Os maiores salários de presidentes de companhias brasileiras foram conhecidos nessa segunda-feira(25/06). A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou a divulgação a partir de hoje, com base na decisão do Tribunal Regional Federal - TRF da 2ª Região, que derrubou liminar de 2010 que permitia a dezenas de empresas a omitir os valores.
A liminar havia sido obtida pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), que alegava que a divulgação dos valores permitiria a identificação dos executivos e representaria uma violação à privacidade e um risco à segurança. No entanto, diversas entidades do mercado financeiro, inclusive a CVM, defendiam um maior nível de transparência na divulgação das informações das empresas, incluindo os salários de seus principais executivos
Mais de 30 empresas não divulgavam salários de seus executivos, entre elas Bradesco, Itaú, Vale, Vivo e Shopping Iguatemi.
Confira abaixo os valores dos salários de presidentes de algumas companhias. Os valores referem-se 2017 e correspondem à soma de todos os salários do ano, além de outras vantagens e benefícios, como bônus e participação nos lucros. Entre parênteses está o valor equivalente ao mês:
Itaú: R$ 40.918.000,00 por ano (R$ 3.409.833,33 por mês)
Vale: R$ 19.046.168,46 por ano (R$ 1.587.280,70 por mês)
Bradesco: R$ 15.952.500,00 por ano (R$ 1.329.375,00 por mês)
TIM: R$ 8.173.653,71 por ano (R$ 681.137,80 por mês)
Iguatemi: R$ 8.086.564,48 por ano (R$ 673.880,37 por mês)
Alpargatas: R$ 7.336.200,00 por ano (R$ 611.350,00 por mês)
Vivo: R$ 6.719.912,45 por ano (R$ 559.992,70 por mês)
Quando criança, sempre que meu pai se referia a alguém como descarado, imaginava o dito sem os contornos faciais. Logo corria ao espelho e, sorte, estava tudo ali. Como na música, todos poderiam entrar em mim “pelos sete buracos da minha cabeça”. Não preciso citá-los, vocês os conhecem bem.
“Isto é um descaramento”. Pronto, lá ia eu procurar pelos cômodos da casa onde estava sendo feita a cirurgia. Não encontrava sangue e logo pensava em massa de pedreiro e ferro de passar.
“João Alfredo? O maior descarado”. Seria pela altura do pobre João ou mereceria ele tratamento rápido. Degola, por exemplo.
“Vai encarar?” Sou dado a melancolias. Era quando sentia pena dos descarados. Nunca sabiam como responder.
– Olha, por que está me encarando?
– Quem? Eu?
Percebia o constrangimento do descarado pelos movimentos do gogó em seu pescoço. Um sobe e desce agitado, veloz, proeminente.
Ficava aflito. Certo dia, na saída do colégio, tentei intervir.
– Ô Gordo, você não percebeu que ele é descarado? Nem olha nem encara. Como pode?
– É por isso mesmo. Na dúvida, arrisco.
– Cruel, não? Já pensou a confusão que você cria na cabeça do descarado?
– E quem não tem cara tem cabeça?
– É de se pensar, Gordo. Mas acho que sim, cérebro e tudo, lá nos interiores, sabe?
– Será que ouvem sem as orelhas?
– Sabe-se lá, os ouvidos podem estar embutidos. Percebo reações de quem bem escutou e sofreu.
– Dane-se. Ele é um descarado.
Talvez, de lá até cá, tenham-se passado seis décadas sem que eu pensasse no assunto nessas bases. O tempo fizera a conotação mudar meu pensamento. O descarado mantinha todos os sete buracos, eles não estavam “mais embaixo” como é costume dizer, mas sim internalizadas em seus cérebros. Sem ideias, noções, caráter, vergonha.
A última vez que me confundi com o assunto, creio, foi por volta de 1964. Assistia num cineclube ao filme “O homem da máscara de ferro“, EUA, versão de 1939, dirigido por James Whale, e baseado na obra de Alexandre Dumas, pai. Estreava no cinema o notável ator Peter Cushing, fonte para várias adaptações cinematográficas posteriores do romance.
