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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Temer decreta extinção da Reserva Nacional do Cobre

Uma área de 47 mil quilômetros quadrados na Amazônia, rica em cobre e outros minerais, poderá, a partir de agora, ser explorada pela iniciativa privada. O presidente Michel Temer editou decreto que extingue a Reserva Nacional de Cobre e Associadas, uma área equivalente ao Espírito Santo, localizada entre os Estados do Pará e do Amapá, e que havia sido instituída em 1984.
Segundo o texto do decreto, a extinção da reserva “não afasta a aplicação de legislação específica sobre proteção da vegetação nativa, unidades de conservação da natureza, terras indígenas e áreas em faixa de fronteira”.
De acordo com o diretor executivo da ONG WWF-Brasil, Maurício Voivodic, a medida pode colocar em risco áreas protegidas, podendo provocar impactos irreversíveis ao meio ambiente e povos da região. “Além da exploração demográfica, desmatamento, perda da biodiversidade e comprometimento dos recursos hídricos, haverá acirramento dos conflitos fundiários e ameaça a povos indígenas e populações tradicionais”, disse, em texto publicado no site da instituição.
A reserva do cobre foi criada por meio de um decreto publicado em 24 de fevereiro de 1984. Numa canetada, o presidente militar João Figueiredo esquadrinhou uma área de mata fechada com oito vezes a dimensão do Distrito Federal. O plano dos militares era explorar, por meio de uma estatal, grandes jazidas de cobre encontradas na região, mineral extremamente valorizado à época por conta das atividades do setor elétrico. Ocorre que esse plano nunca saiu do papel. Passados 33 anos desde a criação da reserva, o que de fato se criou sobre essas terras foram delimitações de sete florestas protegidas e duas terras indígenas, cobrindo praticamente 80% de toda a área.
A área engloba nove áreas protegidas: o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, as Florestas Estaduais do Paru e do Amapá, a Reserva Biológica de Maicuru, a Estação Ecológica do Jari, a Reserva Extrativista Rio Cajari, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru e as Terras Indígenas Waiãpi e Rio Paru d’Este. De todas essas unidades e terras indígenas, apenas uma pequena parcela da Floresta Estadual Paru prevê atividades de mineração.
FONTE: Estadão

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Revista de negócios aponta Malafaia como exemplo a seguir

Revista listou "oito lições empresariais" do pastor

A versão em app da Exame, revista de negócios e economia, publicou uma reportagem apresentando o pastor Silas Malafaia como um exemplo a ser seguido por empresários.

A revista, que chama o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo de “CEO da fé”, informou que Malafaia tem plano de abrir mil novos templos nos próximos anos em todo o país, dando prioridade ao Estado de São Paulo.

O primeiro desses templos acaba de ser aberto na cidade de São Paulo, onde Malafaia ainda não tinha nenhuma representação. Trata-se de um local para acomodar milhares de fiéis.

A revista informa que a Vitória em Cristo tem 120 templos em seis Estados e 1.200 funcionários, incluindo pastores, engenheiros e pessoal de administração. 

Os pastores de Malafaia ganham por mês até R$ 22 mil, além de benefícios.

A revista listou “oito lições empresariais” do pastor Malafaia, conforme segue.

1 — Modernize-se sem abandonar as tradições

2 — Seja sempre mais ambicioso

3 — Saiba esperar as oportunidades

4 — Conheça e cuide de seus comandados

5 — Diferencie-se pela qualidade

6 — Não fale em dinheiro

7 — Deixe claro que é o cargo que precisa de você, e não o contrário

8 — Cause impacto

Pelo menos na versão da reportagem publicada na web, a revista não mencionou dois fatores que explicam em grande parte o sucesso dos negócios de Malafaia e que são privilégios das igrejas: isenção de impostos e obtenção de recursos a um custo baixo, o dízimo.


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Dominação econômica global ou terceira guerra mundial?



Por LUÍS CARLOS ROMOLI DE OLIVEIRA

Os Estados Unidos da América estão, nestes últimos dias, jogando sua grande cartada: um tudo ou nada que só saberemos o que deu dentro de alguns meses, talvez uns 12 a 18 meses.

Junto com alguns [aliados] países fortes da OPEP, como a Arábia Saudita e alguns players europeus que não querem aparecer, conseguiram enlear algumas economias do mundo, como a Rússia, Brasil, Irã, Venezuela e vários outros com algo que poderá ser o maior blefe de toda a história. Ou quem sabe, se der certo o plano deles, conseguirão dar um golpe de misericórdia nessas nações para manterem e expandirem o seu status quo de hiperpotência mundial por mais algumas gerações.

Por conta de seu [subsidiado e] criticadíssimo projeto de extração de petróleo de xisto, algo calamitosamente agressivo à natureza, estão forçando uma baixa de quase 50% nos preços do petróleo tradicional em todas as bolsas do mundo. Dizem [e há quem acredite] que sua produção de óleo de xisto aumentou significativamente suas reservas estratégicas e que, por isso, podem baixar os preços em 50%, algo impensável há apenas poucos meses atrás.

Junto com essa massiva desvalorização, estão tentando desestabilizar as nações ricas em petróleo em seu próprio quintal, a Venezuela e o Brasil.

Na Venezuela, os ataques predadores na economia já fizeram com que a inflação chegasse na casa dos 50%, enquanto no Brasil existe um [conveniente e amplificado] ri-fi-fi de denúncias ainda não comprovadas de um grande desfalque nas contas da Petrobras, que poderá inviabilizar a empresa e causar sérios danos, como a queda do valor de face de suas ações para menos da metade do que valiam há apenas alguns meses atrás, além de grande desemprego e convulsão social. Tudo num plano de [planejado] sincronismo espetacular.

O grande jogo que [os EUA] jogam hoje é desestruturar tanto a Venezuela como o Brasil e a Rússia e, quem sabe, também a China, e apossarem-se "financeiramente" de suas reservas petrolíferas, talvez comprando-as por qualquer ninharia na bacia das almas nessas horas de vacas magérrimas, quando o valor das ações dessas empresas já valem metade do que valiam ontem.


