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domingo, 22 de março de 2026

A mídia repete o roteiro de 2016: delações seletivas e ataques coordenados contra Lula.



Por Jorge Antonio Carvalho*

A história política recente do Brasil mostra como a mídia hegemônica, em especial a Rede Globo, atua como força política decisiva. Mais do que informar, ela constrói narrativas que moldam percepções e influenciam processos eleitorais. O que se observa hoje é a repetição de um roteiro já conhecido: ataques sistemáticos ao governo Lula, em consórcio com setores da oposição, empresariado, agronegócio, militares e parte do Judiciário. Essa engrenagem não é nova, mas ganha força em momentos de disputa acirrada, quando o objetivo é fragilizar governos populares e abrir espaço para projetos conservadores.

O caso Vorcaro e o Banco Master exemplifica essa estratégia midiática. A Globo transformou delações em espetáculo, criando organogramas e associações que sugerem envolvimento de ministros e do próprio presidente. Essa prática, longe de ser imparcial, busca desgastar a imagem do governo e preparar terreno para a disputa eleitoral. A narrativa construída não se limita a informar, mas a induzir conclusões que favorecem determinados grupos políticos. É uma forma de manipulação que já se mostrou eficaz em outros momentos da história nacional.

Como aponta Alysson Mascaro, o ataque da Globo era totalmente previsível, pois repete o padrão histórico de criminalização de governos populares (Brasil247, 2026). A ausência de uma política de democratização da mídia no Brasil permite que conglomerados privados concentrem poder comunicacional e definam os rumos do debate público. Essa concentração cria um desequilíbrio estrutural, onde interesses econômicos e políticos se sobrepõem ao direito da sociedade de ter acesso a informações plurais e equilibradas.

Repetição de 2015/2016

O paralelo com o impeachment de Dilma Rousseff é inevitável. Naquele período, delações e acusações frágeis foram amplificadas pela mídia, criando um ambiente de instabilidade que culminou na derrubada da presidenta. Hoje, o mesmo roteiro é reencenado contra Lula, com novos personagens, mas a mesma lógica. A estratégia é clara: desgastar a credibilidade do governo, criar uma atmosfera de crise permanente e legitimar a intervenção de setores conservadores. Como já se disse, “voltamos a 2015-2016” (Brasil247, 2026).

A farsa atual

Nos organogramas exibidos pela Globo, nomes da direita e da própria emissora não aparecem. A narrativa é seletiva, direcionada exclusivamente contra o PT e aliados. Trata-se de uma farsa construída para fragilizar o governo e legitimar a ofensiva da oposição. Essa seletividade demonstra que não se trata de jornalismo investigativo, mas de uma operação política travestida de notícia. A manipulação é evidente quando se observa a ausência de figuras ligadas ao bolsonarismo, mesmo diante de indícios que poderiam ser explorados.

A ofensiva não se limita à mídia. Empresariado, agronegócio, militares, setores da Polícia Federal e até do STF compõem uma engrenagem que atua em conjunto. O objetivo é claro: enfraquecer Lula e abrir caminho para a volta da família Bolsonaro ao poder federal. Essa articulação revela que não estamos diante de ataques isolados, mas de uma conspiração ampliada, onde diferentes setores se unem em torno de um projeto político conservador. A mídia cumpre o papel de catalisador, mas a força da ofensiva vem da soma de interesses diversos.

Disputa presidencial acirrada

Essa ofensiva midiática e institucional se conecta diretamente à candidatura de Flávio Bolsonaro. A mídia e as big techs desempenham papel central na amplificação da extrema-direita, criando um ambiente de disputa eleitoral cada vez mais polarizado e perigoso para a democracia (Vermelho, 2026). A disputa presidencial de 2026 se desenha como uma batalha intensa, onde o controle da narrativa pública será decisivo. Nesse cenário, a manipulação midiática não é apenas um detalhe, mas um fator determinante para o futuro político do país.

O Brasil vive novamente o desafio de enfrentar a “elite do atraso” e sua máquina midiática. A esquerda precisa reagir politicamente e institucionalmente para evitar a repetição do golpe de 2016. Sem enfrentar a concentração de poder na mídia, qualquer governo popular estará sempre sob ameaça. A lição que fica é que não basta vencer eleições; é preciso construir mecanismos de defesa contra a manipulação sistemática que ameaça a democracia brasileira.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Quando a mentira ameaça o mentiroso

FOTO: Rede Sociais 

Por Angela Carrato*

Não é novidade para ninguém que a família Marinho não gosta do presidente Lula e quer porque quer levantar a bola do extremista de direita que governa São Paulo,Tarcisio de Freitas, seu queridinho para as eleições de 2026.

Só que hoje erraram na dose e a edição do Jornal Nacional ficou ridícula.

Penúltimo dia do ano, era para o telejornal fazer uma espécie de retrospectiva do que foi 2024.

Se fizessem isso, teriam que mostrar o sucesso alcançado pelo governo Lula no segundo ano de mandato. Mesmo enfrentando pressão por todos os lados, a economia bombou. E teriam que mostrar o fiasco da gestão Tarcísio de Freitas.

Dai, alguns editores "criativos" devem ter proposto o seguinte: vamos dar um jeito de criticar o governo Lula e elogiar o governo Tarcísio.

O problema era arrumar argumentos. Mesmo sendo bons nisso, inventaram uma reportagem tão safada sobre deficit em empresas estatais que extrapolou.

A reportagem usou o "ouvir os dois lados" para disfarçar a confusão e os absurdos que estavam sendo ditos.

Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Economica Federal deram muito lucro. Que o digam seus acionistas. Mas a reportagem misturou tudo.