Um amigo, comenta: “Apesar da época, cinema ainda a evoluir, creio que o diretor descaracterizou demais o personagem”.
Prá quê? Voltei à infância e desci a Teodoro Sampaio, procurando descarados. Não importavam, ferro, massa de pedreiro ou gesso. Fiquei um tempo assim, a desvendá-los. Com o tempo, fui desencanando deles. Mesmo quando alguém assim se referiu a Fernando Collor, não dei bola.
Até que o Brasil pós-2015 fez-me entender o significado de descaramento, uma epidemia que me parece atravessará o século 21.
E como não poderia abandonar a galhofa, cito aqui dez importantes descarados do Brasil atual. Claro que não cairia na vala comum de Gilmar, Temer, Serra, Moro, Irmãos Batista, et caterva. As tristes valas deixadas pelos alemães com corpos judeus seriam insuficientes para abriga-los. Vamos lá:
1. O jornal Valor, que depois passou a ser 100% das Organizações Globo, vê a economia brasileira em franca recuperação;
2. Todas as associações patronais ou não, ligadas à imprensa, que não abriram a boca para se manifestar contra a censura e os ataques que hoje sofrem os blogs progressistas, suprimida sua liberdade de expressão digital;
3. João Dória Júnior, o Doriana, que se derrete ao primeiro calor e se entrega ao mais baixo e inculto corporativismo;
4. Ronaldo Caiado, colunista de agronegócios da Folha de São Paulo. Desde sua estreia, não escreveu um só artigo sobre o tema;
5. Sérgio D’Ávila, editor da Folha, que aproveita ter sido correspondente de guerra do jornal e genro do excepcional Hamilton Ribeiro, do Globo Rural, para não perceber o quanto o jornal desinforma a nação;
6. Luciano Huck, o boca-júnior no dizer malévolo do Pasquim sobre Flávio Cavalcanti, na época;
7. As grossíssimas pernas cruzadas e saias justas das apresentadoras da Globo News e seus equivalentes masculinos, cabelos alinhados, bigodes medievais e ternos saídos dos estoques remanescentes das Lojas Ducal;
8. Um japonesinho jovem, não sei o nome, muito feio. Pretende ser o sucessor de Jack Chan e comprovar a supremacia dos EUA;
9. Pastores religiosos, sem cabras e ovelhas, muito menos “pastando no meu jardim”, mas surrupiando dízimos de gente pobre;
10.Fernando Henrique Cardoso, que a tudo percebe, tudo entende, mas prefere rebolar em meneios de cintura, como sensacional cabrocha.
A PEC 55, antiga 241, também conhecida como a PEC da Morte e a PEC do Fim do Mundo, foi aprovada hoje no Senado, em segundo turno, com margem folgada.
E dane-se o que o povo acha. Um governo ilegítimo, golpista, sem voto (porque ninguém votou no Temer, ninguém elege vice, ou os reaças que votaram no Aécio sequer se lembram quem era seu vice?), determina o que acontecerá com o país não só durante sua "gestão", mas também por duas décadas, quando não estiver mais no poder, se deus quiser.
Aprovação da PEC no 1o turno: povo protesta do lado de fora
Sinceramente, se uma chapa antes das eleições adotasse o discurso oficial, transmitido pelo governo e pela mídia, e dissesse "O país está quebrado por causa do PT, gasta demais, então precisamos de um teto para limitar os gastos", seria eleita? E olha que esse é o discurso oficial. Não é a verdade direta, que seria: "Precisamos garantir o pagamento dos juros da dívida para os banqueiros, então vamos cortar investimentos em saúde, educação, infra-estrutura, assistência social, saneamento básico, enfim, em tudo que não seja juro da dívida, pelos próximos vinte anos".
(Uma dica: sempre que você ler "gastos" em saúde e educação, e não "investimentos", desconfie).
