quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Rompendo barreiras: 1º aluno com Down na universidade UFG rompe preconceitos

Kallil comemorou a aprovação ao lado da irmã, 
Kamilla Assis Tavares
Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação
Ser aprovado em uma faculdade pública é um sonho de muitos jovens que se tornou realidade para Kallil Assis Tavares, 21 anos, que na próxima segunda-feira começa a estudar geografia no campus de Jataí da Universidade de Goiás (UFG). Para a instituição, a conquista de Kallil é ainda mais importante e precisa ser reverenciada, já que ele é o primeiro aluno com Síndrome de Down a ingressar na universidade. "Isso demonstra que nós estamos conseguindo superar o preconceito, que infelizmente ainda existe em nossa sociedade", afirma a coordenadora do Núcleo de Acessibilidade da UFG, professora Dulce Barros de Almeida.
Kallil não teve correção diferenciada, concorreu de igual para igual com todos os outros candidatos. "Apenas pedimos para que a universidade disponibilizasse um monitor para ler a prova e que as letras dos textos fossem maiores porque ele tem baixa visão", disse a mãe do jovem, Eunice Tavares Silveira Lima. Segundo ela, Kallil sempre foi estudioso e desde criança gostava de mapas.
"No segundo ano do ensino médio ele decidiu que iria fazer vestibular para geografia. Nós apoiamos a escolha, mas ficamos surpresos com a aprovação, era uma prova muito difícil", afirmou Eunice. Ela ainda disse que o filho estudou apenas dois anos em uma escola especial. Com 5 anos de idade ele foi para um colégio privado de ensino regular. "O colégio não tinha nenhum aluno com Down, mas quando há vontade de se trabalhar a inclusão, se dá um jeito. Foi disponibilizado um monitor e os professores sempre apoiaram meu filho", conta. 
Ela acredita que o fato de Kallil ter estudado em uma escola regular vai contribuir com a adaptação na universidade. "Não sou contra as escolas especiais, mas elas devem servir como um apoio, um lugar para onde os alunos vão no contraturno", explica. A mãe ainda disse que não cria expectativas sobre como será o desempenho dele daqui em diante. "Não estamos programando nada especial para o Kallil quando começar as aulas. De acordo com as necessidades que ele apresentar, nós como família e a universidade teremos de nos adaptar", disse ao destacar que o filho pode precisar do auxílio de um monitor durante as atividades em aula.
A coordenadora do Núcleo de Acessibilidade da UFG concorda sobre a importância de alunos com necessidades especiais frequentarem escolas regulares e diz que a universidade tem a obrigação de atender todas as exigências desses estudantes para que eles cumpram com o direito de fazer um curso superior. "Nós temos um aluno cego no curso de Ciência da Computação que recebe acompanhamento de um monitor. Se essa for a necessidade de Kallil, com certeza estaremos prontos para disponibilizar isso".
O núcleo para atender alunos com necessidades especiais na UFG foi criado em 2010. De lá para cá, a instituição ganhou 15 estudantes surdos, que fazem o curso de Letras, além do jovem cego. A professora Dulce espera que o caso de Kallil sirva de exemplo para que nas próximas seleções mais estudantes com necessidades semelhantes sintam-se motivados em fazer um curso superior. "Isso incentiva as famílias a acreditar no potencial que essas pessoas têm. E cabe a nós, como educadores, mostrar que o preconceito não pode existir mais", completa.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Não podemos esconder o bosque atrás das árvores

Por Roberto César Cunha*
Certamente o PCdoB sairá mais forte para trilhar seu rumo e azimute ao socialismo. A luta de classes está estreitamente ligada à luta de ideias. Acredito que estamos em uma retração ideológica e perdendo a luta nas ideias para direita conversadora, por isso é mister o debate, a formação teórica de todos os militantes do PCdoB. Como dizia o grande mouro alemão “as ideias dominantes são as ideias das classes dominantes”. Boa discussão a todos.

Fazer um balanço de 10 anos dos governos progressistas - depois de três décadas de paralisia econômica progênie de um entreguista e deletério plano de nação neoliberal, principalmente de Collor e FHC, seguindo ipsis literis o consenso de Washington - não é tarefa simplista. Pois qualquer tipo de avaliação carece de leitura do processo histórico de nossa formação social para não cairmos em ideologismos abstratos e fora da base histórica que vivemos, por isso “não é fácil e pacífica a caracterização do processo do desenvolvimento econômico. Trata-se, como em todo fato histórico, de processo extremamente complexo, ao longo do qual tudo muda na vida social: a distribuição da população, as condições de trabalho e a produção, a distribuição da riqueza social e seu modo de apropriação, a quantidade e a qualidade do capital necessário ao processo produtivo, a técnica da produção. Paralelamente, muda também a cultura, isto é, a ideia que o homem faz de si mesmo e do mundo em que vive.” Ignácio Rangel. Não podemos esconder o bosque atrás das árvores Temos que pôr a descoberto todo o mecanismo, sem apresentá-los sob inocentes roupagens. 

O Brasil afasta-se do infortúnio neoliberal e recomeça o seu meândrico caminho. Sem paralelo na história chegam ao poder central do país forças populares, capitaneada por Lula e Dilma. Vários programas assistencialistas e de inclusão social são criados e ampliados entre eles: bolsa família, Prouni, Pronaf. Uma inegável criação de emprego em massa (cerca de 21 milhões). Em dez anos o Brasil teve avanços principalmente na área social onde cerca de 30 milhões de pessoas foram transplantadas da miséria extrema. O Brasil ganhou conotações importantes no cenário internacional, principalmente, após ser escolhido como sede dos dois maiores eventos esportivos do mundo (Copa 2014 e Olimpíadas 2016). Isso tudo dentro do contexto especial que vive a América Latina. 

