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quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Adultização Infantil na Internet: A Nova Face da Exploração Digital

Foto:Blog Construindo Resistencia

A infância brasileira está sob ataque e o inimigo não se esconde mais. Ele dança, viraliza, monetiza e se disfarça de entretenimento. A recente denúncia feita pelo influenciador Felca, que expôs uma rede de perfis infantis com conteúdo de conotação sexual nas redes sociais, escancarou uma realidade que há tempos se desenha nos bastidores da internet: a adultização infantil como prática sistemática e lucrativa.

Com mais de 35 milhões de visualizações, o vídeo de Felca não apenas gerou indignação, mas também mobilizou o Ministério Público da Paraíba, que abriu investigação contra influenciadores como Hytalo Santos. O conteúdo, que envolvia crianças em situações de exposição indevida, foi removido, mas a pergunta que ficou foi: como chegamos até aqui?

Quando a infância vira algoritmo

A lógica das redes sociais é simples: o que engaja, permanece. E o que permanece, lucra. Crianças são colocadas diante das câmeras em vídeos com danças sensuais, falas adultizadas e comportamentos que imitam influenciadores adultos. O público? Milhões de seguidores, muitos deles adultos. O objetivo? Monetização.

Segundo o pesquisador Lucas Ruiz Balconi, em artigo publicado no jornal O Tempo, “a erotização precoce é impulsionada por algoritmos que recompensam conteúdos com alto engajamento, mesmo que envolvam crianças em situações inadequadas”.

Essa dinâmica revela uma falha estrutural: plataformas que se beneficiam da viralização de conteúdos sem filtros eficazes de proteção infantil. A autodeclaração de idade, por exemplo, permite que qualquer criança crie um perfil e acesse conteúdos impróprios. E pior: permite que adultos explorem essas crianças sob o disfarce de “gestão de carreira digital”.

Reação política: entre a urgência e a omissão

A repercussão do caso gerou uma onda legislativa. Mais de 30 projetos de lei foram apresentados na Câmara dos Deputados, propondo desde a criminalização da exploração digital infantil até multas milionárias para plataformas que não bloquearem conteúdos nocivos.

Na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a chamada “Lei Felca” propõe medidas como a exigência de documentos oficiais para criação de perfis infantis e a proibição da autodeclaração etária. Segundo reportagem de O Globo, o projeto “visa coibir a exposição de crianças em conteúdos que incentivem a sexualização precoce”.

Frentes parlamentares foram lançadas em diversas cidades, como Fortaleza, e a mobilização política parece finalmente reconhecer a gravidade do problema.

O silêncio das plataformas e o papel da sociedade

Enquanto o Estado se movimenta, as plataformas seguem em silêncio. Não há posicionamento oficial do TikTok, Instagram ou YouTube sobre os casos denunciados. A ausência de mecanismos eficazes de verificação de idade e de moderação de conteúdo infantil revela uma negligência que beira a cumplicidade.

A sociedade também precisa se olhar no espelho. A romantização da fama precoce, a busca por likes e a normalização da exposição infantil são sintomas de uma cultura que perdeu o senso de limite. Como aponta o portal Unolife, “a adultização infantil não é apenas uma questão digital, mas um reflexo de valores distorcidos que se perpetuam na vida real”.

Da denúncia à transformação

A denúncia de Felca foi um grito mas não pode ser o único. A adultização infantil na internet é um fenômeno que exige resposta coletiva, legislação firme e plataformas que assumam seu papel. Mais do que proteger a infância, é preciso resgatar o que ela significa: tempo de crescer sem pressa, sem palco, sem likes.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

‘Nikolas Ferreira fez um post sobre mim. Agora não posso mais sair de casa’

Emy participou de atividade na escola vestida de Barbie,
com uma peruca rosa, saia e bota de cano alto (Foto: Divulgação)

Emy Mateus Santos, 25 anos, professora de teatro na rede municipal de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, nunca imaginou que uma atividade pedagógica — fantasiar-se para receber alunos no primeiro dia de um ano letivo — a colocaria no alvo de uma onda de ódio.

Formada em teatro e dança, Emy, que se identifica como travesti, foi integrada à rede de educação pública em fevereiro de 2024, após ser aprovada em concurso público. No início de 2025, foi transferida para a Escola Municipal Irmã Irma Zorzi.

Depois de uma semana de planejamento pedagógico, a coordenação da escola propôs que Emy e outras professoras se fantasiassem para receber os alunos para o primeiro dia de aula de 2025. O propósito era simples: acolher crianças de 6 e 7 anos de forma criativa.

A atividade, inclusive, teve o aval da Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande, que afirmou em nota enviada ao portal G1 que “o uso de fantasias e caracterizações é um recurso pedagógico adotado por professores” de estudantes que estão matriculados no ensino básico na capital do Mato Grosso do Sul. O Intercept entrou em contato com a secretaria pedindo mais informações sobre o caso, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.