Pesquisa Datafolha diz que 60% dos quase 3 mil entrevistados é contra a PEC 55. Na enquete do Senado a desaprovação foi muito maior, com 345.718 votos contra, e apenas 23.770 a favor. E, mesmo assim, os senadores decidiram aprovar uma medida quase unanimemente rejeitada.
Não por coincidência, hoje é o aniversário de 48 anos do AI-5, o ato institucional número 5, decretado em 13 de dezembro de 1968. Foi o golpe dentro do golpe, um decreto que endurecia ainda mais a ditadura e rasgava a Constituição. Neste 2016 com carinha de 1964, a PEC 55 age como o golpe dentro do golpe. Como disse o senador Lindbergh Farias, "esse é o AI-5 dos pobres". Não há dúvida alguma que essa medida trágica e antidemocráticaafetará mais diretamente os mais pobres (ou seja, mulheres e negros). As conquistas sociais da última década serão rapidamente revertidas. E, de todas as regiões, quem sofrerá mais será novamente o Nordeste.
Tirando a mídia, o governo golpista, o Congresso vendido e os reaças (que vêm a PEC como uma oportunidade de ouro de "diminuir o Estado", eufemismo para privatizar tudo), todo mundo adverte que a medida não apenas será ineficiente para conter despesas, como também acabará com setores fundamentais para o desenvolvimento e a redução das desigualdades sociais do país. A diretora global de Educação do Banco Mundial, Claudia Costin, por exemplo, declarou: "O Brasil continuará com o desastre educacional que tem hoje. Normalmente, quando países têm problemas fiscais, ao menos os mais desenvolvidos, eles preservam a educação dos cortes. O Brasil optou por não fazer isso. É uma grande pena".
Já o relator da ONU classificou a emenda constitucional como o pacote de austeridade socialmente mais regressivo do mundo. Philip Alston não poupou palavras: a PEC é uma violação dos direitos humanos. "Essa é uma medida radical, que denota ausência de qualquer sentimento e compaixão. É completamente inadequado congelar apenas os gastos sociais e amarrar os braços dos futuros governantes por duas décadas".
O retrocesso vivido no Brasil é tão gigantesco que, não sei se você lembra, dois ou três anos atrás uma das pautas de vários movimentos era garantir que 10% do PIB fosse obrigatoriamente usado na educação. Aliás, isso foi aprovado no Plano Nacional da Educação (já sepultado). Agora, com a PEC 55, decreta-se o fim da educação pública.
E óbvio que os próximos golpes dentro do golpe serão a o fim dos direitos trabalhistas e a reforma da previdência (mentindo descaradamente que a previdência está quebrada, então é melhor que você morra antes de poder se aposentar para que, sabe, a previdência continue a existir, mas temos aqui bons planos de previdência privada à sua disposição; além do mais, especialistas na Globo News têm a solução: é só você guardar um milhão de reais -- mais a inflação -- que você pode sacar 5 mil por mês dos 60 anos em diante).
Anúncio de previdência privada em notícia sobre "crise da previdência"
O cenário é realmente desesperador, e dá um novo sentido ao termo "idiota útil" (termo criado pelos reaças para designar feministas e demais ativistas sociais, que lutam em favor de causas, segundo eles, orquestradas por uma nova ordem mundial -- reaças adoram teorias da conspiração). Idiota útil, pra mim, é qualquer um que que não seja rico e apoie a PEC 55 e seu consequente desmantelamento do Estado. Porque, sei lá, se você é banqueiro, a PEC pode ser boa pra você. Afinal, vai garantir que os juros sobre juros de uma dívida corrupta serão pagos religiosamente a você. Se você é dono de empresas privadas de saúde e educação, a PEC certamente te trará grandes lucros. Porém, se você não faz parte desse 1%, você terá seus direitos diminuídos pela PEC -- por duas décadas. E não será bonito.
