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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Derrubar veto à dosimetria é premiar o golpismo


Crédito: Ton Molina/AFP

Do Portal Vermelho

A decisão do Congresso Nacional sobre o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Projeto de Lei da dosimetria, que propõe benefícios ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos demais membros da organização criminosa condenados pelos atos golpistas, marcada pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), para 30 de abril, tem grande importância para a luta democrática. Pelo regimento, são necessários pelo menos 257 votos na Câmara e 41 no Senado para derrubar o veto presidencial.

O veto, respaldado pelos ministérios da Justiça e dos Direitos Humanos, além da Advocacia-Geral da União (AGU), está fundamentado na Constituição e sua derrubada representa impunidade para os crimes como golpe e abolição do Estado Democrático de Direito. Fragiliza a defesa da democracia ao reduzir as penas a um patamar que não corresponde à gravidade dos crimes cometidos. “Eu tenho dito que as pessoas que cometeram o crime contra a democracia brasileira terão que pagar pelos atos cometidos contra este país”, disse Lula ao anunciar o veto.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) vai além ao definir a derrubada do veto como algo que transcende as benesses aos criminosos bolsonaristas, contemplando “também chefes do crime organizado, estupradores, feminicidas e pedófilos”. De fato, a decisão de derrubar o veto, se aprovada, terá efeito colateral, beneficiando criminosos numa escala de milhares, abrindo possibilidades para progressão mais rápida até para crimes cometidos com violência ou grave ameaça, o que poderia beneficiar pessoas já condenadas por delitos comuns.

O Projeto de Lei, além de uma evidente manobra de impunidade aos bolsonaristas, se insere na plataforma política da extrema direita e setores da direita, que advoga abertamente a anistia irrestrita aos criminosos. Flávio Bolsonaro (PL), o pré-candidato a presidente da República diretamente ligado aos que atentaram contra a democracia e o Estado, chegou ao extremo de anunciar que, se eleito, concederá anistia mesmo que isso envolva o “uso da força”, conforme declaração ao jornal Folha de S. Paulo. Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), também pré-candidatos do mesmo campo político, não hesitam em anunciar compromissos de anistiar os golpistas.

A derrubada do veto seria uma infâmia ao premiar criminosos, além de um atentado ao ordenamento jurídico do país, a legalidade democrática, e afronta à vontade popular, amplamente a favor das condenações, como atestam as pesquisas. A impunidade também representa um estímulo a potenciais criminosos a voltar a se aventurarem no golpismo. Ao ignorar o respaldo do povo à legalidade das punições, os defensores da derrubada do veto presidencial também passam por cima da conquista da democracia, obtida ao preço de duras lutas e muitas vidas ao longo da história.

Graças a essa conquista foi possível realizar o julgamento dos bolsonaristas de forma amplamente transparente, com transmissão ao vivo pela TV Justiça, seguindo todos os passos do Estado Democrático de Direito, como o amplo direito de defesa e o devido processo legal. Todas as etapas foram rigorosamente respaldas pelo direito constitucional e pelo arcabouço jurídico nele ancorado. A derruba do veto representa a negação de tudo isso, uma conduta que minimiza o que não deve ser minimizado por afrontar algo tão caro, o regime democrático.

É preciso lembrar que os criminosos chegaram a idealizar o denominado plano “Punhal verde e amarelo”, que pretendia assassinar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Ou seja: caso o Congresso Nacional derrube o veto deixará em sua história uma mancha aviltante.

Qualquer que seja o resultado, aos olhos a maioria do povo, Bolsonaro e seus comparsas condenados e presos, são o que são: inimigos da democracia e traidores da pátria. Não há nada que apague isto.

A democracia é um alicerce inegociável sobre o qual se ergue um país desenvolvido e socialmente justo. Não é admissível que ela seja violada por neofacistas e impostores que se aproveitam dela para impor seus ditames. Falar em defesa da democracia significa que ela está, sim, sob ameaça e que o povo brasileiro precisa estar alerta e mobilizado contra retrocessos, diagnóstico que remete à importância de impor mais uma derrota ao consórcio da extrema direita e da direita nas eleições presidenciais deste ano.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Banco Master: entenda quem realmente está atolado até o pescoço

Foto: Portal O Vermelho

O escândalo do Banco Master expõe uma complexa rede de relações entre o bolsonarismo, o Centrão e interesses financeiros que atuam para proteger figuras influentes e garantir vantagens econômicas, conforme apontam análises recentes. Essa articulação política é essencial para compreender a profundidade do caso e suas consequências para o sistema financeiro brasileiro.

De acordo com o economista Paulo Kliass(veja aqui), o Banco Master não representa um episódio isolado, mas sim um padrão em que instituições financeiras são utilizadas para práticas ilícitas que se entrelaçam com o jogo político. Ele destaca que a fraude financeira é apenas a superfície de um problema maior, que envolve a captura do sistema por interesses políticos e policiais.

A influência do Centrão e do bolsonarismo se manifesta claramente nas tentativas de blindagem do banqueiro Daniel Vorcaro. Parlamentares como Antonio Rueda, Ciro Nogueira e Ibaneis Rocha desempenharam papéis decisivos para proteger o banco, pressionando para enfraquecer investigações e manipular processos judiciais, evidenciando o poder dessas forças dentro do Congresso.

Além disso, a Operação Abafa (veja aqui) revela uma estratégia deliberada para desviar a atenção da opinião pública e da mídia, que tenta associar o caso ao STF e a Lula. Essa narrativa, segundo especialistas, funciona como uma cortina de fumaça para ocultar o verdadeiro núcleo do escândalo, que reside nas conexões entre o bolsonarismo, o Centrão e o sistema financeiro.

