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quarta-feira, 10 de julho de 2019

Blogosfera perde um de seus ícones, morre jornalista Paulo Henrique Amorim


Morreu na manhã desta quarta-feira (10) o jornalista Paulo Henrique Amorim, aos 76 anos. Ele trabalhou em diversas redações, inclusive na Globo.

Seu último emprego foi na TV Record, mas estava fora do ar desde o mês passado, quando foi afastado do programa Domingo Espetacular. O jornalista morreu de enfarte na capital fluminense.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

O que aconteceu com os jornalistas?

Por Taís Seibt*
E os produtores de informação? O que aconteceu com eles? O questionamento vem de um diálogo imaginado pelo jornalista alemão Richard Gutjahr [ver aqui], supostamente em 2049, no qual um ser futurista mostra-se incrédulo acerca de hábitos midiáticos característicos do nosso tempo. Não existia Facebook? Se você não ligasse a televisão no horário determinado a informação já não estaria mais disponível? Havia gente que ganhava dinheiro com informação? Como assim?
O texto que imagina esse diálogo surgiu em minha timeline quase ao mesmo tempo em que a inacreditável matéria da revista Época sobre “os documentos da Odebrecht que o Itamaraty quis esconder” [ver aqui] gerava repercussão entre colegas de ofício. Especulava-se em reportagens anteriores que o ex-presidente tivesse recebido benefícios da empreiteira enquanto estava no poder e que o Ministério das Relações Exteriores estariam tentando evitar que a imprensa tivesse acesso a correspondências envolvendo a empresa e o então presidente.
O inacreditável nesse caso é que quando finalmente o esforço de reportagem da Época teve efeito, ou seja, quando os documentos foram disponibilizados pelo Itamaraty, a revista se absteve de interpretá-los. Sob a cartola “exclusivo”, Época divulgou um arquivo de 2 mil páginas com telegramas citando a empreiteira durante o governo Lula sem qualquer tratamento jornalístico que minimamente apontasse alguma razão pela qual, supostamente, o Itamaraty estivesse querendo esconder tais documentos.
Prática disfarçada de jornalismo colaborativo
Em um texto de três parágrafos, a revista enumera justificativas para a publicação dos arquivos brutos, como o fato de as páginas terem sido entregues impressas e fotografadas uma a uma ou o arquivo em PDF não permitir pesquisas por palavra-chave, para, ao final, delegar aos leitores a tarefa de encontrar a notícia: “Ajude a equipe de Época a analisar os documentos. Se encontrar, nos telegramas, algo que mereça a nossa atenção para uma reportagem, envie um e-mail.” Ora, o que aconteceu com os jornalistas?
Ao abrir mão do seu papel interpretativo, os jornalistas estão deixando escapar uma das últimas propriedades que poderiam justificar sua permanência na sociedade, já que as “chaves dos portões” do espaço público não lhes pertencem mais há algum tempo. Ainda que a aceitação de uma visão construcionista do jornalismo exponha a incidência de ideologias, relações de poder, tendências políticas, favorecimento econômico e outros fatores nos processos produtivos da notícia, a capacidade de interpretar, contextualizar e certificar informações é uma das poucas vantagens que o jornalista ainda preserva em relação aos algoritmos que operam como os verdadeiros gatekeepers contemporâneos.
A propósito, no futuro imaginado pelo jornalista alemão citado na abertura deste artigo, os jornalistas terão sido substituídos por robôs autoconscientes capazes de escrever e as empresas de mídia terão ficado em um passado nem tão distante em que os jornalistas eram tidos como pessoas respeitáveis que coletavam e distribuíam informações, pelas quais outras pessoas pagavam para ter acesso.
Se com um produto jornalístico acabado já não há um modelo lucrativo de negócio para o jornalismo na internet, não será delegando aos leitores a tarefa de interpretar as informações que o mercado da mídia se tornará economicamente sustentável nesse ambiente. Sem contar que essa prática, disfarçada de jornalismo colaborativo, pouco contribui para a manutenção da credibilidade dos jornalistas como pessoas respeitáveis que coletam e distribuem informações. E se o enxugamento progressivo das redações parece uma explicação possível para o apelo daÉpoca aos leitores, então é mesmo questão de tempo para que surjam robôs escritores em condições de tornar o jornalista uma profissão obsoleta.
*Taís Seibt é jornalista e doutoranda em Comunicação.


Foto ilustrativa postada pelo blog.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Quem são os bandidos que batem em jornalistas e pedem o impeachment de Dilma

 
Acostumados a se esgueirar pela noite, sempre em bandos, em busca de homossexuais e negros andando desacompanhados (para cobrir de porradas, quem sabe matar), predadores neonazistas agora deram para exibir sua truculência à luz do dia.
 
Como participantes das manifestações que a direita paulistana vem promovendo para disseminar seus ideais golpistas, esses órfãos de Hitler parecem ter encontrado uma turma disposta a acolhê-los e legitimá-los, como se fossem apenas mais alguns entre os opositores do governo da presidente Dilma Rousseff, do PT, recém-eleita.
 
Seria apenas uma moçada jovem, careca e muitas vezes musculosa exercendo o sagrado direito democrático de manifestação e expressão.
 
Só que não.
 
Nas redes sociais, essa gente reúne-se em comunidades com nomes carregados de simbolismos de violência explícita, como Carecas do ABC, CCC (uma homenagem ao velho Comando de Caça aos Comunistas, organização paramilitar de direita que teve seu apogeu nos anos 1970), Frente Integralista Brasileira (uma contrafação de organização nazista), Confronto 72 (anti-semita e skinhead), além do Combate RAC (Rock Contra o Comunismo) e do Front 88 (a oitava letra do alfabeto é o H; HH dá “Heil, Hitler”, a saudação dos nazistas).
 
Trata-se de grupos que cultivam o ódio como definição existencial, como se viu no ato público realizado no sábado (15/11) pelo impeachment de Dilma.
 