Eu só consigo começar a vislumbrar o que isso vai significar diretamente na minha vida. Faz dois meses, eu e o maridão cancelamos nosso plano de saúde. Agora que o maridão chegou aos 59 anos, o plano ficou caro demais. E, se já temos dificuldade para pagá-lo hoje, imagine quando eu também atingir essa idade. Não dá pra dedicar 40% da nossa futura renda num plano (além disso, eu sempre me senti desconfortável pagando plano. Saúde tem que ser gratuita e acabou. É meu direito, direito de todos, ter um SUS de qualidade).
Na universidade, com a PEC 55, existe o risco real de vários campi fecharem as portas, por simplesmente não conseguirem se manter. Letras é o maior curso da UFC, mas sabemos que o governo golpista não tem o menor apreço por licenciaturas.
De cara, ficará difícil, pra não dizer impossível, que eu consiga a tão esperada progressão funcional, quando, a partir de março de 2018, eu iria de professora adjunta para associada. Não haverá dinheiro para progressão dos servidores. Teremos nossos salários congelados por vinte anos e, como não aceitaremos isso calados (espero), faremos greves e mais greves (quem viveu os anos FHC nunca se esquecerá).
Além de sermos punidos com congelamento de salários, tampouco poderemos contratar novos servidores (é o fim dos concursos públicos). Quando um professor se aposentar ou morrer, não poderemos fazer uma seleção para substituí-lo. Vamos ter que nos desdobrar e cobrir as horas dele, até que não sobre ninguém.
Verbas para pesquisa e congressos? Bolsas para pós-doutorado? Esqueça. A desculpa será sempre "Não há dinheiro", que será repetida à exaustão, até que a gente pare de pedir. Se não acabarem com a Capes e o CNPq antes.
E isso que estou falando só de mim, de como a PEC afetará a minha vida num futuro próximo. E eu estou numa posição privilegiada. Ganho bem, tenho estabilidade no emprego, e pretendo parar de trabalhar bem antes da PEC deixar de existir. Mas e os jovens? E meus valentes alunos da periferia, que sonhavam com a oportunidade de serem os primeiros de suas famílias a se formarem numa universidade pública? Que sonhavam com um futuro mais digno? Qual o futuro de toda uma geração? Como estará nosso país daqui a vinte anos?
E os políticos reaças, a mídia, nos fazem de palhaço. Nas eleições de 2018, você vai ver, todos os candidatos se posicionarão contra a PEC 55. Duvido até que alguém venha com o discurso de "remédio amargo, mas necessário". Mentirão na cara dura, dirão que sempre foram contra corte de investimentos em educação e saúde. E, mais uma vez, vai caber à gente lembrar. A gente, que lembra do AI-5. Que tem memória. Que ainda insiste em sonhar e lutar.
O Senado aprovou nesta terça-feira (29), em primeiro turno, por 61 votos a favor e 14 contrários, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que prevê o congelamento dos investimentos públicos federais por 20 anos. Na Esplanada dos Ministérios, o protesto realizado por movimentos sociais contra a proposta do governo Michel Temer foi duramente reprimido pela Tropa de Choque da Polícia Militar do Distrito Federal. A sessão plenária que antecedeu a votação não teve espectadores. O Parlamento fechou as portas para a sociedade.
A proposta, que institui o Novo Regime Fiscal, foi apresentada em junho pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e se for aprovada ainda este ano como pretende o governo, terá tramitado em tempo recorde no Congresso, segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).
Os senadores da oposição utilizaram seu tempo de encaminhamento da votação para protestar contra a proibição de que manifestantes pudessem acompanhar os trabalhos no plenário.
“Parece-me que têm medo do povo. Vamos para o referendo, porque ninguém foi eleito com esse programa. Dilma não foi eleita com esse programa, muito menos Temer. Então, vamos para o referendo. Faça-se uma pesquisa isenta e vamos ver quem está a favor. Esse debate deveria se estender mais, devia não ter essa pressa toda”, disse a senadora Regina Sousa (PT-PI).
Para a senadora Vanessa Grazziotin(PCdoB), “aprovar uma medida como essa, que mantém intactos os gastos financeiros, ou seja, pagamento de juros e serviços da dívida pública, que consome a metade do Orçamento e cortando somente recursos para a aplicação em infraestrutura e programas sociais, é dessa forma que eles pensam que estão defendendo a população brasileira? Não!”
