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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Lula lidera todos os cenários para 2026, mostra pesquisa Quaest; veja simulações

Foto: Reprodução/Instagram

Pesquisa
Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (3) aponta o presidente Lula como favorito para 2026. O petista aparece com o maior índice de intenções de voto nos cenários testados e venceria os principais nomes da direita em um eventual segundo turno. A pesquisa, no entanto, mostra que a vantagem do presidente em relação aos seus adversários caiu consideravelmente em relação a dezembro.

De acordo com levantamento feito no último mês de 2024, por exemplo, Lula venceria o governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas (Republicanos) com 26 pontos de frente; essa diferença caiu para nove pontos agora. Contra o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), a vantagem caiu de 34 para 19 pontos no mesmo período. No cenário mais apertado, o presidente aparece à frente do sertanejo Gusttavo Lima, com 41% das intenções de voto a 35%.

Há um empate técnico entre rejeição e aprovação de Lula: 49% dos eleitores conhecem o presidente, mas não votariam nele nas eleições, e 47% conhecem e votariam nele em 2026.

Segundo o diretor do instituto Quaest, cientista político Felipe Nunes, a nova pesquisa mostra que as eleições presidenciais de 2026 estão longe de uma definição. “Se o bolsonarismo e a direita moderada se fragmentarem, o quadro fica imprevisível. Até Ciro Gomes teria chances de enfrentar Lula com a divisão total da direita e da direita radical bolsonarista” avalia. “Isso indica que a oposição vai precisar mais do que os erros do governo para ser competitiva em 2026, ela vai precisar se organizar e se apresentar com alguma unidade para terem um candidato forte contra o incumbente”, observa.

O levantamento mostra que 78% dos eleitores não conseguem dizer espontaneamente em quem votariam se as eleições fossem hoje. “Lula teria 9% e Bolsonaro outros 9%, em uma demonstração da fraqueza e da força dos dois ao mesmo tempo”, diz Felipe Nunes.


Nos quatro cenários de primeiro turno analisados — que não incluem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente inelegível —, Lula lidera todas as simulações. Suas intenções de voto variam entre 28% e 33%, dependendo da composição da disputa. Em um dos cenários com maior número de candidatos, Lula registra 30% das intenções de voto. Em seguida, aparecem o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, com 13%, o cantor Gusttavo Lima, que demonstrou interesse em concorrer à Presidência, mas ainda não tem partido, com 12%, e o ex-coach Pablo Marçal (PRTB), com 11%. Ciro Gomes (PDT), veterano em eleições presidenciais, marca 9%, ficando à frente dos governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (União Brasil), ambos com 3%. Nesse cenário, 14% dos eleitores optariam por votos brancos ou nulos, e 5% se declaram indecisos.

Em outro cenário, onde Tarcísio é substituído pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), Lula mantém a liderança com 28% das intenções de voto. Gusttavo Lima e Pablo Marçal aparecem com 12% cada, enquanto Eduardo Bolsonaro soma 11%. Ciro Gomes alcança 10%, Romeu Zema 5%, e Ronaldo Caiado se mantém com 3%. Nesse caso, os votos brancos e nulos permanecem em 14%, e 5% dos eleitores estão indecisos.


O diretor do instituto Quaest, Felipe Nunes, fez uma análise em seu perfil no X sobre os principais resultados da pesquisa:Lula lidera em todos os cenários de segundo turno, segundo pesquisa Genial/Quaest. Se a eleição fosse hoje, o presidente venceria todos os possíveis adversários. O cenário mais competitivo seria contra Gusttavo Lima, com Lula obtendo 41% dos votos e o cantor, 35%. Nos outros cenários, Lula supera Eduardo Bolsonaro (44% x 34%), Pablo Marçal (44% x 34%), Tarcísio de Freitas (43% x 34%), Romeu Zema (45% x 28%) e Ronaldo Caiado (45% x 26%).

Gusttavo Lima se destaca pelo alto reconhecimento e imagem positiva. Com quase 80% de conhecimento nacional, o cantor supera políticos como Tarcísio, 

Zema e Caiado. Esse reconhecimento é uma vantagem competitiva, já que a visibilidade é essencial para atrair votos.
Falta unidade na oposição. Apesar de 49% dos eleitores reprovarem o governo Lula, nenhum nome da oposição conseguiu mobilizar totalmente esse eleitorado. Parte dos críticos ao governo optaria por votos brancos, nulos ou abstenção.

Vantagem de Lula diminuiu em um mês. Em dezembro de 2023, Lula liderava Tarcísio por 26 pontos; agora, a diferença caiu para 9 pontos. Contra Caiado, a vantagem caiu de 34 para 19 pontos no mesmo período, indicando uma queda na popularidade do presidente.