Pois bastou a tais lobos encontrarem a repórter-fotográfica Marlene Bergamo, da “Folha de S.Paulo”, que registrava a manifestação tendo ao lado Marcelo Zelic, vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais-SP, para começarem a salivar.
 
Armados de socos ingleses, muitos carecas, vestidos com camisetas ilustradas com a bandeira de São Paulo, ou com os dizeres “Fora Dilma”, ou “Hate” (Ódio), ou “Proud” (Orgulho), acharam-se no direito de urrar nos ouvidos de quem desconfiavam ser “petralha”: “Comunistaaaaa!”, “Vai pra Cubaaaaaa!”
 
Como hienas excitadas, e sempre em bando, prometiam “limpar a rua desses malditos”. Logo um deles desferiu cusparada no rosto de Zelic. Outro estapeou Marlene quando viu que ela filmava a agressão.
 
Covardes.
 
É claro que a direita “fina” quer parecer distante dessa turma. Não pega bem aparecer ao lado de facínoras tatuados com o número 88, ou exibindo a Cruz de Ferro com a suástica, com que se condecoravam os militares alemães, durante o Terceiro Reich.
 
O candidato a vice-presidente na chapa de Aécio Neves, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), totalmente sem eixo, perspectiva e nem noção, achou de comparecer ao ato, mas sem subir nos carros de som.
 
Sua adesão, entretanto, foi comemorada pela malta. Que o tucano, agora, não alegue desconhecimento sobre quem seriam seus companheiros de passeata.
A última que essa gente patrocinou,no dia 1º de novembro, acabou nas portas do Comando Militar do Sudeste, o antigo Segundo Exército, no bairro do Paraíso, em São Paulo, implorando pela “Intervenção Militar Já”.
 
Foi, aliás, nas tristes instalações do Segundo Exército, em seu anexo mais soturno, o DOI-Codi, que o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado em 1975, por bandidos anti-comunistas como esses que cuspiram no rosto do ativista e bateram na fotógrafa.
 
E o que dizer da paralisia da Polícia Militar diante das ameaças dos fascistas? Estaria inebriada com os gritos de “Viva a PM!”, entoados pela turba?
 
Todos se lembram quando, nas manifestações contra a Copa, a PM revistava mochilas e confiscava qualquer apetrecho “suspeito”, levando preso o seu proprietário.
 
Foi assim que um frasco contendo líquido amarronzado e cheirando chocolate, que depois a perícia provou ser Toddynho mesmo, custou quase dois meses de prisão a um manifestante.
 
No ato pelo impeachment da presidente Dilma, contudo, a polícia fez-se se de morta, enquanto rapazes com socos ingleses, canivetes e nunchakus (arma usada por praticantes de artes marciais) desfilavam impunemente, arrostando sua violência e arreganhando os dentes.
 
Na hora em que essa gente matar alguém, que pelo menos o senador Aloysio e o comando da PM não digam que foram pegos de surpresa. Seu silêncio e inação são cúmplices.
 
Fonte: Reproduzido do Blog da Laura Capriglione

terça-feira, 4 de novembro de 2014

A ideia é transformar Moro em Barbosa e Gurgel: o novo herói do “petrolão”.

 
O ansioso blogueiro vestiu aquela roupa dos que tratam de vítimas do Ebola e folheou o detrito sólido de maré baixa da semana seguinte ao Golpe que surrupiou oito pontos da Dilma em São Paulo.

A primeira observação é animadora: o exemplar tem 134 páginas e 35% de publicidade aparentemente paga.

Para uma edição do mês de novembro, perto do Natal, isso não paga as contas da Editora Abril.

Porque, como se sabe, o detrito sólido sustenta a empresa, assim como a TV Globo sustenta toda a “Organização” (sic).

A Abril está à venda.

Não tem é quem compre.

A edição mantém a mentira desmentida repetidamente,
até pelo Globo.

O doleiro-herói não citou Lula nem Dilma.

O detrito sólido diz que não procurou “criar efeitos eleitorais” – como se o próprio leitor fosse um idiota.

Um de seus ignotos colonistas (no
ABC do C Af) assegura que o Brasil “foi mantido sob o comando de pessoas moralmente primitivas, que acabam de ser premiadas por levar a atividade política à fronteira do crime”.

Mas isso é perfumaria.

A substância da edição é transformar o Juiz Sergio Fernando Moro, por quem vazam as delações seletivas, num Joaquim Barbosa, ou num Roberto Gurgel – heróis da caça  aos “mensaleiros”.

A mesma missão higiênica cabe agora, segundo detrito sólido, a Moro, que “comanda hoje o maior navio a singrar os mares da Justiça brasileira”.

Segue o detrito: “Lula teve o mensalão, Dilma agora tem o petrolão”.

O detrito reconhece alguns rombos no casco do brigue: ele teria obrigado um diretor da Petrobras a “cuspir os feijões”.

Se não abrisse o bico, o transatlântico mandava prender parentes do investigado.

Não é só o detrito que menciona esse pequeno deslize na rota de quem singra os mares da Justiça: Mauricio Dias, na
Carta Capital dessa semana, suspeita de algo parecido:
 
“Delação torturada


Importante criminalista que atuou no caso Petrobras ten dito a interlocutores que a delação premiada feita por Paulo Roberto Costa foi obtida sob tortura.


Após a primeira audiência, ao ser conduzido de camburão de volta ao cárcere, o ex-diretor da estatal foi submetido a forte pressão moral e psicológica. Os policiais “comunicaram” a ele que, no dia seguinte, seriam presas suas filhas e genros, além da mulher. Avisaram também que a residência e os escritórios dele e dos familiares seriam vasculhados. Após isso, ofereceram a Costa a delação.


Ele não resistiu aos ‘argumentos’.”