Tão logo essa conquista "via mercado financeiro" se confirme, vão anunciar que o projeto do xisto não deu certo, mas que, nesse ínterim, compraram os poços da Venezuela, da Russia e do Brasil. E pronto! Deu-se o golpe que estão ensaiando já há vários anos, sem disparar um único tiro. Terá bastado somente uma sequência de protoataques como vimos na última década: contra a tal da praga da ameaça bolivariana; com o câncer em cinco chefes de governo na América Latina num mesmo momento; com o [violento] "não vai ter Copa" no Brasil; com a "opção-legal" de Joaquim Barbosa e o Mensalão; com a opção desesperada Marina Silva, que também não vingou, e agora com um "terceiro turno" das eleições democráticas do mês passado e mais o megaescândalo que ainda nem é um processo judicial, mas já xacoalhou toda a estrutura do novo governo brasileiro... Tudo isso, junto com a benesse momentânea e surpreendente do discutidíssimo óleo de xisto, estão colocando de joelhos a maior e mais dinâmica empresa brasileira, que tinha entre suas principais metas promover o maior resgate histórico da educação e da saúde neste país em seus 500 anos de vida, com os royalties do pré-sal.

No entanto, o que vemos neste momento é que a Petrobras está sendo colocada sobre terrível stress que poderá romper não só nosso sistema financeiro e político como nossos planos de resgaste de nossa soberania através da educação e da saúde do povo.

Junto, tentarão rolar a Rússia e talvez a China no mesmo imbróglio; mas há muitos que apostam que o projeto do óleo de xisto irá dar com us burros n'água muito antes dos 12 meses que os teóricos preconizam, que, se realmente acontecer, deveremos ver o feitiço virar contra o feiticeiro e derrubar definitivamente a maior economia do planeta desde o interregno das duas grandes guerras mundiais.

O projeto óleo de xisto e a crise dos 'subprimes' (derivativos) de 2008-2009 terão sido grandes demais para o mundo do século XXI engolir... Se o blefe se confirmar, deveremos ver o império americano e seus parceiros da UE serem corroídos velozmente de dentro para fora numa alusão à dilapidação dos afrescos dos palazzos romanos quando da queda do império peninsular a partir dos anos 400 de nossa era.

Essa é a maior briga de cachorro grande que temos notícia na história recente do mundo. Nem mesmo as guerras mundiais trouxeram tantas mudanças como as mudanças que iremos ver caso a aposta no blefe seja realmente o que os EUA estão fazendo neste momento.

E se eles perderem, sai de baixo. Será a terceira guerra mundial e os vencedores serão... os chineses!

Vou apostar no Brasil e na Petrobras mais brasileira ainda: Vou comprar ações em baixa de 50% da Petrobras ainda amanhã e quem sabe ficarei rico em menos de 12 meses.

Quem viver, verá".


Fonte: Democracia & Política

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Pedágios de SP fariam 12 arenas da Copa

As concessionárias que administram os pedágios nas estradas estaduais arrecadaram, em 2013, cerca de R$ 6,891 bilhões, de acordo com o Pedagiômetro– que utiliza os relatórios de arrecadação das concessionárias para estimar o faturamento das praças de pedágio paulistas. Segundo nota da bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo, o valor é apenas R$ 733 milhões mais baixo que os R$ 7,6 bilhões previstos no documento Matriz de Responsabilidades, do Portal Transparência, do governo federal, para a reforma e ou construção dos 12 estádios que sediarão jogos da Copa do Mundo de futebol.

Os cálculos, diz a nota, são de diferentes fontes, incluindo BNDES, Caixa Econômica Federal, além de governos estaduais e municipais, dentre outros, e explicam por que a construção das praças de pedágios no estado saltaram de 40, em 1997, para 246, em 2013.

Em seu site, a bancada lembra que as estradas que foram repassadas à iniciativa privada, principalmente na primeira fase, em 1998, apresentavam boa qualidade, construídas com recursos dos impostos pagos pelos contribuintes estaduais.

“Os tucanos entregaram para a iniciativa privada o melhor, as rodovias duplicadas e com maior fluxo de tráfego”, diz o texto.

Ainda segundo a bancada do PT, 67% das concessões de rodovias paulistas usam o IGP-M como indexador para corrigir o valor das tarifas de pedágios anualmente e o restante usa o IPCA. De junho de 1998 até maio de 2013, a variação do IGP-M foi de 248%, enquanto para o IPCA foi de 152%.

Os valores das tarifas de pedágios cobradas no estado de São Paulo serão alvo de investigação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa. O pedido de instalação da comissão foi protocolado em março de 2011, mas só agora passará a ser tema de apuração.

A bancada petista na Assembleia Legislativa – que já indicou os deputados Antonio Mentor e Gerson Bittencourt como membros titulares da CPI – aguarda a indicação dos representantes das demais bancadas, num total de nove parlamentares. Depois disso, deverá ser convocada a primeira reunião da comissão, que elegerá presidente e vice. É de praxe que a presidência ou a relatoria fiquem com o autor do pedido, que foi o deputado Mentor.
 
Fonte: Blog do Miro

quinta-feira, 3 de abril de 2014

A tucanalha mostra de que lado eles estão( grandes empresários e banqueiros) e quem eles são contra(trabalhadores)

Por Paulo Nogueira*
Aécio e FHC, rindo do povo
Não poderia ser mais revelador o jantar oferecido pelo relações públicas João Dória a Aécio em sua casa em São Paulo.
 
(Aqui, você tem o vídeo da fala de Aécio.)
 
Foi um jantar do 1%, pelo 1% e para o 1%. Para a sentença se completar, só falta Aécio obter 1% dos votos em outubro.
 
No caminho para isso ele está.
 
O que chama a atenção é a desconexão entre o mundo reunido em torno de Aécio por Dória, um ex-Cansei, e a realidade ululante das ruas.
 
