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sexta-feira, 10 de março de 2017

“Parece uma travesti” então tu és linda!

Maria Clara de Sena. Foto de Wagner Silva.
Por Ana Flor Fernandes Rodrigues* 
Durante muito tempo as características e beleza de uma travesti foram atribuídas a partir de um olhar depreciativo. Neste caso, referir-se aos sujeitos como “travesti” significava – e em muitos lugares ainda se perpetua essa visão – afirmar que o outro é feio. Logo, escrevo com o intuito de desmistificar essa visão pejorativa que é posta sobre identidades e corpos desse determinado grupo, visando criar novas óticas que desconstruam uma visão una de beleza.
Antes de iniciar, é preciso que consigamos compreender como surge o histórico que coloca essas meninas nesse determinado local. Afinal, se identificamos alguém enquanto desprovida de beleza é porque existe uma construção que determinou o que seria o belo. Principalmente quando o fato de ser comparada com uma travesti vem com o intuito de nos pôr em uma situação vexatória.
Quando falamos no Brasil – país líder em assassinatos de travestis e mulheres trans – torna-se possível perceber que existe um processo histórico e social que proporcionou violências e equívocos no que tange o quesito beleza em relação às travestis. É notório o processo desumanizador fincado na experiência desta população. O que nos permite refletir sobre duas posições contraditórias: ou temos o direito de sermos agentes socializadores que irão contra esse processo; ou permaneceremos caladas e calados e seguiremos vivenciando as facetas da violência transfóbica.
O que nos mostra que não podemos ignorar a existência de uma origem para que travestis estejam, erroneamente, ligadas ao que para algumas pessoas acaba sendo um sentimento de vergonha.
Mesmo muitas dessas já tendo estrelado capas de revistas, editoriais de moda, sendo musas da periferia até o Miss Universo T, participado de novelas e grandes filmes, ainda estamos inseridas em um contexto que reforça, cotidianamente, que esses não são os nossos lugares.
Então, faz-se necessário questionar os padrões estabelecidos sobre os nossos corpos, visto que falar sobre travestilidade é penetrar as mais diversas formas de ser; compreendendo que não existe uma fórmula única sobre essa identidade. Ser bonita não é, nem de longe, ser igual. Bonita é ser diferente e, como muito bem pontua Tomaz Tadeu da Silva: ser diferente não significa ser desigual. Logo, é baseado nessa perspectiva que devemos nos guiar. Projetando a imagem das travestis a partir de outro contexto que fuja e destrua o que insiste nos interligar ao senso do ridículo.
Aproveito também para dizer que não devemos apenas questionar o que é lido enquanto deslumbrante e lindo, mas também o que historicamente vem sendo colocado enquanto feio.
Quando pensamos em corpos gordos, por exemplo, automaticamente ligamos ao bruto, de forma que venha a inferiorizar quem não é magro. Como se essas performances não pudessem ocupar o espaço de beleza que vem sendo construído desde décadas passadas. Não tão diferente, com pessoas negras. Não é possível esquecer quando mulheres negras eram apenas “as pretas do fogão”. Muito menos a exotificação que é jogada, desde o período escravocrata, sobre os homens negros. Gays afeminados estão sempre sendo lidos enquanto “engraçadas”, mas nunca enquanto bonitos. Mc Linn da Quebrada, artista que vem construindo uma carreira que trás consigo seu corpo enquanto ferramenta de luta que questiona a heteronorma, em uma das suas músicas, A Lenda, levanta essa questão de que se você não é branca, cisgênero e assimilada, você não é  bonita, mas sim apenas engraçada.  Percebam como todos esses eixos se interseccionam e nos possibilitam compreender qual seria a necessidade de existir os questionamentos. Afinal, existe por trás dessas definições, como citei no início do texto, uma estrutura que determina nossas leituras sobre os indivíduos.
Sendo assim, criar mecanismos para que consigamos construir narrativas e proporcionar que travestis não sejam associadas a algo ruim, é entender que para ser bonita não é preciso desejar o reflexo do que nos foi imposto, mas sim ter o direito de se construir sem que o outro interfira. Se existe hoje um padrão de beleza esse deve ser repensado e, sendo um pouca ousada, destruído. Pois, lindo é tudo aquilo que é diverso, variado. Não acredito que isso aconteça de uma hora para outra, é claro que existe uma demanda de tempo sobre as estruturas dos processos culturais, mas o alerta sobre essa urgência precisa estar sempre ligado. Ressignificar as terminologias é algo que deve ser colocado em pauta nesse futuro tão próximo. Então, se um dia alguém ousar te chamar de travesti acreditando que soará como ofensa, reaja: se pareço ou sou uma travesti, sou linda.
Autora
*Ana Flor Fernandes Rodrigues, 21 anos. Graduanda em Pedagogia na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. Estagiária em Assistência Pedagógica na Organização Galera da Redação. Estuda e Pesquisa em temas relativos à gênero e sexualidade. Modéstia parte, uma travesti muito bonita! Militante por direitos para travestis e pessoas trans.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A direita tem o culpado. Agora procura o crime...