Falou-se também em prejuizo nos Correios e para tanto foi ouvido um dos neoliberais de estimação "da Casa", para falar o que queriam e apontar a "privatização como solução".

A canalhice foi tamanha que me lembrou o mesmo JN, no governo FHC, defendendo com unhas e dentes a privatização da telefonia no Brasil.

Detalhe: a telefonia na época estava prestes a iniciar a grande revolução, se tornar essencial na vida das pessoas e para a economia como um todo. Já os Correios, no momento em que o comércio online está bombando, enfrenta a mesma pressão, agora por parte da turma da Amazon e dos Mercados Livres da vida, amiguinhos dos Marinho e anunciantes da TV Globo.

Para coroar a safadeza, o JN voltou a jogar a alta do dólar nas costas do governo Lula, quando se sabe que a responsalinidade é do Banco Central presidido pelo bolsonarista Roberto Campos Neto, cujo mandato finalmente terminou hoje.

Enquanto isso, os mesmos editores pintaram de cor de rosa a vida em São Paulo, tanto na capital quanto no interior.

A capital foi mostrada, em longa reportagem, a partir de seus museus e de sua "rica vida cultural".

Nem uma palavra sobre falta de luz toda vez que chove, sobre o trânsito caótico ou sobre e a violentíssima Polícia do Tarcísio, que joga gente do alto do viaduto.

São Paulo foi apresentada tão bonitinha, que os "criativos" editores do JN acharam até nordestino que trocou "o réveillon na praia" pela "selva de pedras".

Tem um ditado que diz que quando a mentira é demais, ela vira bicho e come os mentirosos.

Os editores do JN precisam se cuidar, pois correm sério risco de serem comidos antes de 2025 chegar.

*Angela Carrato - Jornalista e professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG

FONTE: Facebook

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Globo ataca a China por condenar mulher que violou regras de saúde e omite condenação de ativista dos DH na Arábia Saudita

(Foto: Contexto Livre)

Que Globo é essa que tenta enfrentar o "gabinete do ódio" bolsonarista por espalhar fake news?

Uma Globo que vive acuada e escrachada pelo bolsonarismo, não deveria usar as próprias armas que seu algoz usa para contra ataca-la.

Dia 28 na edição do seu Jornal Nacional, a Globo atacou a China por ter condenado a advogada Zhang Zhan, acusando-o de ser um governo autoritário(veja aqui a matéria completa).

A verdade é que a advogada presa, desde o começo da pandemia, apelidada pelos Estados Unidos e União Europeia de uma espécie de "jornalista-cidadã", mas na verdade para nós aqui no Brasil é uma espécie de bolsolóide radical ou para exemplificar melhor para nós maranhenses, um Welington do Curso feminino oriental(veja aqui a matéria completa)

Acontece que no mesmo dia, com diferença de horas e mais cedo, a ativista de direitos humanos saudita, Loujain al Hathloul foi condenada a cinco anos e oito meses de prisão que há tempos, organizava campanhas pelo direito das mulheres sauditas de dirigirem e pelo fim da tutela que as mulheres à mercê total dos homens (veja aqui a matéria completa).

No final de 2014, ela foi detida por tentar entrar na Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, dirigindo um carro. Foi solta 73 dias depois, após uma campanha internacional.

E a Emissora brasileira se quer divulga essa notícia, prefere fazer coro aos bolsonaristas que diariamente combate com fake e desconsiderações o governo chinês e a própria Globo.

Que Globo é essa?

Fontes: G1, Brasil de Fato e Carta Capital

sábado, 4 de julho de 2020

Não são os dez reais. Problema é a mensagem que o Flamengo transmite.


Por André Rocha*

O Flamengo é uma instituição centenária. Clube com mais de 40 milhões de torcedores. Para muitos uma religião. A vingança das derrotas da vida, como bem definiu Moraes Moreira ao cantar sobre Zico. 

Transcende o futebol na sociedade. Tem algo de lúdico, até messiânico em alguns momentos. Precisa transmitir valores através dos ídolos, mas também de seus dirigentes pelas decisões que tomam. 

Não é uma empresa. E mesmo estas hoje precisam de responsabilidade em suas ações públicas. Imagine um clube, com toda sua função social. 

No incêndio do Ninho que vitimou fatalmente dez jovens em fevereiro do ano passado, este colunista escreveu aqui que o Flamengo não é Boate Kiss. Além do contexto da tragédia, há também uma questão filosófica que não permite ao clube se comportar da mesma maneira. Porque há uma mensagem a ser passada. 

O Flamengo tem direito legal de buscar o menor custo financeiro na indenização das famílias dos jovens mortos no CT. Mas a mensagem que passa é que elas são um problema a se resolver, não pessoas que perderam seus amados que tinham sua integridade física como a responsabilidade mais básica do clube a responsabilidade mais básica do clube. 

O Flamengo tem o direito legal de não pagar nenhuma premiação aos funcionários que não entram em campo atrás das vitórias ou participam diretamente dos jogos. Mas quando faz um acordo prévio e ameaça não cumprir, a mensagem é de que seus colaboradores são apenas dados em uma planilha, que podem ser apagados a qualquer momento. 

O mesmo no momento das demissões dos 62 funcionários em meio a uma pandemia. Depois de divulgar que suportaria noventa dias num "teste de estresse", não esperou mais que 45 dias para dispensar pessoas que dificilmente conseguiriam reposição no mercado de trabalho. Tem o direito legal de dispensar? Claro, até porque outros clubes e empresas fizeram igual ou pior. Mas o passivo na empatia, que já era grande, aumentou. 