Adilson Araújo, presidente da CTB, afimou que “é lamentável que esse Congresso, mais venal da história do país, esteja a legislar contra a democracia, contra o Estado Democrático de Direito, e queira pôr fim a direitos sagrados da nossa tão sofrida classe trabalhadora. Eles pretendem congelar investimentos, querem promover um profundo retrocesso e assim desconstruir a nação”.
O presidente da CUT, Vagner Freitas, disse que este é um triste dia para o Brasil. “Sou testemunha da violência contra a manifestação, em sua maioria estudantes. O impeachment, a renúncia, a saída do Temer é necessária. Estamos vivendo um estado de exceção”, afirmou Freitas.
Violência e infiltração
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) comentou no Facebook que com “extrema violência, gás e bombas, a Polícia Militar do DF massacrou estudantes que realizavam manifestação, em frente ao Congresso Nacional, contra a PEC 55. Militantes de extrema-direita estavam infiltrados na manifestação provocando quebra-quebra para causar tumulto e ação da polícia contra os estudantes”.
O vídeo abaixo mostra o policial afirmando ao deputado Pepe Vargas (PT-RS) que tinha ordem do “comandante” para avançar:
O deputado relatou que uma mulher que protestava foi agredida. Já no chão, teve a cabeça chutada por um policial, provocando indignação dos manifestantes. Pimenta disse que parlamentares do PT chegaram ao local para negociar o fim do massacre, mas que as autoridades policiais “não aceitaram qualquer acordo, e continuaram avançando sobre a população”. “Os deputados e deputadas por diversas vezes tentaram fazer um cordão em frente aos policiais, em uma tentativa de proteger os manifestantes.”
Pimenta afirmou que tentou intervir de maneira reiterada, pedindo à Polícia o fim dos ataques, do gás e do lançamento de bombas, para que os parlamentares pudessem conversar com os estudantes. Mas, como afirmou um policial, a ordem era “atacar”. “Acredita-se que a ordem de ataque possa ter vindo do Palácio do Planalto, por meio do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, já que a operação que ocorreu nesta tarde em Brasília conteve muita violência, semelhante às ações da Polícia Militar de São Paulo, quando Moraes era secretário de Segurança de Geraldo Alckmin.”
A União Nacional dos Estudantes (UNE), uma das entidades organizadoras da manifestação, emitiu nota sobre a repressão policial. Diz a nota da entidade estudantil:
UNE repudia violência policial em Brasília
A União Nacional dos Estudantes afirma que a manifestação organizada pelos movimentos estudantis e sociais neste dia 29 de novembro em Brasília foi um ato pacifico, democrático e livre contra a PEC 55. Não incentivamos qualquer tipo de depredação do patrimônio público. O que nos assusta e nos deixa perplexos é a Polícia Militar do governador Rolemberg jogar bombas de efeito moral, gás de pimenta, cavalaria e balas de borracha contra a estudantes, alguns menores de idade, que protestam pacificamente. Esse é o reflexo de um governo autoritário, ilegítimo e que não tem um mínimo de senso de diálogo.
Patrocinada pela mídia falsamente moralista, a escandalização da política segue nas alturas – o que ajuda a explicar o recorde de votos nulos e brancos nas eleições de outubro e também a vitória de tantos prefeitos e vereadores picaretas. O caso do momento é o da chamada “farra das passagens”, em que a reputação de inúmeros deputados federais é jogada na lata de lixo de forma sumária. O Ministério Público Federal apurou que 433 parlamentares repassaram os seus bilhetes aéreos para terceiros, o que é uma prática prevista no Legislativo. De imediato, a imprensa transformou a denúncia em um novo escândalo midiático, ajudando a satanizar ainda mais a política.