Em artigo publicado neste domingo (14), o escritor Eric Nepomuceno aponta uma inversão da lógica policial nas investigações em curso no Brasil; antes, do crime partia-se para a busca do culpado; hoje, acontece o inverso. 


Por Eric Nepomuceno*


A verdade é que existe, tanto no PT como no grupo mais próximo a Lula da Silva, um claro incômodo diante do silêncio da presidenta Dilma Rousseff e seu governo com relação ao verdadeiro massacre sofrido pelo ex presidente. Uma muito bem organizada ação articulada por amplos e poderosos setores da Polícia Federal, do Ministério Público e, claro, dos grandes meios hegemônicos de comunicação encontraram num juiz de província chamado Sérgio Moro o eixo para uma campanha como não se via no Brasil há pelo menos 65 anos, cujo objetivo é a rápida e fulminante desconstrução da imagem do mais importante líder popular surgido desde Getúlio Vargas, o mítico presidente que, acossado por campanha similar, optou por se matar em agosto de 1954.

São ingredientes claros de toda clareza. De um lado, os partidos de oposição, encabeçados pelo PSDB (Partido da Socialdemocracia Brasileira), nocauteado pelo PT de Lula em quatro ocasiões sucessivas em suas tentativas de voltar à presidência.

Dando mostras de que sua irresponsabilidade desconhece limites, o PSDB não apenas tanta o golpe institucional por duas vias – a do julgamento político no Congresso, e a da impugnação das eleições de 2014, que reconduziram Dilma Rousseff à presidência, no Tribunal Superior Eleitoral – como se dedica, dia sim e o outro também, a derrotas medidas propostas pelo governo que foram precisamente criadas e defendidas durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), principal expressão do partido. Assim, qualquer coisa que possa ser prejudicial ao governo, não importando as consequências sobre o país, merece o rápido apoio do PSDB.

De outra parte, o verdadeiro combustível da fogueira destinada a tentar carbonizar Lula da Silva sem de um esquema tão visível como absurdo, sem que ninguém tente desfazê-lo.

A coisa funciona assim: algum funcionário da Polícia Federal adverte os meios hegemônicos de comunicação que foi detectada uma suspeita sobre Lula da Silva (as provas e indícios são, claro, desnecessárias). A informação é imediatamente publicada pela imprensa e disseminada pela televisão, especialmente a Globo, que cresceu e se fortaleceu durante a ditadura militar (1964-1985), e não oculta a nostalgia daqueles bons tempos.

Baseado nessa notícia, algum procurador de escalão intermediário pede à Polícia Federal uma investigação. O juiz Sérgio Moro autoriza, e pronto.

Muitos dos delegados da Polícia Federal que investigam o esquema de corrupção implantado na Petrobras e outras estatais fizeram campanha, nas redes sociais, para o derrotado Aécio Neves, do PSDB, contra Dilma, em 2014.

Muitos dos procuradores que orbitam ao redor do juiz Moro integram seitas evangélicas que se opõem a tudo que se refira ao governo, e alegremente participam de cerimonias condenando Lula, Dilma, o PT e tudo que tenha cheiro de esquerda ao fogo eterno.

Moro, ídolo máximo da direita, atua como Justiceiro Supremo. Não parece preocupado com os escandalosos abusos ditados pela sua pluma afiada e sua voz fininha. O que importa é manter empresários e políticos presos inexplicavelmente até que aceitem o recurso da delação premiada e confessem qualquer coisa com tal de voltar para casa.

Há, efetivamente, uma inexplicável inação da parte do ministro de Justiça de Dilma, a quem a Polícia Federal está subordinada administrativamente. Não se trata, claro está, de impedir que se investigue a fundo e sem limites todo e qualquer ato de corrupção. Mas, por que não impedir o vazamento seletivo, à imprensa, de acusações sem prova alguma? Por que permitir que não se investigue denúncias contra partidos de oposição, que se multiplicam sem parar? Nenhuma medida é adotada para que os minuciosos regulamentos de conduta sejam respeitados e obedecidos.

Seja como for, alguma coisa já se conseguiu: Lula é o culpado. De quê? De ser dono de um apartamento de classe média num balneário decadente que ele mesmo admitiu ter tido como opção de compra, da qual desistiu. De ser dono de um sítio que está em nome do filho de um de seus melhores e mais antigos amigos.

Ambos os imóveis foram reformados por construtoras envolvidas em escândalos de corrupção. E que, por sua vez, são as mesmíssimas que financiaram a compra do imóvel e do luxuosíssimo mobiliário do instituto de outro ex presidente, Fernando Henrique Cardoso, do tão moralista PSDB.

Cardoso é um intelectual de alto coturno, um exemplo nítido das elites acadêmicas não apenas de seu país, mas do continente. Uma doação ao seu instituto é um ato de generosidade do empresariado.

Lula da Silva é um operário de escassíssima cultura acadêmica, mas de indescritível sensibilidade social e intuição política. Uma doação ao seu instituto é, claramente, um ato de corrupção.