(Pergunta desinteressada: que juiz ia mandar prender e vasculhar a casa? Policial não sai por aí a prender e a vasculhar sem ordem judicial …)

Na investigação do Banestado, informa o detrito sólido, o vaso-de-guerra passou a ser investigado pelo Conselho Nacional de Justiça, por determinação do STF, por decretar cinco ordens de prisão a quem já tinha recebido habeas-corpus.

Um transatlântico que dispara mísseis…

O próprio delito informa que o Tribunal Federal da 4ª Região  proibiu o transatlântico de intimar investigado POR TELEFONE !

Criativo, não ?

Pois é esse servidor público, pago para administrar a Lei e a Justiça que o detrito sólido transforma na Invencível Armada que vai torpedear a Dilma.

Uma semana depois do Golpe terrorista,
como disse a Dilma, a revista à venda escolheu seu instrumento.

Um almirante de discutíveis escrúpulos.

Paulo Henrique Amorim do Conversa Afiada
O vaso-de-guerra e seu canhão. Ou o contrário: o canhão e seu vaso-de-guerra


Fonte: Reproduzido do Blog do Saraiva

sábado, 15 de março de 2014

Tráfico de órgãos no Brasil – O que a Máfia não quer que você saiba

Já se tornou um ritual para mim, após chegar do trabalho, verificar os e-mails que recebo dos leitores do blog (quando os recebo – rs) e também os comentários dos posts (esses um pouco mais freqüentes). Antes do banho, da cerva, da ‘bóia’, do meu filminho preferido e do preparo dos posts pela madruga afora, o meu primeiro compromisso é sentar à frente do computer e me interagir com a galera. E graças a uma dessas interações nasceu esse post. Explico melhor: certa noite, vi em minha caixa de mensagens eletrônicas o recado de uma leitora pedindo que fizesse uma resenha sobre o livro “Tráfico de Órgãos no Brasil – O Que a Máfia Não Quer Que Você Saiba”, do analista de sistemas Paulo Airton Pavessi.

Juro que fui instigado pelo assunto, chegando ao ponto de ficar pesquisando na Net por mais de duas horas, me esquecendo do banho, da bóia e Cia. E posso garantir que não me arrependi. No dia seguinte fiz o download da obra de Pavessi e comecei a ler as mais de 400 páginas. Durante o dia colocava em ordem as minhas leituras da ‘listinha’ e a noite mergulhava de cabeça no polêmico livro.

Para que a galera possa entender a importância da obra, é pertinente frisar que Pavessi decidiu escrevê-la após ter juntado provas de que o seu filho, Paulo Pavessi, 10 anos, foi vítima de uma máfia de tráfico de órgãos formada por médicos de um conhecido hospital mineiro.

Tudo começou quando a criança caiu da grade do playground do prédio onde morava em Poços de Caldas, no sul de Minas, em abril de 2000. Levado para o hospital Pedro Sanches e depois transferido para a Santa Casa, Paulinho acabaria tendo a morte confirmada e com isso a família tomou a decisão de autorizar a retirada de órgãos. Ocorre que o procedimento, que é pago pelo SUS, foi cobrado da família! Ao questionar a conta de R$ 11 mil, o pai começou a investigar as cirurgias do filho e reuniu dezenas de provas de que a criança teve o tratamento negligenciado e os órgãos retirados e vendidos por médicos que atuavam em uma central de transplantes clandestina. E mais, os órgãos foram extraídos com a criança ainda viva, já que segundo o pai, nenhum outro exame mais apurado foi feito, para constatar a morte de seu filho.

A mesma Santa Casa de Misericórdia de Poços de Caldas, um dos vários hospitais do país credenciados para a realização de transplantes, também seria o palco de um ato macabro em 2001 – um ano após a morte suspeita de Paulinho – quando o pedreiro José Domingos de Carvalho, 38 anos, teve o tratamento abandonado, causando a sua morte e consequentemente a retirada e venda ilegal dos seus órgãos. Os quatro médicos envolvidos nesse caso, foram condenados a penas de sete a oito anos de prisão, mas conseguiram recorrer e agora estão em liberdade. Quer mais? Ok, lá vai: eles continuam a trabalhar normalmente. Segundo o Conselho Regional de Medicina, as condenações não são suficientes para a cassação dos registros profissionais. Putz, putz e mil vezes putzzzzzzzzzzzz!!!!!!

O juiz Narciso Alvarenga Monteiro de Castro que condenou os médicos envolvidos na morte do pedreiro, concorda com o pai de Paulinho no que se refere a retirada dos órgãos da criança ainda em vida.  O magistrado disse em entrevista recente: “Eles sabiam que a criança estava viva. Eles retiraram os órgãos do garoto enquanto ele ainda estava vivo. A tese apresentada pela defesa não me convenceu. Eles tinham plena consciência da ilicitude do ato. O único exame de arteriografia feito no Hospital Pedro Sanches e apresentado por eles à Justiça mostra, claramente, que havia circulação de sangue no cérebro do garoto o que comprova que ele não tinha tido morte encefálica”, enfatizou o juiz.

Após pesquisar muito nas redes sociais fiquei sabendo que as investigações sobre o caso já duram 14 anos e que deu origem a outros sete inquéritos. Quanto aos sete médicos acusados de terem atendido Paulinho e depois retirado os seus órgãos nunca foram julgados. A Santa Casa de Misericórdia de Poços de Caldas, por sua vez, perdeu o credenciamento para realizar transplantes de órgãos desde 2002.

Cara, a leitura do livro é instigante. O autor mergulha o leitor no mundo sombrio do tráfico de órgãos, mostrando todas as nuances, todos os detalhes desse mercado ilegal que, infelizmente, predomina no Brasil. È como se você estivesse no lugar daquele pai que além de ter perdido o seu filho, passou a comer o pão que o diabo amassou por querer, apenas apurar a verdade.

Na obra você toma conhecimento do drama vivido por Pavessi durante esses 14 anos, período em que passou a receber ameaças constantes de morte, mas mesmo assim, não desistiu de levar o caso adiante.  Ele afirma que as ameaças foram tantas que ele teve de sair do Brasil temendo pela sua segurança e de seus familiares, obrigando-o a pedir asilo na Europa.

