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domingo, 14 de setembro de 2025

São Luís e o lixo urbano: quando a prefeitura insiste em enxugar gelo

UEB Darcy Ribeiro, foto de Juvencio Matos/TV Mirante em 2024,
situação ainda é a mesma hoje.

Por Jorge Antonio Carvalho*

Em São Luís, o problema da coleta de lixo deixou de ser apenas uma questão de limpeza urbana, tornou-se um reflexo da ausência de políticas públicas eficazes. Em diversos corredores da cidade, o lixo se acumula nos canteiros, é descartado fora dos dias de coleta e espalhado por animais e pessoas em busca de materiais reaproveitáveis. A prefeitura, sem planejamento e sem campanhas educativas, parece atuar como quem enxuga gelo: recolhe o lixo hoje, vê tudo voltar amanhã.

Corredores urbanos que viraram pontos de descarte

Três locais ilustram bem esse cenário:

Corredor da Avenida João Pessoa - Entrada do Bairro Filipinho:





Corredor da Avenida Africanos - do início das Franceses até semáforo das entradas do Coroado e Coroadinho.







Corredor da Avenida Vitorino Freire, lado do Bairro Madre Deus





Nesses pontos, comerciantes e moradores descartam lixo diariamente, ignorando os dias oficiais de coleta. A ausência de fiscalização e de ações educativas transforma esses espaços em pequenos lixões urbanos, com impacto direto na saúde pública e na imagem da cidade.

A prefeitura não dá conta e não articula

A justificativa da falta de pessoal para atuar casa a casa nesses entornos não pode ser desculpa para a inércia. A solução não está apenas em mais caminhões ou mais garis, mas em articulação. A prefeitura precisa buscar caminhos que envolvam a sociedade civil, instituições de ensino e órgãos ambientais.

Há alternativas viáveis e já testadas em outras cidades: envolver escolas públicas e privadas, universidades, agentes comunitários e até comerciantes locais em ações de educação ambiental. A juventude, por exemplo, pode ser mobilizada como força transformadora com oficinas, campanhas, sinalização e diálogo direto com a comunidade.

Segundo a Superintendência de Limpeza Pública (SULIP), a coleta domiciliar é realizada em dias alternados nos bairros e diariamente nas principais avenidas. A orientação é que o lixo seja acondicionado em sacos plásticos e colocado na porta cerca de duas horas antes da coleta. No entanto, a prática cotidiana em muitos desses pontos revela que essa programação não é respeitada e tampouco fiscalizada.

Além disso, a Patrulha Ambiental de São Luís, criada para fiscalizar o descarte irregular, atua com base no Decreto Municipal nº 58.614/2022, que regulamenta o Sistema de Limpeza Urbana e Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos. Ainda assim, segundo levantamento de entidades locais, a cidade possui cerca de 500 pontos de descarte irregular, evidenciando a insuficiência das ações de fiscalização.

Caminhos possíveis: educação e protagonismo comunitário

A solução para o problema não se resume à ampliação da coleta. É necessário investir em campanhas permanentes de educação ambiental, com envolvimento direto da comunidade. A articulação com escolas, universidades, comerciantes e agentes comunitários pode transformar a cultura do descarte e promover responsabilidade coletiva.

Experiências locais demonstram que o protagonismo juvenil, aliado à formação cidadã, pode ser um vetor de mudança. Oficinas, sinalização educativa, ações culturais e diálogo direto com moradores são estratégias viáveis e de baixo custo que podem ser incorporadas à política pública municipal.

Espaço aberto ao poder público e à sociedade

Este espaço permanece aberto à manifestação oficial da Prefeitura de São Luís, caso deseje esclarecer à população sobre medidas já adotadas ou em fase de implementação nos pontos citados. A transparência institucional é essencial para que a sociedade compreenda os desafios enfrentados e acompanhe os avanços propostos.