A grande imprensa e a direita ressentida já têm o culpado: Lula da Silva. Agora tratam de descobrir qual o crime cometido.

O mais importante, o essencial, é impedir que ele torne a ser eleito em 2018.


*Eric Nepomuceno é jornalista, escritor e tradutor.



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Mino Carta: Isto não é jornalismo

Não é difícil entender que a casa-grande
 está apavorada com a possibilidade
 do retorno de Lula à Presidência
O comportamento da mídia nativa é o sintoma mais preciso da decadência do Brasil
Incomodavam-me, em outros tempos, os sorrisos do sambista e do futebolista. Edulcorados pela condescendência de quem se crê habilitado à arrogância. Superior, com um toque de irônica tolerância. Ou, por outra: um sorriso vaidoso e gabola.
Agora me pergunto se ainda existem sambistas e futebolistas capazes daquele sorriso. Foi, aos meus olhos, por muito tempo, o sinal de desforra em relação ao resto do mundo, a afirmação de uma vantagem tida como indiscutível. Incomodou-me, explico, considerar que a vantagem do Brasil, enorme, está nos favores recebidos da natureza e atirados ao lixo pela chamada elite, que desmandou impunemente.
Quanto ao sambista e ao futebolista, não estavam ali por acaso. Achavam-se os tais, e os senhores batiam palmas. Enxergavam neles os melhores intérpretes do País e no Carnaval uma festa para deslumbrar o mundo.
O Brasil tinha outros méritos. Escritores, artistas, pensadores, respeitabilíssimos. Até políticos. Ocorre-me recordar a programação do quarto centenário de São Paulo, em 1954, representativa de uma metrópole de pouco mais de 2 milhões de habitantes e equipada para realizar um evento que durou o ano inteiro sem perder o brilho.
Lembro momentos extraordinários, a partir da presença de telas de Caravaggio em uma exposição do barroco italiano apresentada no Ibirapuera recém-inaugurado, até um festival de cinema com a participação de delegações dos principais países produtores.
A passar pela visita de William Faulkner disposto a trocar ideias com a inteligência nativa. Não prejudicaram a importância da presença do grande escritor noitadas em companhia de Errol Flynn encerradas ao menos uma vez pelo desabamento do primeiro Robin Hood de Hollywood na calçada do Hotel Esplanada.
A imprensa servia à casa-grande, mas nela militavam profissionais de muita qualidade, nem sempre para relatar a verdade factual, habilitados, contudo, a lidar desenvoltos com o vernáculo. Outra São Paulo, outro Brasil.
Este dos dias de hoje está nos antípodas, é o oposto daquele. A despeito da irritação que então me causava o sorriso do futebolista e do sambista, agora lamento a sua falta, tratava-se de titulares de talentos que se perderam.
Vivemos tempos de incompetência desbordante, de irresponsabilidade, de irracionalidade. De decadência moral, de descalabro crescente. Falei em 1954: foi também o ano do suicídio de Getúlio Vargas, alvejado pelo ataque reacionário urdido contra quem dava os primeiros passos de uma industrialização capaz de gerar proletariado, ou seja, cidadãos conscientes de sua força, finalmente egressos da senzala.
Recortes
Segundo a Folha, Lula carrega o triplex nas costas, igual a mochila
Não cabe, porém, compararCarlos Lacerda com os golpistas atuais, alojados na mídia, grilos falantes dos barões, a serviço do ódio de classe. Lacerda foi mestre na categoria vilão, excelente de fala e de escrita.
Os atuais tribunos de uma pretensa, grotesca aristocracia, são pobres-diabos a naufragar na mediocridade. Muitos deles, como Lacerda, começaram na vida adulta a se dizerem de esquerda, tal a única semelhança. Do meu lado, sempre temi quem parte da esquerda para acabar à direita.
Os sintomas do desvario reinante multiplicam-se, dia a dia. Alguns me chamam atenção. Leio, debaixo de títulos retumbantes de primeira página, que o ex-ministro Gilberto Carvalho admitiu ter recebido certo lobista.
Veicula-se a notícia como revelação estarrecedora, e só nas pregas do texto informa-se que Carvalho convidou o visitante a procurar outra freguesia. De todo modo, vale perguntar: quantos lobistas passam por gabinetes ministeriais ao praticar simplesmente seu mister? Mesmo porque, como diria aquela personagem de Chico Anysio, advogado advoga, médico medica, lobista faz lobby.
Outro indício, ainda mais grave, está na desesperada, obsessiva busca de envolver Lula em alguma mazela, qualquer uma serve. Tanto esforço é fenômeno único na história contemporânea de países civilizados e democráticos. Não é difícil entender que a casa-grande está apavorada com a possibilidade do retorno de Lula à Presidência em 2018, mesmo o mundo mineral percebe.
Mas até onde vai a prepotência insana, ao desenrolar o enredo de um apartamento triplex à beira-mar que Lula não comprou? A quem interessa a história de um imóvel anônimo? Que tal falarmos dos iates, dos jatinhos, das fazendas, dos Rolls-Royce que o ex-presidente não possui?
Este não é jornalismo. Falta o respeito à verdade factual e tudo é servido sob forma de acusação em falas e textos elaborados com transparente má-fé. Na forma e no conteúdo, a mídia nativa age como partido político.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Brasileiro repele migrante de origem pobre e tolera o de país rico