Um aumento abissal nas suas exportações de commodities e produtos industrializados. O país é uma potencia mundial no setor da agroindústria e não podemos cair no reducionismo, como setores da esquerda, que são apenas commodities. Só relembrando que foi a agroindústria que minimizou a crise dos anos 1980 e que são, eminentemente, responsáveis pelos nossos saldos comerciais atuais. E ainda, às duras penas, há conteúdo tecnológico na agroindústria, via a Embrapa. No Brasil esse setor vive a reprodução ampliada de capital. Tudo isso tem uma única forma: capital financeiro. Isso está disponível desde 1885 no segundo livro do O Capital. A Lógica é D-M-D' e/ou D"- da finaceirização com Hedge, CPR, leilões, e outras engenharias financeiras. 

Entrementes, após décadas de remédios pestífero do prognóstico neoliberal e 10 anos de governos progressistas, a maior legado ficou enraizada no centro do poder político e econômico: O pacto de poder do plano real com o capital financeiro internacional sendo o sócio maior. Isso nos aprisiona. E nesse esquema as transferências unilaterais são altas para exterior, a balança de pagamentos é demasiada desfavorável para o país ser uma potência econômica. Grandes oligopólios e oligopsônios nas mãos de estrangeiros (principalmente de alimentos), isso é altamente perigoso. Como sabemos, os exportadores internacionais no Chile provocaram crise de desabastecimento de alimentos para desestabilizar e desmoralizar o governo de Salvador Allende, e recentemente o golpe contra Fernando Lugo no Paraguai. 

Outro erro, por exemplo, é etiquetar e classificar o Brasil abstratamente como tônica sonora de desenvolvimento transplantado ao consumismo europeu, seguindo ipsis literis a fiabilidade dos grandes centros ocidentais o processo de intemperismo da economia e do desenvolvimento econômico. Isso demonstra uma herança cepalina por genuflexão pelo subdesenvolvimento.

As únicas atitudes são insuficientes: as gangorras de corte e subida de juros é extremadamente irrisórios e aumento e isenção de impostos em alguns produtos importados e linha branca; nenhuma severidade em ações de dumping e anti-dumping; e claro, a“jihad”contra a inflação.

É mister no Brasil: portos; estradas; ferrovias; aeroportos; sistemas de fibra óptica; hidroelétricas; oleodutos; aquedutos; indústrias; fábricas; linhas de metrô; túneis; viadutos e toda e qualquer infraestruturas nas cidades. Se investir nisso cresce o emprego nas indústrias de bens de capital e consequentemente nas de bens de consumo, resultando no maior poder de compra da classe dos trabalhadores como um todo. A economia gira, os investimentos privados anulam os investimentos públicos e assim o crescimento é natural e não artificial.

Essa bastilha só ruirá com um novo pacto de poder com os setores progressistas do empresariado nacional com os trabalhadores e movimentos sociais organizados interessados no desenvolvimento do país.

O Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento só tem sentido se liquidarmos o desenvolvimento desigual e combinado que assola interna e externamente nossa formação social. A nossa luta de classes hoje no país é sem dúvida: se libertar da dependência de tecnologia, como D’ ou D”, do imperialismo; desenvolver um gordo capital financeiro nacional; equilibrar a balança de pagamentos; estatizar o comércio exterior; concessões dos serviços de utilidade pública às empresas privadas nacionais.

Ignácio Rangel dizia: “o verdadeiro teste de progressismo, faz-se na adesão ou no repúdio às ideias de unidade, soberania e planejamento”.


* Geógrafo e Militante PCdoB em São Luis (MA)







Fonte: Portal Vermelho

Um recado para Robert Rios, Aluízio Mendes e Marco D’Eça

É lamentável que figuras responsáveis pela  vida e comunicação das pessoas no nosso país, principalmente no nordeste, possam ser tão estúpidas e fascistas.

No caso de hoje,  passando a vista na blogosfera me deparei novamente com uma  postagem absurda  de um dos representantes do PIG maranhense. Esse “jornalista”, se prestou em dizer que apóia as  declarações irresponsáveis de dois secretários de segurança pública, Aluízio Mendes e Robert Rios, ambos do Maranhão e do Piauí respectivamente, sobre o Estatuto da Criança e Adolescente, o ECA (reveja aqui e aqui).

A figura que declara apoio é nada mais, nada menos que o blogueiro filhotinho da oligarquia Sarney, o “jornalista" Marcos D’Éça (veja aqui).  

As declarações dessas duas figuras e o apoio de um blogueiro demonstram a incapacidade imensa de não conhecer ou reconhecer a trajetória de lutas conquistadas pelo povo brasileiro, são grandes idiotas.

Filhotinho de Sarney
Pois bem, aqui deixo um recado para os “ilustres secretários” e torno novamente chamar atenção do blogueiro filhotinho de Sarney:

A Constituição Federal promulgada e 1988 e a aprovação do ECA em 1990, diga-se de passagem com pressão popular, significou a conquista de direitos da população em geral junto ao Estado. Estas conquistas favoreceram aos cidadãos, a participação dos conselhos de direitos e dos movimentos sociais, enfim, tudo para beneficiar a população.

O ECA rompeu com a velha tradição de gabinete, e avançando sobre o senso comum, implementou diversas inovações, traçando um novo paradigma na construção das políticas públicas para infância e adolescência no Brasil.

Vocês tem que compreender o contexto que norteou a implementação do ECA, além da redemocratização, outro dado de fundamental importância, foi à consagração da “Doutrina da Proteção Integral” na Convenção das  Nações Unidas sobre os direitos da Criança, em 20 de novembro de 1989.

Aluízio Mendes, procurando justificar
sua má gestão
Acontece que vocês se esquecem, não sabem ou não querem saber que os artigos  227 da Constituição Federal que depois copiado posteriormente pelo estatuto da Criança e do Adolescente:, diz o seguinte:

Artigo 227: é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Portanto senhores Robert Rios, Aluízio Mendes e Marcos D’Éça, não é o ECA que deve ser rasgado ou que seja famigerado,  é a sociedade que vocês fazem parte, são os estados que vocês representam que tem a maior responsabilidade de garantir os direitos das crianças e adolescentse ou outro qualquer cidadão.

Robert Rios, vacilando como sempre
Vocês estão perdidos na visão curta do entendimento sociocultural, onde só podem enxergar a maioridade penal, como a solução do problema, os delinquentes mirins tem que irem para  cadeia, ou seja, basta diminuir a idade para poder punir e com isso estaremos livres da violência.

