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quarta-feira, 22 de julho de 2026

De porta na cara a green card: Trump barra latinos e acolhe condenado brasileiro


Imagem criada pela IA - Copilot

Por Jorge Antonio Carvalho*

Contradição expõe duplo padrão: repressão generalizada para milhares de imigrantes e benevolência seletiva para aliados políticos.

O governo Trump ficou marcado por medidas duríssimas contra imigrantes, especialmente latinos. Entre elas, destacam-se deportações em massa, suspensão de programas humanitários, tentativas de restringir a cidadania por nascimento e a militarização da fronteira sul. A meta anunciada era chegar a 1 milhão de deportações por ano, número que não foi atingido, mas que resultou em centenas de milhares de remoções.

Motivos da busca por permanência nos EUA

Muitos imigrantes que tentam permanecer nos Estados Unidos não o fazem apenas por ambição econômica, mas por sobrevivência e esperança. Fugindo de contextos de violência, desemprego, perseguição política e falta de oportunidades, veem o país como um refúgio de estabilidade e liberdade. A promessa de segurança, acesso a trabalho digno e educação para os filhos é o que move milhares de pessoas a enfrentar jornadas perigosas e incertezas na fronteira.

Motivos da ida de Eduardo Bolsonaro aos EUA

Desde o início de 2025, Eduardo Bolsonaro passou a residir nos Estados Unidos alegando motivos de segurança pessoal e perseguição política após o avanço de investigações judiciais no Brasil. Sua mudança coincidiu com o estreitamento das relações entre Donald Trump e Jair Bolsonaro, e com a busca por apoio internacional entre grupos conservadores. A obtenção do green card consolidou sua permanência e reforçou o vínculo político entre as duas famílias.

Retórica criminalizante

Trump justificou essas ações com uma narrativa que associava imigrantes à criminalidade. Em diversos discursos, afirmou que muitos seriam membros de gangues ou “invasores”, reforçando estereótipos negativos. Essa retórica foi usada para legitimar políticas de exclusão e endurecimento.

Em contraste, em julho de 2026, Eduardo Bolsonaro recebeu um green card do governo Trump, documento que garante residência permanente nos EUA. O benefício foi concedido na categoria EB-1A, destinada a pessoas com “habilidades extraordinárias”. Eduardo, no entanto, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de quatro anos de prisão por coação e tentativa de interferência em julgamentos relacionados ao pai, Jair Bolsonaro.

Enquanto milhares de latinos eram deportados ou tinham direitos negados, um político condenado no Brasil foi acolhido com benevolência. Essa concessão sugere que critérios políticos e ideológicos pesaram mais do que a lógica das próprias políticas migratórias. O gesto ocorre em meio a tensões diplomáticas, já que Trump também impôs tarifas de 25% a produtos brasileiros, alegando perseguição contra Jair Bolsonaro.

Impacto simbólico

Para comunidades latinas nos EUA, a medida reforça a percepção de injustiça e seletividade. Para críticos, é um exemplo de como Trump usa a política migratória como ferramenta de poder, punindo uns e favorecendo aliados. O caso Eduardo Bolsonaro pode ser interpretado como um gesto político de alinhamento internacional, mais do que uma decisão técnica de imigração.

O contraste entre repressão generalizada e concessão seletiva revela um duplo padrão. Trump endurece contra os vulneráveis, mas abre exceções para aliados políticos, mesmo condenados por crimes graves em seus países. Essa incoerência mostra como a política migratória pode ser usada não apenas para “proteger fronteiras”, mas também para premiar lealdades políticas.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

domingo, 20 de julho de 2025

Trump, GPS e a nova guerra tecnológica: o que está em jogo?

Sistemas de Conectividades. Foto: Site Sysguru

A recente escalada diplomática entre os Estados Unidos e o Brasil reacendeu um alerta global sobre a dependência tecnológica de sistemas controlados por potências estrangeiras. O presidente norte-americano Donald Trump, em resposta às decisões do Supremo Tribunal Federal contra Jair Bolsonaro, anunciou uma série de sanções que vão além do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros. Entre elas, uma das mais polêmicas: o bloqueio do sinal de GPS no território brasileiro.

Essa medida, se concretizada, teria impactos imediatos e profundos em setores como aviação, logística, agricultura de precisão, telecomunicações e segurança pública. Embora especialistas apontem que o bloqueio total do GPS é tecnicamente difícil devido à desativação da função Selective Availability desde 2000, a ameaça em si já provoca movimentações estratégicas em diversos países.

Como as nações podem reagir?

Diante da possibilidade de sanções tecnológicas, países afetados — como o Brasil — devem considerar ações como:

  • Migração para sistemas alternativos de navegação por satélite, como GLONASS (Rússia), Galileo (UE) e BeiDou (China).
  • Fortalecimento de acordos bilaterais com potências que oferecem esses sistemas.
  • Investimentos em infraestrutura GNSS nacional, como estações de correção e receptores multissistema.
  • Diversificação tecnológica, reduzindo a dependência de serviços controlados por uma única nação.

Qual a diferença entre GPS, GLONASS, Galileo e BeiDou?

Em tempos de tensão geopolítica e ameaças tecnológicas, como o possível bloqueio do GPS pelos EUA, entender os sistemas de navegação por satélite se tornou mais do que uma curiosidade é uma questão estratégica. Afinal, o mundo não depende apenas do GPS. Existem alternativas robustas como o GLONASS, Galileo e BeiDou, cada uma com suas particularidades.

O que é GNSS?

GNSS é a sigla para Global Navigation Satellite System, ou Sistema Global de Navegação por Satélite. É a categoria que engloba todos os sistemas que usam constelações de satélites para fornecer posicionamento, navegação e cronometragem em tempo real.

O que significa cada serviço?