Campanha internacional “Refugiados Sejam Bem-Vindos”
visa a promover ações de sensibilização para acolhida. DANILO RAMOS/ RBA
Sarah Fernandes
Da RBA
O preconceito de brasileiros contra refugiados sírios e africanos que chegam ao país tem mais a ver com o fato de essas pessoas virem de países pobres do que por estarem fugindo de conflitos. Essa é a opinião do diretor executivo do Instituto de Reintegração do Refugiado (Adus), Marcelo Haydu, que na noite de quarta-feira (4) participou do seminário Migração e Refúgio: O migrante como sujeito de direitos, promovido pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, na capital.
“Alguém aqui é só índio?”, questionou para as mais de 100 pessoas presentes no auditório. “Ninguém!”, emendou, ao observar que no Brasil, país formado por migrantes, está presente o preconceito contra alguns tipos de migrantes. “Na salinha do Aeroporto de Guarulhos você não vai encontrar um francês ou um americano. Lá estão apenas os africanos, que são vistos como uma ameça. Quem é a ameaça? Por que a questão do refúgio continua sendo tratada pela Polícia Federal?”
Nos últimos cinco anos, pelo menos 300 mil europeus migraram para o Brasil, a maioria para ocupar cargos altos em grandes empresas, segundo dados levantados pelo Instituto Adus. “Isso ninguém questiona. Ninguém diz que eles estão vindo para cá roubar nossos empregos, porque os europeus e os norte-americanos têm imagem atrelada a desenvolvimento, cultura e acredita-se que eles vão contribuir para o crescimento do país. Aos refugiados resta a imagem pobreza e a doença”, diz Haydu. “Os refugiados não chegam a 9 mil pessoas contra os 300 mil europeus. Por que eles não incomodam?”
O seminário marcou o lançamento no Brasil da campanha internacional Refugiados Sejam Bem-Vindos, que visa a promover ações de sensibilização na população para explicar quem são os refugiados e por que se deslocam e debater o fato de as migrações serem um dos elementos fundamentais na constituição do mundo.
A primeira ação foi convidar os participantes do seminário a escrever em uma parede sua ascendência, com o intuito de mostrar que a migração também é um elemento presente nas histórias pessoais. “Filha de português”, “neto de italianos”, “bisnetos de sírios”, foram algumas das frases que preencheram o espaço. A próxima ação será uma campanha em shoppings da capital paulista. Em uma página no Facebook serão divulgadas fotos de pessoas que aderiram à campanha, segurando uma placa escrito “bem-vindos refugiados”.
“Há um interesse econômico. Aqui no Brasil, por exemplo, todo mundo sabe onde estão os bolivianos explorados, mas eles suprem uma cadeia de mão de obra interna nossa, ganhando centavos pelas peças que fazem, trabalhando em situações insalubres e desumanas, e não se faz nada porque eles suprem uma demanda”, diz Haydu.
O Brasil tem hoje 8.400 mil pessoas refugiadas de 81 países, de acordo com o último levantamento do Comitê Nacional para os Refugiados. A maioria deles é da Síria (23%), seguida por Colômbia, Angola e República Democrática do Congo. O número de solicitação de refúgios ao governo brasileiro aumentou 22 vezes entre 2010 e 2014, de 1.165 para 25.996, de acordo dados do Ministério da Justiça, divulgados em junho. O país recebeu mais pedidos de refúgio do que a Austrália e quase a mesma quantidade do Canadá, sendo o mais solicitado da América Latina.
Atualmente, a legislação vigente para regular as migrações é o Estatuto do Estrangeiro, de 1980. No entanto, em 2013, o Senado aprovou um novo projeto de lei para regular as migrações, o PLS 288/13, que agora está na Câmara Federal, como PL 2516/15. A expectativa do relator na Comissão Especial onde o projeto tramita, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) é que ele seja votado até o final do ano.
“É o momento em que chegam muitos migrantes e também é o momento em que muitas manifestações negativas começam a aparecer. Nesse estágio ainda é possível contrapor esse comportamento por meio de uma legislação que de um tratamento mais adequado ao tema”, defende a coordenadora Adjunta da Coordenação de Políticas para Migrantes da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, Camila Baraldi.
Durante o evento, Camila avaliou que o projeto trás avanços, principalmente ao facilitar a emissão de documentos e garantir acesso aos programas sociais ao imigrantes, porém ainda preserva mecanismos considerados “contraditórios”, como a deportação e a extradição. “É uma falha básica do projeto. Se pode questionar a existência desses recursos já que se trata de uma legislação que se propõe a reconhecer as migrações e os direitos humanos dos migrantes”, disse. “É preciso garantir que essa temática seja incluída na formulação de políticas públicas e que as responsabilidades sejam distribuídas dentro do governo. Quem vai fazer a acolhida humanitária? Quem vai fazer a inclusão laboral? Quem vai garantir o acesso à moradia?”
Fonte: Sul21

