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sábado, 8 de maio de 2021

Pra onde escoam os vídeos mais toscos excluídos do YouTube?

(Foto: Reprodução)

Por Cristina 
Tardáguila*

Rumble e Bitchute. É para essas duas plataformas - ambas em franca expansão em todo o mundo - que vídeos excluídos pelo YouTube no Brasil estão escoando. 

Nesses dois espaços, o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) ainda exalta a ditadura militar e ameaça ministros do Supremo Tribunal Federal, colhendo elogios e hashtags. Nessas duas plataformas, é fácil achar versões completas e legendadas em português dos documentários Plandemic I e II, famosos por desinformar sobre a pandemia. E também é nessas duas redes que o brasileiro consegue rever o presidente atual do Brasil, engolindo um suposto comprimido de cloroquina, e o jornalista Alexandre Garcia defendendo o uso desse medicamento anti-malária como "tratamento precoce" para Covid-19.

O problema, no entanto, não para por aí. 

Levantamento feito nesta semana pelo Monitor de WhatsApp da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostra que links que remetem ao Rumble e ao Bitchute já circulam - em português - pelo WhatsApp. O aplicativo de mensagens do Facebook é considerado por quase 80% dos brasileiros a principal fonte de informação diária. 

Entre março de 2020 e março de 2021, pelo menos 529 links originários dessas duas novas plataformas apareceram nos 516 grupos abertos monitorados de forma constante pela equipe da UFMG. 

E o tom das conversas que empacotam essas URLs indica que o número pode crescer exponencialmente em breve. De acordo com o estudo do Monitsão convites explícitos à migração de plataformas, baseando-se no entendimento (muito questionável) de que o YouTube pratica censura de forma autoritária e sem supervisão. 

"Vimos mensagens com frases como 'Se você ainda está no FoiceBook e no Twitter e vive reclamando da censura e da tirania desses monstros da tecnologia, você é parte do problema. Comece a mudar agora para os navegadores alternativos, plataformas de vídeo, mídias sociais alternativos e ferramentas de buscas'. Seguido de um link para o Rumble e do Bitchute", conta o professor Fabrício Benevenuto, responsável pelo estudo. 

Outro levantamento, feito pelo Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação da Universidade de São Paulo (G-Popai/USP), mostra a presença do Rumble e do Bitchute no próprio Youtube. Análise dos 500 maiores canais de política da plataforma no Brasil indica uma alta no número de comentários que incluem links para Rumble e Bitchute. Em fevereiro, foram 23 registros. Em março, 30. Em abril, o total dobrou, chegando a 60. 

De bichos à fraude eleitoral O Rumbler nasceu em Toronto, no Canadá. Foi criado pelo empresário Chris Pavlovski e pulou de 1,6 milhão de usuários em novembro do ano passado para 31 milhões de usuários ao fim do primeiro trimestre de 2021. O português é a segunda língua mais falada na plataforma, com cerca de 14% dos usuários. 

Uma análise de conteúdo mostra que, entre 1º e 30 de abril de 2020, o Rumble era um espaço em que vídeos de leões, papagaios e bichos de estimação faziam sucesso. Eram cerca de 120 novos links a cada 30 dias com pouco menos de 780 engajamentos nas redes sociais. 

Um ano depois, levantando de forma agressiva a bandeira da não-moderação de conteúdos na internet, o Rumble registrou 27,4 mil novos links só em abril de 2021 - e eles tiveram mais de 3,9 milhões de engajamentos nas outras redes. 

Os vídeos de animais (mesmo que exóticos) foram substituídos por temas como "deep state", "censura", "mídia tradicional" e "big techs". O vídeo mais visto do mês passado jogava dúvidas sobre a lisura da eleição americana, ocorrida em novembro de 2020. 

O feed do Rumble é cronológico, semelhante ao do Twitter. Pretende dispensar algoritmos e lutar por espaço nos buscadores do mundo. Em janeiro, a plataforma entrou com uma ação contra o Google alegando que o buscador manipula buscas de forma a priorizar os vídeos do YouTube e a esconder o Rumble. A nova plataforma pede um ressarcimento de US$ 2 bilhões. 

"Estamos criando um ecossistema justo para todos, independente de a pessoa ser de esquerda ou de direita", disse Pavlovski numa entrevista recente à Fox Business. 

Banido do PayPal O Bitchute é mais jovem e mais radical. Foi criado em 2017, na Inglaterra, pelo empresário Ray Vahey e permite que seus usuários recebam "gorjetas" das pessoas que visitam seus canais. 

Entre 1º e 30 de abril de 2020, o Bitchute era um espaço para falar da "mídia tradicional", criticar "Bill Gates" e atacar a "Organização Mundial da Saúde (OMS)". O vídeo mais visto naquele mês misturava leituras bíblicas com criptomoedas, numa salada quase inimaginável que alardeava o fim do mundo. 

]Um ano depois, entre 1º e 30 de abril de 2021, a postagem mais vista incitava as pessoas a abandonarem as máscaras, dizendo que elas estavam sendo enganadas pelos "inimigos da América". 