Da mesma forma, este artigo convida a comunidade moradores, comerciantes, educadores e estudantes a refletir e participar ativamente da construção de soluções sustentáveis. A transformação dos bairros começa com o engajamento coletivo e com o fortalecimento de práticas cidadãs que promovam saúde, respeito ao meio ambiente e qualidade de vida

A cidade precisa parar de apagar incêndios e começar a construir soluções. O lixo não é apenas um problema de coleta é um problema de cultura, de gestão e de prioridade.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do blog


sexta-feira, 30 de maio de 2025

Arborização Urbana em São Luís: Desafios e Caminhos para um Futuro Mais Verde

Avenida em São Luís (Foto:Blog do Ed Wilson)

A arborização urbana é essencial para o equilíbrio ambiental e a qualidade de vida nas cidades, influenciando o conforto térmico, a biodiversidade e a saúde pública.

No Brasil, segundo dados do Censo Demográfico 2022, divulgado pelo IBGE a distribuição de áreas verdes varia entre as capitais, refletindo diferentes níveis de planejamento urbano.

No Nordeste, segundo o IBGE, Fortaleza lidera a arborização, com 59,7% da população vivendo em ruas com árvores. No entanto, São Luís enfrenta uma realidade preocupante, com apenas 34,3% das vias arborizadas.

Avenida em Fortaleza (Foto: Diário do Nordeste)

Os desafios da capital maranhense são diversos. O crescimento urbano desordenado contribuiu para a baixa cobertura vegetal, sem uma política clara de preservação ambiental. O baixo investimento e lentidão na execução de políticas públicas impedem avanços concretos na arborização. A ausência de vegetação intensifica os impactos climáticos, causando ilhas de calor e aumentando o risco de enchentes. Além disso, a falta de conscientização e participação popular dificulta a adoção de práticas sustentáveis.

Ranking de arborização das capitais do Nordeste:

Posição

Capital

% da população vivendo em vias arborizadas

Fortaleza

59,7%

Teresina

57,7%

Natal

55,2%

João Pessoa

53,2%

Recife

51,1%

Maceió

46,2%

Aracaju

44,3%

São Luís

34,3%


Caminhos para um Futuro Mais Verde


Mesmo com diretrizes estabelecidas no Plano Diretor de São Luís e iniciativas de universidades e entidades ambientais, a cidade ainda carece de planejamento e fiscalização adequados. Para reverter esse quadro, é necessário aumentar os investimentos em infraestrutura verde, fortalecer o planejamento urbano e envolver a população no processo de conservação ambiental. A arborização não é apenas estética, mas uma estratégia essencial para tornar São Luís mais sustentável e resiliente diante das mudanças climáticas.





quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Ceará é o único estado em que gás do lixo vira combustível para distribuição

5% de todo o gás canalizado do Ceará vem do lixo. Sustentabilidade é isso! 
 Foto: Reprodução/Gasmig

O Ceará é o único estado do país em que o gás do lixo de aterros vira combustível e é injetado diretamente na rede de distribuição para moradores. Detalhe: a quantidade é significativa: 15%!

Sim, 15% do gás que abastece o Ceará inteiro vem de resíduos tratados, segundo uma reportagem do Fantástico. O aterro sanitário de Caucaia, próximo a Fortaleza, consegue receber e tratar 6 mil toneladas de resíduos por dia.

Quando se decompõem, os restos de comida produzem gás metano, que é captado e transformado em combustível para diversos usos. O processo, além de reduzir a emissão de gases de efeito estufa, contribui para a preservação ambiental!

Vanguarda no país

O Ceará mais uma vez está exportando bons exemplos para o país, não é?

Para Hugo Nery, diretor-presidente da Marquise Ambiental, os benefícios do GNR, o gás natural renovável, não são apenas financeiros. Trata-se também de uma questão de cuidar do planeta.

“É um produto extremamente verde, renovável, e além disso, faz sentido financeiro, porque ela está pagando mais barato do que o gás de petróleo”, explicou em entrevista ao JN.

Quando não é tratado, o metano, produzido pelo lixo, é um dos principais vilões do clima. Sem os cuidados necessários, ele vai para a atmosfera e aquece o planeta.