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A barbárie no ar: as TVs brasileiras e o estímulo à violência


"Então, a praga acabou de ser grampeada... Passa logo fogo num cara desse aí... É uma pena que ele não reagiu, porque a rapaziada passaria fogo nele de uma vez e tava tudo certo"



Exatamente 1.936 violações de direitos são cometidas em um mês no rádio e na TV, por apenas 30 programas. Os autores dessa façanha não são os personagens, geralmente negros e pobres, apresentados com estardalhaço diariamente pelos programas policialescos. São os próprios apresentadores, em conluio com repórteres e produtores – a autoridades –, sob o comando dos dirigentes das emissoras que abrem espaços para essas aberrações. A constatação está numa pesquisa realizada pela Andi – Comunicação e Direitos, uma organização social que há 21 anos trabalha para dar visibilidade na mídia a questões relacionadas aos direitos das crianças e dos adolescentes. Entre outras ações, criou o projeto Jornalista Amigo das Crianças, que já reconheceu com essa qualidade 392 profissionais em atuação no país.

Os chamados programas policialescos entraram na mira da Andi diante das seguidas violações cometidas contra a infância e adolescência. A pesquisa constatou que as violações, em nove categorias de direitos, vão muito além dessas faixas e atingem toda a sociedade.

Exemplos não faltam. A presunção de inocência, uma das categorias selecionadas pela pesquisa, é constantemente violada. No programa Balanço Geral, da TV Record, uma chamada diz "Pai abandona filho em estrada do RS" e o apresentador acrescenta: "Um pai abandonou uma criança nas margens de uma rodovia? Fez!" Apesar do desmentido do pai, a acusação constitui um claro desrespeito à presunção de inocência, garantida no artigo 5º da Constituição brasileira.

O estímulo à violência como forma de resolver conflitos é outra marca desses programas. Como nesse exemplo pinçado pela pesquisa na Rádio Barra do Piraí AM, programa Repórter Policial. Uma pessoa acaba de ser presa pela polícia e o apresentador anuncia: "Então, a praga acabou de ser grampeada. Não seria o caso, né? Passa logo fogo num cara desse aí! (...) É uma pena que ele não reagiu, porque a rapaziada passaria fogo nele de uma vez e tava tudo certo".

Só nesse caso são violadas cinco leis brasileiras, cinco acordos internacionais firmados pelo Brasil e um código de ética profissional. Entre eles a Constituição Federal, o Regulamento dos Serviços de Radiodifusão (é considerada infração ao regulamento "incitar a desobediência às leis ou às decisões judiciárias" e "criar situação que possa resultar em perigo de vida") e o Código de Ética dos Jornalistas Profissionais (jornalista não pode usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime).

Outra categoria: discurso de ódio e preconceito. No programa Brasil Urgente, da TV Bandeirantes, o apresentador José Luiz Datena faz enquete para saber quem acredita em Deus e diz: "...ateu eu não quero assistindo o meu programa. ‘Ah, mas você não é democrático.’ Nessa questão não sou não, porque um sujeito que é ateu, na minha modesta opinião, não tem limites, é por isso que a gente tem esses crimes por aí..."

Só com essas frases o apresentador violou seis leis brasileiras, três pactos multilaterais firmados pelo Brasil e mais uma vez o Código de Ética dos Jornalistas, além de desrespeitar princípios e declarações internacionais de defesa da liberdade de expressão. E ainda ignorar os muitos crimes de Estado, guerras e outras violências que foram cometidos ao longo da história, e ainda o são, em nome de supostas causas religiosas

O fato de se apresentarem como "jornalísticos" faz com que esses programas escapem da classificação indicativa de horários para determinadas faixas etárias do público telespectador. Passam a qualquer hora oferecendo às crianças e jovens esse festival de ódio e violência. Mas de jornalismo têm pouco. São programas de variedades, espetacularizando fatos dramáticos da vida real com tentativas até de fazer um tipo grotesco de humor.

Numa edição gaúcha do programa Balanço Geral, por exemplo, o apresentador Alexandre Mota, ao narrar a morte de um suspeito pela polícia, fingia chorar copiosamente clamando de forma irônica pela vinda dos defensores dos direitos humanos. Em seguida, estimulado por uma repórter, passa a sambar alegremente diante das câmeras.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

"Brasil sempre foi a terra da ignorância e da burrice"


Do blog Tudo Em Cima,

Sabe, eu não entendo por que tanta gente está surpresa com o crescimento da mentalidade nazi-fascista entre a população do Brasil.


Gente, vocês não conhecem o próprio país em que vivem? Aqui é uma terra onde a ignorância transborda e a burrice prevalece, inclusive - e principalmente - entre aqueles que tem diploma do ensino superior e até doutorado.



