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sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

"Central bolsonarista" na Abin monta dossiês a mando do governo, revela revista

Foto: O Antagonista

reportagem explosiva da Crusoé , além de revelar que relatórios clandestinos foram enviados a Flávio Bolsonaro pelo chefe da Abin , revela também a existência de uma “central bolsonarista” dentro da própria Abin.

“Criada extraoficialmente e alheia ao procedimento padrão da agência para ‘levantar antecedentes’ e ‘montar dossiês’ a pedidos expressos do governo , a estrutura foi batizada de Coordenação-geral de Credenciamento de Segurança e Análise de Segurança Corporativa e tem como chefe o agente da PF Marcelo Bormevet.


Defensor aguerrido do presidente nas redes sociais e amigo de Carlos Bolsonaro, o filho 02, o policial integrou com Ramagem a equipe de segurança de Bolsonaro durante a campanha de 2018 e é chamado na Abin de o ‘homem do capitão’ (…).


Foi justamente para poder fugir do procedimento legal e agir às escuras, longe dos olhos do aparato oficial do estado e das autoridades, que Ramagem nomeou Bormevet e outro policial federal para a coordenação sob o guarda-chuva do CIN. Desde então, os pedidos, muitos deles nada republicanos, passaram a ser enviados diretamente e sem intermediários do gabinete de Ramagem para o ‘homem do capitão’, que ocupa uma sala no primeiro andar da sede da Abin , em Brasília, em frente a uma escada por onde os servidores do segundo andar precisam passar para se deslocar no prédio.”


Fonte: IG Último Segundo

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

'Não vou te visitar na cadeia': A misteriosa mensagem de Bolsonaro para o filho

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) foi clicado em uma misteriosa troca de mensagens com o filho também parlamentar, Eduardo Bolsonaro (PSC-SP).
O fotógrafo Lula Marques, respeitado fotojornalista da capital federal, registrou a imagem no Plenário no dia da eleição na Presidência da Câmara, na quinta-feira (2).
Na mensagem para o filho, o deputado critica justamente a ausência de Eduardo na sessão para votar nele.
A conversa indica circunstâncias misteriosas para a falta de Eduardo ao Plenário.
"Papel de filha da puta que está fazendo comigo", queixa-se o pai. "Mais ainda, compre merdas por aí; não vou te visitar na Papuda [prisão do Distrito Federal]."
A mensagem termina com uma incógnita, sugerindo que Eduardo está envolvido com algo suspeito: "Se a imprensa te descobrir aí, e o que está fazendo, vão comer seu fígado e o meu. Retorne imediatamente".
Veja o flagrante de Lula Marques:
LULA MARQUES
O post em que o fotojornalista compartilhava a íntegra da conversa não está mais disponível no Facebook.
Fonte:  HuffPost Brasil

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Governo Roseana dá com uma mão e te esfola com a outra

Roseana Pirata
O leitor maranhense ao vê o título dessa postagem, naturalmente acha que não é mais novidade essa prática da oligarquia Sarney em ajudar no primeiro momento, pessoas comuns, lideranças políticas, empresários, etc. Em troca, quer o seu voto e da família, emprego para seus pares, recursos financeiros dos cofres do estado, prefeituras e empresas.

Nos bastidores dessas negociações, chegam a usar como justificativa da troca de favores, o dito popular que eu sempre escuto também na feira: “Uma mão lava a outra” ou “Uma mão lava a outra e as duas lavam a burra”.

Amig@s internautas, quero lembrá-los um fato ocorrido no final do mês passado (30/10), onde a governadora Roseana Sarney, convidou os representantes do time do Sampaio Correa [ Sergio Frota e o capitão Arlindo], para lhe oferecerem ajuda na sua campanha rumo à série B. Naquele momento, o nosso representante passava por uma situação desconfortável, foi punido pelo STJD, com a perda do mando de campo por indisciplina da sua torcida. Essa penalidade deveria acontecer jogo de volta contra o Vila Nova de Goiás (02/11).

No STJD, o Sampaio havia dado entrada num pedido de efeito suspensivo da sua punição, as chances de reconsideração eram remotas. Acontece amig@s, que não é também novidade, essa oligarquia sempre teve grande influencia no poder judiciário e essa ajuda seria fichinha perto da ajuda  que o Sampaio faz para o governo, principalmente para Secretaria de Desportos e Lazer [esclareceremos essas ajuda mais na frente].

