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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Raquel Dodge afasta procurador que investigava Agripino Maia, em seu lugar colocou... primo de Agripino


A nova procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, quebrou o compromisso público de manter os integrantes do grupo de trabalho da Lava Jato que se dispusessem a permanecer na PGR após a saída de Rodrigo Janot. Em portarias que serão publicadas no começo desta semana, a que ÉPOCA teve acesso, ela exclui da Lava Jato os procuradores Rodrigo Telles e Fernando Antonio de Alencar, dois dos principais investigadores da operação. 

Ambos já haviam manifestado intenção de ficar, tanto formalmente quanto em contatos informais com o grupo da nova procuradora-geral - e haviam recebido a confirmação de que prosseguiriam nas investigações. Os dois foram surpreendidos com a informação oficiosa, neste sábado, de que estão fora da Lava Jato. O procurador José Alfredo de Paula, novo coordenador da Lava Jato na PGR, confirmou a eles que ambos estão excluídos das investigações. Dodge toma posse nesta segunda. O presidente Michel Temer prometeu comparecer ao evento.

A exclusão de Telles é especialmente significativa. Além de participar de quase todos os casos da Lava Jato na PGR, o procurador destacou-se por liderar as investigações contra o senador José Agripino, presidente do DEM e aliado de Temer. No ano passado, Telles comandou a investigação que resultou numa denúncia por corrupção passiva contra Agripino. O senador foi acusado de pedir propina de R$ 1 milhão a um empresário que detinha contratos com o governo do Rio Grande do Norte. Entre as provas, há áudios que implicam fortemente Agripino, na avaliação dos investigadores. O caso permanece em sigilo, por decisão do ministro Ricardo Lewandowski, que o relata no Supremo.

José Agripino Maia (Foto: Antonio Cruz/ABr)
Incomodado com a atuação de Telles, Agripino pediu a cabeça dele a Janot no começo do ano, segundo o procurador-geral comentou com três interlocutores após o contato do senador. Janot disse ter recusado de pronto o pedido. Recentemente, já escolhida por Temer como substituta de Janot, Raquel Dodge anunciou como seu vice o procurador Luciano Maia, primo de Agripino.

Mesmo com a escolha do primo de Agripino e a alegada pressão do senador junto à PGR, Telles foi informado de que permaneceria no grupo de trabalho da Lava Jato, conforme a promessa pública de Raquel Dodge. Manteve contatos frequentes com três procuradores da turma de Raquel. Na quarta-feira, mais uma flechada contra Agripino: ele foi denunciado pela PGR ao Supremo, acusado novamente de corrupção - desta vez, suspeito de receber propina da OAS. Em ambas as denúncias, Agripino é acusado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Em ambas, a participação de Telles foi decisiva.

Até ontem, sexta-feira, Telles e Fernando Antonio de Alencar acreditavam que continuariam na Lava Jato. Souberam que estavam fora em razão do vazamento das portarias com a exclusão deles. Após o vazamento, José Alfredo informou a Telles que "havia resistência" ao nome dele, sem dar detalhes.

Outro lado

Agripino Maia negou que tenha soclitado a substituição de Rodrigo Telles no grupo de trabalho da Lava Jato, seja a Rodrigo Janot ou a sua sucessora, Raquel Dodge. "Nunca pedi. Adiantaria fazer um pedido desse ao procurador Rodrigo Janot? Primeiro de tudo, não tem cabimento. E segundo: ele [Janot] é um homem de convicções. Jamais. Também nunca comentei com a doutora Raquel Dodge sobre procurador algum. Ele [Rodrigo Telles] cumpre as obrigações dele", afirmou Maia. O parlamentar disse que soube de mudanças na Lava Jato pela reportagem. "Eu estou sendo informado por você da substituição deste procurador. Não fazia ideia."