O Flamengo tem o direito legal de querer retomar as atividades do time de futebol e buscar junto à Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ) o retorno mais rápido possível do Campeonato Carioca. Há contas a pagar, marcas de patrocinadores para exibir. Mas a mensagem que passa em um contexto de milhares de mortos, jogando no Maracanã ao lado de um hospital de campanha, é a de que se aceita jogar em meio a cadáveres. E não adianta falar em protocolos, higiene e segurança. O Flamengo não é uma ilha, está inserida na realidade da cidade, do estado e do país. 

O presidente do Flamengo tem o direito legal de usar a sua boa relação com o Presidente da República para sugerir uma solução que resolva em um primeiro momento seu imbróglio na negociação das transmissões dos jogos pelo estadual. E a Medida Provisória que é consequência desse diálogo pode até beneficiar outros clubes ou mesmo revolucionar o futebol brasileiro. Mas a mensagem que o clube passa é de que os demais times, que deveriam ser seus pares, são meras peças de um jogo no tabuleiro. Não há consenso, nem debate. Apenas o jeitinho do mais "malandro" e com maior poder de barganha para se dar bem. 

Agora a ideia de cobrar dez reais a quem não é sócio pela transmissão de Flamengo x Volta Redonda, pela semifinal da Taça Rio no domingo às 16h, através de um aplicativo. Não é um valor alto e, se agora o direito de transmitir é do mandante, não há nenhum problema legal Não é um valor alto e, se agora o direito de transmitir é do mandante, não há nenhum problema legal. 

Mas justo em meio a uma crise econômica gravíssima? Depois da torcida comprar a briga contra a Globo e fazer da transmissão de Flamengo x Boavista pela Fla TV uma vitória maior do que os três pontos conquistados no campo? 

Sabe qual é a mensagem que passa? A de que o torcedor é um mero número de cartão de crédito. Inclusive aquele lá no interior do Brasil, que não tem os recursos mínimos para ter acesso ao conteúdo. Mesmo que disponha dos dez reais. Esse mesmo torcedor que engrossa o caldo para que o clube siga recebendo um alto valor da mesma Globo, no Campeonato Brasileiro, para para a transmissão em TV aberta. Aí ele conta, não é? 

Ainda que hoje, diante da repercussão negativa, Rodolfo Landim e seus diretores recuem e tornem a transmissão novamente gratuita, o estrago já está feito. Porque o que vale e demonstra os valores de uma pessoa, de um grupo ou de uma instituição são os atos espontâneos. E esses tem sido os piores desta diretoria. Os remendos depois são puro marketing. Reposicionamento de marca. 

O Flamengo é bem maior que isso. E é triste ver que justo no momento em que se agiganta no campo do futebol o clube se amesquinhe em seus atos mais simbólicos. A mensagem é a pior possível e envergonha os torcedores mais conscientes. 

Alguns fanáticos A mensagem é a pior possível e envergonha os torcedores mais conscientes. Alguns fanáticos que idolatram dirigentes se o time estiver vencendo talvez acordem agora, ao serem atingidos no bolso. Tem gente que só entende de dinheiro mesmo.


*André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981”







Fonte: Blog do André Rocha no UOL

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Servidor é processado por oferecer dinheiro a quem agredir repórter da Globo

O servidor Marcos Sales, em foto no seu perfil público no Facebook |
Crédito: Reprodução/Facebook

Exercer o ofício de jornalista ficou um pouco mais perigoso nestes tempos em que a avenida Brasil cruzou com outras vias, digitalizadas e ferozes. Agora, um servidor público do governo do Distrito Federal (GDF) se sentiu no direito de desafiar a lei para constranger repórteres da TV Globo.

O autor da promessa de recompensa é Marcos Aurélio Neves do Rego Sales, que é “agente socioeducativo” da Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal. O seu salário líquido é de R$ 6.178,73, segundo o Portal de Transparência do GDF:



No Facebook, Marcos Sales ostenta tanto a condição de funcionário da Secretaria de Justiça e Cidadania quanto uma foto em que divulga o “Aliança pelo Brasil”, o partido que o presidente Jair Bolsonaro tenta criar.

Marcos Sales responderá a processo administrativo, que vai apurar se ele descumpriu o Estatuto do Servidor Público do Distrito Federal (Lei Complementar 840/2011). O estatuto diz que poderá incorrer em “responsabilidade civil”, ficando assim sujeito aos eventuais danos materiais decorrentes do seu ato, quem praticar ato que “resulte em prejuízo ao erário ou a terceiro”.

Também considera infração “exercer atividade privada incompatível com o exercício do cargo público ou da função de confiança”, “ofender fisicamente a outrem” e “praticar ato de assédio sexual ou moral”. Ainda conforme o estatuto, a definição da sanção disciplinar deverá levar em conta a “gravidade da infração disciplinar cometida”, “o ânimo e a intenção do servidor” e “as circunstâncias atenuantes e agravantes”. As sanções vão desde a advertência até a demissão ou destituição do cargo em comissão.