Potencial de crescimento dos candidatos. Ao analisar a intenção de voto em relação ao grau de conhecimento, Caiado tem 81% de apoio entre quem o conhece, Zema 74%, Tarcísio 62%, Marçal 50%, e Gusttavo Lima e Eduardo 

Bolsonaro, 44%. Governadores como Tarcísio, Zema e Caiado têm potencial para crescer nacionalmente se conseguirem replicar a imagem construída em seus estados.

Destaques da pesquisa:Jair Bolsonaro permanece como o nome mais forte da oposição, mas está inelegível.

Fernando Haddad, como ministro da Fazenda, tornou-se a liderança mais rejeitada, com 56% de avaliação negativa.

Cenários de primeiro turno. Lula mantém um piso histórico de 30% dos votos. Se a oposição se unir em torno de um nome como Gusttavo Lima, ele teria chances de chegar ao segundo turno. Caso a direita se fragmente, o cenário fica imprevisível, abrindo espaço até para Ciro Gomes.

Eleição 2026 ainda indefinida. 78% dos eleitores não sabem em quem votariam se a eleição fosse hoje. Lula e Bolsonaro têm 9% de intenção de voto cada, mostrando tanto a fraqueza quanto a força dos dois polos políticos.

Metodologia da pesquisa. A Quaest ouviu 4.500 pessoas entre 23 e 26 de janeiro, com margem de erro de 1 ponto percentual e 95% de confiabilidade. O estudo foi encomendado pela Genial Investimentos.

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Veja quantos votos Lula e Bolsonaro receberam em cada municípios no 2º turno

Foto: Site do TRE

O Congresso em Foco apresenta, no mapa interativo abaixo, o resultado da votação em segundo turno para presidente da República no Distrito Federal e em cada um dos 5.568 municípios brasileiros em 30 de outubro de 2022.

Na eleição mais disputada da história do país desde a redemocratização, Lula (PT) foi eleito com 60.345.999 votos (50,90% dos válidos), derrotando Jair Bolsonaro (PL), que recebeu 58.206.354 votos (49,10% dos válidos). O mapa também permite a você comparar a votação deste ano com a de 2018, quando Bolsonaro venceu Haddad, por 55,13% a 44,87% dos votos válidos.

Selecione o estado, aguarde alguns segundos para o mapa carregar e passe o cursor por cada município. Também é possível buscar as informações pelo nome da cidade. As cidades marcadas em vermelho foram vencidas pelo candidato do PT no segundo turno, enquanto as de azul deram a vitória a Bolsonaro. Os dados a seguir são do TSE, e a arte, de Thiago Freitas.

Flourish logoA Flourish map


FONTE: Congresso em Foco 

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Lula cresce e chega a 48,6% dos votos válidos, diz pesquisa CNT/MDA

Créditos: Ricardo Stuckert

Pesquisa MDA, encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), divulgada nesta terça-feira (30) mostra uma variação positiva de Lula (PT), que chega a 48,6% dos votos válidos. O petista oscilou um ponto para mais desde a última pesquisa do instituto, divulgada em maio, e chegou a 42,3% do total de votos.

Jair Bolsonaro (PL) oscilou dois pontos para mais e tem 34,1% - 39,2% dos válidos. Ciro Gomes (PDT) vem em seguida, mantendo a faixa dos 7% da pesquisa anterior. Simone Tebet (MDB) tem 2,1%. Os demais candidatos somados atingem 1,1% das intenções de votos. Brancos e nulos são 5% e indecisos 7,8%.

Na pesquisa espontânea, quando não são mostrados os nomes dos candidatos, Lula subiu 4 pontos, de 33% para 37%. Bolsonaro foi de 27% para 32%, enquanto os outros candidatos oscilaram um ponto para menos, sendo citados por apenas 6% dos entrevistados. Brancos e nulos são 5% e indecisos 20% nessa modalidade.

"Na espontânea, Lula e Jair Bolsonaro alcançam 69% das citações, 36 pontos percentuais a mais do que os dois melhores colocados na pesquisa eleitoral do mesmo período em 2018, evidenciando a alta polarização entre os candidatos", diz Marcelo Souza, diretor Instituto MDA.

Os dois candidatos são os que mais concentram eleitores que dizem que a escolha é definitiva: 85,3% dos que votam em Bolsonaro e 83,9% entre aqueles que votam em Lula. Já no eleitorado de Ciro, 53,4% dizem que podem mudar. Entre os que declaram voto em Simone Tebet, esse índice chega a 55,8%.
Segundo turno

Lula segue vencendo todas as simulações de segundo turno. Contra Bolsonaro, a vitória é de 50,1% contra 38,8% - era 51% a 37% em maio.

Com Ciro como adversário, o petista vence por 46,8% a 29,9%. Contra Simone Tebet o placar é de 49,7% contra 24,9%.

Já Bolsonaro vence a emedebista por 41,6% a 35%, mas perde para o pedetista por 44,1% contra 39,8%.

A pesquisa ouviu 2.002 eleitores de forma presencial entre os dias 25 e 28 de agosto. A margem de erro é de 2,2 pontos e o nível de confiança de 95%. O registro no TSE é BR 00950/2022.