Emy, então, foi vestida de Barbie, com uma peruca rosa, uma saia e uma bota de cano alto. Outras professoras e até a coordenadora da escola escolheram as suas próprias fantasias, baseadas em personagens infantis. “Tinha gente de fada, de princesa, de cozinheira”, diz.

Segundo Emy, sua fantasia inspirou reações animadas e lúdicas das crianças. Por isso, na noite de segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025, ela publicou um vídeo em suas redes sociais mostrando a rotina do dia, desde a preparação da fantasia até interações com os alunos.

Mas a cena, que pretendia celebrar a conexão com as crianças, foi deturpada em pouquíssimas horas. No dia seguinte, uma parte do vídeo, editada para remover o contexto pedagógico, viralizou em grupos conservadores da cidade.

Até que, na quarta-feira, 12, entrou em cena o deputado federal Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais.

Com apenas um story publicado em sua conta no Instagram, Nikolas usou o registro da atividade escolar compartilhado por Emy e escreveu a seguinte legenda.. “Porque [sic] nunca em asilos? Ou para doentes? Ou sem teto? Porque é sempre para crianças?”, escreveu.

Postagem de Nikolas Ferreira amplificou onda de ódio e
transfobia contra Emy(Foto: Reprodução)



A postagem foi o estopim para o caso, que até então estava restrito a Campo Grande, se espalhar pelo país. Além da viralização nas redes sociais, veículos como R7 e Metrópoles repercutiram o vídeo de Emy – mas sem explicar que o episódio não era um ato isolado, que outras professores também se fantasiaram e que a iniciativa havia sido validada pela própria Secretaria Municipal de Educação.

Com a repercussão, Emy virou alvo de uma enxurrada de ameaças. Parlamentares de extrema direita de Campo Grande, como o vereador André Salineiro e o deputado estadual João Henrique Catan, ambos do PL, atacaram a professora até mesmo nos plenários da Câmara Municipal e da Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul, referindo-se a Emy no masculino e acusando-a de “violar a inocência infantil”.

Além disso, pais de alguns dos estudantes foram à escola exigir explicações, e Emy precisou se afastar da escola por segurança. “Não posso mais sair de casa sem medo”, desabafa. Apesar de a professora ter registrado boletim de ocorrência na polícia e de a Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande ter defendido publicamente o uso de fantasias como recurso pedagógico, a narrativa transfóbica se sobrepôs e reforçou a vulnerabilidade de profissionais trans em ambientes educacionais.

Em entrevista ao Intercept Brasil, Emy ainda contou que, antes mesmo da polêmica, já havia enfrentado transfobia institucional na escola onde trabalhou no ano anterior: foi orientada usar um banheiro isolado, teve seu nome social desrespeitado e presenciou colegas usando a Bíblia para condenar sua identidade.

Leia a entrevista completa no link abaixo:


segunda-feira, 6 de maio de 2024

Grupos armados atuam para expulsar moradores de paraíso turístico do PI

Praia Barra Grande, Cajueiro da Praia.
Foto: Pref. de Cajueiro da Praia



Por Carlos Madeiro da UOL

Comunidades tradicionais que moram em Barra Grande, litoral de Cajueiro da Praia (PI), relatam ameaças e ataques de milícias que atuam para expulsar moradores. O caso foi denunciado pela DPU (Defensoria Pública da União).

Nos últimos anos, a praia de Barra Grande viveu um boom no turismo, com a abertura de pousadas. O destaque é a prática do kitesurf — a região apresenta condições ideiais para o esporte e atrai pessoas do Brasil e do mundo, inclusive para competições.

"As terras passaram a ter um valor econômico grande, e isso trouxe a cobiça de gananciosos grileiros que tentam se apropriar dessas terras e explorá-las economicamente com empreendimentos, em detrimento das comunidade tradicionais que lá residem há décadas." 

- José Rômulo Sales, defensor público da União

Sales conta que esteve no local em janeiro e colheu relatos de casos de violência. Para tentar resolver o problema, ele diz que prepara duas ações civis públicas para que a União regularize e dê posse das áreas devidas aos moradores tradicionais.

O litígio e suposta grilagem de terras são investigados em inquérito civil aberto em junho de 2023 pelo MPF (Ministério Público Federal).

Segundo o órgão, a praia fica na APA (Área de Proteção Ambiental) Delta do Parnaíba, que é de titularidade da União e "potencialmente ocupada pelos agricultores há 60 anos". Como as investigações estão em curso, o órgão não passou detalhes.