Descreve ainda que ao terminar de escrever “Tráfico de Órgãos no Brasil – O Que a Máfia Não Quer Que Você Saiba”, procurou uma editora e enviou parte do livro para que eles avaliassem a possibilidade de publicá-lo. A história teria sido aprovada imediatamente e Pavessi informado pelos executivos da editora que o livro iria ‘sair’, de fato. No decorrer do período de negociação a obra ficou pronta e o contrato foi assinado. Na fase de edição da obra, Pavessi foi informado que o departamento jurídico havia barrado a publicação, temendo uma enxurrada de processos. Foi então, que ele teve a idéia de tornar a sua obra publica, liberando-a para downloads em seu blog.

Cara, o livro de Pavessi não poupa ninguém. Uma leitura que me surpreendeu pela coragem daquele pai que passei a admirar. Mesmo após ter sido processado por calúnia e injúria, quando ainda estava no Brasil, Paulo Pavesi traz denúncias que vão desde atendentes dos hospitais em Poços de Caldas, a policiais, políticos, procuradores e juízes. Uma leitura que lhe surpreende a cada página virtual.

Logo no início da obra, ele relata da necessidade de sair do Brasil e pedir asilo na Itália por causa das ameaças de morte pesadas que vinha recebendo. Explica ainda o desgaste sofrido por sua família ao longo desses 14 anos, mas enfatiza que faria tudo de novo.

Em alguns capítulos, o autor denuncia abertamente  os erros nas investigações e as pressões políticas sofridas para impedir a punição dos médicos envolvidos. Mesmo assim, ele conta que conseguiu  pressionar deputados para a criação da CPI do Tráfico de Órgãos, na Câmara, que reuniu em 2004 diversos casos semelhantes no País. Todos os pedidos de indiciamento de médicos foram arquivados. O Ministério da Saúde descredenciou o Hospital Pedro Sanches para procedimentos do SUS e suspendeu transplantes na cidade. O mais grave: atestou que a central MG Sul Transplantes era clandestina. Pavesi detalha em seu livro o procedimento de listas paralelas, cobradas dos pacientes. Ele escreve em certo trecho: “As listas paralelas eram completamente ilegais. Já os pacientes de Álvaro [Ianhez, um dos coordenadores] não passavam por esta fila e recebiam órgãos mediante uma ‘doação’ em dinheiro. Tudo registrado nos livros como sendo algo legalizado. Estávamos diante de um caso de trafico de órgãos humanos e isto explicava o assassinato de Paulinho”, enfatiza Pavessi.

Deu pra sentir o peso da obra? Recomendo e recomendo. Linguagem fácil e fluída que faz o leitor se prender da primeira a última página, até mesmo para aqueles que como eu, não são adeptos da chamada leitura digital.
Leiam e principalmente divulguem. Anotem os links onde poderão fazer os downloads de “Tráfico de Órgãos no Brasil – O Que a Máfia Não Quer Que Você Saiba”:

Download gratuito
Versão Kindle (paga)

domingo, 26 de janeiro de 2014

DENUNCIA: Roseana e José Sarney são citados: Valente: “Existem segredos gravíssimos que a República precisa saber”,

Por Luiz Carlos Azenha

Um candidato ao Palácio do Planalto destratado pelo lobista de um banqueiro. Avisado de que uma cópia da mensagem mal educada que havia acabado de receber também seria enviada à Pessoa, ou seja, ao presidente da República Fernando Henrique Cardoso.

Incrível, mas aconteceu no Brasil!

É o que sustenta o repórter Rubens Valente, autor do livro Operação Banqueiro, da Geração Editorial, recém-lançado.

As mensagens, mais de mil, foram apreendidas pela Polícia Federal na casa do lobista Roberto Amaral.

São e-mails, a maioria deles entre Amaral e o banqueiro Daniel Dantas, que jogam luz sobre os subterrâneos do poder.

Há um que chama especialmente a atenção: teria sido mandado por Amaral a Luiz Paulo Arcanjo, assessor especial do então governador José Serra, que sairia candidato ao Planalto pelo PSDB.

Amaral leu a resposta mandada por José Serra e não gostou. Escreveu:

“Recebi seu recado lido por amigo comum. Aviso-lhe: não mais mande-me (sic) recados neste tom: acho que você estava fora de si quando mandou esta infeliz mensagem. Não sou lambe-cu acanalhado ou acarneirado. Você sabe disso. Já fiquei seis anos sem falar com você e, se necessário, fico mais vinte. Não sou Roseana ou Sarney. Você precisa de mim e eu não preciso de você. Você vá ser acavalado, acerbo, com quem tem obrigação de aguentá-lo. 

Quanto à sua bizantina observação sobre D [Dantas], devo dizer-lhe: você não sabe de nada — nada mesmo. Ponha isto na sua cabeça. Ele é credor, grande credor. Eu e duas pessoas sabemos disso. Não seja encegueirado e não se deixe embair pelo pequeno Sérgio Andrade [...] Cópia deste vai para a Pessoa”.

À época, o objetivo do banqueiro Daniel Dantas era evitar que o governo Fernando Henrique apoiasse a investigação dos correntistas do fundo Opportunity nas ilhas Caimã, um refúgio fiscal do Caribe. Eventuais ilegalidades do fundo — a presença de residentes no Brasil, por exemplo — poderiam comprometer do ponto-de-vista legal todo o processo de privatização do qual Dantas havia se beneficiado. O banqueiro conseguiu o que queria.

[Este post é complementado por Posar de vítima, a tática dos poderosos no Brasil]

O conjunto de e-mails, parte dos quais reproduzidos no livro, foi enviado ao ex-procurador geral da República, Roberto Gurgel, para providências. As mensagens levantam várias questões perturbadoras. Aparentemente, Gurgel sentou sobre o assunto e nada fez. “Prevaricação”, observou um dos presentes à entrevista coletiva.