As conversas entre Vorcaro e Ibaneis Rocha sobre a venda do Banco Master ao BRB, assim como propostas legislativas como a ampliação da cobertura do FGC para R$ 1 milhão, de autoria de Ciro Nogueira, demonstram o uso do dinheiro público para garantir respaldo político e expansão do banco. Esses fatos revelam uma preocupante simbiose entre interesses privados e públicos.

Por fim, o escândalo do Banco Master serve como um alerta para a sociedade sobre a importância da vigilância e da cobrança por transparência e responsabilização. Conforme a análise de Paulo Kliass e os fatos revelados pela Operação Abafa, o bolsonarismo e o Centrão são protagonistas dessa trama, e cabe à população exigir justiça e mudanças profundas para evitar a repetição de casos semelhantes.



segunda-feira, 14 de julho de 2025

Estadão: Até quando a direita brasileira permitirá ser escrava de um desqualificado como Bolsonaro?

Foto: Antropofagista

Fiéis à desonestidade intelectual do padrinho, governadores bolsonaristas que aspiram à Presidência culpam
Lula pela ameaça de tarifaço de Trump. A direita pode ser muito melhor que isso

Por razões óbvias, Bolsonaro não virá a público condenar o teor da famigerada carta de Trump a Lula. Isso mostra, como se ainda houvesse dúvidas, até onde Bolsonaro é capaz de ir – causar danos econômicos não triviais ao País – na vã tentativa de salvar a própria pele, imaginando que os arreganhos de Trump tenham o condão, ora vejam, de subjugar o Supremo Tribunal Federal e, assim, alterar os rumos de seu destino penal.

Nesse sentido, é ultrajante a complacência de governadores como Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG) e Ronaldo Caiado (GO) diante dos ataques promovidos pelo presidente dos EUA ao Brasil. As reações públicas dos três serviram para expor a miséria moral e intelectual de uma parcela da direita que se diz moderna, mas que continua a gravitar em torno de um ideário retrógrado, personalista, francamente antinacional e falido como é o bolsonarismo.

Tarcísio, Zema e Caiado, todos aspirantes ao cargo de presidente da República, usaram suas redes sociais para tentar impingir a Lula, cada um a seu modo, a responsabilidade pelo “tarifaço” de Trump contra as exportações brasileiras. Nenhum deles se constrangeu por tergiversar em nome de uma “estratégia eleitoral”, vamos chamar assim, que nem de longe parece lhes ser benéfica – haja vista a razia que a associação ao trumpismo provocou em candidaturas mundo afora.A direita brasileira que se pretende moderna e democrática, se quiser construir um legítimo projeto de oposição ao governo Lula da Silva, precisa romper definitivamente com Jair Bolsonaro e tudo o que esse senhor representa de atraso para o Brasil. Não se trata aqui de um imperativo puramente ideológico, e sim de uma exigência mínima de civilidade, decência e compromisso com os interesses nacionais.

O recente ataque do presidente americano, Donald Trump, às instituições brasileiras, supostamente em defesa de Bolsonaro, é só uma gota no oceano de males que o bolsonarismo causa e ainda pode causar aos brasileiros. A vida pública de Bolsonaro prova que o ex-presidente é um inimigo do Brasil que sempre colocou seus interesses particulares acima dos do País. A essa altura, portanto, já deveria estar claro para os que pretendem herdar os votos antipetistas que se associar a Bolsonaro, não importa se por crença ou pragmatismo eleitoral, significa trair os ideais da República e arriscar o progresso da Nação.

Tarcísio afirmou que “Lula colocou sua ideologia acima da economia, e esse é o resultado”, atribuindo ao petista a imposição de tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras aos EUA – muitas das quais saem justamente do Estado que ele governa. Classificando, na prática, a responsabilidade de Bolsonaro como uma fabricação, o governador paulista concluiu que “narrativas não resolverão o problema”, como se ele mesmo não estivesse amplificando uma narrativa sem pé nem cabeça.

Caiado, por sua vez, fez longa peroração, com direito a citação do falecido caudilho venezuelano Hugo Chávez, antes de dizer que, “com as medidas tomadas pelo governo americano, Lula e sua entourage tentam vender a tese da invasão da soberania do Brasil”. Por fim, coube a Zema encontrar uma forma de inserir até a primeira-dama Rosângela da Silva no script para exonerar Bolsonaro de qualquer ônus político pelo prejuízo a ser causado pelo “tarifaço” americano se, de fato, a medida se concretizar.

O Brasil não merece lideranças que relativizam os próprios interesses nacionais em nome da lealdade a um projeto autoritário, retrógrado e personalista. Até quando a direita brasileira permitirá ser escrava de um desqualificado como Bolsonaro? Não é essa a direita de um país decente. Não é possível defender o Estado Democrático de Direito e, ao mesmo tempo, louvar e defender um ex-presidente que incitou ataques às urnas eletrônicas, ameaçou as instituições republicanas, sabotou políticas de saúde pública e usou a máquina do Estado em benefício próprio e de sua família ao longo de uma vida inteira.

O Brasil precisa, sim, de uma direita responsável, madura e comprometida com o futuro – não de marionetes de um golpista contumaz.

sexta-feira, 14 de março de 2025

Confira os 26 deputados bolsonaristas que são contra baratear alimentos

Foto: Igo Estrela/Metrópoles

O nível de irracionalidade e ódio da extrema direita brasileira chegou a tal ponto que até mesmo uma medida óbvia e que jamais geraria críticas em qualquer oposição, como a de zerar impostos que incidem sobre alimentos, passou a ser atacada de forma feroz pela matilha bolsonarista da Câmara dos Deputados.