Sistema

Origem

Nome completo

Finalidade inicial

Finalidade atual

GPS

Estados Unidos

Global Positioning System

Militar

Civil e militar

GLONASS

Rússia

Globalnaya Navigatsionnaya Sputnikovaya Sistema

Militar

Civil e militar

Galileo

União Europeia

Homenagem a Galileu Galilei

Civil

Civil

BeiDou

China

BeiDou Navigation Satellite System

Militar

Civil e militar

 

Comparativo técnico

Sistema

Satélites operacionais

Precisão civil média

Cobertura global desde

Altitude dos satélites

GPS

24 (de 32)

30 cm a 0,5 m

1995

~20.200 km

GLONASS

24 (de 26)

2,8 m a 7,8 m

2011

~19.100 km

Galileo

24 (de 30)

até 20 cm

2023

~23.200 km

BeiDou

24 (de 35)

até 10 cm

2020

~21.150 km

É possível escolher qual sistema usar?

Na maioria dos dispositivos modernos como smartphones, relógios inteligentes e drones não é necessário escolher manualmente. Eles já vêm com receptores compatíveis com múltiplos sistemas GNSS, e fazem a triangulação automaticamente com os satélites disponíveis na região.

No entanto, em equipamentos profissionais (como os da Garmin), é possível configurar o uso exclusivo ou combinado de sistemas como GPS + GLONASS ou GPS + Galileo. Essa combinação pode aumentar a precisão em até 20%, especialmente em áreas urbanas ou com obstáculos naturais.

Por que isso importa?

Com a ameaça de bloqueio do GPS por parte dos EUA, países como Brasil podem acelerar a migração para sistemas alternativos. O BeiDou, por exemplo, já é integrado a tecnologias chinesas como o 5G e pode ser uma opção estratégica. O Galileo, por ser civil e europeu, oferece segurança jurídica e técnica. E o GLONASS já tem estações de medição no Brasil, o que melhora a precisão local.

Fontes:

 

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Fentanil: como nova onda de overdoses assola EUA e mata quase 300 por dia

Mulher fumando fentanil em rua de Los Angeles,
Estados Unidos 
(GETTY IMAGE)
 
Por Nadine Yousif

Cada vez mais americanos morrem por overdose de fentanil, à medida que uma nova onda da epidemia de opioides começa a se espalhar pelas comunidades dos quatro cantos do país.

Há seis anos, Sean morreu de uma overdose acidental por fentanil em Burlington, no Estado de Vermont. Ele tinha 27 anos.

"Cada vez que ouço falar de uma perda devido ao abuso de substâncias, meu coração se parte um pouco mais", escreveu a mãe dele, Kim Blake, em um blog dedicado ao filho em 2021.

"Mais uma família despedaçada. Sempre de luto pela perda de sonhos e celebrações."

Naquele ano, os Estados Unidos testemunharam um marco sombrio: pela primeira vez, as overdoses mataram mais de 100 mil pessoas em todo o país num único ano.

Dessas mortes, mais de 66% estavam ligadas ao fentanil, um opioide sintético 50 vezes mais poderoso que a heroína.

O fentanil é um produto farmacêutico que pode ser prescrito por médicos para tratar dores intensas.

Mas a droga também é fabricada e vendida por traficantes. A maior parte do fentanil ilegal encontrado nos EUA é traficado a partir do México e usa produtos químicos provenientes da China, de acordo com o Drug Enforcement Administration (DEA), órgão federal encarregado da repressão e do controle de narcóticos

Em 2010, menos de 40 mil pessoas morreram por overdose de drogas em todo o país, e menos de 10% dessas mortes estavam ligadas ao fentanil.

Naquela época, as mortes eram causadas principalmente pelo uso de heroína ou opioides prescritos por profissionais de saúde.

A mudança de cenário é detalhada num estudo divulgado recém-publicado por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).

O trabalho examina as tendências nas mortes por overdose no país entre 2010 e 2021, utilizando dados compilados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA.


Os dados mostram claramente como o fentanil redefiniu as overdoses nos Estados Unidos na última década.

"O aumento do consumo de fentanil fabricado ilicitamente deu início a uma crise sem precedentes", escreveram os autores do artigo.

Praticamente todos os cantos dos EUA — do Havaí a Rhode Island — foram tocados pelo fentanil.

O aumento das mortes relacionadas à droga foi observado pela primeira vez em 2015, revelam as estatísticas.

Desde então, o entorpecente se espalhou pelo país e a taxa de mortalidade cresceu de forma acentuada.

"Em 2018, cerca de 80% das overdoses por fentanil aconteceram a leste do rio Mississippi", disse à BBC Chelsea Shover, professora assistente da UCLA e coautora do estudo.

Mas, em 2019, "o fentanil passa a fazer parte do fornecimento de drogas no oeste dos EUA e, de repente, esta população que estava resguardada também ficou exposta, e as taxas de mortalidade começaram a subir", segundo a pesquisadora

Na pesquisa recente, os especialistas alertam para outra tendência crescente: as mortes relacionadas ao consumo de fentanil em conjunto com drogas estimulantes, como a cocaína ou a metanfetamina.

Essa tendência é observada em todos os EUA, embora de formas diferentes devido aos padrões de consumo que diferem de região para região.

Os investigadores encontraram, por exemplo, taxas de mortalidade mais elevadas relacionadas ao consumo de fentanil e cocaína em Estados do nordeste dos EUA, como Vermont e Connecticut, onde os estimulantes geralmente são de fácil acesso.

Mas em praticamente todos os cantos do país, da Virgínia à Califórnia, as mortes foram causadas principalmente pelo uso de metanfetaminas e fentanil.

Blake, que também é médica, disse que seu filho usava cocaína esporadicamente, embora o exame toxicológico tenha encontrado apenas fentanil em seu organismo.

Ela aprendeu que muitos misturam diferentes substâncias para obter uma sensação prolongada.

"Não é nenhuma surpresa para mim esse aumento tão grande nas combinações de estimulantes e opioides", observa Blake.

Quando o fentanil chegou pela primeira vez aos EUA como parte do tráfico, "muitas pessoas não o queriam", lembra Shover. Mas o opioide sintético tornou-se amplamente disponível porque é mais barato de produzir em comparação com outras drogas.

