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sexta-feira, 10 de maio de 2019

Aula pública em defesa das Ciências Humanas ocorre hoje, sexta-feira

Gravura Ilustração no Google
O Fórum Maranhense em Defesa da Filosofia, em parceria com a Fundação Maurício Grabois, promove nesta sexta-feira (10) evento intitulado “Aula pública unificada em defesa da Filosofia, da Sociologia e das Humanidades”. O evento, que ocorre no Centro Odylo Costa Filho a partir das 17:30h, reunirá importantes nomes das áreas de Ciências Humanas, todos eles acadêmicos das universidades Federal e Estadual do Maranhão.

A iniciativa do “aulão das Humanas”, como vem sendo chamado o evento, surgiu das críticas feitas aos cursos de Filosofia, Sociologia e Ciências Humanas pelo presidente Jair Bolsonaro e por seu ministro da Educação, Abraham Weintraub. Na visão do presidente, é preciso redirecionar os investimentos feitos nessas áreas para cursos que deem “resultado imediato”. Segundo Fábio Palácio, presidente da Fundação Maurício Grabois e um dos palestrantes da aula, a fala do presidente revela grande desconhecimento sobre a importância dessas áreas. “Tornou-se necessário dialogar com a sociedade para explicar o impacto que possuem disciplinas como a Filosofia e a Sociologia para o desenvolvimento humano e a formação integral de cidadãos críticos e competentes.”

A fala mais aguardada do encontro é a do professor aposentado de Filosofia do Direito da UFMA Agostinho Ramalho Marques Neto. Além dele, também ministrarão a aula os professores Zilmara de Carvalho (Depto. Filosofia UFMA); Arleth Borges (Depto. Ciências Sociais UFMA); Fábio Palácio (Depto. Comunicação UFMA); Francisco Valdério (Depto. Filosofia UEMA); Henrique Borralho (Depto. História UEMA); Ilse Gomes (Depto. Ciências Sociais UFMA), e Zulene Barbosa (Depto. Ciências Sociais UEMA).

Pouco antes da aula pública, uma concentração estudantil está marcada para as 15h na Praça Joãozinho Trinta (antiga estação Refesa). Os estudantes sairão em passeata até o aulão, na Praia Grande.

Serviço

O quê: Aula pública unificada em defesa da Filosofia, da Sociologia e das Humanidades
Quando: 10/05 (sexta-feira), às 17:30h
Onde: Centro Odylo Costa Filho (Reviver) 

terça-feira, 21 de julho de 2015

Mulher: Conheça a história do clitóris e saiba porque ele deveria ser seu melhor amigo



Se muita gente tenta esconder algo é porque tem motivo errado aí. Com o clitóris foi assim: ele era descoberto, aí desapareciam com ele da literatura médica. Depois de uma tempo alguém o descobria de novo e adivinha o que acontecia depois de um tempo? Nada de clitóris na literatura médica novamente. 


A BBC fez esse documentário incrível sobre esse botãozinho do prazer que a gente tem no nosso corpo. Chega a ser surreal como tudo o que a gente sabe sobre sexo por meio da grande mídia ou comunicação de massa é centrado no pênis. Descubra que o seu prazer não depende de ninguém além de você mesma!



quarta-feira, 2 de abril de 2014

Saiba: 5 mitos sobre o suicídio

O suicídio é uma das principais causas de morte no mundo inteiro. Os seus segredos e estigma obscurecem as causas do suicídio e podem até mesmo invalidar a prevenção.

"O suicídio é um grave problema de saúde pública que recebe pouca atenção da sociedade, porque as pessoas não querem falar sobre isso", disse o Dr. Adam Kaplin, professor de psiquiatria e neurologia da Universidade Johns Hopkins, nos EUA.

Considerando a implicação brutal que esta problemática tem a nível social e familiar, aqui estão alguns dos mitos principais sobre o suicídio e a verdade que está por trás deles.
 
5. Suicídio ocorre mais durante as férias

Diante da agitação e stress que muitas pessoas sentem por volta das férias, talvez seja natural que o mito de que os suicídios aumentam durante os meses de inverno persiste. Na verdade, o suicídio não mostra nenhum padrão sazonal.

Mas picos, quando ocorrem, dão-se geralmente na primavera. Este padrão de sazonalidade da primavera remonta ao final dos anos 1800, de acordo um estudo das taxas de suicídio em todo o mundo publicado na revista Social Science & Medicine, em 1995.

O estudo descobriu que, no Hemisfério Norte, o suicídio aumentava em maio. Este efeito é mais forte em países agrícolas e em climas temperados, onde as diferenças sazonais são mais pronunciadas.

Os pesquisadores não sabem ao certo porque esses padrões sazonais existem, mas a principal teoria sustenta que a vida social torna-se mais intensa nos meses mais quentes, colocando stressores extras em pessoas que lutam com a saúde mental. [Porque as pessoas tentam o suicídio]
 
4. Abordar o tema do suicídio coloca ideias na cabeça das pessoas

Quando as pessoas estão deprimidas, os seus entes queridos podem ter medo de perguntar se eles estão a ter pensamentos suicidas, preocupando-se com o facto de poderem colocar a ideia na cabeça da pessoa. Não é o caso, dizem os especialistas.

Na verdade, os profissionais de saúde mental dizem que, se você está preocupado com alguém, a melhor coisa a fazer é falar com eles abertamente. Perguntar a alguém se está a ter pensamentos suicidas não vai colocar os pensamentos na cabeça da pessoa.

Pelo contrário, pode até ajudar essa pessoa a quebrar a tensão e sigilo que alimenta o comportamento suicida. E , acima de tudo, falar ajuda a pessoa a pedir ajuda. No entanto, ao falar com alguém sobre o suicídio, não tente convencer as pessoas a não o fazerem, informa a Fundação Americana de Prevenção ao Suicídio (AFSP).