Prática de Kitsurf leva turistas e Competidores
à Barra Grande. Foto: Reprodução

A SPU (Secretaria de Patrimônio da União), ligada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, afirmou que realizou uma fiscalização no local e observou "indícios de irregularidades relacionadas à ocupação e uso indevido da área". "A apuração está em curso e o relatório final será encaminhado ao MPF"

Relatos de violência

Nas últimas três semanas, o UOL ouviu moradores, recebeu vídeos e leu documentos e decisões judiciais que apontam para uma atuação de grupos armados, contando inclusive com policiais.

O pescador Demétrio Oliveira da Silva, 36, nasceu e cresceu em uma família com seis irmãos na praia. "Meu pai é pescador até hoje, ele chegou aqui ainda adolescente", diz.

Casa destruída por ação de homens armados, segundo
moradores de Barra Grande. Foto Arquivo pessoal

Ele é presidente da Associação Comunitária do Projeto de Assentamento da Nova Barra Grande e explica que desde a pandemia essa situação piorou, especialmente para a comunidade pescadora da região.

No início, tivemos muitas pesqueiras e canoas queimadas. Tivemos barracas derrubadas por conta de empresários que não queriam os pescadores na frente do terreno deles para não atrapalhar a visão dos turistas. Foram situações horríveis, ao ponto de a comunidade entrar em desespero.

- Demétrio Oliveira, da associação comunitária

A associação produziu um relatório e enviou às autoridades — no texto, os moradores acusam um grupo de empresários locais de tentativa de grilagem das terras onde vivem dezenas de famílias.

Um dos casos citados ocorreu em 1º de junho de 2023, quando seis homens que se diziam policiais civis entraram em roças na comunidade Nova Barra Grande. "Armados e com um trator, tentaram destruir casas e expulsar os agricultores."

A ação, dizem os moradores, ocorreu por eles não terem conseguido apoio das autoridades policiais. Os agricultores relatam que, diante da ameaça, se mobilizaram e desarmaram o líder e os supostos milicianos que davam suporte à ação.

"Com esses milicianos foi apreendida pela comunidade uma pistola cromada, sendo que a arma terminou por ser posteriormente devolvida pela comunidade por medo de represálias dos bandidos."

- Relatório da associação

Os moradores ainda citam invasões de espaços das roças dos agricultores.

"A gente vive ameaçado. Eu mesmo há três anos que tento levantar uma casa, não posso. A gente faz uma roça, eles vêm e derrubam. Muitas vezes a gente chega às 5h da manhã, está tudo no chão. Sempre chega gente e diz: 'não pode levantar'. Mas por que não pode se aqui sempre foi da gente?"

- Maria Esmeraldina Alves, 49, agricultora.

Roçado destruído em Barra Grande(PI).
Foto: Arquivo Pessoal

Ação da SSP e redução de ação

A SSP (Secretaria de Segurança Pública) do Piauí informou ao UOL que o secretário Chico Lucas já determinou que o caso seja apurado pela Corregedoria da PM à Delegacia Geral da Polícia Civil, para saber se há policiais envolvidos. Uma investigação também sobre os grupos armados foi aberta e está em curso pelo Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas.

Além disso, a SSP diz que criou um grupo de trabalho com a participação de vários órgãos para tentar chegar a soluções definitivas sobre o problema.

Segundo Liliana Souza, presidente da ONG Comissão Ilha Ativa, após as denúncias da Defensoria em abril, as ações de milícias têm diminuído, "mas ainda existem."

"Ainda há ações de ameaças, de desrespeito. É absurdo que comunidades tenham medo de ir pescar, e serem abordados no seu trajeto, tendo armas apontadas para si."

- Liliana Souza, da ONG Comissão Ilha Ativa

Ela explica que a região que é alvo foi historicamente povoada por comunidades pesqueiras e agricultores familiares. Uma das maiores dificuldades é que elas pedem reconhecimento, já que se trata de área pública da União.

"São inúmeros processos de solicitação engavetados; em paralelo, essas áreas solicitadas estão sendo ocupadas de forma irregular, sem nenhuma ação dos órgãos."

- Liliana Souza

FONTE: UOL

terça-feira, 19 de setembro de 2023

Humilhação de boas-vindas


Tapas, socos e cuspe no rosto, humilhações públicas e em meios digitais. A lista de constrangimentos relatados pelos calouros no trote da faculdade de medicina da Unisa (Universidade Santo Amaro), em São Paulo, é extensa. Inclui faxinar a casa de veteranos, ajoelhar-se para ouvir xingamentos aos gritos, aceitar apelidos --inclusive de cunho racista--, seguir regras de vestimenta e de circulação, além de enviar ou receber fotos de genitais masculinos por redes sociais ou aplicativos de mensagens. É cobrado também que se demonstre conhecimento sobre o histórico de uma cultura de abusos que se arrasta há anos, de acordo com alunos e ex-alunos, que serão apresentados com nomes fictícios.