Pura idiotice!

Finalizando o recado, observando o seguinte, prestem atenção:

No dia 14 próximo este estatuto completa 23 anos que está em vigor constitucional, não podemos dizer que o estatuto é falho e sim que o estado e os municípios é que não vem implementando as políticas adequadas para resolver ou amenizar os problemas de inflações dos menores, inclusive o nosso estado seu Aluisio e seu D’Éça, o governo que vocês representam tem a nota ‘zero’ em segurança pública e no trato com as crianças e adolescentes. Quem são vocês para criticar o ECA, uma conquista popular. E se vocês não conhecem conquistas populares, verão nas eleições de 2014.

domingo, 8 de setembro de 2013

Fracassa em todo o país “o maior protesto da história”

Fracassou em todo o país "o maior protesto da história do Brasil", evento anunciado durante toda a semana nas redes sociais e amplificado por setores da grande imprensa, que divulgaram massivamente os atos de protestos marcados para 149 cidades.
Até as quatro da tarde deste sábado de 7 de setembro, hora em que começo a escrever, não houve nada que lembrasse as grandes manifestações das chamadas "Jornadas de Junho", que levaram milhões de brasileiros às ruas nas principais cidades brasileiras.
Ao contrário, não vimos nada de multidões protestando "contra tudo e contra todos", carregando faixas e cartazes com as mais diferentes reivindicações, mas apenas alguns bandos de arruaceiros, umas poucas centenas de integrantes dos grupos mascarados do Anonymous e dos Black Blocs, tentando invadir desfiles militares, queimando bandeiras e entrando em confronto com a polícia, principalmente no Rio e em Brasília.
A exceção ficou por conta do "Grito dos Excluídos", manifestações pacíficas de movimentos sociais ligados à igreja católica, que todos os anos saem às ruas depois dos desfiles militares para apresentar suas reivindicações, que são levadas até a Basílica de Aparecida, no interior de São Paulo.
A cobertura completa do 7 de setembro está no noticiário aqui do R7, contrariando as previsões apoteóticas das pitonisas da mídia que imaginavam transformar este 7 de setembro num grande movimento nacional contra o governo, pegando como gancho a reta final do julgamento do mensalão, como se pode ver nesta nota publicada na coluna "Painel", da Folha, na edição deste sábado.
"#ficaadica Monitoramento de redes sociais feito pela agência FSB para seus clientes estimou em 38,7 milhões de pessoas o público exposto a convocações para protestos em todo o país. Entre os principais motes captados pelo estudo estão a prisão imediata dos condenados no mensalão".
Não foi o que se viu nas ruas. Gostaria de saber de onde tiraram este número e o mote apontado como principal para levar o povo às manifestações, já que os protestos se resumiram a pequenos grupos de arruaceiros e vândalos, e não vi na cobertura das televisões nada que lembrasse o julgamento do mensalão.
Se as oposições e seus aliados do Instituto Millenium esperavam o 7 de Setembro para dar uma guinada no cenário político-eleitoral do país, amplamente favorável à presidente Dilma e ao governo federal, como foi registrado nas últimas pesquisas, é bom que procurem logo outro povo e outro mote para "o maior protesto da história". Desta vez, foi um fiasco retumbante.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Oligarquia começa a desabar


O velho Sarney vê a derrota próxima
Podemos observar que há um esforço suado do governo oligárquico de Roseana Sarney em tentar enganar mais uma vez o povo maranhense com o tal "governo itinerante", prometendo mundos e fundos para aliados e coagidos, inauguração de obras que na sua maioria proveniente de recursos e programas federais e gastando aos tubos em propaganda eleitoral antecipada.

Essa gastança, misturada com a fome de poder, parece que não vai adiantar nada.

Nas pesquisas de opinião, cresce a rejeição do "melhor governo da minha vida", já chega no patamar de 60%, enquanto o adversário nº 01 do clã oligárquico, o Presidente da Embratur Flavio Dino, há quase dois anos, lidera a preferência do eleitorado em elege-lo o próximo governador do Maranhão em 2014, chegando [olhe bem a situação] a 60%.


Os meios de comunicação da oligarquia, fazem de tudo para reverter o atual quadro ruim que paira no império. A rainha juntamente com seus asseclas viraram os anjos que com suas trombetas, anunciam nesse "governo itinerante" a "redenção" e a grande "descoberta da terra", o novo príncipe para governar o "paraíso", Luís Fernando o professor de uso e desvios dos fundos públicos da corte (reveja aqui no Blog do Arriba mar).

Esses mesmos "bobos da corte" tentam de forma venal e caluniosa, destruir [sem exito] a grande representação da plebe, numa demonstração de total subserviência ao reino oligárquico.

Pois bem, vamos deixar comparações com a Roma antiga e vamos terminar o artigo.

Acontece que hoje, o grupo Sarney de uma maneira gradual, perde um de seus esteios políticos, um membro cuja a trajetória desse poder, foi sempre porta-voz e autoridade das grandes atividades no ramo da segurança pública e fiel no parlamento, o deputado estadual Raimundo Cutrim. Porém, essa trajetória foi mudando de rumo em pouco tempo, o grupo como sempre, detona quem está atrapalhando seus asseclas da cozinha [Aluízio Mendes], ou seja, Cutrim foi a chicalhado e caluniado publicamente pelos "bobos" da comunicação e esfaqueado pelas costas por agentes do clã.


Dep. Raimundo Cutrim
O deputado Cutrim, sobreviveu a tudo isso e se manisfestou publicamente seu rompimento com a família oligarca e decidiu de forma firme ir para oposição, apoiar a candidatura de Flávio Dino para governador em 2014 e para fazer os saneyzistas enlouquecer, declarou preferência em se filiar ao PCdoB.

