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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

PEC 55: Como será o amanhã?

A PEC 55, antiga 241, também conhecida como a PEC da Morte e a PEC do Fim do Mundo, foi aprovada hoje no Senado, em segundo turno, com margem folgada. 
E dane-se o que o povo acha. Um governo ilegítimo, golpista, sem voto (porque ninguém votou no Temer, ninguém elege vice, ou os reaças que votaram no Aécio sequer se lembram quem era seu vice?), determina o que acontecerá com o país não só durante sua "gestão", mas também por duas décadas, quando não estiver mais no poder, se deus quiser. 
Aprovação da PEC no 1o turno:
povo protesta do lado de fora
Sinceramente, se uma chapa antes das eleições adotasse o discurso oficial, transmitido pelo governo e pela mídia, e dissesse "O país está quebrado por causa do PT, gasta demais, então precisamos de um teto para limitar os gastos", seria eleita? E olha que esse é o discurso oficial. Não é a verdade direta, que seria: "Precisamos garantir o pagamento dos juros da dívida para os banqueiros, então vamos cortar investimentos em saúde, educação, infra-estrutura, assistência social, saneamento básico, enfim, em tudo que não seja juro da dívida, pelos próximos vinte anos". 
(Uma dica: sempre que você ler "gastos" em saúde e educação, e não "investimentos", desconfie). 
Pesquisa Datafolha diz que 60% dos quase 3 mil entrevistados é contra a PEC 55. Na enquete do Senado a desaprovação foi muito maior, com 345.718 votos contra, e apenas 23.770 a favor. E, mesmo assim, os senadores decidiram aprovar uma medida quase unanimemente rejeitada. 
Não por coincidência, hoje é o aniversário de 48 anos do AI-5, o ato institucional número 5, decretado em 13 de dezembro de 1968. Foi o golpe dentro do golpe, um decreto que endurecia ainda mais a ditadura e rasgava a Constituição. Neste 2016 com carinha de 1964, a PEC 55 age como o golpe dentro do golpe. Como disse o senador Lindbergh Farias, "esse é o AI-5 dos pobres". Não há dúvida alguma que essa medida trágica e antidemocráticaafetará mais diretamente os mais pobres (ou seja, mulheres e negros). As conquistas sociais da última década serão rapidamente revertidas. E, de todas as regiões, quem sofrerá mais será novamente o Nordeste.
Tirando a mídia, o governo golpista, o Congresso vendido e os reaças (que vêm a PEC como uma oportunidade de ouro de "diminuir o Estado", eufemismo para privatizar tudo), todo mundo adverte que a medida não apenas será ineficiente para conter despesas, como também acabará com setores fundamentais para o desenvolvimento e a redução das desigualdades sociais do país. A diretora global de Educação do Banco Mundial, Claudia Costin, por exemplo, declarou: "O Brasil continuará com o desastre educacional que tem hoje. Normalmente, quando países têm problemas fiscais, ao menos os mais desenvolvidos, eles preservam a educação dos cortes. O Brasil optou por não fazer isso. É uma grande pena". 
Já o relator da ONU classificou a emenda constitucional como o pacote de austeridade socialmente mais regressivo do mundo. Philip Alston não poupou palavras: a PEC é uma violação dos direitos humanos. "Essa é uma medida radical, que denota ausência de qualquer sentimento e compaixão. É completamente inadequado congelar apenas os gastos sociais e amarrar os braços dos futuros governantes por duas décadas".
O retrocesso vivido no Brasil é tão gigantesco que, não sei se você lembra, dois ou três anos atrás uma das pautas de vários movimentos era garantir que 10% do PIB fosse obrigatoriamente usado na educação. Aliás, isso foi aprovado no Plano Nacional da Educação (já sepultado). Agora, com a PEC 55, decreta-se o fim da educação pública. 