Cuidado Bolívia, é só amigo da onça
Pois bem, acontece que o governo da família Sarney, ajuda com uma mão e tira com a outra mão, além de não oferecer uma melhor estrutura para os torcedores (estacionamento, calçadas de acesso, alambrados de segurança, catracas eletrônicas, câmeras de segurança, banheiros, lixeiras, espaço para deficientes, opções de lanches com preços populares, etc.), cobra 10% da renda bruta (sem nenhum desconto), lanche e água para a PM.

Reveja essas matérias do nosso blog:

Reforma no Castelão: Já vem tarde!


Só nos jogos do Sampaio contra o Macaé e Vila Nova, foi repassado limpinho, mais de R$ 150 mil para o governo da taxa de 10% (aluguel do estádio) e cerca de R$ 10 mil com lanche e água. Isso sem falar dos impostos estaduais que é descontado no que sobra para o time mandante, no caso o Sampaio Corrêa.

Não devemos esquecer que pagamos diariamente impostos para o governo ter na SEDEL e Secretaria de Segurança, orçamento para manutenção do Castelão e Polícia Militar respectivamente.

A torcida maranhense tem que ficar esperta
Muitos torcedores bolivianos desavisados entenderam logo a manobra [claro e evidente] e elogiaram a atitude da oligarquia em ter influência naquele poder.

Tanto ficaram felizes que esqueceram que essa mesma influencia foi quem tirou o mandato do Governador Jackson Lago no tapetão e fraudou as eleições de 2014.

O futebol maranhense precisa ser ajudado sim e sua torcida merece ter esse importante entretenimento popular. Não pode cair em mais uma versão do ‘canto da sereia’ protagonizado por uma família que quer se perpetuar no poder estadual maranhense.


Portanto meus caros torcedores desavisados e esquecidos, com essa ajuda, através da influência no judiciário para derrubar a punição do nosso representante, nós não devemos nada a essa família, ela sim deve e muito, não só ao torcedor e sim a todo o povo maranhense que durante décadas sofre com os desmandos e enriquecimento ilícito desse grupo oligárquico.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Artigo: Teu voto por nova lei e novo rumo

Por Gerson Pinheiro de Souza*

Em meio século de domínio o Complexo Oligárquico de Curupu construiu um vasto campo minado. Terreno no qual derrota-lo e evitar o posterior retorno ao leme do Estado exige lutar contra uma série de mazelas já conhecidas, uma miríade de manobras já esperadas e, principalmente, estar preparado para desarmar artefatos cujo tempo e espaço no qual serão usados é “segredo de estado”. Portanto, é árdua a tarefa a que se propõe o campo de oposição no Maranhão.
Pra começo de conversa, é preciso conhecer a oligarquia e o seu funcionamento, conhecer o espaço social maranhense profundamente reproduzido por ela nessa quadra histórica, ter noção dos tentáculos estendidos por todo o território nacional e, além disso, suspeitar da existência de grandes estoques (em paraísos ultramarinos) de tudo que foi extorquido do povo nessa cruel relação de produção que mistura, contraditoriamente, aspectos feudais e neoliberais merecedores da dedicação dos alunos da escola econômica e social do saudoso Inácio Rangel. Grife-se que, no Maranhão essa dualidade se expressa de forma mais saliente.
 