Na coletiva de lançamento do livro, na sede do Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé, perguntei ao autor sobre o e-mail reproduzido acima. No vídeo, Rubens Valente comenta a mensagem do lobista Amaral para José Serra.

Na coletiva de lançamento do livro, na sede do Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé, perguntei ao autor sobre o e-mail reproduzido acima. No vídeo, Rubens Valente comenta a mensagem do lobista Amaral para José Serra.

Veja o vídeo neste link: http://vimeo.com/84820846

Fonte: Viomundo

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Correio Feminino: mais machismo na tv

Luiza Brunet numa cena da série televisiva ‘Correio Feminino’.
Foto: Tv Globo/Divulgação.

Texto de Marina Oliveira*
 
Não é novidade para ninguém que a televisão influencia mentes desde o dia em que foi criada, porém em pleno século XXI não é mais cabível que certos assuntos sejam abordados na “telinha”, que incentivem qualquer tipo de preconceito, ou pior que incentivem atitudes machistas e extremamente retrogradas.
 
Pois, se engana quem pensa que isso não acontece, a querida emissora do coração dos brasileiros o fez, e com direito a horário nobre, maquiagem, cenário, atores e muitos holofotes. No dia 27 de outubro, estreou a série ‘Correio Feminino’, no programa “Fantástico”.
 
Como uma tática barata para atrair telespectadoras, a Globo escolheu justo os textos da respeitada escritora brasileira Clarice Lispector — da época em que esta usava o pseudônimo Helen Palmer e escrevia para colunas jornalísticas dando dicas sobre comportamento, beleza e relacionamento para as mulheres da época —, mascarou todo o machismo com o “glamour” dos anos 50, passando a imagem de que nessa época a vida da mulher era fácil e cheia de luxo.
 
Acontece, que a queridinha Helen Palmer vem dos anos 50! Ou seja, faz um tempinho, e algumas muitas coisas mudaram dos “tempos da brilhantina” para cá, mulheres conquistaram o direito político, o direito da educação e do emprego, porém a série defende que os conselhos de Helen podem ser aplicados tranquilamente a vida da mulher atual, e pior, bem ao pé da letra.
 
Os conselhos baseiam-se em frases como:
“Podemos pensar deles o que quisermos, mas precisamos deles para completar a nossa felicidade, não é mesmo?”
“Esclarecida é a mulher que acompanha o ritmo da vida atual. Ela estuda, ela lê, ela é moderna e interessante sem perder seus atributos de mulher, de esposa e de mãe.”
“Não se exiba demais, pareça distinta, eficiente e reservada. Responda com clareza a tudo que lhe for perguntado — mas evite a tagarelice, as palavras inúteis.”
“Uma mulher tola visa a todos os homens e geralmente não agrada a nenhum.”
“A tagarelice é um problema que todas nós temos de evitar. E de nada adianta dizer muita bobagem com os lábios perfeitamente maquiados.”
É de tirar o sono de qualquer feminista não é mesmo? Porém, tem muita mulher elogiando a série e anotando os conselhos para segui-los a risca.
 
Helen Palmer coloca o homem como necessário para felicidade da mulher, ignorando nossa independência e a existência de outra orientação sexual que não inclua homem algum. Além disso, defende a idéia de que a mulher deve sempre procurar agradar um homem em especial, e aprender a ser melhor para ele, além de visar o silêncio da mulher. Quando diz que devemos evitar a tagarelice repetidamente, significa que devemos nos calar e responder só o que nos for perguntado para não afugentar homem algum. E, como aborda Marina Colasanti, em contrapartida, se ser inteligente espanta algum homem, melhor, uso isso como filtro.
 
Além de machista, a série é contraditória, afinal, e se todas as mulheres seguissem os conselhos de Hellen Palmer a risca? Será que teríamos uma mulher apresentando o Fantástico? Será que mulheres teriam tempo de presidir uma empresa, ou um país? Muito provavelmente a essa hora todas nós estaríamos ocupadas demais tentando escolher as palavras certas para agradar “nossos” maridos/pais/filhos, os homens no geral.
 
A série nada mais é que outra tentativa de alienar mais mulheres e convencê-las de que o patriarcado é bom para todos e não oprime ninguém, desde que a mulher continue sendo o objeto do homem, ou melhor da sociedade, isso reflete que muita coisa ainda não mudou e que temos muito trabalho pela frente, mostra que ainda é preciso lutar por direitos iguais, que ainda é preciso brigar por comentário machistas por mais “inofensivos ” que sejam. Reflete que ainda é preciso exigir liberdade de sair na rua sem se preocupar com nossas roupas, com a certeza de que não seremos violentadas, nem culpadas por isso.
 
Liberdade de ser, vestir e falar como quiser, com a certeza de que não teremos julgamentos. É por isso que feministas do mundo todo lutam todos os dias, nessa cansativa luta diária que em certos momentos parece não ter fim, mas nesses momentos o melhor é olhar para trás e perceber o quanto já ganhamos e isso dará força para continuarmos e incomodarmos muitos machistas.
 
 
Marina Oliveira tem 16 anos, é aspirante de psicologia e feminista desde que achou injusto ter que usar roupas com babados que incomodassem, enquanto os meninos podiam usar as mais confortáveis.
 

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Artigo: Teu voto por nova lei e novo rumo

Por Gerson Pinheiro de Souza*

Em meio século de domínio o Complexo Oligárquico de Curupu construiu um vasto campo minado. Terreno no qual derrota-lo e evitar o posterior retorno ao leme do Estado exige lutar contra uma série de mazelas já conhecidas, uma miríade de manobras já esperadas e, principalmente, estar preparado para desarmar artefatos cujo tempo e espaço no qual serão usados é “segredo de estado”. Portanto, é árdua a tarefa a que se propõe o campo de oposição no Maranhão.
Pra começo de conversa, é preciso conhecer a oligarquia e o seu funcionamento, conhecer o espaço social maranhense profundamente reproduzido por ela nessa quadra histórica, ter noção dos tentáculos estendidos por todo o território nacional e, além disso, suspeitar da existência de grandes estoques (em paraísos ultramarinos) de tudo que foi extorquido do povo nessa cruel relação de produção que mistura, contraditoriamente, aspectos feudais e neoliberais merecedores da dedicação dos alunos da escola econômica e social do saudoso Inácio Rangel. Grife-se que, no Maranhão essa dualidade se expressa de forma mais saliente.
 