Leia a íntegra


sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Lula precisa ser solto imediatamente após decisão do STF, diz jurista

Apoio a Vigília de Lula Livre - Sinasefe

O ex-presidente Lula deve ser solto a qualquer momento após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) contrária a prisão em segunda instância. Na visão do advogado Gustavo Polido, especialista em Direito Penal e Processo Penal, a decisão do STF tem efeito imediato. "Mas provavelmente, por ser o caso que é, vão mandar para publicação no diário oficial e após a publicação terá validade", avalia o advogado.

O ex-presidente foi preso após receber condenação em segundo grau pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no caso do triplex do Guarujá. Como o julgamento do STF foi de repercussão geral, todos os processos em que tiverem presos nesta situação do ex-presidente Lula, o juiz deveria soltar de ofício, ou seja, sem a necessidade da defesa entrar com pedido.

"Na prática o que deveria acontecer: todos os juízes de primeiro grau que tem presos em primeiro recurso ou tribunal, deveriam sozinhos mandar soltar os presos sem que a defesa se manifeste.
Mas como tem muitos presos, os advogados precisarão entrar em contato com o juiz ou tribunal", relata Gustavo.

De maneira geral, o magistrado tem até cinco dias para analisar petições, porém, por se tratar de um réu preso, a análise do pedido deve ser imediata.

Para Gustavo Polido não há argumentos jurídicos para manter o ex-presidente Lula preso após a decisão do STF desta quinta-feira (7). "Não haveria argumento jurídico para manter a prisão dele e nem a de ninguém que está preso em segundo grau", afirmou.

Condenados em segunda instância

Além do ex-presidente Lula, outros 37 condenados pela operação também sofreriam impactos positivos com uma mudança de entendimento, de acordo com nota da força-tarefa, que se pronunciou a favor da prisão em segunda instância.

Além dos procuradores da Lava Jato, movimentos sociais e políticos também reagiram ao julgamento no Supremo. Quando foi divulgado que o assunto seria analisado, a Comissão de Constituição de Justiça da Câmara colocou em pauta um projeto de lei que prevê a prisão em segunda instância. Já um grupo de 41 senadores entregou nesta semana uma carta ao presidente da Corte pedindo que ele vote a favor da prisão em segunda instância.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

A primeira aparição pública de Lula desde a prisão.


"Quando eu fizer um comício vou chamar o sr. para participar". Em depoimento de aproximadamente 50 minutos ao juiz Marcelo Bretas, o ex-presidente Lula fez sua primeira aparição pública desde que foi preso. Veja a íntegra

Em depoimento de aproximadamente 50 minutos à Justiça Federal nesta terça-feira (5), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou desconhecer qualquer ato envolvendo compra de votos para viabilizar o Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.
“O Brasil já era grande demais e já estava capacitado a fazer a as Olimpíadas. O governo brasileiro tinha o compromisso de defender o Rio de Janeiro”, disse. “Até então, fora o México (os jogos olímpicos), só tinha sido feito em país rico.”
“Lamento que venha uma denúncia de compra de delegados oito anos depois. Não sei quem fez a denúncia e não me interessa saber. Estamos num momento de denuncismo”, afirmou Lula ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.
O ex-presidente prestou depoimento como testemunha de defesa do ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral, por videoconferência. Cabral é acusado de ser parte de um esquema de compra de votos em favor do Brasil como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.
O juiz afirmou que Lula “é uma figura importante no nosso país, é relevante sua história para todos nós”. O magistrado se incluiu entre as pessoas para as quais o ex-presidente foi importante.
“Aos 18 anos, estava aqui num comício com um milhão de pessoas e usando um boné e a camiseta com seu nome”, contou. O petista respondeu: “Pode usar agora. Quando eu fizer um comício vou chamar o senhor para participar”.
Lula demonstrou bom humor mesmo antes do depoimento. Ao se ver na imagem do vídeo, comentou: “Estou bonito, hein? Essa gravata é da conquista das Olimpíadas”.
O suposto esquema envolveria dirigentes africanos. Lula lembrou que as relações do Brasil com as nações da África, no período de seu governo, eram parte de suas prioridades em política exterior.
“Viajei 34 vezes para a África, abri 19 embaixadas na África. Isso dava aos africanos quase uma irmandade com o Brasil. Eu brigava para que continentes pobres tivessem direito de realizar Olimpíada”, disse.
Segundo o Ministério Público Federal, Cabral, o ex-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB) Carlos Arthur Nuzman e o ex-diretor Leonardo Gryner teriam efetuado pagamento de US$ 2 milhões ao membro do Comitê Olímpico Internacional (COI) Lamine Diack, do Senagal.
“Eu não sei qual o critério do cidadão (que fez a denúncia). Esse cidadão não deve saber nada. O ambiente no COI era de muita seriedade”, disse Lula.
VÍDEO:

terça-feira, 24 de abril de 2018

Acabou a farsa, Lula Livre


Resta aos órgãos de fiscalização e controle e ao Juízo da 13ª Vara de Curitiba explicarem para sociedade brasileira o que revelou a ação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e da Frente de Luta Povo Sem Medo, quando ocuparam o triplex atribuído ao ex-presidente Lula. De acordo com as imagens capturadas de dentro do imóvel, não é possível identificar onde está alocado o R$ 1,2 milhão em reformas pagas pela empreiteira OAS, em forma de propina, como atesta a decisão do referido Juízo, na sentença que condenou o ex-presidente. As imagens revelam definitivamente que Lula é um preso político e deve ser libertado imediatamente.