Vantagens do gás natural

Sim, o processo é um ganha-ganha.

Uma das principais vantagens é o fato de o combustível ter um impacto ambiental reduzido, já que a emissão de gases poluentes em relação aos derivados do petróleo e carvão é significativamente menor.

Além disso, o processo garante uma alta produtividade e um maior nível de segurança, uma vez que o produto não precisa ser armazenado em vasilhames.

O transporte também se beneficia, pois o GNR é transportado via gasodutos, o que garante maior agilidade e dinamismo.

O aterro sanitário de Caucaia, consegue receber e tratar 6 mil toneladas de resíduos por dia
Foto: JN
O que é o GNR

O gás natural renovável é muito diferente de combustíveis fósseis.

À medida que materiais biodegradáveis, como óleo de cozinha usado, resíduos de animais, lodo e efluentes, entre outros, se decompõem, o metano é liberado.

Depois, ele é capturado e convertido durante um processo em GNR.

Como o metano é o principal componente do gás natural, o GNR pode ser usado em motores a gás natural sem precisar de modificações.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Como o Brasil poderia melhorar a destinação do seu lixo

Brasil gerou 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2023.
Na foto, um local de triagem de lixo no DF. (
Foto: CentCoop)

Um quilo de lixo por dia. Isso é o que cada brasileiro em média descarta de itens variados como alimentos,
plástico, papelão, vidro, metais, roupas e calçados e equipamentos eletrônicos.

É muito lixo. Em 2023, seria o suficiente para encher dois mil estádios do Maracanã, segundo cálculo da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema).

Naquele ano, o Brasil gerou no total 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU). E apenas parte disso é coletada e vai parar no destino adequado.

Segundo um relatório da Abrema, o país coletou naquele ano 75,6 milhões de toneladas de RSU, das quais 69,3 milhões foram encaminhadas para disposição final, ou seja, 86% do total de lixo produzido.

Do montante encaminhado para disposição final, apenas 58,5% acabaram em aterros sanitários legalizados – um número considerado baixo por especialistas. Os outros 41,5% foram parar em lixões, aterros irregulares, terrenos baldios, ruas, valas, córregos e rios, segundo o levantamento.

A taxa de reciclagem é baixa. Do total de RSU produzido, 8,3%, ou 6,7 milhões de toneladas de material reciclável como papel, plástico, alumínio e vidros, foram enviadas pela coleta pública ou por catadores para o reaproveitamento.

Disparidades regionais

A região Sudeste é a campeã na geração de resíduos, com 452 kg por habitante ao ano, o que equivale a 1,237 kg por habitante por dia. A região é responsável por gerar 39,9 milhões de toneladas anuais, ou metade do total nacional.Na outra ponta, está a região Sul, com 284 kg anuais por habitante, ou 0,779 kg diários. Os dados estão no Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, da Abrema.

Quando o assunto é coleta, as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste estão acima da média nacional, com 97,2%, 98,8% e 95,2% dos resíduos coletados, respectivamente. Já as regiões Norte e Nordeste coletaram aproximadamente 83% do lixo produzido, sendo o restante descartado a céu aberto, como em lixões, terrenos baldios e áreas públicas.

"Se compararmos a situação do Brasil com a da União Europeia ou dos Estados Unidos, por exemplo, a geração de RSU é moderada. O problema não é só consumir demais ou de menos, mas sim a responsabilidade com a qual lidamos com aquilo que é consumido, ou seja, a destinação que damos a esses resíduos", pontua Karin Brüning, cientista e ambientalista que atua no ramo de educação ambiental.

Atualmente o Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do mundo, ficando atrás apenas de Estados Unidos, China e Índia.

Caminhos para a melhor gestão dos resíduos

Um dos lixões irregulares que acabam servindo de depósito a céu aberto é o do município de Envira, no estado do Amazonas, próximo da divisa com o Acre. O lixão existe há 10 anos e ameaça a terra indígena Cacau do Tarauacá, onde moram 320 indígenas do povo Kulina.