Frases como: "Você tem tanto para viver", podem colocar alguém nas garras de pensamentos suicidas. Compaixão e empatia são fundamentais. A AFSP aconselha palavras como: "As coisas devem ser realmente terríveis para você estar a sentir-se assim".

De igual forma, nunca deixe uma pessoa suicida sozinha e tenha a certeza de que a pessoa não tem acesso a meios letais, tais como armas de fogo. [Teste de sangue pode prever o risco de suicídio]
 
3. A conversa suicida é apenas busca de atenção

Um mito comum sustenta que as pessoas que falam sobre pensamentos suicidas ou pessoas que se auto-mutilão estão apenas clamando por atenção, enquanto que os que nunca dizem uma palavra são os únicos a realmente passar ao ato. Isso não é verdade.

Falar sobre morrer ou magoar-se a si mesmo é um dos principais sinais de alerta de uma tentativa de suicídio, de acordo com a AFSP. Nem todo a gente que tenta o suicídio vai sinalizar as suas intenções, é claro, mas só porque alguém está a falar sobre suicídio não significa que não o façam.

Se alguém afirma querer morrer ou cometer suicídio, ou se estiver a pesquisar maneiras de se matar, devemos informar as autoridades, os familiares e amigos próximos, e não deixar que a pessoa fique só.
 
2. A maioria das pessoas deixa uma carta

Ao ouvir que alguém cometeu suicídio, a questão imediata é muitas vezes: "Será que deixou uma carta?" A ideia de que a carta escrita é uma parte fundamental do processo de suicídio pode fazer sentido para a mente não-suicida, de acordo com o psicólogo Thomas Joiner da Florida State University.

Mas, na realidade, os estudos descobriram que a percentagem de suicidas que deixam notas situa-se entre zero e 40 por cento. "O fato é que a maioria das pessoas não faz cartas", afirma Joiner. "Eu acho que a razão para isso é que eles estão num estado de espírito muito alienado, cortado das pessoas, por isso eles não estão inclinados a comunicar-se".
 
1. O suicídio é inevitável

A ideia de que o suicídio é inevitável é, talvez, o mito mais pernicioso de todos. Muitas pessoas acreditam que uma pessoa suicida vai arranjar alguma maneira de morrer, não importa o quê - esse argumento é usado por aqueles que se opõem a barreiras de suicídio na ponte Golden Gate, por exemplo.

Na verdade, mais de 90% das pessoas que cometem suicídio têm problemas de saúde mental diagnosticáveis, mostra a pesquisa. Mas o ato em si é muitas vezes a resposta de uma pessoa stressada e perturbada a uma crise momentânea.

Um estudo de 2001 publicado na revista Suicide and Life-Threatening Behavior descobriu que entre 153 casos de suicídios quase concluídos, 24% das pessoas tentaram matar-se 5 minutos após decidirem cometer suicídio. Setenta por cento fez uma tentativa uma hora após a decisão.

Além disso, 90 por cento das pessoas que tentam o suicídio e sobrevivem (mesmo através de meios extremamente letais, como armas de fogo) não irão morrer de suicídio, sugere um artigo de 2008 publicado The New England Journal of Medicine.

É por isso que os especialistas em saúde mental, aconselham a remoção de oportunidades e meios de as pessoas cometerem suicídio - assim que a crise passe, a pessoa pode ser tratada com sucesso relativamente ao transtorno mental subjacente.

Como o sobrevivente Ken Baldwin disse à revista New Yorker, em 2003, acerca da sua tentativa de se matar pulando da ponte Golden Gate, o arrependimento foi imediato: "eu imediatamente percebi que tudo na minha vida que eu pensei não ter solução era totalmente solucionavel ​​- exceto pelo salto". [Livescience]
 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Qual a diferença entre crack e cocaína? A classe social de quem consome.

Fórmula da cocaína e do crack, quase iguais (F:Alternet)
 
Por Cynara Menezes
 
A iniciativa da prefeitura de São Paulo de experimentar outra abordagem contra o crack, hospedando em hotéis e pagando 15 reais por dia a viciados para que varram ruas me deixou muito otimista. É hora de os governantes brasileiros passarem a combater as drogas de maneira menos hipócrita e higienista –como fazem o PSDB e o DEM, que sempre preferiram simplesmente expulsar os viciados do centro ou interná-los em instituições mentais, para bem longe da vista dos “cidadãos de bem”. Obviamente os obtusos da direita (pleonasmo?) já atacaram a ideia do prefeito Fernando Haddad. Para que tentar dar uma chance a essas pessoas se é possível varrê-las para debaixo do tapete? “Pessoas? E usuário de crack é gente?”, perguntam-se os defensores dos “humanos direitos”.
 
Os histéricos da droga normalmente preferem nem se informar a fundo sobre o assunto, como se a mera proximidade com estudos científicos os contaminasse. Mas como a guerra às drogas que inventaram resultou apenas em crime, degradação e violência, outro tipo de pensamento começa a se impor no mundo. Não é à toa que países como Uruguai e mesmo os EUA mudaram sua visão em relação à maconha. Os EUA, aliás, estão cada vez mais liberais com a cannabis, como demonstra uma pesquisa divulgada no início do mês: hoje em dia, 55% dos norte-americanos aprovam a legalização da maconha. E só 35% deles acham que fumar baseados é “moralmente condenável” (veja aqui).
 
Exatamente o oposto da direita ignorante (pleonasmo?) brasileira, que se recusa a aceitar a falência de seu modelo arcaico na solução de dilemas contemporâneos.
 