O UOL investigou por dois meses relatos que envolviam estas práticas na universidade.

A lei 10.454 do estado de São Paulo proíbe trotes "sob coação, agressão física, moral" ou outros constrangimentos que representem risco à saúde ou à integridade física dos alunos desde 1999. Quem pratica corre o risco de expulsão e de sofrer sanções penais e civis. As universidades devem adotar medidas para impedir o trote e punir os infratores. Caso contrário, responderá por omissão ou condescendência.

A reportagem ouviu estudantes e egressos do curso de medicina na condição de anonimato e teve acesso a documentos e conversas de grupos no WhatsApp, além de um perfil no Instagram com denúncias sobre os trotes, que saiu do ar. "Contas que violam as Diretrizes da Comunidade do Instagram podem ser removidas", afirma a Meta, empresa dona da rede.

Procurada ao menos 13 vezes pela reportagem, que chegou a ir a 2 dos 4 campi, a Unisa não se pronunciou. A atlética negou relação com os abusos e, assim como o centro acadêmico, afirma ser contra o trote.

No últmo final de semana, ganharam repercussão e provocaram revolta vídeos nos quais alunos homens de medicina da mesma universidade e do Centro Universitário São Camilo abaixam as calças durante um torneio amistoso de vôlei feminino.

A reportagem ouviu relatos de que os trotes violentos acontecem pelo menos desde 2009.

A coerção ocorre não só no próprio campus onde fica o prédio da medicina, no Jardim das Imbuias, zona sul de São Paulo, mas também em repúblicas, festas, viagens a sítios no interior e nos jogos universitários. Parte das imposições consta em um manual enviado por celular aos novatos já nos primeiros dias de aula. Quem se submete cria, em troca, a expectativa de conseguir uma vaga de residência no futuro. Quem se recusa a participar sofre com as consequências da exclusão mesmo depois de formado.

Em um informe de 2011, a Unisa anunciou a proibição de "qualquer tipo de trote que cause constrangimento aos alunos", de acordo com orientações do Ministério Público. Em janeiro de 2022, a universidade lançou a página Diga Não ao Trote, que reforça a mensagem da proibição e a "importância de uma recepção acolhedora".

Veja a matéria completa da Uol no link abaixo: 

sexta-feira, 26 de maio de 2023

Após apagar jogo de escravidão, Google mantém aplicativo que simula ataques a escolas

Foto: Reprodução

Em meio ao crescente número de ataques a escolas, está disponível na loja de aplicativos da Google um “jogo” chamado Destroy School Simulator (simulador de destruição de escolas, em tradução livre). Até a noite desta quarta-feira (24), a ferramenta já acumula mais de 100 mil downloads.

A descrição do game, atualizado pela última vez no dia 13 de maio, sugere que ele seja uma alternativa para quem deseja aliviar o estresse “destruindo alguma coisa”. “Deve haver muitas pessoas que não sabem como aliviar o estresse. O alívio do estresse é importante na vida. Break School Simulator é o melhor jogo de alívio do estresse para quem quer aliviar o estresse destruindo uma escola”, diz trecho do texto.

“Jogo” de destruição de escolas disponível na Play Store – Reprodução

O jogo, avaliado com a nota 3,6, conta com milhares de comentários feitos por usuários que teriam baixado o aplicativo. “O jogo é legal e engraçado, mas claro que tem bugs, lag e etc. Ele é travado, mas não tanto quanto imaginei e os gráficos são claros e iluminados. Mas quando joguei em ‘break the School’ deu bug e travou a tela, ficava piscando, ficava preta voltava no jogo e ficava preta de novo. E eu tava destruindo a sala e minha personagem dava umas bugadas quando ela corria, ela ficava parada, dava uma travada e depois voltava. O menu não trava, mas o jogo trava um pouco sim”, escreveu Adrianni Raquel, em abril deste ano.

“Sinceramente, é melhor do que eu esperava. Ele é um pouco repetitivo, bem otimizado e não trava muito. Os gráficos são bonzinhos, seria melhor se estivesse em português”, comentou outra usuária identificada apenas como Niky Box. Já Cris Ramos, disse que “o jogo pode até ser bom”, mas reclamou da loja de aplicativos do Google, que estaria apresentando erros frequentes.


Um outro aplicativo polêmico estava disponível na loja do Google até esta quarta-feira (24), mas foi retirado do ar. Um jogo intitulado “Simulador de Escravidão”, que tornava possível simular ser um proprietário de escravos e castigar pessoas negras ao longo das partidas.
Tela do jogo “Simulador de Escravidão” – Reprodução

O game oferecia duas modalidades: “tirana” ou “libertadora”. Na primeira opção, o objetivo era obter lucro e evitar fugas e rebeliões dos escravos. Na segunda, a meta era lutar pela liberdade e alcançar a abolição. De acordo com o jornal O Globo, entre as opções do jogo, estavam incluídas agressões e torturas aos “escravos”. A ferramenta foi desenvolvida pela Magnus Games e tinha pouco mais de mil downloads e 70 avaliações. Nos comentários, algumas pessoas reclamavam da falta de variedade de violência.