Ao contrário deste Congresso em Foco, que pôde adotar o regime de home office para toda a equipe desde 12 de março, redes de TV são obrigadas a enviar seus profissionais às ruas para gravar externas. Nós podemos usar as imagens das TVs públicas e temos descoberto as infinitas possibilidades de chegar a bons resultados fazendo entrevistas (inclusive em vídeo) ou adotando outras formas de apuração jornalística por meios remotos. O crime da Globo é o mesmo que leva hoje bolsonaristas radicais a difamarem quase todos os veículos e jornalistas profissionais do país: não rezar na cartilha do presidente que namora a volta do AI-5 e considera a doença causada pelo coronavírus “uma gripezinha”.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Pedro Cardoso é banido pela Rede Globo após falar o que pensa

A Rede Globo decidiu banir Pedro Cardoso de suas produções, sem prazo para retorno. O alto escalão da emissora considera que o ator tem falado o que não deveria. As informações foram publicadas pelo Notícias na TV.
Pedro teria magoado os executivos da emissora por se posicionar politicamente e criticar a própria Globo. Ele passou mais de 30 anos na Globo, como roteirista de programas como TV Pirata e como ator. Só em A Grande Família, interpretando o malandro Agostinho Carrara, foram 14 temporadas. Com o fim do seriado, a Globo não apresentou novos trabalhos a Cardoso.
Em julho de 2015, em entrevista ao portal UOL, Pedro chamou a TV de “acovardada e conservadora” e criticou a falta de transformações na programação: “O país mudou, mas a TV está igual ao Brasil do Fernando Henrique. Se a gente ficar fazendo a televisão que era da época dele, o público vai fazer outra coisa”, alfinetou.
Em junho do ano seguinte, Cardoso foi ao programa Pânico, da rádio Jovem Pan, e continuou suas críticas, ao alegar que seus antigos patrões não valorizaram sua história lá: “Eu achava que a Globo me ofereceria um horário para eu desenvolver um projeto autoral. Mas tiveram o mais absoluto desprezo pelo meu trabalho lá dentro”.
Dias depois, criticou o seriado Verdades Secretas: “Você faz algo sobre modelos que se prostituem e isso vira um sem número de cenas eróticas. Parece que você está tratando seriamente desse assunto, que está preocupado em salvar a vida dessas moças. Quando, na verdade, você está apenas vendendo conteúdo erótico disfarçado de interesse intelectual”, detonou.
Pedro afirmou ainda que não se preocupava com as consequências de suas declarações. “Se o preço da minha liberdade for esse, eu vou pagar feliz. Eu acho que o artista tem um compromisso muito grande com a verdade. Você tem que falar o que pensa e dizer a verdade”, minimizou. Como previsto, foi banido do canal.

Filho de Taís Araújo

Na última semana, Pedro Cardoso protagonizou um episódio histórico ao se levantar e deixar um programa ao vivo na Rede EBC.
O ator, que participava do “Sem Censura”, abandonou a atração em solidariedade aos trabalhadores em greve e ainda homenageou Taís Araújo, atacada pelo presidente da emissora (relembre aqui).

Luciano Huck

Convidado do “Programa Porchat” desta segunda-feira, 27 de novembro, Pedro Cardoso falou sobre politica, avaliando o cenário das eleições de 2018.
“Tem muita celebridade querendo ser presidente. Acho que eu também vou. Basta ser famoso”, alfinetou, sem citar o nome de Luciano Huck.
Pedro Cardoso afirmou que é preciso usar a razão. “É o momento para pouca paixão. Ficar odiando ou amando alguém vai criar uma distorção da realidade. Uma coisa os políticos têm iguais: todos falam, nenhum ouve. Eu se tivesse que escolher um presidente, seria um que apenas ouvisse, pois sabemos o que queremos, só não temos quem nos ouça”.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Rede Globo pressiona desembargadores pela condenação de Lula

Kiko Nogueira, DCM
Assim como fez com Sergio Moro, seu torquemada de casa, a Globo está cuidando agora de domesticar e pressionar o Tribunal Regional da 4ª Região (Sul) no sentido de terminar o serviço contra Lula.
Jornal Nacional dedicou boa parte de sua edição de quinta, dia 13 de julho, para explicar como opera o tribunal que pode tornar Lulainelegível.
A matéria era parte didatismo, parte wishful thinking. No subtexto, o repórter falava ao espectador “se Deus quiser, o destino do vagabundo será selado por estes guerreiros”.
Imagens do interior daquela corte e closes dos desembargadores João Pedro Gebran, Leonardo Paulsen e Victor Luiz Laus ilustravam a trama.
Num determinado momento, entrou ele, Carlos Eduardo Thompson, presidente do TRF-4, asseado, um retrato em aquarela ao fundo de algum medalhão, o cabelo emplastrado de brilhantina, fino, elegante, enquadrado com carinho pela câmera, declarando o que a emissora queria ouvir: até agosto de 2018, antes da eleição, o processo em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado a nove anos e seis meses de cadeia estará julgado em segunda instância.
A pedidos, Thompson foi além: deu sua opinião sobre a sentença do Homem de Maringá. “Olha! Muito bem trabalhada!”, cravou, a mão direita reforçando o ponto. Ironizou em seguida o fato de Lula ter criticado a ação.
Ou seja, tudo no script.
Daqui em diante, Thompson e seus amigos serão presença constante em todos os veículos do grupo. Será convidado dos programas de entrevistas (o de Roberto D’ávila é batata; Bial, o cretino fundamental, em seguida).
Eventualmente, ganhará algum prêmio do tipo “Faz Diferença” ou uma patacoada dessas.
Como a Globo pauta o resto da mídia preguiçosa, serão abertas as portas da fama para Thompson e companheiros.
Conheceremos sua casa, seus familiares, seus pets e hobbies — e seu rigor no trabalho, bem como a competência.
A ofensiva sobre eles teve seus preâmbulos. Em junho, Merval Pereira escreveu no Globo que “se a impugnação na segunda instância acontecer depois que sua candidatura [a de Lula] à presidência da República estiver homologada pela convenção do PT, teremos uma crise institucional instalada no país.”
Míriam Leitão, por sua vez, atacou a estratégia lulista baseada “na tese delirante de que ele é um perseguido político”.
Uma grande parcela do seu eleitorado ele perdeu para sempre. Ele sabe disso, mas o importante para Lula é ser candidato para que quanto mais perto fique do pleito, mais difícil seja para o tribunal de segunda instância condená-lo. É uma corrida contra o tempo, que será atravessada em um período de aumento da tensão política no país”, escreveu.
O recibo da dobradinha com o Judiciário está no texto de Moro condenando Lula.
Na síntese das “provas documentais” de que Lula é dono do triplex do Guarujá está uma reportagem publicada pelo Globo em 2010.
Segundo Sergio Moro, nenhuma das testemunhas, nem o material apresentado pelos advogados ou muito menos o depoimento de Lula jamais conseguiram desmentir aquela reportagem, publicada antes da Lava Jato apurar o caso.
Sim, um recorte velho contém a verdade.
Alguns dos maiores juristas do Brasil criticaram pesadamente as mais de 200 páginas perpetradas por Moro.
Para Afranio Silva Jardim, professor associado de Direito Processual Penal da Uerj, processualista consagrado e ex-mestre de Moro, “Lula foi condenado por receber o que não recebeu e por lavagem de dinheiro que não lhe foi dado”.
O cientista político Leonardo Avritzer chamou a condenação, simplesmente, de “lixo jurídico”.
Olha! Muito bem trabalhada!”, empolga-se Carlos Eduardo Thompson do seu lado. O sinal está dado.
Das 48 sentenças de Moro revisadas pelo TRF-4, dez foram mantidas, 16 aumentadas, 8 diminuídas e apenas cinco foram revertidas para absolvição.
Para que o roteiro do golpe seja cumprido, teremos de nos acostumar a ver os antes anônimos meritíssimos transformados em popstars. Depois eles somem novamente.
Prepare-se para ter saudade do Japonês da Federal.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Lula dispara no Vox Populi e tucanos derretem; Moro e Globo se desesperam