Veja o seu pronunciamento completo na tribuna da Assembléia Legislativa:
Senhores deputados,
Senhoras deputadas,
Galeria,
Imprensa,
Internautas e todos que nos assistem pela TV assembleia…
“Os lugares mais sombrios do inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral”. a divina comedia dante alighieri.
Vim de grandes dificuldades, onde trabalhei por vários anos em uma banca no mercado central, isso já faz muito tempo, mesmo assim, ainda tenho irmãos trabalhando na mesma banca que foi minha e do meu querido pai.
Essas dificuldades determinaram em mim, um sentimento de enfrentamento a todas as adversidades que eu teria que enfrentar na minha trajetória de vida. De agente de Polícia Federal a advogado e delegado de Polícia federal, procurei exercer a minha profissão de uma forma que fosse exemplar para meus pais, minha mulher, meus irmãos, meus filhos, meus amigos, para o Maranhão e o meu País. Lutei para que o meu pai, ainda em vida, se orgulhasse do sacrifício que enfrentou para criar e formar seus 13 (treze) filhos.
Exerci muitas funções importantes de confiança na Polícia Federal, foi através do meu desempenho, profissionalismo, transparência e responsabilidade, que contribuíram para que eu fosse convidado pela governadora Roseana Sarney para exercer, em momento de crise, o cargo de Secretario de Segurança do Estado do Maranhão no dia 03/07/1997.
À frente do Sistema de Segurança Pública e com o apoio irrestrito de todo o sistema e dos poderes constituídos do nosso Estado combatemos o crime em todas as suas modalidades.
Na secretaria de segurança, permaneci por longos anos e atendendo ao chamado do povo do meu Estado, entrei para vida pública, pensando eu, que não iria enfrentar as adversidades que enfrentei na secretaria de segurança.
Mas os interesses contrariados me surpreenderam, profundamente, diante do que eu esperava.
No meu segundo mandato, porque no primeiro, parte dele voltei a exercer o cargo de secretário de segurança, procurei trazer a esta Casa a experiência que eu adquirir, no que diz respeito, a segurança pública e nesta tribuna que hoje eu ocupo busquei, não competir, não enfrentar, mas ser útil a atual gestão da secretaria de segurança pública.
Ninguém pode esconder com a mão a fragilidade que convivemos hoje em relação à segurança pública do nosso Estado. As estatísticas de homicídios, de roubos, sequestros relâmpagos, arrombamentos através de explosivos de caixas eletrônicos, de furtos e roubos de veículos, centenas de assaltos a ônibus, de invasão à domicílios, de tráfico de drogas desenfreado e da volta do crime organizado no maranhão, nos deixam perplexos diante da falta de competência do atual secretário de Segurança Publica do Estado.
As minhas críticas, feitas nesta tribuna, não alcançaram o objetivo que busquei, ao contrário, despertei uma animosidade competitiva, desenfreada e criminosa que buscou atingir a minha história de vida.
Os caminhos possíveis no campo da justiça, eu percorri para me defender das acusações levianas de assassinato, de grilagem e de agiotagem.
Esta Casa é testemunha, e nos seus anais está registrado o pedido da criação da comissão parlamentar de Inquérito para investigar agiotagem em nosso estado, onde a imprensa comenta até a participação de membros da Assembléia na prática desse delito.
Solicitei a esta Casa através de documentos, que me convocasse para comparecer a comissão de ética para justificar as acusações. Fiz uma representação à Procuradoria-Geral de Justiça para que o Secretário de Segurança e 03 (três) delegados esclarecessem a armação que eles fizeram para me incriminar dentro do inquérito que ensejou o processo da morte do jornalista Décio Sá. O que eu pude fazer eu fiz.
Esperei que o grupo político que sempre fui leal se manifestasse em minha defesa. Não vi esse gesto, ao contrário, o sistema mirante de comunicação, sem a investigação jornalística necessária, precipitadamente, divulgou as acusações contra mim. Não olhou o sistema mirante, para minha honra, para minha moral, para minha história. Não se preocupou em medir as conseqüências que poderia atingir a minha vida pública. Apenas 04 (quatro) Deputados da base aliada assinaram o requerimento da criação da CPI da agiotagem. Quem assinou foi à oposição.
Tenho recebido e-mails, mensagens, e telefonemas me cobrando a busca de um caminho para que eu possa continuar representando o povo do nosso Estado.
Conversei com as lideranças da capital e do interior, conversei com a minha família, conversei com os meus amigos buscando encontrar uma decisão, que não atendesse somente aos meus sentimentos. Senhor Presidente, o povo é sábio, o povo não admite injustiça e, por unanimidade, me aconselharam a percorrer a estrada que se abre de mudanças no país inteiro e, principalmente no Maranhão. Vou buscar não o que se diz oposição, eu vou buscar é a concretização de melhores dias para o nosso povo.
Águas passadas não movem moinhos, passado é passado, não olharei para traz. Vou procurar as lideranças que estão se colocando à disposição do povo para concretizar o sentimento de esperança, de mudanças de progresso que todos nós estamos cansados de esperar.
Senhor Presidente, a partir de hoje, me EXCLUO da base aliada que fiz parte por todos esses anos.
Na semana passada visitei um povoado distante e isolado do município onde nasci, São João Batista. Conversei com a comunidade e me dirigi particularmente a uma senhora idosa que fazia parte da reunião e perguntei: com quem nós vamos votar para governador nessas próximas eleições? E ela respondeu: Dr Cutrim, aqui nós cansamos de esperar, tenho conversado com os meus filhos e meus netos e tenho recomendado para votarmos para governador num candidato que foi juiz.
Senhor presidente, senhores deputados, jornalistas presentes, senhores servidores desta casa, meus amigos, vou seguir os conselhos da idosa de nome Dona Maria, vou contribuir para a eleição de Flávio Dino candidato a governador do Maranhão.
Vou atrás da esperança, das mudanças que o povo do nosso Estado está cansado de esperar. Encerro meu pronunciamento com uma citação de DANTE ALIGHIERI.
“Vou lutar para ficar fora dos lugares mais sombrios do inferno porque não vou me omitir em tempos de crise moral que presenciamos”.

 Acho que a oposição ganha com esse reforço, além do mais, enfraquece a situação que vê a perder de vista, votos, poderio político e tem que colocar a barba de molho [lembre da trajetória de Cutrim].


Flávio Dino
Acho também meus caros internautas, que não para por aí, a oposição deve ser reforçada por várias figuras que influenciarão na quebra de braço entre a oposição e a velha oligarquia.