A última e mais longeva oligarquia do Brasil tem como figura central um Coronel mor, posto ocupado pelo ex-presidente José Sarney desde 1965 quando desbancou Vitorino Freire. Seu discurso de posse, que pode ser assistido em filme do cineasta Glauber Rocha, não perdeu o conteúdo. O rosário de misérias ali relatadas enquanto crítica ao Vitorinismo: casas miseráveis, hospitais infectos, vítimas da fome ou da tuberculose. Permanece atual. O Maranhão parou no tempo, só mudaram os atores que na realidade hodierna são os filhos e netos daqueles que estrelaram o triste curta-metragem da posse daquele que afirmava em slogan de campanha que “seu voto é sua lei...”. Assertiva que, extraindo o complemento aqui oculto, felizmente continua valendo e dará ao nosso estado uma nova lei e um novo rumo.
O organograma seria parecido com o que segue: O coronel-mor assessorado pelo núcleo central da família, conforme descreve figurativamente o deputado Domingos Dutra (Pai, Filhos e Espírito Santo), mantem uma extensa rede de sub-coroneis distribuídos por todas as regiões do Estado. Cada sub-coronel, é bom que se diga, com as mais diferenciadas formações e ocupações (fazendeiros, médicos, juristas, militares etc.) utiliza os métodos mais “convincentes” para manter a população do seu feudo encurralada e transferir dividendos, não só eleitorais, ao comando central. Em troca, os já ditos “cobertores da lei”.
O sistema oligárquico foi reestruturado e dotado de tecnologia de ponta, em especial, no quesito da aparelhagem midiática. Em contrapartida, na relação com o povo maranhense, manteve o lema central da oligarquia sucedida que se ancorava na frase atribuída a Getúlio Vargas, mas costumeiramente repetida por Vitorino: - “Aos amigos, os favores da lei; aos inimigos, os rigores da lei”. Ao longo de cinco décadas e utilizando a maquina estatal aperfeiçoou o modelo anterior e fez penetrar suas raízes, também, na subjetividade do povo: modificou costumes; adquiriu laços culturais; criou modismos, enredos, toadas e melôs.
Em municípios que, segundo o Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD), ostentam os piores Índices de Desenvolvimento Humano do País é possível ouvir dos defensores da oligarquia, em meio a sonoras gargalhadas, frases como: escravizam, mas não deixam morrer de fome; podem até desviar recursos do estado, mas fazem algumas obras; cuidam bem daqueles que os seguem.
O que nos alenta é que esse ácido caldo de cultura, no qual se dissolvem desde as vítimas da mortalidade infantil até os condenados a permanecerem analfabetos e morrerem bem antes que seus contemporâneos dos demais estados, também gera a resistência, a organização popular e a revolta de amplas camadas do povo que já não suportam as condições em que são mantidas. Daí as pesquisa que têm apontado nos últimos meses que mais de 56% da população anseia por democracia e novas lideranças no governo. Os gonçalvinos querem mandar a oligarquia para as páginas da história.
O sinal de que grandes mudanças devem estar próximas se dá, conforme Lenin, quando “os de cima não mais conseguem governar como antes e os de baixo já não aceitam mais ser governados como antes”. No entanto, para que se dê o salto de qualidade e a liberdade seja conquistada torna-se necessário fortalecer os laços de unidade entre todas as forças que desejam e lutam pelo fim do domínio oligárquico. Quaisquer posições vacilantes poriam em risco esse resultado, pois o adversário é altamente astuto. Repito, é árdua a tarefa a que se propõe o campo de oposição no Maranhão, mas levando-se em conta a ampla vontade popular e sendo vigilante ás artimanhas da oligarquia, está à vista a luz no fim do túnel.
 *Gerson Pinheiro de Souza, é geógrafo pela UFMA e Diretor da UNEGRO
OBS: A 1ª foto, foi postada pelo blog como ilustração.  

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Agora pasmem: Líder da Universal humilha pastores e suas esposas em reunião secreta




O nosso blog denuncia abusos de algumas religiões, não de maneira que venha de encontro a liberdade religiosa e sim comportamentos inadequados e abusos com a fé das pessoas. Nesse caso agora é denunciando o modo que um pastor da IURD trata com ofensas as esposas dos obreiros e ainda discrimina os idosos [aposentados da previdência] e os jovens filhos dos casais fies a Igreja Universal, além do mais, compara essas esposas e seus filhos com macacos.
Essa matéria foi reproduzida do Blog Para Quem Enxergar, do blogueiro evangélico, o cearense Paulo Alencar. Veja abaixo a matéria e o vídeo numa reunião secreta dessa igreja:

Assistam enquanto não tiram no ar. Este vídeo está sendo "cassado" pelo pessoal da Universal.
Humilhação. Ofensas a esposas e filhos de obreiros. Vejam a forma como a Universal pressiona seus "pastores" e suas esposas e filhos de maneira a aumentar a arrecadação.

O líder no vídeo é
Walter Barbosa. Após a grande repercussão do evento na internet, Barbosa produziu um vídeo pedindo "desculpas" pelo ocorrido, mas daquele jeito típico da Universal: amaldiçoando a quem produziu e divulgou o vídeo da reunião secreta e afirmando que o seu destempero na reunião se deveu a sua grande impaciência em alcançar os que sofrem. Amor pelas almas aflitas...