Em sua curta história, o Bitchute já coleciona banimentos importantes. Por incitar ódio, amplificar teorias da conspiração e oxigenar conteúdos desinformativos, já foi expulso de plataformas de pagamento, como PayPal, e de sistemas de crowdfunding, como IndieGogo. 

Na tarde de ontem (5), um vídeo de mais de oito minutos defendia que o comediante Paulo Gustavo, morto de Covid-19, era "a mais nova Marielle Franco" (numa referência crítica à vereadora do PSOL morta a tiros no Rio de Janeiro). Respingava ódio contra o artista vítima da pandemia e reproduzia dados falsos sobre a cloroquina. 

Apesar de tudo isso, talvez você considere que ainda é cedo para começar a vigiar esses dos espaços. Então aqui vão mais alguns dados. O Alexa Rank, sistema que calcula a popularidade de um site levando em consideração a média diária de visitantes e o total de pageviews que ele registrou nos últimos três meses, mostra que o Rumble e o Bitchute já são mais populares que o Gab e o Parler. 

No início deste mês de maio, o Rumble ocupava a posição 1.067 no ranking mundial do Alexa. O Bitchute, a 1.547. O Gab aparecia em 1.994 e o Parler, num longínquo 3.533. 

É bom, portanto, prestar atenção. 


*Cristina Tardáguila
é fundadora da Agência Lupa e colunista da Fundação Gabo (Colômbia) e Univision (EUA).




quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Globo ataca a China por condenar mulher que violou regras de saúde e omite condenação de ativista dos DH na Arábia Saudita

(Foto: Contexto Livre)

Que Globo é essa que tenta enfrentar o "gabinete do ódio" bolsonarista por espalhar fake news?

Uma Globo que vive acuada e escrachada pelo bolsonarismo, não deveria usar as próprias armas que seu algoz usa para contra ataca-la.

Dia 28 na edição do seu Jornal Nacional, a Globo atacou a China por ter condenado a advogada Zhang Zhan, acusando-o de ser um governo autoritário(veja aqui a matéria completa).

A verdade é que a advogada presa, desde o começo da pandemia, apelidada pelos Estados Unidos e União Europeia de uma espécie de "jornalista-cidadã", mas na verdade para nós aqui no Brasil é uma espécie de bolsolóide radical ou para exemplificar melhor para nós maranhenses, um Welington do Curso feminino oriental(veja aqui a matéria completa)

Acontece que no mesmo dia, com diferença de horas e mais cedo, a ativista de direitos humanos saudita, Loujain al Hathloul foi condenada a cinco anos e oito meses de prisão que há tempos, organizava campanhas pelo direito das mulheres sauditas de dirigirem e pelo fim da tutela que as mulheres à mercê total dos homens (veja aqui a matéria completa).

No final de 2014, ela foi detida por tentar entrar na Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, dirigindo um carro. Foi solta 73 dias depois, após uma campanha internacional.

E a Emissora brasileira se quer divulga essa notícia, prefere fazer coro aos bolsonaristas que diariamente combate com fake e desconsiderações o governo chinês e a própria Globo.

Que Globo é essa?

Fontes: G1, Brasil de Fato e Carta Capital

quinta-feira, 28 de maio de 2020

A mansão do blogueiro Allan

Crédito: Divulgação
LAGO SUL Allan dos Santos alugou uma mansão no elegante Lago Sul de Brasília
(Crédito: Divulgação)


O blogueiro Allan dos Santos, o “Allan Terça Livre”, está na berlinda. Apoiador intransigente de Bolsonaro, é cotado para a chefia da Secretaria de Comunicações da Presidência (Secom), caso Fábio Wajngarten caia mesmo, em razão do seu inegável conflito de interesses no cargo. Apadrinhado por Carlos Bolsonaro, o Carluxo, Allan está lucrando alto por esse apoio. Na edição da semana passada, ISTOÉ mostrou que o blogueiro recebe R$ 100 mil da Secom para defender o presidente. Ele negou, mas esta coluna apurou que Allan está se dando muito bem. Acaba de alugar uma mansão no Lago Sul de Brasília, na chiquérrima SHIS, Qi 19, usada também em algumas transmissões de seu blog. Corretores de imóveis dizem que o aluguel de uma casa nessa rua custa de R$ 10 mil a R$ 30 mil.
Garagem
Antes de Bolsonaro assumir, e de Wajngarten lhe destinar verbas da Secom, Allan trabalhava em um estúdio na garagem de uma casa em Porto Alegre. Quem descobriu o seu novo paradeiro em Brasília foi Gustavo Bebianno, ex-ministro da Secretaria-Geral, que anexou o endereço ao processo que move contra o blogueiro.
Eduardo Bolsonaro que paga

Em entrevista ao portal ‘Catraca Livre’, Lobão garantiu que a mansão onde vive Allan dos Santos é bancada por Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do presidente.

“A minha fonte lá de Brasília me mandou um whatsapp: você sabe quem está morando aqui? O Allan dos Santos. Morando numa mansão no lago Sul, que o Eduardo Bolsonaro está bancando”, afirmou Lobão, ressaltando que o objetivo do clã Bolsonaro era colocar o blogueiro como presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Veja essa matéria completa no Brasil 247 aqui
FONTE: IstoÉ e Brasil 247