"A presença de lixões irregulares e a baixa taxa de reciclagem são pontos que precisamos melhorar através de campanhas com a população e incentivo público para os municípios investirem na coleta seletiva e na manutenção de aterros sanitários legalizados", diz Pedro Maranhão, presidente da Abrema.

Especialistas apontam que uma união de esforços da população e do governo poderiam solucionar o problema. Mas para isso é necessário que se priorize políticas de redução, reutilização e reciclagem para enfrentar o problema da geração de resíduos sólidos urbanos.

"Um ponto importante é incentivar a coleta seletiva. Criar ecopontos, carros de coleta seletiva e medidas educacionais para a população. Todo esse subsídio de informação, de oferecer facilidades para a separação e direcionamento correto do lixo, faz com que se abram caminhos logísticos para que a sociedade possa direcionar o seu lixo e automaticamente aumentar a reciclagem", diz o biólogo Bruno Reis, especialista em licenciamento ambiental.

Oportunidade para produção de combustível

Já os resíduos orgânicos, que compõem quase a metade dos resíduos sólidos urbanos, podem ser reciclados por meio da compostagem ou biodigestão, o que poderia produzir biometano ou biogás e reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa.

Atualmente, menos de 0,2% desses materiais são transformados em gás natural através da decomposição dos resíduos orgânicos depositados nos aterros sanitários brasileiros. Esse gás passa por uma purificação e então dá origem ao biometano.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), apontam que o Brasil tem seis plantas de produção de biometano localizadas em aterros sanitários, número considerado baixo pelos especialistas ouvidos pela reportagem. Essas plantas ficam três em São Paulo, duas no Rio de Janeiro e uma em Fortaleza.

Resíduos orgânicos podem ser usados para produzir biometano ou biogás
(
Foto: Henry Milleo/dpa/picture alliance)

"Precisamos pensar em outras fontes de combustíveis que não sejam o fóssil, uma alternativa viável é justamente investir na produção de biometano a partir dos resíduos sólidos orgânicos. A sua extração é mais econômica e contribui para a descarbonização", acrescenta Maranhão.

Ainda segundo Maranhão, com o melhor aproveitamento da estrutura já existente, incluindo a operação de outras sete plantas que estão em processo de autorização, o Brasil teria capacidade para suprir cerca de 5% da atual demanda nacional por gás natural.

Hoje essa demanda é estimada em 58,4 milhões de Nm³/dia pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Esse mercado é formado por diferentes setores econômicos, como industrial, automotivo, residencial, comercial, geração elétrica, por exemplo.

"Para isso, todas as cidades com mais de 320 mil habitantes precisam destinar seus resíduos para aterros sanitários com planta de biometano. Mas para chegarmos a esse patamar é necessário maior investimento na logística desse material", diz.

A produção de biometano funciona assim: após coletado, os resíduos sólidos são encaminhados para a triagem onde os materiais recicláveis como vidro e plástico são separados dos materiais orgânicos.

A parte orgânica então vai para o aterro onde é encapsulada. Os resíduos são enterrados e começam a se decompor, liberando o biogás. Uma tubulação capta esse gás e o encaminha para filtros. Parte do biogás vai para a produção de energia elétrica e outra parte é purificada e transformada em biometano.

O papel fundamental dos catadores

Para a outra parte dos resíduos, aquela que é reciclável, investir em cooperativas, formalizar e remunerar os serviços prestados pelos catadores é essencial para estimular a reciclagem. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que os catadores são responsáveis por coletar quase 90% de todos os materiais recicláveis no Brasil.

"Reciclar faz com que eu traga de volta esses materiais à cadeia produtiva, reduzindo a necessidade de extração de muitos desses produtos da natureza, como o papel por exemplo. Também reduz a necessidade de criação de novos aterros. Lembrando que está cada vez mais difícil encontrar espaços para isso", explica Carlos Alberto Moraes, membro do Comitê Gestor da Aliança Resíduo Zero Brasil.