Gosto da palavra alemã zeitgeist (zaitegáiste), que significa o espírito do tempo.
 
O jantar era o oposto disso. O antizeitgeist.
 
Não surpreende que o melhor relato do encontro esteja numa coluna social, a de Mônica Bergamo, da Folha.
 
FHC e Aécio "jantando o povo"
Aécio prometeu a um dos empresários participantes não aumentar os impostos. (Para o 1%, naturalmente.)
 
Há um consenso universal de que um dos dramas do mundo contemporâneo é a evasão de impostos do 1%. Mas Aécio se compromete a facilitar ainda mais a vida fiscal da plutocracia nacional.
 
Ele também disse que está disposto a tomar “medidas impopulares” desde a “primeira hora” caso se eleja.
 
O lado ruim é o fato em si. Sabemos bem o que querem dizer “medidas impopulares”: a conta é dos 99%.
 
O lado bom é que isso não vai acontecer porque são zero as chances de Aécio.
No encontro, FHC foi, segundo Bergamo, intensamente aplaudido. Disse que reformadores só são reconhecidos muito depois.
 
É uma forma de autoconsolo, aparentemente. FHC está dizendo para si mesmo que, se hoje é vaiado fora dos círculos refrigerados, no futuro será reconhecido.
 
Teria Thatcher dito para si mesma coisa parecida enquanto os ingleses se preparavam para comemorar seu passamento com festas em praça pública?
 
Aécio com o casal Dória
Acho que não. Ela era mais realista que FHC. E muito mais original. FHC, basicamente, copiou o que Thatcher fez: privatizar, desregular e criar as condições, como o tempo mostraria, para um brutal processo de concentração de renda.
 
Com o correr dos anos, o PSDB foi se transformando de Partido da Social Democracia Brasileira para Partido da Capital Democracia Brasileira. O “social” no nome é apenas uma tradição a resguardar.
 
Em sua desconexão formidável com as ruas, FHC, Aécio, Serra e demais líderes tucanos simplesmente ignoram o exemplo portentoso transmitido pelo Papa Francisco.
 
Francisco reinventou um gigante esclerosado conectando-o com as ruas. O ponto central disso foi identificar, claramente, a desigualdade social como o mal maior a combater.
 
Para fazer algo parecido, o PSDB teria que mudar seu discurso – o que é relativamente simples – e sua prática, e aí as coisas realmente se complicam.
 
Você tem que falar com a gente simples do povo, com os favelados e os excluídos. Seus sapatos podem se sujar de barro nessa empreitada, e você pode ser obrigado a comer carne de terceira. Dificilmente você vai aparecer em colunas sociais, com programas assim.
 
Alguém imagina Aécio e FHC neste tipo de ação?
 
Mais fácil continuar do jeito que está.
 
O único problema é que o partido marcha, então, para uma magnífica obsolescência. Ou, em linguagem mais popular, para o caixão.
 

 
Sobre o Autor
 
 
 
 
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.
 
 
 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Nas próximas eleições, será melhor avançar do que retroceder

Por Gilberto de Souza*
 
Todos aqueles que não vieram para a vida a passeio e, tão logo perceberam-se no Brasil de meados do século passado até o início do atual, numa sociedade em transformação acelerada de um estágio fascista e ditatorial para a democracia e o socialismo, ou trataram de integrar o conjunto de partidos da esquerda e somaram esforços para a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva e, em seguida, de Dilma Rousseff, ou se deixaram levar no bico dos tucanos para as plagas do neoliberalismo. Há uma miríade de siglas entre os principais expoentes do pluripartidarismo nacional, mas a divisão situa-se, de fato, entre o PT, o aliado de centro, PMDB, e na outra ponta o PSDB e seus penduricalhos da direita raivosa.
 
Quanto a este último, que se alia às forças mais retrógradas, conservadoras e racistas da sociedade brasileira, fica evidente o esvaziamento após mais de uma década distante do Planalto. Míngua, sem a fonte maior de prestígio e, claro, de recursos para levar adiante os planos mais mequetrefes de reduzir o Estado para encher a burra dos endinheirados, como reza a cartilha do capitalismo internacional. Os tucanos e seus semelhantes, no entanto, apesar de esvaídos em nível nacional, seguram-se na cornucópia paulista de onde brotam trens superfaturados, arranjos com a mídia aliada e um discurso que as igrejas fundamentalistas, Católica ou protestantes, batem palminhas.
 
O sopro de cidadania que o país recebeu das urnas, na última década, porém, não deixa dúvidas à maioria dos eleitores (e eleição se vence com a maioria dos votos) de qual dos dois lados está disposto a encerrar o pior capítulo, o mais obscuro tempo já vivido pela jovem nação brasileira. Os conservadores tucanos, na direção oposta dos progressistas, querem de volta a qualquer custo (qualquer custo mesmo, e até golpe serve) os padrões sociais que fizeram a alegria de alemães e italianos na década de 30. O fascismo e o nazismo, este último escorraçado após a tentativa de solução final contra os judeus, deixaram marcas profundas na forma como uma parte dos brasileiros define o conceito de bem estar social. Colonialismo dá nisso.
 
Meia hora nas redes sociais será suficiente para perceber que o racismo, a intolerância e a opressão dos mais ricos sobre os mais pobres encontram um número assustador de simpatizantes. Mesmo no convívio familiar, no ambiente de trabalho, nas escolas, nos bares, percebe-se que – embora em ruidosa minoria – não falta quem seja contra a política de cotas raciais, faz piada com o Programa Bolsa Família, despreza direitos fundamentais ao ser humano como o transporte acessível e confortáveis a todos, um lugar seguro e decente onde morar, a terra para quem nela trabalha, emprego digno, alimentação correta, política honesta.
 
Sem uma solução para estas questões, porque o capitalismo não oferece tais opções senão com a manutenção da miséria, das crises econômicas, da usura e do egoísmo na acumulação desenfreada de bens, resta aos conservadores elevar a voz, amplificada por meios de comunicação vendidos aos interesses dos patrões transnacionais, contra o modelo de sociedade sustentado pela maioria dos eleitores. Cada eleição para as classes abastadas, de dois em dois anos, é motivo para se ressuscitar fantasmas, apelar às mentiras, alimentar factoides, semear a discórdia e o medo entre os brasileiros mais suscetíveis.
 