O parlamentar também negou participação no processo de escolha de Luciano Maia, seu primo, para a vice-procuradoria-geral da República. "Isso seria me atribuir uma força que eu não teria nunca, fazer qualquer tipo de encaminhamento, sugestão ou de indicação de nome para compor a equipe da futura procuradora. Eu não tenho esse tipo de acesso. Não tive em momento algum oportunidade ou intenção de fazer qualquer tipo de indicação." E acrescentou: " Luciano [Maia] é meu primo sim, um subprocurador com muitos anos de carreira. Tem o conceito dele e, assim como os demais integrantes da equipe da futura procuradora, foi escolhido por critérios técnicos. Não me consta que ele tenha pedido indicação a alguém. A mim muito menos."

A assessoria de imprensa de Raquel Dodge informou que a composição do grupo de trabalho da Lava Jato será definida em portaria a ser assinada na segunda-feira (18), dia em que ela assume o comando da Procuradoria-Geral da República. A assessoria afirmou que parte dos procuradores da equipe atual da Lava Jato havia solicitado o desligamento.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Lula interroga Moro: “Prestei depoimento a um juiz imparcial?”


Lula então rebateu: “Mas não foi o procedimento na outra ação”, referindo-se à condenação em primeira instância pelo suposto tríplex do Guarujá. Moro mudou o tom de voz, revelando sua irritação com a afirmação do ex-presidente, e disse: “Eu não vou discutir a outra ação. Se nós fôssemos discutir, não seria bom para o senhor”. Em seguida, Moro diz que vai interromper a gravação, mas antes teve que ouvir do ex-presidente: “Eu vou continuar esperando que a Justiça faça justiça nesse país”.

No início do interrogatório, após Moro informar que ele poderia ficar em silêncio, Lula afirmou que queria falar. “Apesar de entender que o processo é ilegítimo e injusto, eu pretendo falar. Talvez eu seja a pessoa que mais queira a verdade neste processo”, afirmou.

Moro, no entanto, demonstrou em vários momentos que preferia o silêncio de Lula. Em uma das ocasiões em que deu a palavra ao ex-presidente, o juiz da República de Curitiba afirmou que não era hora de “discurso de campanha”. “O senhor gostaria de dizer alguma coisa ao final, sr. ex-presidente? Só assim, senhor presidente [levanta a voz]: não é momento de campanha, não é momento de discurso, é para falar do objeto da acusação, se for o caso. Certo?”



 

Lula reforçou que as ações movidas contra ele se transformaram em perseguição para incriminá-lo e rebateu as acusações do Ministério Público Federal de que recebeu propina da Odebrecht. Disse que a Lava Jato tenta a todo custo transformá-lo no “Power Point” deles, sem provas, apenas convicção.

“Eles [a força-tarefa da Lava Jato] inventaram que o tríplex era meu porque O Globo disse e não é, o senhor sabe disso. Agora, inventaram que o apartamento é meu, e não é, e eles sabem disso. Como inventaram a história do sítio, que é meu, e não é. Ou seja, três denúncias do Ministério Público por ilação, porque eles têm a ideia de transformar o Lula no Power Point deles”, afirmou.

Sobre as acusações feitas pelo ex-ministro Antônio Palocci, Lula negou que tenha feito qualquer tipo de acerto ilícito com a empreiteira Odebrecht. “Se ele fosse um objeto, seria um simulador”, afirmou Lula, se referindo a Palocci.

O ex-presidente salientou que Palocci nem sequer era responsável por assuntos do Instituto, que é a base da acusação. ”Eu vi atentamente o depoimento do Palocci. Uma coisa quase que cinematográfica, quase feita por roteirista da Globo, sabe?”, destacou Lula. “Conheço o Palocci bem. O Palocci, se não fosse ser humano, seria um simulador. Ele é tão esperto que é capaz de simular uma mentira mais verdadeira que a verdade. O Palocci é médico, calculista, é frio”, afirmou.