Para piorar ainda mais a insanidade, os ataques à decisão de baratear os alimentos consumidos pelos brasileiros foi alvo agora de um requerimento que busca votar uma moção de repúdio contra o governo Lula (PT) por sua tentativa de abaixar o preço desses itens de primeira necessidade.

Quem puxa a tropa de celerados que exige que os preços sigam altos é o líder da oposição na Casa, o deputado Tenente-Coronel Zucco (PL-RS). Buscando explicar o posicionamento indefensável, o extremista faz mil rodeios e lança pérolas para justificar a própria insensatez.

“Os produtores rurais continuam sujeitos a uma elevada carga tributária, com custo de produção dolarizado e a um ambiente regulatório hostil, enquanto os produtos importados passam a concorrer com isenções de imposto, reduzindo a competitividade do setor no cenário global. Essa estratégia enfraquece a economia nacional, reduz a geração de empregos e aumenta a dependência do Brasil de fornecedores externos”, diz Zucco no documento protocolado na Câmara, sem, no entanto, explicar o que uma coisa tem a ver com a outra, afinal, se os produtos ficarem mais baratos, serão mais vendidos, o que é benéfico para os produtores nacionais.

A bobajada ultrarreacionária não para por aí. Num outro trecho, os bolsonaristas falam de “livre mercado” e de um governo que supostamente “interfere na economia”. O que é mais estranho é que é justamente a extrema direita que advoga o tempo todo em defesa da retirada de impostos de tudo, usando o bordão pueril de que “imposto é roubo”. Quando os impostos foram retirados, eles passaram a reclamar que agora querem os impostos.

“O governo federal opta por mais uma intervenção econômica no mercado, interferindo no equilíbrio natural de preços de acordo com a demanda e oferta, sem garantir maior incentivo para a produção nacional na redução do custo de produção, sem ouvir toda a cadeia produtiva, encurralando o produtor rural e o consumidor”, alegam os extremistas da bancada bolsonarista.

Confira a lista de 26 deputados que lutam para manter os impostos nos alimentos para que brasileiros paguem mais caro para comer:

1 - Zucco (PL-RS)

2 - Coronel Assis (União-MT)

3 - Zé Trovão (PL-SC)

4 - Junio Amaral (PL-MG)

5 - Sargento Fahur (PSD-PR)

6 - Coronel Chrisóstomo (PL-RO)

7 - Gustavo Gayer (PL-GO)

8 - Osmar Terra (MDB-RS)

9 - Capitão Alden (PL-BA)

10 - Silvia Waiãpi (PL-AP)

11 - Delegado Ramagem (PL-RJ)

12 - Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP)

13 - Delegado Caveira (PL-PA)

14 - Carlos Jordy (PL-RJ)

15 - Evair Vieira de Melo (PP-ES)

16 - Pezenti (MDB-SC)

17 - Rodolfo Nogueira (PL-MS)

18 - Cabo Gilberto Silva (PL-PB)

19 - Rosangela Moro (União-SP)

20 - Mario Frias (PL-SP)

21 - Daniel Agrobom (PL-GO)

22 - Bia Kicis (PL-DF)

23 - Mauricio do Vôlei (PL-MG)

24 - Messias Donato (Republicanos-ES)

25 - Sanderson (PL-RS)

26 - Julia Zanatta (PL-SC)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Bolsonarismo: Prefeito critica desfile da Boa Vista e diz que não fará mais repasses à escola

Foto: Leone Iglesias/AT


O prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), afirmou, na manhã desta quarta-feira (26), que não realizará mais repasses para a escola de samba Independente de Boa Vista.

De acordo com o político, a decisão foi tomada após a agremiação realizar "homenagens a movimentos criminosos" no desfile do Carnaval de Vitória, realizado no último sábado (22). Na ocasião, a Boa Vista apresentou uma ala representando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

"A partir deste ano, não faremos mas qualquer repasse a escola. Não compactuo com homenagens a movimentos criminosos, que espalham o terror e a tristeza no campo. Quando nos apresentaram o projeto, a escola nos informou que tara uma homenagem ao fotografo Sebastião Salgado, Em nenhum momento nos informou que levaria para a avenida uma ala do MST", afirmou Euclério em uma nota de repúdio publicada nas redes sociais.

Escola se manifesta

Após a nota do prefeito, a Independente de Boa Vista se manifestou sobre o caso. Nas redes sociais, a escola afirmou que gostaria de "aproveitar esta oportunidade para esclarecer alguns pontos importantes a respeito do enredo e da proposta artística apresentada pela escola".

A agremiação declarou, ainda, que a ala do MST foi parte da homenagem ao fotógrafo Sebastião Salgado — que dedicou parte da sua carreira a acompanhar e registrar a luta do movimento. Até o momento, Euclério Sampaio não se manifestou sobre a resposta da escola.

Confira a nota na íntegra:

"A Escola de Samba Independentes de Boa Vista informa que recebeu com atenção a Nota de Repúdio emitida pelo Prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, em relação ao desfile da escola de samba que aconteceu neste último final de semana. Gostaríamos de aproveitar esta oportunidade para esclarecer alguns pontos importantes a respeito do enredo e da proposta artística apresentada pela escola.

O desfile deste ano teve como tema a vida e a obra do renomado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, reconhecido mundialmente por sua sensível e profunda documentação das questões sociais e ambientais. Salgado, que viveu parte de sua juventude no Espírito Santo, é um dos maiores expoentes da fotografia contemporânea e foi homenageado pela Boa Vista em razão da relevância de sua trajetória e contribuição cultural. Importante ressaltar que Sebastião Salgado passou três anos de sua vida junto ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizando o trabalho fotográfico retratado em sua obra, que aborda com sensibilidade as lutas e desafios dos trabalhadores rurais brasileiros.