Ele também é altamente viciante — isso significa que dependentes ficam expostos ao entorpecente e muitas vezes o procuram como uma forma de evitar abstinências dolorosas relacionadas a outras substâncias.

Nos EUA, o estudo identificou que Alasca, Virgínia Ocidental, Rhode Island, Havaí e Califórnia como os Estados com as taxas mais elevadas de mortes por overdose em que há mistura de fentanil e estimulantes.

Esses locais têm taxas historicamente altas de uso de drogas, segundo Shover. Com a chegada do fentanil, esse consumo tornou-se ainda mais letal.

Pessoa em overdose é atendida por médicos nas ruas de
Vancouver, Canadá (GETTY IMAGES)

Um problema que atravessa classes sociais

A crise dos opioides tem sido tradicionalmente retratada como um "problema dos brancos", destaca Shover.

No entanto, o estudo recente revelou que os afro-americanos estão morrendo ao combinar fentanil e estimulantes a taxas mais elevadas, em todas as faixas etárias e limites geográficos.

Para Rasheeda Watts-Pearson, especialista em redução de danos baseada em Ohio, nos EUA, os dados refletem o que é visto na prática.

Ela faz um trabalho de divulgação com a A1 Stigma Free, uma organização fundada há apenas oito meses para combater um aumento notável de mortes por overdose na comunidade afro-americana de Cincinnati.

Como parte do trabalho, Watts-Pearson visita frequentemente barbearias, bares e mercearias para falar com as pessoas sobre os impactos do fentanil.

Ela considera que há falta de conscientização sobre o tema, motivada em parte pelas disparidades históricas de saúde vivenciadas por grupos raciais e étnicos.

Mesmo as campanhas de marketing feitas para conscientizar sobre a crise dos opioides não incluem a experiência dos negros americanos, critica ela.

"Se eu dirigir até a cidade de Avondale agora mesmo, há um outdoor que fala sobre a 'Crise dos Opioides', mas na mensagem aparecem duas pessoas brancas”" exemplifica Watts-Pearson.

Ela aponta que as drogas misturadas com fentanil são uma grande barreira para a comunidade. Segundo a ativista, muitas pessoas acabam consumindo o entorpecente sem saber — e desenvolvem uma dependência.

"Os legistas veem pessoas com overdose que morreram por causa de cocaína, crack e vestígios de fentanil", diz ela.

"Isso está infiltrado na comunidade negra e não há gente suficiente falando sobre o assunto."

Rasheeda Watts-Pearson (à esquerda) tem trabalhado com A1 Stigma Free
para aumentar a conscientização sobre o impacto da epidemia de fentail
na comunidade afro-americana de Cincinnati, Ohio

Uma quarta onda

O abuso de fentanil em combinação com outras drogas marca o início de uma "quarta onda" da crise nos EUA, avaliam os pesquisadores.

A primeira onda de overdoses aconteceu no final dos anos 1990, com mortes por opioides com prescrição médica. Em 2010, houve uma segunda onda de overdoses, dessa vez causadas por heroína. E em 2013, surgiu uma terceira onda, graças à proliferação de drogas ilícitas análogas ao fentanil.

Especialistas como a professora Shover alertam que as opções de tratamento para a quarta onda não acompanham a demanda.

"Nosso sistema de tratamento contra dependência geralmente se concentra em uma droga de cada vez", conta ela.

"Mas a realidade é que muitos usuários usam mais de um tipo de droga."

Para manter viva a memória de seu filho, Blake decidiu falar abertamente sobre a perda e tenta ajudar outras famílias a passar pela mesma dor.

"Todo mundo tem uma história e, para um pai que perdeu um filho, isso dura para sempre", diz ela.

Seu filho fez tratamentos contra dependência algumas vezes.

A experiência ensinou à Blake que as opções terapêuticas variam de Estado para Estado e, em muitos casos, o que está disponível não é suficiente.

"O ideal seria que as pessoas recebessem tratamento rapidamente, sempre que quisessem e a longo prazo", destaca ela.

Blake também sugere a criação de locais para a prevenção de overdose, onde as pessoas pudessem usar drogas com segurança e sob supervisão.

Esses lugares estão amplamente disponíveis no Canadá — que tem a sua própria crise de fentanil — mas existem apenas duas instalações do tipo nos EUA inteiro.

Acima de tudo, Blake apelou à compaixão e à compreensão para aqueles que lutam contra o uso de substâncias.

"A maioria das pessoas com quem converso dizem que seus filhos não queriam morrer."

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

EUA-Cuba: As diferenças entre conhecimento e ignorância.

Foto: CUBADEBATE

Por José Ramón Cabañas

Acaba de ser concluída a vigésima edição da série de diálogos sobre Cuba na política externa dos Estados Unidos, exercício organizado pelo Centro de Pesquisa de Política Internacional (CIPI) na sede do Instituto Superior de Relações Internacionais "Raúl Roa", desde o alvorecer do século XXI. Nesta ocasião, alguns de seus iniciadores participaram novamente, devemos agradecer a eles e aos que não estão mais por sua vontade, perseverança, interesse e até divergências.cipi
Nesta ocasião, pela primeira vez, todos os painéis foram transmitidos em tempo real no canal You Tube do CIPI, onde permanecem disponíveis os vídeos das apresentações. Um primeiro dado interessante, nos três dias em que o evento esteve em funcionamento (14, 15 e 16 de dezembro) 1.273 pessoas se conectaram às sessões, um total que crescerá nos dias seguintes.

No entanto, o curioso é que mais da metade dessas conexões (662) ocorreram no exato momento em que acontecia um discurso especial de posse de um alto funcionário do Itamaraty. Os números indicam que é interessante ouvir a voz oficial de Cuba, que o que ela levanta é imediatamente consumido e transcende o nível político.