A oposição receberá, reforços do PT que não aceita hoje se ajoelhar para oligarquia, prefeitos e candidatos a prefeitos de vários municípios e que é salutar a vinda de figuras do campo dos sarneys que estão insatisfeitos com tratamentos adotados pelo clã.

Quem ganha com isso também é a maioria da população que vê cair por terra e com o velho Sarney vivo, uma oligarquia carcomida e enxerga em 2014 a abertura do portal da mudança com a eleição de Flavio Dino.

Quem viver verá! 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Os sete governos derrubados pelos EUA

A era de golpes apoiados pela CIA despontou de maneira dramática: um general norte-americano viaja até o Irã e encontra "velhos amigos"; dias depois, o Xá ordena que o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh deixe seu cargo. 

Quando os militares iranianos hesitam, milhões de dólares são injetados em Teerã para corromper os apoiadores de Mossadegh e financiar protestos de rua. Os militares, reconhecendo que a balança do poder começou a pesar mais do outro lado, derrubam o primeiro-ministro, que vive o resto de sua vida sob prisão domiciliar. Este foi, como um documento da CIA atesta, "uma operação norte-americana do começo ao fim", e um dos muitos golpes apoiados pelos 

EUA que aconteceram pelo mundo durante a segunda metade do século XX.

Alguns líderes, tanto ditadores quanto eleitos democraticamente, foram pegos em meio ao conflito entre EUA e URSS da Guerra Fria - uma posição que custaria seus postos (e, para alguns, suas vidas) conforme a CIA tentava instalar "seus homens" no comando dos estados. O governo dos EUA reconheceu publicamente algumas dessas ações secretas; na verdade, o papel da CIA no golpe de 1953 tornou-se público esta semana. Em outros casos, o envolvimento da CIA ainda está somente sob suspeita.

O legado do envolvimento secreto dos EUA em sete golpes militares bem sucedidos (para não mencionarmos o número de intervenções militares norte-americanas contra regimes hostis, insurgências apoiadas pelos EUA, e tentativas fracassadas de assassinatos, incluindo o caso do plano para matar Fidel Castro com um charuto explosivo), transformaram a mão secreta dos EUA em um bicho-papão nas tensões políticas de hoje. Mesmo hoje, não obstante a minguante influência dos EUA no Cairo, teorias da conspiração sugerem que tanto a Irmandade Muçulmana quanto o governo militar possuem uma sociedade com os Estados Unidos.

Abaixo, uma breve história dos casos confirmados de golpes apoiados pela CIA espalhados pelo mundo.

Irã, 1953 - Muito se especula sobre o papel da CIA no golpe que instalou, em 1949, um governo militar na Síria. Apesar disso, a derrubada do primeiro-ministro iraniano Mohammed Mossadegh é o primeiro golpe durante a Guerra Fria que o governo dos EUA reconheceu. Em 1953, depois de quase dois anos de governo Mossadegh - durante o qual ele desafiou a autoridade do Xá e nacionalizou a indústria do petróleo iraniana antes operada por companhias britânicas - Mossagedh foi tirado de seu gabinete e preso, passando o resto da vida sob prisão domiciliar. De acordo com documentos da CIA, "foi a possibilidade de deixar o Irã aberto para uma agressão dos soviéticos - quando a Guerra Fria estava em seu auge e os EUA estavam envolvidos em uma guerra não declarada na Coreia contra forças da União Soviética e da China – que nos fez planejar e executar o TPAJAX [nome da operação do golpe]".

Guatemala, 1954 - Apesar dos EUA no início apoiarem o presidente guatemalteco Jacobo Árbenz - o Departamento de Estado sentia que sua ascensão apoiada num exército armado e treinado pelos EUA seria um trunfo - o relacionamento amargou assim que Árbenz tentou realizar uma série de reformas-agrárias que ameaçavam as posses da empresa norte-americana United Fruit Company. Um golpe em 1954 tirou Árbenz do poder, colocando uma sucessão de juntas militares em seu lugar. Detalhes secretos do envolvimento da CIA na derrubada do líder guatemalteco, que incluíam a equipagem de rebeldes e tropas paramilitares enquanto a marinha dos EUA bloqueavam a costa guatemalteca, vieram à luz em 1999.

Congo, 1960 - Patrice Lumumba, o primeiro primeiro-ministro do Congo (mais tarde, República Democrática do Congo), foi tirado de seu gabinete pelo presidente congolês Joseph Kasavubu em meio a uma intervenção militar do exército belga (apoiado pelos EUA) no país. Era um esforço violentíssimo para manter os negócios belgas depois da descolonização do país. Mas Lumumba manteve uma oposição armada contra os militares belgas e, após se aproximar da União Soviética para conseguir suprimentos, foi alvo da CIA assim que a agência determinou que ele era uma ameaça ao novo governo instalado de Joseph Mobutu. O Church Committee, uma comissão do Senado formada em 1975 para fiscalizar as ações clandestinas da inteligência norte-americana, descobriu que a CIA ''ainda mantinha um contato bastante próximo com os congoleses que expressaram o desejo de matar Lumumba,'' e que ''oficiais da CIA encorajaram e ofereceram ajuda aos congoleses em seus esforços contra Lumumba.'' Depois de uma tentativa interrompida de assassinato de Lumumba, envolvendo um lenço envenenado, a CIA alertou as tropas congolesas da localização do primeiro-ministro deposto, além de indicar as estradas que deveriam ser bloqueadas e as possíveis rotas de fuga. Lumumba foi capturado no final de 1960 e morto em janeiro do ano seguinte.

República Dominicana, 1961 - A ditadura brutal de Rafael Trujillo - que incluiu a limpeza étnica de milhares de haitianos na República Dominicana e a tentativa de assassinato do presidente da Venezuela - terminou quando ele foi emboscado e morto por dissidentes políticos. Apesar do atirador que matou Trujillo sustentar http://www.bbc.co.uk/news/world-latin-america-13560512 que ''ninguém me mandou matar Trujillo'', ele teve apoio da CIA. O Church Committee descobriu que ''apoio material, sendo três pistolas e três carabinas, foi distribuído para vários dissidentes... os oficiais norte-americanos sabiam que os dissidentes pretendiam derrubar Trujillo, provavelmente através de seu assassinato...''