Por Rodrigo Vianna
O bombardeio da Globo contra Lula já era esperado. Na cobertura das delações odebrechtianas, o JN fala fino com os tucanos e berra grosseiramente contra o ex-presidente petista. Um massacre noticioso, que assume ares colossais, segundo o levantamento técnico feito pelo site do jornalista Fernando Rodrigues – clique aqui e confira porque a Globo é nociva para a democracia brasileira.
A pergunta é: por que a Globo mostra esse desespero?
A resposta veio hoje, com a pesquisa Vox Populi. Lula lidera em todos os cenários, com trajetória ascendente. E os tucanos derretem, ultrapassados por Bolsonaro e Marina Silva.
Primeiro Turno (abril de 2017)
Lula – 44%
Bolsonaro – 11%
Marina – 10%
Aécio – 9%
Ciro – 4%
Nulos/Brancos – 15%
Não sabe – 7%
A conclusão: os ataques sofridos por Lula ao longo de 2 anos já provocaram o estrago que deveriam provocar. As novas delações atingem aqui e ali o ex-presidente mas são desastrosas mesmo para o PSDB e os amigos de Temer.
O golpismo afunda, e a Globo se desespera. Dória (que governa São Paulo como se estivesse num programa de TV, e humilha secretários com demissões absurdas transmitidas pelo Facebook – como a que vitimou Soninha) se mostra pouco confiável… Aécio, Serra e Alckmin cumprem a trajetória de Lacerdas: deram o golpe e agora se veem acuados pela Lava-Jato que ajudaram a fomentar de maneira irresponsável.

O descalabro do governo Temer e os ataques aos direitos sociais tornam Lula um mito popular. No Nordeste, ele passa dos 70% de intenções de voto. Na média do país, venceria no primeiro turno se a eleição fosse hoje – apesar de todo o bombardeio midiático. Dória, incensado pela mídia paulista, mostra-se um leão desdentado.

Restam agora Moro e a Globo, numa tentativa desesperada de criar condições para que Lula seja derrotado no tapetão, impedido de concorrer.
O dia 3 de maio torna-se central. Lula e Moro estarão cara a cara. As forças que se organizam em torno de Lula prometem levar 50 mil pessoas para a porta do Fórum em Curitiba. A batalha das urnas de 2018 passa pelas ruas da greve geral em 28 de abril e pelo ato de Curitiba em 3 de maio.
Clique aqui para ver os números da pesquisa que tira o sono de Ali Kamel, dos irmãos Marinho e de Sergio Moro –  juiz que joga em parceria com a emissora golpista.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Dono do helicóptero do pó ganhou 3 contratos sem licitação de Aécio Neves