Os conselhos nacionais da Justiça e do Ministério Público incorrerão em prevaricação com suas prerrogativas, caso não abram inquéritos investigativos para apurar revelações dignas de um grande prêmio de jornalismo. Os dois grupos jogaram por terra a condenação contra o ex-presidente. A farsa acabou. Além de o imóvel estar em nome de um fundo de investimento da Caixa Econômica Federal, não há sinais da nababesca reforma, com elevador privativo, como acusou a Força Tarefa e mostrou a intensa veiculação de imagens relacionadas a ela, por vários veículos de imprensa.

A perseguição ao Lula está fazendo vergonha até nos mais fiéis apoiadores da Operação Lava Jato. Os dois movimentos arrancaram-lhes o que restava de argumentos para condenar Lula pela posse daquele muquifo. Querem que a sociedade acredite em contos de fadas. Segundo eles, Lula teria orquestrado o maior esquema de corrupção da história da humanidade, no qual se teria movimentado centenas de bilhões e teria colocado seu nome e sua reputação em jogo por aquele apartamento de quinta categoria. Uma vergonha para o MPF, para a PF e para o Judiciário. E uma afronta à sociedade, que é chamada de idiota.

A ação confirma o que já vimos denunciado há mais de um ano, que Lula é um perseguido político por forças reacionárias, a serviço de interesses estrangeiros. A condição do Brasil como objeto de cobiça de nações centro de poder passa distante da consciência geral da população, pois esta não conhece o seu patrimônio energético e as empresas brasileiras capazes de extrai-lo e transformá-lo em produtos para a sociedade. Toda essa perseguição a Lula está dentro de um plano maior, em que está em jogo a soberania nacional, a nossa autodeterminação de decidir como e onde serão investidos os nossos recursos.

A/Os parlamentares da direita representam o que há de mais atrasado na sociedade mundial, a elite brasileira. Oriunda da Casa Grande, improdutiva que é, embrenhou-se nas estruturas do Estado, desde as suas origens e, de dentro dele promove a sua destruição. Proprietária de mais de 300 parlamentares no Congresso Nacional e do traidor decorativo, Temer, a elite determinou a seus títeres a venda do patrimônio brasileiro, sem consultar os brasileiros. A farsa do triplex se mantém para tirar de cena quem mais investiu em nossas estatais, projetando-as entre as maiores do mundo. Porém, para a elite, país altivo e soberano somente alguns do hemisfério Norte.

É lamentável saber que este País é liderado por uma gente que o odeia e do qual pretende absorver o máximo de seus bens em benefício próprio. Uma elite brejeira que se ufana de ser uma das maiores colônias agrícolas do mundo e não se peja de entregar as riquezas nacionais, como se suas fossem, por alguns caraminguás. Isso é tudo o que está acontecendo no Brasil. Enquanto uma gigantesca e escancarada mentira, à luz do dia, mantém o maior líder brasileiro em uma prisão política, o País é entregue aos interesses de outros países.

Diante dessa cena, uma população mobilizada aos espasmos, em ocasiões e locais pontuais. Não há uma indignação geral, expressada em ocupação diária das ruas, em uma clara e inarredável desobediência civil. O patrimônio brasileiro é muito maior que Lula e, sem resistência, será roubado dos brasileiros. Aliás, depois que a camarilha Temer tomou o governo de assalto, a Shell passou a levar o petróleo do pré-sal. É um governo tão atrasado que vende refinaria de petróleo e está vendendo a Petrobras, aos pedaços. Em seguida serão: Eletrobras, CEF, BB, Correios, Casa da Moeda e mais uma centena de ferramentas nacionais, construídas e mantidas com o suor e o sangue dos brasileiros. Para defender Lula e a nossa soberania, as ruas. Fora disso, é a submissão ao atraso.

Fonte: Brasil247

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Homens de bem comemoram no puteiro a prisão de Lula.

Não sei se eu já tinha ouvido falar em Oscar Maroni.
 