Mas não é necessário um microscópio para identificar rapidamente que, seja na estrela do PT ou na bandeira peemedebista, há fissuras consideráveis na formulação de um governo refratário aos desmandos, à serventia dos interesses daqueles mesmos conservadores que, se puderem, não deixam pedra sobre pedra no terreno construído, a duras penas, por homens e mulheres que deram suas vidas em nome de um Brasil mais digno, justo e igualitário. Motivados por uma aversão ao desconhecido, muitos simpatizantes destas legendas aferroam-se aos pilares do discurso fácil, no qual palavras como liberdade, igualdade e fraternidade servem apenas para embalar as cantigas de ode ao mercado, à iniciativa privada e à intervenção divina nos negócios de Estado.
 
Não é preciso cavoucar muito para descobrir que 80% de todos os recursos destinados à propaganda de governos, tribunais e casas legislativas, de todo o país, escoam para dentro dos cofres de meia-dúzia de empresas de comunicação, co-irmãs do sistema de dominação montado ao longo dos ‘anos de chumbo’. Mesmo as concessões para rodovias, aeroportos e prospecção de petróleo, aplaudidos pela mídia nativa de ultradireita como vitória do livre mercado e aceitas por segmentos dos partidos de tendência socialista como um mal necessário no momento, não passam de uma válvula de escape à pressão dos grandes grupos econômicos, em uma clara tentativa de, novamente, deter a revolução iniciada ainda no governo do presidente João Goulart.
 
Jango, enterrado agora com as devidas cerimônias militares a que sempre teve direito, precisará ser cultuado por mais alguns longos anos até que as reformas de base saiam do papel. No ritmo em que anda o cortejo, vai demorar a chegada de uma reforma agrária socialista, da nacionalização do solo brasileiro, do rompimento com a propriedade privada que não atenda às necessidades sociais, à educação pública de qualidade e o fim de todas as demais fontes que abastecem as castas golpistas. Com o apoio tácito de quem deveria combatê-los, o lumpesinato de direita afia seus dentes seja na equipe de governo da presidenta Dilma, no Legislativo e, principalmente, nas mais altas esferas do Judiciário.
 
O pragmatismo petista e de seus aliados, no PMDB e alhures, que ditam o ritmo das transformações sociais ora em curso no país, segundo analistas tão pragmáticos quanto, serve como uma espécie de “algodão entre os cristais”. A política de agradar a todos, tão bem desempenhada nos três estágios pós-neoliberais, desde o fim da era FHC, evitaria tanto um novo golpe de direita quanto a famosa “revolução comunista”, que enche de terror a velhinha carola das Minas Gerais. O conceito, que agrupa na mesma trincheira moderados da esquerda e conservadores envergonhados, no entanto, já deu mostras de fadiga nas manifestações que varreram as ruas do país em meados deste ano que termina.
 
O ambiente caótico, formado da noite para o dia, sacudiu tanto as estruturas do velho conformismo matuto – que prefere o passo lento das transformações à velocidade revolucionária – quanto do conservadorismo mais indecente. Este último, com o apoio indistinto de manifestantes alienados, ditos ‘coxinhas’, viu nos movimentos de base uma chance de tentar aplicar o golpe da vez. Não conseguiu, claro, mas novamente alimentou fantasmas, apelou às mentiras, criou factoides e semeou o medo e a discórdia no seio da sociedade brasileira.
 
Em meio à barafunda, no entanto, pode-se notar o amadurecimento dos eleitores que, nas urnas, tendem a sufragar mais uma vez a bandeira do comunismo dentre as demais no campo das esquerdas, como o farol em meio à névoa da ignorância e da vilania. Apesar das filigranas que dividem as forças comunistas no Brasil, um número cada vez maior de brasileiros passa a conhecer e apoiar as lutas que começaram muito antes dos protestos de Junho. Reconhecem na força de vontade de comunistas históricos como Nelson Mandela, Che Guevara, Carlos Marighela e Carlos Lamarca, para não estender a lista, o valor da causa pela qual deram suas vidas.
 
Será das urnas que sairá, no ano que vem, um novo capítulo da luta de resistência que segue adiante na América Latina, contra a dominação dos donos do capital sobre os trabalhadores. Vencer as forças reacionárias do velho sistema é a meta que precisa ser atingida para evitar que o obscurantismo e o retrocesso reassumam o controle da nação. Não é hora, portanto, de se perder em discussões estéreis sobre o tom de vermelho que veste a presidenta Dilma, mas de garantir que ela permaneça onde está, por mais quatro anos.
 
Se Dilma anda devagar, melhor convencê-la a caminhar mais depressa, rumo ao comunismo, do que ver o país submergir sob o peso da estupidez capitalista.
Esta, sim, é a diferença entre avançar e retroceder.
 
 *Gilberto de Souza é jornalista, editor-chefe do Correio do Brasil.
 

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Sem complacência com o rejeitado FHC


Por Altamiro Borges

O ex-presidente FHC continua com sua cruzada contra os governos progressistas da América Latina. Em seu artigo no Estadão deste domingo (3), ele bate duro na Argentina, Venezuela e – lógico – no Brasil. Para o vaidoso príncipe da Sorbonne – também rotulado de “príncipe da privataria” no livro imperdível do jornalista Palmério Dória –, o continente está à deriva e seus governantes devem ser criticados “sem complacência” – no dúbio título do seu texto arrogante. Apesar de quase ter afundado a economia brasileira e de ser um dos presidentes mais rejeitados da história do país, FHC não perde a pose.