Miguel do Rosário, via Tijolaço
Escrevo há uns quinze anos sobre política, de maneira quase ininterrupta, e tendo ideais progressistas, sempre fui crítico à grande imprensa brasileira. No entanto, nunca me deparei com um grau de degradação tão avassalador como vejo nos últimos dias. O Globo insiste nos “privilégios” dos presos petistas, sem refletir que, ao fazer esse tipo de campanha, contradiz a si mesmo. Afinal, que raio de privilégio é esse em ser achincalhado diariamente nos jornais, mesmo após estar preso injustamente?
Através do Globo, agora já sabemos os negócios de todos os familiares dos proprietários do hotel que empregará José Dirceu.
Enquanto isso,  a imprensa trata com inexplicável discrição aquele que pode ser o maior escândalo das últimas décadas, rivalizando até mesmo com o trensalão paulista.
O Ministério Público de Minas Gerais vai propor, nos próximos dias, uma Ação Civil Pública, para investigar repasses do governo do estado, na gestão de Aécio Neves, para a empresa Limeira Agropecuária e Participações Ltda, proprietária do helicóptero apreendido com meia tonelada de pó. Os repasses aconteceram em 2009, 2010 e 2011.
Achei reportagens do ano passado com informações sobre suspeitas do Ministério Público contra a Limeira, empresa dos Perrela. O MP apurava possível contratação irregular, sem licitação, pelo governo do estado, além de superfaturamento. A compra da fazenda Guará (a mesma onde o helicóptero foi apreendido), avaliada em R$ 60 milhões, também estava sob a mira dos procuradores, visto que o bem havia sido ocultado pelo senador Zezé Perrela.
Hoje há uma matéria no Globo sobre o tema, mencionando as suspeitas do Ministério Público, mas sem chamada na primeira página e sem qualquer citação ao partido do governo do estado, e às relações quase íntimas entre os Perrela e o provável candidato do PSDB à presidência da república, Aécio Neves. A reportagem informa que o senador Zezé Perrela (PDT-MG) também pagou com sua verba de gabinete o combustível usado no famoso helicóptero. Zezé e Gustavo, pai e filho, estão cada vez mais enredados no caso.
O assunto não é interessante? Um possível presidente da república ser tão próximo de políticos suspeitos de serem grandes traficantes de cocaína não é do interesse da nossa imprensa “livre”, “independente”, “profissional”? Será que mais uma vez, os blogueiros terão que assumir a dianteira dessa investigação, com grande risco pessoal?

quarta-feira, 4 de março de 2015

Grife de Luciano Huck apaga imagens após ser acusada de incentivo à pedofilia

Grife de Luciano Huck é acusada de incentivar "pedofilia e cultura do estupro". Loja do apresentador global apagou imagens de crianças vestindo camisetas com dizeres polêmicos após receber enxurrada de críticas nas redes sociais

A página oficial da grife de camisetas do apresentador Luciano Huck, Use Huck, foi alvo de críticas nas redes sociais, na tarde desta terça-feira (3). Os motivos foram dois anúncios protagonizados por crianças com estampas para adulto.

O assunto repercutiu no Twitter, onde circularam imagens de um menino e uma menina usando camisas com os dizeres: “Se eu não lembro, eu não fiz” e “Vem ni mim quee eu tô facin”. As peças foram elaboradas para a coleção de carnaval e custam R$ 59,90. O termo “Luciano Huck” figura nos Trending Topics da rede social.

Os internautas apontam que as frases “incentivam a pedofilia” e a “cultura do estupro”. As imagens já foram retiradas da página, que não se pronunciou oficialmente sobre as críticas.

A grife do apresentador Luciano Huck já havia causado polêmica na internet em 2014, quando lançou uma camiseta com o slogan “somos todos macacos” logo após o incidente envolvendo o brasileiro Daniel Alves, jogador do Barcelona, que teve uma banana atirada por um torcedor em sua direção durante uma partida de futebol na Espanha.

camiseta luciano huck vem ni mim

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O diretor da Globo que quer cassar 54 milhões de votos

Sem noção
O que acontece quando um jornalista acredita na Veja e é formado pela Globo?
Bem, são grandes as chances de ele se tornar Erick Bretas.
Bretas, que ocupou diversas posições de destaque no telejornalismo da Globo e hoje é seu diretor de Mídias Digitais, fez ontem uma coisa que desafia a capacidade de compreensão.
Defendeu, no Facebook, a cassação de 54 milhões de votos dados há menos de cinco meses para Dilma.
Ele acha que Dilma deve ser objeto de impeachment. E fez questão de avisar que estará na manifestação pela queda do governo eleito em 15 de março.
Uma jornalista da grande mídia, extremamente incomodada com a fanfarronice de Bretas, foi quem me avisou.
Eu jamais ouvira falar dele, e lamento tê-lo conhecido. Mas não me surpreendo.
É uma oportunidade de as pessoas saberem como é feito o jornalismo da Globo, para além dos comentaristas e apresentadores que estão na tela.
Atrás deles, há coisa igual ou pior, como Bretas.
Ele foi diretor executivo de jornalismo da TV Globo, cargo no qual foi substituído pela jornalista Sílvia Faria, celebrizada por ter mandado tirar o nome de FHC do noticiário da Lava Jato.
Você lê Bretas e descobre por que o jornalismo da Globo é o que é.
Ele cita a Veja, publicação sem nenhum compromisso com a verdade há muitos
anos, como um muçulmano se refere ao Corão.
Isso o faria um analfabeto político, apenas, não fosse a posição que ocupa na Globo.
Imagine a forma como ele editou as reportagens quando ocupou posições de chefia na emissora. Agora pense no que esperam os consumidores do jornalismo digital da Globo sob seu comando.
E o fato é que Bretas é um na multidão dentro da Globo.
Fica claro, lendo o seu bestialógico, por que a Globo escondeu o helicóptero com meia tonelada de pasta de cocaína descoberto no helicóptero de um amigo fraternal de Aécio.
Também ficou evidente por que o aeroporto de Cláudio não mereceu uma cobertura minimamente decente da Globo.
Com editores como Bretas, como esperar que a Globo fosse tratar como deveria o espetacular caso das contas secretas do HSBC?
Isso só vai virar assunto se aparecer, na lista das contas, alguém ligado ao governo. Desde que, naturalmente, nela não figure alguém da família Marinho.
Bretas é uma aberração jornalística, e uma tragédia para o jornalismo brasileiro.
Dado o alcance da Globo, e seu poder de manipulação, é uma ameaça à sociedade. Quantos cidadãos ingênuos não são deformados pelo trabalho de jornalistas como ele?
Pessoalmente, gostaria de saber se sua indignação não se estende à sonegação multimilionária de sua empresa.
Também queria saber, imaginando que ele seja um advogado do livre mercado, sua opinião sobre a reserva que ainda hoje beneficia a Globo e demais empresas jornalísticas.
Talvez fosse bom também ouvi-lo sobre o Mensalão eterno da Globo – o dinheiro público em doses colossais que acorre à empresa por meio de publicidade federal.
Sem esse dinheiro, coisa de meio bilhão ao ano de reais apenas do governo federal (sem contar os estaduais), a Globo, tal como conhecemos, verga e quebra. E Bretas, o homem que quer cassar Dilma, perde sua boquinha.
Ele avisa, num tom estranhamente solene, que vai para a rua em 15 de março — não como um reporter para cobrir o protesto, ou mesmo como um editor para observar as coisas, mas como o que de fato é: um militante de direita fantasiado de jornalista.