Um fato pouco divulgado sobre o crack é que ele não é uma droga tão diferente das outras, tão mais viciante que as demais. Sabia? Na verdade, existe bem pouca diferença entre o crack e a cocaína, quimicamente falando. A única diferença é a remoção do cloridrato, o que torna possível fumá-lo. É como se a cocaína fosse açúcar refinado, e o crack, rapadura. O que torna o crack mais potente é a forma de consumi-lo: fumar leva a droga rapidamente aos pulmões, fazendo com que o efeito seja mais rápido e mais intenso do que cheirar pó (veja mais mitos sobre o crack aqui). Para piorar, a pedra de crack é barata –custa 10 reais, enquanto o grama de cocaína é vendido a 50 reais. Ou seja, o crack, ao contrário da cocaína, é acessível aos miseráveis.
 
Saber disso nos abre os olhos a uma problemática fundamental em relação ao crack, que é a vulnerabilidade social de quem está exposto à droga morando nas ruas. É exatamente este aspecto que a prefeitura de SP pretende combater ao tentar reintegrar o viciado à sociedade, dando-lhe perspectivas. Sem oferecer-lhes perspectiva de futuro, esperança, não adianta desintoxicá-los. Ao sair da clínica, eles voltam para o vício, até porque, vivendo à margem, não têm mais o que fazer. Enquanto isso, os cocainômanos e viciados em crack das classes mais abastadas são enviados ao rehab, às clínica chiques, e a gente nem sequer chega a tomar conhecimento deles. Quem está na rua, não, “incomoda”, integra a “gente diferenciada” para a qual muitos torcem o nariz e têm medo.
 
Dois anos atrás, o ator Charlie Sheen, bem conhecido de todos como o “doidão” de Hollywood, causou polêmica nos EUA ao declarar em uma entrevista que alguns amigos seus usam crack “socialmente”, assim como fazem tantos endinheirados com a cocaína. Parece absurdo? Não é. A partir das declarações de Sheen, a jornalista Maia Szalavitz, da revista Time, escreveu um artigo demonstrando que somente 15 a 20% das pessoas que experimentam crack ficam viciados. Mais: que 75,6% dos que provaram crack entre 2004 e 2006 tinham abandonado o cachimbo dois anos depois; outros 15% passaram a usar ocasionalmente; e só 9,2% ficaram viciadas.
 
Uma realidade bem distante do que pensávamos pouco tempo atrás, quando se costumava dizer que basta uma baforada para a pessoa ficar viciada. É possível, sim, entrar no crack e sair. Assustar os jovens em relação às drogas pode ser eficiente, mas eu acho que é muito mais importante dizer a verdade, conscientizá-los com base na ciência. “O crack não é mais tóxico que a cocaína. O que acontece é: quem toma crack? Os negros mais ferrados dos EUA. Os adolescentes com menos perspectivas profissionais”, defende um dos maiores especialistas do mundo em drogas, o espanhol Antonio Escohotado. No Brasil é a mesma coisa. Embora atinja várias classes sociais, o vício em crack é devastador sobretudo para os jovens e adultos em situação de rua.
 
Quanto mais leio e me informo, mais fico convencida de que não existem drogas “perigosas”. Todas elas são e não são ao mesmo tempo. O que existe é a pessoa por trás da droga e a circunstância em que vive. Se o ser humano que busca as drogas está em condição de risco –psicológico ou econômico– obviamente estará mais sujeito à adicção. Assim é com tudo que entra pela boca do homem: comida, álcool, remédios ou drogas ilícitas. A droga jamais pode estar relacionada à fuga da realidade, mas às experiências sensoriais. Quem vive na rua, dormindo na calçada ou em buracos, com certeza não está usando a droga “recreativamente”.
 
Se não fôssemos dominados por um pensamento tacanho e estivéssemos usando, como em muitos países civilizados, a maconha com fins terapêuticos (a exemplo dos EUA, que a direita brasileira adora macaquear, mas não nas iniciativas boas), a próxima etapa do programa da prefeitura de São Paulo deveria ser ministrar baseados como política de redução de danos do vício em crack. Vários estudos científicos comprovam que fumar maconha diminui a “fissura” entre viciados que desejam deixar a pedra, ajuda na hora de enfrentar a síndrome de abstinência. É uma possibilidade no tratamento. Os hipócritas iriam permitir? Imagina. Interessa a eles, de certa forma, que existam viciados em crack perambulando pelas ruas para que seu irracional discurso anti-drogas e anti-crime continue a ter eficiência sobre os incautos.
 
Fonte: Socialista Morena

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Os fatos provam que Cuba tem o cuidado com a saúde melhor que os EUA, por que escondê-lo? (+ Vídeo)

É difícil encontrar uma reportagem investigativa que rigorosamente comparar os sistemas de saúde público e privado em todo o mundo . As empresas de mídia que suportam a ideologia e os interesses do setor empresarial privado. Além disso, as companhias de seguros e clínicas privadas , um setor em crescimento por políticas de privatização dos serviços de saúde , são um espaço publicitário potencial cliente que a mídia não deve se preocupar.
 
Para aceder a um trabalho deste tipo deve voltar-se para a mídia alternativa ou o trabalho dos blogueiros independentes. É o caso do físico e blogueiro Alberto Sicilia, que analisou os dados de saúde vários países ricos oficiais , todos pertencentes à OCDE a partir das estatísticas da OCDE em si.

Ela indica que o país industrializado com a protecção da saúde pública mais baixo garantido é os EUA, com 27,4 % da população , em contraste com outros países industrializados, onde perto de 100%.

O conjunto de indicadores de saúde para a população desses países parecem sugerir uma conclusão óbvia : a maior cobertura dos serviços de saúde pública garante uma melhor saúde da população . E desmente o argumento de que a gestão privada é mais eficiente que o público nesta matéria.