Desde a mesma manhã de quarta-feira, 14 de dezembro, houve comentários na imprensa e nas redes sociais, principalmente de quem avalia que qualquer provável retrocesso na comunicação oficial estável entre os dois países pode significar o fim da indústria do ódio. . É um bom sinal.

Mas este encontro voltou a ser um espaço académico para ouvir diferentes propostas sobre temas comuns, contando pela primeira vez com a participação de especialistas de países terceiros, numa altura em que aqueles que se opõem a uma relação de cooperação bilateral em determinados temas tentam negar evidências e construir currículos para supostos intelectuais, que nunca foram, para tentar confrontar professores e autores reconhecidos em universidades e centros de pesquisa estrangeiros.

Sobre questões como a política do atual governo de Joe Biden em relação a Cuba e suas perspectivas para 2023-2024, ouviram-se vozes divergentes e opostas, mas tentou-se construir uma visão única, com base no que cada um poderia contribuir. Talvez os pontos comuns fossem basicamente três:

Apesar de todas as suas limitações materiais, recifes de corais, pântanos e outras áreas de interesse ambiental estão muito melhor protegidos em Cuba do que nos Estados Unidos.

O trabalho realizado por Cuba neste campo, seguindo prioridades de interesse nacional, tem um balanço favorável para o Sul dos Estados Unidos, particularmente em Louisiana, Alabama, Flórida e Geórgia.

Os atores não-governamentais de ambas as nações têm um papel preponderante na construção de pontes e na educação de cidadãos, empresários e tomadores de decisão, no sentido de que quase todas as novas iniciativas econômicas que propomos terão impacto em nosso meio ambiente.

Quando se fala em outras áreas de intercâmbio, sem dúvida, as respectivas universidades, institutos de pesquisa em geral e os ligados à saúde em particular oferecem o terreno mais fértil. A ciência não pode ser limitada, nem com polarização, nem com ódio, nem com mentiras. Nos momentos em que queriam causar sufocamento total, Cuba respirava com sua Ciência e suas conquistas. Ainda hoje, quando são conhecidas e debatidas em todas as latitudes, continuam a causar espanto. Isso acontece igualmente em Los Angeles, Minneapolis, Chicago ou Detroit.

Quando quase tudo no intercâmbio bilateral entre Estados Unidos e Cuba congelou, os cientistas continuaram conversando, se complementando, alertando para perigos e salvando vidas juntos a partir de seus e-mails, publicações especializadas ou simplesmente pelo WhatsApp. O espectro é muito mais amplo e vai desde a Agricultura até o combate aos derramamentos de óleo no Mar do Caribe.

A essa altura, quando o volume de informações já parecia impossível de processar, os visitantes estrangeiros tiveram a oportunidade de conhecer a experiência singular da Fundação da Universidade de Havana, do Parque Tecnológico de Havana e da empresa CETA SA da interface do ISPJAE, que em 2 anos acumularam resultados significativos na aplicação de ciência, tecnologia e inovação. Até os cubanos que moravam com eles ficaram surpresos.

Merecem particular menção as reflexões partilhadas sobre a cooperação judiciária, o combate à emigração ilegal e ao tráfico de seres humanos, o terrorismo, a cibercriminalidade, o combate ao narcotráfico, a relação Guarda Costeira-Guarda de Fronteiras. O número de comunicações do lado cubano, que permanecem sem resposta das autoridades norte-americanas desde 2018, apesar de serem a investigação de fatos que, em última instância, podem e afetam a segurança nacional dos Estados Unidos.

Basta um exemplo: agências especializadas cubanas emitiram alertas ao longo dos anos contra 57 cidadãos de origem cubana residentes nos Estados Unidos, por crimes associados ao narcotráfico. Cinco deles são alertas vermelhos, reservados para os comissários mais perigosos. Não há sequer um aviso de recebimento dessas comunicações do lado dos EUA.

Apesar de os organizadores do evento terem tentado repetidamente confirmar a presença de especialistas americanos nestes assuntos, foi impossível contar com a presença deles. No entanto, pudemos compartilhar e citar importantes textos publicados por alguns deles em passado recente, sobre o significado do caráter construtivo desta cooperação bilateral.

A intervenção do especialista colombiano que aceitou fazer parte deste painel foi tão clara quanto transparente ao concluir que: não serve ao interesse dos Estados Unidos, nem de toda a América, incluir Cuba na lista de países que supostamente patrocinam o terrorismo. Essa prática deve ser imediatamente descartada e a ação oportunista e ultrapassada do ex-Secretário de Estado dos Estados Unidos deve ser revertida.

Menção à parte nos anais desses eventos, e em comemoração a esta edição especial, merece o painel proposto e organizado pela National Coalition of Concerned Legal Professionals. Juntos, eles trouxeram uma visão em primeira mão e com base em sua própria experiência dos efeitos sociais do COVID 19 na população dos EUA, mas não do ponto de vista médico ou de saúde, o que já foi desastroso por si só. Referiram-se ao impacto na disponibilidade de habitação, à impossibilidade de pagar rendas, ao elevado índice de mortes entre a população prisional, ao aprofundamento das diferenças sociais.

Esses profissionais, que atuam em comunidades de baixa renda nos Estados Unidos, tiveram a oportunidade de conhecer o projeto Quisicuaba, no centro de Havana. Depois de ouvir a explicação de seus talentosos líderes, eles fizeram inúmeras perguntas que foram respondidas longamente. Um deles pediu a palavra para narrar a dura realidade do serviço social nos Estados Unidos e como depois de muito esforço em trabalhar com uma família, ou um indivíduo, depois de protegê-los de ações judiciais impróprias, demissões injustas ou multas desnecessárias, aqueles são derrotados por uma overdose, ou pela violência nas ruas. Este homem, endurecido por suas próprias experiências, não conseguiu terminar seu discurso devido à emoção avassaladora.