Uma das alas do desfile, intitulada “Terra”, faz referência a um dos livros mais emblemáticos de Sebastião Salgado. Esta obra retrata as lutas, os desafios e a dignidade dos trabalhadores rurais brasileiros em sua busca pela reforma agrária. Assim, a representação apresentada no desfile visou unicamente destacar esse aspecto importante da obra do fotógrafo, evidenciando a realidade de milhares de brasileiros e promovendo uma reflexão sobre o tema, sem qualquer conotação partidária ou política.

A Independente de Boa Vista tem como propósito principal o fomento à cultura e ao desenvolvimento social em nossa comunidade. Além de sua atuação no Carnaval, a escola promove diversos projetos sociais, culturais e educativos que fortalecem os laços comunitários e geram oportunidades para crianças, jovens e adultos ao longo do ano. A Boa Vista também é responsável por gerar emprego e renda, movimentando a economia local e proporcionando oportunidades para muitos trabalhadores que atuam na confecção de fantasias, alegorias e em outras áreas relacionadas ao desfile.

É com tristeza que a escola de samba Independente de Boa Vista, juntamente com seus componentes, desfilantes, torcedores, amantes do Carnaval e da cultura do nosso estado, recebeu a Nota de Repúdio. Sabemos do coração bom de Euclério, por isso, ficamos na expectativa de uma reversão desse posicionamento. A Boa Vista é um dos maiores expoentes da cultura do Espírito Santo, levando o nome de Cariacica para o Brasil e para o mundo.

Reiteramos o respeito pela opinião do prefeito e reforçamos que o desfile buscou enaltecer a arte, a cultura e a história de um brasileiro que tanto orgulha o nosso país."

quinta-feira, 6 de julho de 2023

‘Caronas’ da FAB incluíram filhos de Bolsonaro, pastor e maquiador


Familiares do ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL) utilizaram ao menos 70 voos da FAB (Força Aérea Brasília) sem a presença do então chefe do Executivo e aproveitaram para viajar levando convidados, como pastor, maquiador e até uma cachorra. As informações são do site Metrópoles.

Michelle Bolsonaro, então primeira-dama, foi quem mais utilizou os voos sem Bolsonaro. Segundo o levantamento do site, que afirma ter utilizado dados do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), foram 54 viagens. Geralmente, Michelle se deslocava de Brasília para o Rio de Janeiro, onde frequentava cultos evangélicos.

Uma mensagem publicada pela reportagem, datada de junho de 2019, mostra que em uma das viagens, a então primeira-dama iria “acompanhada de mais dez pessoas no voo de ida e de oito pessoas no voo de retorno a Brasília”. Michelle viajou com o pastor Francisco de Assis Lima Castelo Branco, na época sem cargo público, a esposa dele, um filho do casal e outra amiga.

Em outra ocasião, segundo a reportagem, ela visitou um centro de tratamento de câncer, em Barretos (SP), com seu maquiador, Agustin Fernandez.

Depois de Michelle, quem mais demandava voos da FAB era o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), com ao menos 10 viagens registradas, de acordo com o Metrópoles. No ano passado, ele se deslocou para acompanhar o pai no 7 de setembro e foi de Brasília para o Rio durante as eleições. Em outro momento, viajou com um assessor que não tinha cargo público.

Jair Renan Bolsonaro realizou sete viagens desse tipo, uma delas em 2019 para ver a mãe em Resende (RJ) e depois retornar a Brasília. “Não se esqueçam do Renan”, alertou um militar em grupo do WhatsApp para organizar as viagens presidenciais, segundo o site.


“Filho do PR (Presidente da República) hehehe. Não tá fácil para ninguém”, responde outro enquanto eles tentavam encaixar Jair Renan em um voo do Rio para Brasília e já pensavam em planos alternativos, como recorrer a outros setores, para acomodar o filho de Bolsonaro.

Ainda segundo o Metrópoles, Beretta, cachorra de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), também viajou —o pedido foi feito pelo tenente-coronel Mauro Cid, atualmente preso por suposto envolvimento em fraudes de cartões de vacina. “Informei a ele que no último embarque a casinha de transporte não passa na porta, causando transtornos”, diz uma mensagem sobre a cachorra, o que indicaria que ela já havia voado mais de uma vez.

Preocupação com as “caronas” foi demonstrada por ao menos um participante desse grupo, que enviou uma notícia sobre as viagens da FAB feitas por um filho de Lula e amigos: “Para pensar a seguinte frase: as mesmas coisas feitas por outras pessoas. Por favor vejam a reportagem a baixo [sic]. Temos que prevenir o PR e a FAB da história se repetir. Filho de presidente não pega carona!”.

O UOL entrou em contato com o GSI, a FAB e representantes da família Bolsonaro e aguarda resposta.

Qual a regra para uso de avião da FAB?
A regulação de voos da FAB é feita pelo decreto 10.267/2020, assinado por Bolsonaro, que autoriza o transporte para o vice-presidente da República, além dos presidentes do Senado, Câmara e STF (Supremo Tribunal Federal). Ministros de Estado, comandantes das Forças Armadas e o chefe do conjunto das Forças Armadas também podem fazer uso dos voos da FAB.

O decreto não se aplica ao presidente da República e são excluídas também as “comitivas presidenciais ou as equipes de apoio a viagens presidenciais”.

Os pedidos para entrar nos voos também devem obedecer uma ordem de prioridade. Entram nesse critério, de acordo com a regulamentação, “motivo de emergência médica”, “segurança” e “viagem a serviço”.

FONTE: A Postagem

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Globo ataca a China por condenar mulher que violou regras de saúde e omite condenação de ativista dos DH na Arábia Saudita

(Foto: Contexto Livre)

Que Globo é essa que tenta enfrentar o "gabinete do ódio" bolsonarista por espalhar fake news?