Por exemplo , a mortalidade infantil em os EUA é de 6,7 por mil nascidos vivos , em comparação com 4,8-2,5 Reino Unido ou a Suécia. E as estatísticas da OCDE não digo , mas a UNICEF: Os EUA tem o pior indicador de mortalidade infantil que o Terceiro Mundo , perto de sua costa e bloqueio de quase 60 anos atrás: Cuba , este ano reduziu sua taxa para 4,2.

Outro fato curioso é fornecido pela OCDE sobre a doença de diabetes. EUA tem o maior índice de pessoas que sofrem a amputação de seus pés para agravamento da doença : 36 por cem mil , em comparação com uma média de 12 nos países da OCDE . E é engraçado que Cuba tem um índice de 4,9, sete vezes menos do que os EUA . Explicação: A aplicação no sistema público da ilha por droga cubano Heberprot -P , o que evita essas amputações , muitas das quais derivam de lembrar - mortes. E ainda mais curioso é que este cubano começa medicina e comercializados em outros países, mas não em os EUA , porque as leis de embargo para proibir Island.

A maioria dos dados relevantes : conseqüência direta do custo econômico de consultas médicas , EUA é um dos países com a menor relação de visitas por paciente por ano : 4, menos da metade de Cuba, com 9,2 visitas por pessoa por ano.

OCDE As estatísticas também nos diz que no país mais rico e mais poderoso do planeta, mais de um terço das pessoas doentes podem não seguir o seu tratamento devido a problemas financeiros . Algo absolutamente impensável , mesmo nas áreas rurais mais remotas montanhosas e de Cuba, onde o atendimento personalizado , monitoramento domiciliar e medicamentos têm garantia e são altísimamente gratuita ou subsidiada.

Há outras informações de saúde interessante fora das estatísticas da OCDE. Por exemplo , de acordo com a Organização Pan- Americana de Saúde, Cuba tem a maior densidade de recursos humanos na área de saúde que os EUA : população 134,6 por dez mil , em comparação com 125,1 EUA.

Em qualquer caso, se for verdade a proposição de que a gestão privada é mais eficiente que o público, embora os resultados são mais baixos gastos com saúde em um país como os EUA deve ser muito menor. As estatísticas , porém, mostram o contrário : a população dos EUA é mais dinheiro gasto com a saúde , com US $ 8.000 por ano por pessoa, o dobro da maioria dos países industrializados.

Mas o que se compararmos os gastos com saúde em Cuba? Na Ilha da despesa anual per capita é 435,91 pesos cubanos (13). Se usarmos a mudança de 25 pesos por dólar , usado pelos meios de comunicação fora de contexto , para garantir que o salário cubano não ultrapasse R $ 20, podemos concluir que Cuba gasta US $ 17 por ano por pessoa em saúde . Ou seja, ao investir 470 vezes menos do que os EUA , obteve melhores indicadores de saúde.

Todos estes dados parecem mostrar várias coisas . Um deles, a suposta ineficiência do sistema socialista cubano não é demonstrável no que diz respeito aos serviços de saúde , dois, que os sistemas de saúde pública do mundo são superiores em desempenho e eficiência do privado e três , o que significa que eles preferem desviar o olhar para um fato relevância informativa óbvia: um país pobre e bloqueado como Cuba é superior em quase todos os itens de saúde para a maior potência econômica do mundo.

* Coordenador Cubainformación
 

Fonte: La pupila insomneTraduzido pelo Google Tradutor

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Mais Médicos é aprovado por 84,3%; 66,8% confiam em estrangeiros


O programa Mais Médicos do governo federal – que leva profissionais para o interior e periferias das grandes cidades – tem a aprovação de 84,3% da população, segundo pesquisa CNT/MDA divulgada nesta quinta-feira em Brasília. De acordo com o levantamento, 66,8% acreditam que os médicos estrangeiros estão capacitados para atender a população do Brasil.
A pesquisa aponta que o programa apenas tem a desaprovação de 12,8% da população. Dos entrevistados, 13% consideram que o programa cumpre totalmente os objetivos para os quais foi criado, enquanto 46% acreditam que cumpre apenas em parte.
 
A grande maioria dos entrevistados (90,6%) não conhece ninguém que foi atendido por profissionais recrutados no programa. Entre os que conhecem, 6,1% disseram que o paciente foi bem atendido, enquanto 1,5% afirmou que a consulta foi ruim.
 
Quando questionados sobre a expectativa de melhora da situação da saúde, as pessoas que acreditam na evolução do serviço somaram 35%, seguindo uma tendência de alta depois de julho, quando o programa Mais Médicos foi anunciado como um dos pactos da presidente Dilma Rousseff para atender ao clamor dos protestos que tomaram as ruas do Brasil. A maior parte dos entrevistados, 39,3%, acredita que a saúde "vai ficar igual", enquanto 23,5% acredita na piora.
 
Foram entrevistadas 2.005 pessoas, em 135 municípios de 21 unidades da federação, das cinco regiões, entre os dias 31 de outubro e 4 de novembro de 2013. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais.
 