E óbvio que os próximos golpes dentro do golpe serão a o fim dos direitos trabalhistas e a reforma da previdência (mentindo descaradamente que a previdência está quebrada, então é melhor que você morra antes de poder se aposentar para que, sabe, a previdência continue a existir, mas temos aqui bons planos de previdência privada à sua disposição; além do mais, especialistas na Globo News têm a solução: é só você guardar um milhão de reais -- mais a inflação -- que você pode sacar 5 mil por mês dos 60 anos em diante). 
Anúncio de previdência
privada em notícia sobre
"crise da previdência"
O cenário é realmente desesperador, e dá um novo sentido ao termo "idiota útil" (termo criado pelos reaças para designar feministas e demais ativistas sociais, que lutam em favor de causas, segundo eles, orquestradas por uma nova ordem mundial -- reaças adoram teorias da conspiração). Idiota útil, pra mim, é qualquer um que que não seja rico e apoie a PEC 55 e seu consequente desmantelamento do Estado. Porque, sei lá, se você é banqueiro, a PEC pode ser boa pra você. Afinal, vai garantir que os juros sobre juros de uma dívida corrupta serão pagos religiosamente a você. Se você é dono de empresas privadas de saúde e educação, a PEC certamente te trará grandes lucros. Porém, se você não faz parte desse 1%, você terá seus direitos diminuídos pela PEC -- por duas décadas. E não será bonito.
Eu só consigo começar a vislumbrar o que isso vai significar diretamente na minha vida. Faz dois meses, eu e o maridão cancelamos nosso plano de saúde. Agora que o maridão chegou aos 59 anos, o plano ficou caro demais. E, se já temos dificuldade para pagá-lo hoje, imagine quando eu também atingir essa idade. Não dá pra dedicar 40% da nossa futura renda num plano (além disso, eu sempre me senti desconfortável pagando plano. Saúde tem que ser gratuita e acabou. É meu direito, direito de todos, ter um SUS de qualidade). 
Na universidade, com a PEC 55, existe o risco real de vários campi fecharem as portas, por simplesmente não conseguirem se manter. Letras é o maior curso da UFC, mas sabemos que o governo golpista não tem o menor apreço por licenciaturas. 
De cara, ficará difícil, pra não dizer impossível, que eu consiga a tão esperada progressão funcional, quando, a partir de março de 2018, eu iria de professora adjunta para associada. Não haverá dinheiro para progressão dos servidores. Teremos nossos salários congelados por vinte anos e, como não aceitaremos isso calados (espero), faremos greves e mais greves (quem viveu os anos FHC nunca se esquecerá).
Além de sermos punidos com congelamento de salários, tampouco poderemos contratar novos servidores (é o fim dos concursos públicos). Quando um professor se aposentar ou morrer, não poderemos fazer uma seleção para substituí-lo. Vamos ter que nos desdobrar e cobrir as horas dele, até que não sobre ninguém.  
Verbas para pesquisa e congressos? Bolsas para pós-doutorado? Esqueça. A desculpa será sempre "Não há dinheiro", que será repetida à exaustão, até que a gente pare de pedir. Se não acabarem com a Capes e o CNPq antes. 
E isso que estou falando só de mim, de como a PEC afetará a minha vida num futuro próximo. E eu estou numa posição privilegiada. Ganho bem, tenho estabilidade no emprego, e pretendo parar de trabalhar bem antes da PEC deixar de existir. Mas e os jovens? E meus valentes alunos da periferia, que sonhavam com a oportunidade de serem os primeiros de suas famílias a se formarem numa universidade pública? Que sonhavam com um futuro mais digno? Qual o futuro de toda uma geração? Como estará nosso país daqui a vinte anos?
E os políticos reaças, a mídia, nos fazem de palhaço. Nas eleições de 2018, você vai ver, todos os candidatos se posicionarão contra a PEC 55. Duvido até que alguém venha com o discurso de "remédio amargo, mas necessário". Mentirão na cara dura, dirão que sempre foram contra corte de investimentos em educação e saúde. E, mais uma vez, vai caber à gente lembrar. A gente, que lembra do AI-5. Que tem memória. Que ainda insiste em sonhar e lutar.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Assine a petição online contra o PL 5069/2013 que VEDA o atendimento no SUS às vítimas de violência sexual!