Catadores são responsáveis por coletar quase 90% de todos os materiais recicláveis no Brasil.
Na foto, uma unidade de triagem em São Paulo. (F
oto: Divulgação / ANCAT)



Fora esses aspectos, a conscientização da população sobre consumo consciente e destinação adequada de resíduos deve ser intensificada desde a infância, seja por aulas na escola ou através de campanhas que estimulem o reaproveitamento.

"Por exemplo, as pessoas podem dar preferência para materiais ou objetos que podem ser utilizados várias vezes, como usar ecobags ao invés de sacolinha de plástico. Ou então, preferir o uso de copos que não sejam descartáveis e assim reduzir ao máximo o descarte e aumentar o reaproveitamento de materiais. Mas essa mudança de hábitos é algo que deve ser condicionado desde a infância", acrescenta Brüning.

Lixões já deveriam ter sido erradicados

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei nº 12.305/2010, estabelece diretrizes para o manejo adequado de resíduos sólidos no Brasil e promove a responsabilidade compartilhada entre governos, empresas e população.

A PNRS prevê ações como a destinação correta dos mais diversos tipos de materiais, coleta seletiva, reciclagem e compostagem de resíduos orgânicos. Além disso, ela prioriza a não geração de lixo e a redução de desperdícios, com o objetivo de reduzir os impactos ambientais, proteger os recursos naturais e fomentar uma economia sustentável.

Apesar de mais de uma década desde sua criação, muitos dos objetivos da PNRS ainda não foram alcançados, como a erradicação de lixões, que deveriam ter sido encerrados até agosto de 2024. A estimativa da Abrema aponta que ainda existem três mil lixões no país.

As maiores dificuldades dos municípios para extinção dos lixões e implantação de aterros sanitários estão relacionadas a carências dos municípios, principalmente de quadros técnicos especializados na área de meio ambiente, para desenvolver projetos e acompanhar a implementação das políticas ambientais, bem como a ausência de taxas e tarifas para custear as despesas de implantação, operação e manutenção dos serviços de coleta e destinação de resíduos.

Estima-se que ainda existam três mil lixões no país. Este da foto, localizado em Brasília, foi fechado em 2018. (Foto: Getty Images/AFP/S. Lima)



"É imprescindível que ocorra o fortalecimento institucional dos municípios para gerir os sistemas de resíduos sólidos, como a instituição de taxa de resíduos sólidos e a elaboração de planos de resíduos, bem como o agrupamento de municípios em consórcios para ganho de escala e rateio de custos de infraestrutura e gestão (aterros sanitários, caminhões de coleta, equipe técnica, unidades de tratamento, entre outros)", disse o Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática, em nota enviada à DW. E acrescentou que vem oferecendo apoio aos municípios por meio de programas de apoio e incentivo à reciclagem.

"O governo federal tem apoiado municípios e consórcios públicos em projetos para desvio de resíduos dos lixões por meio da reciclagem, criando as condições adequadas para que se promova a erradicação com a inclusão socioprodutiva dos catadores de materiais recicláveis", acrescenta a nota.

Paralelamente a isso, em dezembro, o plenário do Senado aprovou um projeto de lei que proíbe a importação de resíduos sólidos, como papel, plástico, vidro e metal pelo Brasil. A proposta altera a PNRS e aguarda sanção presidencial. Entre 2012 e 2021, a importação de resíduos sólidos pelo país mais que dobrou, saltando de 4,12 mil toneladas para 8,62 mil toneladas, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Fonte: DW

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Cadê o Banho do Una do Moraes que estava ali?

Foto: Rede Sociais

Morros, uma joia escondida no Maranhão! Esta cidade é conhecida por suas belezas naturais exuberantes e suas paisagens encantadoras. Cercada por rios de águas cristalinas e cachoeiras deslumbrantes, como a famosa Cachoeira do Arruda, Morros é um verdadeiro paraíso natural.