Também participaram da chamada “farra das passagens aéreas” vários deputados que hoje ocupam postos de destaque no covil golpista. É o caso do “ético” Moreira Franco, homem de confiança de Michel Temer responsável pelo programa de “parcerias” com o setor privado. Ele hoje é o queridinho dos empresários que orquestraram e financiaram o “golpe dos corruptos” e, por isto, também foi blindado pela mídia. O único até agora que não foi poupado no novo escândalo patrocinado pela imprensa é o ex-deputado Ciro Gomes, um ácido crítico do Judas Michel Temer que desponta como potencial candidato da oposição em 2018.
De imediato, Ciro Gomes reagiu ao estilo. Disse que a acusação “é uma mentira, cabalmente esclarecida”. Lembrou que a própria companhia aérea citada na denúncia, a TAM, afirmou em 2009 que errou na cobrança das passagens aéreas dele e de sua mãe, Maria José Gomes, para um voo de São Paulo para Nova York. A empresa alegou ter inadvertidamente cobrado as passagens da mãe da cota do deputado. Mesmo assim, o seu nome foi o que ganhou maior destaque na imprensa. O “decorativo” Michel Temer foi poupado. Os seus ministros, também.
De fato, a mídia chapa-branca não dá ponto sem nó! Por razões políticas e mercenárias, ela segue com a sua acintosa partidarização.
Esse lentíssimo senhor juiz, Gilmar Mendes, aquele que é a cara do deputado d'A Praça é Nossa, tomou uma surra hoje no STF, 8x3.
E está proibido, para desespero da plutocracia e dos paus-mandados
do Congresso, o investimento empresarial em campanhas políticas.
Há uma ano e meio, percebendo que seria derrotado na ação impetrada
pela OAB que julga inconstitucional o financiamento empresarial para
partido e políticos, Gilmar pediu vistas.
Mau perdedor, sentou em cima do processo e nele peidou por ano e
meio; fez como aqueles molecotes que, contrariados durante uma pelada,
colocam a bola da pelada debaixo do braço e vão embora.
Demorou uma eternidade para devolver o processo e demorou uma
eternidade para ler o seu voto, que a rigor todos já sabiam qual era,
mas aproveitou para destilar sua indelicadeza, sua insolente
beligerância e seu destempero.
No seu voto não faltaram slogans e achincalhes ao PT, parecia que era candidato a eleição em algum grêmio livre de escola.
Acusou a OAB de apresentar a ação sob orientação do PT, num delírio desprovido de qualquer sustentação factual.
Indicação de Fernando Henrique Cardoso, Mendes se prestou a papéis
patéticos na corte, bateu boca com colegas, acusou Lewandowski de
chicaneiro e tomou umas chineladas de Joaquim Barbosa, que engrossou com
ele: "Vossa Excelência me respeita. Vossa Excelência não está falando
com um dos seus capangas do Mato Grosso".
Midiático, acostumou-se a dar palpites e pitacos fora dos autos,
sempre em ataque furioso, quase patológico, contra o PT, jogando para a
grande mídia, que sempre lhe esticava os microfones.
Lembremos mais uma vez Barbosa quando lhe apontou o dedo: "Vossa Excelência está na mídia destruindo a imagem do judiciário".
Gilmar é chegado a processar jornalistas. como todo histérico de
direita, ele não aceita opiniões divergentes da sua, não tolera o
contraditório e parte para a ameaça e a intimidação dos tribunais.
Acima de todos, imperial, jactancioso e aécico, já chegou a dizer que não votava pensando no Zé Mané da esquina.
Ontem, ao ouvir o ministro acusar cretinamente a OAB, um advogado
da Ordem pediu para se defender; Gilmar, contrariado, contrariou as
regras da magistratura, julgou-se acima dos demais colegas, inventando
pra si uma hierarquia fantasiosa e delirante, levantou-se e deu as
costas ao advogado, não se antes desdenhar deste.
A OAB soltou nota de repúdio e hoje Gilmar conta com a antipatia de todos os advogados do país.
Algum jornalista há de lhe emprestar um lenço.
Perdeu, Gilmar. agora é abraçar Aécio e chorar.
Palavra da salvação.