Fonte: Terra

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Os atletas de Jah

O campeão olímpico Michael Phelps
 dá um pega num bong
Não tem os atletas de Cristo? Pois então, tem os atletas de Jah também, mas estes você não fica sabendo. Os atletas de Jah, como o nome já diz, são esportistas que usam maconha de forma recreativa, o que agora é permitido fora das competições. Em maio deste ano, a WADA, entidade que trata do uso de drogas nas Olimpíadas, flexibilizou o uso de maconha entre os atletas: a quantidade tolerada de maconha no organismo passou de 15 nanogramas por mililitro para 150 ng/ml. Isto significa que encontrar traços de maconha no organismo dos competidores deixou de ser considerado doping. O atleta só corre o risco de perder a medalha se for comprovado que fumou a erva para competir, e não antes ou depois. Ou seja, fora de competição, a maconha não é proibida.
A notícia é uma boa nova para atletas como o canadense Ross Rebagliati, medalha de ouro em snowboarding nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1998 em Nagano, no Japão. Flagrado com maconha no sangue no anti-doping, Rebagliati por pouco não perdeu a sua medalha. Mas, após confessar ter fumado baseado e pedir desculpas, o atleta manteve a vitória. Hoje, aos 42 anos, o canadense resolveu se dedicar ao plantio de maconha para uso medicinal e irá abrir sua própria loja no próximo mês, com o sugestivo nome de Ross Gold. Quando o nadador Michael Phelps foi flagrado fumando maconha, Rebagliati saiu em defesa do colega dizendo: “Ei, isso tem zero caloria, é totalmente diet!”
O ouro de Ross
Assim como Phelps ou Rebagliati, muitos outros atletas foram relacionados ao uso recreativo de maconha. Cientificamente, é uma tolice associá-la ao doping, porque reduz a coordenação motora e os reflexos; prejudica a concentração e a noção de tempo; e reduz a capacidade máxima de exercício, resultando em aumento da fadiga. Quer dizer, não melhora em nada o desempenho, embora, com a legalização nos EUA, comecem a aparecer depoimentos de atletas amadores sobre as vantagens de usar maconha antes de praticar exercícios ao ar livre, como andar, escalar ou nadar. Em termos competitivos, porém, a maconha seria um doping ao contrário.
No Brasil, nomes como Giba e Estefânia, do vôlei, foram flagrados com traços de maconha no anti-doping. No futebol, Jardel, Renato Silva e André Neles. E o que dizer deste vídeo de Ronaldo Fenômeno?
Nos últimos tempos, vários lutadores do UFC têm testado positivo para maconha no anti-doping. Em fevereiro do ano passado, o norte-americano Nick Diaz foi suspenso dos ringues por um ano ao ser flagrado com a erva no organismo pela segunda vez, mas parece não se importar com as críticas. Tanto é que, logo após a suspensão, postou uma foto nas redes sociais com um envelope contendo maconha e seu nome escrito. O lutador afirma, com razão, que em seu Estado natal, a Califórnia, o uso medicinal da maconha é permitido. Mas qual é exatamente a “doença” de Nick? Talvez stress.
A erva medicinal de Nick Diaz
Outro lutador flagrado com maconha no antidoping, o também norte-americano Matt Riddle, acabou demitido do UFC mesmo depois de quatro vitórias consecutivas. Mas o meio do UFC não é exatamente maconhofóbico. Ao contrário, vários lutadores opinam que a maconha deveria ser liberada. O executivo do UFC Marc Ratner defende que os atletas usuários de maconha deveriam ter um tratamento diferente dos flagrados por uso de esteróides. Claro. “A maconha vai se tornar cada vez mais e mais problema dos lutadores e seus metabolismos”, defende.
Para mim, a maior vantagem de saber que atletas de sucesso fumam maconha é pôr fim à hipocrisia geral em relação à erva. Em geral, o fumante de maconha é associado à preguiça, à vagabundagem, à indolência. Mas se até campeões olímpicos usam e isso não os prejudica, cada vez faz menos sentido a proibição.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Holocausto brasileiro: 60 mil morreram em manicômio de Minas Gerais

Livro conta história de hospício em Barbacena que arrecadou R$ 600 mil com venda de corpos

“Milhares de mulheres e homens sujos, de cabelos desgrenhados e corpos esquálidos cercaram os jornalistas. (…) Os homens vestiam uniformes esfarrapados, tinham as cabeças raspadas e pés descalços. Muitos, porém, estavam nus. Luiz Alfredo viu um deles se agachar e beber água do esgoto que jorrava sobre o pátio. Nas banheiras coletivas havia fezes e urina no lugar de água. Ainda no pátio, ele presenciou o momento em que carnes eram cortadas no chão. O cheiro era detestável, assim como o ambiente, pois os urubus espreitavam a todo instante”.
A situação acima foi presenciada pelo fotógrafo Luiz Alfredo da extinta revista O Cruzeiro em 1961 e está descrita no livro-reportagem Holocausto Brasileiro, da editora Geração Editorial, que acaba de chegar às livrarias de todo o País. Ainda que tenha semelhanças com um campo de concentração nazista, o caso aconteceu em um manicômio na cidade de Barbacena, Minas Gerais, onde ocorreu um genocídio de pelo menos 60 mil pessoas entre 1903 e 1980.
Apesar de ser uma história recente, o fato de um episódio tão macabro permanecer desconhecido pela maioria dos brasileiros inspirou a jornalista Daniela Arbex. “Eu me perguntei: como minha geração não sabe nada sobre isso?”. A obra conta a história do maior hospício do Brasil, que ficou conhecido como Colônia e leva este nome por ter abrigado atos de crueldade parecidos com os que aconteceram na Alemanha nazista, durante a Segunda Guerra Mundial.
“Dei esse nome primeiro porque foi um extermínio em massa. Depois porque os pacientes também eram enviados em vagões de carga (ao manicômio). Quando eles chegavam, os homens tinham a cabeça raspada, eram despidos e depois uniformizados”, explica a autora. Daniela não foi a única a comparar Colônia ao holocausto. No auge dos fatos, em 1979, o psiquiatra italiano Franco Basaglia visitou o hospício com a intenção de tentar reverter o que ocorria no local. “Estive hoje num campo de concentração nazista. Em nenhum lugar do mundo presenciei uma tragédia como essa”, disse na ocasião.
A Colônia foi inaugurada em 1903 e continua aberta até hoje, mas o período de maior barbárie aconteceu entre 1930 e 1980, quando pessoas eram internadas sem terem sintomas de loucura ou insanidade. Segundo o livro-reportagem, cerca de 70% das pessoas não tinham diagnóstico de doença mental. “Foi o momento mais dramático. A partir de 1930, os critérios médicos desapareceram. Em 1969, com a ditadura, o caso foi blindado. Não gosto de chamar assim, mas (entre 1930 e 1980) foi um período negro. Foi criado para atender pessoas com deficiência mental, mas acabou sendo usado para colocar pessoas indesejadas socialmente, como gays, negros, prostitutas, alcoólatras”, contou.
Internação e sobrevivência

Daniela contou ainda que a ordem para internação das pessoas na Colônia vinha dos mais influentes da sociedade na época. “Quem decidia é quem tinha mais poder. Teve pessoas que foram enviadas pela canetada de delegados, coronéis, maridos que queriam se livrar da mulher para viver com a amante. Não tinha critério médico nenhum. Tem documento que mostra que o motivo da internação de uma menina de 23 anos foi tristeza”, criticou.