Fonte: A Postagem


quarta-feira, 12 de maio de 2021

A esdrúxula tese da legítima defesa da honra no feminicídio


Publico hoje este guest post da feminista marxista e ativista ambiental Regiane Pimentel. E, aproveitando: assine a petição Nem Pense em Me Matar.

A tese da legítima defesa da honra remete ao Brasil Colonial, onde os homens podiam tirar a vida de suas companheiras com o argumento de que estavam cometendo um assassinato em nome de sua honra. É uma justificativa cruel e descabida para que homens se sentissem no direito, e com o amparo legal, para tirar a vida das esposas ou namoradas que os traíssem. É o crime passional sendo normalizado e legitimado pelo Estado. É a figura feminina sendo vista como propriedade, como objeto. É a mulher sendo colocada abaixo do direito à vida previsto na Constituição. 

O ato de matar a esposa infiel transformou-se historicamente em verdadeiro mérito do marido: o absurdo sendo normalizado. A vingança masculina sendo vista como lei. A honra masculina sendo legitimada como maior valor do que a própria vida da mulher.

Essa tese foi utilizada por muitos anos, e até nos dias de hoje, como estratégia jurídica para legitimar assassinatos de homens contra suas companheiras. Através dos movimentos feministas essa tese caiu em desuso, mas ainda assim era usada.

Como esquecer o caso do assassinato da Angela Diniz? Até hoje esse lastimável episódio é lembrado. O júri da época absolveu o seu assassino em nome da legítima defesa da honra.

Recentemente o STF decidiu que é inconstitucional a tese da legítima defesa da honra. Isso significa que o uso desse argumento será proibido em casos envolvendo feminicídios. A defesa não poderá mais usar essa estratagema tão cruel e macabra para justificar e perpetuar a violência doméstica e o feminicídio.

É uma decisão que deveríamos estar comemorando, mas a verdade é que tal fato nem devia ser pauta no Supremo. Quero dizer, em pleno século 21 a nossa justiça ainda decide sobre algo tão arcaico, algo que já deveria há muito tempo não fazer mais parte das fases dos processos penais. Afinal, fere os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana, da proteção à vida e da igualdade de gênero.

É surreal saber que essa ferramenta tão imoral ainda poderia ser utilizada nos tribunais, sendo o nosso país um dos piores para uma mulher viver. Somos campeões de crimes de gênero, feminicídios e violência doméstica. Ser mulher nesse país é ter um alvo nas costas. E usar a traição conjugal como justificativa para tirar a vida de uma mulher demonstra como vivemos numa sociedade patriarcal e misógina. 

Somos o quinto país do mundo em índice de feminícidio. Mulheres são mortas só por serem mulheres, só pelo seu gênero, morrem por dizerem "não", por saírem de um relacionamento, por usarem roupas curtas.

O feminicida não pode ser acolhido pela sociedade e muito menos pela justiça. Essa tese da legítima defesa da honra é extremamente sexista e dava amparo legal a crimes violentos contra mulheres.

Saber que tal tese de "legítima defesa da honra" ainda era legal e usada nos tribunais é revoltante. Tramita na Câmara de Deputados um projeto de lei para reforçar o veto do STF à tese. Não consigo, como mulher, feminista e militante, comemorar a decisão da proibição. Só posso dizer: antes tarde do que nunca.




FONTE: Reproduzido do Blog Escreva Lola Escreva


domingo, 2 de maio de 2021

Corpo de ativista LGBT ligado ao MST é encontrado carbonizado no Paraná

 (Foto: Rafael Stedile/Divulgação)

O corpo de Lindolfo Kosmaski, ativista LGBT e que atuava junto ao Movimento dos  Trabalhadores Sem Terra (MST), foi encontrado carbonizado na noite do último sábado (1), no município de São João do Triunfo, no Paraná. O movimento acredita que o homicídio tenha sido motivado por homofobia. 

Lindolfo tinha 25 anos e foi candidato a vereador de São João do Triunfo em 2020, pelo PT. Ativo nas atividades do movimento, principalmente do Coletivo LGBT Sem Terra e das Jornadas da Agroecologia, o militante frequentava o assentamento Contestado, na Lapa, também no Paraná. Lá, participou da turma em Licenciatura em Educação no Campo na Escola Latino Americana de Agroecologia (ELAA).