Logo de cara, ele tenta cultivar a sua boa relação com os barões da mídia e ataca a "Ley de Medios", declarada constitucional pela Suprema Corte da Argentina na semana passada. Para ele, a nova lei é uma “medida tomada especificamente contra o grupo que controla o jornal El Clarín, ferrenho adversário do kirchnerismo”. Na sequência, ele desqualifica o governo da Venezuela, afirmando que ele faz de “tudo para incitar o ódio popular aos adversários políticos, apresentando-os como inimigos do povo”. Nenhuma palavra contra as ações desestabilizadoras dos seguidores do derrotado Henrique Capriles.

Contrário à atual política de integração soberana da América Latina, o ex-presidente que pregava o “alinhamento automático” com os EUA chega a sugerir algum tipo de intervenção nos dois países citados. “O lamentável é que os governos democráticos da região assistem a tudo isso como se fosse normal e como se as eleições majoritárias, ainda que com acusações de fraudes, fossem suficientes para dar o passaporte democrático a regimes que são coveiros da liberdade”. Será que FHC é a favor do envio da Quarta Frota ianque ou a algum tipo de golpe, como os que ocorreram em Honduras e no Paraguai?

O alvo principal do artigo do chefão tucano, lógico, é a presidenta Dilma. Guru de Aécio Neves, o cambaleante presidenciável tucano, ele não enxerga nada de positivo no atual governo. Tudo está errado. “Às manifestações espontâneas de junho se têm seguido demonstrações de violência, desconectadas dos anseios populares, que paralisam a vida de milhões de pessoas nas grandes cidades”, resmunga. O que propõe: o envio de tropas do Exército, como ele fez contra a greve dos petroleiros em maio de 1995? A decretação do estado de sítio? A volta da ditadura militar?

Repetindo o discurso raivoso da mídia privada dos últimos dias, ele prega medidas duras contra os “vândalos” do black blocs e teoriza: “Nem toda ação coercitiva da polícia ultrapassa as regras da democracia”. Para ele, a culpa dos “atos vandálicos” é do governo, que “não atende às crescentes demandas da população” e está metido em “corrupção escancarada que irrita o povo”. Nenhuma palavra sobre o desmonte dos serviços públicos nos governos tucanos em vários estados ou sobre o escândalo do propinoduto em São Paulo. A culpa pelos protestos de rua é da Dilma, garante o ex-sociólogo!

Ao final, de maneira cândida, FHC prega: “Precisamos propor um futuro não apenas materialmente mais rico, mas mais decente e de melhor qualidade humana. Quem sabe assim possamos devolver aos jovens e a todos nós causas dignas de ser aceitas, que sirvam como antídoto aos impulsos vândalos e à complacência com eles”. É certo que o “imortal” da ABL já pediu para esquecermos o que ele escreveu. Mas o povo insiste em não esquecer o que ele fez no seu triste reinado. Na época, o desemprego batia recordes, principalmente entre os jovens, e a miséria campeava. Este é o “futuro” que ele propõe? Não dá mesmo para ser complacente com FHC.

Fonte: Blog do Miro

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Enquanto a esquerda fortalece o patrimônio nacional, a direita promoveu o maior saque com a venda da Vale.

O nosso blog coloca a disposição dos seus leitores, artigo de Marcio Zonta da revista Brasil de Fato. As fotos são ilustrativas, exceto a foto do mapa. Veja na íntegra abaixo:

A mineradora Vale prepara outro Programa Grande Carajás. A empresa vai explorar a partir dos próximos anos uma jazida de minério de ferro considerada a maior do mundo na Serra Sul de Carajás, no Pará.

O projeto conhecido como S11D, já em fase de implantação, será o maior investimento de uma empresa privada no setor mineiro no Brasil. São 40 bilhões de reais destinados à nova mina, usina e logística, que envolve a expansão da Estrada de Ferro de Carajás – EFC e a ampliação do Porto de Itaqui, em São Luis (MA).

Em 2016, o Projeto Ferro Carajás S11D terá uma estimativa de extração de 90 milhões de toneladas métricas de minério de ferro. A quantidade preenche 225 navios conhecidos como Valemaz, o maior mineraleiro do mundo.

Assim, a Vale passará a explorar na Serra de Carajás, com o Projeto de Ferro Serra Norte, efetivado desde 1985 e o S11D, 230 milhões de toneladas métricas de minério anualmente. A produção atual é de 109 milhões de toneladas por ano.

Embora a mineradora trate o S11D como uma novidade e parte da imprensa nacional frise o empreendimento como a redescoberta de Carajás, a exploração da Serra Sul estaria há muito tempo nos planos da Vale.

É o que denota um mapa (veja abaixo), ao qual a reportagem do Brasil de Fato teve acesso, elaborado pela então Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) – antiga estatal – em 1984, onde o plano de extração do corpo mineral da parte sul da Floresta Nacional de Carajás já está presente.

Para especialistas no assunto, o mapa evidencia ainda com mais clareza a escandalosa privatização fraudulenta da Vale, e aponta para um dos maiores saques de minério do mundo.

"A Vale sempre falou nesse projeto, a empresa sabia de sua capacidade antes mesmo da privatização", ressalta Frederico Drummond Martins, analista ambiental, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, responsável pela Floresta Nacional de Carajás.

O novo velho projeto

No Relatório de Impacto Ambiental do Projeto Ferro Carajás S11D, a Vale menciona que os trabalhos de pesquisa realizada na jazida mineral da Serra Sul tiveram início no final dos anos de 1960. Porém, o documento cita que foram entre os anos de 2003 e 2007, que se aprofundaram os estudos no bloco D, do corpo S11.

Segundo a notificação, somente em 2008 o resultado da análise das amostras indicou uma reserva de minério lavrável de um montante de 3,4 bilhões de toneladas de minério no local.

Porém, para Frederico, muito antes disso a mineradora teria conhecimento da quantidade de minério na região a ser futuramente explorada. "Não só a empresa, mas o governo brasileiro também sabia. Na época da privatização a Vale já possuía decreto de lavra para a Serra Sul", denuncia.