Ocorre que o pito dado na reunião não se deveu à morosidade de seus pastores nas atividades de evangelização. O motivo da reunião era a baixa arrecadação de seita na região... Ops! Na Universal evangelização e arrecadação são a mesma coisa! Risos!
É assim no Equador e em todo o mundo. A máfia do Edir Macedo.
Queimem no inferno!



sábado, 17 de agosto de 2013

Conheça: Todos os homens do propinoduto tucano


Quem são e como operam as autoridades ligadas aos tucanos investigadas pela participação no esquema que trafegou por governos do PSDB em São Paulo

Dos jornalistas Alan Rodrigues, Pedro Marcondes de Moura e Sérgio Pardellas

Na última semana, as investigações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Ministério Público mostraram a abrangência nacional do cartel na área de transporte sobre trilhos. A tramoia, concluíram as apurações, reproduziu em diversas regiões do País a sistemática observada em São Paulo, de conluio nas licitações, combinação de preços superfaturados e subcontratação de empresas derrotadas. As fraudes que atravessaram incólumes 20 anos de governos do PSDB em São Paulo carregam, no entanto, peculiaridades que as diferem substancialmente das demais que estão sendo investigadas pelas autoridades. O esquema paulista distingue-se pelo pioneirismo (começou a funcionar em 1998, em meio ao governo do tucano Mário Covas), duração, tamanho e valores envolvidos – quase meio bilhão de reais drenados durante as administrações tucanas. Porém, ainda mais importante, o escândalo do Metrô em São Paulo já tem identificada a participação de agentes públicos ligados ao partido instalado no poder. Em troca do aval para deixar as falcatruas correrem soltas e multiplicarem os lucros do cartel, quadros importantes do PSDB levaram propina e azeitaram um propinoduto que desviou recursos públicos para alimentar campanhas eleitorais.

Ao contrário do que afirmaram o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-governador José Serra na quinta-feira 15, servidores de primeiro e segundo escalões da administração paulista envolvidos no escândalo são ligados aos principais líderes tucanos no Estado. Isso já está claro nas investigações. Usando a velha e surrada tática política de despiste, Serra e FHC afirmaram que o esquema não contou com a participação de servidores do Estado nem beneficiou governos comandados pelo PSDB. Não é o que mostram as apurações do Ministério Público e do Cade. Pelo menos cinco autoridades envolvidas na engrenagem criminosa, hoje sob investigação por terem firmado contratos irregulares ou intermediado o recebimento de suborno, atuaram sob o comando de dois homens de confiança de José Serra e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin: seus secretários de Transportes Metropolitanos. José Luiz Portella, secretário de Serra, e Jurandir Fernandes, secretário de Alckmin, chefiaram de perto e coordenaram as atividades dos altos executivos enrolados na investigação. O grupo é composto pelos técnicos Décio Tambelli, ex-diretor de operação do Metrô e atualmente coordenador da Comissão de Monitoramento das Concessões e Permissões da Secretaria de Transportes Metropolitanos, José Luiz Lavorente, diretor de Operação e Manutenção da CPTM, Ademir Venâncio, ex- diretor de engenharia da estatal de trens, e os ex-presidentes do metrô e da CPTM, José Jorge Fagali e Sérgio Avelleda.

Segundo documentos em poder do CADE e Ministério Público, estes cinco personagens, afamados como bons quadros tucanos, se valeram de seus cargos nas estatais paulistas para atender, ao mesmo tempo, aos interesses das empresas do cartel na área de transporte sobre trilhos e às conveniências políticas de seus chefes. Em troca de benefícios para si ou para os governos tucanos, forneciam informações privilegiadas, direcionavam licitações ou faziam vista grossa para prejuízos milionários ao erário paulista em contratos superfaturados firmados pelo metrô. As investigações mostram que estes técnicos do Metrô e da CPTM transitaram pelos governos de Serra e Alckmin operando em maior ou menor grau, mas sempre a favor do esquema.

Um dos destaques do quinteto é José Luiz Lavorente, diretor de Operação e Manutenção da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Em um documento analisado pelo CADE, datado de 2008, Lavorente é descrito como o encarregado de receber em mãos a propina das empresas do cartel e distribuí-las aos políticos do PSDB e partidos aliados. O diretor da CPTM é pessoa da estrita confiança de Alckmin. Foi o governador de São Paulo que o promoveu ao cargo de direção na estatal de trens, em 2003. Durante o governo Serra (2007-2008), Lavorente deixou a CPTM, mas permaneceu em cargos de comando da estrutura administrativa do governo como cota de Alckmin. Com o regresso de Alckmin ao Palácio dos Bandeirantes, em 2011, Lavorente reassume o posto de direção na CPTM. Além de ser apontado como o distribuidor da propina aos políticos, Lavorente responde uma ação movida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que aponta superfaturamento e desrespeito à lei de licitações. O processo refere-se a um acordo fechado por meio de um aditivo, em 2005, que possibilitou a compra de 12 trens a mais do que os 30 licitados, em 1995 e só seria valido até 2000.