Por Leci Brandão*

A CCJ aprovou esta semana o PL 5069/2013 que VEDA o atendimento no SUS às vítimas de violência sexual. É uma série de retrocessos absurdos que querem implementar no Brasil, mesmo depois de conquistas dos movimentos feministas e de saúde.

O texto do PL sofreu algumas alterações para parecer menos absurdo. Alguns trechos grotescos foram retirados, mas muitas armadilhas foram inseridas! 1. O art. 128 do código penal determina que não é punido o aborto se a gravidez é resultante de estupro. Caso o PL seja aprovado, será incluído o trecho “constatado em exame de corpo de delito e comunicado à autoridade policial”. Isso pode excluir VÁRIOS casos em que o estupro é praticado sem violência física, seja por coação, ameaça ou com a vítima inconsciente. 2. O PL 5069 continua propondo que seja retirado do art. 1º da lei 12.845 que a vítima de estupro deve receber atendimento integral . 3. O PL 5069 continua propondo que seja retirado da lei 12.845 que a violência sexual é caracterizada por sexo sem consentimento. 4. O PL 5069 continua propondo que seja retirada da lei 12.845 a questão da facilitação do registro de ocorrência. 5. O PL 5069 não mais propõe que seja revogado o inciso sobre o fornecimento da profilaxia da gravidez (pílula do dia seguinte), mas agora pretende substituí-lo por um texto que dá margem a interpretação de que, se o responsável pelo serviço de saúde considerá-la abortiva, ela não será fornecida. Isso é reforçado pela inclusão de um quarto parágrafo que diz: “Nenhum profissional de saúde ou instituição, em nenhum caso, poderá ser obrigado a aconselhar, receitar ou administrar procedimento ou medicamento que considere abortivo”. Ou seja, fica a critério da subjetividade do profissional. O aborto em condições não permitidas pelo Código Penal já tem suas punições previstas. A coautoria, facilitação e indução a crimes também já são tipificadas pelo Código Penal. O anúncio de procedimento ou substância abortiva também já é tipificado como contravenção. Qual o interesse em criminalizar mais ainda o que já é criminalizado, coisa que não acontece nem com crimes como homicídio, tortura, sequestro, CORRUPÇÃO E LAVAGEM DE DINHEIRO? Por que não aproveitaram que estão mexendo nas leis referentes ao aborto para propor de uma vez por todas a inclusão dos casos de fetos anencéfalos, visto que só o que existe é o acórdão favorável do STF? Não interessa, né? A quem interessa restringir o atendimento às vítimas de estupro? Por que este PL é tão urgente? Enquanto isso, várias pautas urgentes de fato continuam engavetadas na Câmara. 

Vamos mesmo deixar que isto aconteça depois de tantos anos de batalha para melhores direitos para a mulher brasileira? Vamos mesmo deixar um homem retroceder o que custou centenas de mulheres se revoltando pra conseguir?

Vamos relembrar a estes políticos que não estamos dispostas a abdicar dos nossos direitos, nem hoje, nem nunca, e que se eles tentarem, não vamos ficar caladas nem quietas.


*Leci Brandão: Deputada Esdadual pelo estado do Rio de Janeiro


sexta-feira, 9 de maio de 2014

Perguntar não ofende: Acusar quem combate a corrupção, é corrupto, corruptível ou defende quem é???

Edinho Lobão, candidato dos Sarneys
O pré-candidato da família Sarney a governador do Maranhão, Edinho Lobão, mais conhecido como "Edinho 30", mostrou agora como vai ser seu tratamento político com os adversários na campanha eleitoral de 2014.
 
Numa demonstração de um verdadeiro lobo raivoso e faminto pelo poder, ofendeu e ofereceu uma "recompensa" de 20 mil [deveria ser 30]reais para quem tivesse informação de algum processo de acusação de corrupção do maior adversário eleitoral da oligarquia, Flávio Dino.
 
Essa atitude do Edison Lobão Filho, veio logo, no momento em que foi aprovado na Câmara de Deputados Federais, dia 07/05, a PEC 82/07 contra a corrupção de autoria do próprio Flávio Dino quando este foi deputado federal (reveja aqui)
 
Veja a matéria reproduzida do site de política Terra do dia 08/05, do jornalista Clodoaldo Corrêa:
 
O pré-candidato ao governo do Maranhão – com o apoio da família Sarney – senador Edison Lobão Filho (PMDB-MA) ofereceu dinheiro por denúncias de corrupção do pré-candidato ao governo, Flávio Dino (PCdoB), que até o início de abril, era presidente da Embratur. O peemedebista é filho do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.
 
O senador Edinho Lobão (como é mais conhecido no Maranhão) fez a proposta em entrevista a uma rádio local. “Vou oferecer R$ 20 mil para quem trouxer os processos da Embratur, onde há claramente crime de má gestão, de roubo e furto”, afirmou deixando perplexos os entrevistadores da rádio. Na mesma entrevista, em meio a palavrões, Edinho falou em comparar inclusive sua família à do adversário. 
 
Deputados de oposição fizeram duras críticas e pediram a retratação do senador Edison Lobão Filho. “Isto mostra o nível baixo da eleição no Maranhão. Acha que vai comprar a eleição. Acha que o Maranhão está em uma prateleira”, afirmou Marcelo Tavares (PSB).
 
O deputado Bira do Pindaré (PSB) reforçou a crítica, pontuando que se o pré-candidato fez tal declaração em uma entrevista para uma rádio, estaria mostrando que não ter medo da Justiça Eleitoral. “Ele afirmou claramente, que está oferecendo R$ 20 mil para quem tiver denúncia contra o ex-presidente da Embratur, Flávio Dino. Eu não posso admitir que isso seja algo praticado no Estado do Maranhão. Não posso admitir que alguém se comporte desse jeito em relação a um processo eleitoral”, lamentou.
 
