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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Caloteiro é o sistema: mídia distorce o Desenrola Brasil II



Por Jorge Antonio Carvalho*

A cobertura da grande imprensa sobre o Desenrola Brasil II revela mais sobre seus preconceitos do que sobre o programa em si. Enquanto milhões de brasileiros lutam para renegociar dívidas e recuperar o mínimo de dignidade, veículos como a Globo, a Veja e o Poder360 preferem pintar o trabalhador como “caloteiro” e o governo como “populista em busca de votos”.

A Globo no seu Jornal Hoje de hoje (04/05/2026), através do repórter Gerson Camarotti afirmou que as dívidas crescem porque “o povo não pode mais pagar alimentação”.

Veja: chamou Lula de “padroeiro dos caloteiros” em ano eleitoral.

Poder360: publicou que o presidente “usa R$ 23,2 bi de fundos para beneficiar caloteiros”.

Essas manchetes criminalizam o povo endividado e absolvem o sistema financeiro que lucra com juros abusivos.

O que o programa realmente oferece

Segundo reportagem do Vermelho.org (04/05/2026), o novo Desenrola traz descontos de até 90% e quatro modalidades de renegociação:

  • Descontos diretos sobre o valor da dívida.
  • Parcelamento facilitado em condições especiais.
  • Renegociação com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO).
  • Modalidade digital, que permite ao cidadão negociar diretamente pelo aplicativo.

Ou seja, não se trata de “premiar caloteiros”, mas de criar condições reais para que famílias possam sair da inadimplência e voltar a ter crédito e dignidade.

Plantar hoje para colher amanhã

O escritor Luis Celso F. dos Santos, em seu texto “Plantar hoje pra colher amanhã: o Brasil que o povo não entende” (Xapuri-AC, 02 de maio de 2026), lembra que plantar uma jaqueira exige paciência, mas quando dá frutos, alimenta gerações. Ele compara essa perseverança com a luta política: denunciar falcatruas, enfrentar privilégios e exigir mudanças não é teimosia, é investimento no futuro.

O mesmo vale para o Desenrola Brasil II. Não é uma solução mágica, mas uma semente. É dar fôlego para que famílias possam recomeçar, consumir, investir e viver com dignidade.

Perseverar contra a narrativa derrotista

Denunciar a imprensa golpista não é radicalismo, é perseverança. É recusar a visão curta que reduz o povo a “caloteiro” e o governo a “populista”. É afirmar que o Brasil precisa plantar políticas de longo prazo, mesmo que os frutos não apareçam amanhã.

O Desenrola Brasil II não é sobre “perdoar dívidas de má fé”. É sobre dar chance de recomeço. É sobre dignidade. É sobre não deixar que o amanhã seja sufocado por ervas daninhas plantadas por bancos, lobbies e políticos hipócritas.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog 

sábado, 30 de agosto de 2025

Salário Mínimo em Alta: Brasil Retoma Poder de Compra Após Anos de Estagnação


O salário mínimo previsto para 2026 é de R$ 1.631,00, segundo o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). Mais do que um número, esse valor representa uma virada na política de valorização do trabalho no Brasil, após anos de contenção fiscal e corrosão do poder de compra. 

Vejam abaixo, quadros comparativos dos governos de 2015 até a previsão de  2026:

Evolução Real do Salário Mínimo (2015–2026)

Ano

Salário Mínimo (R$)

Inflação (IPCA) (%)

Reajuste (%)

Ganho/Perca Real (%)

2015

788,00

6,41

8,84

+2,43

2016

880,00

10,67

11,68

+1,01

2017

937,00

6,29

6,48

+0,19

2018

954,00

2,95

1,81

–1,14

2019

998,00

3,75

4,61

+0,86

2020

1.045,00

4,31

4,71

+0,40

2021

1.100,00

4,52

5,26

+0,74

2022

1.212,00

10,06

10,18

+0,12

2023

1.320,00

5,79

8,90

+3,11

2024

1.412,00

4,62

6,97

+2,35

2025

1.518,00

4,51

7,51

+3,00

2026

1.631,00

4,33 (proj.)