Uma Globo que vive acuada e escrachada pelo bolsonarismo, não deveria usar as próprias armas que seu algoz usa para contra ataca-la.

Dia 28 na edição do seu Jornal Nacional, a Globo atacou a China por ter condenado a advogada Zhang Zhan, acusando-o de ser um governo autoritário(veja aqui a matéria completa).

A verdade é que a advogada presa, desde o começo da pandemia, apelidada pelos Estados Unidos e União Europeia de uma espécie de "jornalista-cidadã", mas na verdade para nós aqui no Brasil é uma espécie de bolsolóide radical ou para exemplificar melhor para nós maranhenses, um Welington do Curso feminino oriental(veja aqui a matéria completa)

Acontece que no mesmo dia, com diferença de horas e mais cedo, a ativista de direitos humanos saudita, Loujain al Hathloul foi condenada a cinco anos e oito meses de prisão que há tempos, organizava campanhas pelo direito das mulheres sauditas de dirigirem e pelo fim da tutela que as mulheres à mercê total dos homens (veja aqui a matéria completa).

No final de 2014, ela foi detida por tentar entrar na Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, dirigindo um carro. Foi solta 73 dias depois, após uma campanha internacional.

E a Emissora brasileira se quer divulga essa notícia, prefere fazer coro aos bolsonaristas que diariamente combate com fake e desconsiderações o governo chinês e a própria Globo.

Que Globo é essa?

Fontes: G1, Brasil de Fato e Carta Capital

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

"Central bolsonarista" na Abin monta dossiês a mando do governo, revela revista

Foto: O Antagonista

reportagem explosiva da Crusoé , além de revelar que relatórios clandestinos foram enviados a Flávio Bolsonaro pelo chefe da Abin , revela também a existência de uma “central bolsonarista” dentro da própria Abin.

“Criada extraoficialmente e alheia ao procedimento padrão da agência para ‘levantar antecedentes’ e ‘montar dossiês’ a pedidos expressos do governo , a estrutura foi batizada de Coordenação-geral de Credenciamento de Segurança e Análise de Segurança Corporativa e tem como chefe o agente da PF Marcelo Bormevet.


Defensor aguerrido do presidente nas redes sociais e amigo de Carlos Bolsonaro, o filho 02, o policial integrou com Ramagem a equipe de segurança de Bolsonaro durante a campanha de 2018 e é chamado na Abin de o ‘homem do capitão’ (…).


Foi justamente para poder fugir do procedimento legal e agir às escuras, longe dos olhos do aparato oficial do estado e das autoridades, que Ramagem nomeou Bormevet e outro policial federal para a coordenação sob o guarda-chuva do CIN. Desde então, os pedidos, muitos deles nada republicanos, passaram a ser enviados diretamente e sem intermediários do gabinete de Ramagem para o ‘homem do capitão’, que ocupa uma sala no primeiro andar da sede da Abin , em Brasília, em frente a uma escada por onde os servidores do segundo andar precisam passar para se deslocar no prédio.”


Fonte: IG Último Segundo

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Adriano da Nóbrega Depositou 400 Mil na Conta de Queiroz que fez Depósitos na Conta de Michelle


Capitão Adriano transferiu R$ 400 mil para conta de Queiroz, estima MP-RJ.

Adriano é o miliciano que foi condecorado pelo clã por ordem de Bolsonaro a Flávio. Adriano estava preso por ter assassinado um flanelinha.

Pelo menos R$ 69,5 mil foram depositados nas contas bancárias de Queiroz por restaurantes administrados pelo miliciano e seus familiares.

Em novembro passado, Queiroz pediu que a mãe de Adriano permanecesse escondida no interior de Minas Gerais, após uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) garantir o andamento das investigações sobre o esquema criminoso do gabinete de Flávio Bolsonaro, quando este era deputado estadual no Rio de Janeiro.

O advogado de Queiroz, Paulo Emílio Catta Preta, também chefiava a defesa Capitão Adriano.

A mãe e a ex-mulher do Capitão Adriano eram “funcionárias fantasmas” do gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, de acordo com a investigação conduzida pelo MP-RJ.

A mãe de Adriano realizou 17 depósitos no valor total de R$ 91.796 na conta bancária de Queiroz.

Capitão Adriano era chefe da milícia que domina as comunidades de Rio das Pedras e Muzema, na zona oeste do Rio.

Queiroz e a mulher trocaram mensagens de celular que indicam que o advogado Luís Gustavo Botto Maia, responsável pelas contas eleitorais de Flávio Bolsonaro, faria uma proposta financeira a Adriano e seus familiares, em troca de silêncio do miliciano.

PF e MP encontraram ligações entre o miliciano Adriano da Nóbrega. Acusado da matar Marielle, Ronnie Lessa, era vizinho de Bolsonaro e Carlos no condomínio Vivendas da Barra.

Queiroz depositou na conta de Michelle Bolsonaro 21 cheques que somam R$ 72 mil.

Mulher de Queiroz depositou R$ 17 mil na conta de Michelle Bolsonaro quando o marido era assessor de Flávio.

Ou seja, Queiroz e a esposa repassaram R$ 89 mil para Michelle Bolsonaro.

Precisa desenhar?

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Funcionários do Banco Mundial pedem suspensão da nomeação de Weintraub

A associação dos funcionários do Banco Mundial (Bird) enviou uma carta nesta quarta-feira ao comitê de ética da instituição contrária à nomeação do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub para o cargo de diretor-executivo do banco. A entidade representativa pede que a indicação seja suspensa até que acusações contra o economista brasileiro sejam analisadas pelo comitê.

