao governo dos Estados Unidos, que o apartheid era necessário para conter o comunismo em Angola e Moçambique, países vizinhos. Reforçou militarmente a África do Sul e pediu a colaboração de Israel para desenvolver a bomba atômica. Ordenou a intervenção de forças especiais sul-africanas na Namíbia e em Angola”.
 
Durante seu longo governo, a resistência negra na África do Sul, que cresceu, adquiriu maior radicalidade e conquistou a solidariedade internacional, foi cruelmente reprimida – como tão bem retrata o filme “Um grito de liberdade”, do diretor inglês Richard Attenborough (1987).
 
Renato Pompeu não perdoa a papel nefasto da Naspers. “Com a ajuda dos governos do apartheid, dos quais suas publicação foram porta-vozes oficiosos, ela evoluiu para se tornar o maior conglomerado da mídia imprensa e eletrônica da África, onde atua em dezenas de países, tendo estendido também as suas atividades para nações como Hungria, Grécia, Índia, China e, agora, para o Brasil. Em setembro de 1997, um total de 127 jornalistas da Naspers pediu desculpas em público pela sua atuação durante o apartheid, em documento dirigido à Comissão da Verdade e da Reconciliação, encabeçada pelo arcebispo Desmond Tutu. Mas se tratava de empregados, embora alguns tivessem cargos de direção de jornais e revistas. A própria Naspers, entretanto, jamais pediu perdão por suas ligações com o apartheid”.
 
Segundo documentos divulgados pela própria Naspers, em dezembro de 2005, a Editora Abril tinha uma dívida liquida de aproximadamente US$ 500 milhões, com a família Civita detendo 86,2% das ações e o grupo estadunidense Capital International, 13,8%.
 
A Naspers adquiriu em maio último todas as ações da empresa ianque, por US$ 177 milhões, mais US$ 86 milhões em ações da família Civita e outros US$ 159 milhões em papéis lançados pela Abril. “Com isso, a Naspers ficou com 30% do capital. O dinheiro injetado, segundo ela, serviria para pagar a maior parte das dividas da editora”.
 
A revista Veja, que estampa na capa a manchete “O guerreiro da paz”, nunca pediu perdão por suas ligações com os racistas da África do Sul. É muito cinismo!
 
Fonte: Viomundo

sábado, 19 de outubro de 2013

Tanzânia lidera matança de albinos para feitiçaria

Albinos são caçados e assassinados para que partes de
seus corpos sejam usados em poções de magia negra



Mariam Emmanuel fugiu da multidão de sua aldeia que a perseguia, mas ela logo foi alcançada, porque, afinal, era apenas uma menina de cinco anos. Facas e facões golpearam-na, despedaçando-a. "Ela foi morta como um animal por adultos que não tiveram nenhuma compaixão por outro ser humano", disse uma testemunha. Mariam entrou na estatística de albinos da Tanzânia que são assassinados para que seus corpos sejam usados pela feitiçaria.

Esse país africano é recordista nesse tipo de crime. Por ano, cerca de 50 albinos são caçados e mortos porque os curandeiros acreditam que seus corpos, usados em poções mágicas, têm o poder de curar doenças e dar sorte.

O albinismo é um distúrbio congênito caracterizado pela ausência (completa ou parcial) de pigmento na pele, cabelos e olhos. Os albinos têm problema de visão e são suscetíveis a queimaduras solares e a câncer de pele. Na África, eles são chamados pejorativamente de “fantasmas”, “zeros” ou “invisíveis”.

Na Tanzânia e em outros países do Leste da África, os matadores obtêm milhares de libras com a venda da pele, olhos, sangue, órgãos, cabelos e ossos dos albinos. 

Mineiros da Tanzânia moem os ossos dos albinos na expectativa de que o pó, depois de algum tempo enterrado, se transforme em diamantes. Pescadores do lago Vitória colocam cabelos ruivos de albinos em sua rede porque acreditam que, assim, atrairão peixes grandes. A pele é usado para revestir amuletos. Os órgãos genitais são usados em poções para cuidar de disfunção erétil — tratamento caro, só para ricos. 