Vietnã do Sul, 1963 - Os EUA já estavam muito envolvidos no Vietnã do Sul em 1963, e seu relacionamento com o líder do país, Ngo Dinh Diem, crescia cada vez mais, com tensões que envolviam a repressão de Diem sobre dissidentes budistas. De acordo com os Pentagon Papershttp://media.nara.gov/research/pentagon-papers/Pentagon-Papers-Part-IV-B-5.pdf, em 23 de agosto de 1963, os generais do Vietnã do Sul que planejavam um golpe contataram oficiais norte-americanos falando sobre seus planos. Depois de algumas dificuldades e um período de indecisão dos EUA, os generais capturaram e mataram Diem com apoio norte-americano em 1º de novembro de 1963. Avalia-se que parte do apoio consistiu em 40.000 dólares de recursos da CIA.

''Para o golpe militar contra Ngo Dihn Diem, os EUA devem aceitar sua parcela de responsabilidade,'' atestam os Pentagon Papers. ''No início de agosto de 1963 nós autorizamos, sancionamos e encorajamos os esforços para o golpe dos generais vietnamitas e oferecemos apoio total para um governo sucessor... nós mantivemos contatos clandestinos com eles durante o planejamento e execução do golpe e solicitamos a revisão de seus planos operacionais, além de sugerir um novo governo.''

Brasil, 1964 - Temendo que o governo do presidente João Goulart transformaria, nas palavras do embaixador norte-americano Lincoln Gordon, ''o Brasil na China de 1960'', os EUA apoiaram o golpe liderado por Humberto Castello Branco, à época chefe do Estado-Maior. Nos dias anteriores ao golpe, a CIA encorajou manifestações contra o governo, assim como proveram combustível e ''armas de origem não-norte-americanas'' àqueles que apoiavam os militares. ''Eu acho que devemos tomar todas as medidas necessárias, e estarmos preparados para qualquer coisa que precisemos fazer,'' disse o presidente Lyndon Johnson a seus conselheiros que planejavam o golpe, de acordo com documentos obtidos pelo National Security Archive. Os militares brasileiros se mantiveram no poder até 1985.

Chile, 1973 - Os Estados Unidos nunca desejaram que Salvador Allende, o candidato socialista eleito presidente em 1970, assumisse seu posto. O presidente Richard Nixon mandou que a CIA fizesse que a economia do Chile ''gritasse'', e a agência trabalhou com três grupos chilenos, cada um planejando um golpe contra Allende em 1970. A agência foi tão longe a ponto de fornecer armamento, mas os planos foram por terra depois que a CIA perdeu a confiança em seus contatos. As tentativas norte-americanas de destruir a economia chilena continuaram até que o general Augusto Pinochet liderou um golpe militar contra Allende em 1973. O relatório oficial da CIA sobre a tomada do poder em setembro de 1973 aponta que a agência ''estava consciente dos planos de golpe dos militares, possuía relacionamentos para coleta de dados de inteligência com os conspiradores, e - pelo fato da CIA não desencorajar a tomada e até procurar instigar um golpe em 1970 - parecia tolerá-lo.'' A CIA também conduziu a campanha de propaganda de apoio ao novo regime de Pinochet depois que ele tomou posse em 1973, apesar do conhecimento de severos abusos contra os direitos humanos, incluindo o assassinato de dissidentes políticos.


Tradução de Roberto Brilhante

Fonte: Reproduzido do blog Diário da Liberdade

sábado, 31 de agosto de 2013

Governo Dilma cala o boca dos golpistas de plantão

Comparar é entender. Para deixar mais clara a importância do resultado de 1,5% de crescimento da economia brasileira no segundo trimestre, o Ministério da Fazenda fez um levantamento bastante amplo sobre os resultados alcançados por outras importantes economias do mundo no mesmo período.
Os números fizeram parte da apresentação feita pelo ministro Guido Mantega, em Brasília, nesta sexta-feira 30. E ele tinha mesmo bons motivos para cotejar o resultado local frente ao de gigantes globais. Afinal, a economia que Mantega pilota sofrendo caneladas distribuídas pela mídia tradicional, torcida organizada, na mídia estrangeira, pela sua queda, e sustos diários em razão da volatilidade imposta pela própria crise, bateu a de todos os demais países ocidentais. No globo, perdeu em crescimento, no período, apenas para a da China, que marcou 1,7% sobre o período anterior.
Em recuperação, com números ainda tímidos, mas mais saudáveis do que os de meses atrás, a economia dos Estados Unidos não fez frente para o PIB brasileiro. O 0,6% marcado pelo PIB americano é mais de duas vezes menor que a marca do Brasil entre abril e junho. Na mesma conta cabe o da Inglaterra, que cresceu 0,7%. No continente europeu, a Alemanha, que produziu o melhor índice, chegou apenas a 0,8%.
No restrito clube dos países que marcaram acima de 1% estão, além do Brasil e China, Coréia do Sul e Portugal, cada um deles com 1,1%. Itália e Espanha, respectivamente com – 0,2% e – 0,1%.
Se você não acredita que existe uma crise econômica mundial lá fora, essas comparações podem não fazer muito sentido. No entanto, quem está por dentro do que se dá pelo mundo nos últimos dois anos sabe que o cotejamento mostra que o Brasil, com seu conjunto de políticas anti-cíclicas, continua obtendo resultados que mostram os benefícios dessa resistência.
A presidente Dilma Rousseff, em viagem à Europa, disse que a melhor maneira de enfrentar a crise não é pela contenção, mas pelo crescimento. Ela se mantém coerente a essa afirmação e está colhendo os resultado que muita gente não esperava.
Abaixo, as telas da apresentação do ministro Guido Mantega sobre o PIB:



Fonte: Brasil 247

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Autor de 'Honoráveis Bandidos' e 'A Candidatura que Virou Picolé' lança mais uma obra "bomba"

Uma grande reportagem, 400 páginas, 36 capítulos, 20 anos de apuração, um repórter da velha guarda, um personagem central recheado de contradições, poderoso, ex-presidente da República, um furo jornalístico, os bastidores da imprensa, eis o conteúdo principal da mais nova polêmica do mercado editorial brasileiro: O Príncipe da Privataria – A história secreta de como o Brasil perdeu seu patrimônio e Fernando Henrique Cardoso ganhou sua reeleição (Geração Editorial, R$ 39,90).