O presidente estadual do PCdoB, Márcio Jerry, diz que o pré-candidato Flávio Dino (PCdoB) não cometeu nenhuma irregularidade à frente da Embratur. Para o comunista, o Clã Sarney está desesperado pela iminência da perda do poder e está tentando baixar o nível da capanha eleitoral. “Os maranhenses com certeza esperam uma campanha limpa, de alto nível, com debates e não com mentiras e agressões. Estamos e continuaremos debatendo propostas para o Maranhão, um Estado rico porém empobrecido pela má política”, afirmou.
O deputado governista, Alexandre Almeida (PTN) minimizou as declarações do filho do ministro Edison Lobão. Para Almeida, Edinho foi mal interpretado e estaria apenas brincando na fala que acabou indo ao ar. “O pré-candidato Edinho Lobão teve um bate-papo com os jornalistas e acabou gravado. Sempre depois de uma entrevista há um bate-papo sem compromisso. Por um erro técnico foi veiculado. Esta fala não devia ser veiculada. Eu não vi nada demais. A oposição tenta construir um discurso manipulado”, frisou.
 
Portanto amig@s, comente respondendo a pergunta acima do título.
 
Fonte: Site Terra 

Câmara aprova proposta de Flávio Dino de combate à corrupção

 
Parlamentares e advogados enaltecem papel do ex-deputado. “Você é nossa referência”, afirma Fábio Trad, do PMDB
 
Foi aprovada nesta quarta-feira (7), na Câmara dos Deputados, a PEC 82/07, proposta pelo então deputado federal, Flávio Dino (PCdoB). A emenda fortalece a atuação do advogado público em defesa da correta aplicação das verbas públicas.
 
“Esse é um momento importante para todos os brasileiros refletirem sobre a defesa das políticas públicas. A PEC foi motivada para dar autonomia aos profissionais de carreira na advocacia pública, seja ela federal, estadual e municipal, para que fortaleçam a prevenção da corrupção, a defesa de políticas públicas e a melhoria na prestação de serviços públicos”, disse Flávio Dino.
 
Márcio Santoro, do Movimento Nacional pela Advocacia Pública, declarou, nas redes sociais, seu agradecimento a Flávio Dino. “Obrigado! A Advocacia Pública é grata a V. Exa. por toda a luta incansável que tem empreendido.#AmigodaAGU #PEC82/07 @FlavioDino”, afirmou.
 
O deputado federal Fábio Trad (PMDB-MS) também comentou nas redes sociais: “Flávio Dino, você é nossa referência em muitas ações parlamentares. Um exemplo a ser seguido!”
 
O que muda com a PEC
 
A PEC 82/07 concede autonomia funcional e prerrogativas aos membros da Defensoria Pública, Advocacia da União, Procuradoria da Fazenda Nacional, Procuradoria-Geral Federal, Procuradoria das autarquias e às Procuradorias dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
 
O ex-deputado federal Flávio Dino foi lembrando na noite de ontem em menções nas redes sociais pela autoria da proposta. O Movimento Nacional pela Advocacia Pública destacou a aprovação da PEC 82/07, na Comissão Especial, sendo preciso lembrar a iniciativa de Dino, “a quem o país e a Advocacia Pública brasileira agradecem”. Em nome da Associação Nacional dos Procuradores de Estado (Anape), Bruno Hazan destacou a data como dia histórico para a Advocacia Pública e destacou o trabalho iniciado por Flávio Dino. Também da Anape, Marcelo Mendes fez “uma saudação especial ao idealizador da PEC 82 que, no ano de 2007, então deputado, apresentou o tema na Câmara de Deputados. Obrigado!”.
 
Profissionais que atuam na Advocacia Pública de todo o país destacaram que a proposta é também conhecida como PEC da Autonomia para Defender o que é do Povo Brasileiro. A matéria assegura a autonomia do advogado público em sua função que é defender o Estado brasileiro ao emitir pareceres técnicos para orientar de forma jurídica e constitucional a aplicação das verbas públicas.
 
Com a aprovação da PEC e autonomia da atuação, podem ser evitados gastos indevidos, desvios de verbas, protegendo o cidadão. O papel da advocacia pública passa a seguir o verdadeiro principio, de não apenas defender governos, mas orientar a correta aplicação das verbas públicas.

Fonte: Assessoria de imprensa do PCdoB/MA.