A última e mais longeva oligarquia do Brasil tem como figura central um Coronel mor, posto ocupado pelo ex-presidente José Sarney desde 1965 quando desbancou Vitorino Freire. Seu discurso de posse, que pode ser assistido em filme do cineasta Glauber Rocha, não perdeu o conteúdo. O rosário de misérias ali relatadas enquanto crítica ao Vitorinismo: casas miseráveis, hospitais infectos, vítimas da fome ou da tuberculose. Permanece atual. O Maranhão parou no tempo, só mudaram os atores que na realidade hodierna são os filhos e netos daqueles que estrelaram o triste curta-metragem da posse daquele que afirmava em slogan de campanha que “seu voto é sua lei...”. Assertiva que, extraindo o complemento aqui oculto, felizmente continua valendo e dará ao nosso estado uma nova lei e um novo rumo.
O organograma seria parecido com o que segue: O coronel-mor assessorado pelo núcleo central da família, conforme descreve figurativamente o deputado Domingos Dutra (Pai, Filhos e Espírito Santo), mantem uma extensa rede de sub-coroneis distribuídos por todas as regiões do Estado. Cada sub-coronel, é bom que se diga, com as mais diferenciadas formações e ocupações (fazendeiros, médicos, juristas, militares etc.) utiliza os métodos mais “convincentes” para manter a população do seu feudo encurralada e transferir dividendos, não só eleitorais, ao comando central. Em troca, os já ditos “cobertores da lei”.
O sistema oligárquico foi reestruturado e dotado de tecnologia de ponta, em especial, no quesito da aparelhagem midiática. Em contrapartida, na relação com o povo maranhense, manteve o lema central da oligarquia sucedida que se ancorava na frase atribuída a Getúlio Vargas, mas costumeiramente repetida por Vitorino: - “Aos amigos, os favores da lei; aos inimigos, os rigores da lei”. Ao longo de cinco décadas e utilizando a maquina estatal aperfeiçoou o modelo anterior e fez penetrar suas raízes, também, na subjetividade do povo: modificou costumes; adquiriu laços culturais; criou modismos, enredos, toadas e melôs.
Em municípios que, segundo o Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD), ostentam os piores Índices de Desenvolvimento Humano do País é possível ouvir dos defensores da oligarquia, em meio a sonoras gargalhadas, frases como: escravizam, mas não deixam morrer de fome; podem até desviar recursos do estado, mas fazem algumas obras; cuidam bem daqueles que os seguem.
O que nos alenta é que esse ácido caldo de cultura, no qual se dissolvem desde as vítimas da mortalidade infantil até os condenados a permanecerem analfabetos e morrerem bem antes que seus contemporâneos dos demais estados, também gera a resistência, a organização popular e a revolta de amplas camadas do povo que já não suportam as condições em que são mantidas. Daí as pesquisa que têm apontado nos últimos meses que mais de 56% da população anseia por democracia e novas lideranças no governo. Os gonçalvinos querem mandar a oligarquia para as páginas da história.
O sinal de que grandes mudanças devem estar próximas se dá, conforme Lenin, quando “os de cima não mais conseguem governar como antes e os de baixo já não aceitam mais ser governados como antes”. No entanto, para que se dê o salto de qualidade e a liberdade seja conquistada torna-se necessário fortalecer os laços de unidade entre todas as forças que desejam e lutam pelo fim do domínio oligárquico. Quaisquer posições vacilantes poriam em risco esse resultado, pois o adversário é altamente astuto. Repito, é árdua a tarefa a que se propõe o campo de oposição no Maranhão, mas levando-se em conta a ampla vontade popular e sendo vigilante ás artimanhas da oligarquia, está à vista a luz no fim do túnel.
 *Gerson Pinheiro de Souza, é geógrafo pela UFMA e Diretor da UNEGRO
OBS: A 1ª foto, foi postada pelo blog como ilustração.  

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Jornalismo venal programado para mentir em favor da oligarquia

Há um pouco menos de um ano para os resultados das próximas eleições, a oligarquia através de seu sistema miranteano e seus blogueiros adestrados, começa a executar um plano midiático rasteiro e irresponsável contra o maior representante da oposição, o ex- juiz federal e hoje presidente da EMBRATUR , Flávio Dino.

Nessa investida, alguns blogueiros adestrados pelo clã, brigam quem mente mais, através de teimosia em lançarem factoide nos seus espaços de comunicação. Essas iniciativas, como sempre é prática do clã, são motivadas por muita grana, empregos no estado, ajudinha no judiciário para aliviar processos jurídicos e muitas vezes somente por serem bajuladores.

A oposição contra a oligarquia Sarney é sabedora que até o último dia das eleições em 2014, vai sofrer tantas invenções de mentiras com o intuito da velha oliugarquia permanecer no poder. Grana não vai faltar para esses traidores do povo maranhense.

A nova mentira ou factóide [dá no mesmo] está levando alguns blogueiros da raça citada acima, caírem no ridículo, teimam em querer confundir e transformar a mentira em verdade. A tentativa agora de desmoralizar Flávio Dino é sobre o seu salário.

A mentira começou no blog de Yury Almeida, o Atual7, espaço esse que iniciou seu funcionamento com certa coerência, não durou um ano,  caiu nas garras da família. O Atual7 agora só solta postagem acusando diariamente de forma leviana, Flávio Dino de está recebendo salários irregulares da UFMA, onde ele é professor licenciado para trabalhar na EMBRATUR.