domingo, 14 de setembro de 2014

Ah! Branco, dá um tempo! Carta aberta ao senhor Miguel Falabella.

 
Nosso Blog Conversa de Feira, apoiamos e assinamos a Carta aberta das Blogueiras Negras ao autor, ator e diretor Miguel Falabella sobre suas recentes declarações em relação a nova série que estreará na Rede Globo: “O Sexo e as Nêgas”. 
 
Vamos acompanhar o blog As Blogueiras Negras que estão com o projeto #AsNegaReal, uma websérie que visa discutir os episódios do seriado.
 
E você pode acessar a página no Facebook e curtir o Boicote Nacional contra a exibição na Rede Globo.
 
Em seguida a carta na íntegra:
 
Você me pergunta se vou dizer que você é racista, me responda você!
 
Racismo não é polêmica, muito menos rancor ou falta de humor. Mais que ninguém, que se pensa um defensor dos direitos de seus pares negros e portanto um aliado na luta contra o racismo, deveria saber disso. Deveria saber também que cogitar tal hipótese e ainda enumerar amigos negros para se defender, é viver num mundo tal de privilégio onde se pode rebater a crítica dizendo que as vozes de mulheres negras são apenas controvérsia, ou fazer um grande esforço para esconder o próprio racismo. Quem sabe os dois.
 
Ah! Branco, dá um tempo! Você diz que “dói” ver luta de seus colegas negros, menosprezados e invisibilizados por sua cor. No caso da mulher negra, tudo se agrava. Você certamente tem ciência das recentes e tristes notícias sobre Neuza Borges, uma das maiores atrizes que temos, mas que por seu lugar de mulher negra não encontra lugar na televisão brasileira. Vive na carne a falta da carne em seu prato porque a próxima novela não acontecerá tão cedo. Vai depender da “boa vontade” de alguém, não do seu talento.
 
Você me pergunta se o problema é o sexo ou “as nega”, querendo desacreditar nossas críticas fundamentadas não em pré-julgamento, mas em fatos veiculados na mídia. Notícias essas que agora dão conta que de repente a Globo, antes tão entusiasmada com seu projeto, parece que já não está tão feliz assim. Você argumenta que se trata de uma prosódia pura e simplesmente. Alega que o título da série veio de uma mulher negra. Aliás, me pergunto se essa mesma mulher recebeu os devidos créditos e bufunfa por sua colaboração já que foi descrita por você como nada mais que um estereótipo, alguém que não merece nome, muito menos sobrenome.
 
Não tem problema branco, vou enegrecer tudo novamente.
 
As negas, volto a explicar, não é uma questão de prosódia.
 
Tal expressão transforma o corpo da mulher negra em peça, como eram chamados os escravizados, a ser consumido por uma sociedade racista. Nos coloca no lugar de mercadoria de segunda mão que não receberá o mesmo tratamento da carne branca e delicada, aquela que não é “suas nêga”. A expressão é embuída não apenas de pensamento escravocrata, mas também de machismo, cujas consequências sentimos na pele por sermos mulheres negras.
Trata-se portanto de uma dupla violência que categoriza mulheres de acordo com sua cor de pele, qualidade que determinará qual o valor e o lugar que têm.
 
Ainda sobre o nome da série, temo que muitas pessoas não saibam a diferença entre um adjetivo racista e um adjetivo comum. Na Bahia, nego e nega tem conotações diferentes das que tem em Recife, por exemplo. E dependendo do uso da frase, do tom com que se fala, de quem recebe e de quem envia a mensagem, você ofende ou elogia. No entanto, a construção “não sou tuas nega” não permite outro significado possível que não o racismo num contexto hediondo de 350 anos de escravização. E se alguém perpetua adjetivo racista, que nome isso deve ter? Ah! Branco, me diga você!
 
Sua ideia, aos olhos poucos atentos ou interessados apenas em gerar lucro, pode até parecer de grande monta. Porém, está longe de gerar visibilidade ou dignidade. Aliás, exatamente o contrário. Como quase sempre acontece com literatura e dramaturgia feita por brancos sobre negros, nos trata como simples objeto de estudo, algo que pode ser manipulado e observado justamente como você faz, nos ensina a professora Lígia Fonseca Ferreira. Nada mais é que negrismo e não negritude, como tem insistido o escritor e jornalista Oswaldo de Camargo.
 
Sim, estou dizendo com todas as letras que quem deve escrever para o negro e pelo negro deve ser ele mesmo, não uma pessoa branca. Chame isso de racismo reverso se quiser. Para gente o nome disso é visibilidade, esta sim capaz de nos ter algum benefício, com poderes para mudar o modo como seremos retratadas na próxima novela, na próxima minissérie. Sem isso, nada mudará, seguiremos sendo uma sociedade estruturalmente racista e machista onde a mulher negra nada mais é que um estereótipo para racista se divertir ou entreter.
 