Há a crença de quem tiver relações sexuais com albinos ou albinas ficará curado do HIV. Por conta disso, albinos têm contraído o vírus da síndrome — as mulheres muitas vezes são estupradas.

Os albinos que morrem de doença ou de morte natural ou ainda de assassinatos são sepultados por seus parentes em locais onde os restos mortais não possam ser desenterrados pelos fornecedores dos feiticeiros. O avô de Mariam, que conseguiu recuperar os ossos da menina, os enterrou embaixo de sua cama. 


Além  de ter problema de visão e serem mais suscetíveis
ao câncer de pele, os albinos estão na mira de caçadores

Pressionados pela comunidade internacional, o governo e a Justiça da Tanzânia estão dando mais atenção à repressão à caça dos albinos. Na semana passada, os tribunais condenaram à morte os homens que abateram e esquartejaram um garoto de 14 anos. No país, foi a primeira aplicação da pena de morte a esse tipo de assassinato. 

Uma perna do menino foi encontrada na casa de um dos acusados e o resto do corpo estava escondido em arbustos. Os acusados admitiram que iam vender a “carne branca” para feiticeiros. 

"Eles [os acusados] mataram um albino inocente e indefeso e, por isso, também merecem morrer", disse Wabanu, um estudante universitário albino que compareceu ao tribunal. 

"Espero que esta condenação seja um aviso àqueles que têm plano de matar albinos na crença de que, assim, se tornarão ricos.”

Nos países africanos existem mais de 17 mil albinos. Por motivo ainda desconhecido, o país onde ocorre a maior incidência da doença é a Tanzânia.


terça-feira, 28 de maio de 2013

Dilma anuncia o perdão à dívida de países africanos

A presidenta Dilma, em Adis Abeba,na Etiópia,
cumprimenta o o primeiro-ministro, Hailemariam

O governo brasileiro anunciou, neste sábado, o perdão da dívida de 12 países africanos, o que totalizará US$ 897,7 milhões. Em alguns casos, a dívida será negociada. A presidenta DilmaRousseff disse, na capital da Etiópia, que o objetivo é limpar o nome dos países que contraíram dívidas com o país, principalmente durante as décadas de 70 e 80, para viabilizar negócios e investimentos. Além disso, será criada uma agência de comércio para a África e América Latina. O Brasil vem intensificando investimentos no continente e tem interesse em ampliá-los. Seis países africanos estão na lista dos dez com maior crescimento econômico registrado nos últimos anos no mundo.
O sentido dessa negociação é o seguinte: se nós não conseguirmos estabelecer esse perdão da dívida, pelo menos de parte, não consigo ter relações com eles, tanto do ponto de vista de investimento, de financiar empresas brasileiras nos países africanos, e também relações comerciais que envolvam maior valor agregado. O sentido é uma mão dupla: beneficia o país africano e beneficia o Brasil – afirmou Dilma Rousseff, que participa das comemorações dos 50 anos da União Africana, na Etiópia.
Os países beneficiados com o perdão ou com formas facilitadas de quitá-las são: Costa do Marfim, Gabão, Guiné, Guiné Bissau, Mauritânia, São Tomé e Príncipe, Senegal, Sudão e Zâmbia. Enter os 12 países que terão suas dívidas perdoadas, os principais beneficiados serão a República do Congo (Brazzaville), com uma dívida de US$ 352 milhões cancelada, e a Tanzânia, com US$ 237 milhões, indicou Traumann.
Mais investimentos
Na véspera, o Brasil assinou acordos de cooperação com a Etiópia nesta sexta-feira e as empresas brasileiras pretendem aumentar os investimentos no país do Chifre da África que cresce rapidamente, disse um ministro etíope. O chanceler da Etiópia, Berhane Gebrekristos, afirmou que a delegação brasileira em visita ao país assinou memorandos de entendimento e acordos em educação, agricultura, ciência e tecnologia e transporte aéreo.
Gebrekristos disse que as empresas brasileiras estão mostrando interesse nos setores de mineração e infraestrutura da Etiópia. Representantes da estatal Petrobras e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fazem parte da delegação brasileira em Adis-Abeba.