E eu me incluo nisso também. Nunca li um livro do Machado de Assis, por exemplo. No mar de estupidez e boçalidade que é a sociedade brasileira, especialmente a elite e a classe média, eu estou só com a cabecinha pra fora. Agora, imagina o resto...



Conheço gente com carteirinha do PT assinada que fala coisas que envergonhariam até o Bolsonaro. Duvida? Entra em assuntos como homossexualismo, drogas, pena de morte, sexo, religião... Já ouvi coisas que me deixaram de cabelo em pé de gente que se declara comunista.



Óbvio que não é a maioria entre nós que age assim, mas só estou querendo dizer que se entre nós, da esquerda, está cheio de gente assim, imagina então no resto da população, que está à um passo de relinchar, enquanto faz compras em Miami?



Vocês não conhecem o Brasil? O Brasil é isso, gente. Sempre foi.




Agora eles apenas perderam a vergonha, porque o efeito manada está cada vez mais forte e formou uma onda que leva todos - sempre grudados na tela da Globo...


quinta-feira, 25 de junho de 2015

O que aconteceu com os jornalistas?

Por Taís Seibt*
E os produtores de informação? O que aconteceu com eles? O questionamento vem de um diálogo imaginado pelo jornalista alemão Richard Gutjahr [ver aqui], supostamente em 2049, no qual um ser futurista mostra-se incrédulo acerca de hábitos midiáticos característicos do nosso tempo. Não existia Facebook? Se você não ligasse a televisão no horário determinado a informação já não estaria mais disponível? Havia gente que ganhava dinheiro com informação? Como assim?
O texto que imagina esse diálogo surgiu em minha timeline quase ao mesmo tempo em que a inacreditável matéria da revista Época sobre “os documentos da Odebrecht que o Itamaraty quis esconder” [ver aqui] gerava repercussão entre colegas de ofício. Especulava-se em reportagens anteriores que o ex-presidente tivesse recebido benefícios da empreiteira enquanto estava no poder e que o Ministério das Relações Exteriores estariam tentando evitar que a imprensa tivesse acesso a correspondências envolvendo a empresa e o então presidente.
O inacreditável nesse caso é que quando finalmente o esforço de reportagem da Época teve efeito, ou seja, quando os documentos foram disponibilizados pelo Itamaraty, a revista se absteve de interpretá-los. Sob a cartola “exclusivo”, Época divulgou um arquivo de 2 mil páginas com telegramas citando a empreiteira durante o governo Lula sem qualquer tratamento jornalístico que minimamente apontasse alguma razão pela qual, supostamente, o Itamaraty estivesse querendo esconder tais documentos.
Prática disfarçada de jornalismo colaborativo
Em um texto de três parágrafos, a revista enumera justificativas para a publicação dos arquivos brutos, como o fato de as páginas terem sido entregues impressas e fotografadas uma a uma ou o arquivo em PDF não permitir pesquisas por palavra-chave, para, ao final, delegar aos leitores a tarefa de encontrar a notícia: “Ajude a equipe de Época a analisar os documentos. Se encontrar, nos telegramas, algo que mereça a nossa atenção para uma reportagem, envie um e-mail.” Ora, o que aconteceu com os jornalistas?
Ao abrir mão do seu papel interpretativo, os jornalistas estão deixando escapar uma das últimas propriedades que poderiam justificar sua permanência na sociedade, já que as “chaves dos portões” do espaço público não lhes pertencem mais há algum tempo. Ainda que a aceitação de uma visão construcionista do jornalismo exponha a incidência de ideologias, relações de poder, tendências políticas, favorecimento econômico e outros fatores nos processos produtivos da notícia, a capacidade de interpretar, contextualizar e certificar informações é uma das poucas vantagens que o jornalista ainda preserva em relação aos algoritmos que operam como os verdadeiros gatekeepers contemporâneos.
A propósito, no futuro imaginado pelo jornalista alemão citado na abertura deste artigo, os jornalistas terão sido substituídos por robôs autoconscientes capazes de escrever e as empresas de mídia terão ficado em um passado nem tão distante em que os jornalistas eram tidos como pessoas respeitáveis que coletavam e distribuíam informações, pelas quais outras pessoas pagavam para ter acesso.
Se com um produto jornalístico acabado já não há um modelo lucrativo de negócio para o jornalismo na internet, não será delegando aos leitores a tarefa de interpretar as informações que o mercado da mídia se tornará economicamente sustentável nesse ambiente. Sem contar que essa prática, disfarçada de jornalismo colaborativo, pouco contribui para a manutenção da credibilidade dos jornalistas como pessoas respeitáveis que coletam e distribuem informações. E se o enxugamento progressivo das redações parece uma explicação possível para o apelo daÉpoca aos leitores, então é mesmo questão de tempo para que surjam robôs escritores em condições de tornar o jornalista uma profissão obsoleta.
*Taís Seibt é jornalista e doutoranda em Comunicação.


Foto ilustrativa postada pelo blog.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Dominação econômica global ou terceira guerra mundial?