Outro momento do evento foi dedicado a analisar conjuntamente o significado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e seus possíveis efeitos na região da América Latina e Caribe. Para além das estatísticas, vencedores, perdedores e futuros candidatos, ficou evidente a multiplicidade de novos fatores que atuam na realidade política americana, a crescente complexidade em termos de fazer previsões para um sistema tão complexo de atores, com manifestações muitas vezes caóticas. Perante este panorama, haverá sempre a opção de tentar articular uma relação com aqueles atores e naquelas matérias, em que haja plena compreensão da utilidade do vínculo, bem como conhecer a singularidade e capacidades diferenciadas dos autoridades federais, estaduais e internacionais.

O último painel, suficiente para cobrir o tempo de todo o evento, foi dedicado aos cubanos residentes nos Estados Unidos, seus pontos de vista sobre o país de origem e sua real capacidade, ou não, de influenciar a relação bilateral. De uma forma ou de outra. Aqui partimos novamente de dados científicos, não de percepções, nem de esquemas pré-estabelecidos. Independentemente das diferentes visões do país, das diferentes ideias sobre o que pode ou não estar no centro de uma futura relação construtiva entre Cuba e os Estados Unidos, chegamos a uma reflexão mais ou menos consensual: apesar da polarização política em Nos últimos anos nos Estados Unidos, apesar de todo o dinheiro investido em redes sociais e em campanhas negativas, há uma porcentagem significativa de cubanos que defendem a chamada agenda familiar e que estão dispostos a apoiar um retorno à lógica que prevaleceu no relacionamento bilateral oficial entre 2015 e 2016, se houvesse vontade política para isso no mais alto nível em Washington.

Este resumo talvez seja o fio condutor do evento e não a síntese do que nele foi dito, o que pode ser ponderado sem pressa em cada uma das intervenções disponibilizadas na referida plataforma. Cada um saiu do evento com suas próprias opiniões, suas conclusões preliminares, seus planos imediatos. A maioria de nós concorda que não precisamos esperar até dezembro de 2023 para o próximo intercâmbio acadêmico, para progredir.

A conclusão foi tirada em ambiente de troca. Aqueles que são a favor ou contra uma relação o mais racional possível entre os Estados Unidos e Cuba estão divididos por considerações políticas, ideológicas, conveniência ou interesse pessoal, ético e muitas outras. Mas a estas devem acrescentar-se as diferenças entre conhecimento e ignorância, pois é cada vez menos possível a um ser racional explicar de forma coerente que a actual política dos Estados Unidos para Cuba faz sentido, cumpre os objectivos para os quais foi concebida ou dá alguma contribuição para aperfeiçoamento humano.

Estas linhas não pretendem constituir uma interpretação única do que aconteceu durante o evento, são uma provocação para que todos consultem os vídeos disponíveis e leiam as memórias do evento, que serão publicadas em breve.

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Como é que alguém pode ficar chateado porque o povo defende a sua revolução?


Por Eugenio Martínez

É surpreendente que alguns teóricos, na ânsia de enfrentar o Governo e criticá-lo, se assustem porque o presidente do país pediu o combate. Embora leiam muito, não leem que lutar é defender a paz e a tranquilidade.

Eles ficam chateados porque o Governo chama uma parte do povo para segui-los, quando o Governo então, segundo essa preocupação intelectual, deveria ser um árbitro das partes, não se unir a elas.

Curiosamente, eles repetem a mesma coisa que sai de Washington. Cronometragem incrível. Washington, que estimulou e promoveu as desordens e o confronto com as instituições em Cuba, agora pede que o povo não as defenda nem enfrente as desordens e que permita, depois de observar passivamente, que o país caia no caos.

Esses teóricos queriam tanto que nos parecêssemos com uma democracia burguesa que, quando um dia nos obrigam a nos assemelhar, nos criticam por fazer o que todos eles fazem: enfrentar os protestos, com a diferença de que não há bastões elétricos, pelotas chamativas, foram usados ​​gás lacrimogêneo, tanques de água ácida, dispositivos ensurdecedores e lançadores de múltiplos projéteis.

Parece que inverter as patrulhas policiais é o novo esporte dominical e quem o pratica são manifestantes pacíficos que o povo não pode enfrentar porque é um esporte que exige observação das arquibancadas e silêncio para a concentração dos atletas trabalhadores.

Como é que alguém pode ficar chateado porque o povo defende a sua revolução? Parece que se repete a solução de Cervantes para explicar o delírio e as fantasias de Dom Quixote ao ler tantos livros de cavalaria.

Fonte: La Pupila Insomne

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Irã emite mandado de prisão contra Trump por morte de Soleimani

(Foto: mídias.agazeta.com.br)
O anúncio foi feito pelo procurador-geral de Teerã, Ali Alqasi Mehr. "36 indivíduos envolvidos ou que ordenaram o assassinato de Qassem, incluindo políticos e militares dos EUA e de outros governos, foram identificados, e oficiais judiciários emitiram mandados de prisão contra eles", disse Mehr à agência iraniana Fars.

Segundo o procurador, o Irã também lançou alertas vermelhos via Interpol. As acusações são de assassinato e terrorismo, e Mehr acrescentou que Trump está "no topo da lista" e será processado "assim que deixar a Presidência".

Soleimani foi morto em um bombardeio americano no aeroporto internacional de Bagdá, capital do Iraque, e comandava a Força Quds, unidade especial do Exército dos Guardiães da Revolução Islâmica.

A morte do militar mais poderoso do Irã e possível sucessor de Hassan Rohani como presidente provocou revolta entre os iranianos e uma série de protestos contra os Estados Unidos.

O país persa reagiu ao ataque contra Soleimani com um bombardeio a bases americanas no Iraque, mas derrubou por engano um avião da Ukraine International Airlines com 176 pessoas a bordo. Todas morreram.

Fonte: Terra

sábado, 20 de junho de 2020

Com risco de prisão, Weintraub viaja para Miami

(FOTO: Redes Sociais)
Abraham Weintraub deixou o Brasil e já está nos Estados Unidos. Ele foi demitido do MEC (Ministério da Educação) na quinta-feira 18 pelo presidente Jair Bolsonaro, mas a sua exoneração ainda não foi oficializada.