Moro perguntou se nada do que o ex-ministro disse é verdadeiro. “Nada”, respondeu Lula. “A única coisa que tem de verdade ali é ele dizer que está fazendo a delação porque quer os benefícios da delação. Ou quem sabe ele queira um pouco do dinheiro que vocês bloquearam dele”, afirmou.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

A casa caiu de vez: Malas de dinheiro são encontradas no 'bunker de Geddel'


Em operação nomeada de 'Tesouro Perdido', Polícia Federal encontra malas de dinheiro em imóvel ligado a Geddel Veira Lima, ex-homem forte de Michel Temer

A Polícia Federal encontrou nesta terça-feira (5) um “bunker” com milhares de notas em reais que, segundo a investigação, é usado por Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Michel Temer.
A operação, nomeada de Tesouro Perdido, foi autorizada pela 10ª Vara Federal de Brasilia.
Os valores apreendidos serão transportados a um banco onde será contabilizado e depositado em conta judicial.
Segundo a PF, após as últimas fases da Operação Cui Bono, foi possível chegar a um endereço, em Salvador, que seria utilizado para armazenagem de dinheiro.
Geddel foi preso no dia 3 de julho, mas conseguiu um habeas corpus para cumprir prisão domiciliar em sua casa, na capital baiana, situação em que se encontra ainda hoje.

DENÚNCIA

A Justiça Federal em Brasília aceitou, no final de agosto, denúncia da Procuradoria da República no Distrito Federal e transformou em réu o ex-ministro Geddel Vieira Lima por obstrução de justiça.
Geddel foi denunciado por tentativa de atrapalhar as investigações sobre desvios no FI-FGTS, o fundo de investimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.
A denúncia foi aceita pelo juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília.
Título nosso.

Bomba: Mulher de Moro recebeu pagamentos de investigado na Lava Jato


Alegando sigilo profissional, escritório de Tacla Duran não informa cifras nem detalhes sobre o trabalho realizado pelos advogados para os quais fez pagamentos

por Redação RBA 

São Paulo – A advogada Rosângela Moro, mulher do juiz federal Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, em Curitiba, teria recebido dinheiro do escritório do também advogado Rodrigo Tacla Duran, apontado como operador de propina da construtora Odebrecht. O jornalista Luis Nassif observa que o nome de Rosângela, juntamente com o escritório do advogado Carlos Zucolotto Júnior, aparece em um relatório da Receita Federal entre os advogados que trabalharam para o escritório de Tacla Duran.

"Se o nome da senhora Moro consta na DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte), significa que o escritório Tacla Duran efetuou pagamentos ao escritório e aos advogados do escritório. Ou seja, pagou a senhora Moro, diz Nassif em sua postagem.

Para o jornalista, que vem acompanhando as revelações, o caso é uma "bomba nuclear" contra o juiz federal e a Lava Jato. "Até então, se sabia que ele tinha pago o escritório de Zucolotto, melhor amigo de Moro (...). O que esse relatório da Receita mostra é que Duran pagava não apenas o escritório de Zucoloto, do qual Rosângela é sócia, mas a própria esposa do juiz", afirma Nassif em vídeo. Por conta da repercussão do caso, o Jornal GGN, vem sofrendo instabilidades atribuídas a ataques virtuais.

Alegando sigilo profissional, o escritório de Tacla Duran não informa cifras nem detalhes sobre o trabalho realizado pelos advogados para os quais fez pagamentos. A informação dando conta das relações entre o investigado e o escritório do amigo e da mulher do juiz Sérgio Moro foi ocultada do processo envolvendo Tacla Duran. Caso constasse, configuraria conflito de interesse, e Moro seria impedido de julgar o operador da Odebrecht.

Negociação de facilidades
Na semana passada, a colunista da Folha de S.Paulo Mônica Bergamo revelou que o advogado espanhol Rodrigo Tacla Duran, apontado como operador de propinas da Odebrecht, acusa o advogado Carlos Zucolotto Júnior, amigo do juiz Sérgio Moro, de negociar facilidades, como redução de penas e multas, em acordos de delação premiada na Operação Lava Jato. 

Por possuir dupla cidadania, Tacla Duran, que foi acusado de lavagem de dinheiro e de formação de organização criminosa, vive hoje na Espanha. Ele acusa Zucolotto de ter pedido R$ 5 milhões para “aliviar” pedido de condenação e multa.

Já a coluna Radar, da revista Veja, publicada no sábado (2), diz que o escritório Zucolotto, que também tinha como sócia Rosângela Moro – mulher de Sergio Moro – era correspondente, em Curitiba, do escritório do advogado espanhol.