Ao chegarem ao manicômio, os internados tinham uma rotina “desumana”. Eles dormiam juntos em salas grandes sem cama. Todos tinham que se deitar sobre o chão do cômodo, que era coberto apenas por capim. Acordavam por volta das 5h da manhã e eram enviados para os pátios, onde ficavam até 19h, todos os dias. “Barbacena é uma cidade muita fria. Até hoje tem temperatura muito baixa para os padrões brasileiros. Pessoas eram mantidas nuas nos pátios em total ociosidade. Pensa bem que condição sub-humana”, disse a jornalista.
Além disso, a alimentação na Colônia era precária, o que causou a desnutrição e, consequentemente, o desenvolvimento de doenças em vários dos “pacientes”. “Eles tinham uma alimentação muito pobre, de pouca qualidade nutritiva. Muitas pessoas passavam fome. Tem histórias de gente que em momento de desespero comeu ratos ou pombas vivas. (…) As pessoas acabavam tendo sede e bebiam urina ou esgoto porque tinha fossas no pátio. Não tinha nenhuma privacidade. Até 1979 era assim, faziam xixi e coco na frente de todo mundo”, explicou.
O fato dos homens, mulheres e até crianças ficarem pelados o tempo todo criava um clima de promiscuidade no manicômio. Há relatos de mulheres que foram estupradas por funcionário. “Consegui depoimentos nesse sentido de (estupro e abuso sexual), mas não consegui provar. Tem um caso de uma mulher que disse ter engravidado de um funcionário. Certo é que havia uma promiscuidade incrível. As pessoas eram mantidas nuas, dormindo juntas nessas condições. Crianças eram mantidas no meio dos adultos”, lamentou.
Além das condições insalubres, o hospício chegou a ter 5.000 pessoas ao mesmo tempo, enquanto a capacidade original era para 200 pacientes. Nesses períodos de maior lotação, 16 pessoas morriam todos os dias. “Não era uma coisa determinada, não existia uma ordem (para matar). As coisas foram se banalizando. Um funcionário via que outro fazia tal coisa com o paciente e repetia. As pessoas deixaram as coisas acontecerem. Não tinha essa coisa de vamos fazer com essa finalidade. Era exatamente por omissão”, comentou.Venda de corpos
Mas a morte dava lucro. A autora do livro conta que encontrou registros de venda de 1.853 corpos, entre 1969 e 1980, para faculdades de medicina. “O que a gente não sabia e conseguimos descobrir, com a ajuda da coordenação do Museu da Loucura, foi que 1.853 corpos foram vendidos para 17 faculdades de medicina do País. O preço médio era de 50 cruzeiros. Dá um total de R$ 600 mil reais, se atualizarmos a moeda. Tem documento da venda de corpos. De janeiro a junho de um determinado ano, por exemplo, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) recebeu 67 peças, como eles mencionavam os corpos”, afirma.
Depois de algum tempo, o mercado deixou de comprar tantos cadáveres. Os funcionários passaram, então, a decompor os corpos dos mortos com ácido no pátio da Colônia, diante dos próprios pacientes, para comercializar também as ossadas.
O caos estabelecido na Colônia foi descoberto pela revista O Cruzeiro, que publicou em 1961 uma reportagem de denúncia de José Franco e Luiz Alfredo, entrevistado por Daniela Arbex no livro. A autora conta que, na época, houve comoção em torno do caso, mas as condições continuaram as mesmas no hospício. “Na época, o (ex-presidente) Jânio Quadros estava no poder. Ele falou que ia mandar dinheiro para a Colônia, falaram que ia fazer acontecer e nada. Não foi feito nenhum tipo de intervenção que fizessem os absurdos cessarem. De 1961 até 1979, a situação continuou tão grave quanto”, explica.
As “atrocidades” no hospício só começaram a diminuir quando a reforma psiquiátrica ganhou fôlego em Minas Gerais, em 1979. Hoje, o manicômio é mantido pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG) e conta com 160 pacientes do período em que o local parecia mais um “campo de concentração”. Ninguém nunca foi punido pelo genocídio.

terça-feira, 16 de julho de 2013

De galinhas e medicina - Janio de Freitas: O médico vem primeiro!