Com destaque, essa mentira é também compartilhada pelos blogueiros sarneyzistas, o velho filhote da oligarquia, Marcos D’Éça, do “grande e sério”, o blogueiro Luis Cardoso e outros pareceiros.

Tanto a UFMA, a CGU e o Portal Transparência além do próprio Flávio Dino, comprovam o contrário, com portarias, tabelas, informações on-line, notas, porém esses bajuladores [ou outra coisa] de plantão insistem na teimosia, declaram que os órgãos acima e o Presidente da EMBRATUR são os que faltam com a verdade, numa maneira clara de desrespeito as instituições brasileiras, costume esse que os representantes da oligarquia Sarney sempre praticaram no nosso estado.

Em conversa com o próprio Yury Almeida no bate-papo do Facebook,  ele declara que sempre denunciou o descaso da oligarquia e não aceita erros de Flávio Dino, mesmo que tenha de votar na oposição. Vejam só a tentativa de despistar dos não querem a mudança no Maranhão. Nesse bate-papo, ele estava excitado por ter postado um factoide contra Flavio Dino, observe:

Quinta 23:39
Confirmado! Dino recebeu mesmo salário da UFMA! HAuhauahuaa Terminando aqui... Bomba, papai! Agora que ver ele dizer que o Governo Federal tá sendo usado pela 'oligarquia'.
Ai, você comenta lá de novo, dizendo que é Dilma que tá perseguindo ele, por causa da oligarquia, tá?
Em instantes, no Atual7.
E ainda encerra dizendo, após eu perguntar sobre a fonte verdadeira que comprova se Dino recebe dois salários:
Mostra a fonte?
Fonte? Meu amigo, a fonte é o Regimento Interno da UFMA, o Portal da Transparência e os sistemas da UFMA. Tá tudo postado no Atual7.
Cara, o fato de eu votar em Dino não significa que eu concorde com os erros dele.
Esse, por exemplo, de dizer que o Atual7 é da oligarquia, e você ainda seguir isso, foi o principal.
Encerro por aqui. Tô vendo que você é daqueles que não se importa se Dino erra ou não, o importante é vencer os Sarneys. Aff...

Contudo, recordo e concordo mais ainda do artigo publicado no final do ano de 2012,‘O saco de gatos na comunicação do Maranhão’, do jornalista Jânio Arlei, observe em alguns parágrafos, a lucidez do respeitado comunicador:
“Tenho visto blogueiros outrora famosos, descendo a ladeira da “fama”, porque faltou com a ética, princípios e valores (credibilidade) junto ao seu público.
Vale lembrar que a mesma regra se aplica a determinados profissionais (ditos famosos) na mídia convencional, que também estão descendo a ladeira em direção ao ostracismo.
Poucos são os que tem compromisso com a “verdade pura e simples”, e esses, são expurgados pelos próprios empresários da comunicação, porque foram de encontro aos interesses empresariais (pra não dizer pessoais).
A Rede Mundial de Computadores foi a plataforma encontrada, e que abriu espaço para “os vendilhões da notícia” e para os “expurgados”.
Costumo dizer que na Inernet, é presciso agir com ética, princípios e valores, evitando difamar, injuriar e caluniar. Entendo que a Lei que vale para a Mídia Convencional, deve valer também para os detentores de micro-blogs, blog, sites ou portais.”
Portanto amig@s, como se vê, um ano antes dos votos irem para as urnas, o jornalismo venal, sempre comandado pela oligarquia Sarney, conquista mais adeptos, reforçando assim o seu poder de sempre tratar o Maranhão com zombaria e falta de respeito. No entanto esse povo sofrido, irá sim devolver com seu voto essas delirantes farsas, devolver com o seu voto, a resposta que hoje a maioria do povo maranhense quer. Que é derrubar de vez esse império oligárquico e abrir o portal do desenvolvimento a partir de janeiro de de 2015. Tenham paciência!!!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Enquanto a esquerda fortalece o patrimônio nacional, a direita promoveu o maior saque com a venda da Vale.

O nosso blog coloca a disposição dos seus leitores, artigo de Marcio Zonta da revista Brasil de Fato. As fotos são ilustrativas, exceto a foto do mapa. Veja na íntegra abaixo:

A mineradora Vale prepara outro Programa Grande Carajás. A empresa vai explorar a partir dos próximos anos uma jazida de minério de ferro considerada a maior do mundo na Serra Sul de Carajás, no Pará.

O projeto conhecido como S11D, já em fase de implantação, será o maior investimento de uma empresa privada no setor mineiro no Brasil. São 40 bilhões de reais destinados à nova mina, usina e logística, que envolve a expansão da Estrada de Ferro de Carajás – EFC e a ampliação do Porto de Itaqui, em São Luis (MA).

Em 2016, o Projeto Ferro Carajás S11D terá uma estimativa de extração de 90 milhões de toneladas métricas de minério de ferro. A quantidade preenche 225 navios conhecidos como Valemaz, o maior mineraleiro do mundo.

Assim, a Vale passará a explorar na Serra de Carajás, com o Projeto de Ferro Serra Norte, efetivado desde 1985 e o S11D, 230 milhões de toneladas métricas de minério anualmente. A produção atual é de 109 milhões de toneladas por ano.

Embora a mineradora trate o S11D como uma novidade e parte da imprensa nacional frise o empreendimento como a redescoberta de Carajás, a exploração da Serra Sul estaria há muito tempo nos planos da Vale.

É o que denota um mapa (veja abaixo), ao qual a reportagem do Brasil de Fato teve acesso, elaborado pela então Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) – antiga estatal – em 1984, onde o plano de extração do corpo mineral da parte sul da Floresta Nacional de Carajás já está presente.

Para especialistas no assunto, o mapa evidencia ainda com mais clareza a escandalosa privatização fraudulenta da Vale, e aponta para um dos maiores saques de minério do mundo.