Ele é um "empresário de casa de entretenimento para adultos" (quais adultos? de que gênero? de que cor?) ou, pra usar um termo mais conhecido, um cafetão, um gigolô. Em outras palavras, vive de explorar mulheressexualmente. Já esteve preso por sonegar impostos e outros crimes. Ao pesquisar, vi que o sujeito é respeitado por reacinhas playboys da estirpe de Danilo Gentili. Ano passado Maroni se lançou candidato a presidente com o slogan "O Brasil está uma zona, e de putaria eu entendo". Foi filiado ao partido nanico PTdoB e candidato a prefeito de SP dez anos atrás e teve menos de 6 mil votos.

Neste final de semana, Maroni se superou. Ofereceu cerveja de graça a coxinhas que foram comemorar no seu puteiro em SP a prisão de Lula. Num discurso, o cafetão diz para um grupo de festivos conservadores que já transou com mais de 2.700 mulheres, e os virjões gritam "Mito! Mito!" (parece que essa palavra é adotada sem cerimônia por eleitores da direita. Serve para elogiar qualquer crápula preconceituoso). 

Em outro vídeo, Maroni aparece vestido de presidiário e exibe uma prostituta só de short, que tenta se esconder da multidão. O cafetão então a vira e chupa seu seio.

Noutro vídeo, Maroni promete cerveja de graça para todos se Lula for morto na cadeia. Um reaça pergunta, rindo, "E se for sofrida a morte?" (Maroni não estava brincando. Diz ele: "Minha palavra é que nem tiro: quando eu solto, não volta mais". Mas aparentemente tudo bem ameaçar ex-presidente. Pode até atirar em ônibus!). 

Em seu discurso aos reaças (convocados pelo MBL), Maroni diz a um de seus ídolos: "[Sérgio] Moro, você tem um vale vitalício, enquanto o seu pau funcionar, para frequentar o Bahamas Club". E ainda pede para a Polícia Federal e o Ministério Público sortear "cinco de vocês aí para frequentar o Bahamas Club".

A esta  altura, já está óbvio que este "brasileiro que voltou a acreditar na sua pátria" (como ele se definiu na sexta) é um attention whore. Quer chamar a atenção, custe o que custar. É o lema dos reaças: falem mal, mas falem de mim. Não existe publicidade ruim -- é o mote daquele outro que eles também chamam de mito. 

Ao falar dele, estamos dando a Maroni o que ele quer. Mas não dá pra não falar. Afinal, se a belíssima foto do jovem Francisco Proner é imagem da resistência à prisão de Lula (e desde já a foto do ano, digna de um Pulitzer), a imagem da comemoração da prisão de Lula é esta feita num puteiro, com faixas saudando os principais juízes de sua prisão, Carmen Lúcia e Sérgio Moro.

A imagem me causa ânsia. É um retrato fiel do machismo, e mais uma prova de que como o golpe contra Dilma foi, e continua sendo, misógino. O coro dos reaças festejando é totalmente masculino. O cafetão oferecendo a presa aos abutres é um "magnata do sexo" que mede seu valor pelo dinheiro que tem e por quantas mulheres conseguiu alugar. As únicas mulheres presentes nesse cenário são a prostituta e o cartaz da juíza. A juíza só é celebrada porque deu o voto que eles queriam, o de condenação a Lula. Mas apenas ao juiz macho cabe o "vale vitalício" para frequentar o puteiro. 

Não é apenas que a comemoração no prostíbulo exclui as mulheres. Ela usa as mulheres não para comemorar, mas como objeto de troca a ser comemorado. A prostituta nua sendo subjugada por Marconi não tem voz, não tem rosto, tem a boca coberta pelas mãos do patrão. Não parece feliz. Não parece estar comemorando coisa alguma. Minha sororidade a ela. 

Essa imagem só confirma o que conhecemos tão bem, pois somos alvos frequentes dos reaças -- que o lugar que eles reservam às mulheres é no puteiro ou no lar, para as "belas e recatadas" (depois reaças fingem não entender como tantas mulheres não votam na direita).



O cidadão de bem, o defensor da família tradicional, o homem honrado que quer fechar museus que vão contra a moral e os bons costumes, 
é justamente esse que leva o filho pra perder a virgindade num puteiro, que mataria a esposa (pra defender sua honra) se ela o traísse, mas não considera traição transar com prostitutas. É exatamente esse tipo de homem que ataca feministas nas redes sociais, pois nos vê como entraves para a sua liberdade -- a liberdade de seguir sendo o babaca que é sem ser criticado. 

Essa imagem, apesar de terrível e chocante, deve ser compartilhada (cobrindo a nudez; não por moralismo, mas por respeito à prostituta). Deve ser registrada porque é o espelho da nação que nos tornamos após o golpe de 2016. Uma nação em que cafetões ameaçam um ex-presidente enquanto cumprimentam juízes e bolinam mulheres.
 
Foi Marcela Campana, leitora do blog, feminista e mestranda pela PUC-SP, quem me pediu para escrever este post, embora eu esteja muito sem tempo. Deixo com vocês as palavras dela sobre mais esta marca lamentável dos misóginos:

A saga da condenação de Lula gerou um turbilhão de acontecimentos e imagens que com certeza ficarão para a história e devem ser interpretados não na sua especificidade meramente factual, mas no campo do simbólico.