As obras para o ramal ferroviário estendido da EFC até a jazida da Serra Sul, conseguido há pouco pela Vale, numa licença junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), é apontado no mapa de 1984, e citado na legenda do gráfico como "Ramal Ferroviário Projetado".
Dessa forma, o mapa aponta que existia uma pré-concepção de exploração da S11D, ressaltando ainda mais a espoliação que significou a privatização da Vale.

Patrimônio público

Em 1997, a mineradora foi incluída no Plano Nacional de Desestatização (PND), uma política implantada pelo presidente em exercício Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que visava privatizar 70% do patrimônio nacional para pagamento da dívida brasileira.

A mineradora foi vendida por R$ 3,3 bilhões de reais. O valor estimado na época do leilão era de R$ 92 bilhões de reais, ou seja, valor 28 vezes maior do que o que foi pago pela empresa.

Porém, o critério de avaliação do valor da mineradora escolhido pelos bancos, entre eles o Bradesco, considerou apenas o fluxo de caixa existente no momento da aquisição, sem levar em consideração o potencial das jazidas processadas da Serra Norte e o imenso poderio da reserva mineral da Serra Sul, estimado em 10 bilhões de toneladas de minério.

"Esse projeto de novo não tem nada, inclusive quando compraram o subsolo da Serra de Carajás na privatização eles já tinham conhecimento desse tanto de minério, o mapa é claro e mostra isso. É o maior saque de minérios do mundo!", indigna-se Raimundo Gomes Cruz, sociólogo do Centro de Educação, Pesquisa e Apoio Sindical (CEPASP) no Pará.

Por que agora?

Estudos geológicos apontam que a Serra Sul tem potencial maior do que a vizinha Serra Norte, onde já está localizada a maior mina de ferro do mundo.

A exploração do S11D será apenas uma parte das 45 formações de minério de ferro que compõem a cordilheira Serra Sul. Ainda mais outros corpos, A, B e C futuramente serão explorados pela mineradora.

O projeto S11D constante nesse mapa histórico da antiga estatal CVRD, sairia num momento estratégico do papel para se tornar realidade.

Conforme explica o professor de economia da Universidade Federal Fluminense, Rodrigo Santos, o mercado de minério de ferro é extremamente concentrado, de modo que mais de 2/3 da oferta global da matéria prima depende da Vale, e das mineradoras anglo-australianas BHP Biliton e da Rio Tinto.

"A Vale, nesse caso, vem apostando no S11D como seu principal projeto, porque esse tem potencial para ampliar suas vantagens como líder nesse mercado", avalia Rodrigo.

Ademais, em tempos de espionagem dos Estados Unidos e Canadá ao Ministério de Minas e Energia (MME), o S11D, seria inclusive uma das preocupações dos concorrentes, pois demarcaria ainda mais a liderança do mercado global da Vale frente a Rio Tinto e BHP Billinton, respectivamente segunda e terceira no ranking mundial de extração mineral.

"Considerando essa estrutura oligopólica e as características dos mercados de bens minerais, o controle e substituição de reservas de classe mundial, como Carajás, constitui uma das principais estratégias de competição", explica Santos.

Segurança Nacional?

A região de Marabá, da qual a Serra de Carajás fazia parte na década de 1980, era submetida ao Grupo Executivo das Terras do Araguaia – Tocantins (Getat), criado em 1980 pelo regime militar com a finalidade de executar as medidas necessárias à regularização fundiária no sudeste do Pará, norte de Tocantins e oeste do Maranhão.

O órgão era vinculado à Secretaria Geral do Conselho de Segurança Nacional. O mapa elaborado pela Vale em 1984, continha informações territoriais do Getat.

Flavio Moura, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e historiador da região, relata que o Getat era uma saída militar para controlar o conflito pela posse de terra na região, além de garantir a estratégia ditatorial da época de implantação dos grandes projetos na Amazônia. "O Estado militarizado foi o testa de ferro do capital nessa parte do país", diz.

Ao observar o mapa, Moura não tem dúvida: "Esse material nos dá a imensidão do controle dos recursos naturais da região, por isso vemos por que a Guerrilha do Araguaia foi exterminada e qualquer forma de movimentos sociais é combatida pela aliança militar-empresarial, como foi o Massacre de Eldorado dos Carajás", define.

A reportagem do Brasil de Fato submeteu o mapa, também, a um topógrafo aposentado do Exército de Marabá. Humberto Martins Fonseca relembra que a região de Carajás sempre foi alvo de maior proteção e intervenção militar.

"A ideia que passavam para gente era que tinha muita riqueza no subsolo de Marabá, por isso teríamos que defender esse patrimônio".

Passados 30 anos do programa de exploração de minério no Pará, Fonseca reflete. "Hoje vemos no que deu, na verdade não estávamos protegendo as riquezas de ninguém, somente de nós mesmos, porque estamos entregando tudo e ficando sem nada", lamenta.

Fonte: Amazônia 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Não podemos esconder o bosque atrás das árvores

Por Roberto César Cunha*
Certamente o PCdoB sairá mais forte para trilhar seu rumo e azimute ao socialismo. A luta de classes está estreitamente ligada à luta de ideias. Acredito que estamos em uma retração ideológica e perdendo a luta nas ideias para direita conversadora, por isso é mister o debate, a formação teórica de todos os militantes do PCdoB. Como dizia o grande mouro alemão “as ideias dominantes são as ideias das classes dominantes”. Boa discussão a todos.

Fazer um balanço de 10 anos dos governos progressistas - depois de três décadas de paralisia econômica progênie de um entreguista e deletério plano de nação neoliberal, principalmente de Collor e FHC, seguindo ipsis literis o consenso de Washington - não é tarefa simplista. Pois qualquer tipo de avaliação carece de leitura do processo histórico de nossa formação social para não cairmos em ideologismos abstratos e fora da base histórica que vivemos, por isso “não é fácil e pacífica a caracterização do processo do desenvolvimento econômico. Trata-se, como em todo fato histórico, de processo extremamente complexo, ao longo do qual tudo muda na vida social: a distribuição da população, as condições de trabalho e a produção, a distribuição da riqueza social e seu modo de apropriação, a quantidade e a qualidade do capital necessário ao processo produtivo, a técnica da produção. Paralelamente, muda também a cultura, isto é, a ideia que o homem faz de si mesmo e do mundo em que vive.” Ignácio Rangel. Não podemos esconder o bosque atrás das árvores Temos que pôr a descoberto todo o mecanismo, sem apresentá-los sob inocentes roupagens. 