O ex-diretor de Operação do Metrô e atualmente coordenador da Comissão de Monitoramento das Concessões e Permissões da secretaria de Transportes Metropolitanos, Décio Tambelli, é outro personagem bastante ativo no esquema paulista. Segundo depoimentos feitos por ex-funcionários da Siemens ao Ministério Público de São Paulo, Tambelli está na lista dos servidores que receberam propina das companhias que firmaram contratos superfaturados com o metrô e a CPTM. Tambelli é muito próximo do secretário de Transportes, Jurandir Fernandes. Foi Fernandes que o alçou ao cargo que ocupa atualmente na administração tucana. Cabe a Tambelli, apesar de estar na mira das investigações, acompanhar e fiscalizar o andamento da linha quatro do metrô paulista, a primeira obra do setor realizada em formato de parceria público-privada. Emails obtidos por ISTOÉ mostram que, desde 2006, Tambelli já agia para defender e intermediar os interesses das empresas integrantes do cartel. Na correspondência eletrônica, em que Tambelli é mencionado, executivos da Siemens narram os acertos entre as companhias do cartel no Distrito Federal e sugerem que o acordo lá na capital seria atrelado “à subcontratação da Siemens nos lotes 1+2 da linha 4” em São Paulo. “O Ramos (funcionário do conglomerado francês Alstom) andou dizendo ao Décio Tambelli do metrô SP, que não pode mais subcontratar a Siemens depois do caso Taulois/Ben-hur (episódio em que a Siemens tirou técnicos da Alstom para se beneficiar na pontuação técnica e vencer a licitação de manutenção do metrô de Brasília)”, dizia o e-mail trocado entre os funcionários da Siemens.

Outro homem do propinoduto tucano que goza da confiança de Jurandir Fernandes e de Alckmin é Sérgio Avelleda. Ele foi nomeado presidente do Metrô em 2011, mas seu mandato durou menos de um ano e meio. Avelleda foi afastado após a Justiça atender acusação do Ministério Público de improbidade administrativa. Ele era suspeito de colaborar em uma fraude na concorrência da Linha 5 do Metrô, ao não suspender os contratos e aditamentos da concorrência suspeita de formação de cartel. “Sua permanência no cargo, neste atual momento, apenas iria demonstrar a conivência do Poder Judiciário com as ilegalidades praticadas por administradores que não respeitam as leis, a moral e os demais princípios que devem nortear a atuação de todo agente público”, decretou a juíza Simone Gomes Casorretti, ao determinar sua demissão. Após a saída, Avelleda obteve uma liminar para ser reconduzido ao cargo e pediu demissão. Hoje é consultor na área de transporte sobre trilhos e presta serviços para empresas interessadas em fazer negócios com o governo estadual.

De acordo com as investigações, quem também ocupou papel estratégico no esquema foi Ademir Venâncio, ex-diretor da CPTM. Enquanto trabalhou na estatal, Venâncio cultivou o hábito de se reunir em casas noturnas de São Paulo com os executivos das companhias do cartel para fornecer informações internas e acertar como elas iriam participar de contratos com as empresas públicas. Ao deixar a CPTM, em meados dos anos 2000, ele resolveu investir na carreira de empresário no setor de engenharia. Mas nunca se afastou muito dos governos do PSDB de São Paulo. A Focco Engenharia, uma das empresas em que Venâncio mantém participação, amealhou, em consórcios, pelo menos 17 consultorias orçadas em R$ 131 milhões com as estatais paulistas para fiscalizar parcerias público-privadas e andamento de contratos do governo de Geraldo Alckmin. Outra companhia em nome de Venâncio que também mantém contratos com o governo de São Paulo, o Consórcio Supervisor EPBF, causa estranheza aos investigadores por possuir capital social de apenas R$ 0,01. O Ministério Público suspeita que a contratação das empresas de Venâncio pela administração tucana seja apenas uma cortina de fumaça para garantir vista grossa na execução dos serviços prestados por empresas do cartel. As mesmas que Venâncio mantinha relação quando era servidor público.