Por LUÍS CARLOS ROMOLI DE OLIVEIRA

Os Estados Unidos da América estão, nestes últimos dias, jogando sua grande cartada: um tudo ou nada que só saberemos o que deu dentro de alguns meses, talvez uns 12 a 18 meses.

Junto com alguns [aliados] países fortes da OPEP, como a Arábia Saudita e alguns players europeus que não querem aparecer, conseguiram enlear algumas economias do mundo, como a Rússia, Brasil, Irã, Venezuela e vários outros com algo que poderá ser o maior blefe de toda a história. Ou quem sabe, se der certo o plano deles, conseguirão dar um golpe de misericórdia nessas nações para manterem e expandirem o seu status quo de hiperpotência mundial por mais algumas gerações.

Por conta de seu [subsidiado e] criticadíssimo projeto de extração de petróleo de xisto, algo calamitosamente agressivo à natureza, estão forçando uma baixa de quase 50% nos preços do petróleo tradicional em todas as bolsas do mundo. Dizem [e há quem acredite] que sua produção de óleo de xisto aumentou significativamente suas reservas estratégicas e que, por isso, podem baixar os preços em 50%, algo impensável há apenas poucos meses atrás.

Junto com essa massiva desvalorização, estão tentando desestabilizar as nações ricas em petróleo em seu próprio quintal, a Venezuela e o Brasil.

Na Venezuela, os ataques predadores na economia já fizeram com que a inflação chegasse na casa dos 50%, enquanto no Brasil existe um [conveniente e amplificado] ri-fi-fi de denúncias ainda não comprovadas de um grande desfalque nas contas da Petrobras, que poderá inviabilizar a empresa e causar sérios danos, como a queda do valor de face de suas ações para menos da metade do que valiam há apenas alguns meses atrás, além de grande desemprego e convulsão social. Tudo num plano de [planejado] sincronismo espetacular.

O grande jogo que [os EUA] jogam hoje é desestruturar tanto a Venezuela como o Brasil e a Rússia e, quem sabe, também a China, e apossarem-se "financeiramente" de suas reservas petrolíferas, talvez comprando-as por qualquer ninharia na bacia das almas nessas horas de vacas magérrimas, quando o valor das ações dessas empresas já valem metade do que valiam ontem.


Tão logo essa conquista "via mercado financeiro" se confirme, vão anunciar que o projeto do xisto não deu certo, mas que, nesse ínterim, compraram os poços da Venezuela, da Russia e do Brasil. E pronto! Deu-se o golpe que estão ensaiando já há vários anos, sem disparar um único tiro. Terá bastado somente uma sequência de protoataques como vimos na última década: contra a tal da praga da ameaça bolivariana; com o câncer em cinco chefes de governo na América Latina num mesmo momento; com o [violento] "não vai ter Copa" no Brasil; com a "opção-legal" de Joaquim Barbosa e o Mensalão; com a opção desesperada Marina Silva, que também não vingou, e agora com um "terceiro turno" das eleições democráticas do mês passado e mais o megaescândalo que ainda nem é um processo judicial, mas já xacoalhou toda a estrutura do novo governo brasileiro... Tudo isso, junto com a benesse momentânea e surpreendente do discutidíssimo óleo de xisto, estão colocando de joelhos a maior e mais dinâmica empresa brasileira, que tinha entre suas principais metas promover o maior resgate histórico da educação e da saúde neste país em seus 500 anos de vida, com os royalties do pré-sal.

No entanto, o que vemos neste momento é que a Petrobras está sendo colocada sobre terrível stress que poderá romper não só nosso sistema financeiro e político como nossos planos de resgaste de nossa soberania através da educação e da saúde do povo.

Junto, tentarão rolar a Rússia e talvez a China no mesmo imbróglio; mas há muitos que apostam que o projeto do óleo de xisto irá dar com us burros n'água muito antes dos 12 meses que os teóricos preconizam, que, se realmente acontecer, deveremos ver o feitiço virar contra o feiticeiro e derrubar definitivamente a maior economia do planeta desde o interregno das duas grandes guerras mundiais.

O projeto óleo de xisto e a crise dos 'subprimes' (derivativos) de 2008-2009 terão sido grandes demais para o mundo do século XXI engolir... Se o blefe se confirmar, deveremos ver o império americano e seus parceiros da UE serem corroídos velozmente de dentro para fora numa alusão à dilapidação dos afrescos dos palazzos romanos quando da queda do império peninsular a partir dos anos 400 de nossa era.

Essa é a maior briga de cachorro grande que temos notícia na história recente do mundo. Nem mesmo as guerras mundiais trouxeram tantas mudanças como as mudanças que iremos ver caso a aposta no blefe seja realmente o que os EUA estão fazendo neste momento.

E se eles perderem, sai de baixo. Será a terceira guerra mundial e os vencedores serão... os chineses!

Vou apostar no Brasil e na Petrobras mais brasileira ainda: Vou comprar ações em baixa de 50% da Petrobras ainda amanhã e quem sabe ficarei rico em menos de 12 meses.

Quem viver, verá".