"A Vale sempre falou nesse projeto, a empresa sabia de sua capacidade antes mesmo da privatização", ressalta Frederico Drummond Martins, analista ambiental, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, responsável pela Floresta Nacional de Carajás.

O novo velho projeto

No Relatório de Impacto Ambiental do Projeto Ferro Carajás S11D, a Vale menciona que os trabalhos de pesquisa realizada na jazida mineral da Serra Sul tiveram início no final dos anos de 1960. Porém, o documento cita que foram entre os anos de 2003 e 2007, que se aprofundaram os estudos no bloco D, do corpo S11.

Segundo a notificação, somente em 2008 o resultado da análise das amostras indicou uma reserva de minério lavrável de um montante de 3,4 bilhões de toneladas de minério no local.

Porém, para Frederico, muito antes disso a mineradora teria conhecimento da quantidade de minério na região a ser futuramente explorada. "Não só a empresa, mas o governo brasileiro também sabia. Na época da privatização a Vale já possuía decreto de lavra para a Serra Sul", denuncia.

As obras para o ramal ferroviário estendido da EFC até a jazida da Serra Sul, conseguido há pouco pela Vale, numa licença junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), é apontado no mapa de 1984, e citado na legenda do gráfico como "Ramal Ferroviário Projetado".
Dessa forma, o mapa aponta que existia uma pré-concepção de exploração da S11D, ressaltando ainda mais a espoliação que significou a privatização da Vale.

Patrimônio público

Em 1997, a mineradora foi incluída no Plano Nacional de Desestatização (PND), uma política implantada pelo presidente em exercício Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que visava privatizar 70% do patrimônio nacional para pagamento da dívida brasileira.

A mineradora foi vendida por R$ 3,3 bilhões de reais. O valor estimado na época do leilão era de R$ 92 bilhões de reais, ou seja, valor 28 vezes maior do que o que foi pago pela empresa.

Porém, o critério de avaliação do valor da mineradora escolhido pelos bancos, entre eles o Bradesco, considerou apenas o fluxo de caixa existente no momento da aquisição, sem levar em consideração o potencial das jazidas processadas da Serra Norte e o imenso poderio da reserva mineral da Serra Sul, estimado em 10 bilhões de toneladas de minério.

"Esse projeto de novo não tem nada, inclusive quando compraram o subsolo da Serra de Carajás na privatização eles já tinham conhecimento desse tanto de minério, o mapa é claro e mostra isso. É o maior saque de minérios do mundo!", indigna-se Raimundo Gomes Cruz, sociólogo do Centro de Educação, Pesquisa e Apoio Sindical (CEPASP) no Pará.

Por que agora?

Estudos geológicos apontam que a Serra Sul tem potencial maior do que a vizinha Serra Norte, onde já está localizada a maior mina de ferro do mundo.

A exploração do S11D será apenas uma parte das 45 formações de minério de ferro que compõem a cordilheira Serra Sul. Ainda mais outros corpos, A, B e C futuramente serão explorados pela mineradora.

O projeto S11D constante nesse mapa histórico da antiga estatal CVRD, sairia num momento estratégico do papel para se tornar realidade.

Conforme explica o professor de economia da Universidade Federal Fluminense, Rodrigo Santos, o mercado de minério de ferro é extremamente concentrado, de modo que mais de 2/3 da oferta global da matéria prima depende da Vale, e das mineradoras anglo-australianas BHP Biliton e da Rio Tinto.

"A Vale, nesse caso, vem apostando no S11D como seu principal projeto, porque esse tem potencial para ampliar suas vantagens como líder nesse mercado", avalia Rodrigo.

Ademais, em tempos de espionagem dos Estados Unidos e Canadá ao Ministério de Minas e Energia (MME), o S11D, seria inclusive uma das preocupações dos concorrentes, pois demarcaria ainda mais a liderança do mercado global da Vale frente a Rio Tinto e BHP Billinton, respectivamente segunda e terceira no ranking mundial de extração mineral.

"Considerando essa estrutura oligopólica e as características dos mercados de bens minerais, o controle e substituição de reservas de classe mundial, como Carajás, constitui uma das principais estratégias de competição", explica Santos.

Segurança Nacional?

A região de Marabá, da qual a Serra de Carajás fazia parte na década de 1980, era submetida ao Grupo Executivo das Terras do Araguaia – Tocantins (Getat), criado em 1980 pelo regime militar com a finalidade de executar as medidas necessárias à regularização fundiária no sudeste do Pará, norte de Tocantins e oeste do Maranhão.

O órgão era vinculado à Secretaria Geral do Conselho de Segurança Nacional. O mapa elaborado pela Vale em 1984, continha informações territoriais do Getat.

Flavio Moura, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e historiador da região, relata que o Getat era uma saída militar para controlar o conflito pela posse de terra na região, além de garantir a estratégia ditatorial da época de implantação dos grandes projetos na Amazônia. "O Estado militarizado foi o testa de ferro do capital nessa parte do país", diz.

Ao observar o mapa, Moura não tem dúvida: "Esse material nos dá a imensidão do controle dos recursos naturais da região, por isso vemos por que a Guerrilha do Araguaia foi exterminada e qualquer forma de movimentos sociais é combatida pela aliança militar-empresarial, como foi o Massacre de Eldorado dos Carajás", define.

A reportagem do Brasil de Fato submeteu o mapa, também, a um topógrafo aposentado do Exército de Marabá. Humberto Martins Fonseca relembra que a região de Carajás sempre foi alvo de maior proteção e intervenção militar.

"A ideia que passavam para gente era que tinha muita riqueza no subsolo de Marabá, por isso teríamos que defender esse patrimônio".

Passados 30 anos do programa de exploração de minério no Pará, Fonseca reflete. "Hoje vemos no que deu, na verdade não estávamos protegendo as riquezas de ninguém, somente de nós mesmos, porque estamos entregando tudo e ficando sem nada", lamenta.

Fonte: Amazônia