De acordo com a assessoria de imprensa do MEC, Weintraub viajou ainda na sexta-feira 19 e já se encontra em Miami.

Em mensagem publicada no Twitter neste sábado 20, a localização de Weintraub aparece em Miami. “As coisas aconteceram muito rapidamente”, escreveu o ministro em resposta a um seguidor.

O irmão do ministro, Arthur Weintraub (assessor especial da Presidência), também fez publicação nas redes sociais em que afirma que Abraham está fora do país.

“Obrigado a todos pelas orações e apoio. Meu irmão está nos EUA”, escreveu o irmão.

Ele deixou o país no mesmo dia em que o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) protocolou no STF (Supremo Tribunal Federal) um pedido de apreensão do passaporte de Weintraub para evitar que ele saísse do país.

➤ Leia também: 



Alvo do inquérito das fake news, que tramita no Supremo, Weintraub também é investigado no tribunal por racismo, por ter publicado um comentário sobre a China.

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Morte de dois homens negros, encontrados pendurados em árvores, geram protestos e FBI vai auxiliar nas investigações

Foto (O Globo)
As mortes de dois homens negros, encontrados pendurados em árvores, sendo um deles em um parque municipal, em um intervalo de 10 dias e a uma distância de 80 quilômetros entre os casos, na Califórnia, serão investigadas após autoridades policiais concluírem prematuramente que foram casos de suicídio. Protestos ganharam as ruas na esteira do assassinato de George Floyd, em Minneapolis, em 25 de maio, exigindo investigações rigorosas.
Leia: Irmão de Floyd pede ao Congresso que acabe com sofrimento dos negros nos EUA e avance com reforma policial
O chefe do condado de Los Angeles, Alex Villenueva, e seu colega no condado de San Bernardino, John McMahon, disseram separadamente que trabalhariam em cooperação com os investigadores do escritório do procurador-geral da Califórnia. Villenueva disse ainda que o FBI forneceria uma supervisão adicional.
– Queremos garantir que não deixaremos pedra sobre pedra – disse Alex Villanueva, sobre o caso de Robert Fuller, de 24 anos, encontrado morto na quarta-feira de manhã, com uma corda no pescoço, na Praça Poncitlan, um parque que fica a uma quadra da prefeitura, na cidade de Palmdale,  a cerca de 100 km de Los Angeles.
Inicialmente, a polícia local determinou que se tratava de um suicídio, mas agora mudou a versão e iniciou uma autópsia.
A família da vítima não aceitou a versão de que o jovem havia tirado a própria vida. E a hashtag #JusticeforRobertFuller foi destaque no Twitter, na semana passada, com os usuários pedindo uma investigação completa do que alguns especulavam ser um encobrimento de um linchamento.
Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, o médico legista do condado, Jonathan Lucas, disse que a avaliação preliminar do suicídio aparentemente se baseava na falta de qualquer evidência imediata que indicasse um crime.
– Mas achamos prudente rever isso e olhar mais fundo – disse Lucas.
Autoridades locais comentaram ainda que não foi achado nada próximo ao corpo de Fuller, como uma escada, banco ou cadeira, que pudesse ter sido usado para elevá-lo antes do enforcamento:
– Nada mais foi encontrado no local, além da corda usada para pendurar a vítima e o conteúdo do bolso e da mochila que ele estava usando – disse Kent Wegener, chefe do esquadrão de homicídios do condado.
Villanueva disse que os detetives estão coletando vídeos de vigilância em áreas próximas, além de evidências forenses da corda e analisando o histórico médico da vítima. Eles também vão interrogar sua família e as testemunhas que o encontraram.
– Eles continuarão até que cheguem à verdade do que aconteceu – garantiu Villanueva.
Milhares de manifestantes se reuniram em Palmdale no sábado para se lembrar de Fuller e exigir uma investigação completa para determinar se ele morreu por suicídio ou em outras circunstâncias.
– Queremos saber a verdade, o que realmente aconteceu – disse Diamond Alexander, a irmã do falecido, no sábado. –  Tudo o que eles nos disseram não está certo. Nós apenas queremos a verdade. Não foi suicídio. Ele era um sobrevivente
Em 31 de maio, a cerca de 80 km dali, Malcolm Harsch, um negro de 38 anos também foi encontrado pendurado em uma árvore, em um acampamento para moradores de rua, perto de Victorville. E a polícia do condado de San Bernardino também havia considerado um suicídio.
Autópsias separadas dos dois homens foram realizadas na sexta-feira, mas as conclusões finais aguardavam resultados toxicológicos e mais investigações pelos detetives de homicídios.
Um homem ficou gravemente ferido por tiros durante uma manifestação para derrubar uma estátua, nesta segunda-feira, em Albuquerque (Novo México). A polícia está investigando o possível envolvimento de um grupo paramilitar.
Os manifestantes exigiam a retirada de uma estátua do conquistador espanhol Juan de Oñate, o primeiro governador do Novo México no período colonial, de acordo com a imprensa local.
Quando eles tentavam derrubar a estátua, integrantes de uma milícia de  extrema direita chegaram ao local e um confronto teve início, segundo o jornal Albuquerque Journal.
"Os indivíduos com armas pesadas que se apresentaram à manifestação, autodenominados 'guarda civil', estavam no local por apenas uma razão: ameaçar os manifestantes", escreveu no Twitter a governadora do Novo México, Michelle Lujan Grisham.
De acordo com a polícia, a vítima está em condição crítica mas estável.
Durante a onda de manifestações contra o racismo e a violência policial nos Estados Unidos, várias estátuas e monumentos relacionados com o colonialismo e a escravidão foram derrubados.

domingo, 3 de maio de 2020

Fidel e o que Trump e seus inimigos odiados ignoram.

Foto: Juvenal Balán
Por Iroel Sánchez

Era previsível, já aconteceu antes: o extremismo do governo dos EUA contra Cuba novamente encoraja o terrorismo. 