7,44

+3,11



Salário Mínimo vs. Cesta Básica (2015–2026)

Presidente

Ano

Salário Mínimo (R$)

Cesta Básica (R$)

% Comprometido

Meses p/ 4 cestas

Dilma

2015

788,00

385,00

48,85%

1,96

Dilma

2016

880,00

410,00

46,59%

1,86

Temer

2017

937,00

435,00

46,42%

1,86

Temer

2018

954,00

460,00

48,22%

1,93

Bolsonaro

2019

998,00

495,00

49,60%

1,98

Bolsonaro

2020

1.045,00

540,00

51,67%

2,07

Bolsonaro

2021

1.100,00

580,00

52,73%

2,11

Bolsonaro

2022

1.212,00

700,00

57,75%

2,31

Lula

2023

1.320,00

760,00

57,58%

2,30

Lula

2024

1.412,00

772,00

54,68%

2,19

Lula

2025

1.518,00

785,00

51,70%

2,07


Os valores da cesta básica são médias nacionais estimadas com base nos dados do DIEESE. Em 2016, por exemplo, Porto Alegre registrou o maior custo (R$ 459,02), enquanto Recife teve o menor (R$ 347,96).

A queda no peso da cesta básica sobre o salário mínimo mostra uma melhora concreta: o trabalhador poderá comprar mais com menos esforço, algo que não se via desde antes da pandemia.

Comparativo por Governo

Governo

Mandato

Salário Inicial (R$)

Salário Final (R$)

Ganho Real (%)

Lula 1

2003 - 2006

200,00

350,00

+38,3%

Lula 2

2007 - 2010)

380,00

545,00

+17,4%

Dilma 1

2011 - 2014

545,00

724,00

+12,4%

Dilma 2

2015 - 2016

788,00

880,00

+5,5%

Temer

2016 - 2018

880,00

954,00

–0,2%

Bolsonaro

2019 - 2022

954,00

1.212,00

–1,2%

Lula 3

2023 - 2026*

1.302,00

1.631,00 (proj.)

+6,1% (até 2025)

 
*Projeção para 2026 com base no PLOA

A valorização do salário mínimo foi uma das marcas mais fortes dos governos Lula e Dilma, que enxergaram nele um motor de inclusão social, combate à pobreza e estímulo à economia. Os ganhos reais acumulados nesses períodos permitiram que milhões de brasileiros tivessem acesso a mais dignidade, consumo básico e mobilidade social.

Já os governos Temer e Bolsonaro seguiram uma agenda de austeridade que freou o crescimento do mínimo. Os reajustes ficaram abaixo ou no limite da inflação, resultando em perda de poder de compra e estagnação da renda dos trabalhadores, especialmente os mais vulneráveis.

Com a retomada da política de valorização no 3º mandato de Lula, o salário mínimo volta a crescer acima da inflação, sinalizando uma recuperação concreta para quem depende dele. Se essa trajetória for mantida, o Brasil poderá consolidar uma nova fase de fortalecimento da renda básica e do consumo popular, com impactos positivos na economia e na vida de milhões.

Esta matéria foi elaborada com base em dados públicos e projeções oficiais, utilizando as seguintes fontes:









terça-feira, 26 de agosto de 2025

Com energia, alimentos e combustíveis em queda, Brasil tem 1ª deflação em 2 anos



Foto: Agência Brasil

Por Priscila Lobregatte

Boa notícia para o povo brasileiro: a prévia da inflação em agosto ficou negativa em 0,14%, puxada pela queda nos preços da energia elétrica, dos alimentos e da gasolina. O resultado é 0,47 ponto percentual abaixo do registrado em julho (0,33%). Com isso, o mês de agosto teve o menor índice desde setembro de 2022 e a primeira deflação desde julho de 2023, quando o recuo foi de 0,07%.

Os dados constam do IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, medido pelo IBGE e divulgado nesta terça-feira (26). No ano, o IPCA-15 acumula alta de 3,26% e, em 12 meses, 4,95%, abaixo dos 5,30% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em agosto de 2024, o IPCA-15 foi de 0,19%.

Dentre os grupos que mais contribuíram para a queda está o de Habitação (-1,13% e -0,17 p.p.), devido à redução na energia elétrica residencial (-4,93%), em decorrência da incorporação do Bônus de Itaipu. Essa iniciativa compensou a bandeira tarifária vermelha patamar 2, que substituiu a bandeira tarifária vermelha patamar 1, vigente em julho.

O grupo de Alimentação e bebidas (-0,53% e -0,12 p.p.) apresentou o terceiro mês seguido de quedas. Os maiores recuos vieram de itens como a manga (-20,99%), a batata-inglesa (-18,77%), a cebola (-13,83%), o tomate (-7,71%), o arroz (-3,12%) e as carnes (-0,94%).