É sempre um alívio saber que, mesmo na grande mídia, ainda existe um resquício de bom senso. Nessa polêmica em torno das medidas do governo para promover melhoras no sistema público de saúde, tem sido muito chocante ver a reação corporativa e egoísta da classe médica, sempre contrária aos esforços do governo para levar mais profissionais ao interior.
Janio parte de uma premissa lógica. Em primeiro lugar, vêm os médicos. Não adianta nada o governo comprar equipamentos e aparelhar os hospitais sem profissionais para operá-los. E a presença de médicos sempre ajudará a sanar problemas estruturais, porque é o médico quem vai denunciá-los adequadamente às autoridades superiores. As estatísticas mostram que o Brasil tem pouco médico por habitante. Mais ainda: os médicos não querem trabalhar no serviço público, sobretudo nas regiões mais necessitadas.
O programa Mais Médicos, do governo federal, cujas inscrições já estão abertas, oferece salário de R$ 10 mil, mais uma “ajuda de custo” para o transporte de até R$ 30 mil.
Leia o artigo de Jânio:
Janio de Freitas: De galinhas e medicina
O que deve ir primeiro para o interior do País: o tão invocado equipamento básico ou o médico?
Janio de Freitas*, na Folha
O ovo ou a galinha.
O ovo já é colega íntimo dos médicos em serviços à vida, no seu papel de receptáculo de contaminações nele injetadas para a produção de vacinas. A galinha tem séculos de contribuição aos pacientes, sob a forma daquela santa canja que reanima muito doente, para maior prestígio da medicina. É natural que se juntem para mais um esforço de contribuição ao mais importante dos saberes humanos.
Faz sentido a ponderação dos contrários à contratação de médicos estrangeiros para o interior, por falta, lá, até dos mais simples recursos para atendimento (a ponderação das associações médicas exala odores de motivação real muito diferente). É diante desse argumento que o ovo e a galinha comparecem com a velha indagação de qual deles veio primeiro. Muito sugestiva no caso atual.
O que deve ir primeiro para o interior, o tão invocado equipamento básico ou o médico? Se for o equipamento, além de ficar inútil, não tem, por si só, poder de atrair quem lhe dê uso proveitoso. Jornais e tevê têm noticiado casos exemplares de municípios com instalações à espera de médicos, mesmo com remuneração melhor que a ofertada nas capitais.
O médico que é médico quase sempre tem alguma coisa a fazer para atenuar o sofrimento mesmo sem a instrumentação e o remédio adequados. Vemos isso, com frequência, nos acidentes. Eu mesmo já ansiei, na beira de uma estrada, por um médico que parasse ao menos para me dizer como estancar a hemorragia perigosa.
Se primeiro a chegar, o médico, além do efeito de sua simples chegada, e das imediatas orientações sanitárias que pode proporcionar, tem meios de requerer, reclamar, denunciar e acusar publicamente as responsabilidades pelo descaso com os recursos de que precisa. E pode romper, até com apoio judicial, o contrato não cumprido pelo contratante.
O que não faz sentido é estabelecer a priori que no interior não haverá sequer os recursos minimamente necessários. Isto é sacar sobre o futuro. Especialidade de economistas e jornalistas, não de médicos. Por que não experimentar com mil ou 2 mil médicos? Se a experiência com metade deles der certo, ou que seja um terço, um quarto, já se terá aprendido muito, mas, sobretudo, quanto alívio terá sido dado, quantas crianças terão deixado de sofrer, se não de morrer?
E, se a carência impeditiva está no interior, os grandes centros urbanos estão equipados para o atendimento à população, mínimo embora? Há três dias noticiava-se que o Hospital do Andaraí, pronto-socorro e referência em queimados no Rio, estava com as cirurgias suspensas por falta até do material mais simplório, como cateter. A desgraçada periferia de São Paulo inclui serviços médicos com o equipamento necessário? As cenas recentes em tevê não foram tomadas no Projac.
Essa discussão não é sobre médicos, hospitais, postos de saúde, equipamentos. É sobre doença, sofrimento, partos, mortes, crianças.


*Janio de Freitas: Um dos mais influentes jornalistas do País, já exerceu cargos importantes em grandes jornais e revistas e, atualmente, é colunista e membro do Conselho Editorial da Folha de S.Paulo
Fonte: Reproduzido do Blog Tijolaço

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Mulher: Como fazer um aborto legal

Semana passada saiu uma boa notícia no jornal: o Senado aprovou um projeto que assegura atendimento e tratamento em todos os hospitais do SUS para vítimas de estupro (falta a Dilma sancionar). 
Que ótimo, né? Só que um montão de gente respondeu incrédula ao meu tweet: ué, e já não é assim? 
Não, não é. Assim como nos EUA (com a diferença que lá o aborto é legalizado há quarenta anos), só porque o aborto é permitido por lei, não quer dizer que a mulher conseguirá realizá-lo. 
Então vamos só lembrar quem pode realizar um aborto legal aqui no Brasil. Por legal (só pra esclarecer aos energúmenos) eu não quero dizer bacana ou divertido, porque não existe mulher na face da Terra que acha cool fazer um aborto. Legal é porque está na lei. Apesar de vivermos num dos países com legislação mais restritiva do planeta em relação à interrupção da gravidez (apenas por sermos o país mais católico do mundo, o que não combina com Estado Laico), ele ainda é permitido em alguns poucos casos. 
Digo ainda porque, se o nefasto Estatuto do Nascituro for aprovado, aí caixão: o aborto será proibido em todos os casos, ou dependerá da decisão do juiz caso a caso. 
Mas, por enquanto, é assim (usei principalmente o texto de um folheto idealizado pelaCFemea e outras instituições feministas):

Toda mulher pode realizar o aborto legal, seguro e gratuito se quiser realizá-lo. O artigo 128 do Código Penal Brasileiro autoriza o aborto -- sem nenhuma punição -- quando:
- a gravidez põe em risco a vida da mulher. A gestante pode então realizar o aborto em qualquer hospital ou maternidade. 
- a gravidez for resultado de estupro. Atenção: a mulher não precisa ir à delegacia fazer o boletim de ocorrência nem pedir autorização judicial. Ela deve ir direto ao hospital ou maternidade que atende à mulher vítima de violência. Sua palavra deve ser considerada suficiente. Tudo que a mulher precisa levar é um termo de consentimento escrito, declarando expressamente que quer interromper a gestação, autorizando a equipe de saúde a realizar o aborto. Entretanto, o aborto só pode ser realizado até a 20a semana de gestação.
(No caso de meninas com menos de 14 anos, o Código Penal determina que, mesmo se a criança ou adolescente consentiu, pode ter havido violência. Se a menina engravidar, portanto, ela tem direito ao aborto. Ela deve pedir ajuda aos pais, se possível, para que a levem ao hospital. Se não for possível, ela deve procurar diretamente o hospital).
- a gravidez é de um fetocom anencefalia (sem cérebro). A mulher deve ir direto ao hospital. Com o laudo assinado por dois médicxs, o aborto do feto anencéfalo pode ser realizado a qualquer tempo da gestação. Não é preciso recorrer ao poder judiciário para obter autorização.
- a gravidez for de um feto com grave malformação. Neste caso não basta a mulher se dirigir a um hospital. Se ela tiver o parecer médico, pode pedir uma autorização do juiz para realizar o aborto. 