*Lelê Teles
Jornalista e publicitário. Roteirista do programa Estação Periferia (TV
Brasil), apresentador do programa Coisa de Negro (Aperipê FM) e editor
do blog FALA QUE EU DISCUTO
Nós, brasileiros, somos capazes de sonegar meio trilhão de reais de Imposto de Renda só no ano passado.
Como somos capazes de vender e comprar DVDs piratas, cuspir no chão, desrespeitar o sinal vermelho, andar pelo acostamento e, ainda por cima, votar no Collor, no Maluf, no Newtão Cardoso, na Roseana, no Marconi Perillo ou no Palocci.
O panelaço nas varandas gourmet de ontem não foi contra a corrupção.
Foi contra o incômodo que a elite branca sente ao disputar espaço com esta gente diferenciada que anda frequentando aeroportos, congestionando o trânsito e disputando vaga na universidade.
Elite branca que não se assume como tal, embora seja elite e branca.
Como eu sou.
Elite branca, termo criado pelo conservador Cláudio Lembo, que dela faz parte, não nega, mas enxerga.
Como Luís Carlos Bresser Pereira, fundador do PSDB e ex-ministro de FHC, que disse.
“Um fenômeno novo na realidade brasileira é o ódio político, o espírito golpista dos ricos contra os pobres.
O pacto nacional popular articulado pelo PT desmoronou no governo Dilma e a burguesia voltou a se unificar.
Surgiu um fenômeno nunca visto antes no Brasil, um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, a um partido e a um presidente.
Não é preocupação ou medo. É ódio.
Decorre do fato de se ter, pela primeira vez, um governo de centro-esquerda que se conservou de esquerda, que fez compromissos, mas não se entregou.
Continuou defendendo os pobres contra os ricos.
O governo revelou uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres.
Nos dois últimos anos da Dilma, a luta de classes voltou com força.
Não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia insatisfeita.
Quando os liberais e os ricos perderam a eleição não aceitaram isso e, antidemocraticamente, continuaram de armas em punho.
E de repente, voltávamos ao udenismo e ao golpismo.”
Nada diferente do que pensa o empresário também tucano Ricardo Semler, que ri quando lhe dizem que os escândalos do mensalão e da Petrobras demonstram que jamais se roubou tanto no país.
“Santa hipocrisia”, disse ele. “Já se roubou muito mais, apenas não era publicado, não ia parar nas redes sociais”.
Sejamos francos: tão legítimo como protestar contra o governo é a falta de senso do ridículo de quem bate panelas de barriga cheia, mesmo sob o risco de riscar as de teflon, como bem observou o jornalista Leonardo Sakamoto.
Ou a falta de educação, ao chamar uma mulher de “vaca” em quaisquer dias do ano ou no Dia Internacional da Mulher, repetindo a cafajestagem do jogo de abertura da Copa do Mundo.
Aliás, como bem lembrou o artista plástico Fábio Tremonte: “Nem todo mundo que mora em bairro rico participou do panelaço. Muitos não sabiam onde ficava a cozinha”.
Já na zona leste, em São Paulo, não houve panelaço, nem se ouviu o pronunciamento da presidenta, porque faltava luz na região, como tem faltado água, graças aos bom serviços da Eletropaulo e da Sabesp.
Dilma Rousseff, gostemos ou não, foi democraticamente eleita em outubro passado.
Que as vozes de Bresser Pereira e Semler prevaleçam sobre as dos Bolsonaros é o mínimo que se pode esperar de quem queira, verdadeiramente, um país mais justo e fraterno.
Você aguenta mais um post sobre política partidária? Ainda estou no clima.
O choro dos maus perdedores continua forte. Semana passada o PSDB entrou com pedido de recontagem dos votos, baseando-se em boatos da internet (sabe, os mesmos que juraram que Dilma havia derrubado o avião de Eduardo Campos no dia 13 de agosto).
Amanhã, Aécio volta ao senado, "evento" que vem sendo saudado pelos reaças como discurso do grande líder da oposição no Brasil (pelo jeito, o fato do senador Aécio comparecer ao Senado -- ele foi um dos mais faltosos -- é por si só um grande evento).