O terceiro grupo com maior influência na queda inflacionária foi o de Transportes (-0,47% e -0,10 p.p.), que saiu de 0,67% em julho para -0,47% em agosto. O resultado foi impulsionado pelas quedas nas passagens aéreas (-2,59%.), no automóvel novo (-1,32%) e na gasolina (-1,14%).

No grupamento dos combustíveis (-1,18%), também recuaram o óleo diesel (-0,20%), o gás veicular (-0,25%) e o etanol (-1,98%). Outros fatores regionais também incidiram sobre este segmento, puxando a inflação para baixo. Também teve queda o segmento de Comunicação (-0,17% e -0,01 p.p.).

Registraram maiores altas os grupos de Despesas pessoais, com 1,09%; Saúde e cuidados pessoais, com 0,64% e Educação, com 0,78%.

quinta-feira, 19 de junho de 2025

Juros nas Alturas: O Brasil em 2º Lugar no Ranking Global e o Impacto Real na Vida dos Brasileiros

Foto: Blog do Eliomar

Na última reunião do Copom (18 de junho de 2025), o Banco Central elevou a taxa Selic para 15% ao ano, fazendo com que o Brasil ocupasse a 2ª posição no ranking global de juros reais, atrás apenas da Turquia. Essa decisão, vendida como técnica, tem consequências profundas e políticas na economia, na vida cotidiana e na capacidade do país de crescer com justiça social.

Enquanto boa parte do mundo inicia ciclos de redução de juros, o Brasil caminha na contramão, puxando o freio de mão da economia. O motivo alegado: controlar a inflação, projetada em 5,5%. Mas com juros reais de 9,53%, o remédio tem sido mais amargo que a doença.

Quem ganha e quem perde?

Com a Selic nesse patamar, investir em renda fixa ficou mais atrativo, mas apenas para quem já tem dinheiro. Veja os rendimentos anuais aproximados:

CDB (100% do CDI):12,7% bruto

Tesouro Selic:12,6% bruto

Poupança: 8,17%, abaixo da inflação

Inflação esperada: 5,5%

Para quem consegue aplicar R$ 10 mil, o retorno bruto pode ultrapassar R$ 1.100 em um ano. Já quem precisa parcelar a geladeira ou recorrer ao rotativo do cartão, pode enfrentar juros de até 430% ao ano. Um abismo social e financeiro que se aprofunda.

Setores da economia em alerta

Os impactos da alta dos juros não ficam apenas nos boletos das famílias. Afetam diretamente o pulmão produtivo do país:

Construção civil: financiamento proibitivo, empreendimentos parados e o sonho da casa própria adiado.

Varejo: com o consumo retraído, lojistas lutam para manter vendas e empregos.

Transporte e logística: margens apertadas e dívidas mais caras corroem a operação das empresas.

Agronegócio: crédito rural mais caro compromete desde o plantio até a exportação.

E não para por aí. O próprio governo federal, que busca ampliar investimentos públicos, políticas sociais e estímulo à renda, se vê limitado. Quase 47% da dívida pública está atrelada à Selic, e estima-se que R$ 1 trilhão sejam gastos só com juros em 2025. Recurso que poderia financiar saúde, educação, moradia e infraestrutura.

Uma política monetária neutra?

É nesse cenário que surge uma pergunta incômoda, mas necessária: pra quem serve essa política de juros altos? Aos investidores institucionais, parece servir muito bem. Aos brasileiros que vivem com o orçamento no limite, não.

O Banco Central é autônomo, mas deveria ser também socialmente consciente. Não se combate inflação ignorando a desigualdade. Não se constrói crescimento sufocando consumo e investimento produtivo.

O governo tem feito sua parte tentando manter o país em movimento. Mas enquanto as taxas forem usadas como ferramenta de restrição cega, o desenvolvimento sustentável seguirá engessado.

É hora de questionar. Discutir. E exigir que o debate sobre juros saia dos salões técnicos e chegue à vida real.

Fontes:

Banco Central do Brasil (copom.bcb.gov.br)
Relatório Focus (BCB)
Tesouro Nacional
MoneYou (Jason Vieira)
ABRAINC – Associação Brasileira de Incorporadoras
Estatísticas Monetárias e de Crédito – BCB