Há um desejo por parte das empresas brasileiras de se envolverem aqui e o governo brasileiro e nós estamos prontos para informar as empresas brasileiras a se engajar na Etiópia, já que há uma grande oportunidade aqui. Em termos de financiamento, há um compromisso político por parte do governo brasileiro de que vamos trabalhar em projetos específicos no futuro – disse Gebrekristos a jornalistas em Adis-Abeba, à margem de uma cúpula da União Africana.
O Brasil lançou uma campanha para expandir seus laços econômicos com a África, um sinal de como a crise no mundo desenvolvido tem estimulado economias emergentes a negociar e investir entre si, dizem economistas.
A presidente brasileira Dilma Rousseff, que está na Etiópia para participar do Jubileu de Ouro da União Africana, disse nesta sexta-feira que o Brasil quer uma cooperação que “não seja opressiva” com a África. Ela manteve um encontro bilateral com o primeiro-ministro etíope, Hailemariam Desalegn.

Os países dos Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, são agora os maiores parceiros comerciais da África e formam o novo grupo de maiores investidores no continente. O comércio entre os Brics e a África deve exceder US$ 500 bilhões até 2015, de acordo com o Standard Bank.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Um Mapa da Intolerância Racial Mundo Afora


Niclas Berggen e Therese Nilsson são economistas suecos que estavam estudando a relação entre liberdade econômica e tolerância racial. Para isso, precisavam encontrar uma forma de medir o nível de tolerância racial de um país, e encontraram no World Values Survey, que pesquisa uma série de dados mundo afora há décadas.
Uma das perguntas feita em todos os países pesquisados (mais de 80) é “que tipo de pessoa você não gostaria de ter como vizinho?”; uma das opções de resposta é “pessoas de raça diferente”.
Os pesquisadores entendem que muitos podem mentir nessa resposta, por medo de parecer racista, mas entendem também que a coragem de expressar essa opinião abertamente é um bom indicador da intolerância racial de uma sociedade.
Países de língua inglesa e latinos foram os mais tolerantes, com exceção da Venezuela e República Dominicana. Os países escandinavos também se saíram bem.


Enquanto racismo é geralmente associado a brancos vs. outras raças, Índia, Jordânia, Bangladesh e Honk Kong são de longe os lugares menos tolerantes do mundo, onde mais de 40% responderam que não gostariam de um vizinho de raça diferente, com o pessoal de Hong Kong chegando a impressionantes 71,8%, seguidos de perto por Bangladesh com 71,7%; a Jordânia marca 51,4% e a Índia 43,5%.
O racismo parece não respeitar fronteiras econômicas ou de educação. A Europa Ocidental, com altos índices de desenvolvimento humano, é mais racista que a Oriental.
A França aparece em primeiro lugar no quesito intolerância, com 22,7% não querendo um vizinho de outra raça. Países que pertenciam à extinta União Soviética, como Belarus e Latvia são os mais tolerantes da Europa.
Os países asiáticos como um todo são intolerantes, com a Coreia do Sul no topo. Já no Oriente Médio, apenas o Paquistão apresenta um baixo índice, com 6,5%, o que mais uma vez mostra que riqueza e educação não são sinônimos de tolerância, já que o país tem um baixíssimo índice de desenvolvimento humano.
Por sinal, os paquistaneses são mais tolerantes do que holandeses e alemães.
O Brasil aparece como um mar de tranquilidade racial, o que mostra, na opinião desse que vos fala, que é muito mais fácil mentir na resposta do que ser sincero, já que sabemos muito bem que a verdade não é exatamente essa.