Certo? Vamos divulgar esses poucos casos em que o aborto é legal no Brasil, porque boa parte das mulheres desconhece esses direitos. E há enorme desinformação por parte dos profissionais de saúde também. Afinal, você costuma ver muitas matérias sobre como e quando realizar um aborto legal?
Por exemplo, pegue um grande site do governo federal. Procure no, sei lá, Portal Brasil por aborto. Ish, nada, né? Ok, talvez esteja nesta página específica sobre Saúde da Mulher. Ops, não. Entre as categorias, nenhuma que lembre aborto.
Bom, vai saber? Talvez na parte da violência contra a mulher, o governo diga que uma vítima de estupro pode abortar, e explique onde? Nada. É como se aborto legal não existisse no Brasil. E, na busca do site, digitar a palavra aborto vai te levar a escassas e velhas notícias.
Não foi à toa que, menos de um mês atrás, a ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, declarou que os "serviços de aborto legal estão absolutamente jogados às traças". O Brasil, esse país continental, possui apenas 65 instituições públicas que realizam o aborto legalizado.Esta tabela mostra sua distribuição desigual pelos Estados:
E este mapa, que eu tirei do ótimo dossiê de 2005 feito pelo Católicas pelo Direito de Decidir, dá uma ideia da dificuldade que é pras mulheres realizarem um aborto legal (imagine quem mora em Roraima, por exemplo):
Vi a notícia de que, em abril do ano passado, o Ministério da Saúde havia prometido ampliar, até dezembro de 2012, o número de hospitais que realizam aborto legal, de 65 para 95. 
Mas depois nunca mais se falou no assunto e, como esta excelente reportagem do Diário de Pernambuco é recente e continua falando de 65 hospitais, é porque a promessa ainda não se concretizou (perceba meu otimismo no ainda). 
tente encontrar quais são esses hospitais. Eu passei horas procurando e não encontrei nenhuma lista (me avise se encontrar). Em São Paulo, eis os endereços. Esses são os cinco hospitais que realizam o aborto em Recife. Em Belo Horizontetem este. Em Salvador, tem só um, o Iperba.
Não sei se o escamoteamento de informações sobre hospitais que fazem aborto legal é mais um sinal de que o governo é refém dos fundamentalistas cristãos, ou se é uma estratégia para não estigmatizar lugares e médicxs que realizam o procedimento. Entendo que a ala no hospital em que se faz o aborto não deve ser divulgada -- ninguém merece ter fanáticos "pró-vida" atrapalhando mulheres que já chegam lá em situação de vulnerabilidade --, mas sem os endereços, como as mulheres vão saber pra onde ir? E aí eu fico pensando: se até aborto legal é tratado como clandestino, imagine quão clandestino é um aborto clandestino, e como ele abandona a mulher a sua própria sorte.
Mais algumas informações:
É a mulher quem decide se quer continuar com a gravidez ou interrompê-la, nos casos previstos por lei. Ela não pode ser coagida por seu companheiro, por médicxs, pela família, por religiosos, ou por qualquer outra pessoa a interromper ou manter a gestação. 
Nenhum profissional de saúde deve agir com julgamentos, constrangimentos, discriminação ou qualquer outro tipo de violência. A mulher deve denunciar se houver maus tratos, omissão ou negligência. O médicx não pode citar objeção da consciência. O médicx em si pode ter questões pessoais contra o aborto, e por isso não realizá-lo, mas o hospital não tem esse direito. Logo, se um médico não quer fazer um aborto legal, o hospital deve apontar um médico que o faça.
Um profissional de saúde não pode denunciar uma mulher que tenha realizado um aborto. Isso vai contra seu código de ética profissional. A Constituição Federal estabelece que o sigilo profissional é inviolável. 
Se a mulher sofrer um processo de incriminação por ter praticado um aborto, ela tem o direito de ter acompanhamento de um advogadx ou defensor público.
A mulher que for presa por abortar tem o direito de permanecer em silêncio e pode se recusar a responder qualquer pergunta, para não produzir provas contra ela mesma. Ela também tem o direito de se comunicar com um advogadx e com a família imediatamente. 

Atenção: Se uma mulher estiver passando por um aborto, seja espontâneo ou provocado, deve ficar atenta a alguns sinais e procurar o serviço de saúde mais próximo:
- dor intensa no pé da barriga;
- muito sangramento, a ponto de esgotar um absorvente em menos de uma hora;
- secreção com mau cheiro;
- febre, calafrio, e/ou muito cansaço;
- desmaio, tonturas, perda de consciência. 

Ligue grátis: 180. SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência): 192.
Mais material pra você ler: 20 anos de pesquisas sobre aborto no Brasil. E oexcepcional guia da Anis (Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero), com 139 perguntas e respostas sobre aborto legal. 
Não é só pela descriminalização do aborto ou contra o Estatuto do Nascituro que precisamos lutar. É também para que o Estado cumpra o que manda a lei e ofereça a possibilidade de aborto para quem quiser.