O Brasil afasta-se do infortúnio neoliberal e recomeça o seu meândrico caminho. Sem paralelo na história chegam ao poder central do país forças populares, capitaneada por Lula e Dilma. Vários programas assistencialistas e de inclusão social são criados e ampliados entre eles: bolsa família, Prouni, Pronaf. Uma inegável criação de emprego em massa (cerca de 21 milhões). Em dez anos o Brasil teve avanços principalmente na área social onde cerca de 30 milhões de pessoas foram transplantadas da miséria extrema. O Brasil ganhou conotações importantes no cenário internacional, principalmente, após ser escolhido como sede dos dois maiores eventos esportivos do mundo (Copa 2014 e Olimpíadas 2016). Isso tudo dentro do contexto especial que vive a América Latina. 

Um aumento abissal nas suas exportações de commodities e produtos industrializados. O país é uma potencia mundial no setor da agroindústria e não podemos cair no reducionismo, como setores da esquerda, que são apenas commodities. Só relembrando que foi a agroindústria que minimizou a crise dos anos 1980 e que são, eminentemente, responsáveis pelos nossos saldos comerciais atuais. E ainda, às duras penas, há conteúdo tecnológico na agroindústria, via a Embrapa. No Brasil esse setor vive a reprodução ampliada de capital. Tudo isso tem uma única forma: capital financeiro. Isso está disponível desde 1885 no segundo livro do O Capital. A Lógica é D-M-D' e/ou D"- da finaceirização com Hedge, CPR, leilões, e outras engenharias financeiras. 

Entrementes, após décadas de remédios pestífero do prognóstico neoliberal e 10 anos de governos progressistas, a maior legado ficou enraizada no centro do poder político e econômico: O pacto de poder do plano real com o capital financeiro internacional sendo o sócio maior. Isso nos aprisiona. E nesse esquema as transferências unilaterais são altas para exterior, a balança de pagamentos é demasiada desfavorável para o país ser uma potência econômica. Grandes oligopólios e oligopsônios nas mãos de estrangeiros (principalmente de alimentos), isso é altamente perigoso. Como sabemos, os exportadores internacionais no Chile provocaram crise de desabastecimento de alimentos para desestabilizar e desmoralizar o governo de Salvador Allende, e recentemente o golpe contra Fernando Lugo no Paraguai. 

Outro erro, por exemplo, é etiquetar e classificar o Brasil abstratamente como tônica sonora de desenvolvimento transplantado ao consumismo europeu, seguindo ipsis literis a fiabilidade dos grandes centros ocidentais o processo de intemperismo da economia e do desenvolvimento econômico. Isso demonstra uma herança cepalina por genuflexão pelo subdesenvolvimento.

As únicas atitudes são insuficientes: as gangorras de corte e subida de juros é extremadamente irrisórios e aumento e isenção de impostos em alguns produtos importados e linha branca; nenhuma severidade em ações de dumping e anti-dumping; e claro, a“jihad”contra a inflação.

É mister no Brasil: portos; estradas; ferrovias; aeroportos; sistemas de fibra óptica; hidroelétricas; oleodutos; aquedutos; indústrias; fábricas; linhas de metrô; túneis; viadutos e toda e qualquer infraestruturas nas cidades. Se investir nisso cresce o emprego nas indústrias de bens de capital e consequentemente nas de bens de consumo, resultando no maior poder de compra da classe dos trabalhadores como um todo. A economia gira, os investimentos privados anulam os investimentos públicos e assim o crescimento é natural e não artificial.

Essa bastilha só ruirá com um novo pacto de poder com os setores progressistas do empresariado nacional com os trabalhadores e movimentos sociais organizados interessados no desenvolvimento do país.

O Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento só tem sentido se liquidarmos o desenvolvimento desigual e combinado que assola interna e externamente nossa formação social. A nossa luta de classes hoje no país é sem dúvida: se libertar da dependência de tecnologia, como D’ ou D”, do imperialismo; desenvolver um gordo capital financeiro nacional; equilibrar a balança de pagamentos; estatizar o comércio exterior; concessões dos serviços de utilidade pública às empresas privadas nacionais.

Ignácio Rangel dizia: “o verdadeiro teste de progressismo, faz-se na adesão ou no repúdio às ideias de unidade, soberania e planejamento”.


* Geógrafo e Militante PCdoB em São Luis (MA)







Fonte: Portal Vermelho

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Autor de 'Honoráveis Bandidos' e 'A Candidatura que Virou Picolé' lança mais uma obra "bomba"

Uma grande reportagem, 400 páginas, 36 capítulos, 20 anos de apuração, um repórter da velha guarda, um personagem central recheado de contradições, poderoso, ex-presidente da República, um furo jornalístico, os bastidores da imprensa, eis o conteúdo principal da mais nova polêmica do mercado editorial brasileiro: O Príncipe da Privataria – A história secreta de como o Brasil perdeu seu patrimônio e Fernando Henrique Cardoso ganhou sua reeleição (Geração Editorial, R$ 39,90).

Com uma tiragem inicial de 25 mil exemplares, um número altíssimo para o padrão nacional, O Príncipe da Privataria é o 9° título da coleção História Agora da Geração Editorial, do qual faz parte o bombástico A Privataria Tucana e o mais recente Segredos do Conclave.