No documento, a associação diz que "muitos funcionários estão profundamente perturbados" com algumas atitudes do ex-ministro, entre elas o tweet em que culpa a China pela pandemia do novo coronavírus. A carta também menciona o fato de Weintraub ter sugerido a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de ter feito pronunciamentos públicos contrários aos direitos de minorias e a promoção da equidade racial.

A associação ressalta que, "apesar de essa nomeação ter sido condenada por múltiplos países clientes", os funcionários do banco entendem que a indicação é uma prerrogativa do governo brasileiro. Mas fazem uma ressalva, afirmando que os membros da diretoria do banco precisam seguir o Código de Ética da instituição tanto em sua vida privada quanto em sua vida profissional.

"Nós, por isso, pedimos formalmente que o Comitê de Ética analise os fatos por trás das múltiplas alegações, com vista a (a) suspender sua nomeação até que as alegações possam ser analisadas, e (b) assegurar que o Sr. Weintraub seja informado que o tipo de comportamento que ele é acusado é completamente inaceitável nessa instituição", afirma a associação.

Os funcionários do banco ressaltam ainda que o Banco Mundial tomou medidas recentes para eliminar o racismo na instituição. "Isso quer dizer um comprometimento de todos os funcionários e membros da diretoria a denunciar o racismo quando presenciá-lo". "Nós acreditamos que o Comitê de Ética compartilha essa visão e fará o possível para cumpri-la", completa.

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Justiça autoriza prisão da mulher de Fabrício Queiroz

Márcia Oliveira de Aguiar está sendo investigada junto com o marido Queiroz

O Ministério Público do Rio de Janeiro prendeu na manhã desta quinta-feira o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz. Além dele, o juiz Flávio Itabaiana Nicolau, da 27ª Vara Criminal do TJ do Rio, também expediu mandado de prisão contra a mulher de Queiroz, Márcia Oliveira de Aguiar.

Leia também: 


O casal e o senador são investigados pelo esquema da rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio. Queiroz foi preso em Atibaia, no interior de São Paulo e deve vir para o Rio, onde é investigado. A operação denominada "Anjo" teve o apoio da Polícia Civil. O mandado de prisão contra Márcia está sendo cumprido com auxílio da Polícia Federal.

Márcia esteve no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio entre 2007 e 2017. Ela foi uma dos sete parentes que Queiroz emplacou na estrutura do mandato de Flávio. Além dele, também foram lotados outros sete parentes dele no gabinete de Flávio desde 2007. Entre os parentes de Queiroz investigados junto com o casal, estão ainda a enteada e duas filhas, uma delas é a Nahtalia Queiroz, conhecida por ser personal trainer.

No ano passado, O GLOBO revelou que Márcia nunca teve crachá na Alerj e, durante um processo que ela moveu na Justiça, Márcia se declarou "cabeleireira". Nunca mencionou assessoria parlamentar.

O MP do Rio também cumpre mandados de busca e apreensão em diversos endereços da capital. Um deles é a casa de Bento Ribeiro, escritório político da família Bolsonaro.

ATENÇÃO: MP prende Fabrício Queiroz escondido na casa do advogado do filho de Bolsonaro

Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (Foto: Reprodução/SBT)
A Polícia Civil de São Paulo prende, na manhã esta quinta-feira, Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar do senador Flávio Bolsonaro. Ele foi encontrado na casa do advogado do filho do presidente da República. Os mandados de busca e apreensão e de prisão foram expedidos pela justiça do Rio de Janeiro, que apura um esquema de rachadinha e desvio de dinheiro público na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
* Matéria em atualização.
FONTE: O Tempo

domingo, 14 de junho de 2020

Bolsonaristas lançam fogos de artifício contra o STF e ameaçam ministros

Imagens: O Antagonista
Manifestantes bolsonaristas lançaram fogos de artifício na noite deste sábado contra o prédio do STF.

Se fosse da esquerda os caras nem encostavam, agora 20 pessoas tem acesso, montam os jorrões no chão, atiram fogo, gravam um vídeo de quase 03 minutos insultando os ministros e sairão de boa comemorando o feito criminoso e a segurança da esplanada fez vista grossa!!!!

Em vídeo que circula nas redes sociais, um homem faz ameaças aos ministros: “Vocês vão cair. Nós vamos derrubar vocês, seus comunistas”.

Clique abaixo para assistir ao vídeo:







sexta-feira, 12 de junho de 2020

Bolsonaro impede que síndicos tenham poder de barrar festas e aglomerações

Foto: Redes Sociais 
O presidente Jair Bolsonaro vetou trechos de um projeto aprovado no Congresso Nacional que, dentre outras medidas, concedia aos síndicos o poder de proibir festas e restringir o acesso a áreas comuns no condomínio que administra. Os vetos foram antecipados nas redes sociais de Bolsonaro e publicados no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira, 12.
“Qualquer decisão de restrição nos condomínios devem ser tomadas seguindo o desejo dos moradores nas assembleias internas”, escreveu o presidente em uma rede social.
O PL 1179/2020, aprovado pelo Senado em 3 de abril, estipula flexibilizações no direito privado durante a pandemia do novo coronavírus, no período de 20 de março a 30 de outubro deste ano.
No trecho do projeto vetado por Bolsonaro, o texto defendia que os síndicos teriam poder para restringirem “reuniões e assembleias presenciais” conforme as “determinações sanitárias das autoridades locais”.
Outro artigo vetado pelo presidente proibia ações de despejo para a desocupação de imóveis urbanos até 31 de dezembro. Ao mesmo tempo, Bolsonaro aprovou o artigo que suspende a aquisição de propriedades imobiliárias ou mobiliárias por usucapião.
Também foram descartados pelo presidente artigos que tratavam da revisão contratual de imóveis durante a pandemia e outros que restringiam reuniões ou assembleias presenciais. No artigo 12, entretanto, ficou reconhecida a legalidade de votações, em caráter emergencial, por meios virtuais.
FONTE: Isto É

sábado, 6 de junho de 2020

Filhote de Bolsonaro, exibe na rede social, venda de fuzil!