No dia 5 de abril de 2018, confirmada a rejeição do STF ao pedido de habeas corpus de Lula e emitido o mandato de prisão pelo juiz Sergio Moro, começaram as comemorações dos opositores aos governos do PT. Nada inesperado, levando em consideração as paixões tristes que cercam a imagem de Lula e os anos de espera pela efetivação da punição. O inesperado aconteceu na total falta de critério na vinculação da indignação “contra a corrupção” de boa parte dessa “gente de bem” com personagens polêmicos.

No mesmo dia 5 de abril, começaram a circular pelas redes sociais (em especial o whatsapp, que é o recanto dos microfascismos) vídeos onde Oscar Maroni, conhecido por ser dono do Bahamas, uma casa de prostituição de um bairro nobre de São Paulo, ofereceria cerveja gratuita na frente de seu estabelecimento caso Lula fosse preso. Em outro vídeo ele declarou que se Lula fosse morto ele ofereceria cerveja durante o mês (“Se o Lula for preso, a cerveja é de graça até a meia noite. Agora, se matarem ele na prisão, a cerveja vai ser de graça durante o mês inteiro”, assinalou o empresário). Ao Moro ofereceu “um vale vitalício para frequentar o Bahamas Clube”, bem como a membros do MPF e da Polícia Federal.

Automaticamente, algumas páginas começaram a divulgar a “comemoração”, como a da agência de notícias falsas e polemização MBL, convocando seus seguidores. 

No dia 7 de abril, com a decisão de Lula de se entregar à Polícia Federal, um evento foi armado na frente do Bahamas, com direito a um show grotesco. Nasceu a imagem que sintetiza todo esse processo que testemunhamos: Oscar Maroni e uma mulher nua realizam o show, ele com gestos violentos e agressivos direcionados ao corpo feminino desumanizado, ao fundo a foto do juiz federal Sergio Moro e da ministra do STF Carmem Lúcia, segundo Maroni seus “exemplos de vida e dignidade”.

Rapidamente a imagem do fotógrafo Túlio Vidal, que cobria o evento, se alastrou, e questionou-se a figura de Maroni, conhecidíssima em São Paulo por responder (em liberdade) a diversos processos que vão desde sonegação de imposto até formação de quadrilha e tráfico de mulheres, sendo condenado em 2011 a 11 anos de prisão pelos crimes de favorecimento à prostituição e manutenção de local destinado a encontros libidinosos. 

Ou seja, comemorou-se a prisão de um ex-presidente na frente de um estabelecimento pretensamente regular em uma festa oferecida por um homem que responde a diversos processos e que vive de explorar mulheres, o que possibilitou que ele oferecesse milhares de reais em cerveja.

Movimentos que no ano passado atacaram exposições de arte com argumentos moralistas hoje se prestam a divulgar e vangloriar esse tipo de situação. 

A imagem que fica

O Facebook está derrubando posts que denunciam a hipocrisia das pessoas que foram "comemorar" a prisão do Lula. Na imagem registrada do "show" armado por Maroni para "pessoas de bem" que lutam contra a corrupção (ironia), foi usada uma mulher nua. A foto que circula demonstra a violência com a qual a cafetinagem age sobre o corpo feminino, e o espaço que a mulher pode ocupar frente ao homem, o de submissão. Os vídeos do momento não são menos grotescos

Que fique claro o que sempre esteve em jogo para esse grupo de pessoas: o bandido é o Lula, o empresário explorador de mulheres que responde a diversos processos é digno desse tipo de valorização e prestígio. O show é às custas da humilhação de mulheres, claro.
A imagem sintetiza que o discurso que permeia e justifica o ódio à Lula, “contra a corrupção”, na verdade mascara a essência do ódio pelo avanço das pautas igualitárias e progressistas, contra a conquista de direitos das minorias. A mobilização foi para que Maronis pudessem continuar fazendo um show desse tipo sem problemas. O operário foi preso, a primeira presidenta deposta, e os Maronis voltaram ao poder. Tudo está de novo no lugar. 

Apesar das falhas do PT, seus governos representam um avanço social, e isso devemos defender a todo custo. Que essa imagem resuma o que lutamos contra: o privilégio centrado na forma do patriarcado misógino, branco e rico, que hoje brada que "a lei deve ser para todos", enquanto anda livremente apesar dos diversos crimes que carrega nas costas, aplaudido pelos seus hipócritas semelhantes.
A nossa luta não pode parar.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

IBOPE: Lula segue na liderança absoluta da corrida Presidencial 2018

Uma pesquisa nacional do Ibope traz Lula com 35% a 36% das intenções de voto se as eleições presidenciais fossem hoje. Na sondagem espontânea, o ex-presidente aparece com 26%. 