Com uma tiragem inicial de 25 mil exemplares, um número altíssimo para o padrão nacional, O Príncipe da Privataria é o 9° título da coleção História Agora da Geração Editorial, do qual faz parte o bombástico A Privataria Tucana e o mais recente Segredos do Conclave.

O personagem principal da obra é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o autor é o jornalista Palmério Dória, (Honoráveis Bandidos – Um retrato do Brasil na era Sarney, entre outros títulos). A reportagem retrata os dois mandatos de FHC, que vão de 1995 a 2002, as polêmicas e contraditórias privatizações do governo do PSDB e revela, com profundidade de apuração, quais foram os trâmites para a compra da reeleição, quem foi o “Senhor X” – a misteriosa fonte que gravou deputados confessando venda de votos para reeleição – e quem foram os verdadeiros amigos do presidente, o papel da imprensa em relação ao governo tucano, e a ligação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) com a CIA, além do suposto filho fora do casamento, um ”segredo de polichinelo” guardado durante anos…

Após 16 anos, Palmério Dória apresenta ao Brasil o personagem principal do maior escândalo de corrupção do governo FHC: o “Senhor X”. Ele foi o ex-deputado federal que gravou num minúsculo aparelho as “confissões” dos colegas que serviram de base para as reportagens do jornalista Fernando Rodrigues publicadas na Folha de S. Paulo em maio de 1997. A série “Mercado de Voto” mostrou da forma mais objetiva possível como foi realizada a compra de deputados para garantir a aprovação da emenda da reeleição. “Comprou o mandato: 150 deputados, uma montanha de dinheiro pra fazer a reeleição”, contou o senador gaúcho, Pedro Simon. Rodrigues, experiente repórter investigativo, ganhou os principais prêmios da categoria no ano da publicação.

Nos diálogos com o “Senhor X”, deputados federais confirmavam que haviam recebido R$ 200 mil para apoiar o governo. Um escândalo que mexeu com Brasília e que permanece muito mal explicado até hoje. Mais um desvio de conduta engavetado na Era FHC.

Porém, em 2012, o empresário e ex-deputado pelo Acre, Narciso Mendes – o “Senhor X” –, depois de passar por uma cirurgia complicada e ficar entre a vida e a morte, resolveu contar tudo o que sabia.

O autor e o coautor desta obra, o também jornalista da velha guarda Mylton Severiano, viajaram mais de 3.500 quilômetros para um encontro com o “Senhor X”. Pousaram em Rio Branco, no Acre, para conhecer, entrevistar e gravar um homem lúcido e disposto a desvelar um capítulo nebuloso da recente democracia brasileira.

O “Senhor X” aparece – inclusive com foto na capa e no decorrer do livro. Explica, conta e mostra como se fazia política no governo “mais ético” da história. Um dos grandes segredos da imprensa brasileira é desvendado.

20 anos de apuração

Em 1993, o autor começa a investigar a vida de FHC que resultaria neste polêmico livro. Nessas últimas duas décadas, Palmério Dória entrevistou inúmeras personalidades, entre elas o ex-presidente da República Itamar Franco, o ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes e o senador Pedro Simon, do PMDB. Os três, por variadas razões, fizeram revelações polêmicas sobre o presidente Fernando Henrique e sobre o quadro político brasileiro.

Exílio na Europa

Ao contrário do magnata da comunicação Charles Foster Kane, personagem do filme Cidadão Kane, de Orson Welles, que, ao ser chantageado pelo seu adversário sobre o seu suposto caso extraconjugal nas vésperas de uma eleição, decide encarar a ameaça e é derrotado nas urnas devido a polêmica, FHC preferiu esconder que teria tido um filho de um relacionamento com uma jornalista.

FHC leva a sério o risco de perder a eleição. Num plano audacioso e em parceria com a maior emissora de televisão do país, a Rede Globo, a jornalista Miriam Dutra e o suposto filho, ainda bebê, são “exilados” na Europa. Palmério Dória não faz um julgamento moralista de um caso extraconjugal e suas consequências, mas enfatiza o silêncio da imprensa brasileira para um episódio conhecido em 11 redações de 10 consultadas. Não era segredo para jornalistas e políticos, mas como uma blindagem única nunca vista antes neste país foi capaz de manter em sigilo em caso por tantos anos?

O fato só foi revelado muito mais tarde, e discretamente, quando Fernando Henrique Cardoso não era mais presidente e sua esposa, Dona Ruth Cardoso, havia morrido. Com um final inusitado: exame de DNA revelou que o filho não era do ex-presidente que, no entanto, já o havia reconhecido.

Na obra, há detalhes do projeto neoliberal de vender todo o patrimônio nacional. “Seu crime mais hediondo foi destruir a Alma Nacional, o sonho coletivo”, relatou o jornalista que desvendou o processo privativista da Era FHC, Aloysio Biondi, no livro Brasil Privatizado.

O Príncipe da Privataria conta ainda os bastidores da tentativa de venda da Petrobras, em que até a produção de identidade visual para a nova companhia, a Petrobrax, foi criada a fim de facilitar o entendimento da comunidade internacional. Também a entrega do sistema de telecomunicações, as propinas nos leilões das teles e de outras estatais, os bancos estaduais, as estradas, e até o suposto projeto de vender a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. “A gente nem precisa de um roubômetro: FHC com a privataria roubou 10 mil vezes mais que qualquer possibilidade de desvio do governo Lula”, denuncia o senador paranaense Roberto Requião.