O personagem principal da obra é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o autor é o jornalista Palmério Dória, (Honoráveis Bandidos – Um retrato do Brasil na era Sarney, entre outros títulos). A reportagem retrata os dois mandatos de FHC, que vão de 1995 a 2002, as polêmicas e contraditórias privatizações do governo do PSDB e revela, com profundidade de apuração, quais foram os trâmites para a compra da reeleição, quem foi o “Senhor X” – a misteriosa fonte que gravou deputados confessando venda de votos para reeleição – e quem foram os verdadeiros amigos do presidente, o papel da imprensa em relação ao governo tucano, e a ligação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) com a CIA, além do suposto filho fora do casamento, um ”segredo de polichinelo” guardado durante anos…

Após 16 anos, Palmério Dória apresenta ao Brasil o personagem principal do maior escândalo de corrupção do governo FHC: o “Senhor X”. Ele foi o ex-deputado federal que gravou num minúsculo aparelho as “confissões” dos colegas que serviram de base para as reportagens do jornalista Fernando Rodrigues publicadas na Folha de S. Paulo em maio de 1997. A série “Mercado de Voto” mostrou da forma mais objetiva possível como foi realizada a compra de deputados para garantir a aprovação da emenda da reeleição. “Comprou o mandato: 150 deputados, uma montanha de dinheiro pra fazer a reeleição”, contou o senador gaúcho, Pedro Simon. Rodrigues, experiente repórter investigativo, ganhou os principais prêmios da categoria no ano da publicação.

Nos diálogos com o “Senhor X”, deputados federais confirmavam que haviam recebido R$ 200 mil para apoiar o governo. Um escândalo que mexeu com Brasília e que permanece muito mal explicado até hoje. Mais um desvio de conduta engavetado na Era FHC.

Porém, em 2012, o empresário e ex-deputado pelo Acre, Narciso Mendes – o “Senhor X” –, depois de passar por uma cirurgia complicada e ficar entre a vida e a morte, resolveu contar tudo o que sabia.

O autor e o coautor desta obra, o também jornalista da velha guarda Mylton Severiano, viajaram mais de 3.500 quilômetros para um encontro com o “Senhor X”. Pousaram em Rio Branco, no Acre, para conhecer, entrevistar e gravar um homem lúcido e disposto a desvelar um capítulo nebuloso da recente democracia brasileira.

O “Senhor X” aparece – inclusive com foto na capa e no decorrer do livro. Explica, conta e mostra como se fazia política no governo “mais ético” da história. Um dos grandes segredos da imprensa brasileira é desvendado.

20 anos de apuração

Em 1993, o autor começa a investigar a vida de FHC que resultaria neste polêmico livro. Nessas últimas duas décadas, Palmério Dória entrevistou inúmeras personalidades, entre elas o ex-presidente da República Itamar Franco, o ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes e o senador Pedro Simon, do PMDB. Os três, por variadas razões, fizeram revelações polêmicas sobre o presidente Fernando Henrique e sobre o quadro político brasileiro.

Exílio na Europa

Ao contrário do magnata da comunicação Charles Foster Kane, personagem do filme Cidadão Kane, de Orson Welles, que, ao ser chantageado pelo seu adversário sobre o seu suposto caso extraconjugal nas vésperas de uma eleição, decide encarar a ameaça e é derrotado nas urnas devido a polêmica, FHC preferiu esconder que teria tido um filho de um relacionamento com uma jornalista.

FHC leva a sério o risco de perder a eleição. Num plano audacioso e em parceria com a maior emissora de televisão do país, a Rede Globo, a jornalista Miriam Dutra e o suposto filho, ainda bebê, são “exilados” na Europa. Palmério Dória não faz um julgamento moralista de um caso extraconjugal e suas consequências, mas enfatiza o silêncio da imprensa brasileira para um episódio conhecido em 11 redações de 10 consultadas. Não era segredo para jornalistas e políticos, mas como uma blindagem única nunca vista antes neste país foi capaz de manter em sigilo em caso por tantos anos?

O fato só foi revelado muito mais tarde, e discretamente, quando Fernando Henrique Cardoso não era mais presidente e sua esposa, Dona Ruth Cardoso, havia morrido. Com um final inusitado: exame de DNA revelou que o filho não era do ex-presidente que, no entanto, já o havia reconhecido.

Na obra, há detalhes do projeto neoliberal de vender todo o patrimônio nacional. “Seu crime mais hediondo foi destruir a Alma Nacional, o sonho coletivo”, relatou o jornalista que desvendou o processo privativista da Era FHC, Aloysio Biondi, no livro Brasil Privatizado.

O Príncipe da Privataria conta ainda os bastidores da tentativa de venda da Petrobras, em que até a produção de identidade visual para a nova companhia, a Petrobrax, foi criada a fim de facilitar o entendimento da comunidade internacional. Também a entrega do sistema de telecomunicações, as propinas nos leilões das teles e de outras estatais, os bancos estaduais, as estradas, e até o suposto projeto de vender a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. “A gente nem precisa de um roubômetro: FHC com a privataria roubou 10 mil vezes mais que qualquer possibilidade de desvio do governo Lula”, denuncia o senador paranaense Roberto Requião.

Sobre autor:

Palmério Dória é repórter. Nasceu em Santarém, Pará, em 1949 e atualmente mora em São Paulo, capital. Com carreira iniciada no final da década de 1960 já passou por inúmeras redações da grande imprensa e da “imprensa nanica”. Publicou seis livros, quatro de política: A Guerrilha do Araguaia; Mataram o Presidente — Memórias do pistoleiro que mudou a História do Brasil ; A Candidata que Virou Picolé (sobre a queda de Roseana Sarney na corrida presidencial de 2002, em ação orquestrada por José Serra); e Honoráveis Bandidos — Um retrato do Brasil na Era Sarney ; mais dois livros de memórias: Grandes Mulheres que eu Não Comi, pela Casa Amarela; e Evasão de Privacidade, pela Geração Editorial.

Ficha Técnica:

O Príncipe da Privataria
Autor: Palmério Dória
Coleção: História Agora – 9 vol.
Gênero: Reportagem
Acabamento: Brochura
Formato: 16 x 23 cm
Págs: 400
Peso: 552g
ISBN: 9788581302010
Preço: R$ 39,90
Editora: Geração

Fonte: Blog do Miro