Um fanático atira na embaixada cubana em Washington. Eles não são os "ataques sônicos" invisíveis e nunca comprovados, que o governo Donald Trump disse ter acontecido contra seus funcionários em Havana, são balas disparadas com uma espingarda de assalto e seus impactos são bem visíveis na fachada da sede diplomática Cubano na capital dos Estados Unidos. 

O movimento Trump contra Cuba começou insultando Fidel por ocasião de sua morte, entregando a política para a Ilha aos setores mais agressivos do sul da Flórida e usando os duvidosos "ataques" contra seus diplomatas em Havana para aumentar a perseguição a os navios que transportam combustível para os portos cubanos, a suspensão de vôos e cruzeiros comerciais, a caça mundial para eliminar a colaboração médica internacionalista cubana, a implementação do capítulo III da Lei Helms Burton, que não é representável, para prosseguir o investimento estrangeiro em Cuba e a escalada da perseguição global de qualquer gerência para fazer negócios com uma empresa cubana. Somente em 2019, houve 86 ações do governo Trump contra a ilha vizinha. 

A mentira, o bloqueio econômico e a violência terrorista foram aliados inseparáveis ​​da política de Washington em relação a Cuba e é lógico que o uso intensivo dos dois primeiros acabe estimulando o retorno do terceiro. 

Quando antiético e sem escrúpulos, Trump entra na pior tradição política de seu país, colocando o dinheiro das empresas à frente da vida de seus concidadãos, com o resultado de que já um milhão de americanos estão infectados pela pandemia do COVID. 19 e o número de mortos em seu território excede os mortos na guerra do Vietnã, Cuba - bloqueada como sempre - diminui o número de casos ativos dia após dia e envia brigadas médicas de solidariedade a mais de vinte países. 

É lógico que a frustração dos odiadores leve a atos desesperados: o ridículo campeão em que eles esperavam derrubar a Revolução Cubana está afundando na lama e suas chances de serem reeleitos diminuem na mesma proporção que nessas circunstâncias extraordinárias o exemplo de Cuba é cada vez mais admirada por sua capacidade de lidar com a escassez induzida pelos Estados Unidos, e não é suficiente para se salvar, mas ajuda o máximo possível para salvar a humanidade.

Fidel da "conduta diferente" que alertou o presidente Ronald Reagan, um de seus adversários mais ferozes, de uma tentativa de vida e ofereceu ao governo de outro adversário, George W. Bush, os aeroportos cubanos para hospedar os aviões que procuravam onde pousar após o ataque terrorista às Torres Gêmeas em Nova York. 

Neste dia de maio, milhões de cubanos lembrarão que, há apenas vinte anos, Fidel expressou com firmeza inesquecível que a Revolução está, entre outras coisas, "desafiando forças dominantes poderosas dentro e fora da esfera social e nacional" e "nunca mentindo ou violando princípios ético ”. Trump saberá, o odiado frustrado que atirou na embaixada cubana saberá? Valeria mais a pena não perder tempo com mais frustrações. 

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Etanol: aumento da importação dos EUA inviabilizaria usinas do Norte e Nordeste

Produção de etanol totalizou 1,49 bilhão de litros na segunda quinzena de abril.
 Foto: Canal Rural

Volume do biocombustível produzido pelo Brasil é suficiente tanto para atender à demanda interna como também os compromissos de exportação

Veja aqui no link abaixo, o vídeo da reportagem feita pelo Canal Rural sobre a problemática.


O projeto de lei que tenta barrar o aumento da importação do etanol americano sem tarifa espera para ser votado. O maior impacto dessa ampliação de volume seria sentido pelas usinas das regiões Norte e Nordeste, onde cada planta chega a empregar 4.000 pessoas.

O Brasil produziu um recorde de 33 bilhões de litros de etanol em 2019. O volume é suficiente não apenas para atender à demanda interna como também para cumprir com os compromissos de exportação. Como o produto americano é à base de milho, subsidiado pelo governo, e boa parte dele entra no país com isenção tarifária, fica difícil competir com o preço.

Fonte: Canal Rural

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Câmara quer derrubar aumento da importação de etanol, prejudicial ao País

Aguinaldo Ribeiro, líder da maioria da Câmara - Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (10) a urgência do projeto de decreto legislativo que susta decisão do governo de aumentar a cota para importações anuais de etanol sem tarifa.
A decisão é altamente prejudicial sobretudo aos produtores nacionais que atendem a toda necessidade de consumo de etanol no Brasil.
A proposta de sustar os efeitos da portaria é assinada pelo líder da maioria, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e tem apoio do centrão, do qual é um dos mais destacados integrantes.
Ainda é necessário que seja apreciado o mérito do projeto, o que não deve acontecer na mesma sessão. A aprovação da urgência é parte da articulação para derrubar a portaria publicada no final de agosto.
Pelo texto, o governo brasileiro elevou para 750 milhões de litros (ante 600 milhões anteriores) uma cota para importações anuais do combustível.
A medida beneficia principalmente os Estados Unidos, principal exportador de etanol para o Brasil, e aliado do presidente Jair Bolsonaro.
Os deputados dizem que a medida impacta os produtores brasileiros e precisa ser discutida pelo Congresso.
“As usinas brasileiras esperavam que o fim da cota significaria o início da cobrança tarifária em 20% sobre todas as importações de etanol. Embora a medida tenha possibilitado a abertura do mercado internacional, discussões dessa natureza precisam ser melhores enfrentadas pelo Parlamento brasileiro”, diz o texto do projeto.

quarta-feira, 27 de março de 2019

Por que devemos culpar Cuba pelos fracassos dos Estados Unidos? na Venezuela?