Um dos lugares perfeitos para um mergulho refrescante ou apenas para relaxar ao som da natureza é o famoso Banho do Una do Moraes, localizado na curva do rio Una que ruma para o rio Munin e chegar em Icatu. Este banho é conhecido por suas águas cristalinas e geladíssimas, perfeitas para refrescar nos dias quentes.

Opa! Quede essa maravilha?? Não existe mais? Como assim, sumiu? O que aconteceu?

Pois é, pessoal, tenho informações ainda não confirmadas de que o casal que moram lá e que serviam aquela cervejinha gelada e o famoso tira-gosto de tainha frita, resolveram brigar e dividir a área através de um muro, acreditem, parecendo coisa de norte-americano, tu ficas pra lá e eu fico do lado de cá.

Muro feito de um dia pro outro, destruindo a paisagem
natural do Rio Una.

Sai de São Luís, como sempre fiz quando vou com a família a Morros, fui direto rumo a Icatu para passar pela ponte e logo ao lado esquerdo, observar a curva do Una, a água cristalina e o fundo de areia branca com as margens recheadas de pés de juçara e de andiroba. Fiquei espantado e ao mesmo tempo triste com aquela visão de descaso, falta de respeito, ignorância e irresponsabilidade.

Mais uma foto do crime ambiental nas marges do rio

Será que essas pessoas que praticaram esse crime ambiental não sabem que em Morros essas áreas são protegidas para manter a vegetação natural e garantir a conservação dos recursos hídricos e que são cruciais para a preservação da biodiversidade local e para a proteção das paisagens naturais de Morros?

E que Morros também faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) da Região dos Lagos, que inclui várias localidades no Maranhão. Esta APA tem como objetivo proteger os ecossistemas aquáticos e terrestres, bem como promover o uso sustentável dos recursos naturais na região?

Será que as autoridades locais, como o prefeito e o secretário de meio ambiente, não sabem disso? Todos nós, não só os morruenses, estamos aguardando que sejam tomadas providências urgentes para que seja desfeito esse absurdo com a natureza e punir os transgressores, doa a quem doer.

Se não, teremos que denunciar para os órgãos maiores!

Mais fotos como era antes:








quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Transição energética, transição ecológica, transição socialista


A transição energética ainda é insuficiente. Precisamos de uma transição que promova o reencontro do homem com a natureza

Por Theófilo Rodrigues*

O mundo todo está – ou deveria estar – com os olhos voltados para a 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 28), que teve início em 30 de novembro e que irá até 12 de dezembro, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Essa COP acontece em um contexto curioso e perturbador. Por um lado, a ciência tem demonstrado consensualmente e de diferentes maneiras que as mudanças climáticas e o aquecimento global são resultados da ação direta do capital, em particular pelo abuso dos combustíveis fósseis – leia-se, petróleo e carvão. Essa mesma ciência assegura que, se não alterarmos essa trajetória até 2050, a maior parte dos danos será irreversível.

Contudo, ao mesmo tempo em que a ciência dá esse grito de alerta, a COP 28 é presidida nesse momento pelo negacionista sultão Al-Jaber, chefe da empresa petrolífera estatal dos Emirados Árabes Unidos, a Abu Dhabi National Oil Company (Adnoc). Conflito de interesses seria o mínimo a ser dito sobre essa situação.

Independentemente dessa questão conjuntural que envolve a COP 28, o fato é que cresce cada vez mais o apelo em todo o mundo para que as coisas mudem.

O que é transição energética?

É nesse contexto que cada vez mais encontramos a expressão transição energética nos discursos políticos, nas reivindicações da sociedade civil e nas matérias na imprensa. Mas o que significa essa tal de transição energética?