O Deputado Federal Eduardo Bolsonaro, filhote de nº 03 do então presidente da república Jair Bolsonaro, diante de umas das piores crises de envolvimento com milícias, fakenews e corrupção que já ocorreu em um governo brasileiro, exibiu com alegria e satisfação, na sua conta do twitter (veja aqui), no dia 04 passado, a "lembrança" que o seu pai liberou venda de fuzis , apresentando um banner onde seu dito pai, mira com a arma, colado um selo "Compre Rural" e juntamente com um texto fazendo marketing para a empresa pública de armas Imbel, criada na época do regime militar e que foi promessa cumprida pelo seu genitor.

Essa notícia foi divulgada pelo Jornal a Platéia em 18 de janeiro de 2020.

O nosso blog pergunta:

Qual a intenção desse deputado? Intimidar quem? Onde tá o MPF para tomar as devidas providencias? 


sexta-feira, 5 de junho de 2020

Bannon deve nomear amigo como assessor especial do Itamaraty

Eduardo Bolsonaro e Steve Bannon (Foto; Reprodução do O Globo)
O principal ideólogo do populismo de extrema-direita, ou seja, do neofascismo global, deve emplacar um aliado como assessor especial da política externa no Brasil. Isso mesmo. Steve Bannon, que lidera uma "guerra santa" nos Estados Unidos contra a China, que é o maior parceiro comercial do País, terá um aliado no Itamaraty, o que evidencia, uma vez mais, que o Brasil vem se convertendo numa espécie de novo Porto Rico, num gigantesco território sem soberania.
"O executivo do mercado financeiro Gerald Brant, diretor de uma empresa de investimentos em Wall Street e bastante próximo do estrategista americano Steve Bannon, é cotado para assumir um cargo relevante no Ministério das Relações Exteriores. Ele foi sondado para atuar como uma espécie de 'conselheiro' do Itamaraty, como assessor especial e ligado diretamente ao gabinete do chanceler Ernesto Araújo, aponta reportagem do jornalista Daniel Rittner, publicada no Valor.


Amigo de longa data do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Brant ajudou na aproximação da família presidencial com Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump e fundador do grupo internacional de direita Movimento, informa Rittner. Os dois - Bannon e Brant - organizaram, em março do ano passado, um evento em Washington para homenagear Olavo de Carvalho, guru do clã Bolsonaro.
Fonte: Brasil 247

sexta-feira, 29 de maio de 2020

A doutrina bolsonarista

(Foto:Reprodução/Redes Socias)

Por Rodrigo Pérez Oliveira*

22 de maio de 2020. Por ordem de Celso de Mello, Ministro  do Supremo Tribunal Federal, partes do vídeo da reunião de governo realizada em 22 de abril foram divulgadas. Todos assistimos. Sérgio Moro afirmar que há no vídeo provas de que o Presidente Jair Bolsonaro tentou interferir politicamente na Polícia Federal.

Quero aqui examinar o vídeo, buscando entender como os valores fundamentais do bolsonarismo atravessam as manifestações de Bolsonaro e de seus ministros. O vídeo é o documento mais completo que temos para tentar entender a doutrina bolsonarista.

Fica evidente que o bolsonarismo se considera um projeto político revolucionário. Não é cortina de fumaça. Não é simples retórica usada para esconder os interesses do capitalismo internacional. É genuíno. É sincero. Bolsonaro e seus seguidores estão mesmo convencidos de que estão promovendo uma revolução. O revolucionário é o tipo social mais perigoso que existe. Na ética revolucionária vale tudo para acelerar o processo histórico rumo à utopia. O revolucionário não tem limites.

Qual é a utopia bolsonarista?

Diferente das utopias modernas, a utopia bolsonarista não aponta para um futuro inédito, para o novo a ser construído. Trata-se de uma utopia reacionária, com o objetivo de reconstruir o mundo perfeito que já teria existido no passado. Na temporalidade bolsonarista, o passado é a matriz da utopia. O futuro é a regeneração. O presente é a decadência a ser superada pela ação revolucionária.

Seria equivocado dizer que a utopia bolsonarista é conservadora. Conservadores, hoje, são aqueles que tentam salvar as instituições democráticas da revolução bolsonarista.

Qual é o passado que serve como objeto de desejo para a utopia reacionária bolsonarista?

Não é a ditadura militar instituída no Brasil em 1964. E aqui temos aspecto muito importante para a compreensão do bolsonarismo. O deputado Jair Bolsonaro ficou quase 30 anos no parlamento elogiando a ditadura. O objeto da nostalgia do Deputado era a ditadura militar. A nostalgia do presidente Bolsonaro é outra. Em algum momento aconteceu o encontro do Deputado Bolsonaro com a crítica da modernidade desenvolvida por Olavo de Carvalho ao longo da década de 1990. Esse encontro, que ainda precisamos descobrir como aconteceu, quando aconteceu, é o berço do bolsonarismo como projeto revolucionário.

O presidente Jair Bolsonaro idealiza um mundo pré-moderno, anterior à invenção do Estado, onde os patriarcas pegam em armas, se organizam em milícias para proteger sua propriedade e sua família, para dominar sua propriedade e sua família. Esse é o núcleo duro do projeto bolsonarista, manifestado não apenas nas falas do Presidente na tal reunião, mas nas diversas tentativas do governo em flexibilizar as regras de controle do comércio de armas de fogo, quase sempre à revelia das forças armadas, que legalmente têm autoridade técnica sobre a matéria.