Atualmente, o militante era professor da rede estadual do Paraná. Também estava cursando o mestrado na Universidade Federal do Paraná (UFPR), no programa Educação em Ciências e em Matemática.

Em nota, o movimento lamentou a morte de Lindolfo. “Neste momento de dor, o MST estende toda solidariedade à família, amigos e exige que os órgãos competentes possam acelerar as investigações e encontrar os culpados desse crime hediondo.”

Ainda no documento, o movimento afirma que o ativista “era um jovem humilde, solidário e cheio de sonhos”. Afirma ainda que exigirá justiça e punição aos assassinos do jovem. “O MST destaca o seu compromisso de lutar por uma sociedade sem LGBTfobia e na construção de um mundo onde a vida e todas as formas de ser e amar sejam garantidas plenamente. O Sangue LGBT também é sangue Sem Terra.”

FONTE: Brasil 247 

quinta-feira, 22 de abril de 2021

Primeira negra prefeita de Cachoeira (BA) relata ameaças e pressão por renúncia

Foto: Prefeitura de Cachoeira/Divulgação

A cidade onde a população pegou em armas para expulsar portugueses e lutar pela independência do Brasil em 1822 elegeu sua primeira prefeita negra no ano passado, 490 anos depois da sua fundação.

Mas o caminho não tem sido fácil para Eliana Gonzaga (Republicanos), 52, eleita no ano passado prefeita de Cachoeira, cidade histórica do Recôncavo Baiano, derrotando grupos políticos tradicionais da região.

Na campanha eleitoral, ela foi alvo de ataques racistas em redes sociais. Dias após sua vitória, dois de seus principais aliados políticos foram assassinados em crimes com fortes indícios de execução. Por fim, ela passou a receber ameaças de morte e avisos para que renuncie ao cargo.

Filha de feirantes, Eliana começou a trabalhar cedo, ajudando os pais no mercado municipal de Cachoeira. Na juventude, aproximou-se da política por meio do sindicato de trabalhadores de agricultura familiar.

"Desde então, venho fazendo esse trabalho de formiguinha com políticas para evitar o êxodo rural e enfrentando fazendeiros para garantir do direito à terra", afirma Eliana.

Disputou seu primeiro mandato eletivo em 2008, quando foi eleita vereadora. Reelegeu-se em 2012 e quatro anos depois foi candidata à vice-prefeita, sendo derrotada.

Em 2020, decidiu concorrer à prefeitura em uma ampla coligação de partidos de oposição ao prefeito Tato Pereira (PSD), que disputava a reeleição. A campanha foi agressiva e marcada por ataques racistas em textos que circulavam em grupos locais em um aplicativo de mensagens.

Mesmo assim, venceu as eleições para prefeitura de forma surpreendente, colocando fim a um ciclo de 16 anos de governos da família Pereira, um dos clãs mais tradicionais da cidade de 33 mil habitantes.

Mas não conseguiu sequer comemorar a vitória. Dois dias depois da eleição, seu aliado e cabo eleitoral Ivan Passos foi brutalmente assassinado em Cachoeira. "Ele foi abatido com dez tiros, mesmo número do meu partido. O recado foi dado", afirma a prefeita.

Nos dias seguintes, começou a circular na cidade uma lista com possíveis novas vítimas, que incluía familiares da prefeita e seus aliados políticos mais próximos. Temerosa, tirou várias pessoas da cidade e as enviou para Salvador, onde ficaram hospedadas na casa de amigos.

Uma delas foi Georlando Silva, aliado que foi candidato vereador pelo mesmo partido da prefeita. Em vídeo gravado ainda em abril de 2020, ele conta que estava recebendo ameaças de opositores.

Georlando voltou para Cachoeira no dia 30 de dezembro, nas vésperas da posse de Eliana como prefeita. Foi nomeado coordenador de obras da prefeitura, mas acabou sendo assassinado no dia 7 de março com 19 tiros no rosto. "Foi um crime muito macabro, chocou toda a cidade", lembra Eliana.

A própria prefeita já vinha recebendo ameaças veladas desde a sua vitória. Antes mesmo de tomar posse, recebeu um telefonema em que uma rajada de arma de fogo foi disparada do outro lado da linha. Desde então, passou a andar com escolta armada e carro blindado.

No início deste mês, ela foi intimidada por homens em uma motocicleta enquanto participava de uma ação de vacinação para Covid-19 em um drive-thru na cidade. Eles fugiram após perceberem a presença de policiais no local.

Nesta terça-feira (21), um grupo de 56 entidades do movimento negro e sindical emitiram uma nota de solidariedade à prefeita e cobraram apuração rígida do caso pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia.