De Iroel Sánchez*
Durante a Guerra Fria, o governo dos EUA brandiu a ameaça soviética para justificar a sua intervenção na América Latina, e mesmo alguma lógica era que, embora as intervenções dos EUA ao sul de suas fronteiras são muito antes da existência da URSS. Em recursos energéticos, território, população e poder militar, a União Soviética era uma rival cujas magnitudes facilitavam a tarefa de transformá-la no "grande inimigo da democracia nas Américas".
Nos Estados Unidos, o mesmo pretexto servia para o mais feroz anti - comunismo, que atingiu as suas maiores probabilidades nos anos cinquenta do século XX, com a perseguição McCarthyist tão bem atestada pelo dramaturgo Lillian Hellman em seu livro Scoundrel Tempo .
A União Soviética desapareceu, e dos Estados Unidos para a história, o triunfo Longed do capitalismo tinha atingido proclamada. Na América Latina, foi anunciado que a Revolução Cubana tinha suas horas contadas, mas não o suficiente, teve que intensificar o bloqueio econômico, impôs novas sanções como as contidas nas leis Helms Burton e Torricelli e ainda não alcançar o seu colapso. Pior ainda, o novo século trouxe de volta a palavra socialismo em vários países da América Latina e uma aliança entre eles-ALBA cujo centro aprovada pelo petróleo venezuelano e saúde cubana e educação. Milhões de latino-americanos e caribenhos abandonado humilde analfabetismo, cegueira e energia insegurança por causa disso.
Desde que se tornou visível na orientação socialista do século XXI no início do governo bolivariano na Venezuela, tenta recuperar o controle de grandes recursos energéticos venezuelanos continuaram, tanto os EUA e da oligarquia local, que é subordinado. Em primeiro lugar, tentar derrubar o governo de Hugo Chávez, incluindo um golpe militar, e após sua morte, com o aumento da guerra econômica contra a continuação de seu projeto político encarnada por Nicolas Maduro e a união civil-militar Chávez construído. A união militar cívica venezuelana marca a diferença com o fracasso de outros processos em que golpes militares ou parlamentos incentivados de Washington tiveram bons resultados.
Pesquisar isolamento internacional da Venezuela com os governos latino-americanos e europeus seguidores Estados Unidos o reconhecimento de um "presidente interino" por Washington, não teve os resultados esperados, e tentativa de provocar uma insurreição a partir da introdução de um politizada " ajuda humanitária "e um media fronteira concerto, voltou-se contra os seus promotores para revelar aos hegemônicos mentiras imprensa capitalista que a acompanhavam.
O que eles deixaram em seu arsenal para aqueles dos Estados Unidos que insistem na derrubada do governo venezuelano? Seguindo a mesma rota usada com Cuba após o fracasso da invasão de Girón, aumentando a aberta sabotagem tem como aconteceu com o ciberataque ao sistema elétrico que não tinha água e eletricidade para mais de Venezuela por cinco dias, e propaganda de guerra que se transforma em causa do efeito das agressões econômicas norte-americanas na qualidade de vida da cidade norte-americana.
Nesta guerra de propaganda América precisa de um culpado para explicar para o mundo o fracasso de tantos e continuados esforços, embora começou em sua última fase, quando Barack Obama declarou Venezuela "ameaça incomum e extraordinária" a segurança nacional dos EUA, eles abandonaram todas as máscaras e tornaram-se absolutamente explícitas após a chegada de Donald Trump à Casa Branca. Aparentemente, os falcões da guerra fria como Elliot Abrams - a quem Washington invocou sua estratégia antivenezolana- não encontraram mais uma idéia original para ressuscitar a "interferência comunista" que alcançou mais de trinta anos atrás, para isolar a revolução Cuba e justificar o papel da CIA e do Departamento de Estadodepois das ditaduras militares e da onda de assassinos e torturadores que, treinados na tristemente lembrada Escola das Américas, devastaram a região. Assim, eles estão apoiando o discurso anti-socialista com Donald Trump -elogioso visitante ao Vietnã e parceiro amigável Kim Jong-Un tenta desacreditar a ascensão de políticos socialistas sucesso definidos no Congresso dos EUA, como Bernie Sanders e Alexandria Ocasio Cortéz.
É onde os peregrinos da "interferência cubana" na Venezuela, entram em ação, pois de acordo com a imprensa hegemônica é Cuba, não o dos Estados Unidos, que tem interesses econômicos por trás de sua posição no país sul-americano, são "mais de vinte mil agentes cubanos "que detêm Maduro, mas não foi capaz de mostrar uma única prova eo número corresponde ao número de trabalhadores de saúde que há mais de uma década tem melhorado a vida de milhões de venezuelanos, muitos dos quais um médico nunca tinha visto antes. A última contribuição dessa guerra de propaganda é a "investigação" sem evidência do The New York Times.De acordo com a qual os médicos cubanos na Venezuela estaria fazendo o que o "sargentos políticos" feito em Cuba que Washington apoiou antes de 1959: olhar para votos em troca de serviços de saúde, a prática banido para sempre pela Revolução e bem conhecido de muitos daqueles em Miami que tentaram derrubá-lo por sessenta anos.
Cuba não é a URSS, e nem militarmente nem economicamente pode significar qualquer ameaça para alguém. Nem o governo cubano como os Estados Unidos, que tem uma longa história de guerras baseadas em mentiras para aproveitar os recursos energéticos em todo o mundo, e muito menos as suas embaixadas, como acontece com os americanos-estar por trás de golpes em algum país da América Latina. Mas com esta estratégia mentiroso Washington fornece uma folha de figueira para aqueles que vivem atacantes igualando e atacou, bloqueou bloqueadores, vítimas e algozes ... ideal para falsa corajosa que lhes permite ficar de um lado ou outro, como se desenrolam os acontecimentos pretexto. De Talleyrand a Lenin (Gorbachov) Moreno aqueles que começam dizendo "nem com isto nem com aquilo", acabam alinhados e sabemos com quem,O New York Times representa tão bem: os poderosos que não têm interesse em ter médicos para os pobres ou dinheiro em outros bolsos além dos seus próprios.
*Iroel SánchezEngenheiro e jornalista cubano. Ele trabalha no Escritório de Informatização da Sociedade Cubana. Ele foi presidente do Instituto do Livro Cubano.