Em segundo vem o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), com 13% a 15% na estimulada e 9% na espontânea. Em seguida, Marina Silva (Rede), com 8% a 11%, e 2% na espontânea.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito de São Paulo, João Doria, ambos do PSDB, aparecem com 1% na consulta espontânea, mesmo percentual de Ciro Gomes (PDT), Michel Temer (PMDB) e Dilma Rousseff (PT). Na pesquisa estimulada, Ciro, Doria e Alckmin ficam com 3% a 5%.

A pesquisa tem algumas curiosidades:

1. Traz o nome do apresentador de TV Luciano Huck (Globo), que não é citado espontaneamente, e chega 5% com Lula na disputa e a 8%, sem Lula.

2. Apresenta o banqueiro João Amoêdo, criador do Partido Novo, de orientação liberal conservadora, que consegue aparecer com 1% na pesquisa estimulada. Amoêdo preside o Citibank. Outro nome identificado com os bancos, o do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, também tem 1%.

3. Marina Silva é quem mais cresce, sem Lula na disputa, passando de 8% para 15%, empatada com Bolsonaro. Ciro vai de 3% para 7%.

4. A pesquisa foi feita há mais de uma semana, entre 18 e 22 de outubro, antes de Temer se livrar de denúncia na Câmara e de o governo vender partes do pré-sal. Mas só foi divulgada agora, e sem destaque em nenhum portal de veículo tradicional. A notícia ficou por conta do colunista de O Globo, Lauro Jardim, sem chamada de capa na edição impressa. 

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Lula interroga Moro: “Prestei depoimento a um juiz imparcial?”


Lula então rebateu: “Mas não foi o procedimento na outra ação”, referindo-se à condenação em primeira instância pelo suposto tríplex do Guarujá. Moro mudou o tom de voz, revelando sua irritação com a afirmação do ex-presidente, e disse: “Eu não vou discutir a outra ação. Se nós fôssemos discutir, não seria bom para o senhor”. Em seguida, Moro diz que vai interromper a gravação, mas antes teve que ouvir do ex-presidente: “Eu vou continuar esperando que a Justiça faça justiça nesse país”.

No início do interrogatório, após Moro informar que ele poderia ficar em silêncio, Lula afirmou que queria falar. “Apesar de entender que o processo é ilegítimo e injusto, eu pretendo falar. Talvez eu seja a pessoa que mais queira a verdade neste processo”, afirmou.

Moro, no entanto, demonstrou em vários momentos que preferia o silêncio de Lula. Em uma das ocasiões em que deu a palavra ao ex-presidente, o juiz da República de Curitiba afirmou que não era hora de “discurso de campanha”. “O senhor gostaria de dizer alguma coisa ao final, sr. ex-presidente? Só assim, senhor presidente [levanta a voz]: não é momento de campanha, não é momento de discurso, é para falar do objeto da acusação, se for o caso. Certo?”



 

Lula reforçou que as ações movidas contra ele se transformaram em perseguição para incriminá-lo e rebateu as acusações do Ministério Público Federal de que recebeu propina da Odebrecht. Disse que a Lava Jato tenta a todo custo transformá-lo no “Power Point” deles, sem provas, apenas convicção.

“Eles [a força-tarefa da Lava Jato] inventaram que o tríplex era meu porque O Globo disse e não é, o senhor sabe disso. Agora, inventaram que o apartamento é meu, e não é, e eles sabem disso. Como inventaram a história do sítio, que é meu, e não é. Ou seja, três denúncias do Ministério Público por ilação, porque eles têm a ideia de transformar o Lula no Power Point deles”, afirmou.

Sobre as acusações feitas pelo ex-ministro Antônio Palocci, Lula negou que tenha feito qualquer tipo de acerto ilícito com a empreiteira Odebrecht. “Se ele fosse um objeto, seria um simulador”, afirmou Lula, se referindo a Palocci.

O ex-presidente salientou que Palocci nem sequer era responsável por assuntos do Instituto, que é a base da acusação. ”Eu vi atentamente o depoimento do Palocci. Uma coisa quase que cinematográfica, quase feita por roteirista da Globo, sabe?”, destacou Lula. “Conheço o Palocci bem. O Palocci, se não fosse ser humano, seria um simulador. Ele é tão esperto que é capaz de simular uma mentira mais verdadeira que a verdade. O Palocci é médico, calculista, é frio”, afirmou.