Sobre autor:

Palmério Dória é repórter. Nasceu em Santarém, Pará, em 1949 e atualmente mora em São Paulo, capital. Com carreira iniciada no final da década de 1960 já passou por inúmeras redações da grande imprensa e da “imprensa nanica”. Publicou seis livros, quatro de política: A Guerrilha do Araguaia; Mataram o Presidente — Memórias do pistoleiro que mudou a História do Brasil ; A Candidata que Virou Picolé (sobre a queda de Roseana Sarney na corrida presidencial de 2002, em ação orquestrada por José Serra); e Honoráveis Bandidos — Um retrato do Brasil na Era Sarney ; mais dois livros de memórias: Grandes Mulheres que eu Não Comi, pela Casa Amarela; e Evasão de Privacidade, pela Geração Editorial.

Ficha Técnica:

O Príncipe da Privataria
Autor: Palmério Dória
Coleção: História Agora – 9 vol.
Gênero: Reportagem
Acabamento: Brochura
Formato: 16 x 23 cm
Págs: 400
Peso: 552g
ISBN: 9788581302010
Preço: R$ 39,90
Editora: Geração

Fonte: Blog do Miro

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Em tempo: A volta do filho (de papai) pródigo ou a parábola do roqueiro burguês

Por Cynara Menezes
Nem todo direitista é derrotista, mas todo derrotista é direitista. Reparem no capricho do léxico: as duas palavras são quase idênticas. Ambas têm dez letras, soam similares e até rimam. Se você tem dúvida se alguém é de direita observe essas características. Começou a falar mal do Brasil e dos brasileiros, a demonstrar desprezo por tudo daqui, a comparar de forma depreciativa com outros países, é batata. Derrotista/direitista detectado.
Temos hoje no Brasil duas personalidades célebres pelo derrotismo explícito e pelo direitismo não assumido: os roqueiros Lobão e Roger Moreira, do Ultraje a Rigor. Eu ia citar também Leo Jaime, outro direitoso do rock nacional, mas não posso classificá-lo como um derrotista típico –fora isso, no entanto, cabe perfeitamente no figurino que descreverei aqui. Os três são cinquentões: Lobão tem 55, Roger, 56 e Leo, 52.
Da geração dos 80, Lobão sempre foi meu favorito. Eu simplesmente amo suas canções. Para mim, Rádio BláVida BandidaVida Louca Vida e Decadence Avec Elegance são clássicos. Além de Corações Psicodélicos, em parceria com Bernardo Vilhena e Julio Barroso, ai, ai… Adoro. E não é porque Lobão se transformou em um reacionário que vou deixar de gostar. Sim, Lobão virou um reaça no último. Alguém que voltasse agora de uma viagem longa ao exterior ia ficar de queixo caído: aquele personagem alucinado, torto, jeitão de poeta romântico, que ficou preso um ano por porte de drogas, se identifica hoje com a direita brasileira mais podre.
Não me importa que Lobão critique o PT ou qualquer outro partido. O que me entristece é ele ter se unido ao conservadorismo hidrófobo para perpetrar barbaridades como a frase, dita ano passado, em tom de pilhéria: “Há um excesso de vitimização na cultura brasileira. Essa tendência esquerdista vem da época da ditadura. Hoje, dão indenização a quem seqüestrou embaixadores e crucificam os torturadores, que arrancaram umas unhazinhas”. No twitter (@lobaoeletrico), se diverte esculhambando o país e os brasileiros, sempre nos colocando para baixo. “Antigamente éramos um país pobre e medíocre… terrível. Hoje em dia somos um país rico e medíocre… pior ainda”, escreveu dia desses.
Os anos não foram mais generosos com Roger Moreira, do Ultraje. O cara que cantava músicas divertidíssimas como Nós Vamos Invadir Sua Praia, Marylou ouInútil virou um coroa amargo que deplora o Brasil e vive reclamando de absolutamente tudo com a desculpa de ser “contra os corruptos”. É um daqueles manés que vivem com a frase “imagine na Copa” na ponta da língua para criticar o transporte público, por exemplo, sem nem saber o que é pegar um ônibus. Os brasileiros, segundo Roger, são um “povo cego, ignorante, impotente e bunda-mole”. Sofre de um complexo de vira-lata que beira o patológico. Ao ver a apresentação bacana dirigida por Daniela Thomas ao final das Olimpíadas de Londres, tuitou, vaticinando o desastre no Rio em 2016: “Começou o vexame”. Não à toa, sua biografia na rede social (@roxmo) é em inglês.
Muita gente se pergunta como é que isso aconteceu. O que faz um roqueiro virar reaça? No caso de ambos, a resposta é simples. Tanto Roger quanto Lobão são parte de um fenômeno muito comum: o sujeito burguês que, na juventude, se transforma em rebelde para contrariar a família. Mais tarde, com os primeiros cabelos brancos, começa a brotar também a vontade irresistível, inconsciente ou não, de voltar às origens. Aos poucos, o ex-revoltadex vai se metamorfoseando naqueles que criticava quando jovem artista. “Você culpa seus pais por tudo, isso é um absurdo. São crianças como você, é o que você vai ser quando você crescer” –Renato Russo, outro roqueiro dos 80′s, já sabia.
O carioca Lobão, nascido João Luiz Woerdenbag Filho, descendente de holandeses e filhinho mimado da mamãe, estudou a vida toda em colégio de playboy, ele mesmo conta em sua biografia. O paulistano Roger estudou no Liceu Pasteur, na Universidade Mackenzie e nos EUA. Nada mais natural que, à medida que a ira juvenil foi arrefecendo –infelizmente junto com o vigor criativo– o lado burguês, muito mais genuíno, fosse se impondo. Até mesmo por uma estratégia de sobrevivência: se não estivessem causando polêmica com seu direitismo, será que ainda falaríamos de Roger e Lobão? Eu nunca mais ouvi nem sequer uma música nova vinda deles. O Ultraje, inclusive, se rendeu aos imbecis politicamente incorretos e virou a “banda do Jô” do programa de Danilo Gentili.
Enfim, incrível seria se Mano Brown ou Emicida, nascidos na periferia de São Paulo, se tornassem, aos 50, uns reaças de marca maior. Pago para ver. Mas Lobão e Roger? Normal. O bom filho de papai à casa torna. A família deles, agora, deve estar orgulhosíssima.
Fonte: Reproduzido do Blog Socialista Morena