Fonte: Democracia & Política

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Lições que um professor nos ensinou

 
Comentário lacrador que está rolando no Feice, de um cara chamado Luis Cotinguiba:


Nos últimos dias, aprendemos um montão de coisas:
 
1. Misandria é um grave problema e precisa ser urgentemente combatido, sobretudo pela esquerda esclarecida
 
2. Escracho só é válido contra militares torturadores da ditadura ou professores com preconceito de classe, racistas, machistas e homofóbicos de direita, senão é campanha pra destruir reputação

3. Existe feminismo bom e feminismo dumal, e quem decide isso é uzomi
 
4. O pessoal NÃO é político: a lacuna entre discurso e prática nem importa
5. Da mesma maneira que ~feminazi~ significa que lutar pela igualdade entre homens e mulheres é tipo invadir países e exterminar povos, a denúncia de assédio pelo feminismo ~misândrico~ equivale ao linchamento de negros nos EUA
 
6. Mandar foto de pinto não requisitada em rede social não é assédio
7. Meninas menores têm plena consciência e controle da situação quando se envolvem com caras 30 anos mais velhos. Relações de poder: que que isso? Se a lei diz que somos todos iguais, então somos todos iguais, ué
 
8. Marido "corno" com arma na cabeça da mulher é uma amenidade, motivo de riso
 
9. A culpa é do PT
 
10. Só que não
 
 
 
 

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A escolha ideológica de Flávio Dino.

Tatiana e Dica (in memorian), guerreiras
reconhecidas no governo Flávio Dino
Por Ed Wilson no seu blog
 
A formação do secretariado a partir de uma ampla coligação é feita pela composição de vários critérios.

Há os cargos de loteamento dos partidos, as vagas cota pessoal do gestor, as escolhas técnicas e os nomes da mais absoluta confiança do chefe do executivo, colocados em áreas estratégicas da administração.
 
Assim, o governador eleito Flávio Dino (PCdoB) vai formando sua equipe.

Entre os nomes do primeiro escalão, um é carregado de simbologias especiais, merecedoras de registro e aplausos.

Trata-se da engenheira de Pesca Tatiana Ferreira Pereira para a Secretaria da Juventude.

Militante do pólo Coroadinho, nascida e criada no meio popular, Tatiana enfrentou todas as dificuldades da vida, estudou, formou-se, fez pós-graduação e agora é Secretária de Estado.

Tatiana é filha de Raimunda Ferreira Pereira, carinhosamente tratada por “Dica” nos movimentos sociais. Tomada precocemente por uma doença que a vitimou, Dica era a verdadeira guerreira maranhense.

Sempre dedicada às lutas pela melhoria da qualidade de vida nas comunidades onde atuava, Dica foi uma das principais militantes da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço) no Maranhão e figura de destaque na gloriosa rádio comunitária Conquista, do bairro Coroadinho.

Mãe e filha militaram juntas na rádio e em tantas lutas em defesa dos direitos da população pobre do Maranhão.

A escolha de Tatiana é a síntese de uma opção ideológica do governador Flávio Dino para um segmento fundamental no Maranhão – a juventude.

No secretariado heterogêneo, feito até por pressões do deputado federal Weverton Rocha (PDT), a indicação de Tatiana Pereira nos enche de orgulho.

Ela representa todos(as) os(as) maranhenses batalhadores, gente sem sobrenome de luxo nem parentes importantes, com poucas perspectivas de mobilidade social nos últimos 50 anos do mando oligárquico.

Tatiana carrega o legado da guerreira Dica. É uma honraria.

VEJA O PERFIL COMPLETO DE TATIANA FERREIRA PEREIRA

Tatiana Pereira é formada em Engenharia de Pesca (Uema) e tem pós-graduação em Engenharia Sanitária e Controle Ambiental. É mestranda em Sustentabilidade de Ecossistema pela UFMA. 

Impulsionada pela mãe, Raimunda Ferreira Pereira – defensora das causas sociais da área do Coroadinho, milita há 15 anos em movimentos sociais. Tatiana participou do grupo de base da Juventude Unida em Cristo da Comunidade do Bom Jesus (JUCBJ), auxiliou na criação da Rede Jovens do Nordeste e foi coordenadora do Núcleo Maranhão. 

Integrou a Associação de Difusão Comunitária e Popular, tendo participado da discussão da fundação da Rádio Comunitária Conquista – hoje faz parte da direção do veículo. Foi presidente do Diretório acadêmico do Curso Engenharia de Pesca. Ela fez parte da criação do Fórum Municipal da Juventude de São Luís e do Fórum Estadual de Juventude do Maranhão. 

Militante da União da Juventude Socialista (UJS). Atualmente, integra a Rede de Educadores Populares do Nordeste, é suplente do Conselho Estadual da Mulher. É militante também de movimentos de bairros, na luta por políticas públicas de educação, saúde e segurança no Pólo Coroadinho, da União Brasileira de Mulheres (UBM) e filiada ao PCdoB. 
 
Reproduzido do Blog do Ed Wilson