Uma sociedade em que nós, mulheres negras, não somos protagonistas nem mesmo num seriado a quem damos o nome. Sim, as notícias têm mudado, mas as primeiras davam conta de uma branca como a atriz principal. Ela que, atrás de um balcão de bar, vai nos observar como animais num zoológico, ela quem fala em nosso lugar. Nossa história, sofrimento e capacidade de discursar sobre nós mesmas são meros detalhes. A narradora da trama, nesse caso narrador, é alguém isento desse mesmo sofrimento. Não é bobagem, nem caretice, nem ditadura do politicamente correto como alguns vão afirmar. É critica e zelo por nossa memória e existência.
 
Você argumenta que “um programa que refletisse um pouco a dura vida daquelas pessoas, além de empregar e trazer para o protagonismo mais atores negros” seria desejável. E na verdade seria mesmo. Desde que escrito, produzido e protagonizado por negros. Não por alguém que nem se deu ao trabalho de creditar a mulher negra que deu o título à série. Esse detalhe é causa e ao mesmo tempo consequência de todos os outros: a fetichização de nossa sexualidade e corpos, a ênfase nos estereótipos, a violência simbólica que a série representa.
 
Como pretender que nos desumanizar é visibilidade? Desde quando nos tratar como a carne mais barata do mercado como canta Elza, a Soares, é ser aliado? Ah! Branco, dá um tempo! Suas palavras apenas enfatizaram suas intenções, a cada parágrafo tivemos a certeza de que nossas críticas são fundamentais e muito bem fundamentadas, por isso incomodam tanto. Seguiremos denunciando o racismo e o machismo daqueles que se fiam no privilégio para destilar veneno e cometer tais violências contra a mulher negra.
 
Isso não é sobre sexo. É sobre denunciar um sistema perverso que exclui as mulheres negras de todas as esferas e nos torna menos que humanas. Sistema esse que também incide sobre o homem negro, alvo primeiro e preferencial da violência policial e da hipersexualização do seu corpo: o “homem do pau grande” é resultado da brutal animalização do corpo negro, sempre pronto pro sexo. Onde está a crítica desse sistema na televisão brasileira? De certo não está em seu seriado, muito menos em sua fala.
 
Repudiamos suas palavras porque fomos estupradas nas senzalas e continuamos a ser na dramaturgia feita por brancos sobre nós através de imagens estereotipadas em seriados, novelas e minisséries. Esse é um dos mecanismos que a aliança entre o racismo usa para se perpetuar: hipersexualizando a mulher negra que se torna desprezível para outros papéis sociais. Você fala da mulata quente, gostosa, fogosa. Somos muito mais que isso. Precisamos ser mostradas como as mulheres do dia-a-dia, que trabalham, dançam, fazem festa e querem sexo sim, mas que não são apenas isso.
 
Não estamos aqui menosprezando nem dizendo que não somos camareiras, domésticas, cabeleireiras: também somos trabalhadoras domésticas, cuidadoras. Mas sobretudo, com as nossas conquistas e a nossa luta, galgamos lugares, posições: somos diretoras, bailarinas, advogadas, publicitárias, escritoras, professoras e médicas. Onde elas estão no seu seriado? Será que elas não moram em Cordovil? Será que elas não estão nas periferias? Duvido muito. NÃO aceitaremos mais ser caricaturas! Por isso a critica vai além do nome da série, o que por si só é deveras problemático.
 
Ah! Branco, dá um tempo! Nem queremos crer que você está se comparando e recorrendo a Spike Lee para credibilizar seu trabalho. Não, nos recusamos. E não é somente porque Spike Lee é preto, é porque não vemos nada, absolutamente nada de crítica racial em “Sexo e as Nega” como vemos em “Faça a coisa certa”. O gueto é paisagem, mas também é a vida, é a teia, é o sangue do autor que não está só observando e contando sua versão dos fatos: Spike Lee está no gueto, ele é o gueto. E não alguém que não é “as nega”, alguém que pretende que nosso único objetivo de vida é ter um parceiro sexual.
 
E por favor, respeite nossa memória e retire suas palavras ao nos chamar de capitães do mato. Não estamos perseguindo as atrizes negras desse seriado, muito menos as mulheres reais que são representadas pelas suas personagens. Quem conhece um pouquinho de história e dela faz um uso bem intencionado, sabe que existem outras versões além daquela em que fomos escravizados sem lutar, viemos sem resistência num navio negreiro. Não se faça de desentendido, quem criou capitães do mato não foram os próprios negros.
 
Acusar alguém de “se tornar capitão do mato” é algo muito mais complexo do que formular uma frase. É impossível que sejamos algozes de nós mesmos, isso é falácia. Retire sua fala e reflita sobre o que significa nosso boicote e critica que têm como alvo um modelo e um sistema historicamente racistas, em que nem o direito de falar, contar nossas próprias histórias e tecer criticas nós temos. Repito: isso não é uma caçada ao povo negro nem à mulher preta e pobre. É sobre o racismo enrustidamente manifesto, sem nem se sentir ou admitir.
 
Manifestamos profunda oposição a esse mundo, de quem bate e finge entender a dor daquele que apanha. Esse mundo onde racismo agrada, é piada pronta para gerar audiência e naturalizar o racismo. Estamos fartas do seu discurso, de programas que usam blackface, que transformam toda mulher negra em empregada doméstica ou mulata globeleza. Nossos corpos não são espaço para seu deleite, divertimento, lucro ou usufruto. Nós somos mulheres negras de pena e teclado, ciosas e autoras de nossos próprios enredos e objetivos de vida.
 
Ah! Branco, dá um tempo! Quem nos silencia é racista sim.