A importância da secretaria Transportes Metropolitanos e suas estatais subordinadas, Metrô e CPTM, para o esquema fica evidente quando se observa a lógica das mudanças de suas diretorias nas transições entre as gestões de Serra e Alckmin. Ao assumir o governo em 2007, José Serra fez questão de remover os aliados de Alckmin e colocar pessoas ligadas ao seu grupo político. Um movimento que seria revertido com a volta de Alckmin em 2011. Apesar dessa dança de cadeiras, todos os integrantes do esquema permaneceram em postos importantes das duas administrações tucanas. Quem sempre operou essas movimentações e trocas de cargos, de modo a assegurar a continuidade do funcionamento do cartel, foram os secretários de Transportes Metropolitanos de Serra e Alckmin, José Luiz Portella e Jurandir Fernandes.

Homem forte do governador Geraldo Alckmin, Fernandes começou sua trajetória política no PT de Campinas, interior de São Paulo. Chegou a ocupar o cargo de secretário municipal dos Transportes na gestão petista, mas acabou expulso do partido em 1993 e ingressou no PSDB. Por transitar com desenvoltura pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Jurandir foi guindado a diretor do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) em 2000. No ano seguinte, aproximou-se do então governador Alckmin, quando assumiu pela primeira vez o cargo de secretário estadual de Transportes Metropolitanos. Neste primeiro período à frente da pasta, tanto a CPTM quanto o Metrô firmaram contratos superfaturados com empresas do cartel. Quando Serra assume o governo paulista em 2007, Jurandir é transferido para a presidência da Emplasa (Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano), responsável pela formulação de políticas públicas para a região metropolitana de São Paulo. Com o retorno de Alckmin ao governo estadual em 2011, Jurandir Fernandes também volta ao comando da disputada pasta. Nos últimos dias, o secretário de Transportes tem se esforçado para se desvincular dos personagens investigados no esquema do propinoduto. Fotos obtidas por ISTOÉ, no entanto, mostram Jurandir Fernandes em companhia de Lavorente e de lobistas do cartel durante encontro nas instalações da MGE Transporte em Hortolândia, interior de São Paulo. Um dos fotografados com Fernandes é Arthur Teixeira que, segundo a investigação, integra o esquema de lavagem do dinheiro da propina. Teixeira, que acompanhou a solenidade do lado do secretário Fernandes, nunca produziu um parafuso de trem, mas é o responsável pela abertura de offshores no Uruguai usadas pelo esquema. Outro companheiro de solenidades flagrado com Fernandes é Ronaldo Moriyama ex-diretor da MGE, empresa que servia de intermediária para o pagamento das comissões às autoridades e políticos. Moriyama é conhecido no mercado ferroviário por sua agressividade ao subornar diretores do Metrô e CPTM, segundo depoimentos obtidos pelo Ministério Público.

No governo Serra, quem exercia papel político idêntico ao de Jurandir Fernandes no governo Alckmin era o então secretário de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella. Serrista de primeira hora, ele ingressou na vida pública como secretário na gestão Mário Covas. Portelinha, como é conhecido dentro do partido, é citado em uma série de e-mails trocados por executivos da Siemens. Num deles, Portella, assim como Serra, sugeriram ao conglomerado alemão Siemens que se associasse com a espanhola CAF em uma licitação para compra de 40 novos trens. O encontro teria ocorrido em um congresso internacional sobre ferrovias realizado, em 2008, na cidade de Amsterdã, capital da Holanda. Os dois temiam que eventuais disputas judiciais entre as companhias atrasassem o cronograma do projeto. Apesar de o negócio não ter se concretizado nestas condições, chama atenção que o secretário sugerisse uma prática que resulta, na maioria das vezes, em prejuízos aos cofres públicos e que já ocorria em outros contratos vencidos pelas empresas do cartel. Quem assinava os contratos do Metrô durante a gestão de Portella era José Jorge Fagali, então presidente do órgão. Ex-gerente de controle da estatal, ele teve de conviver com questionamentos sobre o fato de o seu irmão ser acusado de ter recebido cerca de US$ 10 milhões da empresa francesa Alstom. A companhia, hoje envolvida nas investigações do cartel, é uma das principais vencedoras de contratos e licitações da empresa pública.