Na doutrina bolsonarista, o cidadão de bem, homem, proprietário, deve ser livre para matar, se entender que é necessário para defender seus interesses. O regime de força que o bolsonarismo tenta implantar no Brasil não tem o objetivo de reeditar a ditadura militar. O objetivo é transformar o país num continente feudal, onde cada lote de terra é guardado pelo patriarca armado, senhor da vida e da morte de todos aqueles que vivem sob sua tutela/proteção. Essa é a liberdade que Weintraub e Bolsonaro querem defender, dizem estar dispostos a tudo para defender. 

Na utopia bolsonarista, os filhos devem ser criados à imagem e semelhança dos pais, sem nenhuma interferência externa à casa. A educação pública seria, então,  ato de tirania,  a tentativa do Estado em corromper os filhos do patriarca. Por isso, tudo que Weintraub fez desde que assumiu o Ministério da Educação foi tentar desmoralizar a educação pública.Desmoralizar os professores, as universidades, o ENEM. Não é incompetência administrativa. É projeto. É ideologia. É a doutrina bolsonarista.

E Paulo Guedes? O chicago boy tão incensado pela imprensa liberal, definido como a reserva técnica dentro do governo do capitão aloprado. Lembro de Eliana Catanhede dizendo que Bolsonaro havia feito um “golaço” ao convidar Guedes para comandar a fazenda. Ah, essa “direita democrática” brasileira. Ou são cínicos ou são burros. Talvez as duas coisas.

Guedes é tão militante como Weintraub. Sua adesão ao bolsonarismo também é ideológica. A utopia reacionária bolsonarista cai como uma luva no neoliberalismo religioso de Paulo Guedes. “Nunca briguei com Guedes”, disse Bolsonaro. Por que brigaria? Eles foram feitos um para o outro.

Guedes não é um infiltrado do mercado que tenta disciplinar Bolsonaro. Guedes não é a concessão feita por Bolsonaro para agradar o mercado e se sustentar no governo. Guedes é  escolha ideológica, é prova de que o capitalismo especulativo não tem nenhum compromisso com a civilização. 

“Tem que privatizar a porra toda!”, disse Guedes. Somente na utopia bolsonarista, o fanatismo de Guedes é viável. Somente em um mundo dominado pela casa, o Estado pode ser mínimo, quase inexistente, como professa a religião de Paulo Guedes. O Estado é mínimo porque a casa é grande. Definitivamente, Paulo Guedes é militante bolsonarista. 

O bolsonarismo também evoca certo conceito de democracia e de representação política, mas numa chave muito diferente daquela que caracteriza o experimento democrático liberal-burguês. Na democracia liberal, o Estado é dividido em três poderes, que estabelecem entre si relação de controle recíproco, naquilo que costuma ser chamado de “sistema de freios e contrapesos”. Na democracia liberal, a participação política do cidadão é indireta. Periodicamente, o sujeito vai às urnas escolher seus representantes, para quem delega sua soberania. 

O bolsonarismo altera o conceito de democracia e redimensiona a ideia de representação política, se aproximando muito da lógica fascista. Para o bolsonarismo, toda e qualquer mediação é corrupta em si. Nesse sentido, legislativo e judiciário nada mais fariam do que se locupletar do dinheiro público e criar dificuldades para o poder executivo, único legítimo, o único verdadeiramente capaz de representar o cidadão.

O bolsonarismo não tolera negociar com os outros poderes, não aceita nenhum tipo de interferência. A representação política bolsonarista se dá pela projeção direta, sem mediação, de soberania no chefe, o único considerado verdadeiramente honesto. Existiria entre o chefe e o cidadão um vínculo afetivo, de confiança, de cumplicidade. O chefe representaria o cidadão porque também é homem honrado, pai de família em luta contra a corrupção sistêmica. O fascista é sempre um homem comum.

A representação liberal é pragmática, é movida pelo interesse do cidadão em delegar sua responsabilidade cívica a outro, garantindo assim o ócio necessário para se dedicar a seus assuntos privados. A democracia liberal é desmobilizadora. Já a representação fascista é afetiva, emocional, depende de constante agitação. O fascismo é mobilizador. 

A democracia bolsonarista significa uma sociedade organizada em clãs, cada qual protegido por um patriarca armado, homem de bem, representado diretamente pelo chefe maior, entendido como um deles. 

O bolsonarismo opera com conceitos que são constitutivos da tradição política ocidental, como liberdade, democracia e representação política. Conceitos que são elásticos o suficiente para permitirem a leitura fascista. O fascismo não é fruto estranho no terreno da tradição política ocidental. É possibilidade política aberta por essa tradição. De alguma forma, o fascismo é parte daquilo que somos, que todos nós somos. Por isso, ora ou outra o ovo da serpente dá cria. Por isso, é necessário estar sempre vigilante. Quando menos esperamos, o fascismo brota do chão, sem aviso prévio. Simplesmente chega, de mansinho, enquanto tudo estava normal, enquanto as instituições “estão funcionando”. Funcionam até o exato momento em que não funcionam mais,

Não sei se o vídeo da fatídica reunião comprova as acusações de Sérgio Moro. O processo legal, que Moro nunca respeitou quando era juiz, dirá. Fato mesmo é que o vídeo é o tratado de definição da doutrina bosonarista. É o texto que Olavo de Carvalho não escreveu.

*Rodrigo Pérez Oliveira - É historiador, professor de Teoria da História na Universidade Federal da Bahia, pesquisa a história do pensamento político brasileiro e os usos do passado no texto historiográfico e nas narrativas políticas, 





Foto: Adicionada pelo blog