No sábado, eleitores inconformados de Aécio foram às ruas pedir um terceiro turno. A maior manifestação, como não poderia deixar de ser, foi na Av. Paulista, em SP. Reuniu cerca de 2.5 mil pessoas, segundo a PM, e 40 mil, segundo os organizadores, que não existem, já que o "movimento" insiste em se dizer "apartidário" e "espontâneo". Não sei se o PSDB já entrou com pedido de recontagem de quantas pessoas estavam na manifestação.
Alguns gritos de ordem na protesto foram "Um dois três, Lula no xadrez", "Vai pra Cuba! Vai pra Cuba!", e "Fora PT". Os cartazes falavam em fraudes nas urnas, exigiam o impeachment de Dilma, chamavam o PT de corruPTo, clamavam por liberdade (porque parece que realmente estamos vivendo numa ditadura comunista/gayzista/feminazi em que a imprensa não tem nem mais o direito de apoiar seu candidato).
Em cima do carro de som, que também deve ter aparecido lá espontaneamente (tava passando, alguém chamou, e ele foi parar bem ali, em frente ao Masp), Lobão -- aquele que voltou atrás e não se mudou pra Miami -- discursava que o Brasil não é Venezuela, Argentina (outra ditadura, segundo a direita), ou, sempre ela, Cuba.
Alguns cartazes pediam também "intervenção militar", tucanês pro velho golpe de estado. Os jornais que cobriram as manifestações repararam nesse "detalhe", que, óbvio, está longe de ser um detalhe.
É só acompanhar alguns reaças nas redes sociais que palavras-chave como intervenção sempre aparecem, disputando lugar de igual pra igual com impeachment e Bolsa Esmola (como eles odeiam os beneficiários do Bolsa Família!).
Porém, o PSDB, ao ver esses cartazes golpistas, que desprezam a democracia, que têm nostalgia por um período da nossa história que nunca deveria voltar, fez o de sempre: culpou os outros. O senador Álvaro Dias afirmou que as faixas pedindo golpe militar haviam sido "plantadas" pelo governo pra tumultuar.
Petistas infiltrados seguram faixa
Eram petistas infiltrados, assim como o eram todos aqueles reaças no Twitter que xingaram nordestinos desde o primeiro turno. Em vez do PSDB dar uma dura em seus eleitores, inventou que aqueles perfis eram de militantes petistas fingindo ser tucanos preconceituosos.
O Secretariado Nacional da Mulher do PSDB lançou uma nota oficial repudiando não exatamente o pedido de intervenção militar, mas que a imprensa tenha destacado um único cartaz, "caso isolado", para resumir o movimento (ironicamente, a nota nunca explica que movimento é esse: movimento pelo quê? Contra quem? De quem?). Ahn, quantos cartazes o PSDB precisa ver para se convencer de que não se trata de um caso isolado?
O caso isolado da manifestação em Balneário Camboriú
Rodrigo Constrangido (colunista da Veja, apelidado de "Constrangido" após pedir perdão -- sério! -- ao Beto Carrero World, que ele comparou com a Disney, ironizando o parque brasileiro; ele se desculpou ao ser comunicado que o prefeito de Penha, cidade que hospeda o parque, é do PSDB) se posicionou contra os pedidos de "SOS Forças Armadas".
Pedido de SOS também a Casa Branca
Porém, emendou que, se o impeachment de Dilma não for aprovado, ele será o primeiro a pedir intervenção militar. Por enquanto, segundo ele, é muito cedo. Só por enquanto.
Fora isso, eleitores indignados continuaram dando exemplos de como respeitam a democracia:
Porteiros não votaram no meu candidato, vou me vingar
A empregada pagou o pato
Comentário hoje num blog de direita
Eu ia escrever sobre os presidenciáveis para 2018, mas este post já está longo e eu preciso correr pra faculdade. Você vai precisar aturar mais um post sobre política partidária.