Moro perguntou se nada do que o ex-ministro disse é verdadeiro. “Nada”, respondeu Lula. “A única coisa que tem de verdade ali é ele dizer que está fazendo a delação porque quer os benefícios da delação. Ou quem sabe ele queira um pouco do dinheiro que vocês bloquearam dele”, afirmou.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Socialite que chamou Lula de “marginal” é presa saindo do Brasil com mala de dólares


Socialite que costumava defender a bandeira da 'ética' nas redes sociais e que chamou Lula de “marginal” é presa pela Polícia Federal ao tentar sair do Brasil com uma mala cheia de dólares

A Polícia Federal prendeu na tarde do último sábado (05) Isabel Christine de Mello Távora, proprietária da CVC Manaus.
Ela foi presa no momento que tentava embarcar para Miami com grande quantia em dólares no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, na zona Oeste de Manaus.
A prisão foi efetuada por policiais da Polícia Federal
De acordo com os policiais que efetuaram a prisão da Isabel, os dólares foram encontrados dentro de uma mala.
Em depoimento a infratora confessou que iria levar o dinheiro para uma pessoa desconhecida, em Miami.
Nas redes sociais, Isabel militou a favor do impeachment de Dilma Rousseff e costumava defender a bandeira da ‘ética’, ‘contra a corrupção’.
A socialite chegou a publicar uma foto ao lado de uma placa de sinalização insinuando que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era “marginal”.

Condenação de Isabel na Operação ”Farol da Colina”

Isabel já foi presa em 2007 na Operação “Farol da Colina”, pela Polícia Federal, que desencadeou uma megaoperação em sete Estados brasileiros contra doleiros e pessoas ligadas a eles, acusados de evasão de divisas, sonegação, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
Na época, o Juiz Federal da 2ª Vara da Seção Judiciária do Estado do Amazonas, Márcio Coelho de Freitas, condenou Isabel Christine de Melo Távora a 6 (seis) anos de reclusão, em regime semiaberto e ao pagamento de 140 (cento e quarenta) dias-multa à razão diária de 5 (cinco) salários-mínimos, pela prática do delito descrito no art. 22, parágrafo único, da Lei 7.492/1986 e do art. 1º, caput, VI da Lei 9.613/1998 (fls. 253/262).

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Moro diz que condenou Lula sem ler documentos da ação "por falta de tempo"


Por Marcos de Vasconcellos, Consultor Jurídico
O juiz Sergio Moro conseguiu que sua vara ficasse dedicada apenas às ações da operação “lava jato”, mas afirma que “as centenas de processos complexos” o impediram de ler os documentos da ação na qual condenou o ex-presidente Lula.
Na sentença, publicada nesta quarta-feira (12/7), Moro assume que sua vara foi informada de que mandou interceptar o ramal central do escritório dos advogados de Lula, mas que os documentos “não foram de fato percebidos pelo juízo”, por causa do excesso de trabalho.
O caso veio à tona depois que a ConJur noticiou, em março de 2016, que o telefone central do escritório Teixeira, Martins e Advogados, que conta com 25 profissionais do Direito, havia sido grampeado por ordem de Moro.
No pedido de quebra de sigilo de telefones ligados a Lula, os procuradores da República incluíram o número da banca como se fosse da Lils Palestras, Eventos e Publicações, empresa de palestras do ex-presidente. O Ministério Público Federal usou como base um cadastro de empresas por CNPJ encontrado na internet.
À época das notícias, o juiz teve de se explicar ao Supremo Tribunal Federal. Em um primeiro ofício enviado ao Supremo, afirmou desconhecer o grampo determinado por ele na operação “lava jato”.
Em seguida, outra reportagem da ConJur mostrou que a operadora de telefonia que executou a ordem para interceptar o ramal central do escritório de advocacia Teixeira, Martins e Advogados já havia informado duas vezes a Sergio Moro que o número grampeado pertencia à banca.
Por causa da nova notícia, Moro teve de se explicar de novo ao Supremo. Dois dias depois de dizer não saber dos grampos, enviou outro ofício par dizer que a ordem de interceptação “não foi percebida pelo Juízo ou pela Secretaria do Juízo até as referidas notícias extravagantes” — sem citar nominalmente a ConJur, primeiro veículo a noticiar o problema.
Agora, na sentença do caso tenta se explicar novamente: “É fato que, antes, a operadora de telefonia havia encaminhado ao juízo ofícios informando que as interceptações haviam sido implantadas e nos quais havia referência, entre outros terminais, ao aludido terminal como titularizado pelo escritório de advocacia, mas esses ofícios, no quais o fato não é objeto de qualquer destaque e que não veiculam qualquer requerimento, não foram de fato percebidos pelo juízo, com atenção tomada por centenas de processos complexos perante ele tramitando”.
O juiz tenta jogar a questão para a Polícia Federal, afirmando que nos relatórios da autoridade policial quanto à interceptação, sempre foi apontado tal terminal como pertinente à LILS Palestras. E diz que até poderia interceptar ligações de Roberto Teixeira, pois ele também seria investigado.
Ainda segundo a sentença, não foram apontadas ou utilizadas quaisquer conversas interceptadas de advogados do escritório. “Então não corresponde à realidade dos fatos a afirmação de que se buscou ou foram interceptados todos os advogados do escritório de advocacia Teixeira Martins”, afirma o juiz de Curitiba.
Vale lembrar que o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil pediu ao ministro Teori Zavascki (morto em janeiro), então relator da “lava jato” no STF, que decretasse o sigilo e posterior destruição das conversas interceptadas nos telefones dos advogados de Lula.