"Consideramos um absurdo inaceitável que uma mulher negra democrática e legitimamente eleita seja mais uma vez alvo da violência de grupos autoritários e violentos que não aceitam a vontade de povo expressa pelo voto. Repudiamos as ameaças de mortes, os ataques racistas e misóginos", diz a nota.

A Polícia Civil da Bahia informou que a denúncia de ameaça contra a prefeita foi registrada em dezembro de 2020. Depoimentos de suspeitos foram colhidos, mas o teor não foi divulgado para evitar interferências nas investigações.

Eliana afirma que não pode dar informações sobre as motivações das ameaças, mas lembra que estas nunca aconteceram até o momento em que foi eleita prefeita da cidade. Diz que permanece no cargo e não cogita renunciar.

"Continuarei de pé porque sei que essa luta não é individual. Essa é uma luta coletiva que remete aos nossos ancestrais. O povo de Cachoeira não elegeu uma covarde. Vou ficar e fazer uma gestão de excelência."

Fonte: O Tempo

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Candidata que fez campanha sob proteção é assassinada.

Leila Arruda (Reprodução/Facebook)

Candidata pelo PT à Prefeitura de Curralinho, interior do Pará, a pedagoga Leila Arruda, 49, andou dezenas de comunidades ribeirinhas em busca de apoio para as causas que defendia durante os 45 dias de campanha. O que os eleitores e demais apoiadores não imaginavam é que a candidata percorria os rios em estado de alerta, com uma medida protetiva que a deveria manter a salvo do ex-marido, Boaventura Dias.

Ele não aceitava o fim da relação. E, por isso, ao longo de um mês e meio, a pedagoga buscou não andar sozinha em nenhum momento. Apesar de o ex-marido não morar em Curralinho, era um sinal de prevenção.

Leila ficou em terceiro lugar na disputa pelo comando da cidade, com pouco mais de 3.000 votos. Cleber Edson dos Santos Rodrigues (PSD), 67, venceu com 7.236. Quatro dias depois do resultado, Leila foi assassinada em Belém.

De acordo com a família, Leila e Boaventura terminaram o casamento em 2017, depois de 26 anos de união. Eles moravam em Belém, mas se conheceram ainda jovens em Curralinho, pequena cidade de 26 mil habitantes do Arquipélago de Marajó, no Pará.

Ribeirinha, Leila queria usar política para ajudar mulheres

Leila era filha de uma professora com um agricultor de Curralinho. Ela nasceu às margens do rio Paramirim e se criou à beira do Mutuacá. De acordo com o irmão, a vítima saiu aos 10 anos da região para morar sozinha com a irmã mais velha, em Belém, em busca de estudos, depois de ser alfabetizada em casa pela mãe.

“Nossa mãe era professora da comunidade, e sempre trabalhamos com a agricultura, principalmente com a produção de farinha de mandioca”, lembra o irmão.

Arruda conta que Leila estudou em conventos até o fim da adolescência. Aos 20, ingressou no PT e se formou em pedagogia na Universidade Federal do Pará (UFPA), se especializando em educação de crianças especiais.
Antes de morrer, a vítima trabalhava no Hospital de Clínicas Gaspar Viana, na capital paraense, e coordenava o Movimento de Mulheres Empreendedoras da Amazônia (Moema). A intenção de Leila, frisa o irmão, era tornar as mulheres independentes financeiramente dos maridos.

“Ela veio para Belém buscar uma vida melhor para si e para os filhos. Com isso, se envolveu em movimentos sociais e fundou a Moema, que ajudava as mulheres a terem renda própria. Ela conseguiu isso através de outras amigas e da nossa irmã mais velha”, ressalta.

De acordo com Arruda, uma das bandeiras de Leila durante a campanha era proporcionar mais políticas públicas às mulheres de Curralinho, município que tem 5.503 famílias cadastradas no Bolsa Família, sendo que desses, 94,3% dos responsáveis familiares são do sexo feminino.

“Depois que graduou os filhos, um em engenharia elétrica e outro em engenharia mecânica, estava animada com a campanha para vereadora, mas o partido acabou decidindo pelo nome dela para prefeita. Isso a fez percorrer o município todo defendo as suas bandeiras, que era a melhoria da saúde, educação inclusiva, ampliação do serviço social, agricultura familiar como geradora de renda e criação de programas específicos de políticas para as mulheres”, diz o irmão.