Sabemos que o capitalismo teve um grande impulso em fins do século XVIII com a introdução nas fábricas de máquinas de vapor movidas por carvão. Eram essas as máquinas que produziam a poluição na Manchester descrita por Friedrich Engels em seu clássico de 1845 A situação da classe trabalhadora da Inglaterra. E essa poluição recaía sobre uma classe bem específica. Diz Engels:

“Essa parte de Manchester, a leste e a nordeste, é a única na qual a burguesia deixou de instalar-se, e por uma razão de monta: o vento dominante, que, por dez ou onze meses do ano, vem do oeste ou sudoeste, esparze sobre ela a fumaça de todas as fábricas. Essa fumaça, que sejam os operários os únicos a respirá-la” (1).

A partir de fins do século XIX, esse carvão não apenas gerou energia para os motores das fábricas, mas também para a iluminação das cidades por meio da criação de usinas termoelétricas.

Entretanto, o carvão não é o único combustível fóssil poluente. Também no século XIX o homem descobriu uma outra forma de gerar energia: o petróleo. E esse petróleo tornou-se a principal fonte de energia do capitalismo do século XX.

Esses combustíveis fósseis, diz a ciência, são os grandes responsáveis pelo aquecimento da temperatura do planeta. Logo, a transição energética para um cenário futuro em que eles não sejam mais necessários é uma exigência para a sobrevivência da espécie humana.

Assim, a agenda da transição energética possui duas grandes frentes. A primeira é a substituição de termoelétricas baseadas em carvão por usinas de energia eólica, solar e até mesmo nuclear. A segunda frente é a substituição do petróleo por meios alternativos como etanol, biodiesel e hidrogênio verde.

Essa agenda só será possível em 2050 se os próprios recursos da bilionária indústria do petróleo forem direcionados para o desenvolvimento de ciência, tecnologia e inovação que contribuam para essa transição. No Brasil, isso é o que a atual gestão da Petrobras tem indicado que fará, mas ainda de forma muito tímida.

O que é transição ecológica?

Realizar apenas a transição energética, no entanto, é insuficiente para o combate ao aquecimento global. É por essa razão que muitos falam em transição ecológica, uma transição mais ampla que a energética.

A transição ecológica inclui a transição energética. Mas ela incorpora a complementariedade de outras dimensões. Por exemplo, a transição ecológica pressupõe o fim dos desmatamentos de todos os biomas, pois as queimadas não apenas reduzem criminosamente a biodiversidade como também contribuem para o aquecimento global. Sob esse mesmo diapasão, a transição ecológica pressupõe uma nova forma de lidarmos com a produção agrícola.

Utilizando dados de um famoso químico alemão do início do século XIX, Justus von Liebig, Karl Marx já denunciava a forma como a produção capitalista na Inglaterra destruía a fertilidade permanente do solo e para isso importava elementos agrícolas como terra e fertilizantes de outros países. “Todo progresso da agricultura capitalista”, concluía Marx, “é um progresso na arte de saquear não só o trabalhador, mas também o solo” (2).

Uma aposta da transição ecológica é a bioeconomia, atividade econômica que compreende que a floresta de pé pode gerar muito mais riquezas do que se for devastada. Preservando a biodiversidade, a bioeconomia pode ser a base de todo um complexo industrial de saúde que produza fármacos e cosméticos.

Importante registrar que o atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil tem demonstrado certo compromisso com essa agenda e, inclusive, apresentou um Plano de Transição Ecológica para os próximos anos. Esse plano conta com forte protagonismo do ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação da ministra Luciana Santos e do ministério do Meio Ambiente de Marina Silva.

Mas esse mesmo governo federal é um governo de frente ampla que precisa equilibrar interesses políticos e econômicos muitas vezes contraditórios. Numa correlação de forças sócio ambientalmente injusta, alguns desses interesses servem muitas vezes de freio para que a agenda da transição ecológica se realize na velocidade que a ciência exige.

O que é transição socialista?

Argumentei até aqui que a importante transição energética é apenas uma dimensão que está inserida dentro de um conjunto maior, qual seja, a fundamental transição ecológica. O mesmo pode ser dito da transição ecológica, que é uma dimensão dentro da necessária e holística transição socialista.

A sociedade capitalista promoveu uma profunda separação entre os homens e a natureza. E, nesse divórcio, alguns homens acreditaram que poderiam vencer a natureza. Engels, ao discutir essa relação em sua Dialética da natureza, previu a situação caótica e destrutiva em que estamos:

“Mas não nos regozijemos demasiadamente em face dessas vitórias humanas sobre a Natureza. A cada uma dessas vitórias, ela exerce a sua vingança”, registrou o fundador da teoria marxista.

Engels diz ainda: “E assim, somos a cada passo advertidos de que não podemos dominar a Natureza como um conquistador domina um povo estrangeiro, como alguém situado fora da Natureza; mas sim que lhe pertencemos, com a nossa carne, nosso sangue, nosso cérebro; que estamos no meio dela; e que todo o nosso domínio sobre ela consiste na vantagem que levamos sobre os demais seres de poder chegar a conhecer suas leis e aplicá-las corretamente” (3).

Seu parceiro intelectual, Marx, tinha claro para si que a separação entre homem e natureza era uma consequência da propriedade privada. Em suas palavras, o capitalismo “desvirtua o metabolismo entre o homem e a terra” (4). Somente a suprassunção positiva da propriedade privada, dizia Marx (5), seria “a verdadeira dissolução do antagonismo do homem com a natureza e com o homem”.

Em síntese, se o capitalismo foi o responsável pelo completo desvio do metabolismo entre o homem e a terra, somente a transição socialista poderá apontar na direção desse reencontro. Essa transição socialista significa substituir a forma predatória, anárquica, concentradora e autoritária como produzimos atualmente, por uma forma sustentável, planejada, participativa, inclusiva e democrática. Numa linguagem clássica, significa mudar o modo de produção. É na transição do modo de produção que conseguiremos promover nosso reencontro com Gaia, com a Mãe Terra, com a Pachamama. Mas essa transição só será possível se for dirigida por uma nova maioria social e política que seja sócio ambientalmente comprometida. Nesse início do século XXI, nada é mais importante do que construir essa nova maioria.

*Theófilo Rodrigues é cientista político.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Maranhão perde um de seus maiores e melhores ambientalistas

Marinelton dos Santos Cruz, faleceu hoje  (Foto: Marinelton)

Nascido em 1963 no município de Cururupu-Ma, militante do Partido Comunista do Brasil há 36 anos, Marinelton dos Santos Cruz, fotografo historiador foi encontrado morto hoje pela manhã, 17 de agosto, por familiares, na casa de sua genitora no bairro Santa Bárbara. 

(Foto: Marinelton)
Autodidata, autor de vários artigos sobre a vida marinha, sua vegetação e dos povos da costa amazônica maranhense. 

Autor e Editor do Blog Patrimônio Tradicional, onde publicou dezenas de matérias sobre aspectos sócio cultural dos municípios de Cururupu, Guimarães e Serrano do Maranhão. 

Estava atualmente em tratamento de saúde contra problemas hepáticos. 

Podemos listar algumas obras, estudos, prêmios e exposição do fotografo Marinelton, como era chamado por todos: 


Exposição Fotográficas da Costa Amazônica Maranhense (2017) 

III Festival Maranhense de Tambor de Crioula de Cururupu (2015) 

Maiaú: Pesca Artesanal na Costa Amazônica Maranhense (2005/2009) 

Uma Viagem Deslumbrante Pela Reserva Extrativista Marinha de Cururupu (Revista Caminhos do Maranhão nº 35, 2005) 

Cururupu: origem e evolução (Em pesquisa com orientação do CPHNAMA) 

Prêmio Você Faz a Diferença. Temática: Programa Mais IDH - Projeto: Projeto Rabeta (SEIR/2018) 
Militante do PCdoB desde 1984

O Maranhão e o PCdoB perdem uns de seus maiores e melhores quadros da arte da fotografia e defensor da vida marinha, seus manguezais e sustentabilidade dos povos do litoral maranhense e das lutas populares. 

Eu e toda a equipe do nosso blog, perdemos um amigo e camarada!

FONTE: Redes Sociais do Marinelton