Veja matéria completa aqui

Fonte: Pragmatismo Político

sábado, 9 de maio de 2020

Brasil atinge 10.000 óbitos pelo Covid e Bolsonaro convida amigos para um churrasco no Alvorada.(Postagem atualizada)




Foto: Falando a Verdade
Um dia depois de anunciar que promoverá um churrasco para 30 convidados neste sábado, no Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro fez piada ao ser perguntado sobre a confraternização, sem deixar claro se ela será realizada ou não. Se for confirmada, a festa acontecerá na data que provavelmente será lembrada pela triste marca de mais de 10 mil mortes causadas pelo novo coronavírus no Brasil — de acordo com o último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, foram registrados 751 óbitos nas 24 horas entre quinta e sexta-feira, chegando a um total de 9.897, além de 145.328 casos confirmados.
Bolsonaro evitou responder questionamentos de repórteres se o churrasco não representaria um mau exemplo em função da necessidade de isolamento social e disse, em tom de ironia, que 1.300 pessoas já estavam confirmadas.
— Churrasco, eu só estou convidando a imprensa. Já tem 180 convidados — afirmou Bolsonaro, diante de apoiadores que riam, iniciando uma escalada de ironias sobre o número de convidados para o evento: — Duzentos e dez já tem. Tem 210 chefes de família, deve dar 500 pessoas no churrasco amanhã.
Pouco depois, o presidente deu sequência às ironias e disse que o número de confirmados tinha acabado de subir:
— Tá todo mundo convidado aqui, 800 pessoas no churrasco. Tem mais um pessoal de Águas Lindas, serão 900 pessoas confirmadas. Tem mais um pessoal de Taguatinga, 1.100. Vai estar todo mundo aqui amanhã? 1.300 pessoas no churrasco.
Na quinta-feira, quando falou pela primeira vez sobre o churrasco de hoje, Bolsonaro disse que cometeria um “crime”, ironizando as recomendações de autoridades de saúde para evitar aglomerações:
— Estou cometendo um crime. Vou fazer um churrasco no sábado aqui em casa. Vamos bater um papo, quem sabe uma peladinha, alguns ministros, alguns servidores mais humildes.
O vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta sexta-feira que não foi convidado para o churrasco. Depois de participar de um evento ao lado de Bolsonaro, no Ministério da Defesa, Mourão comentou, rindo, que a taxa para participar da confraternização no Alvorada, de R$ 70 por pessoa, está muito cara.
— O presidente ainda não falou comigo sobre o churrasco. E R$ 70 está muito caro.
Houve muitas críticas à decisão de Jair Bolsonaro de promover um churrasco em plena pandemia do novo coronavírus, quando a maioria dos brasileiros está evitando confraternizações — inclusive amanhã, no Dia das Mães, várias famílias passarão a data separadas por precaução. Antigo aliado do presidente, o deputado federal Alexandre Frota escreveu no Twitter: “Sábado vamos chegar a 10 mil mortos no Brasil. E o Bolsonaro vai fazer um churrasco. O que ele vai comemorar?”.
O senador Randolfe Rodrigues também citou a triste marca que o país deverá atingir neste sábado: “O Brasil não tem presidente! Quem marca churrasco diante de 10 mil mortes, com milhares de famílias sentindo a dor da Covid-19 na pele, não é um chefe de Estado! É um irresponsável. Não há precedentes no mundo para isso”.
A deputada e ex-líder do governo Bolsonaro no Congresso, Joice Hasselmann, também usou a rede social para criticar o presidente: “Enquanto o PR (presidente da República) vai confraternizar em churrasco com 30 pessoas, hospitais do estado dele, o RJ, estão em colapso. Mais de MIL pessoas à espera de leito na capital. Ontem (quinta-feira) foram 155 mortes. Nenhuma palavra de conforto, nenhuma ação, nenhuma visita. Mas e daí, né @jairbolsonaro?”.
Fernando Haddad, candidato do PT derrotado por Bolsonaro no segundo turno da eleição de 2018, fez um apelo pelo cancelamento da confraternização: “Bolsonaro, hoje (ontem) tivemos um novo recorde de mortos. Provavelmente, não são seus conhecidos. São brasileiros que sequer serão velados. Não faça esse churrasco. É agressivo demais. Não há o que celebrar!”.
A declaração sobre o churrasco se junta a uma série de frases infelizes de Bolsonaro em meio à pandemia do novo coronavírus. No dia 19 de março, quando algumas cidades do Brasil já tinham tomado medidas restritivas para conter o contágio, Bolsonaro afirmou que faria uma festa familiar no Alvorada para comemorar o aniversário dele e o da primeira-dama. A festa não aconteceu.
No fim de março, ele afirmou que o país não chegaria a um número alto de mortes pela doença porque “o brasileiro tem que ser estudado. O cara não pega nada. Eu vi um cara ali pulando no esgoto, sai, mergulha... Tá certo?! E não acontece nada com ele”. Bolsonaro já chamou a Covid de “gripezinha”, disse não ser coveiro quando foi perguntado sobre o aumento das mortes e indagou “e daí?” quando o país passou a China em número de óbitos por coronavírus.

Atualizando (16:00):

Após pressão da sociedade e imprensa, Bolsonaro cancela churrasco (veja aqui):